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sábado, 14 de abril de 2012

Cangaceiras do bando de Lampião



Da esquerda para a direita:
Moça, companheira do cangaceiro Cirilo de Engrácias, e Inacinha, companheira do cangaceiro Gato.



Da esquerda para  direita:
Nenen do Ouro, companheira do cangaceiro Luiz Pedro, e a rainha do capitão Lampião. Maria Bonita

Extraída do blog:
Mulheres no cangaço, da escritora Vanessa Campos
http://www.mulheresdocangaco.com.br/?p=18

A dona de Lampião


Lançado dia 8 de março, no Recife, escrito pela editora do blog Mulheres do Cangaço, http://www.mulheresdocangaco.com.br/?p=18, com tiragem de 500 exemplares, já está praticamente esgotado.

O livro em estilo de reportagem foca a vida de Maria Bonita do nascimento até a morte, sem esquecer-se da supremacia da rainha do cangaço no bando e em Virgolino.

O livro pode ser encontrado nas livrarias Jaqueira, Poty, Cultura e também na internet: estantecultural.com.br.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Boas Vindas - Blog parceiro de uma aguerrida colega.

 

Blog Mulheres cangaceiras está na rede visse, mais um empreendimento cultural da vaqueira Wanessa Campos. Um espaço dedicado aos capitulos envolvendo as tantas cabrochas que amaram e padeceram na vida cangaceira. Clique Aqui

 Lampião aceso
http://lampiaoaceso.blogspot.com

UMA RADIOLA AO LUAR

Rangel Alves da Costa*


Sorte teve o meu pai, que lá pelos tantos idos de 1940 nasceu num sertão ainda virgem, matuto mesmo, de inocência cabocla e de infinito prazer da vivência na terra árida e cativante.

Naquela época certamente a natureza sertaneja ainda estava com o seu corpo imaculado, sem ter sofrido quaisquer desses abusos que hoje em dia nos faz entristecidos. Havia a sequidão pelos campos e matarias sim, pois sem as secas sertão não é sertão. Havia a pobreza grassando de palmo e palmo sim, pois a miséria parece ser filha do lugar e parente de todo mundo.

Mas havia muito mais, muito mais coisas encantadoras que amenizavam os sofrimentos e faziam o sertanejo viver na felicidade que somente ele sabe possuir, pois agradecido demais a Deus pelo galo cantando no alvorecer, pelo cuscuz e o leite tirado do peito da vaca, pelo café quentinho e pelo olhar que encontra sempre um dia bonito para viver.

Sertão é assim mesmo, seu moço! Bicho e poesia, cantiga e lamentação, bom dia e inté mais se ver, boa sorte e que Deus lhe ajude! E pelos caminhos que cortam a vida, os barracos se espalhando feito galinha no terreiro, bicho no berreiro, qualquer coisa no cercadinho e o prazer imenso de dizer isso é meu. Não tem nada não, seu moço, mas tudo é dele. É dele porque o sertão é dele e ele é o sertão em pessoa.

Meu pai nasceu num lugar assim, nessa vastidão sertaneja onde tudo mundo era feliz e não sabia. Somente mais tarde, quando o filho de Dona Emeliana e Seu Ermerindo ouviu pela primeira vez uma autêntica cantiga sertaneja, um legítimo violar caipira, é que começou a juntar a letra da moda de viola com a terra que pisava e a realidade vivida e decisivamente concluiu que as belezas do sertão são melodias de se caminhar e pegar com a mão.


Foi nesse momento que a viola caipira de Tonico e Tinoco entrou melodiosamente no coração de Alcino.


Aquele rapaz, já político e prefeito do lugar, logo ao amanhecer escurecido ligava seu velho e potente rádio Philips, de quase meio metro de diâmetro, e sintonizava nas emissoras paulistanas onde sabia que não demoraria muito para ouvir a voz inconfundível da dupla coração do Brasil.

Sou filho - e por isso mesmo posso falar - que o rapaz já casado ainda assim era um inveterado namorador. Todo mundo sabe disso até hoje.

Assim, quando um dia um primo seu chegado do sul lhe trouxe de presente uma radiola portátil novinha, pequenininha e azul, todas as noites, e sempre já em altas horas, Alcino seguia em direção à praça da matriz, colocava seu toca-discos em cima de um banco e ia escolhendo a dedo as músicas de Tonico e Tinoco.

Muitos dizem que ele fazia serenata louvando as belezas do luarar sertanejo, outros afirmam que era serenata mesmo, mas com outras motivações apaixonadas. De qualquer sorte, invariavelmente se ouvia todas as noites “Tristeza do Jeca”, “Eu e a lua” e “Pé de ipê” nas doces e inconfundíveis vozes de Tonico e Tinoco.

E se ouvia na “Tristeza do Jeca”:

“Nestes verso tão singelo
minha bela, meu amor
pra você quero contar
o meu sofrer e a minha dor
Eu sô igual a um sabiá
quando canta é só tristeza
desde um galho onde ele está
nesta viola eu canto e gemo de verdade
cada toada representa uma saudade...”.

Na “Eu e a lua”:

“Eu me desperto em arta madrugada
Em arvorada ponho-me a cantar
Em tom profundo lamento em meu pinho
Triste sozinho vivo a recordar
Vem ouvir ingrata quem deixou de amar
Somente a lua no céu estrelado
Está a meu lado, surgiu num clarão
E tu querida nem abre a janela
Vem ouvir donzela a minha canção
Tu foi aquela muié sem coração...”.

E “Pé de ipê”:

“Eu bem sei que adivinhava
quando as veiz eu ti chamava
de muié sem coração
Minha vóiz assim queixosa
vancê é a mais formosa
das cobocra do sertão
Certa veiz tive um desejo
de prová ao meno um beijo
da boquinha de vancê
Lá no trio da baixada
pertinho da encruziada
debaixo de um pé de ipê...”.

Até hoje, já depois dos 70 anos, Alcino continua ainda mais apaixonado pela autêntica música caipira. Naqueles idos suas paixões eram muitas e até dizem que muitas eram as mocinhas que choravam nos travesseiros ou pertinho das janelas, com os apertos nos corações que sempre chegam altas horas da noite e com a serenata sertaneja de Alcino.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Enviado pelo poeta e escritor:
Rangel Alves da Costa

"PARÁBOLA DA ÁGUIA E DA GALINHA"

  Obs: Imagem extraída do site: imagensporfavor.com

“PARÁBOLA DA ÁGUIA E DA GALINHA”

Era uma vez um camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa.

Conseguiu pegar um filhote de águia. Coloco-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:

- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.

- De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha. Ela não é mas uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.

- Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar ás alturas.

 - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:

- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!

- Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia.

E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
 
- Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!

Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.

O camponês sorriu e voltou à carga:

- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!

- Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia.

Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:

- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.

Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...

E Aggrey terminou conclamando:

- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.



Obs: Parábola do livro: “O despertar da águia”, do autor: Leonardo Boff, Editora:Vozes, Petrópolis, RJ, ano: 2004.
E foi retirado do blog:
Postagem do dia: 26.01.2010.

Extraído do blog: "Professora Angélica" 
 
http://professoraanglica.blogspot.com.br