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domingo, 29 de julho de 2012

Você está convidado!

Próxima Terça, 31, Melquiades Pinto Paiva em noite de autógrafos

Encaminhamos aos sócios e amigos do GECC (Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará) Convite para o lançamento do livro "Cangaço: Uma Ampla Bibliografia Comentada".

Clique para ampliar

Att Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE

Lembre-se que você poderá adquiri agora mesmo esta edição de luxo, com capa dura e papel especial,  incluídos os Volumes: I - II - III - IV e V da série "Bibliografia Comentada do Cangaço", mais o volume  VI, inédito. Portanto são (6 em 1), que somam 392 páginas. Com peso de 1,2 kg. com o valor especial de R$ 85,00 (Oitenta e cinco reais) "Frete incluso". 

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Postado por Kiko Monteiro, no Lampião Aceso.

lampiaoaceso.blogspot.com

GPEC se reune em João Pessoa

Por: Narciso Dias
Grupo GPEC da Paraíba

O Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço - GPEC , promoveu na noite da última terça-feira, dia 24, mais uma reunião ordinária. As presenças de vários amigos dentre eles Celestino Sousa ( Neto do Maj. Zé Inácio do Barro). A reunião foi realizada na casa do confrade Demétrius ,bisneto de Zé Inácio , e também José Otávio Maia, grande conhecedor da história na região de Catolé do Rocha-PB.

Foi exibido o filme de Benjamim Abraão, bem como uma  sequencia de 75 fotos relacionadas ao cangaço. Em seguida um debate bem proveitoso.Grande abraço aos amigos.

Narciso Dias
O Volante/Cangaceiro  
Conselheiro Cariri Cangaço

cariricangaco.blogspot.com 

O Tenente Bezerra invadiu o Angico...

E Lampião, foi-se há 74 anos

A Sugestão da poesia foi do confrade Jorge Remígio, sócio Fundador do GPEC -Grupo Paraibano de Estudos do cangaço.

Para descontar o impacto da foto, fazer jus ao título do artigo e homenagear o amigo Jorge "cangaceirólogo" e musicólogo desde que usava fraldas" Espie aqui ,que tal uma bela cantiga?

Apreciem a interpretação do "Cacai Nunes Quinteto" para um clássico da música nordestina "Tenente Bezerra" do saudoso "Gordurinha". Pescado na página do Grupo no YouTube.


Fonte: Blog Lampião Aceso

A Sociedade do Cangaço anuncia...

Fazenda Angico - Poço Redondo - SE - Brasil


Maiores informações: 
lampiao.maria@gmail.com

O REI LAMPIÃO E O CORONEL JOAQUIM RESENDE


Conta o escritor Alcindo Alves Costa em seu livro: “Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico”, que o rio São Francisco foi um grande agasalhador do povo sertanejo. E lá, o povoamento foi se formando nos alarmados declives de sua margem.


Já no ano de 1611, um minúsculo povoado nascera lá, onde os sofridos sertanejos construíram as suas barracas, na intenção de sobreviveram através da pesca, uma vez que as dificuldades alimentares eram presentes. Como o rio era favorável à pesca, mesmo faltando-lhes outros alimentos necessários à sobrevivência, todos preferiam viver ali mesmo, no intuito de não morrerem de fome em outras regiões. E nessa época, o lugarejo pertencia ao município de Mata Grande, conhecido em todas as regiões adjacentes por Jaciobá. Os tempos foram se passando, e a cada ano eram construídas mais casinholas, fazendo com que o lugarejo fosse se expandindo gradativamente. E no ano de 1881, no dia 18 de junho, através da lei nº. 756, finalmente o lugarejo foi emancipado, tomando posse como primeiro intendente, ou seja, prefeito, um senhor chamado Serafim Soares Pinto. E assim que passou a ser cidade, começou a se desenvolver mais ainda, tornando-se um importante município nas terras alagoanas. Mas posteriormente, este valoroso município passou a ser chamado definitivamente de Pão de Açúcar. 

À esquerda, coronel Joaquim Resende - à direita, Melchiades da Rocha

E já no século XX, o município passou a ser comandado pelo coronel Joaquim Resende, um senhor de grande força política que chegou a ser odiado por alguns e admirado por outros. Era um homem rancoroso ao extremo, uma vez que não temia a ninguém. Mas apesar de ter seus adversários, mesmo assim, era um homem muito respeitado por todos que moravam lá, e pelos povoados adjacentes. O coronel Joaquim Rezende tinha as suas intrigas, tendo como inimiga, a família Maia, uma das mais tradicionais que também não se rendia ao patenteado.
           
No ano de 1935, dois rancorosos e poderosos, pela primeira vez se encontraram, ambos patenteados. Por um lado, o poderoso e zeloso da sua patente militar, o coronel Joaquim Resende. E pelo outro, o afamado e considerado o governador dos sertões, o amante das armas, o capitão Lampião. No encontro marcado para os afamados, a única finalidade era discutirem os desejos de ambos, como donos da lei.                                                                       

Como Lampião queria na força e na raça ser governador do sertão, e Joaquim Resende achando que o rei não podia lhe dar ordem, o assecla se sentindo desprestigiado, organizou uma maneira de atormentar a administração de Joaquim Resende. E sempre que colocava os pés naquela região sertaneja, fazia invasões, com depredações e ainda praticava mortes. 

Sendo disposto e exigente com a sua soberania, o coronel Joaquim Resende dizia abertamente, que os arrufos de qualquer ser humano não lhe metiam medo. E nem tão pouco de cangaceiro, assim como Lampião.
                                                              
Como o rei ficou chateado com o que dissera o oficial contra a sua pessoa, resolveu fazer uma perseguição a alguns dos seus amigos. E assim que principiou o ataque aos amigos do coronel, este não querendo deixá-los sozinhos, isto é, entregue às vontades do perigoso Lampião, passou a apoiar as decisões que os seus aliados tomavam contra o assecla.
                                               
Com a decisão tomada por Joaquim Resende, tanto os amigos do patenteado, como os do outro, o  rei Lampião, ficaram bastante preocupados, afirmando que se o oficial não medisse as palavras que soltava ferindo o rei, a vingança não tardaria acontecer. E a partir dessa desavença entre os poderosos, os protetores das duas autoridades deram início a uma forma de a quieta, a quieta, na finalidade de acabarem com a briga entre as suçuaranas humanas. O medo que eles tinham era se Joaquim Resende continuasse usando certos termos desrespeitando a majestade, uma vez que este não o perdoaria, e com certeza a sua vingança seria devastadora. 

Na verdade, quem não quisesse ser desmoralizado ou derrotado, não adiantava criar problemas com Lampião, pois além de ser destemido, era altamente perigoso e vingativo. E quando não conseguia dominar os seus inimigos e perseguidores, iniciava uma destruição em massa, sem reservar ninguém e nem a quem, tentando vencê-los na força, com combates e na coragem. Mas era do conhecimento de todos, que o rei Lampião sempre dizia: 

“-Tenho respeito por juízes e coronéis. E só brigo com estes patenteados, quando eles querem, pois se depender de mim, eu não brigo”.                                                                   

Mas como em todas as brigas tem sempre uma pessoa que faz o papel de sossega leão, um senhor chamado Zuza Tavares, foi um dos incumbidos pelos amigos para resolver a questão entre os dois indomáveis leões. 

Os amigos de ambas as partes marcaram uma reunião, e decidiram que o importante para os dois se entenderem, seria organizar um encontro entre as duas feras humanas. 

E quando seria este encontro? Logo no início do ano de 1936. E o local do encontro?  Na Fazenda Floresta, lá nas terras sergipanas, no Maitá, já que o rei e sua respeitada saga estavam de redes armadas e cachimbos acesos naquele lugar. E quem ficaria encarregado de providenciar o transporte até a fazenda? O grande honrado para adquirir o transporte foi um senhor chamado Messias de Caduda. E qual seria a locomoção que o famoso rei iria até a casa do coronel Joaquim Resende? Lógico que seria em uma bela e zelada canoa, já que no lugar não tinha iates, barcos ou outra coisa parecida. E de quem seria esta canoa? A de um senhor de nome João de Barros. Apesar de ser pescador, era um homem de grande confiança. Este foi o confiado para levar o rei ao encontro do coronel. E sem muita demora, foi feito o contrato do aluguel da canoa para este fim.                                                                        

João de Barros se sentindo importante, por ter sido escolhido para transportar a majestade, deu início a uma grande limpeza no honrado transporte, tirando o excesso de salmouras de peixes entre as tábuas. Afinal, nele iria entrar um dos homens mais importantes do nordeste. Depois o higienizou com um cheiroso detergente. E em seguida partiu para o local combinado. Canoa pronta, sua majestade dentro dela. E sem mais tardar, João de Barros remou o belo transporte em direção a Pão de Açúcar, até a Fazenda Floresta.    

Mas, desconfiado, sagaz e cuidadoso com a sua vida e as dos seus comandados, o rei Lampião achando que poderia existir alguma armadilha na fazenda Floresta, antes de chegarem ao local combinado, mandou que o João de Barros encostasse a canoa à beira do rio. Este obedeceu a sua ordem. O assecla incumbiu que o Messias descesse e fosse até a fazenda Floresta, e lá fizesse uma rigorosa vistoria, olhando todos os cômodos da casa, revistasse tudo, tim, tim por tim, tim. Assim que terminasse a revista por dentro da mansão, fosse vistoriar as suas laterais, e não deixasse nada por revistar. E ainda o rei o advertiu que não queria nenhuma novidade inesperada, pois se isso acontecesse contra ele e os seus asseclas, Messias já sabia muito bem que ganharia uma penalidade horrorosa. Ou o rei o mataria com um tiro, ou o enfiaria o seu longo punhal na sua clavícula.
                                                                 
Messias ao entrar na casa, deu início à revista.  E enquanto fazia a revista, olhou para um dos lados e viu um senhor que pelo seu jeito de se vestir, pareceu-lhe ser  uma autoridade. E era mesmo. Sem dúvida, o coronel Joaquim Resende, o grande e respeitado oficial. O Messias que ainda não o conhecia, depois de algumas conversas, pediu que o perdoasse por ter entrado ali sem a sua generosa autorização, e alegou que era ordem do capitão Lampião para revistar o ambiente.   

O coronel Joaquim Resende não tendo nada a opor, disse-lhe que Lampião tinha razão, pois ele estava mais do que certo. È claro que o coronel não iria tirar a razão de Lampião, em mandar alguém para uma averiguação, pois a majestade precisava de proteção, tanto para ele como para os seus comandados.  E sem querer usar os seus poderes, apesar de ser uma autoridade, disse ao coiteiro que naquele momento aquela mansão estava entregue a ele. Autorizando-lhe que percorresse todos os cômodos e dependências, inclusive revistasse as laterais da residência.  Terminada a revista, o Messias retornou ao local onde estava a majestade e os seus valiosos asseclas.                            

Mas o capitão Lampião podia ficar tranquilo, pois coronel Joaquim Resende e os seus comandados não eram covardes para prepararem uma armadilha contra ele. O que ali iria acontecer era simplesmente um acordo entre os dois arrogantes, e jamais seria feita uma traição. O rei quando dava uma palavra, cumpria. E por que Joaquim Resende não poderia cumprir a sua? Assim que o coiteiro retornou à presença do rei, ainda meio preocupado com a segurança, e  não acreditando, Lampião exigiu que o coronel fosse até a beira do rio São Francisco onde ele se encontrava.                                             

Não temendo o chamado, mas o respeitando, Joaquim Resende dirigiu-se para o local sem se sentir inferiorizado e sem nenhum problema. Na hora do encontro, todos foram abraçados pelo assecla, principalmente o patenteado. Em seguida, tomaram rumo ao palacete do oficial. Lá, foi necessário que o Zuza Tavares se retirasse do local, pois Lampião precisava conversar com o coronel, um assunto a dois.  A reunião muito se demorou, e só terminou lá pela madrugada. E com certeza, o assunto foi de grande interesse entre os poderosos.                                                                                   

Diz o escritor Alcino Alves Costa que quando terminou o encontro, os amigos de ambas as partes se sentiram realizados, uma vez que as queixas de Lampião contra o pessoal do coronel Joaquim Resende, principalmente uma que ele tinha com um fazendeiro de nome Juca Feitosa, as rixas antigas foram dispensadas e jogadas no assombroso rio São Francisco.  E as amizades, reconquistadas.

Alcino Alves Costa é sergipano, da cidade de Poço Redondo, e foi prefeito desta, durante três gestões. É escritor, poeta, compositor, pesquisador do cangaço e sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.

Amigo leitor: 
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sábado, 28 de julho de 2012

BRASIL - JOGOS OLÍMPICOS 2012

PRIMEIRAS MEDALHAS DO BRASIL - LONDRES 2012

Sarah Menezes fatura ouro inédito para o Brasil no judô feminino, categoria 48kg

Judô passa a ser o esporte brasileiro com mais medalhas na história olímpica brasileira

Londres – O judô brasileiro começou a participação nestes Jogos Olímpicos de forma espetacular. Após Felipe Kitadai ter conquistado o bronze na categoria ligeiro (até 60kg) no masculino, Sarah Menezes assegurou a primeira medalha de ouro para o país em Londres. Na final da categoria até 48 kg, contra a romena Alina Dumitru, que havia eliminado na semifinal a favorita japonesa Tomoko Fokumi, a piauiense de 22 anos aplicou um wasari e um yuko, fechando uma participação espetacular nos tatames do Excel Center.

AFP PHOTO / FRANCK FIFE

EstA foi a primeira medalha de ouro de uma mulher no judô olímpico do país. Em Pequim, há quatro anos, a brasiliense Ketleyn Quadros havia sido a primeira a conquistar uma medalha no esporte – o bronze na categoria até 57kg. 
A medalha em Londres confirma a trajetória de sucesso da piauiense, que é a terceira no ranking mundial da categoria. Ela é a única brasileira a ter se tornado bicampeã mundial sub-20, além de ter conseguido também dois bronzes em mundiais (2010 e 2011). Nos Jogos de Pequim, há quatro anos, quando competiu com apenas 18 anos, Sarah tinha sido eliminada na primeira luta. 
PERFIL
Sarah Gabrielle Cabral de Menezes
Nascimento: 26/3/90, Teresina, PI
Altura: 1,54m
Peso: 48kg





Um 28 de julho na História do Cangaço

Kydelmir Dantas (*)

Há exatos 74 anos morriam o Rei e a Rainha do Cangaço – Virgolino Ferreira da Silva e Maria Gomes de Oliveira – LAMPIÃO e MARIA BONITA, e nove (9) de seus súditos: Luiz Pedro, Quinta-feira, Mergulhão, Alecrim, Enedina, Moeda, Elétrico, Colchete e Macela; além de um soldado, ADRIÃO Pedro de Souza.


Na boca do povo, nos jornais da época e em livros publicados posteriormente, há versões detalhadas deste fato; algumas minuciosas, outras fantasiosas. Na poesia popular, ou seja, nos folhetos de feira, o fato foi contado e é recontado até hoje... Lampião e seus seguidores vão do inferno ao céu, passando pelo purgatório, sendo ele sempre o foco das atenções.


No cancioneiro popular, sempre é referência, MULHER RENDEIRA, que é imputada ao próprio Lampião e a mesma que seu bando entrou cantando-a em Mossoró naquele 13 de junho de 1927; em 1952, registrada por Zé do Norte, para constar na trilha sonora d’O CANGACEIRO, filme que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1953. Até o ex-cangaceiro VOLTA SECA foi levado a gravar um LP, hoje já em CD, com este título CANTIGAS DE LAMPEÃO, onde interpreta várias canções, sempre precedidas de uma apresentação.


Há muitas músicas cujo tema é o cangaço, mais das vezes sempre o foco é o cangaceiro injustiçado, poucas são destinadas aqueles que combateram o cangaço, algumas sobre as poucas derrotas do Rei Vesgo das Caatingas nordestinas: SINA DO CANGACEIRO (Paulo Gutemberg – Costa Neto), gravada pelo Trio Irakytan; TOMADA DE MOSSORÓ (Ary Monteiro – José Batista), gravada por Marinês e sua Gente; LAMPIÃO, ERA BESTA NÃO! (Solange Veras – Luiz Gonzaga), gravada por Luiz Gonzaga; LAMPIÃO FALOU (Venâncio - Aparício Nascimento) gravada por Luiz Gonzaga, no LP ‘A Festa’, de 1981. A letra desta última é histórica, ei-la...

Eu não sei porque cheguei
Mas sei tudo quanto fiz
Maltratei fui maltratado
Não fui bom, não fui feliz
Não fiz tudo quanto falam
Não sou o que o povo diz

Qual o bom entre vocês?
De vocês, qual o direito?
Onde está o homem bom?
Qual o homem de respeito?
De cabo a rabo na vida
Não tem um homem perfeito} bis

Aos 28 de julho
Eu passei por outro lado,
Foi no ano 38,
Dizem que fui baleado.
E falam noutra versão,
Que eu fui envenenado.

Sergipe, Fazenda Angico,
Meus crimes se terminaram.
O criminoso era eu
E os santinhos me mataram.
Um lampião se apagou,
Outros lampiões ficaram.} bis

... E ATUALÍSSIMA...

O cangaço continua
De gravata e jaquetão.
Sem usar chapéu de couro,
Sem bacamarte na mão.
E matando muito mais,
Tá cheio de lampião.

E matando muito mais,
Tá assim de lampião.
E matando muito mais
Na cidade e no sertão.
E matando muito mais,
Tá sobrando Lampião.

Foram felizes seus compositores quando se inspiraram para fazê-la... Foi muito oportuna a gravação do Rei do Baião.
Mossoró (RN), 28 de julho de 2012.
(*) Pesquisador e poeta. De Nova Floresta–PB, radicado em Mossoró–RN.

UM CAMINHO ENTRE BANANEIRAS E COQUEIRAIS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

Já estou com mais de quinhentos anos e juro que não consigo acostumar com a vida na cidade grande. Talvez não seja nem acostumar, mas não gostar mesmo, ter pavor a esse cheiro de asfalto, a essa manhã sem passarinho, a esse entardecer sem cores e às noites de desbotada lua, toda sem graça, apenas lua. Que diferença do luar do meu sertão!

Bem que poderia ter continuado por lá, pelas lonjuras do meu sertão amado. Arrumei o saco, abri cancela, peguei estrada, não por vontade própria, pelo iludido desejo de arriscar a vida noutra ribanceira, mas pela necessidade mesmo. Naquela época, um tempo de palmatória e cartilha, caderno de caligrafia e catecismo, ou a pessoa pensava em estudar fora ou parava nas primeiras letras.

Por causa do estudo é que fui enxotado do meu chão de espinho e garrancho, de areal e massapê, deixando chorosa a amiga catingueira, a beirada do riachinho, a rolinha fogo-pagô. Dei adeus ao mandacaru e xiquexique, ao cavalo de pau, à bola de gude, aos banhos nus pelas ladeiras em dias de trovoadas, aos tantos e bons amigos, todos molecotes de uma laia sem igual: tempo de meninice agrestina!


Depois de muito chorar até acostumar, hoje, mais de quinhentos depois, não posso reclamar do destino que eu tinha de cumprir na cidade grande. Foi dolorosa a separação, continua sendo difícil e lastimosa a convivência, mas acabei conseguindo o que realmente desejava: alcançar um nível maior de estudo. Formado estou, continuando pisando em asfalto, mas ainda umbilicalmente ligado ao meu lugar.

E nesse passo a coisa mais terrível que acontece, eis que todo dia prometo pegar o caminho de volta, arrumar novamente a trouxa e abrir novamente a cancela, gritar que cheguei e que cuidem em preparar minha rede. E já estou com sede só em pensar na água doce e fresca da moringa de barro, já estou com fome só em imaginar no cuscuz de milho ralado ali mesmo, nos ovos de capoeira, no bolo de macaxeira, na coalhada, no queijo de coalho, na buchada de bode. Tudo delícia de outro mundo: o mundo sertanejo!

Prometi a mim mesmo que voltava e voltarei, mas não pra dois ou três dias como sempre faço, e sim pra fincar pé de novo e eternamente no meu lugar. E porque nada do que tenho conseguido dará para uma vida farta, então já penso contente em apenas ter uma casinha no mato, uma manhã no mato, um anoitecer no meio do mato, tanta lua e tanto sol e tudo no meio do mato. E que me venham os passarinhos, as plantas selvagens, os bichos, os mistérios, os encantamentos.

Enquanto a mochila de viagem não fica pronta e os dias estafantes daqui continuam me consumindo, procuro fugir dessa cruel realidade imaginando, e até muitas vezes sonhando, com tanta coisa bonita que me espera por lá. O abraço no velho amigo, beijar a mão de toda velha senhora minha avó, caminhar pelos descampados, visitar famílias nos arredores, sentar ao entardecer na pedra da relembrança.

Logo chegará esse dia, o mais rapidamente possível estarei refeito na mesma terra onde nasci e sarapantei a minha meninice. Antes que chegue esse momento procuro me contentar em passar minhas tardes caminhando entre bananeiras e coqueirais. Nada igual aos caminhos de pedras e flores do campo, entrecortados de espinhos e outras surpresas, mas ao menos tenho muito a encontrar ladeando as bananeiras e coqueirais.


Nesse caminho aqui mesmo da cidade, um pouco afastado do centro, me preparo em refúgio espiritual para reencontrar meus próprios caminhos. Ao lado da natureza, pertinho de plantas que só são avistadas no meio do mato ou nas beiradas interioranas, me fortaleço da seiva e do olhar, da casca grossa dos troncos, das folhagens longas e largas dizendo que as belezas da vida também se estendem sempre mais adiante.

Nesse caminho entre bananeiras e coqueirais, nesse percurso de vida onde já é muito difícil viver, me sinto como se adiante, andando um pouco mais, fosse dar diretamente na malhada sertaneja, defronte à minha casinha de barro batido. E toda vez que colho uma banana para saborear é como se estivesse colhendo um umbu maduro, um araçá amarelinho, uma saborosa goiaba.

Depois de me fartar de saudade, retorno pisando no asfalto. E para arrumar a mala, colocar num saco tudo que consegui juntar nesses anos de luta e partir qualquer dia. E que seja amanhã esse dia.

(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com


Considerações sobre Lampião e o Cangaço


Foto: Um ano após a emboscada, o legista Charles Pittex segura as cabeças mumificadas de Lampião e Maria Bonita.

74 anos atrás, o bando mais conhecido entre os cangaceiros do nordeste brasileiro foi morto em uma emboscada. 

Até hoje o cangaço é estudado com diversos pontos de vista. Se por um lado Lampião era sanguinário com seus inimigos e por muitas vezes vitimava inocentes, por outro, ele representava a classe pobre de uma população oprimida que não tinha muita expectativa de ascender socialmente. Para os marxistas, um exemplo claro da luta de classes. 

Sem outras alternativas e sabendo que esse estado de coisas continuaria os grupos de rebeldes procuraram em si mesmos os meios para tentar mudanças, instigados pelo analfabetismo, pela fome, pela falta de futuro melhor, pelos anos sucessivos de seca, pelo descaso das autoridades e pela participação, muitas vezes infeliz, da Igreja Católica.

Lampião nunca foi um líder de rebeliões ou um ídolo que servisse para a formação de camponeses revoltados. Política nunca foi parte de sua vida. Mas as populações humilhadas e ofendidas viam em Lampião um exemplo, naquele meio termo entre temer o que ele era e querer ser igual a ele, quase a justificar sua existência de bandoleiro errante.

Lampião subverteu a ordem imposta, mesmo que não fosse esse seu objetivo. Latifúndios que, durante décadas e até mesmo séculos imaginavam-se intocáveis, sentiram o peso de sua presença e o terror das consequências do não atendimento de suas exigências.

Confirmado III Congresso Nacional do Cangaço

Por: SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

Caros sócios e amigos da SBEC
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço,
"CONFIRMADO"O III CONGRESSO NACIONAL DO CANGAÇO, SERÁ NA CIDADE DE
VITÓRIA DA CONQUISTA/BAHIA
NA SEGUNDA QUINZENA DE OUTUBRO DE 2013.


Os trabalhos de organização já começaram.
Divulguem.


Abraços,
Lemuel Rodrigues
PRESIDENTE DA SBEC

Natimorto Literário...

Por: Antonio Sobrinho
Autor Archimedes Marques e Manoel Severo

Acabo de ler o livro "Lampião Contra o Mata Sete", e confesso, embora eu já considerasse o autor Archimedes Marques um bom escritor, que estou impressionado com a sua capacidade de, em frases e períodos tão longos, mas com clareza e objetividade, num linguajar até certo ponto jornalístico, sem perder de vista a técnica investigativa, fazendo disso, talvez, o maior "inquérito" de sua vida; formular argumentos tão lógicos, utilizando-se, inclusive, de forma constante, da ironia para dizer com humor das suas críticas e censuras aos ditos de Pedro Morais e, principalmente, para impor a este a obrigação de provar as suas acusações, ironia esta que também lhe serve para desvalorizar mais ainda o texto deste senhor. Trata-se de obra equilibrada, parecendo até que foi feita num só instante. Ao mesmo tempo, o novel escritor Archimedes Marques, inteligentemente, dividiu o ônus desta contestação com as principais vozes da historiografia do cangaço, sem falar do cuidado de não atingir moralmente a pessoa de Pedro Morais. 

Realmente, mesmo considerando a sua vasta experiência como delegado de polícia, a sua paixão pela cultura nordestina, notadamente o cangaço, associado a um impulso natural que conduz os homens de bem a insurgir-se contra as injustiças, confesso mais uma vez a minha grande e grata surpresa, até porque o autor construiu tudo isso em tão pouco tempo, visto que "Lampião, o Mata Sete" foi publicado um dia desses.Embora eu não seja um crítico literário, considero o livro 


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE uma obra completa no seu propósito de rebater as mal intencionadas acusações de Pedro Morais, e tenho certeza de que os leitores estão se deleitando com tão boas explicações e excelentes raciocínios.

"Lampião Contra o Mata Sete", portanto, não apenas contesta de forma robusta e insofismável as aleivosias infundadas de Pedro Morais, mas condena este autor a viver doravante como um natimorto literário. Além do mais, o que é pior, o sentencia a ter que se explicar e ser criticado o resto da vida.Daqui pra frente, o escritor Archimedes Marques pode considerar-se inscrito nos anais da história do Cangaço, com todos os méritos, não apenas pelo ineditismo da sua obra, mas pela excepcional defesa que fez, em última análise, dessa história cultural nordestina, o que orgulha e enche de honra todos os sergipanos. Minhas efusivas congratulações!

Antonio Corrêa Sobrinho " tonisobrinho@uol.com.br 
(Advogado/escritor, autor do livro "O fim de Virgulino Lampião " O que disseram os Jornais sergipanos"

Extraído do blog: Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com 

HISTÓRIA CANGACEIRA

Por: Enéas Athanázio(*)

Sobre os livros confrontantes "Lampião o Mata Sete" e "Lampião contra o Mata Sete")


É curioso observar como o cangaço continua a despertar o interesse dos pesquisadores em geral. No momento em que escrevo tenho conhecimento de que pelo menos dois livros importantes acabam de ser publicados sobre o tema, existe um filme em andamento e são várias as matérias de jornal abordando o assunto. Isso se justifica, em parte, pelo fato incontroverso de que o cangaço foi um fenômeno brasileiro por excelência, com características próprias, sem similar na história ou no mundo, o que talvez explique a razão de tal interesse, inclusive de investigadores estrangeiros de várias áreas. E falando em cangaço, uma figura emerge da história e se alteia sobre as demais, qual seja Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, cognominado o Rei do Cangaço. 


Tido como modelo da coragem, inteligência e liderança do homem sertanejo, enfrentou por quase duas décadas a vida errante de bandoleiro, à frente de seus homens, desafiando a perseguição das volantes de sete estados nordestinos e só foi eliminado graças a uma traição, enquanto dormia, no interior da chamada Grota do Angico, em Sergipe.

Homem duro, implacável com os inimigos, ninguém jamais se atreveria a colocar em dúvida sua hombridade e nunca pairou a menor sombra a respeito de sua condição de homem-macho. Mas eis que de repente, quando menos se esperava, e, ao que parece, inspirado pelo antropólogo Luís Mott, surge o livro "Lampião, o Mata Sete", de autoria do magistrado aposentado Pedro de Morais, onde o autor sustenta que Lampião foi afeminado desde mocinho e teria sido homossexual, além de manter uma "ménage a trois" com Maria Bonita, sua mulher, e Luís Pedro, integrante de seu grupo, em plena caatinga. 

Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

Não bastasse isso, sustenta que Maria Bonita manteve relações com outros homens na vigência do casamento. As teses do autor se baseiam em indícios e informações que, segundo ele, comprovariam os fatos, ainda que contrariando a imensa bibliografia sobre o assunto, a opinião dos estudiosos e o testemunho de incontáveis pessoas em diversas épocas. O livro vem provocando verdadeiro terremoto, uma vez que, na opinião geral, Lampião pode ter sido tudo, ou quase tudo, exceto um homossexual.

A reação não tardou e começaram a surgir manifestações em contrário, avultando entre elas o livro-contestação "Lampião contra o Mata Sete", de autoria de Archimedes Marques (Info Graphics Gráfica e Editora " Aracaju " 2012). 


Estudioso do assunto de muito tempo, leitor aficionado da bibliografia existente e com pesquisas realizadas in loco, o autor se debruçou sobre a obra de Pedro de Morais, examinando-a capítulo a capítulo, página a página, parágrafo a parágrafo em cotejo com as opiniões de numerosos outros autores para concluir que as teses nele defendidas são improcedentes e não encontram qualquer amparo em provas, mesmo indiciárias, tudo não passando de verdadeira ficção. Para tanto, buscou subsídios em numerosos autores de várias épocas, desde aqueles que foram contemporâneos de Lampião até os mais modernos, sem esquecer os ensaístas consagrados cujas obras constituem referências. Numa espécie de operação desmonte, tudo foi submetendo a uma análise crítica implacável, muitas vezes contundente, rebatendo as afirmações com cerrada argumentação. Ao longo de 550 páginas densas e pensadas, esmiuçou a obra em questão de tal forma a não deixar pedra sobre pedra, recolocando tudo nos devidos lugares e devolvendo a Lampião a masculinidade que jamais lhe fora negada.

Embora não seja especialista no assunto, tenho lido bastante sobre o cangaço e Lampião e até escrito a respeito. Nessas leituras nunca deparei com qualquer insinuação sobre a homossexualidade do chamado Rei do Cangaço, suas relações com outros homens ou a triangulação com Maria Bonita e o cangaceiro Luís Pedro. Em livro recente, denominado "De olho em Lampião: violência e esperteza", de autoria de Isabel Lustosa, pesquisadora titular da Fundação Casa de Rui Barbosa, não encontrei qualquer referência ao assunto. Como se trata de obra visivelmente contrária ao cangaceiro, não creio que silenciasse sobre o fato caso houvesse sustentação para tanto. Também na obra "Lampião " Entre a espada e a lei", de autoria do magistrado potiguar 
Sérgio Augusto de Souza Dantas, trabalho criterioso e exaustivo sobre a vida e os feitos de Lampião, nada encontrei a respeito. Como não seria possível esconder essa pretensa homossexualidade de todos e por tão dilatado espaço de tempo, ainda mais em se tratando de personagem histórico tão estudado, acredito que tudo não vai além do terreno da mera suposição.

A par do debate sobre o tema em todas suas minúcias, o autor Archimedes Marques fornece inúmeras informações a respeito de Lampião, seu grupo, o cangaço em geral e o meio sócio-econômico onde se desenvolveu. Apenas esse conjunto de elementos paralelos já faria do livro "Lampião contra o Mata Sete" uma grande obra.

*Sobre o autor Enéas Athanázio: Contista, crítico, biógrafo com extensa bibliografia, é um dos escritores mais publicados e conhecidos de Santa Catarina. Reside em Balneário Camboriú e é m dos fundadores de Literatura " Revista do Escritor Brasileiro, na qual tem colaborado assiduamente.

Bibligrafia: O Peão Negro (contos, 1973); Dimensões de Lobato (ensaios, 1975); O Azul da Montanha (contos,1976); Godofredo Rangel (biografia, 1977); O Promotor Público na Justiça Eleitoral ( jurídico, 1978); Meu Chão (contos, 1980); o Mulato de Todos os Santos (ensaios, 1982); Tapete Verde (contos,1983); Figuras e Lugares (ensaios,1983); A Pátina do Tempo (ensaios,1984); Falando de Gilberto Amado (ensaios, 1985); Presença de Inojosa (ensaios,1985); Erva-Mãe (contos,1986); Meu Amigo Hélio Bruma (ensaios, 1987); Tempo Frio (contos,1988); O Amigo Escrito (biografia,1988); A Cruz do Campo (novela,1989); O Perto e o Longe " Vol. I (ensaios,1990); O Perto e o Longe " Vol. II (ensaios,1991); O Aparecido de Ituy (contos,1991); Enéas Athanázio (biografia e antologia, 1991); Jornalista por Ideal (ensaios,1992); São Roque da Ventania (novela,1993); Roseilho Velho (contos juvenis,1994); Adeus Rangel (ensaios, 1994); Fiapos de Vida " Vol. I (causos nanicos,1996); Um Artista Chamado Antônio (biografia,1997); Vida Confinada (autoficção,1997); As Razões da Queda (ensaio,1998); A Gripe da Barreira (contos,1999); Fazer o Piauí (ensaios, 2000); O Cavalo Inveja e a Mula Manca (contos, 1991); As Antecipações de Lobato e outros escritos (ensaios, 2001); Mundo Índio (ensaios, contos e artigos, 2003); Fiapos de Vida " Vol. II (minicontos,2004); Crônicas Andarilhas (crônicas, 2005); Direito Internacional Público (jurídico, 2006); A Liberdade Fica Longe (novelas, contos e crônicas, 2007); O Pó da Estrada (crônicas, 2008); Meu Amigo, o Piauí (critica, 2008) ; Ensaios Escoteiros(ensaios, 2010).

Opúsculos: Algemas (contos, 1988); Sílvio Meira (ensaios,1989) ; Joaquim Inojosa e a Pregação Modernista " ensaios " duas edições " 1983 e 1984; Martinho Bugreiro, Criminoso ou Herói? " ensaio " 1994; 7 Causos Nanicos " minicontos " 1985; Monteiro Lobato Abriu os Caminhos " ensaio " 1993; Como Casei com a Filha do Coronel " conto " 1991; A Ilha Verde " crônica " 1995; A Pátria Comum " artigo " 1995; Solidão, Solidão " contos " 1995; Novo e Diferente " artigos " 1996; O Regionalismo Passado a Limpo " ensaio " 2000; A Liberdade Fica Longe " novela " 2001; José Athanázio, Meu Pai - biografia - 2006.

NOTA DO GERENTE DO JORNAL CANGAÇO EM FOCO:
Quem desejar adquirir o livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, o mesmo custa R$ 50,00 (ja incluso as despesas dos Correios) deve entrar em contato com o autor Archimedes Marques através dos endereços de e-mails: archimedes-marques@bol.com.br ou archimedes.jose@uol.com.br
Autor:   Enéas Athanázio

Enviado pelo escritor, pesquisador do cangaço e Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe: Dr. Archimedes Marques

CITE UM TRAIDOR, E O FATO QUE O ENVOLVEU... -

Por: Ivanildo Alves Silveira

Acrescentando mais uma postagem a esse tópico, que eu achei demais, segue o caso da Fazenda da Piçarra.

Esse é mais um dos casos que temos que ter um olhar crítico sobre o que aconteceu, pois essa “traição” se deu em circunstâncias extremas e é onde eu digo, no cangaço houve traições e “traições”.

Vamos ao ocorrido:

Passados quase um ano do fiasco de Mossoró, mais precisamente em Março de 1928, Lampião e alguns poucos asseclas, ao longo desse período houve um enorme número de deserções, chegam ao Cariri Cearense à procura de um pouso seguro para descansarem e se reabastecerem depois de meses de perseguição ferrenha. O ponto escolhido foi a Fazenda da Piçarra, um de seus coitos mais seguros por aquelas bandas e que pertencia ao Senhor Antônio, conhecido pela alcunha de Antônio da Piçarra.

Senhor Antônio da Piçarra

Ao se arrancharem, Lampião incumbiu o seu amigo Antônio de algumas encomendas, entre as quais, armas e munições.

Antônio da Piçarra era velho conhecido de Lampião, o mesmo dera guarida a Ezequiel e a Virgìnio (Moderno) antes destes lendários entrarem para o cangaço.

As ferozes volantes pernambucanas de Arlindo Rocha e Mané Neto estavam no encalço dos cangaceiros e deram na Piçarra. Sabedores da estreita ligação entre o Rei do Cangaço e o proprietário da fazenda, imprimem o seu repertório de métodos avassaladores para que Antônio desse o paradeiro dos cabras.

Em um dado momento da conversa, o sagaz Sargento Arlindo Rocha diz para Antônio:

- Seu Toim, eu até tenho paciência, mas não sei se posso segurar Mané Neto.

Daí não teve jeito e seu Antônio denunciou o coito.

Enquanto isso, o cangaceiro Sabino já se assombrava com a demora de Antônio e fala para o chefe:


- Capitão, capitão. Tô achando que Antoi da Piçarra lhe traiu, pois tá demorando além da conta. Já era tempo dele ter vortado com as encomendas e tudo...

E Lampião com total segurança responde ao seu lugar-tenente:
- De jeito nenhum. Isso não! Naquele eu confio sem medo. Se Antoi da Piçarra cavar um buraco no chão e mandar eu entrar, eu entro sem medo.

Era noite e chovia muito, as volantes fizeram o cerco ao coito e, ao estrondo de um  relâmpago, que denunciava o local onde Sabino se encontrava, começa o ataque. Nesse momento, ao clarear do relâmpago, Sabino recebe um balaço e todo o grupo abre fuga desesperadamente conduzindo o seu ferido que viria a ser sacrificado a quilômetros dali


  Local onde Sabino foi baleado

A partir desse momento, Lampião engrossara a sua lista de inimigos. E em sua lista, passara a vigorar o nome de Antônio da Piçarra. Mais uma traição que se deu pela opressão, pela ameaça e pelo medo.

Apesar de Antônio da Piçarra ter sido colocado no rol dos inimigos do Rei Cego, ele morreu de velhice muitos e muitos anos depois. De acordo com as palavras de Vilson Santana, neto de Antônio, seu avô sempre relatava o ocorrido muito cabisbaixo. Sempre se lembrava das palavras de crédito de Lampião com lágrimas nos olhos.

Grande Abraço e até a próxima.

Essa postagem teve como fonte os blogs:

1 - Lampião Aceso  
http://lampiaoaceso.blogspot.com
2 - Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com, foi baseada nas várias entrevistas concedidas por Vilson Santana a esses blogs e aos seus colaboradores.

As fotos também são oriundas de ambos os Blogs. Não tem como eu mencionar os proprietários das fotos de Seu Antônio e de Sabino, mas a foto do local que Sabino foi baleado é do nosso Grão-Mestre Ivanildo Silveira.

A CINDERELA DE TOUROS - NO RIO GRANDE DO NORTE


Era uma vez uma garota do litoral potiguar, que sonhava ter boa vida. Um dia, ela cresceu, casou e foi tentar vencer no outro lado daquele grande mar que banhou sua meninice. Em Portugal, teve um filho e arrumou trabalho numa loja de shopping.

Sua beleza morena e tropicana chamava a atenção dos clientes que circulavam no espaço comercial da cidade do Porto, a segunda mais importante da boa terra. Até que certa vez, o olhar de um famoso milionário esbarrou no seu. Ele, 72 anos; ela, 23. 

Não demorou para estabelecer-se um namoro clandestino, que avançou para uma paixão bem disfarçada, consolidou-se como companheirismo aberto e que agora, dois anos depois, vai virar casamento. E com direito a uma festa de bodas na aldeia da infância.

A história do amor entre o rico presidente do time de futebol do Porto, Pinto da Costa, e a estudante de Gestão de Empresas, Fernanda Miranda, mexeu com as estruturas da sociedade lusitana, gerou fofocas na mídia e agora atrai os holofotes do país irmão. 

Nos dois anos de convivência, ambos interromperam seus casamentos e decidiram viver juntos, assumindo uma paixão que já não dava mais para esconder. E a consolidação conjugal ocorrerá oficialmente no próximo sábado, no casamento na Praia de Touros.

O pequeno lugarejo no litoral norte do Rio Grande do Norte será palco de uma das maiores festas matrimoniais de toda a história, com pompa e circunstância para matar de inveja os badalados veranistas das praias de Jacumã e Muriú, afeitos aos regabofes. 

São esperados no aeroporto de Parnamirim dezenas de ricaços portugueses, empresários importantes de Lisboa e do Porto, autoridades políticas do país e personalidades famosas. Jornalistas de TV, revistas e jornais portugueses deverão cobrir o evento. 

Estima-se que jatos particulares atravessarão o Atlântico entre Lisboa e Natal trazendo figuras de proa de Portugal. Na realização do seu sonho de menina pobre, Fernanda Miranda reedita pelo ar a navegação marítima dos antigos nobres da Coroa Portuguesa.

Desde que conheceu Pinto da Costa, o homem responsável pelo gerenciamento de um dos times mais importantes e vitoriosos da Europa, Fernanda teve sua vida modificada radicalmente, tornando-se uma beldade reconhecida no país e muito respeitada. 

A imprensa, que no início expôs o desconforto do casal em esconder o namoro, agora a trata como “primeira-dama do FC Porto”, o presidente do clube até faz questão de tornar público que a noiva exerce influência sobre sua vida e sobre seus negócios.

Durante todo o tempo de relacionamento, ela soube se portar em relação à presença da esposa de Pinto da Costa, Filomena Morais, de 49 anos. Também jamais permitiu que a imagem do seu ex-marido fosse arranhada no cimento das fofocas midiáticas.

No último dia 7 deste julho, para evitar maiores desentendimentos e constrangimentos, Fernanda Miranda preferiu que sua ausência fosse notada no casamento da filha de Pinto da Costa, a jovem Joana, com quem ela não tem um bom relacionamento. 

Na semana do casório, ela viajou para Madrid onde passeou e fez compras em lojas de luxo e de grandes grifes. Na volta, foi recebida com beijos e flores pelo noivo, que ainda deu de presente, pelos dois anos de namoro, um Audi Q5, que ela tanto desejava. 

A Praia de Touros vai parar no sábado para receber de volta sua versão Cinderela morena. E os olhares de Portugal estarão voltados para um casamento de luxo num ambiente bucólico. As origens distintas dos noivos reunidas sob um céu de nuvens de cristal.

Extraído do blog do Dr. Honório de Medeiros

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Seu Pedro Leão - um mossoroense esquecido

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Quando eu crio uma pequena história com um dos nossos antepassados, não é no intuito de criticar ou desmoralizá-lo, e sim, fazer com que esta pessoa seja lembrada por muitos e muitos anos.

Nem todos  moradores de uma cidade  têm o privilégio de serem homenageados, pois as famas e os elogios são dirigidos aos famosos políticos e grandes empresários. Nem os artistas (não me refiro a cantores e atores), e sim, artesãos, escultores, escritores... não são vistos com bons olhos.

Se caminharmos nas ruas das nossas cidades, nas esquinas, não veremos  nomes daqueles pobres sofredores que muito contribuíram com o desenvolvimento das suas cidades. Infelizmente morreram para sempre, como:  carroceiro,  lavador de carros,  lavadeira de roupas,  enfermeira, agricultor, professor (coitado),  taxista, pedreiro etc...

Mas com certeza nós iremos encontrar os seguintes nomes:  Rua Presidente Kennedy, Avenida Bob Kennedy, Rua Luther King, Conjunto Ulrick Graff, Rua Crocrat de Sá (todos americanos), Rua Presidente Costa e Silva, Rua Tancredo Neves... e  mais outros e outros famosos que não caberão nesta página.

Esse desprezo aos pobres de Jó não é só em minha Mossoró, mas todas as cidades brasileiras só valorizam quem acumula riquezas e nasceu em berço de ouro. O pobre que quiser passar bem, a única solução é carregar a sua mãe na garupa, porque a glória é dada aos famosos. 

Hoje homenageio um grande comerciante dos anos remotos em Mossoró, que naqueles tempos era apenas arranjado, como diz o ditado. Infelizmente seu Pedro Leão faleceu, e o seu nome morreu para sempre. Nenhuma homenagem foi feita ao grande empresário Pedro Leão, pela Prefeitura Municipal de Mossoró.
            
Pedro Leão era um dos mais antigos comerciantes de Mossoró, no ramo "ferragens", estabelecido à Rua Coronel Gurgel, no centro da cidade. Adorava  tomar cerveja no bar do Pitias, localizado à Rua José de Alencar.    
           
Todos os dias, ao meio dia era de costume, pois assim que fechava a sua casa de ferragens, ia direto ao bar, onde lá uma porção de pessoas da sociedade costumava se encontrar. No bar, Pedro Leão tinha como se fosse cativo, logo na entrada, uma cadeira e uma mesa eram reservadas para o famoso comerciante.  
          
Naqueles tempos  não existia a proibição do uso de cigarros, charutos ou outra coisa parecida. E lá, Pedro Leão acendia o seu apreciado charuto. Uma cerveja ingerida, um charuto queimado.

Nunca deu mole a garçom nenhum, e não aceitava que ele fizesse a conta pelas garrafas de cervejas vazias, e sim, as tampas que ele as guardava em seu bolso do paletó. Pedro Leão temia que em um piscar de olhos, o garçom poderia colocar garrafas fazias em cima de sua mesa, que não faziam parte da sua despesa. Cada cerveja aberta, a tampa seria colocada no seu bolso, justamente para não ser enrolado por garçons oportunistas.  
     
Se o tira-gosto fosse rolinha assada, que era uma das suas preferências,  exigia que ela viesse para a mesa onde ele se sentara, acompanhada da  perna, mas cada uma delas, somente uma perna, também para não serem contadas, duas pernas, duas rolinhas.  
       
Esse era o seu medo, temendo que  tomasse goles a mais, e o garçom o enrolasse na hora do pagamento das despesas. Jamais tinha sido enrolado por nenhum deles. Mas por precaução, exigia isso. 
         
Certo dia Seu Pedro já se encontrava além de ébrio. Mas esperto, sentiu que alguém estava colocando tampas de garrafas no seu bolso. Realmente o garçom tentando enrolá-lo, quando passava por ele com pratos ou garrafas de cerveja para servir em outras mesas, colocava uma, duas..., tampas no seu bolso. Como ele era um homenzarrão, desabotoava o paletó, fazendo com que o bolso ficasse aberto. Isso facilitava muito para o garçom colocar tampas. Mas foi inútil.
         
Sentindo que já estava na hora de ir embora, Seu Pedro chamou o garçom para tirar a conta.

O garçom, esperto, mas na verdade era um verdadeiro bobalhão, não imaginava da  inteligente 
reação do  seu freguêz, o Pedro Leão. 
        
– Tire as tampas das garrafas do bolso seu Pedro, para que eu possa contá-las e fazer a conta da despesa. - Disse o esperto garçom, na certeza que iria sair no lucro.  
       
– Tampas hoje não, amigo! Hoje vamos fazer a conta pelas garrafas que estão sobre a mesa! – Disse ele usando a sua esperteza. 

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