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terça-feira, 19 de março de 2013

ALCIDES DIAS FERNANDES E O ENSINO COMERCIAL EM MOSSORÓ II - 17 DE MARÇO DE 2013

Por Geraldo Maia do Nascimento

Alcides Dias Fernandes era um homem simples e bom, comunicativo e alegre, dotado de irradiante simpatia. Foi um homem de muitos amigos. Por isso, o dia 27 de setembro, dia do seu aniversário natalício, nunca passava sem festa. Já ao amanhecer, os preparativos, que vinham sendo badalados de véspera, prosseguiam num corre-corre sem fim, tudo dirigido pelos brados da esposa, dona Maria Maia, para quem o tempo era sempre curto no atendimento de suas preocupações, a fim de que nada pudesse faltar naquele “Dia Santo da Família”, nas palavras do memorialista Raimundo Nonato. O aniversário de Alcides era sempre um grande acontecimento na cidade de Mossoró.
              
Dona Maria Maia, sua esposa, era uma mulher extraordinária, para quem o mundo se reduzia aos limites de sua casa, na presença do marido e no afeto com que cuidava dos filhos. Matriarca no velho estilo, mulher valente, franca, positiva e sem “papas na língua”. A bem da verdade, sua casa abrigava, além da família, um número razoável de parentes e aderentes, primos e sobrinhos, rapazes e moças que ali habitavam, estudando ou trabalhando sob suas ordens, cordiais, alegres e despreocupados. Tinha uma profunda afeição pelas criaturas mais humildes, às vezes, pelos mais desgraçados e pelos abandonados de tudo e de todos. No meio de tanta gente que enchia aquela casa acolhedora, vivia um tipo popular, conhecido na cidade pelo apelido de Zé Alinhado. Oriundo das “enrruscas de São Miguel de Pau dos Ferros”, conforme ele próprio afirmava, aqui aportou trazido pela enxurrada revolucionária de 1930 e por aqui ficou.


Encontrou guarida na casa de Alcides Fernandes e Maria Maia, que passou a ser o seu “anjo tutelar” e sua segunda mãe, como nos informa Raimundo Soares de Brito. Quantas vezes a insana turbulenta de Zé Alinhado não o levou às grades da cadeia. Mas a sua permanência ali só durava o tempo em que dona Maria não tomasse conhecimento da ocorrência. Questão de minutos. Morando ali pertinho, ao ser informada, corria a tirá-lo da prisão. Quantas vezes? Muitas. Em troca de tudo, Zé alinhado executava aqueles trabalhos caseiros: fazia compras, conduzia feiras, cuidava do jardim, cortava lenha, alimentava os cachorros e trazia limpa toda a área externa da casa, conforme nos diz Lauro da Escóssia nos seus escritos.
               
Alcides Fernandes era comerciante, político por circunstâncias, sério, compreensivo, vivia muito mais preocupado com a sua União Caixeiral e seus problemas, do que mesmo com as atividades do seu estabelecimento comercial, que embora grande e ligado a uma poderosa firma, onde predominava figuras destacada da família, nunca foi um homem rico, naquele sentido de juntar dinheiro. Era desprendido e liberal de tal modo que nem ao menos deixou uma casa para seus descendentes.
               
A história do Curso de Ensino Superior fundado em Mossoró, em 1942, foi um capítulo novo que se iniciou na vida de Alcides Fernandes. Tudo surgiu com a chegada de um despacho telegráfico vindo do Rio de Janeiro, dando conta que o Governo Federal acabava de autorizar o pagamento de uma subvenção consignada no Orçamento da República em favor da Escola Técnica de Comércio União Caixeiral. 


Imediatamente Alcides reuniu os colaboradores da Escola para comunicar a boa nova, e ao mesmo tempo decidirem onde aplicariam aquela verba. Ai surgiu à ideia de se criar um curso superior em Mossoró. Apanhado de surpresa, Alcides Fernandes perguntou? – Quer dizer que nós vamos ter uma Escola para fazer Doutores em Mossoró? Pois se for isso, vamos partir para campanha. Vamos criar o curso.
               
E assim foi criada a Faculdade de Ciências Econômicas de Mossoró (FACEM), instituída através da Resolução n.º 01/43, de 18 de agosto de 1943, por iniciativa da Sociedade União Caixeiral, mantenedora da Escola Técnica de Comércio União Caixeiral.
               
Alcides Dias Fernandes foi um homem que pelo seu trabalho, pelo seu idealismo e pelo seu amor a terra, se tornou um homem especial. Foi o criador de uma Escola onde nasceu uma Universidade. E porque era assim tão notável e de tão evidente sentido cultural, conquistou o seu lugar ao sol, o direito de ser, entre os mortais, um espírito iluminado pela consagração do valor, da inteligência e da imortalidade.


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É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com

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Empresa baiana homenageia Lampião em game tipicamente nordestino

Por Carol Prado- Bahia Noticias
Foto: Divulgação

Foi-se o tempo em que os joguinhos eletrônicos eram terrenos exclusivos de guerreiros medievais, robôs intergaláticos e outros personagens bem distantes da realidade de carne e osso. Sem negar suas origens, a empresa baiana de tecnologia Soterotech decidiu levar figuras típicas do hiperrealista sertão nordestino ao mundo dos bits. Um cangaceiro, um calango e um carcará dão o tom do jogo “Cangaceiro de Badogue”, apresentado neste sábado (16) e domingo (17) durante o Gamepólitan, evento que transformou o Centro de Convenções da Bahia em um verdadeiro parque de diversões digitais.

Fotos: Carol Prado / Bahia Notícias

O game narra a história de Lino, um destemido personagem inspirado no histórico Lampião, que, depois de ver sua amada raptada por um maléfico carcará, luta contra todos os obstáculos para recuperá-la, sempre acompanhado de seu poderoso badogue. “A ideia surgiu em 2009, antes mesmo do nascimento da empresa, em um grupo de jogadores. Hoje, todos os produtos que a gente desenvolve têm traços dessa cultura regional, que é muito rica e pouco explorada”, explicou Diego de Potapczuk, um dos diretores da Soterotech. Segundo ele, o software desenvolvido para tablets e smartphones ainda está em fase de testes e deve chegar ao mercado no segundo semestre deste ano, quando poderá ser baixado, no mundo todo, através da Apple Store e Google Play, lojas de aplicativos da Apple e Android, respectivamente. “Queremos fazer um lançamento global e levar a cultura nordestina pro mundo inteiro através do game”, almejou, em entrevista ao Bahia Notícias. As expectativas da empresa são boas, principalmente depois do sucesso de Lino no Centro de Convenções. O administrador de empresas, Vítor Carneiro, por exemplo, acompanhava o filho gamer e não tirava os olhos das aventuras do cangaceiro. “Isso é ótimo para tirar um pouco a criançada da linha de jogos japoneses e reforçar nossa cultura regional”, opinou.


Com seu Cangaceiro de Badogue, a Soterotech representa apenas uma das várias experiências do promissor mercado baiano da criação gráfica. De acordo com Ricardo Silva, organizador do Gamepólitan, é notável o crescimento do número de desenvolvedores independentes de jogos no estado. “Ainda temos pouquíssimas empresas de tecnologia consolidadas, mas os criadores estão se empenhando na criação de grupos independentes para colocar em prática seus projetos. O governo também tem dado um apoio muito grande a esse mercado, até para possibilitar a exportação dos jogos brasileiros para o mundo todo através de meios online”, afirmou. Muitos dos profissionais do entretenimento digital estão na Saga, única escola de artes, jogos e animação da Bahia, que recebe, em média, 1,5 mil alunos interessados em ingressar no setor por ano. “O mercado está crescendo, de fato, e a tendência é melhorar cada vez mais. A própria realização de eventos como o Gamepólitan já ajuda bastante porque promove o encontro dos desenvolvedores e possibilita a parceria com empresas”, elogiou Oswaldo Peixoto, gerente geral da empresa. Por tudo isso, pequenos empreendedores em potencial, como João Pedro Bittencourt, só têm o que comemorar. O menino de 11 anos passa cerca de três horas por dia em frente ao PC, mas com uma boa desculpa para livrar-se da bronca dos pais: “Quero jogar bastante para me tornar um criador de jogos no futuro”, esquivou-se.


Link: http://www.bahianoticias.com.br/mercado/noticia/8904-empresa-baiana-homenageia-lampiao-em-game-tipicamente-nordestino.html

Enviado pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas

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REPORTAGEM TV GLOBO – BOM DIA BRASIL – CAIEIRAS E CAVERNAS – JANDAÍRA-RN

Por: Rostand Medeiros

Esta reportagem realizei junto com a equipe da TV CABUGI e o jornalista Geider Xavier Henrique e aconteceu em Jandaíra (117 km de Natal). Na época trabalhava como espeleólogo de uma ONG junto ao IBAMA e denunciamos que a indústria da cal estava ameaçando uma reserva de cavernas ainda inexploradas no Rio Grande do Norte. A atividade, promovia a queima da mata nativa da caatinga e ainda empregava o trabalho infantil. Se não fizéssemos aquilo provavelmente estas cavernas não existiriam mais e o RN poderia perder um interessante destino turístico. O caso teve enorme repercussão a ponto da reportagem ter sido vinculado no Jornal BOM DIA BRASIL, da TV GLOBO.

Conhecer o meio ambiente, a nossa natureza é sempre muito interessante, mas também é sumamente importante a necessidade de se preservar e lutar pela nossa natureza. Esta reportagem serviu na época para que o IBAMA navcional acelerasse a criação da sede regional do CECAV-Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas, que ficou sob o comando da Técnica Rita Reis, nossa grande amiga. Foi uma experiência muito interessante e positiva.


Lampião contra o mata sete


Autor: Archimedes Marques


Preço: R$ 50,00
BANCO DO BRASIL
Agência: 3088-0
Conta: 33384.0

Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
E-mail
archimedes-marques@bol.com.br

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EXTRA - UM CASO CHOCANTE!


Fato interessante  no facebook, e resolvi postá-lo neste blog para aqueles que ainda não têm acesso à essa página, como um exemplo, que os animais sentem as mesmas dores e sentimentos como nós sentimos, e também amam, mesmo sendo animal. A diferença é que nós somos racionais, enquanto eles são irracionais. Mas quando nós matamos um dos seus que pertence ao rebanho, eles também choram.

Esta foto incrível marca o fim da carreira do toureiro Alvaro Munera. Ele entrou em colapso no meio de uma luta quando chegou a hora de matar o touro. Ele passou a se tornar um adversário ávido de touradas. Mesmo gravemente ferido pelas espadas o touro não o atacou.

Munera explica este momento: "E de repente, eu olhei para o touro. Ele tinha essa inocência que todos os animais têm em seus olhos, e ele olhou para mim com uma contestação. Era como um grito de justiça, no fundo, dentro de mim. Eu descreveria-o como sendo uma oração - espero que tenha me perdoado. Eu me senti a pior merda na Terra."

Fonte: facebook

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Livros sobre "Cangaço"

1938 - Angico

Autor: Paulo Medeiros Gastão


Lampião de "A a Z"


Os livros 1938 - Angico e Lampião de "A a Z" podem ser
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Este endereço tem a palavra "Cangaço", mas não tem nada a ver com o tema, foi um erro no momento de sua criação. Ainda não conseguimos fazer outro link de acordo com o material postado.

Quanto custa fazer um santo?

Por: Renato Casimiro

Há alguns anos atrás, de uma pessoa que não poderia ser classificada, na época, de fantasiosa ou mentirosa, ouvi uma resposta para a minha preocupação sobre a seguinte pergunta: Quanto custa fazer um santo? A resposta, sem maiores explicações era que rondava por volta de 1 milhão de euros. Achei de pronto que era muito dinheiro para o pretendido. Por estes dias encontro uma resposta mais bem fundamentada. No seu livro Como se faz um santo, D. José Saraiva Martins revela-nos os custos de um processo de canonização. Ele é um cardeal português que entre 1998 e 2008 dirigiu a Congregação da Causa dos Santos, dicastério romano que trata de beatificações e canonizações. Ele está hoje com mais de 80 anos. Diz ele que os emolumentos da Santa Sé, isto é, os custos processuais, não ultrapassam os 6.000 euros e o total dos honorários para médicos, teólogos e bispos que estudam e julgam as causas, anda à volta de 8.000 euros. 

A publicação da Positio, isto é, da causa da beatificação ou canonização, custa mais de 10.000 euros. São numerosas as regras estéticas e de impressão a que está sujeita por imposição da Congregação para as Causas dos Santos. Não se contabilizam milhares de horas de trabalho voluntário de uma equipe que é liderada pelo postulador e vice-postulador, nem as inúmeras viagens que é preciso fazer. O postulador tem de se deslocar ao Vaticano mais de 30 vezes, tendo de suportar viagens e estadias, cujos gastos, mesmo por baixo, nunca são inferiores a 20 mil euros. Na fase de canonização, o número de deslocamentos a Roma pode reduzir-se para metade, 10 mil euros, mas a Positio tem de voltar a ser publicada. Mais 10 mil euros. Assim, para se fazer um santo são necessários, pelo menos, 64 mil euros. Estes números foram propostos por D. José Saraiva Martins em 2009. A preços de hoje, isto gira ao redor de R$163.200,00. Mas, como ele mesmo adverte, há uma porção de outros custos que não são previamente especificados. Logo, o custo pode beirar uns R$300.000,00, dependendo do que será gasto na origem, quando o processo é aberto na Diocese respectiva. O caso da menina Benigna e, eventualmente, do Pe. Cícero não muda muito esta cena.

Renato Casimiro
http://colunaderenato.blogspot.com.br

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segunda-feira, 18 de março de 2013

Até Tio Patinhas já foi Lampião

Por: João de Sousa Lima(*)

ATÉ TIO PATINHAS 
JÁ FOI LAMPIÃO


Interessante gibi do Tio Patinhas da Walt Disney, do ano de 1963, onde o Tio Patinhas está na capa fantasiado do cangaceiro Lampião.



(*) Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. 
Telefones para contato: 
75-8807-4138 9101-2501 
E-mail: joaoarquivo44@bol.com.br
 joao.sousalima@bol.com.br

http://www.joaodesousalima.com

TUDO PRONTO PARA A TRADICIONAL FESTA DE SÃO JOSÉ EM PREÁ, CRUZ/CE

Por: Dr. Lima

Cruz. A Praia do Preá, Distrito de Caiçara, Município de Cruz, Litoral Oeste do Estado do Ceará, à 300 km de Fortaleza, faz os últimos preparativos para a realização da Tradicional Festa de São José em Preá, dia 19 de março. Esta sendo esperado mais de 20.000 visitantes para o tradicional banho de mar que existe há mais de 30 anos no Dia de São José que também é o Padroeiro do Ceará.

Canoas na Praia do Preá - cruz/CE

Este ano, a prefeitura de Cruz vem dando total apoio ao evento, com reposição de lâmpadas da iluminação publica e limpeza das ruas, coleta de lixo, deslocamento de postes, poda de arvores e organização com barracas padronizadas e instalação de chuveiros coletivos para os banhistas. Placas de sinalização indicam os locais de estacionamento e a área da praia será fechada para o transito de veículos durante os dois dias de festa.

Haverá apresentação de bandas e regata de canoas. A banda de Musica Municipal Cônego Manoel Valdeir abrilhantará a ultima noite de novena e uma ambulância está de plantão durante a realização da festa.

A segurança tem sido outra preocupação do Prefeito Adauto (PT) trazendo reforço policial que está preparado para agir em qualquer eventualidade e já esta fazendo ronda pela comunidade observando a presença de suspeitos, na tentativa de coibir a ação dos marginais e garantir absoluta segurança aos visitantes no Dia de são José. Quem circula pelas ruas e avenidas do Preá, encontra-se com a viatura a qualquer hora do dia ou da noite, em uma ação que dá garantia de tranquilidade para a população e visitantes. No momento, a situação é de absoluta tranquilidade, pois, não há registro de nenhuma ocorrência na área policial nos últimos dias.

Barracas para a Festa de São José em P, 19 de março

No Dia de São José, a Maré estará cheia às 9h30min e a praia está bastante convidativa, pois a água está limpa e a praia não apresenta nenhum tipo de sujeira.

A estrada que dar acesso à Praia do Preá, já passou por mais um serviço de parolamento, no final da semana passada, visando garantir maior acessibilidade aos visitantes. Um carro pipa está molhando a estrada para facilitar a compactação e a diminuição da poeira enquanto a chuva não vem.

Artesanato na Telha

Os barraqueiros já começaram a instalação de seus pontos de venda com pessoas que vem de Acaraú, Sobral, Camocim e Recife. Os produtos são bastante diversificados como, por exemplo, milho verde a R$ 1,00 a espiga, algodão doce, pipoca, brinquedos, óculos e artesanato na telha produzido pelo artesão João Nicio Bezerra de Souza da cidade de Recife. A garotada se diverte pulando nas câmeras elásticas.

Se para os banhistas o que importa é o momento de diversão no Dia de São José, para os agricultores, que sofrem com as agruras da seca, este dia é a ultima esperança para o inicio da quadra invernosa para o Ceará e o Nordeste Semiárido que vem sofrendo com a falta de chuva.

Dr. Lima

http://blogdodrlima.blogspot.com.br/






VOU ALI BATER PERNA...

Por: Honório de Medeiros

A partir de amanhã entro de férias. E vou bater perna na Europa velha de guerra, enquanto posso. Flanar. Viver a rotina dos cafés, das livrarias, das feiras ao ar livre, das igrejas – como eu gosto delas, e quanto mais antigas, melhor! – dos sebos, dos antiquários.

Editora Flâneur

Nada que eu não faça aqui mesmo em Natal, Mossoró, Martins, Pau dos Ferros, São Paulo, os chãos que eu sempre piso, os lugares nos quais eu sempre ando, na condição de vivente curioso acerca da faina humana e supostamente um pouco acima do analfabetismo  institucional que galopa Brasil adentro mais rapidamente que a Moça Caetana no seu mister de povoar o céu, o purgatório e o inferno.

Esqueci Cabaceiras, na Paraíba, no Pai Mateus, Sertãozão de Meu Deus, pedras e mais pedras, rochas e mais rochas, terra, mato rasteiro, céu de um azul sem igual, noites estreladas de tirar o fôlego, e emas, seriemas, veados, gato-do-mato, mocós, arapongas, jacus, toda a fauna do Sertão que a fome e descuido dos homens praticamente extinguiu, o linguajar arrastado contando “causos”, o chiste permanente, o cavaqueado dos meus irmãos paraibanos no centro do seu, do nosso Paraíso sertanejo.

Pois bem, mas na República Tcheca só me programei para fazer duas coisas: procurar a casa onde nasceu Hans Kelsen, o mais original e profundo dos filósofos do Direito, se é que ela ainda existe, e visitar o Cemitério Judeu. Nada mais. O resto é andar, perambular, deambular, flanar, pensar no sentido da vida, na origem das coisas, enquanto o tempo passa, pastorar o espírito de Vaclav Havel, com quem gostaria de trocar dois dedos de prosa, e assim por diante.

De lá, Hungria, onde vou segurar a vontade de fazer carreira até a Romênia para visitar o Castelo de Vlad Drakul, o Conde Drácula. Segurada a vontade, a goles de Tokay, pretendo vadiar pelo Danúbio, o quanto puder, escutando os magiares falam seu idioma incompreensível, olhar atento à possibilidade de encontrar uma cigana que leia a minha mão e me diga, em inglês macarrônico igual ao meu, que eu vou ser feliz, ter muita saúde, e morrer bem velhinho, imensamente rico.

Então Viena. Em Viena, os cafés, para mim, o Castelo de Sissi para minha amada. Eu vou a Sissi, claro, com ela; e, ela, claro, vem aos cafés comigo, e vamos celebrar a vida, e nos deleitarmos com a beleza da capital austríaca, e eu vou lhe contar acerca do surgimento do Positivismo Lógico naquela Viena do começo do Século XX que viveu seu apogeu intelectual antes que os nazistas chegassem. Quem me conhece sabe que procurarei, de todas as formas possíveis, os rastros de Karl Popper, o maior filósofo do século XX, um dos maiores de todos os tempos, seja na política, com sua análise de Platão, Hegel e Marx, seja na ciência com sua epistemologia, construída a partir da teoria da seleção natural. Filósofo, músico, matemático, lógico, epistemólogo, Popper foi, com certeza, o último dos polímatas.

Depois Portugal. Ah, Portugal! Bom, agora vou pedir licença para somente falar em Portugal um pouco mais à frene, se e quando os excelentes vinhos do Douro me permitirem. Mas lá vou à procura de Eça de Queirós, paixão antiga. E, como não poderia deixar de ser, pretendo mergulhar fundo no Sertão de Portugal. Ou Certão, como se dizia em Português arcaico... 

Até mais ver.

http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE

Autor: Kydelmir Dantas

À venda nos seguintes locais
Mossoró - RN:
Praça da Convivência - Corredor cultural - Centro
CAFÉ E ARTESANATO
Natal - RN:
LIVRARIA NOBEL - Avenida Senador Salgado Filho, 1782. fone: (0xx) - 84 - 3613-2007
Campina Grande - PB:
Vila do Artesão
FURLÃO ARTE EM COURO - Biagio Grisi


R$ 35,00

OBS: Para encomendas externas, há o acréscimo da taxa dos correios.

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Quem matou Delmiro Gouveia?

Por Gilmar Teixeira

152 págs.

Contato para aquisição
gilmar.ts@hotmail.com

Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00

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Observação:

Este endereço tem a palavra "Cangaço", mas não tem nada a ver com o tema, foi um erro no momento de sua criação. Ainda não conseguimos fazer outro link de acordo com o material postado.

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Por todo Cariri...

Por: Frederico Pernambucano de Mello

...Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro, Porteiras, Lavras da Mangabeira...

"Caro Severo,

Como estou dando fé,
vosmecê passeia vitorioso por todo o Cariri!
Parabéns e o abraço do admirador"
Frederico Pernambucano de Mello.

E que venha o Cariri Cangaço 2013 !!!

http://cariricangaco.blogspot.com 

domingo, 17 de março de 2013

A REPERCUSSÃO DOS ATAQUES DO CANGACEIRO SINHÔ PEREIRA A PARAÍBA E A INFORMAÇÃO SE LAMPIÃO ESTEVE EM TERRAS POTIGUARES EM 1922

Por: Rostand Medeiros
Publicado em 15/03/2013

”NOTÍCIA RUIM CHEGA LIGEIRO!”

Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922

No dia 25 de dezembro de 1921, na pequena vila de Luís Gomes, o cabo Francisco Rodrigues Martins e o soldado Luis Antonio de Oliveira, foram assassinados por um grupo de cangaceiros quando realizavam uma diligência policial. Nesta época, o jornal natalense A Republica era extremamente econômico no seu noticiário quando o assunto era a ação de cangaceiros em terras potiguares e não publica uma só linha detalhando este episódio.

Vamos ter conhecimento deste fato já na edição de 20 de janeiro de 1922, onde está estampada a publicação do Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922, que informa terem as viúvas dos policiais mortos recebido “uma pensão correspondente à metade da etapa que os mesmo ganhavam, considerando que os militares foram assassinados por cangaceiros”.

De qual bando pertenciam estes bandidos? Quantos eram? Quem era o chefe? Infelizmente não sabemos, mas sabemos que o ataque aconteceu. Podemos deduzir que a não vinculação da notícia pelo principal jornal potiguar da época teria mais a ver com um desejo de evitar o pânico entre a população rural potiguar?

E este medo tinha fundamento?

Conforme descreve o então governador potiguar Antônio José de Mello e Souza, na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1921, parece que sim!
Devido a forte de seca dos anos de 1918 a 1920, aliado a uma acentuada baixa de produção do algodão e dos baixos valores alcançados por esta matéria-prima no mercado internacional, o Rio Grande do Norte se encontrava em uma precária situação financeira. Esta situação gerava reflexos principalmente nas ações de segurança e ordem pública, onde o governo mantinha a força pública com um efetivo bem abaixo de suas necessidades e material obsoleto para o combate ao banditismo.

A ERA DE 22 COMEÇA COM MUITA CHUVA E CANGACEIRO

Neste ínterim, a vida passou a sorrir de uma forma mais alegre para o sertanejo potiguar, pois tinha início uma promissora estação chuvosa, sendo noticiadas fortes chuvas em todo Estado (A Republica ed. 29/02/1922).

Por outro lado, o meio político estava agitado, pois a dia 1 de março ocorria em todo país a eleição para Presidência da República, onde Arthur Bernardes disputava com Nilo Peçanha, em um sufrágio muito pouco democrático, quem governaria o país pelos próximos quatro anos. É informado que o futuro presidente já assumiria a partir do dia 15 do mesmo mês de março (Mensagem, RN 1922, pág. 4).

Em meio a todo positivo noticiário sobre as chuvas e as eleições presidenciais, um dia é publicado uma pequena nota que mostrava que nem tudo corria as mil maravilhas no sertão paraibano, próximo a fronteira potiguar e a fonte da pequena nota era uma importante liderança política e empresarial potiguar.

Informe de Simplício Cascudo sobre ataque de cangaceiros na Paraíba e publicado em Natal

O coronel Francisco Cascudo, pai do folclorista Câmara Cascudo, apresentou a redação de A República um telegrama remetido no dia 3 de março, emitido pelo seu parente Simplício Cascudo, então residente na cidade paraibana de Sousa, dando conta que um grande grupo de cangaceiros estava percorrendo as zonas rurais das cidades de Pombal, Brejo do Cruz, Catolé do Rocha e São Bento, na Paraíba e propriedades na área próxima a Vila de Alexandria, já no Rio Grande do Norte (mas sem trazer maiores detalhes). Informava Simplício Cascudo que as propriedades São Braz, Santa Umbellina e Brejo das Freiras foram “visitadas” pelos cangaceiros, sendo assaltados as pessoas de “José Olympio, filho de Antonio Fernandes, Adolpho Maia, Valdevino Lobo, proprietário da estância Dois Riachos, e Mestre Ignácio”. Informa o missivista que a cidade de São Bento estava “arrasada” com os acontecimentos, tendo os saques nas propriedades próximas sidos superiores a 200 contos de réis. Comentava que no dia 2 os cangaceiros se encontravam no lugar “Catolé”, próximo a Cajazeiras, estando a cidade receosa de ser atacada. Simplício Cascudo finalizava a nota informando que até o momento as garantias solicitadas ao governador da Paraíba, Sólon de Lucena, ainda não estavam presentes (A Republica ed. 07/03/1922).

Ora, diante de notícia fornecida por pessoa tão grada da sociedade potiguar, os grandes produtores rurais do Rio Grande do Norte, principalmente aqueles que tinham seus bens mais próximos à fronteira paraibana, ficam extremamente apreensivos com o que poderia ocorrer.
Logo seus piores pesadelos pareciam se concretizar…

Nota sobre o ataque a Jericó, Paraíba

Telegramas vindos da vila paraibana de Jericó, retransmitidos por postos telegráficos potiguares, fazem chegar a Natal a informação que em 5 de março de 1922, o celebre chefe cangaceiro Sinhô Pereira, com a ajuda do cangaceiro Liberato Alencar, acompanhados de um bando com um número estimado (pelos jornais da época) de 35 a 60 cangaceiros, ataca com sucesso toda aquela região. Desde a zona oeste do Rio Grande do Norte, até o Seridó, a notícia correu célere. Uma das notas de um dos jornais potiguares que noticiaram o fato assim apresentou a questão informando que “Notícia ruim chega ligeiro!”. Na antiga Jericó eles cometeram atrocidades e causaram inúmeros prejuízos aos moradores da localidade. Os cangaceiros foram finalmente rechaçados por um grupo de corajosos habitantes do lugar, destacando-se o nome de Antônio Felipe, João Bento, soldado João Ferreira e João Belarmino.

PÂNICO ENTRE A ELITE RURAL POTIGUAR

Os acontecimentos são publicados em grandes manchetes na edição de 8 de março de A República. A partir de então o pânico se generaliza de uma forma contundente entre os políticos e os fazendeiros que tinham interesses na fronteira do rio Grande do Norte com a Paraíba.

Um típico cangaceiro nordestino na década de 1920

Em Natal começam a chover na mesa do governador Mello e Souza telegramas solicitando urgentemente o envio de efetivos da força pública potiguar para a defesa das cidades e vilas localizadas em praticamente toda a fronteira com a Paraíba. Os aflitos telegramas vinham desde a cidade de Luís Gomes, quase na divisa com o Ceará, à Nova Cruz, próximo ao litoral, todos informando existirem boatos de ataques eminentes e simultâneos de cangaceiros.

Nas amareladas folhas do velho jornal A Republica, existente na hemeroteca do Instituto Histórico do Estado do Rio Grande do Norte e no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte, é tal a quantidade de telegramas enviados ao governo, que aqueles que não possuem um maior conhecimento da história do cangaço nesta época, ao ler as alarmantes missivas reproduzidas, parece que a ação dos cangaceiros havia crescido numa proporção assustadora e o número de bandos havia aumentado por dez.

No geral as mensagens seguem quase um mesmo padrão. Comentam sobre a existência de “informações”, ou “boatos”, transmitidos por pessoas “vindas da Paraíba” da “existência de grupos de cangaceiros nas proximidades” e a possível “eminência de um ataque”.

OS JORNAIS REPERCUTEM A SITUAÇÃO

A imprensa dos dois Estados tratava a situação de modo alarmante e exagerado.

Possível combate próximo a cidade de potiguar de Santa Cruz. Jamais foi confirmado

Na edição de 12 de março do jornal paraibano “A União”, existe a informação que havia ocorrido um violento combate nas proximidades da cidade potiguar de Santa Cruz, no qual teriam morrido 6 cangaceiros. Já o natalense A República chega a comentar na sua edição de 21 de março que, “se abstivera de divulgar as movimentações da tropa, por um princípio das táticas militares; Não fornecer indicações ao inimigo”. Como fosse o caso dos cangaceiros terem condição de ler jornais continuamente no meio da caatinga!


Esta mesma edição de A República informa que em Caicó houve pânico com a notícia da aproximação de cangaceiros na fronteira desta cidade com a Paraíba, ficando a situação mais calma por haver deslocamento de forte contingente policial em direção à localidade de Jardim de Piranhas. Outro jornal natalense denominado A Notícia, informa que até mesmo ocorreu “fuzilamento de oficiais de nossa Força Pública e rapto de crianças”.

Até as repartições dos Correios e Telégrafos entraram na ideia de pânico generalizado. Houve o caso de um telegrafista enviar pedidos de ajuda ao Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro.

Os cangaceiros atrapalharam a coleta de materiais da cidade Martins para a exposição do centenário

Até jornais do Rio de Janeiro noticiaram aqueles acontecimentos aparentemente através de notícias recebidas de informes telegráficos e um destes informes mostra uma interessante situação; no primeiro semestre de 1922 estava acontecendo em todo o Brasil os preparativos para as grandes festas do centenário da nossa independência e no Rio Grande do Norte estes preparativos estavam a toda. Cabia a cada estado brasileiro organizar e enviar para a Capital Federal, na época o Rio de Janeiro, uma coleção de produtos naturais típicos. No Rio Grande do Norte o responsável por tal trabalho era o Dr. João Vicente, que a época destes alarmes estava no município serrano de Martins. Na edição do periódico carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922, foi noticiado que o Dr. João “não podia trabalhar devido a ação dos cangaceiros e que o pessoal da serra estava pronto a reagir”.

MAS HOUVE ATAQUE?

Mesmo com todo exagero, o governador Antônio José de Mello e Souza, juntamente com o então chefe de polícia Sebastião Fernandes não perdem tempo na reação e tratam o assunto como uma verdadeira “situação de guerra”.

O chefe de polícia potiguar a época da crise

Convocam por decreto emergencial 100 praças para a força pública, promovem 2 sargentos a oficiais, despacham um grupo de policiais para seguir de navio até a cidade de Areia Branca, para depois seguirem a cavalo para fronteira. Com a ajuda do então IFOCS – Instituto Federal de Obras Contra as Secas (futuro DNOCS) mais de 100 militares serão enviados de caminhão ao interior. São feitas solicitações aos serviços de correios e telégrafos para a isenção de taxas para que os oficiais pudessem emitir telegramas da “frente de batalha”.

Na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1922, o governador Mello e Souza informa que recebeu que durante esta “crise”, mais de 100 despachos telegráficos vindos do interior. O próprio governador, tido como homem calmo e comedido, chegou ao ponto de reclamar que “até a cortesia sertaneja havia sido deixada de lado” naquelas solicitações de ajuda.

Apesar do estado limitado desta fotografia, ela mostra oficiais da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, se preparando para seguir para o sertão e combater os cangaceiros que desejavam invadir o estado em 1922

Foram enviados policiais em tal quantidade que em Natal o efetivo policial foi classificado como “mínimo”, apenas para o essencial para a proteção do quartel da força pública e do presídio (Mensagem, RN, 1922, páginas 31 a 35).

Seja por conta das ações policiais praticadas pelos governos da Paraíba e da ação preventiva da polícia potiguar, ou por terem conseguido o que desejavam, o bando de Sinhô Pereira toma novamente o rumo do Ceará. Com a saída dos cangaceiros, pouco a pouco a situação volta a se normalizar. No dia 29 de março chega a Natal o Chefe de Polícia da Paraíba, Demócrito de Almeida, que vinha agradecer a ação da polícia potiguar e, juntamente com Mello e Souza e Sebastião Fernandes, acertarem as bases para ações de patrulhamento da fronteira (A Republica, pág. 1, Ed. 01/04/1922).

Nas edições do jornal “A Republica” e na própria Mensagem ao Legislativo de 1922, podem-se ler as respostas às críticas feitas a ação do governador Mello e Souza na proteção das fronteiras. Estas críticas comentavam principalmente sobre os gastos excessivos realizados pelo executivo estadual no deslocamento de tropas, em meio a grave crise financeira vivida pelo Tesouro do Estado.

Existem insinuações que a mobilização serviu para uma grande intimidação da classe política que se encontrava na oposição, devido a proximidade da eleição federal, além de mostrar quem estava no poder e quem mandava na Força Pública.

Mas enfim, os cangaceiros de Sinhô Pereira estiveram, ou não estiveram no Rio Grande do Norte em 1922?

Consta na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1922, que o governador Mello e Souza informou que estes cangaceiros ao seguirem em direção ao vizinho Ceará, teriam então realizado a única e verdadeiramente comprovada penetração em território potiguar. Foi quando realizaram um pequeno saque em Luís Gomes e passando nas imediações da Vila de Alexandria, sem, contudo esta localidade ser efetivamente atacada (Mensagem, RN, 1922, pág. 34).
Jornal carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922

Conforme podemos ver na reprodução da nota publicada na edição do periódico carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922, parece que estes cangaceiros estiveram no Rio Grande do Norte, mas não existem registros de saques em Patu, Alexandria e que a nossa polícia perseguiu a horda de meliantes até o Ceará.

UMA QUASE CONCLUSÃO…

Ao observamos estes episódios, é de se perguntar de onde vinha tamanho receio, ou medo, que as classes produtoras rurais potiguares tinham em relação aos cangaceiros? Até mesmo porque a marcante invasão do bando de Lampião ao Rio Grande do Norte só iria ocorrer cinco anos depois de todo a aquele pânico de 1922.

Sinhô Pereira (sentado) e seu primo Luiz Padre, dois grandes cangaceiros

É certo que os produtores rurais estavam saindo de uma seca pesada e uma ação de cangaceiros em nada ajudaria a nossa já combalida economia rural. Mas não havia registro de grandes ações destes bandidos no Rio Grande do Norte desde a prisão do celebre Antônio Silvino em 1914.

No meu entendimento toda aquela movimentação foi na verdade uma combinação de receio das elites rurais com a chegada dos cangaceiros, acompanhado de exagerados equívocos de informações, tudo isso transmitido para a capital potiguar através de uma bem organizada linha de comunicação telegráfica, que encheu a mesa do governador de pedidos de ajuda contra bandidos que simplesmente não apareceram.

Tudo isso associado a uma tradicional posição destas mesmas elites rurais potiguares; a de não terem uma associação muito estreita com cangaceiros, fossem eles potiguares, ou principalmente de outros estados.

Os donos do poder do sertão potiguar, como até hoje acontece, jamais deixaram de ter uma parceria estreita com hordas de sanguinários pistoleiros, de gente execrável que mata exclusivamente por dinheiro. Que a soldo dos poderosos resolviam (e ainda resolvem) certos tipos de problemas. Mas a figura do cangaceiro, talvez pelo seu aspecto único de possuir determinado nível de autonomia em meio a estas elites, jamais teve dos coronéis do sertão potiguar muita guarida.

E ONDE ENTRA LAMPIÃO NESTA HISTÓRIA?

Ao realizar esta simples pesquisa, me veio o seguinte questionamento; e então o grande cangaceiro Lampião esteve no Rio Grande do Norte antes do ataque de Mossoró? Teria o Rei do Cangaço pisado solo potiguar antes de 1927? Teria ele atacado uma fazenda nos limites do nosso estado com a Paraíba e passado perto da Vila de Alexandria?

Sei que Lampião entrou no bando de Sinhô Pereira em 1921, mas daí a afirmar que ele e seus irmãos Antônio e Levino participaram destas ações, é complicado. Tem gente por aí que conhece muito mais desta história do que eu e pode responder.

Notícia do Diário de Pernambuco, edição de 17 de março de 1922, mostrando a presença de Sinhô Pereira e seus cangaceiros na Fazenda Feijão, Belmonte, Pernambuco. Logo ele deixaria o cangaço

Mas sei que nos primeiros dias de junho de 1922, no sítio Feijão, zona rural do município pernambucano de Belmonte, próximo a fronteira do Ceará, Sinhô Pereira informou aos membros do seu bando, que em breve iria entregar o comando a Lampião, então o seu melhor cangaceiro. Apesar de ter menos de 27 anos de idade, Sinhô alegou problemas de saúde para a sua decisão e que seguia um apelo do mítico Padre Cícero Romão Batista, da cidade de Juazeiro, Ceará, que havia lhe pedido para deixar esta vida bandida e ir embora para fora do Nordeste. A incursão de Sinhô Pereira e outros cangaceiros pelo interior da Paraíba teria tão somente o ensejo de arrecadar numerário para este chefe bandoleiro sair do sertão e só voltar em 1971, já idoso.

Lampião e seu irmão Antônio em Juazeiro, Ceará

Vinte e dois dias depois de receber a notícia que a passagem de comando está próxima, Lampião efetivamente já é chefe de grupo. Neste momento começa a imprimir sua horrenda marca pelo Nordeste e vai se tornar o maior cangaceiro do Brasil.

Mas esta é outra história….

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Extraído blog do historiógrafo Rostand Medeiros

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