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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

CANGACEIRO MASSILON E A REPÚBLICA DO PATAMAR DE SÃO VICENTE

Por Jânio Rêgo


Centralizando a figura do cangaceiro potiguar que foi parceiro de Lampião no ataque que foi rechaçado da torre da igreja, Honório de Medeiros remonta a engrenagem do coronelismo e do Poder político no Nordeste rural e repagina e estimula a revisão crítica da história da invasão do Rei do Cangaço a Mossoró em 1927. (...) um novo conceito para o cangaço, dentro de uma perspectiva científica que identifique o geral no particular e afaste, de vez, o estudo do cangaço do mero "contar casos".


Honório de Medeiros

Cangaceiro Massilon e a República do Patamar de São Vicente  

Acho que compreendo a dificuldade de Carlos Santos em escrever no seu blog sobre "Massilon - Nas veredas do cangaço e outros temas afins", o livro de Honório de Medeiros sobre o cangaceiro que foi um dos protagonistas mais importantes do ataque de Lampião a Mossoró em junho de 1927, mesmo ele tendo acompanhado o autor no primeiro lançamento do livro, no sertão do Cariri, durante um seminário sobre o tema Cangaço. 

Não é fácil escrever sobre aquilo que acicata nossa memória e nos remete à infância, à turma do Patamar, ao que ele próprio, Santos, tratou de nomear como a "República Independente do Patamar da Igreja de São Vicente" da qual somos remanescentes, como o autor Honório de Medeiros que diz assim, na introdução do livro: 

"Nasci e cresci à sombra da Igreja de São Vicente, a igreja da "bunda redonda", brinquei, assisti missa, novena de Santo Antônio, sem perder o contato com as marcas que o combate contra Lampião deixou em suas paredes e na sua torre". 

Centralizando a figura do cangaceiro potiguar que foi parceiro de Lampião no ataque que foi rechaçado da torre da igreja, Honório de Medeiros remonta a engrenagem do coronelismo e do Poder político no Nordeste rural e repagina e estimula a revisão crítica da história da invasão do Rei do Cangaço a Mossoró em 1927. (...) um novo conceito para o cangaço, dentro de uma perspectiva científica que identifique o geral no particular e afaste, de vez, o estudo do cangaço do mero "contar casos". 

Surpreende no livro também, além desse viés do pesquisador sobre o cangaço, o caráter genealógico e emotivo que o autor revela na introdução: (...)se agregou o interesse de sempre acerca da história da minha família materna, da qual é o momento precioso, desde a fundação de Martins até a resistência oposta por Rodolpho Fernandes à Lampião".  

Ao mesmo tempo em que escreve sobre o roteiro geográfico e factual de Massilon que passa pela Paraiba e Ceará, estados por onde andou em busca de informações, Honório constrói um arcabouço emocional da marcante trajetória e origem da família materna dele, os Fernandes do Rio Grande do Norte, do qual ele faz questão de revelar que é a nona geração do patriarca que fundou e deu nome à cidade serrana de Martins.
Mas para leitores como nós, eu e Carlos, fica difícil não ver em cada capítulo a imagem da Igreja de São Vicente. Mesmo que não seja o capítulo em que Honório descreve, preciso como um roteiro cinematográfico, a hora do tiro disparado por Manoel Duarte e que matou o cangaceiro Colchete.
 

O patamar hoje está mais curto e mais baixo do que aquele em que os republicanos brincavam pela manhã e à noite. Apenas dois degraus e chão pedregoso como nunca. Arrancador de chamboque nos dedos dos pés.
Os canteiros, construídos por padre Sátyro no auge da perseguição aos jogos de bola dos meninos, estes permanecem intactos sendo que agora têm plantas. As crianças foram rareando nas residências em torno do Patamar. A cidade. O tempo. Os hábitos.
 

O jogo de bola acabou-se muito antes da capelinha da bunda redonda tornar-se cult e festejada. 

Estivemos lá na igreja, na missa e quermesse dos 80 anos de idade do Careca com a entrega aos fiéis da capela pintada, restaurada, nova como em 1919. E amarela, bem amarelinha. Foi muito interessante. 

Padre Sátyro no altar: "Eu vi São Vicente sorrir! Eu vi São Vicente sorrir!"  

O octogenário e sua retórica vibrante, sabedoria dos oradores sacros, tradição dos copistas do conhecimento e da liturgia. 

Depois tivemos que ouvir a Prefeita da Cidade. 

Mas nos compensaram os doces vicentinos vendidos no meio da rua lateral, a Francisco Ramalho, defronte à casa de Marcos Porto, esse já tornado memória e lenda do Patamar que já carece de um livro. Ele também um Fernandes. 

No Rio Grande do Norte esse lado familista é muito importante. O livro de Honório permite ver que laços ancestrais construíram esse orgulho familiar que de certa forma marca o Estado do Rio Grande do Norte. 

Jânio Rêgo é jornalista - janiorego@blogdafeira.com.br 


Extraído do blog Cangaço em Foco do escritor e pesquisador do cangaço Dr. Archimedes Marques

http://www.cangacoemfoco.jex.com.br/artigos+de+outros+autores/cangaceiro+massilon+e+a+republica+do+patamar+de+sao+vicente




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BEATA

Por Rangel Alves da Costa*

Ao lado das sogras e dos políticos, indubitavelmente que as beatas são as pessoas que mais passeiam na boca do povo. E dificilmente em comentários acerca de suas virtudes, seus dotes religiosos, sua quase absoluta entrega ao mundo dos templos e dos ofícios contemplativos. Quase nenhum reconhecimento lhes é concedido, pois acostumaram a vê-las como possuidoras de qualidades menos dignificantes.

Com efeito, ser beata passou a significar algo muito além de pessoa muito devotada à religiosidade. Acentuando a pecaminosidade pela inversão de valores, imputa-lhe a pecha de fofoqueira, de língua peçonhenta, de pessoa que faz da igreja o lugar ideal para transcorrer sobre o alheio, tecer sobre o histórico de vida de quem está presente e até ausente.

Por isso mesmo dizem que o interesse da beata pela igreja não é outro senão desnudar a vida dos fiéis e daqueles trazidos da rua na ponta da língua. Sempre presente na primeira fila ou em lugar de destaque, mas nunca prestando atenção às celebrações, vez que a maior parte do tempo fica revirando a cabeça de lado a outro, olhando quem chega, qual roupa veste, em qual companhia está, se está mais ou menos gorducha.

Enquanto o sacerdote celebra a missa, ela se preocupa em analisar cada fiel de cima a baixo. E logicamente segredando as considerações com a outra beata que faz o mesmo logo ao lado. Com o rosário na mão e a boca rente ao ouvida da amiga, só Deus sabe o que comungam. De vez em quando fazem o sinal da cruz. Sinal que encontraram algum pecado mortal ao redor. E lançam novamente os olhares com a maior sonsice do mundo.


Foram as beatas desse tipo que macularam os ofícios dessas mulheres de histórica abnegação à religiosidade e ao catolicismo. Logicamente nem sempre tiveram as características negativas que muitas alcançaram nos tempos modernos. Noutros tempos, como pessoas que praticamente viviam nos templos, muitas vezes eram reconhecidas como possuidoras até de poderes sacerdotais, aconselhando fiéis, ouvindo-os em confissão, ministrando-lhes os óleos e a hóstias.

O conceito histórico diz que beata é a mulher santificada pela igreja. Modernamente, contudo, o termo passou a corresponder mais à extremada devoção religiosa. Dizem os dicionários atuais que beata é a mulher demasiadamente voltada para as práticas religiosas, que é assídua aos cultos religiosos. É a solteirona ou encalhada extremamente presente nas atividades paroquiais.

De forma comum, e perante a concepção generalizada, a beata é aquela senhora que cuida da igreja, faz a limpeza e auxilia nas ornamentações e nos ofícios, além de ser a responsável por bingos, quermesses e rifas para a manutenção do templo. Quando não abre a igreja, é a primeira a chegar aos ofícios e a última a sair. É comumente encontrada em rezas e ladainhas mesmo quando não há celebração.

Contudo, não é difícil ouvir que beata é aquela mulher amorosamente desiludida, que parece não ter casa, família nem o que fazer, pois sempre vista na igreja, não perde uma só missa, é mexeriqueira e confidente do padre, e tudo faz para demonstrar uma santidade que não possui. Não há uma boa novela ou romance de costumes onde não haja uma beata de língua ferina e pecaminosa. Ou mesmo um grupo dessas carolas afogueadas.

Noutros tempos eram reconhecidas pelos roupões, muitas vezes enegrecidos, que vestiam para os ofícios. De véu encobrindo o rosto, eram avistadas cabisbaixas, carregando livros religiosos, terços e rosários, com gestos quase que penitenciais. Com o passar dos anos, os paramentos deram lugar a roupas comuns, porém sempre muito recatadas, e as estadias nas igrejas se prolongaram ainda mais.

Lenda popular ou não, mas a verdade é que o beatismo, talvez pela má fama que foi alçando ao longo do tempo, acabou gerando boatos de arrepiar. É de longa data uma história dizendo da beata vistosa, de feição misteriosa e véu escurecido descendo do cabelo aos seios, que era sempre a última a deixar a igreja. E somente depois de seus encontros amorosos com o jovem sacerdote na sacristia. E hoje dizem muito pior.

Mas haveremos de nos contentar em ver o lado religioso e devocional do beatismo. Se outras inclinações existem, como as exemplares aptidões para a fofoca, as mesmas fazem parte das fraquezas humanas. Assim como a carne que afogueia e se corrompe debaixo do roupão e do véu.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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O mais novo livro sobre o cangaceiro Jararaca

Autor Marcílio Lima Falcão
 

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Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP). Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade eMovimentos Sociais no Brasil Republicano.

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço Kydelmir Dantas.
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

AMANHÃ TEM FESTA

Por Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2013. - Crônica Nº 1089


O nome do padre Cícero Romão Batista, continua no imaginário e na alma do povo nordestino, muito mais forte do que na época da sua presença na terra. Devoto fervoroso do sacerdote a quem chamo “meu amiguinho”, propus a mim mesmo escrever apenas cem milagres inéditos a ele atribuídos, documentados com pessoas idôneas que alcançaram graças. Suas inúmeras intervenções na minha vida levaram-me, espontaneamente, à cata desses milagres, aqui mesmo em Santana do Ipanema. Com cinco livros na fila de publicações, resolvi também sentir o prazer das pessoas em narrar seus acontecimentos perante o homem do Cariri.


Saio procurando as casas indicadas por outros devotos, realizo entrevistas emocionantes com todos os que se prestam à narração de fatos pessoais atribulados com desfechos deslumbrantes no evocar do filho de Joaquim Romão Batista e de Joaquina Vicência Romana, dona Quinô.

Não tenho data certa para terminar o meu gratificante trabalho, nem para lançar ao público o livro “100 Milagres do Padre Cícero”, inéditos. Vou colhendo devagar através de vibratórias informações, os depoimentos de sinceridade e fé. Impressionante como as pessoas ficam felizes com a minha presença ao narrarem os grandes momentos de sofrimentos e dores. Alguns choram emocionados quando as lembranças medram forte na memória boa. Mas, impressionante também é a felicidade que toma conta do meu interior, ao deixar cada residência com os meus escritos devidamente documentados. O livro que está sendo elaborado, narra cada milagre em uma página, recebendo a devida numeração identificativa. Como essa crônica foi sugerida pelo próprio, assim será definido o lançamento da obra. 

Enquanto isso vai continuando o meu trabalho, possuindo quase um quarto da meta dos cem. Tenho algumas pessoas indicadas para visitas e que elas sempre indicam outras, num trabalho contínuo que apenas exige tempo de quem pesquisa. Portanto, se o leitor tiver alguma graça alcançada através do padre Cícero do Juazeiro e quiser participar desse documentário, é só nos procurar à noite em nosso lugar de trabalho e marcarmos um lugar para colher as informações ou acertar com a nossa residência próxima ao Posto de Saúde São José, perto da Escola Professora Helena Braga das Chagas, Bairro Camoxinga.

Repasso o convite a todos para a grande festa no município de Dois Riachos, na Pedra do Padre Cícero, às margens da BR-316, amanhã, dia 20. Para que esquecer? AMANHÃ TEM FESTA. 

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2013/11/amanha-tem-festa.html

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