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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Bangu, Memória de um Militante - Lauro Reginaldo da Rocha - Bangu - Parte VII

Por Brasília Carlos Ferreira – Organizadora, 1992

Lauro Reginaldo da Rocha era Mossoroense

“SEXTO DIA”

Depois que saí do “quadrado” fui acometido de um acesso de sono. De pé no canto da parede desandei a cochilar, a cabeça pendia irresistivelmente para frente, como se eu perdesse de repente os sentidos. Um estalo forte como um tiro me despertou bruscamente. Esse estampido era produzido por uma larga correia que o investigador sentado à minha frente, vibrava sobre a mesa. A primeira pancada me produziu um susto tal que o corpo todo estremeceu. O “tira” achou graça.

A dor de cabeça atingiu o máximo. O peso na nuca tornou-se uma coisa louca, insuportável. A vigília forçada de vários dias, as torturas, a fome, a sede, os sobressaltos, o cansaço, tudo isto acumulado, chegou a um ponto que as últimas reservas de resistência física iam se esgotando. A cabeça novamente pendeu para frente, para a semi-inconsciência. Nova pancada, novo sobressalto.

Faço um esforço sobre humano para não cochilar, pois as pancadas na mesa funcionam como se fora na minha cabeça. Mas não tenho forças para impedir os cochilos. Então a cena se repete, numa seqüência interminável de cochilos, pancadas e despertar assustado, cochilos, pancadas, cochilos, pancadas...

As pernas tremem, cambaleio, mas consigo a custo me manter em pé. Não consigo porém manter a cabeça firme. E o tormento continua. A pancada e o susto que abala todo o meu corpo só poderiam ser evitados se fosse possível impedir o sono.

A cabeça pende mais uma vez. Num segundo sonho com um estimulante, um remédio fantástico que me mantém acordado e me salva da tortura. Nova pancada me faz estremecer e me traz à realidade da vida ou melhor, à realidade da morte. Sinto a cabeça como se ela não fizesse mais parte do meu corpo, como se fosse uma coisa à parte, nela se concentrando todas as dores, todas as reações e as últimas pulsações.

Escutei os “tiras” dizerem que estávamos na semana santa, revivia-se o martírio de Cristo. Então eu pensei: Talvez tudo isto esteja acontecendo em nome dos ideais cristãos. Eles vivem falando em “ideais cristãos”, será que eles interpretam e aplicam os ideais cristãos desta maneira, arrancando unhas, matando lenta e cruelmente as pessoas? E a frase ideais cristãos ficou no meu juízo, girando sem querer sair.

Naqueles momentos a sonolência sobrepujou a todas as demais sensações – a sede, as pontadas no estômago, as dores nas pernas, as queimaduras. Cada vez que a cabeça pendia para a frente era como se eu caísse num vácuo. A queda não era o pior, mas o medo da pancada fazia com que eu a temesse e fizesse todo esforço para evitá-la.

O “tira” estava atento, aguardava apenas o momento em que minha cabeça descambasse para desfechar o golpe fatídico. Eu não tinha forças para me conter, as pancadas e as quedas no abismo vão se amiudando, o meu cérebro não agüentava mais, parecia que ia estourar.

Procurei decifrar o semblante do “vigia”, o riso de gozo e de ironia estava sempre presente no seu rosto, não consigo distinguir nenhum vestígio ou traço de humanidade. Terá ele família, filhos?

As pancadas tornaram-se mais freqüentes, há um ferreiro batendo o malho numa bigorna, a bigorna é meu cérebro. Cheguei a um ponto em que não conseguia mais coordenar nenhum pensamento. Em certos momentos não sabia onde eu estava nem o que estava acontecendo.

Alguém veio tirar-me daquela aflição. Seguro por um braço fui levado, como um sonâmbulo, para a sala de torturar. Lá estava o trio sinistro à minha espera, com todos os apetrechos para a outra forma de suplício. Todos os meus sentidos passaram a “estado de alerta”, milagrosamente despertos da letargia que há pouco me prostrava.

Os inquisidores recomeçaram a manipular num corpo que é quase um esqueleto, onde a dor está generalizada, mas onde eles descobrem sempre pontos nevrálgicos. Remexem mais uma vez, as feridas. Chafurdam-se no pus com volúpia. E, ao som das gargalhadas e do deboche, conseguem dar continuidade ao seu trabalho nefando, em mais uma noite de terror.

CONTINUA...

http://www.dhnet.org.br/memoria/1935/livros/bangu/04.htm#primeiro

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Lançamento de livro sobre Jaime Hipólito Dantas


No dia de Santa Luzia, Thaisa Mendonça uma jovem que não conheceu Jaime, mas se encantou com o que ele escreveu, lança "Jaime Hipólito Dantas: um mossoroense de fora", na Livraria Saraiva do Midway Mall.


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Acesse também:

http://sednemmendes.blogspot.com
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ADQUIRA A BIOGRAFIA DE ALCINO ALVES COSTA



Escrita por Rangel Alves da Costa

Escrita por Rangel Alves da Costa, seu filho, e intitulada “TODO O SERTÃO NUM SÓ CORAÇÃO - VIDA E OBRA DE ALCINO ALVES COSTA”, a biografia já pode ser adquirida por amigos e admiradores do saudoso Caipira de Poço Redondo.


Com 288 páginas, cuida de todo percurso de vida daquele que foi verdadeiro guardião da história sertaneja. O livro está à venda ao preço de R$ 50,00 (postagem incluída). 

Para adquiri-lo entre em contato com o autor no seguinte endereço eletrônico: 

rac3478@hotmail.com

Uma excelente opção para presentear os amigos neste Natal.

http://blograngel-sertao.blogspot.com.br/
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Lampião: O Capitão do sertão! - Cap. IV

Por A. Fleming
Lampião e seu irmão Antonio Ferreira

Como o Cap. IV da sequência deste trabalho é muito extenso, coloquei apenas o link para o leitor acompanhá-lo. Basta clicar nele.



Extraído do GEH - Grupo de Estudos Humanus

http://www.geh.com.br/forum/viewtopic.php?f=62&t=6336 

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Fotos do evento realizado em Junho de 2012, em Mossoró, na ocasião do lançamento do livro do escritor Antonio Vilela de Sousa

Por: José Mendes Pereira
O pesquisador Múcio Procópio, a professora Ana Lúcia e o professor Wescley Rodrigues

 Luzia Paiva, Ana Lúcia e Adryanna Karla, filha do administrador deste blog.

Wescley, Adryanna, Aninha e Luzia Paiva

Wescley, Adryanna, Aninha, Luzia, Vilela e Cecília


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Momentos de fé e oração no cangaço.

Por Guilherme Machado

Regimento sobre ordem do chefe.
 "Lampião - Virgulino Ferreira da Silva" e seus cabras da peste ajoelhados na hora de agradecer a Deus e ao meu Padim Padre Ciço!

Momentos de fé e oração no cangaço; Regimento a risca sobre ordem do chefe, "Lampião Virgulino Ferreira da Silva" de joelhos e seus cabras da peste.  E hora de agradecer a Deus e ao meu Padim Padre Ciço! 

Sempre às 12 hs. e às 18 hs   era hábito forte e certeiro de  Lampião, parar a cabroeira  para juntos fazerem as suas  orações  habituais. Seja no meio da caatinga, ou em frente a uma capela de um vilarejo, ou até mesmo em frente a um cemitério, ou qualquer cruzeiro de covas de defuntos  de beira de estrada.

Justo juiz de Nazaré, filho da Virgem Maria,
Que em Belém foste nascido entre as idolatrias
Eu vos peço, Senhor, pelo vosso sexto dia
E pelo amor de meu padrinho Ciço
Que o meu corpo não seja preso, nem ferido, nem morto
Nem nas mãos da justiça envolto
Pax tecum. Pax tecum. Pax Tecum.
Cristo assim disse aos seus discípulos
Se os meus inimigos vierem para me prender
Terão olhos, não verão
Terão ouvidos, mas não ouvirão
Terão bocas, não me falarão
Com as armas de São Jorge serei armado
Com a espada de Abraão serei coberto
Com o leite da Virgem Maria serei borrifado
Na arca de Noé serei arrecadado
Com as chaves de São Pedro serei fechado
Onde não me posam ver nem ferir, nem matar
Nem sangue do meu corpo tirar
Também vos peço, Senhor,
Por aqueles três cálices bentos
Por aqueles três padres revestidos
Por aquelas três óstias consagradas
Que consagrastes ao terceiro dia
Desde as portas de Belém até Jerusalém
E pelo meu Santo Juazeiro

Que com prazer e alegria
Eu seja também guardado de noite como de dia
Assim como andou Jesus no ventre da Virgem Maria
Deus adiante, paz na guia
Deus me dê a companhia que sempre deu a Virgem Maria
Desde a casa santa de Belém até Jerusalém.
Deus é meu pai, Deus é meu pai,
Nossa Senhora das Dores minha mãe
Com as armas de São Jorge serei armado
Com a espada de São Tiago serei guardado para sempre
Amém

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ADENDO
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 Para os leitores deste blog que residem em outros países e não conhece o significado da expressão "Padim Padre Ciço"; foi criada por Virgulino Ferreira da Silva, o famoso e sanguinário rei do canga Lampião, que apesar de ter sido marginal, ele era devoto número 1 (um) do Padre Cícero.

Um pouco sobre o Padre Cícero:
 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Padre_C%C3%ADcero

Cícero Romão Batista nasceu no Crato, Estado do Ceará, no dia 24 de março de 1844 e faleceu no Juazeiro do Norte, também Ceará, no dia  20 de julho de 1934) Era um sacerdote católico brasileiro. É considerado pela a população do Nordeste Brasileiro como santo, apesar de não ter sido canonizado pelo o Papa como santo.

Era filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô. Ainda aos 6 anos, começou a estudar com o professor Rufino de Alcântara Montezuma.

Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.

Em 1860, foi matriculado no colégio do renomado padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras na Paraíba. Aí pouco demorou, pois a inesperada morte de seu pai, vítima de cólera em 1862, o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das irmãs solteiras. 

A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérias dificuldades financeiras à família de tal sorte que, mais tarde, em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário da Prainha, em Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o coronel Antônio Luís Alves Pequeno.

(Por ser considerado santo no Nordeste brasileiro os nordestinos não aceitam certas brincadeiras ridículas com o Padre Cícero).



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