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quarta-feira, 26 de julho de 2017

A CHEGADA DO REI DO BAIÃO AO INFERNO

Por Kydelmir Dantas

Lançado no Cariri Cangaço - Exu, na noite do dia 20 e apresentado no final da MISSA DO VAQUEIRO, em Serrita (23/07) o primeiro cordel que mostrou uma outra ótica sobre 'a passagem' do Luiz 'Lua' Gonzaga... Causou polêmica para aqueles que apenas leram o título... Mesmo assim foi bem aceito pela maioria...



Fonte: https://www.facebook.com/
Página: Kydelmir Dantas

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INTERLÚDIO: O CINE LUX

* Jerdivan Nóbrega de Araujo

Dedico esse texto, do Livro “NA TELA DO CINE LUX DE POMBAL” . João Pessoa:  Imprell, 2002 . a Galdino Mouta filho do fundador do Cine Lux e o seu último administrador

Galdino Mouta

O CINE LUX foi responsável por boa parte da formação dos jovens de Pombal, em um certo período entre 1956 e 1989. Esta afirmação pode até parecer estranha para quem não foi criança em uma cidade do interior, onde o cinema e os circos eram as principais, e muitas vezes as únicas, diversões do lugar.

Nos anos sessenta, os jovens pombalenses não davam por iniciado o dia, enquanto não passassem de frente do velho cinema, para ver os cartazes que ali eram colocados por Fagundes e mais tarde, já na decadência, por Gregório. Um outro cartaz era posto na porta do Mercado Público, entre a barbearia de Antonio Guerra e o barraco de Ninito.

— Qual o filme que estar em cartaz?

Era comum anotarmos em velhos cadernos o título de todos os filmes expostos, bem como o nome dos atores, diretores e o responsável pela música. Outros garotos chegavam nas primeiras horas da manhã para remexer o lixo do cinema a procura de pedaços de películas. Em casa, montavam “máquinas projetoras", usando uma caixa de sapatos e uma lâmpada comum, enchendo-a de água, para transformá-la em lente e, com uma segunda lâmpada, esta ligada a corrente elétrica e acesa, projetavam sombras na parede, liberando as imagens aprisionadas nos pedaços de fitas.

Tarzan, Zorro, Teixeirinha, Mazzaropi, Oscarito e Grande Otelo, Sete homens e um destino, Um dólar furado, Quando brota o amor, Dio Como Te Amo e muitos outros, surgiam como mágica bem ali a nossa frente. Chegava-se a cobrar alguns centavos, para quem quisesse assistir as fitas.

Imagens congeladas retiradas do lixo era, na nossa fantasia, um mundo real que só o Cine Lux poderia dar uma explicação.

À noite ficar parado de frente ao cinema batendo papo, trocando revistas em quadrinhos, livros faroestes, ou simplesmente ouvindo músicas da Jovem Guarda, era de lei.

O carrinho de pipoca de dona Maria Calado e as tabuletas de “confeito” e ao lado direito a soverteria, que também pertencia ao dono do Cine Lux. Era proibido entrar com pipocas ou balas no cinema, mas, com picolé, por motivos óbvios, era permitido.


O Cine Lux era a razão e o orgulho dos filhos de Pombal, Eu, particularmente, era fanático. Não me lembro de um Domingo que tenha deixado de assistir a uma matinê.

Naquela época o Cine Lux conservava o fascínio das cortinas se abrindo, aos três sinais sonoros, depois do qual ninguém saía, ninguém entrava.

Hoje eu volto a Pombal e o vejo caindo aos pedaços tal qual os meus sonhos. Uma fachada como é de fachada a felicidade de quem não percebe o belo num casarão antigo. Mesmo assim, para o Cine Lux ainda tiro o meu chapéu, e o agradeço por ter estado ali quando eu também ali estive.

Prometi a mim mesmo que um dia retribuía ao velho cinema tudo o que ele fez pelos moleques da minha infância.


Escrevi para jornais, crônicas emocionadas, revelando aos olhos cegos do povo de Pombal o estado deplorável de abandono que o cinema se encontrava. Noutra oportunidade, dediquei umas duas páginas do livro “Sob Céu Estrelado de Pombal” ao amigo Cine Lux, além espalhar por outras páginas o seu nome e, bem no meio do livro, colocar uma bela fotografia, retratando o seu tempo de glória.

Foi tudo o que eu pude fazer antes que a última tábua caísse aos meus pés.

Mas eu sempre morro de saudades e, nestes momentos, sou remetido de volta a minha infância, para reencontrar o Cine Lux, com suas fitas a me fitar à distância.


Eu tinha um sonho, que era transformá-lo em um grande teatro, mas era um sonho de alvenaria, e os sonhos em alvenaria custam dinheiro.

— São as boas recordações que nos trazem aqui. Lembrou-me Nêgo Panela.

Em um desses outubros passados, eu estive em Pombal e, como sempre faço, fui rever o velho cinema. Fiquei curioso com as algazarras de algumas crianças que corriam para um lado e outro, dizendo haver um fantasma escondido nos escombros do Cine Lux. Um deles me chamou para olhar pela fresta do portão e ver um fantasma que só eles viam. Eu olhei por uns segundo para satisfazê-los. Ele me perguntou se eu estava vendo o fantasma. Respondi que sim. Os garotos saíram contentes e em disparada, pois era a primeira vez que um adulto confirmava a existência de um fantasma assombrando o velho cinema. Não tive sequer tempo de dizer para eles que eu sou um desses fantasmas que assombram e são assombrados por aquela casa cinematográfica.

― O passado sempre assombra-nos. Resmungou Fonfon, enquanto coçava, com a ponta do pé direito o calcanhar esquerdo.

Foi ali também que resolvi escrever um livro onde eu pudesse levar o povo de Pombal para rever as suas histórias e estórias nas telas do velho Cine Lux. Espero que com esta terceira tentativa de homenageá-lo os fantasmas do Cine Lux, que habitam a minha cabeça e assombram crianças inocentes, saiam para sempre da minha vida. Porém, se isto não for possível, é com um imenso prazer que eu dou guarida a todos os fantasmas do velho Cine Lux, que queiram continuar habitando o meu sonho, nas angustiantes noites mal dormidas, em que as lembranças são refletidas na parede do nosso inconsciente, tal qual acontecia nas telas do Cine Lux.

E a musica? Como se falar da magia sonora do cinema em um livro?

Uma musica em particular, APACHE LEX, antecedia a abertura das cortinas e acompanhava todo o trailer até que o leão da Metro ou a moça da Columbia picture apareciam na tela cinemascope do Cine Lux. Ai então o silêncio era eterno. Só o som fugido das fitas cinematográficas era ouvido, até que terminasse o filme. Vez por outra, porém, principalmente nas matines, onde havia a predominância de crianças e adolescentes, o silencio dava lugar a tímidos aplausos, sempre que o “artista” se livrava das cordas e salvava a “mocinha”.

Assim era dentro do cinema. Fora, porem, antes de começar o filme a cidade toda se deliciava com as mais lindas e atualizadas canções.

―Escutem o sinal sonoro e façam silêncio que mais uma fita vai ser exibida nas telas do velho Cine Lux de Pombal. Respeitem os avisos luminosos: “É Proibido Fumar”, e fiquem atentos a lanterna ofuscante de Galdino. Ela ainda está ali!

O silêncio da multidão e os três sinais de luz se deram com atraso, pois Padre Andrada ainda não havia chegado e, de repente, ali estava, em cenas coloridas e nostálgicas, o passado de Pombal de volta e, como não poderia deixar de ser, nas telas do nosso Cine Lux, com seu povo sendo os protagonistas destas histórias.

Ali, na Praça do Povo onde o Cine Lux fazia a mágica de trazer o passado para o presente, era o Conjunto regional, na maestria o exímio maestro Manuel de Donária, o responsável pela música que embala tantas histórias e estórias.

Silêncio! A saudade tem cheiro de guardado e cor de luz.

– Silêncio!!!

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso 

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A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO CANGAÇO

Por Noádia Costa

O cangaceiro Gato e a sua companheira Inácia

Muitas mulheres ingressaram no Cangaço com a ideia de levarem uma vida de liberdade e em alguns casos viverem um romance. O que na prática se tornou apenas em ilusão. O cotidiano no Cangaço mostrou as mulheres uma realidade cercada de violência, privações e sofrimento. As mulheres cangaceiras sofreram violência tanto por parte dos seus companheiros, como por parte das volantes.

Como não lembrar do cangaceiro Gato que agredia sua companheira Inácia e que a levou para o Cangaço forçada. 

O cangaceiro Canário e sua companheira Adília

Do cangaceiro Canário com seu ciúme doentio e sua brutalidade com Adília. 

O cangaceiro Pancada e sua companheira Maria Jovina

Do cangaceiro Pancada, que em um momento de raiva puxou Maria Jovina pelos cabelos. Ainda tivemos os casos dos crimes passionais no Cangaço. 

O cangaceiro Zé Baiano. Não existe foto da cangaceira Lídia

A cangaceira Lídia que foi assassinada por Zé Baiano e Lili alvejada com seis tiros pelo cangaceiro Moita Brava.

Boa Vista, Sebastiana, Moita Brava e Laura - entregues aos "homens".

As cangaceiras Cristina e Rosinha foram mortas para não comprometerem a segurança do bando, assassinadas friamente sem direito a defesa. 

Cristina com o desejo de correr o mundo e iludida com a vida no cangaço seguiu o cangaceiro Português que se tornou seu companheiro. Cristina logo chamou a atenção do cangaceiro Gitirana com quem teve um envolvimento amoroso e findou assassinada. Gitirana era conhecido por ser repentista habilidoso.

As volantes também cometeram atos de violência contra as mulheres cangaceiras.

Otília foi companheira do cangaceiro Mariano Laurindo Granja

Otília foi vítima de espancamentos na prisão, Enedina teve a cabeça deformada por um tiro de metralhadora, ficando com o rosto desfigurado. 

A cangaceira Enedina companheira do cangaceiro Zé de Julião

A rainha do Cangaço Maria Bonita, Eleonora e outras cangaceiras foram degoladas e tiveram as cabeças expostas como troféus.

A rainha do cangaço Maria Bonita

Dadá levou um tiro no pé e terminou tendo que amputá-lo. Fora a dor da perda do companheiro Corisco de forma tão brutal. 

O cangaceiro Corisco e Dadá

Neném que foi assassinada e teve o corpo vilipendiado. São tantas histórias de dor e sofrimento.

Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

A mulher cangaceira transitou nesse universo cercado de dor, violência e sofrimento. E sorte das que conseguiram escapar com vida da aventura sangrenta do Cangaço. Porque muitas terminaram mortas.

https://www.facebook.com/

Ilustrado por José Mendes Pereira

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TRIBUTO A VIRGOLINO FERREIRA DA SILVA

Por José Mendes Pereira
Foto extraída do facebook da página do Fagner Lima

Você, leitor, acha justa esta homenagem dedicada a Virgolino Ferreira da Silva o rei do cangaço Lampião?

Eu como leitor e apreciador do estudo do cangaço, principalmente quando fala na família Ferreira (do Lampião) acho que é mais do que justa. Cada um de nós como Deus o fez, e Lampião não tem culpa se o destino preparou este pagote de maldades para ele,  como responsável por uma vida de roubos, vinganças, horrores, crimes, maldades durante a sua passagem aqui na terra. 

Creio que ele sonhou muitas vezes de na vida futura ser um fazendeiro, um comerciante de fama, um atleta, um professor, um músico, ou quem sabe, um advogado, um médico cirurgião para cuidar dos seus familiares e outros mais, um dono de casa com esposa e no futuro, formar uma família admirada em sua terra natal, mas simplesmente, a vida foi ingrata com Lampião, deu-lhe apenas o direito de viver embrenhado às matas, praticando horrores contra seres humanos, chefe que ordenava os seus comandados para fazer eliminações de vidas humanas, só pelo fato de ser vingativo, sanguinário e rancoroso. 

Nós não somos capazes para julgarmos o Lampião das Caatingas do Nordeste Brasileiro. Vamos abotoar nossas bocas, para não julgarmos quando nós não sabemos fazer justiça. 

E a família Ferreira que continua, temos que respeitá-la. Ela também não teve culpa das desgraças que os irmãos Ferreiras fizeram contra o Nordeste Brasileiro, Deus é quem sabe o porquê de tantos crimes feitos por eles. 

É apenas o meu pensamento e não quero com isso defender o crime. 

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LAMPIÃO O REI DE UMA FACÇÃO CRUEL

Por Alan de Farias

Conhecido por ataques horripilantes no cangaço, Virgolino Ferreira da Silva usou e abusou das ferramentas de comunicação do começo do século XX a fim de ser mais reconhecido como Robin Hood à Brasileira do que um vilão. 

“Lampião gostava de se sentir um coronel entre coronéis e tinha entre estes muitos protetores. Foi igualmente cruel com ricos e pobres que ousaram descontentá-lo e tiveram a infelicidade de cair nas suas mãos.” É com essas palavras que a historiadora e escritora Isabel Lustosa descreve Virgulino Ferreira da Silva no livro De olho em Lampião – Violência e esperteza (Claroenigma). De 1919, ano em que inicia sua carreira no cangaço, até 1938, quando seria assassinado, aos 40 anos, em 28 de julho, por soldados na Grota de Angico, no atual município de Poço Redondo, no Sergipe, Lampião se tornaria uma das figuras mais conhecidas no país. E não por seu caráter benevolente. Na realidade, longe disso.

Pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, Isabel destaca que, ao longo de quase 20 anos, o rei do cangaço, título que acabou ganhando devido ao seu domínio no sertão nordestino na primeira metade do século 20, carregaria em seu currículo as manchas de diversos crimes. Entre eles, o assassinato e a tortura de pais de família e jovens rapazes, o estupro e sequestro de mulheres e a destruição de fazendas. Sem contar o roubo de economias de gente simples, acentuando a miséria dessas famílias. 


Se por ventura, em algum momento, distribuiu dinheiro para os mais necessitados, sendo considerado uma espécie de “Robin Hood à brasileira”, foram apenas moedas, obviamente mais pesadas para carregar em uma vestimenta típica de um cangaceiro, que incluía cartucheira, um rifle, uma pistola, um punhal, várias bolsas e duas cobertas. O cangaceiro, vale ressaltar, realizava uma espécie de pagamento. Neste caso, aos coiteiros, como são chamados aqueles que forneciam a ele e ao grupo que liderava moradia provisória ou informações sobre possíveis ataques de soldados e policiais. Mas esses poderiam ser os mais pobres, os coronéis ou até mesmo os políticos do sertão nordestino, que temiam a ferocidade cangaceira.

Segundo a antropóloga da Universidade de São Paulo Ana Claudia Duarte Rocha Marques, Lampião era um líder poderoso e rico, mas sem terras e sem partido político, com movimentos inesperados. “Essa imprevisibilidade lhe conferiu seu caráter tático mais importante. Os momentos de parada aumentavam a vulnerabilidade do bando. A ideia de ‘movimento’ neste caso precisa ser encarada um tanto literalmente, e menos no sentido mais sociológico que o termo tem entre nós”, afirma ela, autora de Domínios de Lampião: nomadismo e reciprocidade.

Devido a essa característica nômade, Lampião e seu bando deixaram marcas em ao menos sete Estados nordestinos (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará). Para Wescley Rodrigues Dutra, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras, naquele período a opinião dos moradores desses locais era unânime: o rei do cangaço e seus seguidores nada mais eram do que bandidos sanguinários, feras que atentavam contra a honra e a propriedade. 

Um fato curioso, por outro lado, aconteceu em 1926, quando Virgulino passou alguns dias na cidade cearense de Juazeiro do Norte, onde se encontrou com Padre Cícero, a quem admirava, e deu uma entrevista ao periódico O Ceará. Ele e seus comandados foram enviados para lá para combater a Coluna Prestes, movimento liderado por jovens militares insatisfeitos com a República Velha. O confronto não aconteceu, mas Lampião provocou um alvoroço na região: cerca de 4 mil pessoas se concentraram ao redor da fazenda onde ele passava as noites.

“A população que se amontoou na frente do sobrado onde o cangaceiro estava hospedado o fez mais por curiosidade do que por adoração ou admiração. A ‘fera’ estava na cidade, estava mansa, pacífica, controlada. Queriam saber se realmente ele seria tudo aquilo que afirmavam as notícias que vinham dos mais longínquos sertões”, diz Dutra, autor de Nas trilhas do ‘rei do cangaço’ e de suas representações.




OLHA A POSE! 


Virgulino era uma personalidade da época. Uma celebridade, se o termo já fosse popular como é nos dias de hoje. E isso não se devia somente às verdades ou às lendas relacionadas aos ataques que protagonizava. Ele era, desde os anos 1920, notícia em jornais e revistas, onde fotos do pernambucano, nascido em 1897, em Serra Talhada, de estatura mediana, com um defeito no olho direito, letrado e extremamente vaidoso, eram publicadas. “Fotografia era um recurso reservado a poucos nesse período e região. Somente as famílias mais abastadas preservam fotografias daquele período. Assim, o próprio fato de ser fotografado e filmado é sinal de seu prestígio e fama”, salienta Rocha Marques. “Acho Lampião um grande assessor de imprensa de si. Ele era vaidoso e trabalhava sua imagem com muita consciência ideológica, o que o levava a ter outros benefícios de negociação e atuação”, completa Matheus Andrade, professor do curso de cinema e audiovisual da Universidade Federal da Paraíba e autor de A saga de Lampião pelos caminhos discursivos do cinema brasileiro.

Fernando Sá, professor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe e autor de Lampião revisitado: cangaço, cinema e identidade, lembra que, durante o período em que atuou como principal líder nos sertões nordestinos, Virgulino fez questão de registrar alguns momentos marcantes de sua vida. Cita, por exemplo, “a ascensão à liderança do grupo de Sinhô Pereira [outro famoso cangaceiro nordestino] em 1922; a visita a Juazeiro do Norte, em 1926; o encontro com Eronildes de Carvalho [capitão do Exército brasileiro, que seria coiteiro de Lampião em Sergipe], em 1929; a entrada das mulheres no cangaço [entre elas, Maria Bonita, que viria a ser mulher de Lampião], nos anos 1930; e a visita de Benjamin Abrahão. Este último, um mascate sírio-libanês, seria responsável por registrar, no ano de 1936, algumas das mais icônicas e célebres imagens de Virgulino. “Um dos maiores desejos do Benjamin era filmar e fotografar um combate entre os cangaceiros e as forças volantes [que lutavam contra os integrantes do cangaço]. No entanto, Lampião nunca permitiu tal feito, talvez por saber a carnificina que era um combate, com troca de insultos e mesmo atos de tortura e bestialidade desumanas. Dessa feita, se o grande público tivesse contato com tais imagens, sem sombra de dúvidas, isso contribuiria para piorar a concepção que havia sobre os cangaceiros”, afirma Dutra. 

O pesquisador acredita que a mensagem central que o cangaceiro buscou passar ao longo da filmagem e da fotografia era a de pessoas felizes, realizadas no exercício da sua “profissão”, banqueteando-se com farta comida, mesmo isso sendo raro, divertindo-se por meio de festas e danças nas veredas da caatinga, recobertos de joias e roupas extravagantes e exóticas. “Ele queria passar a imagem de que era um homem comum, amigável, bom líder, vaidoso, alegre, valente, forte, amoroso com a sua Maria Bonita, bom pagador e amigo daqueles que o ajudavam.”

O filme de Abrahão foi censurado pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, que criara o Departamento de Imprensa e Propaganda com o objetivo de controlar a comunicação que atuava em todo o país – acredita-se que tenham sido as próprias forças do governo federal que executaram Abrahão dois meses antes da morte de Lampião, embora o crime nunca tenha sido esclarecido. Suas filmagens dos cangaceiros só apareceriam nos anos 1960, quando a película, como lembra o pesquisador da UFPB, foi encontrada e restaurada. No longa Memórias do cangaço, dirigido por Paulo Gil e lançado em 1964, tais imagens seriam colocadas em circulação. E, desde então, reutilizadas em filmes como Corisco e Dadá (1996), de Rosemberg Cariry, Baile perfumado (1996), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, e Os últimos cangaceiros (2011), de Wolney Oliveira. Tamanho interesse em torno da figura pública de Lampião fez com que ele se tornasse o personagem da história do Brasil que mais vezes foi narrado pelo cinema nacional. 




ETERNAMENTE LEMBRADO

Lampião e seu bando tinham uma série de táticas para, mesmo muitas vezes em menor número em relação aos soldados ou aos policiais, garantirem vitórias nos combates no sertão nordestino. Para isso, valiam-se de artimanhas possíveis de comparação às de grupos criminosos da sociedade brasileira contemporânea, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) ou as facções das comunidades cariocas. Entre elas, a escolha de lugares inacessíveis para se esconderem, a manutenção de informantes e a união com outros bandos para assaltos grandiosos.

Para Dutra, o contexto social produtor do cangaceiro sertanejo, marcado pelo domínio político dos grandes latifundiários, pela derrocada da economia açucareira e pelas severas secas, é totalmente díspar da que produz as organizações criminais atuais. “No entanto, se poderia dizer que há um único ponto em comum, que seria a incapacidade do Estado em criar mecanismos eficazes promotores de dignidade humana. Seja nas favelas atuais ou no sertão de outrora, esses espaços refletem a ausência de políticas públicas em prol da população e o desinteresse dos representantes estatais em ouvirem o clamor que emanou e emana desses lugares”, acredita.

Quanto a essa discussão, Andrade concorda que tanto os cangaceiros quanto o PCC ou o Comando Vermelho, por exemplo, podem até se organizar de maneira parecida. Por outro lado, questiona a popularidade dos líderes desses últimos grupos. “Será que as organizações criminosas de hoje construirão personagens históricos como Lampião?” Só o tempo ou, tomando como exemplo a própria vida do rei do cangaço, os jornais, o cinema, as fotografias, as verdades ou as lendas dirão.



https://www.livrariacultura.com.br/revistadacultura/reportagens/lampiao

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EVANGELHO.

 Por Valberto Barbosa de Sena

EVANGELHO
Dito em profecia de sua chegada
Muitos escutaram essa profecia,
Somente esperaram ver chegar o dia
Dom dia marcado, pra hora marcada.
No exato tempo cumprindo o arranjo,
Deus mandou anúncio através de um anjo,
Sobre o nascimento do menino seu.
Tantos deram crença para esse edito,
Quantos acorreram pro lugar predito;
Um simples estábulo do povo Judeu.

Sábios poderosos vieram de longe
Trazendo consigo bastante esperança,
Além de presentes para dar a criança:
Dotes de conforto pro pequeno monge.
E àquela estrela guiando a viagem,
Pairou sobre a casa pequena hospedagem,
Na qual o menino estava com os pais.
Ali recebeu o prêmio dos sábios,
Além de elogios dos seus trêmulos lábios;
Todos eram reis tornados iguais.

Deus deu para os magos uma advertência:
-voltem para casa por outro caminho,
Pois o rei Herodes trama em desalinho
Matar meu menino em sua inocência.
Um anjo surgiu e em sonho a José,
O mandou seguir por meio da fé
(que não lhe faltava ‘isso eu tenho dito’).
-convoque Maria e pegue o menino,
Agarrem correndo seu novo destino
Pras terras distantes do antigo Egito.

Lá só esperaram a convocação,
Da volta às origens, no retorno a casa.
Na hora correta, Deus não se atrasa,
Dando seguimento a sua missão.
De pai coerente, cumpre seu papel,
Mandando-os voltarem para Israel.
Assim o fizeram, mas, temendo o mal,
Andam cabisbaixos, e pé ante pé,
Vão parar em terras lá de Nazaré
Temendo de Herodes o filho Arquelau.

Crescendo o garoto pra Jerusalém
Viajou com os pais a festa pascal.
Na volta pra casa de modo anormal,
Esqueceram dele, retornaram sem.
Voltando à cidade o acharam no templo,
Pregando aos doutores no maior exemplo
De discernimento, vigor e atitude.
Sendo reclamado, rebate ao reclame:
-A coisa correta, não causa vexame.
A obediência lhe foi por virtude.

Ao dever Divino, não quedou-se omisso.
Cumprindo o trabalho voltou para casa.
Na viagem de volta ninguém se atrasa,
E aos pais adotivos se fez submisso.
Com sua família, viveu sempre ordeiro.
Na arte e ofício do pai carpinteiro,
Foi profissional em tudo que fez.
Repentinamente na maioridade,
Resolve ingressar noutra atividade,
E a obra Divina, se dá de uma vez.

Num certo momento João Batista disse:
-esse é o de quem falei que viria.
Carrega consigo toda primazia,
Existindo antes que eu existisse.
Noutro testemunho, confessou João,
Quando os sacerdotes em argüição,
O interrogaram sem ter meio termo.
-És Cristo? És Elias? Ou algum profeta? 
João lhes respondeu de forma direta:
Sou somente a voz que clama no ermo.

Dando bons aprumos nos caminhos tortos
João batizava nas águas somente.
Transformando em crente quem não era crente,
Fazendo surgir vivos entre os mortos.
Repentinamente, surge o ser mais vivo.
De média estatura, humilde e altivo.
João conheceu nele, Deus, mesmo sem marcas.
Disse: - eu necessito de ir para ti,
E dessa maneira, vens parar aqui.
Não me sinto digno de abrir-te as alparcas.

Mas, tudo ocorrendo como estava escrito,
Jesus resolveu deixar a Judéia.
Partiu para as terras lá da Galiléia,
Estando de posse do espírito bendito.
Pediu a Felipe de Betsaida,
O acompanhasse em sua subida,
Para o seu destino deixando o deserto.
Tem gente que crê como Natanael,
Se tornando um crente e servo fiel,
De visão na mente para um céu aberto.

Subiu a montanha para a oração,
Da noite fechada ao amanhecer.
Vendo o dia claro resolveu descer,
Demais preparado pra sua missão.
Por esse motivo, de líder fez pose,
Entre os seus discípulos escolheu os doze,
Chamados de apóstolos ou doutrinadores.
Com dom de segui-lo onde quer que fosse,
Com seu jeito simples, de palavra doce
Presbíteros de Cristo, irmãos pregadores.

Dentre os pescadores Pedro foi chamado,
Trazendo consigo seu irmão André.
Com Tiago e João se uniram na fé,
Para caminharem cristãos lado a lado.
Felipe se uniu com Bartolomeu,
Seguindo, Tiago e Judas Tadeu,
E dando seqüência, Tomé e Mateus.
Simão foi chamado de entre os zelotes,
Compondo com Judas, o iscariotes,
O grupo dos doze do filho de Deus.

Por amar o mundo de modo tão forte,
Deus mandou seu filho sem salvo ressalvo,
Transformar a terra em um lugar salvo
Ressurreto e vivo, sobreposto à morte.
A luz nos chegou com tão forte brilho,
Na forma encarnada do Divino filho,
De conhecimento rebatendo as trevas.
No entanto as trevas sobrepõem-se à luz.
Por esse motivo o mestre Jesus,
Já tem prejulgadas as impuras levas.

Num dia de sábado em certo momento,
Jesus se encontrava no meio de todas
Aquelas pessoas, assistindo as bodas
De grandes festejos para o casamento.
Maria lhe disse: - faltou vinho agora.
Ele lhe responde: não é minha hora.
Mas, pelos desígnios de Deus Jeová,
Escuta a Maria pra que se consagre
E nas talhas de pedra ocorre o milagre
De água ser vinho pra festa em Caná.

Foi esse o milagre primeiro e isto
Mostra-nos o casal por centro de tudo.
Dentro da família Deus tem seu escudo 
E se faz Divino e humano em Cristo.
Partindo Dalí pra Jerusalém
Chegando ao templo percebe que tem
Mil cambiadores na casa do pai.
Por esse motivo com dobras de corda
Parte contra eles, expulsando a horda.
Sem peso na mente para a obra sai.

Qual é o poder que tens para tanto?
Foi ele indagado por Judeus presentes.
“eu tenho certeza, olhando os descrentes,
Jesus sentiu pena em seu íntimo santo”.
-destruam o templo, eu digo o que sei,
em apenas três dias o reconstruirei,
farei o antigo transformar-se em novo.
Para construí-lo, quarenta e seis anos
Foram necessários em tempos humanos.
Pairou nova dúvida na mente do povo.

Chegou Nicodemos um dos principais
Homens do Sinédrio, tribunal judaico.
Com poder de jugo sobre o povo laico
Que assim usasse de leis marginais.
Disse: - ninguém faz algo nesse mundo,
De modo tão forte, real e profundo,
Se não for da parte de Deus como mestre.
Diz Cristo: - é preciso abrandar a tez
Retornar na vida, nascer outra vez,
Pra que à palavra de Deus se adestre.

Após um jejuo de quarenta dias
E quarenta noites Jesus foi tentado.
- mande que essas pedras sejam pão formado
Assim sendo, a fome, nele tu sacias.
Jesus o rebate: - nem só pães se comem,
Mas, todas as palavras saciam o homem,
Se provenientes da boca de Deus.
Então foi levado pra sobre um pináculo:
- pra que não tropeces nalgum obstáculo
serão dadas ordens para os anjos teus.

- não tentem a Deus o pai e senhor.
Foi essa a resposta do Cristo somente.
Pois quando ele orava, contrito e temente,
Sabia que Deus o tinha em amor.
Dali foi levado para um alto monte.
O diabo mostrou-lhe reinos no horizonte,
E a sua glória também lhe mostrou.
- o que estás vendo, é bom que repares,
tudo te darei se me adorares.
Ao que Jesus cristo também revidou.

Amarás a Deus sobre as coisas várias,
Que são existentes por sob o sistema
Solar, e as de fora, também por dilema,
Que sejam reais ou imaginárias.
Contanto que seja em palavra e virtude.
Não desvie a mente dessa plenitude,
Que nos faz com Deus sermos um ser só.
Sejamos conosco, bons e de valores,
Doando-nos a Deus como adoradores,
PARA REVIVER-MOS NO RETORNO AO PÓ.


(Valberto Barbosa de Sena) Beto Sena

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso 

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IV ENCONTRO DE JOVENS DO CAMPO E DA CIDADE


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso 

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terça-feira, 25 de julho de 2017

ESPAÇO ADENIUM - PLANTAS, VASOS E ARTESANATO. LOCALIZADO NO CONJUNTO VINGT ROSADO - MOSSORÓ - RN.




Espaço Adenium - Plantas, vasos e artesanato. Localizado no Conjunto Vingt Rosado - Mossoró - Rio Grande do Norte.






ADENIUM - Rosa do deserto, também conhecida como flor do deserto, é uma planta originária do Sul da África e da Península Arábica. O seu nome científico é Adenium obesum e faz parte da família Apocynaceae. ... Isto significa que cada planta pode ser personalizada ao gosto do seu dono.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso 

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