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sábado, 23 de março de 2019

SENHORA DO MATO

*Rangel Alves da Costa

As senhoras sertanejas possuem vida dura e de sacrifícios por todo lugar, desde a cidade aos afastados da estrada e adiante das porteiras e das cancelas, ou mesmo onde o olhar sequer imagina existir moradia. Há um singelo universo nestas mulheres, sempre carentes, humildes, na simplicidade da existência.
Não é fácil ser mulher sertaneja, e mais difícil ainda quando tem de superar as perdas e as carências para que a dignidade familiar continue existindo. O marido, quando tem, ganha pouco, está desempregado ou vive de costurar afazeres para o ganha-pão. E cabe à mulher se virar como pode para que seu barraco ou sua tosca moradia continue na feição de um lar.
Luxo, que luxo? O luxo maior é o da panela no fogo com alguma coisa como alimento no dia a dia. Luxo é ter cuscuz, ter tripa de porco, ter ovos, ter farofa, ter um pedaço de carne, ter um toucinho de porco para o mexido com ovos. Luxo é ter a casa limpa, é ter um jarro de flores de plástico sobre a velha mesa, é ter uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo pendurado na parede. Luxo é ter varal no quintal e pia de lavar roupa, é ter uma cadeira de estender na calçada e um diadema para enfeitar os cabelos.
Luxo é ter uma xícara de café e um pedaço de pão, é ter uma folha de mato no quintal para fazer um remédio certeiro. Luxo é poder fugir das preocupações materialistas, das dívidas desnecessárias, e poder deitar e sonhar até com a cabeça por cima da pedra dura. Luxo é ter a cabeça erguida na dignidade e jamais se envergonhar ao dar um bom dia ou um boa tarde. Luxo é não ter vergonha de ter o singelo nome de Maria, de Joana, de Sebastiana, de Leocádia, de Lurdes ou Sinésia.
Varrer a calçada e saber que a vizinha não lhe vem com fofocas, chegar numa venda e não lhe ser negada uma compra no caderninho, vestir roupa de pano florido de feira e ainda assim ser a mais bem vestida. Tudo isso é um luxo, é uma indescritível riqueza. Uma bonança alcançada naquilo que outra serventia não tem senão à própria existência, à dignidade da sobrevivência. E por isto uma luta sem fim.


Enquanto os casarios e as mansões prezam somente pela aparência, nas casas simples e nos casebres há o encantamento maior da nobreza no jeito de ser e viver. Verdade no que se diz: sou pobre, mas sou limpinha. E aquelas mulheres, de muito além da cidade, que não se envergonham nem se negam a colocar enxada e enxadecos no ombro, faca ou facão amarrado na cintura, cantil de água pouca atravessado no peito, e depois arribar para as labutas debaixo do sol em fornalha?
E aquelas mulheres que levantam ainda na madrugada escurecida para inventar a comida do dia, deixar tudo preparado, por que daí em diante vai ser de correria pela sobrevivência e nos afastados de casa? Conheço mulheres assim, conheço sertanejas vestidas de sol e de sonhos, de luta e de perseveranças. Conheço mulheres que saem de suas casas para a luta do dia no meio do mato, no roçado, junto ao bicho, em meio às pedras e carrascais catingueirentos.
Conheço mulheres assim, com lenço na cabeça, com roupa grande para proteção, como roló revestindo os pés, com calça costurada de espinhos e ramagens de mato seco. Conheço uma senhora do mato que é a dignidade em pessoa. Muitas, e muitas mulheres assim. A pele trigueira tingida de sol, as mãos endurecidas do cabo da enxada, os cabelos desgrenhados pela voracidade do tempo e pelo suor e calor. Senhora do mato que vai buscar lenha, que vai com cordame amarrar feixe de pau, que vai com vara futucar loca de pedra em busca de preá, que vai catar araçá e umbu, que vai dialogar com a natureza a sua necessidade de sobrevivência.
E depois de tudo, depois de retornar das labutas no mundo lá fora, e parecendo jamais se cansar, ter ainda o prazer de ligar o radinho de pilha para ouvir: “Tens a beleza da rosa, uma das flores mais formosas. Tu és a flor do meu lindo jardim e eu a quero só para mim. O teu suave perfume às vezes causa-me ciúme. Ao te beijar sinto no coração o pulsar da mais pura paixão. Porém, tenho medo que tua beleza de rosa se transforme num espinho. Quase morro só em pensar em perder teu carinho. Tenho medo que esta paixão seja uma ilusão sem fim, tenho medo que não sejas a flor do meu triste jardim”.
Não só ouvir como cantar, e um canto tão belo e reconfortante como som de chuva esperançosa de cair no seu mundo-sertão. E eu, sertanejo que também sou, digo-te apenas, senhora do mato: Beijo-te as mãos endurecidas da luta e sinto estar beijando pétalas da mais linda flor!

Escritor
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ADÍLIA - PERTENCES, ROUPAS E ARMAS


Por Aderbal Nogueira

Ex-cangaceira Adília fala, nesse vídeo, sobre seus pertences, ouro, objetos, roupas e armas..Parte..3.


OBS:


Mais um vídeo abaixo com o selo/qualidade, do mestre documentarista Aderbal Nogueira...


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GECC HOMENAGEM PAULO GASTÃO

Por Voltaseca pesquisador do cangaço

O Grupo de Estudos do cangaço do Ceará-GECC fez uma bela HOMENAGEM ao Dr. PAULO GASTÃO, um dos estudiosos, que rasgou o nordeste, a pé, de caminhão, de outros meios de transportes, juntamente com Aderbal Nogueira, para efetuarem registros sobre a cultura nordestina, sobretudo, O CANGAÇO e, seus personagens.

Recentemente, o Dr. Paulo Gastão nos deixou e, foi para um outro plano celestial, mas o seu trabalho como escritor, pesquisador, repórter e, outros mais, ficou registrado para a eternidade. 

VEJAM, NESSE VÍDEO de Aderbal Nogueira, QUE BELA HOMENAGEM...!
Publicado em 5 de abr de 2013
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O CANHÃO DE FRANCO RABELO....X...O PADRE CÍCERO....!



Parecia o ronco de um trovão. Só que não vinha do céu, mas do fundo da terra. O estrondo foi tão forte que sacudiu as folhas das árvores. Imediatamente depois, ouviram-se o chiado e longo assobio no ar. Quando o projétil passou chispando sobre a trincheira, os Juazeirenses entenderam o que se passava. O canhão de Franco Rabelo estava atirando contra eles. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Era ensurdecedor, de perder o juízo.

A despeito de tão assombroso barulho, o alcance dos arremessos mostrou-se bem menor do que se imaginava. Um ou outro disparo alcançava certa altura e a bola de chumbo quente passava zunindo por sobre o telhado das casas localizadas mais próximas ao valado. Não ia muito além disso. O efeito era mais de ordem moral do que bélico – e só logrou sucesso após os primeiros rugidos. Em poucos minutos, percebendo que a anunciada arma mortífera fazia mais zoada do que estragos, os jagunços começaram a se divertir com a balbúrdia.

"Xô, maldita!", gritavam eles, entre gargalhadas, a cada novo disparo que voava sobre a cabeça deles.

O canhão de Emílio Sá se revelara um espalhafatoso malogro. Dias antes, logo que a Guarda Cívica chegou ao Cariri, fora feito o primeiro disparo de teste, com pólvora seca, ainda nas ruas do Crato. O resultado havia sido o mais desastroso possível. O coice provocado pelo disparo fez o canhão praticamente desintegrar a carroça de madeira no qual estava assentado. Ao mesmo tempo, subira uma imensa fumaceira. Quando a fumaça baixou, constatou-se que a força do baque havia feito o canhão virar ao contrário. A boca de bronze estava apontando para o lado oposto. Muitos soldados interpretaram aquilo como um sinal: Deus talvez quisesse mostrar que quem atacava o Padim Ciço acabava sendo vítima do próprio veneno.

Trecho retirado do livro Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão de Lira Neto. Paginas 376 e 377.


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JUNIOR ALMEIDA: A VOLTA DO REI DO CANGAÇO NO FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS


Entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail:  


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TRIO MOSSORÓ - A MORTE DO SERESTEIRO - COCOTA DE MOSSORÓ

https://www.youtube.com/watch?v=Ak-Wes7CEhE

Publicado em 27 de mar de 2018


Vitrola Forrozeira a vitrola online do Forró pé de serra. Trio mossoró, A morte do seresteiro O melhor do Forró, xote, xaxado, baião, maracatu entre outros. Compartilhe a cultura! facebook.com/vitrolaforrozeira


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KYDELMIR DANTAS MESTRE DO CORDEL


Publicado em 21 de out de 2018

Eu e o amigo e escritor de Missão Velha no Ceará, João Bosco André, ouvindo e sorvendo da cultura cordelística desse Mestre do Cordel, KYDELMIR DANTAS, por ocasião do trajeto e visita à Pedra Bonita ou Pedra do Reino, como a chamava Ariano Suassuna.

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O CANGACEIRO BARRA NOVA


Eu não tenho a fonte deste material porque o encontrei pesquisando em material solto, mas me parece ser do escritor João de Souza Lima. 

Manuel Maurício, Água Branca/AL. Andava diretamente no bando de Lampião. Deixou poucos relatos de sua vida. Segundo depoimentos de um filho, ele era coiteiro de Lampião e passou a participar do bando após ser espancado por um tenente. 

Outro relato, seria o de ter entrado junto ao bando com um enteado, que por ventura, passou a ser soldado e teria participado do combate na grota do angico. 
  
Cangaceiro Mariano

Barra nova estava agrupado com os cabras de Mariano, grupo esse que foi morto pela volante de Zé Rufino, em combate extermínio, com grande êxito policial no ano de 1936, quando o cangaço já estava em divisão e decadência.
  
Tenente Zé Rufino 

No combate, a volante do tenente Zé Rufino também atacou o grupo do cangaceiro Zé Sereno, e tudo isso se deu numa fazenda/lagoa de nome Caruá e Maranduba, no Estado de Sergipe. 

 Cangaceiro Zé Sereno à esquerda

Manoel Maurício de Alagoas o cangaceiro Barra Nova foi atingido nas costas, por balas de metralhadora, quando o mesmo cozinhava para o almoço.

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(01) A XV JORNADA CULTURAL DO MUSEU DO SERTÃO TORNOU-SE UM EVENTO INTRESTADUAL. - BLOG DA ALTERNATIVA


Por Susana Goreth

A XV JORNADA CULTURAL DO MUSEU DO SERTÃO contou com a presença de intelectuais de oito (08) estados brasileiros (ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, rio de Janeiro e distrito Federal. Cerca de 180 escritores, poetas e Artistas Plásticos participaram deste importante evento cultural. 

mais de uma dezena de Academias de Letras, academias de Ciências, Academias de Artistas Plásticos, Institutos Históricos e Geográficos e outras instituições de cunho cultural prestigiaram a referida jornada.

Dentre as destacadas instituições de outros Estados que tomaram parte na XV Jornada Cultural do Museu do Sertão podemos citar a Academia Cearense de Ciências-ACECI, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, a Academia de Letras Juvenal Galeno-ALJUG, AQQB-DF, UBE-CE, AJEB-CE e outras instituições. Do Rio Grande do Norte, praticamente todas as academias de letras da capital e das cidades do interior participaram desta jornada. As palestras proferidas durante o evento foram de alto nível e versaram sobre Ciências, Literatura, Artes e História. o Hino Nacional e o Hino do Museu do sertão foram interpretados pela juíza de Direito WELMA MENEZES, que com sua voz belíssima, encantou a todos os presentes.



Não consegui repassar as outras fotos.

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sexta-feira, 22 de março de 2019

LUIZ GONZAGA RARIDADE - ESPECIAL ' PROPOSTA ' PT.1 (1972) PARTIC. GONZAGUINHA , JULIO LERNER

Publicado em 18 de nov de 2011

O que mais tem neste programa? Luiz Gonzaga (21/8/72 Especial'' Proposta'' - TV Cultura) 54 minutos (p & b).

Excelente e raro especial com Luiz Gonzaga onde Julio Lerner apresenta e Luiz conversa, e é entrevistado por Julio e por seu filho, Gonzaguinha (que toca um número). 

Belas histórias, muita música com Luiz Gonzaga e grupo no estúdio com Dominguinhos tocando. 

No final, Quinteto Violado! Tocando 'Asa Branca' e juntando-se ao grupo de Luiz para fechar o programa. 

Luiz Gonzaga Raridade - Especial 'Proposta' Pt.1 (1972) Partic. Gonzaguinha, Julio Lerner

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Sugerido por ONErpm

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O CANGACEIRO MAIS JOVEM | O CANGAÇO NA LITERATURA | #299


Publicado em 22 de mar de 2019
Você sabe qual foi o cangaceiro mais jovem? Acompanhe nosso canal e viaje conosco!

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima. - Email: franpelima@bol.com

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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MEU NOVO LIVRO – SOBREVOO – EPISÓDIOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO RIO GRANDE DO NORTE

No próximo dia 2 de abril de 2019, em parceria com o SEBRAE, estarei lançando o livro “SOBREVOO –  EPISÓDIOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO RIO GRANDE DO NORTE”, que é parte da “Coleção a participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”.
Além desse meu trabalho, o quinto na minha carreira, eu estarei nesse lançamento ao lado dos amigos Leonardo Dantas e José Correia Torres Neto, que disponibilizarão dois interessantes trabalhos sobre o tema.
Membros do esquadrão VP-45 ao lado de um PBY Catalina, antes da vinda para o Brasi em 1944.
Entre as histórias do meu “Sobrevoo”, trago os fatos do trágico acidente aéreo de um hidroavião Catalina, da esquadrilha VP-45, que caiu em solo Riachuelense no dia 10 maio de 1944, mais precisamente nas terras da Fazenda Lagoa Nova, vitimando 10 aviadores da Marinha dos Estados Unidos.
Rostand Medeiros, José Lourençoe Aínto Freitas
Como autor Dessa obra quero deixar de público os meus mais sinceros agradecimentos ao povo riachuelense. Especialmente a prefeita Mara Cavalcanti, ao Sr. José Lourenço Filho (verdadeira memória viva dessa cidade) e ao amigo Aílton de Freitas Macedo, cuja atenção, o empenho e o gosto que possui pela história de sua terra foram para mim ferramentas preciosas e fundamentais para a concretização desse trabalho.
Trocando informações com as pessoas de uma comunidade rural que conhece bem o episódio.
https://tokdehistoria.com.br/2019/03/21/meu-novo-livro-sobrevoo-episodios-da-segunda-guerra-mundial-no-rio-grande-do-norte/
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SERTÃO, DE ALMA E CORAÇÃO

*Rangel Alves da Costa


Sou todo sertão. Nasci nas entranhas da terra, sou de barro, sou do visgo do chão. Tenho no sangue a seiva do caroá, da macambira, do mandacaru, do xiquexique, do pé de manjericão. Tenho na pele o abrasado do sol, tenho na face o brilho grande da lua, tenha um destino estrelado e uma estrada de pé no chão.
Sou sertão, sou todo sertão. Sou do mesmo visgo do barro do pote de Dona Benvinda. Sou do mesmo couro curtido por Brasilino e do ferro batido e dobrado por Galego do Alto. Sou do tecido grosso, e tão bonito e tão nobre, à moda cangaceira e bordado por Zé de Bela. Sou de entranha trançada na renda de bilros de Carmosina, Clotilde, Arací e Conceição de Laura. Sou molhado da água do cantil de caçador de Seu Ermerindo, de Odon e João de Terto. Sou da mesma obstinação desbravadora dos Lucas, dos Cardoso e dos Sousa. Sou da mesma terra da incansável valentia de Zé de Julião. Sou o grito do gado e o canto de aboio das vaqueiramas da história, por isso sou da raça vaqueira de Abdias, de João Capoeira, de Mané Cante. Sou de espírito tão doce como a cocada de Dona Quininha, de Cecília de Duié e de Naní. Sou do mesmo tacho do arroz-doce de Baíta e da tábua de pirulitos de Luisinha. Sou daquelas delícias preparadas por Maria de Miguel e dos cozidos de Maninho e de Dona Mirian. Sou do sangue cangaceiro do meu tio Zabelê e da amizade cangaceira do meu avô China. Sou tão sertanejo como todo sertanejo que um dia foi e ainda é. Sou Rangel. De Dona Peta e de Alcino. Sou do Sertão e todo Sertão.


Sou todo sertão. Carrego nos meus braços e no meu corpo as mesmas folhagens e os mesmos troncos da catingueira, da quixabeira, da umburana, da craibreira, do umbuzeiro. Tenho no sangue aquele sol mais ardente como aquele mesmo que ardia na pele e corpo da minha gente do cangaço, filhos de minha terra: Sila, Adília, Cajazeira, Zabelê, Canário, Enedina e tantos outros. Sou sertanejo, por isso também sou coiteiro, sou homem de confiança do Capitão, assim como um dia foi Mané Félix, Adauto Félix e Messias Caduda. Sou da roça e do mato, sou da cerca e do cercado, sou de quintal e de cumeeira. Sou casebre antigo e sou sobrado esquecido no tempo. Candeeiro de parede também sou. Sou tudo sertão desde a ribeira do rio à margem do riacho, mas também sou do tanque e do barreiro, sou a pedra da velha lavadeira e seu cantar bonito e plangente. Sou aquela andorinha que ainda voa pelos seus sertões, sou a tem-tem, a fogo-pagô, até o pardal de pé de cumeeira também sou. Sou do mato o mateiro, sou o pescador e sou o dono de todo mistério das noites tão sertanejas. E como sou aquela viola de pinho e a canção dolente de apaixonar. Sou o forró e o forrozeiro, a zabumba e o zabumbeiro, sou o xaxado e o chiado da chinela em noite de leilão caipira. Sou ainda de um tempo de esteira estendida na calçada e rede estendida na varanda. Tempo de compadre chegando para um proseado e Dona Zefinha debulhando o feijão de corda para comer com carne de bode. Sou desse sertão.
Sou todo sertão. Sou a comida mais simples, sou o prato do dia, sou o tiquinho que se tem. Sou a farinha com rapadura, sou a perna de preá tostado na brasa, sou a raspa do tacho, sou o resto de qualquer coisa. Mas também sou a coalhada, sou o pirão de mulher parida, sou o mocotó, sou o pedaço de toucinho abrasado, sou a tripa, sou o bucho. Quem bom ser assim, ser todo e tão sertão. E do sertão a linhagem antiga, herança primeira desde o pai do pai do pai de tudo que é pai. Sou um filho assim, um sertanejo que canta mulher rendeira e ainda segui na história os passos do Capitão Lampião. Sou o sertão catingueiro, da pedra grande, do tufo de mato, do preá escondido e do cágado que só é avistado quando vai cair trovoada. Sou desse sertão de caminhos e trilhas, de vereadas e curvas, de sombreados e árvores nuas. Um sertão passarinheiro e um sertão tão triste sem passarinho. Sou desse voo sobre a terra e sobre o alto, desse espantado voo pela devastação avistada por todo lugar. O sertão da seca e da secura, da fome e da desvalia. Mas sem igual de se nascer e se viver. Sou de um sertão assim. Sou todo sertão em mim.


Sou do sertão como um poema de sol e de chuva, como uma canção verdejante e como gemido esturricado. Sertanejo eu sou no mesmo eco de um aboio, de uma toada, de um repente. Que cheiro de feira, que cheiro de mato, que coisa de café torrado, de cuscuz ralado, de tripa na banha de porco. Coisa boa é ser sertanejo. E melhor ainda quando o sertão está dentro da gente. Então tudo se chama alma e coração.

Escritor
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QUEMA DE ARQUIVO


Por Francisco Davi Lima

"ESSE ANO POR MEIO DE SUPOSIÇÕES E TEORIAS POR MIM PRÓPRIO, EU CHEGUEI A UMA BREVE E POSSÍVEL CONCLUSÃO, QUE A MORTE DE PEDRO DE CÂNDIDO UM DOS COITEIRO DE LAMPIÃO, E A MORTE DE BENJAMIM ABRÃO "O FOTÓGRAFO E MASCATE JORNALISTA, PODEM TER 95% DE CHANCE DE TER SIDO QUEIMA DE ARQUIVOS, POIS ELES POSSIVELMENTE ERAM SENHORES DE MUITOS SEGREDOS DO BANDO DE LAMPIÃO, E POR ISSO VÁRIAS PESSOAS IMPORTANTES DA ÉPOCA TINHAM O DESEJO DE ACABAR COM TODOS OS SEGREDOS QUE ELES SUPOSTAMENTE TINHAM, POIS VOCÊS PODEM NOTAR QUE NÃO FAZ MUITO SENTIDO A FORMA COMO ELES MORRERAM!

Pedro de Cândido

O BENJAMIM ABRÃO, SEGUNDO E DESCRITO ELE TERIA SIDO MORTO A FACADAS NO SEU QUARTO ONDE DORMIA, COM 42 FACADAS POR UM PARAPLÉGICO, TERIA ALGUM SENTIDO ????

Benjamin Abraão

POUCOS ANOS DEPOIS DA MORTE DE BENJAMIM ABRÃO, FOI A VEZ DO PEDRO DE CÂNDIDO, SEGUNDO E DESCRITO ERA NOITE E ELE VINHA DA SUA CASA TALVEZ PARA IR VISITA A SUA NAMORADA OU TOMAR UMAS COM OS AMIGOS, QUANDO ELE E ATACADO POR UM RAPAZ COM FACADAS, E SEGUNDO CONSTA O MOTIVO FOI PORQUÊ ELE FOI CONFUNDIDO COM UM LOBISOMEM E ACABOU MORRENDO, FAZ ALGUM SENTIDO ESSAS DUAS HISTÓRIAS???

MISTÉRIOS E MENTIRAS DO CANGAÇO!!!


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CLIP DE JOÃO MOSSORÓ - "CORAÇÃO PORTUGUÊS"


Publicado em 17 de fev de 2019
Música de Chico Roque e Carlos Colla
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EM AGOSTO DE 1938, AS CABEÇAS DE LAMPIÃO E MARIA BONITA CHEGARAM A SALVADOR (BA), DE CARRO, DE TREM, DE AVIÃO OU DE NAVIO?

Do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

O JORNAL "CORREIO DA MANHÃ", NO DIA 13.08.38, ASSIM NOTICIOU:

PARA O MUSEU DO SERVIÇO MÉDICO-LEGAL

CHEGARAM À BAHIA AS CABEÇAS DE LAMPIÃO E MARIA BONITA

Bahia, 12 (Havas) – Chegaram a esta capital de avião as cabeças de Lampião e Maria Bonita, recompostas pelo doutor Arnaldo Silveira, médico comissionado pelo governo para conseguir as mesmas para o museu do serviço médico legal.

Bahia, 12 (Havas) – Chegaram hoje, às nove horas, de avião, as cabeças de Lampião e Maria Bonita, trazidas pelo doutor Arnaldo Silveira, médico comissionado pelo governo para estudar os despojos do “rei do cangaço”.

O doutor Arnaldo Silveira recompôs as duas cabeças, tendo tirado modelagens em gesso que ficaram no Museu Arqueológico de Alagoas.

Falando à imprensa, o doutor Silveira declarou que teve grande trabalho para fazer a recomposição, pois as duas cabeças tinham todos os ossos fraturados, provavelmente devido a coronhadas de armas.

Acrescentou o Dr. Silveira que haviam desaparecido as obturações em ouro dos dentes não só de Lampião como também de sua companheira.
As cabeças de Lampião e de Maria Bonita ficarão no Museu do Serviço Médico do Estado.


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A CHEGADA DA TELEVISÃO NO SERTÃO


Por Geraldo Júnior
A chegada da televisão no Sertão nordestino causou um misto de estranheza e admiração nos conterrâneos. Era o fim da inocência do sertanejo e o fim das rodas de conversas. Era o início da mudança comportamental.


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LÍNGUA


Por Francisco de Paula Melo Aguiar

Na anatomia é um órgão muscular
Sim! Situado na boca e faringe
Rebocada de mucosa e sente paladar
Mastiga, deglute e produz sons, atinge.

Tem prega glossoepiglótica mediana
Oh! Epiglote, tonsila lingual e palativa
Amargo, papilar circunvaladas, leviana
Cada região lingual tem função ativa.

Papilas: cônicas e fungiformes, azedo
Sim! Papilas foliadas, salgado, doce
A língua usada sem freio provoca medo
Disse me disse e briga de foice.

Tem lado direito e esquerdo, nervo vago
Ah! O nervo glossofaríngeo como árvore
Na rama lingual do nervo mandibular, afago
Ramificação do nervo facial, lifore.

Corpo e dorso da língua, culminância
Sim! Não é rio ou oceano, tem margem
Ápice, topo, cume, ponta, arrogância
Ideologia do bem e do mal, convergem.

Em Gênesis 1:3 é usada para o bem
Ah! Idem autor sagrado 2:20 Adão dar nomes
Aos seres da terra e do mar, também
Resplandece a glória divina nos homens.

A mulher é usada por satanás
Sim! Ao comer o fruto proibido
Fala Gênesis 2:2-3, jaz
Ideia do mundo permitido.

Enviado pelo autor

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