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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

CORONEL PEDRO ALVES DA LUZ - Quando este foi acusado de ser protetor de Lampião

 Por Valdir José Nogueira de Moura

Em meados do mês de julho do ano de 1927, um indivíduo por nome Francisco Ramos, cuja alcunha “Mormaço”, depois de uma farra em um samba, no lugar Baixio dos Ramos, no município de Araripe (CE), feriu com um tiro um seu tio, sendo em seguida preso e conduzido à cadeia da cidade do Crato, onde prestou seu depoimento. O referido preso tratava-se de um dos mais célebres bandidos de Lampião, que havia há bem poucos dias abandonado o grupo do famoso cangaceiro, na sua triunfal excursão, quando este, deixando o Ceará, seguiu para Pernambuco.

 Francisco Ramos de Almeida  - vulgo "Mormaço"

O cangaceiro “Mormaço” fez a polícia do Crato, minuciosa descrição de sua vida, e de par com ela, trouxe abundantes elementos para a história do combate ao banditismo no Nordeste. O seu depoimento é impressionante. Porém, serão verdadeiras as informações do bandido? Ninguém mais pode assegurar. Em todo caso, o seu longo relato foi publicado em jornais da época. O “Jornal do Recife” publicou o curioso depoimento em duas edições seguidas.

A edição desse jornal de nº 211 de 13 de setembro 1927, publicou a primeira parte do depoimento, Clique aqui e confira sendo que em um dos trechos, o bandido desassombrado contou: “que o coronel Pedro da Luz, morador na fazenda Barrinha, município de Belém de Cabrobó, e próximo a Serra do Umã, cerca de uma légua, muito protege Lampião, fornecendo munição e ocultando o grupo na mesma serra, em lugar dele conhecido, desviando por todos os meios a pista do grupo; que o mesmo coronel recebe de Lampião dinheiro a título de gratificação pelos serviços prestados...”

 Coronel Pedro Alves da Luz

Diante dessa tremenda acusação, e em decorrência também de outros boatos maldosos contra o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, prefeito do Município de Belém de Cabrobó, [1922 a 1926,] que diziam ser o mesmo mais um protetor e coiteiro de Lampião, em 1928, o Conselho Municipal daquela cidade votou uma honrosa moção de solidariedade ao dito coronel e que foi publicada no jornal “A Província (PE)”, Ed. 128, do sábado, 2 de junho de 1928:

“Aos dezenove dias do mês de maio do ano de mil novecentos e vinte e oito, às 10 horas da manhã, no Paço do Conselho Municipal desta cidade de Belém de Cabrobó em sessão extraordinária, sob a presidência do tenente-coronel Jerônimo Pires de Carvalho, compareceram os cidadãos Inácio de Sá Araújo, Odilon Alves de Carvalho, Licínio Lustosa de Carvalho Pires e Aristides Alves de Carvalho Barros, conselheiros municipais, e sendo primeiro exposto o motivo da presente sessão que é apresentar ao Sr. Prefeito deste município o tenente-coronel Pedro Alves da Luz uma moção da mais inteira solidariedade erguendo assim o mais cabal protesto contra as infâmias e baixas calúnias que em torno do seu honrado nome se tem levantado ao foro de Vila Bela onde segundo consta, se lhe tem dado como coiteiro e protetor de Lampião, e por isto este Conselho não podendo e nem devendo absolutamente calar-se diante de tão torpe e revoltante injustiça feita ao Digno Chefe do Poder Executivo Municipal, apressa-se em vir por todos os seus membros, abaixo assinados, e satisfeitas as formalidades do estilo, dar o necessário e conveniente desmentido a tão aviltantes e injustas calúnias, obra sem dúvida de algum ou alguns mesquinhos desafetos do digno prefeito.

Para quem conhece de perto o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, não há necessidade de dizer quem ele o seja, pois as suas maneiras de fino trato e relevantes serviços prestados a sociedade em geral, o tem sempre desde muito, revelado como um dos cidadãos mais digno, respeitável e útil deste município que muito lhe deve; umas como em outras localidades onde não é ele ainda conhecido, pequenos e injustos desafetos se lhe tem feito caluniosas acusações, cumpre para melhor desmentido a tais acusações que se põem em relevo o seu proceder, relacionando em síntese ao menos uma pequena parte dos seus serviços que tão abnegadamente pelo bem geral tem prestado à causa pública, fazendo para isso referência dos mais recentes, afim de que as pessoas de bem possam julgar como merece, assim verificar que se trata de um cidadão prestimoso e não um coiteiro e protetor de bandidos, vem pois o Conselho Municipal pela voz de seus membros, apresentar a presente moção para assim repelir as baixas calúnias que lhe tem injustamente assacado, se sente também no dever sagrado de reunir a esta, embora em resumo alguns traços da vida de tão conspícuo cidadão.

O tenente-coronel Pedro Alves da Luz, desde sua mocidade prestou relevantes serviços não só de natureza material como moral, a sociedade, quer aqui quer em outros municípios onde anteriormente residiu, sendo porém suficiente relembrar dentre os méritos que tem prestado a este município como simples cidadão ou como homem público, em cujo caráter se acha atualmente investido, e nesta qualidade tem sido a sua administração uma das mais fecundas e prósperas conforme se ver dos diversos melhoramentos do município, o que não vem a caso enumerar. Quando há anos veio fixar sua residência neste município, vindo de Triunfo, onde exerceu com brilho o cargo de delegado de polícia, procurou a zona que mais se prestasse a agricultura e ai, conseguiu com um trabalho assíduo e inteligente converter as suas terras em fontes de riquezas para o Estado e o Município.

Dizer-se então que o tenente-coronel Pedro Alves da Luz protege a Lampião é uma calúnia, pois muito pelo contrário ele procurou auxiliar sempre a ação do governo contra o tão terrível grupo, como prova disto se deduz de muitos fatos, como por exemplo, do seguinte: Somente depois que Lampião aumentou o seu grupo foi que teve que entrar 3 vezes neste município, passando por duas vezes na Barrinha, residência do tenente-coronel Pedro Alves da Luz, isto porém ligeiramente, sendo que da primeira vez por ali passara no caráter de capitão de um “Batalhão Patriota do Ceará” e em tal caráter chegou a 3 léguas de distância desta cidade, de onde mandou passar telegrama.

E da segunda vez, tendo as suas ordens 89 bandidos, e então por isso o tenente-coronel Pedro Alves da Luz para não se expor às iras de tão temível facínora, uma vez que em coisa alguma se achava disposto a compactuar com ele, e por sua vez, não tendo elementos para reagir contra numeroso grupo, imediatamente retirou-se para esta cidade, de onde transportou-se para o povoado de Abaré do Estado da Bahia, só voltando a sua fazenda depois que passou o Estado de Pernambuco a ser governado pelo exmo. Sr. Dr. Estácio Coimbra, quando começou também mais ativa a perseguição ao banditismo.

E desde então o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, decidiu-se com mais ânimo, a auxiliar neste sentido a ação do governo, e uma das provas disto, está nos meios que facilitou ao volante Domingos Nogueira, para com outras pessoas de Riacho Pequeno, dar combate a Lampião se este com seu grupo tentassem atacar aquele povoado como sucedeu, e de que então resultou a morte de dois bandidos devido a tática e coragem do mesmo Domingos Nogueira, que neste tempo ainda não estava incorporado como praça, e os recursos de que dispunha para a luta lhe era fornecido pelo mesmo tenente-coronel Pedro Alves da Luz.

Quando após a chacina de Favela em Floresta, Lampião fingindo-se subir para atravessar neste município, voltou na direção do norte passando em Conceição das Crioulas, e indo abater gados no Olho d’Água, no pé da Serra do Umã, município de Floresta.

Foi o tenente-coronel Pedro da Luz quem logo ao saber da sua estada naquele local, veio a auto avisar ao delegado de polícia, tendo além disso posto a disposição seu carro ao cabo Manoel Ribeiro para este ir ao encontro do cabo Manoel Neto, comunicar o paradeiro do mesmo Lampião, e como este, muitos outros fatos poderíamos citar.

Nada mais se precisa adiantar para a demonstração cabal da completa falta de fundamento de espíritos perversos ou irrefletidos, tem injustamente assacado contra a reconhecida reputação do prefeito deste município, tanto mais quanto a sua honra, está a cavalheiro, de qualquer infâmia de que se lhe atenta atirar.

E depois de ser lida e datada, conforme, foi por todos assinada. Para constar eu José Carvalho de Sá Roriz, secretário o escrevi.”

Da tradicional e numerosa família Carvalho, o tenente-coronel Pedro Alves da Luz foi nascido no município de São José do Belmonte, na fazenda Gameleira, sendo o primogênito do casal major Antônio Alves da Luz e dona Maria Francisca de Barros, esta irmã do Padre José Pires dos Santos Barros.

Grande fazendeiro, o tenente-coronel Pedro da Luz, além da fazenda Barrinha onde residia, localizada entre os municípios de Belém do São Francisco e Salgueiro, era proprietário de muitas terras na região, onde mantinha avultada quantidade de rebanhos de gado bovino e de corte.

Era um homem muito rico, de grande prestígio, bom caráter e muito respeitado, possuindo também uma infinidade de compadres e comadres, em virtude da quantidade de crianças de que foi padrinho em toda aquela região, tendo algumas, adotado o seu sobrenome “Luz” como homenagem. Ainda no tempo que residiu em Triunfo, chegou a exercer naquela cidade os cargos de delegado de polícia e literário.

Como político, exerceu os cargos de conselheiro municipal e prefeito de Belém de Cabrobó. Foi casado com dona Afra Florisbela Pires Cantarelli. O casal não deixou filhos.

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NÃO PODE FALTAR EM SUA COLEÇÃO "VIDA E MORTE DE ISAÍAS ARRUDA - SANGUE DOS PAULINOS, ABRIGO DE LAMPIÃO"

 Resenha de Raul Meneleu

O livro é dividido em duas partes, sendo que a primeira, trata da vida de Isaías Arruda, a segunda, sobre a sua morte e o que se deu depois. Nesse livro o Confrade João Tavares Calixto Júnior, caririense de Aurora no Ceará, que em sua formação acadêmica no sentido profissional é Professor Doutor na Universidade Regional do Cariri - URCA e também é membro de diversas agremiações culturais onde recentemente foi convidado para a Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço – ABLAC. É autor de diversos livros, conforme relação em sua biografia.

Pois bem, em "Vida e morte de Isaías Arruda - Sangue dos Paulinos, abrigo de Lampião" Calixto alcança ações do Coronel Menino com uma pesquisa profunda, como faz em seus demais escritos, trazendo o mundo do cangaço no Cariri Cearense, com nomes e ações de cangaceiros, que a maioria dos estudiosos da saga desconhece. Mostra ações dos diversos grupos de cangaceiros, inclusive o de Lampião com o famoso ataque à cidade de Mossoró, trazendo informes sobre outras autoridades mossoroenses que tiveram importância na defesa da cidade.

Calixto também traz fotografias raras de cangaceiros e de influentes políticos da região caririense, não deixando de expor fotos da família do Coronel Isaías Arruda, como a de sua bonita esposa.

Lemos nessa magnífica obra, que não pode faltar na biblioteca dos pesquisadores, a vida curta, porém influente e repleta de casos, de um Coronel sertanejo que atuou na política cearense, com ecos nos jornais de todo o país e que conquistou a patente na força da valentia e armas.

Tomou a prefeitura à bala, foi o primeiro Prefeito Eleito de Missão Velha e ficou conhecido como grande empreendedor. Tratado como Coronel até aos 28 anos de idade, quando foi morto a balaços por dois membros da família Paulino.

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LAGOAS SERTANEJAS

 Clerisvaldo B. Chagas, 20 de outubro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2786

As lagoas sertanejas acontecem quase sempre por motivo de uma depressão do terreno. Podem ser maiores de que um campo de futebol ou simplesmente do tamanho de uma quadra esportiva. O que não falta mesmo na zona rural sertaneja são nomes de lagoas em numerosos lugares, mesmo que muitas delas estejam extintas por negligência, porém, sítios, comunidades (vários sítios politicamente juntos) e até povoados tornaram-se amplamente conhecidos pelas suas lagoas. No Agreste, mesmo, existe a cidade satélite de Arapiraca, cujo nome é Lagoa da Canoa, já bastante conhecida e de progresso crescente. Não iremos comparar as pequenas lagoas sertanejas com as mais famosas que deram nome ao estado, mas sim, exaltar as suas serventias.

LAGOA SERTANEJA EM TEMPO BOM (CRÉDITO: PORTAL FÉRIAS).

Durante o inverno, as lagoas sertanejas recebem águas das chuvas, das enxurradas... Das torrentes. Funcionam ao natural como os barreiros que são artificiais. Acontece, porém, que são pobres em profundidade. O líquido acumulado mata a sede, principalmente dos rebanhos bovinos, equinos, muares, asininos, ovinos e caprinos. É uma diversão espetacular para gansos e patos das fazendas, marrecos e paturis selvagens. Aliás, todos os bichos não domésticos procuram saciar a sede nas lagoas. Pode acontecer nessas fontes de pouca duração também, um círculo curto em criatório de peixe miúdo. Alguns proprietários mais zelosos, limpam as lagoas antes da chegada das águas e assim também aproveitam o líquido para a bebida humana, tal qual o barreiro.

Durante a estiagem, algumas ainda duram algum tempo com água conforme o lençol freático, outras, logo secam. Então vem a outra face da lagoa. A umidade faz criar pasto para o rebanho, tanto no leito quanto nos arredores, fazendo um lugar privilegiado igual a uma várzea. Até as guinés ou galinhas d’angola aproveitam as pequenas formações de capoeiras para ali esconderem seus ovos. Podem representar lugar de banho e lazer para o homem, mas nunca notamos plantio nas lagoas sertanejas. Quando secam formam uma poeira cinza clara ou escura e feia e que ficam ocupadas por garranchos, gravetos, quando não são cuidadas.

As pequenas lagoas fazem parte da alma sertaneja.

Vida inteligente no Sertão alagoano.

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FAZENDA PITOMBEIRA: CENÁRIO CARIRI CANGAÇO SERRA TALHADA 2022

 Por Manoel Severo

Barão do Pajeú

O Cariri Cangaço Serra Talhada - Calumbi - Bom Nome , se aproxima. Uma agenda intensa de visitas técnicas que nos proporcionarão conhecer uma gênese importante do coronelismo e cangaço de nosso nordeste. A Fazenda Pitombeira será nossa primeira Visita Técnica; no dia 12 de novembro pela manhã ; sem dúvidas um dos cenários históricos mais emblemáticos de todo o Pajeú: A Fazenda Pitombeira, feudo do Coronel Andrelino Pereira da Silva, o famoso Barão do Pajeú. 

Luiz Ferraz Filho, presidente da Comissão do Cariri Cangaço Serra Talhada, esclarece: "A Pitombeira era propriedade do coronel Andrelino Pereira da Silva, o Barão do Pajeú, que daqui  comandava toda a política de Serra Talhada e região, na segunda metade do século XIX e início do século XX. Foi aqui que dentre outros importantes momentos, o Barão hospedou várias autoridades e personalidades sertanejas, tais como o Padre Cícero Romão Batista na viagem que fez para Roma-ITA e o juiz de direito paraibano, Augusto Santa Cruz."


Fazenda Pitombeira, sede do Barão do Pajeú; primeira visita técnica do Cariri Cangaço Serra Talhada 2022


A Fazenda Pitombeira era um grande latifúndio de 12 mil hectares, que compreendia as Fazendas Caiçara, Ipueira, Cedro e Belém, essa última; herança que o Barão do Pajeú recebeu do seu pai, o comandante-superior Manoel Pereira da Silva, o mesmo, responsável pelo ataque aos fanáticos da Pedra do Reino em maio de 1838. 

Por ocasião da Visita Técnica do Cariri Cangaço 2022, que acontecerá na manhã do dia 12 de novembro, a caravana de pesquisadores será recebida pelo atual proprietário; Antônio Alves Filho, seu Antônio Caiçara; empresário serra-talhadense do  grupo Pajeú Nordeste ; ao lado de sua esposa dona Zélia Pereira, neta e herdeira do major Isidoro Conrado de Lorena e Sá; ex-prefeito de São José do Belmonte e que comprou a Fazenda Pitombeira em 1911 ao coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão do Pajeú. 

Cariri Cangaço em visita a Fazenda Pitombeira em dezembro de 2021

O Coronel Andrelino Pereira da Silva, o Barão do Pajeú, nasceu em 1823. Proprietário fundador da fazenda Pitombeira, em Serra Talhada, era filho do Comandante Superior Manuel   Pereira. A Fazenda Pitombeira foi destaque na história do Pajeú, aclamado Barão em dezembro de 1888, substituiu o pai no comando político local, foi primeiro Prefeito de Vila Bela, entre os anos de 1892 a 1895, faleceu no ano 1901.

Na oportunidade da agenda Cariri Cangaço em Serra Talhada, o Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço concederá à Fazenda Pitombeira a Comenda "Lugar de Memória Para Perpetuação das Tradições do Sertão". Quem explica é o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "neste Cariri Cangaço Serra Talhada inovamos e instituímos a concessão da Comenda "Lugar de Memória Para Perpetuação das Tradições do Sertão", relevando a decisiva importância de cenários preciosos e decisivos para a perpetuação da memória do sertão e a Fazenda Pitombeira será o primeiro cenário a receber esta comenda". 

Cenário de Serra Talhada, 19 de outubro de 2022

Redação Cariri Cangaço 

https://cariricangaco.blogspot.com/2022/10/fazenda-pitombeira-cenario-cariri.html

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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

JORNAL A GAZETA(SC) - ANO DE 1936.

 Acervo do Guilherme Velame Wenzinger

 

Apesar de Luiz Pedro nunca ter comandado um subgrupo próprio e fazer questão de dizer que era "cabra de Lampião", em algumas diligências ele chegou a comandar outros cangaceiros. 

Para você que nunca viu ou ouviu, está aí uma matéria destacando um momento de Luiz Pedro com a chefia de um bando.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=6013812405374009&set=gm.2030150040527263&idorvanity=179428208932798

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terça-feira, 18 de outubro de 2022

ENCERRAMENTO

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de outubro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.785

Foi encerrada com procissão de muitos veículos neste último domingo, a grandiosa Festa de São Cristóvão, em Santana do Ipanema, uma das maiores do Sertão alagoano. A procissão dos condutores entrou pela noite com muitos cânticos e foguetórios, levando muitas saudades para os festejos ao santo no ano que vem. Muitas pessoas, além de acompanharem o cortejo, aproveitaram para pagar ou renovar promessas ao santo padroeiro da Paróquia de São Cristóvão, no Bairro Camoxinga. Cada vez mais vai sendo firmada a tradição que atrai devotos de todas as cidades sertanejas. Os devotos já não se conformam com apenas veículos motorizados e participam dos festejos a pé, a cavalo, de carroça de burro, bicicleta e carro de boi, demonstrando que todos são condutores e merecem a proteção do transportador do menino Jesus.

MATRIZ DE SÃO CRISTÓVÃO, EM DIA COMUM. (FOTO; B. CHAGAS).

E no mês que nunca chove, desta feita choveu levemente na parte da manhã, como se a chuva quisesse aguar a passagem da procissão que iria ser realizada no turno vespertino. De qualquer maneira é sempre um êxito total da Igreja Católica durante a já famosa Festa de São Cristóvão, que além dos seus atrativos religiosos e internos, conta com a parte profana que toma três ou quatro ruas e mais o Centro de Convivência onde ficou armado para jovens e adultos, um parque de diversões. Após as solenidades religiosas, a festa profana segue noite a dentro nas barracas, nos bares, nas ruas, no parque, com a culinária nordestina a todo vapor junto aos diversos tipos de bebidas

Assim vai passando da metade do mês do outubro, com o tempo mudado num processo climático que favorece amplamente o Sertão. A Matriz de São Cristóvão, situa-se no bairro Camoxinga em lugar privilegiado e por elas já passaram inúmeros párocos que vão deixando marcas indeléveis na Paróquia.

Santana vai vivendo entre o trabalho e as festas como a de senhora Santana, a da Juventude, a da emancipação e outras que trazem felicidade momentâneas para o sofrido guerreiro sertanejo. Não são poucos os santanenses que se encontram em outras cidades, estados ou regiões, mas não deixam de comparecer aos festejos promovidos por ambas as paróquias da cidade. O hino a São Cristóvão é uma das atrações máximas cantado e decantado pelas multidões e que ressoa indefinidamente após as solenidades.

Orgulho em ser santanense.

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2022/10/encerramento-clerisvaldob.html

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JORNAL A GAZETA(SC) - ANO DE 1936.

Acervo do Guilherme Velame Wenzinger

 

Apesar de Luiz Pedro nunca ter comandado um subgrupo próprio e fazer questão de dizer que era "cabra de Lampião", em algumas diligências ele chegou a comandar outros cangaceiros. 

Para você que nunca viu ou ouviu, está aí uma matéria destacando um momento de Luiz Pedro com a chefia de um bando.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=6013812405374009&set=gm.2030150040527263&idorvanity=179428208932798

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ANGICO DESNUDADO NO MAIOR DEBATE DE TODOS OS TEMPOS CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2022

 

O Cariri Cangaço na Grota do Angico, por Ricardo Beliel

Sem dúvidas os momentos altos de nossa edição em Piranhas 2022 começaram na manhã do dia 30 de julho com as cinzas do pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo sendo depositadas no leito do rio São Francisco, sob o testemunho de mais de 300 pesquisadores de todo o Brasil. O momento a seguir, dentro da programação do evento, também reservava emoções fortes e esclarecedoras: ANGICO.


"Na manha deste dia 30 de julho de 2022 o Cariri Cangaço dá sua humilde contribuição na direção da consolidação da verdade histórica dentro do ciclo de estudos do Cangaço, realizando o maior debate de todos os tempo já acontecido no cenário do último ato do rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva. Hoje o Cariri Cangaço invadiu a Grota do Angico e suas mentiras e mistérios"
Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço

O desembarque...

Clênio Novaes e Helga Diniz

Marcus Vinícius e Ciço do Pife
Pelos caminhos de Angico

...Os mandacarus, xique xique, craibeiras  espinhos, urtigas, as pedras e pedregulhos de todos os tamanhos sem falar no sol abrasador são nossas companhias naturais, em nossa bagagem: muita água, protetor solar e uma certeza: Não importa quantas vezes se vá a Angico, haverá sempre algo novo a "perceber". 

Manoel Severo e a Caravana Cariri Cangaço rumo ao Angico

Do espaço Angico às margens sergipanas do Velho Chico, a caravana Cariri Cangaço Piranhas 2022 partiu por volta das 10 horas da manha, seguindo a trilha utilizada pelas volantes comandadas por João Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto há 84 anos atrás, na madrugada de 28 de julho de 1938. Manoel Severo , curador do Cariri Cangaço , junto a diversos membros do Conselho Alcino Alves Costa comandavam a caravana rumo a grota mais famosa do cangaço. 

A trilha utilizada pelos soldados de João Bezerra há 84 anos atrás é a mesma que estávamos percorrendo; com uma ou outra pequena modificação, fruto da ação da natureza e do tempo; de resto, temos a real impressão dos passos dos 49 homens que deram cabo de Lampião naquela manhã de julho de 1938. Na grota os Conselheiros Cariri Cangaço; Doutor Ivanildo Silveira, Doutor Leandro Cardoso e Kydelmir Dantas; apresentariam aos convidados um pouco da trama do ato final do rei do cangaço.

Jorge Figueiredo, Ciço do Pife, Vilson da Piçarra, José Irari, Manoel Severo, Clênio Novaes, Odilon Nogueira, Carlos Elydio e Joaquim Pereira
Ivanildo Silveira e Kiko Monteiro, Vilson e Luiz Ferraz Filho,
Quirino Silva, Ricardo Beliel e Jacqueline Rodrigues
Capitão Quirino Silva
Kydelmir Dantas e o "Alto das Perdidas"

"A manha de hoje é simplesmente histórica, nunca em tempo algum houve algo nem parecido com o que testemunhamos nesta manha de 30 de julho de 2022 com o espaço da Grota do Angico totalmente lotado, com mais de 300 pessoas para acompanharmos um debate mais que qualificado sobre os episódios daquele 28 de julho de 1938, o Cariri Cangaço esta de parabéns e marca um dos mais importantes momentos de todas as suas edições" relata Narciso Dias, Conselheiro Cariri Cangaço e presidente do GPEC.

Os poucos mais de 800 metros que separam a margem do São Francisco do ponto central da Grota do Angico eram passo a passo vencidos pelos mais de 300 convidados do Cariri Cangaço. A caravana adentrava a caatinga brava outrora cenário do fatídico 28 de julho de 1938. "Para nós é um momento extraordinário , nunca imaginei pisar a trilha que os volantes fizeram no dia da morte de Lampião, na verdade é um presente que o Cariri Cangaço e seu Severo proporciona a todos nós, principalmente a nós que estamos iniciando na pesquisa do cangaço" revela Júlio Nobrega de Caruaru, Pernambuco, que visitava pela primeira vez a grota do Angico, ao lado da noiva, Gisele Luz.


"É uma enorme satisfação receber a Família Cariri Cangaço de todo o Brasil neste que sem dúvidas se configura como o maior encontro de pesquisadores na Grota do Angico, nunca houve nada parecido e hoje, concretizamos ao lado de cada um de vocês essa extraordinária festa da Alma Nordestina" Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço e as boas vindas na Grota do Angico


Antes de mesmo de chegar ao ponto central da grota; local onde estavam montadas as principais barracas do bando cangaceiro naquele julho de 38; a caravana Cariri Cangaço faria uma parada no conhecido e emblemático "Alto das Perdidas" onde as tropas sob o comando de João Bezerra estacionam na madrugada de 28 de julho e onde estabelecem a distribuição dos homens para o semi-cerco ao coito cangaceiro. Aqui foi estabelecida a estratégia da aproximação e pretenso cerco ao bando de Lampião, as tropas foram divididas e partiram para o ato final. João Bezerra , Aniceto e Ferreira de Melo, cada um comandando seus homens para desfecho final de Angico.

O Cariri Cangaço invade a Grota do Angico...

Temos na obra do Dr. Antônio Amauri, "Assim morreu Lampião", detalhes importantes e elucidativos sobre esse crucial momento. O que sabemos é que o grupo teria se dividido em três ou quatro colunas; mais crível que tenha sido em três colunas, com o comando de um grupo sob as ordens do sargento Aniceto, um outro sob as ordens do aspirante Ferreira de Melo e o principal sob as ordens do tenente Bezerra.

As três colunas teriam sido orientadas a cercarem o bando e atacarem sob o sinal de João Bezerra que estavam sendo guiados pelos irmãos Pedro e Durval de Candido; ao final, os homens de Ferreira de Melo em função das circunstâncias, que teria sido a aproximação perigosa do cangaceiro Amoroso; deu inicio ao combate e ali estavam os protagonistas dos primeiros e decisivos balaços: Maria, Lampião e Luiz Pedro, certamente foram alvejados pelos homens de Ferreira de Melo.

Ivanildo Silveira e sua apresentação com auxilio de Adelmo Pelágio

Com o auxílio de banners especialmente confeccionados para o evento, o Conselheiro Cariri Cangaço Ivanildo Silveira da cidade de Natal-RN, trouxe aos presentes a noção geoespacial do combate do Angico, desde o agrupamento das tropas no Alto das Perdidas, passando pela distribuição das volantes, a estratégia imaginada por seus comandantes, o posterior combate, os primeiros tiros, as primeira vítimas e por fim os cangaceiros que conseguiram evadir-se em meio ao pandemônio que se tornou Angico, rompendo o semi-cerco protagonizado pelas forças sob o comando de João Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto.

 Conselheiros Cariri Cangaço, Narciso Dias e Bismarck Oliveira

"Acho que nunca se reuniu tanto pesquisador junto aqui na grota do Angico. É realmente algo sensacional e as apresentações do Dr Ivanildo Silveira junto com o Dr Leandro Cardoso e o pesquisador Kydelmir Dantas foram extraordinárias, um momento muito especial, proporcionando um debate muito qualificado, se Severo não intervém acho que iríamos passar ate a noite na grota " comenta Ana Lucia Granja, Conselheira Cariri Cangaço da cidade de Petrolina, Pernambuco.


"Ver, ouvir e acompanhar uma aula de campo sobre o acontecido em 1938, nas palavras de Ivanildo Silveira, Leandro Fernandes e Kydelmir Dantas, no tocante à geografia do lugar, tática, estratégia e ação militares; pois, os explanadores utilizaram acessórios de banners: com mapas e croquis, de forma didática para facilitar o entendimento dos presentes, aliás, num grande número de espectadores, foi um grande privilégio" conta Carlos Alberto da Silva, pesquisador e Conselheiro Cariri Cangaço da cidade de Natal.


"Quem teria sido realmente o grande herói de Angico? O tenente João Bezerra? O aspirante Ferreira de Melo? O soldado Antônio Jacó, conhecido por Mané Véi? Para mim o grande herói de Angico foi mesmo Virgulino Ferreira da Silva, que há muitos anos atrás armou esse labirinto que é Angico e que até os dias de hoje não conseguimos sair dele...Vocês podem até achar que é uma bobagem o que eu digo, mas velho acaba ficando mesmo meio bobo e abestalhado"
Pesquisador e Escritor Alcino Alves Costa em depoimento a Manoel Severo no ano de 2010 em uma das visitas do Cariri Cangaço ao Angico 


O médico e pesquisador Leandro Cardoso Fernandes, Conselheiro Cariri Cangaço da cidade de Teresina no Piauí; igualmente a Ivanildo Silveira; de forma magistral abordou o tema "Angico" quando passo a passo elencou e discorreu sobre os principais pontos de polêmica em relação ao episódio mais controverso da história do cangaço, com destaque sobre ter ou não havido veneno, tese aventada e defendido por alguns pesquisadores, e sobre as polêmicas de "quem matou quem..."


Já Kydelmir Dantas, pesquisador e cordelista, Conselheiro Cariri Cangaço da cidade Nova Floresta na Paraíba, aproveitou e ressaltou o legado dos grandes pesquisadores do cangaço que foram os precursores em matéria de Angico, dentre eles foram lembrados: Paulo Gastão, Antônio Amaury, Alcino Alves Costa e Sabino Basseti.


Cruz em homenagem a o único volante que tombou em Angico: Adrião Pedro de Sousa

"Mentiras e Mistérios de Angico... No meio da noite, madrugadinha, os policiais teriam tido condições de estabelecer a melhor forma de cercar os cangaceiros? Como não conheciam o lugar, nem o relevo, nem a disposição real do coito, que elementos teriam utilizado, além das informações dos coiteiros ? Porque Aniceto não disparou um único tiro? Onde falhou a estratégia militar em permitir ainda a fuga de mais de 20 cangaceiros?"

Monumento aos cangaceiros que tombaram em Angico...
Capitão Quirino Silva
Conselheiro Marcus Vinícius e Dantas Suassuna
Rita Pinheiro, a Garimpeira da Cultura

"Não imaginava teimar tanto com “As mentiras e os mistérios de Angico”. Mas, dominado por uma poderosa obsessão, aqui estou, espicaçando muitos de nossos historiadores e pesquisadores, especialmente aqueles tidos e havidos como os mais profundos conhecedores da história cangaceira e em particular a de Virgulino Ferreira – Lampião. O meu maior desejo é ter o prazer de conhecer as opiniões, contra ou a favor, postadas por todos os nossos queridos companheiros, cada um declarando com sinceridade o seu ponto de vista sobre as mentiras e os mistérios de Angico, ou mesmo de sua verdade. A minha vontade e o meu interesse é fazer com que os vaqueiros da história do cangaço coloquem o seu pensamento em relação a este apaixonante tema. Não me conformo que se deixe perpetuar na saga do grande e genial homem do Riacho São Domingos, tantos labirintos não identificados e aceitos pelos pesquisadores. É por esta razão que aqui estou fazendo chegar aos escravos da vontade de Lampião justamente aquilo de mais estranho e misterioso que possa ter acontecido em Angico." Alcino Alves Costa, respeitado pesquisador e escritor, patrono do Conselho do Cariri Cangaço, falando de sua mais notável: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico.

Clênio Novaes e Joaquim Pereira
Flávio Villa

"Realizamos hoje um grande encontro, um encontro das muitas versões sobre esse que é o mais polêmico episódio de todo o ciclo do cangaço de Virgulino. Alcino Alves Costa já havia me falado lá atrás: "Severo o grande herói de Angico foi Lampião que nos colocou nesse labirinto interminável de mentiras e mistérios" e ao final o Caipira de Poço Redondo lançava seu manso sorriso como se estivesses auscultando a alma sertaneja... Hoje o Cariri Cangaço reuniu, num fato inédito, mais de 300 pessoas para discutir a Grota,  na Grota; o que parecia uma loucura se tornou possível com a dedicação de nossos Conselheiros, Ivanildo, Leandro e Kydelmir, além do esforço de todos para que conseguíssemos conduzir esse momento histórico da melhor forma. 30 de julho de 2022, foi realmente um dia histórico" revela Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço.

Momento das Conferências e Debate na Grota do Angico, no município sergipano de Poço Redondo, dentro da programação do Cariri Cangaço Piranhas 2022.
Poço Redondo, 30 de julho de 2022 - Nordeste do Brasil.

https://cariricangaco.blogspot.com/2022/10/angico-desnudado-no-maior-debate-de.html?fbclid=IwAR2plzFi582id5FPWnRJipIoxQ8e7bbQLlq4yhr0Zc9HBhw5EKdJA674wKg

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