Esta ilustração mostra o exoplaneta LHS 475 b, recentemente confirmado pelo telescópio Webb.NASA/ESA/CSA.
Cientistas
ainda não podem determinar se o planeta tem uma atmosfera, mas já foram
captadas uma série de moléculas.
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O telescópio Webb confirmou
a existência de um exoplaneta, pela
primeira vez, desde o lançamento do observatório espacial em dezembro de 2021.
O mundo,
conhecido como LHS 475 b, tem quase exatamente o mesmo tamanho da Terra e
está localizado a 41 anos-luz de distância na constelação de Octans.
Os cientistas ainda
não podem determinar se o planeta tem uma atmosfera, mas as capacidades
sensíveis do telescópio captaram uma série de moléculas. O Webb terá outra
chance neste verão nos Estados Unidos de
observar o planeta para construir sobre esses dados.
O exoplaneta
foi apenas uma das descobertas cósmicas de Webb anunciadas esta semana na
reunião da American Astronomical Society em Seattle.
Além do mais,
a missão Transiting Exoplanet Survey Satellite, ou TESS, da NASA espiou um
segundo exoplaneta do tamanho da Terra em um intrigante sistema planetário a
100 anos-luz de distância — e o mundo pode ser potencialmente habitável.
Outros mundos
Desde a década
de 1990, os astrônomos usam telescópios terrestres e espaciais para procurar
sinais de planetas além do nosso minúsculo canto do universo
No ano
passado, a Nasa confirmou que existem mais de 5.000 mundos conhecidos, além do
nosso sistema solar
Os exoplanetas
são notoriamente difíceis de obter imagens diretamente porque estão muito longe
da Terra.
Mas, os
cientistas conhecem os sinais, procurando por oscilações de estrelas à medida
que os planetas em órbita usam sua atração gravitacional, ou mergulhos na luz
das estrelas quando os planetas passam na frente de seus hospedeiros estelares.
É altamente provável
que existam centenas de bilhões de exoplanetas esperando para serem
descobertos.
Parte da
empolgação em torno do Telescópio Espacial James Webb é sua capacidade de
observar as atmosferas de planetas potencialmente habitáveis e descobrir
novos mundos. Esta semana, o observatório espacial certamente entregou.
Segundo informações de Ana Cipriano Nogueira, residente em Serra Talhada, e filha do cangaceiro José Cipriano, vulgo Mergulhão, ele entrou para o cangaço no bando de Sinhô Pereira. No entanto, quando Sebastião Pereira abandonou o sertão, ele continuou no bando com Lampião. O fato mais interessante da história de Mergulhão é que ele só largou o cangaço depois que ficou apaixonado por uma moça por nome de Sinhá, irmã de Zé Saturnino, o maior inimigo de Lampião. Mergulhão casou com Sinhá, mas nunca fez qualquer tipo de comentário sobre as brigas para Zé Saturnino, nem para Lampião.
O ex-cangaceiro José Cipriano faleceu com 89 anos, no dia 8 de dezembro de 1988, na cidade de Irecê - BA
Prezados confrades estudiosos e pesquisadores do tema nordeste e cangaço!! Novo livro do renomado escritor JoséBezerraLimaIrmão!! Desta vez sobre Maria Bonita, recomendo sem medo de decepcionar... escritor de pesquisas honestas e fundamentais para estudos do tema. Adquirir meu exemplar via professor FranciscoPereiraLima. Desde já, parabéns nobre amigo José Bezerra Lima Irmão.
Gratidão a Deus e a todos que compareceram ao lançamento do meu 3⁰ livro, na Livraria do Luiz. "Lugares de Memória" do Cangaço, reuniu familiares e amigos que estavam tão distantes! Um beijo no coração de cada um.
LAMPIÃO EM SERRINHA DO CATIMBAU é o livro mais completo sobre a incursão de Lampião e seu bando ao Agreste de Pernambuco em julho de 1935, que resultou no "fogo de Serrinha", no qual Maria Bonita foi baleada, quase perdendo a vida naquele dia.
Adquira já o seu diretamente com o autor pelo Facebook, Instagram ou no WhatsApp 87 9 9824 4582.
No dia 28 de
julho de 2022, completaram 84 anos que o homem mais procurado do Nordeste
Brasileiro, e conhecido no mundo inteiro, o pernambucano lá da Villa Bella,
atualmente denominada de Serra Talhada, o Virgolino Ferreira da Silva - alcunhado
“Lampião”, deixou o nosso planeta, partindo para outra esfera (suponhamos)
depois de tantas crueldades praticadas por ele e seus comparsas, que viajaram
juntos, num total de 11 delinquentes.
Benjamin Abraão
Botto, Maria Bonita e o capitão Lampião
Lampião
repousava na Grota do Angico, nas terras de Porto da Folha, atualmente pertencem
à cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, e lá, ele e a sua
rainha Maria Bonita estavam protegidos pela sua malta, no seu
coito, e se sentindo seguro, enfiado em sua famosa "Central
Administrativa".
Os calendários da humanidade indicavam o dia 28 de julho de 1938, e os relógios
do mundo inteiro, marcavam mais ou menos 5:30 da madrugada desse dia,
quando ele, Maria Bonita e sua cabroeira, foram
atacados e abatidos; mais um policial de nome Adrião Pedro de Souza (total de
12 mortos na Grota do Angico), chacinados pelas volantes policiais, comandadas
pelo tenente João Bezerra da Silva, da gloriosa Polícia Militar do Estado de Alagoas.
Segundo alguns
pesquisadores, naquele coito, o capitão Lampião se sentia seguro, achava muito
difícil que uma suposta volante chegasse ali, e que somente eles, sabiam
muito bem chegarem naquele lugar, porque, habitualmente, eram conhecedores
de todos os terrenos que ofereciam difíceis acessos nas caatingas do nordeste
brasileiro.
O cangaceiro
Corisco
Mas o valente cangaceiro Corisco, duvidava que aquele coito tinha segurança, porque, ele chegou
a dizer que ali era como uma ratoeira, caso fossem atacados, seriam pegos, só
existia uma entrada, e que ela também seria a saída para que eles se livrassem
de um possível ataques de policiais. E se caso as volantes descobrissem que a
Grota só tinha uma saída, com certeza, todos os cangaceiros estariam ferrados.
Grota do
Angico em Poço Redondo-SE.
Com exceção
dos que ganhavam dinheiro do rei do cangaço, o nordeste brasileiro vibrou e bateu palmas com a
sua morte, com o seu fim, porque, muitos que estavam marcados para morrerem, e
outros que, mesmo não estando na lista de morrer, se
livraram de passar pelas mãos vingativas do sanguinário, perverso Lampião e
seus comandados.
Enquanto
outros não gostaram nem um pouquinho do seu extermínio, porque viviam
exclusivamente dos favores que faziam ao rei e a rainha do cangaço, como também
prestavam os seus serviços à toda sua cabroeira, e a recompensa era valiosa,
mesmo arriscando as suas vidas, valia muito mais prestarem serviços a um bando
de feras humanas, do que ficarem do lado da polícia militar, porque, nada
ganhavam, ao contrário, eram humilhados e maltratados pelas autoridade policiais, para que eles
entregassem o rei Lampião, Maria Bonita e seus homens, indicando o
lugar dos coitos feitos por eles na caatinga nordestina.
EM ALGUM
MOMENTO NA VIDA TERIA LAMPIÃO SE ARREPENDIDO DO QUE FEZ E CONTINUAVA FAZENDO?
Eu acho que
sim. Lampião ainda continuava no cangaço, porque era constantemente perseguido
pela polícia, e ele como rancoroso, vingativo, perverso e sanguinário, não iria
se humilhar à autoridade nenhuma. Suponho eu que se as autoridades tivessem
dado-lhe uma oportunidade, perdoando o que ele tinha feito antes, muitas vidas
de sertanejos e de alguns pequenos fazendeiros teriam sido poupadas, porque, Lampião se intercalaria à sociedade, e cuidaria de construir um lá com a
sua companheira Maria Bonita.
Assim como os demais que foram cangaceiros e beneficiados com o indulto do
presidente da república Getúlio Vargas, nenhum deles voltou ao antigo passado,
e assim, o rei também mudaria de pensamentos, caso tivesse sido beneficiado.
O que passou, passou, e daquele dia em diante, Lampião gozaria de proteção, foi assim que aconteceu com os seus comandados, que mostraram que eram capazes de viverem
em sociedade.
Somente Severino Garcia Santos, o ex-cangaceiro Relâmpago, que era
funcionário da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.", do afamado Lampião,
apesar de sua idade, com 83 anos, o Relâmpago fora preso por esfaquear o agente
de trânsito do Detran "Jorge de Oliveira Ribas", de 66 anos, após uma
discussão sobre o preço de uma cabeça de peixe num bar na Praça Tiradentes. Na
época, o ex-cangaceiro se vangloriava dizendo que, quando vivia no sertão,
tivera 12 mulheres e matara mais de 20 pessoas com Lampião. (Confira esta
informação clicando no link abaixo da foto do ex-cangaceiro Relâmpago).
Não sou
analista sobre nada, mas acho que Lampião, quando se deitava um pouco, em sua
"Central Administrativa", sozinho no seu “eu”, muitas vezes, pensou
que um dia poderia ser um homem da sociedade, e não nômade criminoso e desordeiro
como era. Mas o destino foi cruel com Lampião, não lhe deu uma oportunidade na
vida. E penso eu "nada de real", que sempre passou no seu “EU”. E quem sabe, tenha pensado isto ou
semelhante o que segue:
“Eu não sei
porque a vida preparou para mim um mundo tão triste, tão cheio de decepções.
Entregou-me uma agenda só com coisas ruins que eu terei que cumprir ou passar
por elas. Matar os meus semelhantes, matar gado e criações de proprietários que
não querem me aceitar nas suas terras, e procuram me eliminar do sertão; roubar,
odiar, vingar, depredar, incendiar fazendas e cercados, só horrores terei que
fazer. Mas será que eu não sou filho também de Deus?
Às vezes me ponho a imaginar as grandes crueldades que fiz com várias pessoas
sertanejas, e muitas delas, estavam pagando um preço caro, e nem mereciam passar
pelas minhas mãos vingativas, ou de meus comandados. Lembro como foi assassinado
o Briô, na mais triste morte. O cangaceiro Vulcão. Os que eu autorizei, que os
meus cangaceiros os capassem, outros que ficaram sem orelhas, mulheres
ferradas, Rosinha do meu amigo da velha guarda Mariano Laurindo Granja, ordenei
que a matasse na mais covarde morte. Cristina do cangaceiro Português, só pelo
fato dela tê-lo traído. Foi morto também o Sabiá que estuprou uma jovem, mas
este era merecedor. Lá no Rio Grande do Norte, em São Sebastião, eu assassinei um
jovem maluco, só porque ele não obedeceu as minhas ordens. E assim, tudo que eu tenho feito de ruim, eu
culpo a natureza, que não teve um tico de dó de mim.
Lembro que o Santo da Fazenda Mandassaia, empregado do fazendeiro Manoel do
Brejinho, foi morto pelo cangaceiro Corisco, e quem causou a sua morte, fui eu. O
vaqueiro guardava em sua casa uma quantia em dinheiro que o Manoel do Brejinho
tinha mandado para o Corisco, cuja, solicitada pelo mesmo. Ao chegar ao meu
conhecimento, fui até a sua casa e pedi que me entregasse a quantia que eu
acertaria com Corisco, porque eu estava precisando daquele valor. E assim ele
fez, me entregando toda quantia em dinheiro do Corisco. Mandei pedir outra
quantia ao Manoel do Brejinho, que seria para devolver ao Corisco, que eu havia
pego aquela primeira, e foi honrado o meu pedido por ele. Se ele fez cara feia, eu não sei, mas enviou a quantia pelo Santo, e com esta em seu poder, aguardava
a chegada do Corisco para entregá-la. Mas dois policiais patenteados, tomaram
conhecimento da quantia em poder do Santo. Foram alta hora da noite, e um deles
se fez ser o Corisco. Pediu que trouxesse o dinheiro, mas não precisava abrir a
janela, bastava entregar por uma fresta, pois tinha pressa. Dias depois, Corisco
vai à casa do Santo, pegar o dinheiro. Santo não tinha mais, porque a quantia já
tinha sido entregue a ele, assim pensava o pobre vaqueiro que tinha sido
ludibriado pelos policiais desonestos. Corisco enlouqueceu, dizendo que ele
estava querendo enrolá-lo, e findou assassinando-o, sem merecer o pobre vaqueiro
Santo da Fazenda Mandassaia.
Uma das coisas que mais me irrita, é ser excluído pelos meus irmãos (de modo
geral), que nunca me viram com bons olhos. Eu faço parte da mesma comunidade
humana, e por que quase todos os meus irmãos me odeiam? Enquanto eles riem de
mim, pelo mundo que recebi da natureza, caladamente eu choro, choro e choro
muito, choro, e choro muito forte, por não ter tido a mesma sorte que
tiveram todos os meus irmãos fraternos, e que fazem o bem.
Se me dessem uma oportunidade, eu abandonaria o mundo do crime e me intercalava
novamente à sociedade dos homens, e iria praticar só o bem. Mas os meus crimes
foram maiores do que o coração da sociedade, e ninguém me ver com bons olhos.
Por onde eu ando e tento um apoio, pelo menos para o meu cansado corpo repousar
e descansar um pouco, mas todos viram as costas para mim, e com medo da minha
pessoa, fogem para as matas como se eu fosse o maior animal feroz do mundo. Não
tenho culpa, foi a natureza que errou quando me fez, e assim, sou um dos erros
do mundo.
Infelizmente, o sol não nasceu para mim. Será que eu sou filho de Deus ou do
Diabo? Perseguiram tanto os meus pais que minha mãe não suportando as pressões
dos poderosos, infartou e dias depois veio a óbito, e um mês depois, os
policiais que eram comandados pelo tenente José Lucena, invadiram a residência de José Ferreira dos Santos, o meu pai, e o assassinaram, que nada tinha
a ver com as nossas brigas. E minhas irmãs sofreram o que o diabo rejeitou.
Todo tipo de perseguição, elas foram vítimas.
Quando você quiser desejar o mal a um inimigo seu, deseja o mundo que eu herdei
da natureza, porque, não tem outro mundo pior do que o que eu ganhei".
Há 84 anos
findava a carreira criminosa de Virgolino Ferreira da Silva o Lampião, onde foi
localizado na Grota do Angico, no Estado de Sergipe e executado com mais dez
cangaceiros, pela volante comandada pelo Tenente João Bezerra da Silva, da Polícia Militar do Estado de Alagoas, no dia
28/07/1938.
Informação ao leitor:
O que eu
escrevi, não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e não tem problema
se você discordar. Lampião nunca disse isso.
Você leitor, poderá me perguntar: "E se não tem valor para a literatura
lampiônica e por que você escreveu?"
Eu escrevo o que penso sem atrapalhar o que já escreveram os escritores e
pesquisadores. São apenas as minhas inquietações, assim dizia o saudoso escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa, o caipira de Poço Redondo.
Eu escrevo
para aqueles que gostam de ler, quando existem pessoas que leem até bula de remédios, e também para me divertir com este tema
tão polêmico que é “Cangaço”, principalmente quando se trata de Virgolino
Ferreira da Silva, o Lampião, e sua companheira Maria Gomes de Oliveira a Maria
Bonita. Os meus escritos não atrapalham os pesquisadores e nem os escritores.
Eu sempre chamo a atenção do leitor para não usá-los na literatura
lampiônica.
48 anos depois da publicação desse interessante texto, foram tão intensas e drásticas as alterações e mudanças que aconteceram na capital potiguar, que só resta daquela cidade o que existe nos registros e nas memórias daqueles que a conheceram.
Apresento-vos Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. É a ponta mais avançada da América do Sul para dentro do Atlântico, situação geográfica que lhe proporcionou, durante a última Grande Guerra, a denominação histórica de “Trampolim da Vitória”. Porque daqui partiram as tropas e “Fortalezas Voadoras” para a invasão da África e, posteriormente, da Europa. Sua importância estratégica, pela maior aproximação com a costa da África, é reconhecida universalmente. Daí ser sede, ainda hoje, de duas poderosas bases aérea e naval brasileiras.
No entanto, no passado, Natal já foi chamada, por um dos nossos poetas, Ferreira Itajubá, de “um vale ameno entre coqueiros“. Pela sua amenidade de clima e estar situada entre o Rio Potengi e o Atlântico, com as praias orladas de coqueiros.
Neste 1975, com seus trezentos e tantos mil habitantes, fundada por colonizadores portugueses, no Século XVI, (1599), Natal é cidade velha que se moderniza rapidamente. Suas ruas e avenidas largas, lindas praias, a incrível luminosidade tropical, a brisa constante e doce que sopram do mar, a temperatura oscilando entre 27 e 30 graus centígrados, tudo isso faz desse recanto um dos pontos mais saudáveis e atraentes do Nordeste brasileiro.
O FORTE DOS REIS
Ainda hoje não existe acordo entre os nossos historiadores a respeito do legítimo fundador da cidade do Natal. Para uns, teria sido o colonizador Manoel Mascarenhas Homem, Capitão-Mor de Pernambuco, que veio do Recife (1597) fundar um forte na confluência do Rio Potengi com o Atlântico, a fim de proteger a terra e combater os corsários franceses, que traficavam com o pau-Brasil. Outros entendem que o fundador teria sido Jerônimo de Albuquerque, o primeiro comandante do Forte dos Reis, enquanto outros estudiosos ainda se fixam no nome de João Rodrigues Colaço, lugar-tenente de Jerônimo de Albuquerque, pelo fato de, no ano de 1599, Jerônimo se achar na Europa.
Há quem sustente, bisantinamente, que Mascarenhas Homem, fundando o forte, não fundou a primeira povoação. Esta surgiria depois. Argumentamos: Se o forte, o primeiro núcleo de população, era e é a porta da cidade do Natal e foi por ele fundado, por que ir procurar um segundo fundador para a primitiva aldeia? Por isso, nos arrimamos entre aqueles que sustentam a tese de Mascarenhas Homem. E a mais racional e mais de acordo com a documentação histórica.
Interior da Fortaleza dos Reis Magos.
Na verdade, Mascarenhas Homem fundou um fortim de madeira, provisório. A atual Fortaleza dos Reis Magos foi iniciada a 6 de janeiro de 1598, daí o seu nome, no dia de Reis, sendo concluída já no Séc. XVII. (1614). É sólida e bela construção militar, ainda bem conservada, considerada, no gênero, um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do País. Visitá-la é algo indispensável a todos que vêm à cidade, sendo tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional De lá descortina-se panorama de indizível beleza local, ao longo das praias e do casario da cidade.
O NATALENSE
O natalense, dizem os visitantes, é dos mais hospitaleiros entre todos os nordestinos. Povo extrovertido. bom, aberto a tudo e a todos, recebe sempre bem e paga para fazer favor a um turista.
Nas suas origens, naturalmente, é português, índio e negro. Talvez o tipo físico predominante seja a mistura de lusos e índios ou descendentes. A percentagem de negros é mínima na população. Explica-se: Natal não foi porto de desembarque de escravos africanos. A população de cor no Estado, descende de negros que vieram de Pernambuco, nos primeiros séculos, para os engenhos de açúcar. Pequena, portanto, desde que pequeno era o número dos nossos engenhos.
Acesso a Ponta Negra na década de 1970.
Há, no Seridó, região de pecuária, minérios e algodão de fibra longa, a predominância de um tipo físico que se destaca dos demais: São indivíduos altos, brancos, louros, olhos azuis, de compleição robusta. Ingenuamente, diz o povo que são descendentes de holandeses, ou flamengos…
Nada disso. Sabemos, historicamente, que são descendentes de portugueses do norte de Portugal, o tipo ali característico em relação aos lusos do sul, mediterrâneos. Em Natal, não há presença ponderável de indivíduos de outras etnias, como se observa no Sul do Brasil. Portugueses natos, atualmente, talvez se conte uma dúzia. Norte-americanos, em trânsito, sempre existe. Alemães, italianos, japoneses, espanhóis, só um ou outro perdido no meio do natalense. Os sírio-libaneses, descendentes em sua maioria, constituem o maior número de indivíduos originários de outras etnias e residentes no Estado.
ARQUITETURA E ATRAÇÕES
A cidade do Natal nasceu, como é da tradição portuguesa, em torno da capela (hoje, matriz), o cruzeiro, a praça e os edifícios públicos e residências particulares em torno. Assim surgiram igualmente as cidades mais prósperas do interior do Rio Grande do Norte.
Ao lado da matriz de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira da cidade, lá está o Palácio do Governo, imponente prédio colonial, de 1868. A Prefeitura, já descaracterizada, o velho edifício onde tem sede a Guarnição Militar de Natal, a Igreja de Santo António, mais linda fachada barroca da cidade, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, mais modesta, e o único sobradinho colonial, à Rua da Conceição, onde a Fundação José Augusto instalou um museu histórico e artístico, digno de visitação, constituem o melhor que ainda nos resta do passado da cidade.
Palácio Filipe Camarão, sede do poder executivo municipal de Natal.
Administradores anteriores praticamente arrasaram com a velha arquitetura colonial, – herança portuguesa na nossa cultura. Em sua maioria, os edifícios públicos modernos deixam muito a desejar do ponto de vista arquitetônico. O conforto interno, as elegantes instalações contrastam com a pobreza de suas fachadas simplórias. Saliente-se que esse não é apenas um mau natalense. É brasileiro. A pretexto de uma chamada arquitetura moderna, destruíram quase tudo que havia de mais característico na velha arquitetura colonial. Raras capitais como Recife, Salvador, São Luiz e cidades do interior mineiro e maranhense ainda conservam um bom patrimônio, graças, sobretudo, à vigilância enérgica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que não permite reformas modernizantes.
Se há algo que o turista, vindo a Natal, não pode deixar de ver é a velha Fortaleza dos Reis Magos. Aconselharíamos, também, uma visita à Vila Flor, próximo a Canguaretama, para apreciar a beleza da Casa da Câmara e Cadeia do Séc. XVIII, agora restaurada pelo IPHAN. Também seria imprescindível uma visita ao nosso estádio de futebol, em dia de grande jogo. O Campus da Universidade, fundado em 1972, é outro recanto que precisa ser visto Ali está a semente da grande universidade do futuro. O Museu “Câmara Cascudo” oferece ao visitante uma visão de conjunto dos aspectos mais importantes da antropologia, geologia e paleontologia norte-rio-grandenses.
Campus Universitário da UFRN em Natal no ano de 1972.
BARES E RESTAURANTES
A grande atração da cidade reside nas suas praias de águas verdes e temperatura sempre amena. Seus nomes são pitorescos: Praia do Meio, Areia Preta, Ponta Negra, Pirangi, Redinha, Genipabu, as duas últimas do lado norte do Rio Potengi. Praias do Meio e Areia Preta, banhando a cidade, tem ainda denominação setoriais: É Praia do Forte, ao lado do velho monumento; Poço do Dentão, defronte ao hotel da cidade, o “Hotel Internacional dos Reis Magos”; e “Miami Beach”, a praia preferida pelos norte-americanos durante a guerra.
Praia de Pirangí em 1972.
Aí estão situados alguns dos bares e restaurantes mais movimentados de Natal, principalmente à noite. São eles, atualmente, o “Panelão”, O “Brazeiro” e o “Saravá”, – os locais onde a moçada se reúne para bebericar e curtir a boa vida. Entre os restaurantes típicos, os visitantes não podem deixar de frequentar a “Carne Assada do Lira” e a “Peixada da Comadre”, ambos no bairro das Rocas. Ali também há um restaurante gostoso, “A Rampa”, dos oficiais da Aeronáutica, mas aberto ao público. Ainda na beira do rio, há um barzinho, o “Brisa del Mare”, onde Glorinha Oliveira, a maior cantora da cidade, sempre está cantando.
Na Cidade Alta, o turista não pode deixar de conhecer o “Granada Bar”, do espanhol Nemésio, onde se pode comer a melhor lagosta ao vinagrete da cidade. Outros restaurantes e bares de boa frequência são o “Kasarão”, o “Xique-Xique” e o “Casa Grande”, o mais novo.
A melhoria das estradas interestaduais na década de 1970 ajudou a incrementar o turismo regional no rio Grande do Norte.
Mas, quem tiver disposição e gosto, é só tocar o carro em direção à praia de Ponta Negra e conhecer as boates da cidade, ao longo da estrada. O ponto mais tranquilo, para uma temporada de férias, é a “Casa de Hóspedes”, em Ponta Negra, um sítio à beira do mar, diante das dunas.
E quem gosta de recanto primitivo, onde a civilização ainda não chegou, é enfrentar as estradas que levam à praia de Genipabu, de morros carecas, jangadas e coqueiros sobre as dunas.
COSTUMES E TRADIÇÕES
O folclore natalense é essencialmente português, ao lado de contribuições negras e indígenas.
Quem se der ao trabalho de pesquisar as origens das manifestações folclóricas nordestinas, como já o fizemos, em vários aspectos, constatará que setenta por cento das nossas tradições e costumes são de raízes lusas. Provérbios, adivinhas, cantigas de roda, superstições, contos populares, romances, cantigas de viola, autos e bailados, quase tudo é português em suas origens, embora com as adaptações e acréscimos da população nativa brasileira.
Sociedade de Danças Antigas e Semidesaparecidas Araruna, mais conhecida como Araruna, é um tradicional grupo de dança folclórica de Natal.
Durante a última guerra, sofremos influências dos norte-americanos, que aqui transitaram aos milhares. Influências na indumentária e expressões populares. Com o advento da televisão, claro, estamos sofrendo influências de todo o mundo. Muito mais do que tudo aquilo que, durante várias décadas, recebíamos por intermédio do cinema, rádio, jornais e revistas. Apenas um exemplo: Os jovens natalenses de hoje, moças e rapazes, não diferem, em coisa nenhuma, dos jovens do Rio e São Paulo. E a chamada geração “pra-frente”, de indumentária comum a homens e mulheres (unisex), – os rapazes de barba e cabelo longos, calças apertadas, sem bolsos, camisas de mil cores e sapatos enormes, cintos gigantescos. A linguagem dos jovens é algo inusitado para os mais velhos: “Estou grilado (apaixonado): E um pão (irresistível!): estou na fossa (triste): bacana (coisa boa, serve pra tudo), etc.
ATIVIDADES CULTURAIS
Antes da Universidade, as instituições de cultura de Natal se resumiam ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e à Academia Norte-rio-grandense de Letras, esta última fundada por Luís da Câmara Cascudo. Os jovens valores da época, não encontrando oportunidades para permanecer no Estado, estudavam noutras terras e logo depois de formados arribavam.
A Universidade teve o mérito de oferecer campo de trabalho para fixar a maior parte da mocidade norte-rio-grandense, hoje integrando, como professores e noutras funções técnicas, faculdades, institutos, escolas, clínicas e demais serviços.
“Miami Beach”, a praia preferida dos americanos em Natal, durante a Segunda Guerra.
A Escola de Música da UFRN prepara uma nova geração de músicos e professores e há crescente interesse dos jovens pela organização de conjuntos musicais, especialmente os da chamada “música-jovem”, na base de guitarras e ritmo, jovens compositores e instrumentistas estão aparecendo nos programas da TV-Universitária e espetáculos teatrais.
Em Natal, no aspecto musical, há curiosidade que poucos observam: Quase todos os jovens tocam ou acompanham o violão, alguns excelentemente. Casa sem violão, na cidade, não é frequentada por jovens: Daí a nossa surpresa, na Filadélfia, nos Estados Unidos, ao pedir um violão para matar saudades, e quase numa rua inteira de belo está bairro residencial, constatar que ninguém ali possuía uma só guitarra…
Aspecto também digno de relevo foi o aparecimento recente, em Natal, de uma floração de artistas plásticos. Os pioneiros foram Newton Navarro (pintor e desenhista) e Dorian Gray Caldas, (pintor e tapecerista). Com o surgimento de laponi Araújo (pintor ingênuo) e descoberta de Maria do Santíssimo (pintora primitiva) e Manxa (entalhador), dezenas de jovens artistas foram repontando, alguns de méritos incontestáveis.
Praia de Ponta Negra e as dunas onde atualmente se encontram os melhores hotéis de Natal, na área da Via Costeira.
Um trabalho de talha recente, de Manxa, na agência do Banco do Brasil em Natal, tomando toda uma grande parede, talvez de vinte metros, está sendo apreciado como obra monumental, tanto pelas proporções quanto pela expressão vigorosa e motivação de fontes populares.
No campo propriamente da arte popular, dois nomes ainda sobressaem na cidade: O de Xico Santeiro, escultor em madeira, já falecido, que espalhou Cristos e cangaceiros por centenas de residências e repartições públicas; e o de Luzia Dantas, eximia escultora. Esta última, residindo em Currais Novos, já influenciou a irmã, Ana Dantas, que também tem produzido peças de larga procura, pela singeleza de traços e sabor popular características das duas jovens artistas.
Ladeira do Sol.
CASCUDO
O papa e a meca da cultura norte-rio-grandense é São Luís da Câmara Cascudo e sua velha casa residencial.
Cascudo, aos 76 anos, já escreveu mais de cento e vinte livros e estudos, destacando-se como etnólogo, historiador, ensaísta, orador e conferencista. Professor universitário, hoje aposentado, tem horário certo para receber visitantes de todo o País, que o procuram para consultas, ou simplesmente conhecê-lo em pessoa.
Já teve mil convites para candidatar-se à Academia Brasileira de Letras, mas resiste heroicamente, alegando deficiência de audição e o incómodo das viagens ao Rio de Janeiro. E Cascudo é um caso raro no Brasil de escritor que se fixou na Província, realizando obra admirável sob todos os aspectos, razão por que recebeu de Afrânio Peixoto, faz tempo, o epíteto de “provinciano incurável”!
Luís da Câmara Cascudo
Sua residência, à Av. Junqueira Aires, destaca-se pela enorme biblioteca, acumulada em mais de 50 anos de atividades, além de obras de arte que foi adquirindo e recebendo dos principais artistas brasileiros e alguns estrangeiros.
Pessoalmente, Cascudo é um encanto e um demônio. Encanto pela simpatia envolvente com que sabe receber e conversar sobre todos os assuntos. Demônio de verve, graça, anedotas de toda natureza. Por isso, visitar Natal e não ver Cascudo, diz-se, é ir à Roma e não ver o Papa.
TURISMO
Nos últimos anos, o Governo do Estado e a Prefeitura de Natal criaram órgãos para desenvolvimento do turismo na cidade Já estão sendo restauradas velhas construções estando em andamento o aproveitamento de logradouros e recantos pitorescos.
Praça Kennedy, no centro de Natal, antiga Praça das Cocadas.
A infraestrutura já foi iniciada com a construção do Hotel Internacional dos Reis Magos, na Praia do Meio, Hotel Samburá, no centro da cidade. Há outros hotéis de categoria em construção e em projeto, como o que o grupo “Quatro Rodas” está construindo em Ponta Negra.
O artesanato (palha e madeira) e a arte popular norte-rio-grandense já podem ser adquiridos em casas especializadas, a preços módicos. Os apreciadores das danças populares podem deliciar-se com uma visita à Sociedade Araruna de Danças Antigas, nas Rocas, ou como o Conjunto “Asa Branca”, para conhecer o bambelô e o nosso coco de roda, sobrevivência negra na nossa cultura.
A simplicidade das antigas barracas da Praia de ponta Negra.
As casas de culto de umbanda, em vários pontos, também atraem os curiosos por conhecerem as peculiaridades da religião afro-brasileira. A maior festa popular da cidade ainda é a dos Reis Magos, a 6 de janeiro, em frente à capela do mesmo nome, nas Rocas. Os apreciadores do folclore poderão admirar o nosso Fandango (Nau Catarineta), os Congos, Pastoris, Lapinhas, Cheganças e outros folguedos que se exibem em palanque armado pela Prefeitura, em praça pública. Também podem bebericar e comer doces e comidas típicas nas barracas cobertas de palha, em torno da praça. São dois dias de festas consecutivos.
No Parque “Aristófanes Fernandes”, em Parnamirim, vez por outra, o visitante pode apreciar um dos espetáculos de competição esportiva mais violentos: A Vaquejada, consiste na derrubada do gado pela cauda. Grandes vaqueiros de todo o Nordeste ali sempre se encontram e os norte-rio-grandenses são os campeões absolutos desse esporte tradicional.
Foguete do tipo Sonda sendo lançado da Barreira do Inferno.
Na Barreira do Inferno, um pouco além de Ponta Negra, está localizado o campo de lançamento de foguetes da Aeronáutica, a primeira estação espacial brasileira. Além disso, foram desenvolvidos importantes projetos de exploração do espaço, inclusive com a cooperação de cientistas europeus e norte-americanos. A direção da Estação de Barreira do Inferno permite visitas às suas instalações, uma vez por semana.
*Veríssimo de Melo (9 de julho de 1921 — 18 de agosto de 1996) foi advogado, juiz, professor de Etnografia do Brasil da Faculdade de Filosofia de Natal e de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, além de jornalista.