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terça-feira, 13 de outubro de 2026

A FESTA E A CAVALARIA

 Clerisvaldo B. Chagas, 13 de outubro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3487


E para a felicidade da comunidade católica de Santana do Ipanema Alagoas, está acontecendo  a mais nova edição da tão aguardada “Festa de São Cristóvão. Até parece que existe um armazenamento de esperanças, acumulado durante um ano inteiro. É certo que existe a mais tradicional “Festa de Senhora Santa Ana”. Afinal são duas festas católicas na mesma cidade, uma no Centro e outra no bairro, onde poderia parecer tudo igual.  Acontece que existe alguma coisa não palpável que faz a diferença, embora não se possa explicar com precisão. São diferentes, sim, mas só se percebe no invisível, no psicológico e que não é com certeza, um clima de disputa. Mas, traduzir uma coisa de clima se torna difícil para um frequentador anual assíduo.

Desde há algumas edições que os festejos utilizaram vaqueiros montados para abrir a festa com cavalgada pelas ruas de Santana e aboios relativos a São Cristóvão.  E, embora não que era uma abertura muito bonita, mas depois vinha a reclamação do povo da sujeira que os cavalos deixavam nas ruas. Mesmo assim, com o tempo, outros cavaleiros, não vaqueiros e até mesmo mulheres da zona rural  montadas tal os homens (antigamente mulher montava de um lado só do cavalo) e embora também não cantem seus aboios como os homens, estão ali com eles animando  a cavalgada. Aboio, foguetes e cascos de cavalos no asfalto, carro de som bradando no meio, a cavalgada desperta toda a cidade e a vibração se torna geral. Quem não tem cavalo para a cavalgada ou quem não tem carro para a procissão, festeja a seu modo, mas festeja.

E quando  chega à noite com as missas e a parte profana que engloba várias ruas cheias de barracas, vendendo as mais variadas mercadorias e um intenso movimento de pessoas por todos os lugares como formigas assanhadas, surgem por todas as partes estampas de São Cristóvão nas barracas, no automóveis, nos arreios dos animais,  nas carroças e no Estandarte da Festa. É festa sim, como a de Senhora Santa Ana, mas adquiriu sua identidade própria, um clima diferente que se sente e não se explica.


https://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2026/10/a-festa-e-cavalaria-clerisvaldo-b.html

 ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.

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LIVROS...

Por Gomes Alves de Melo

Assunto não faltou nesse encontro com o historiador e escritor Geraldo Maia Do Nascimento : cachaça, história, genealogia, cangaço e muitos mais fizeram parte dessa tarde mossoroense. Autor de vários livros publicados, esse sobre a história da Cachaça é um deslumbre, profundo e detalhado. Obrigado, Geraldo!!!!

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 ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.

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PEREIRINHA

 Por José Mendes Pereira

Assim como eu costumo colocar as fotos dos amigos, vou colocar a minha também.

Conheci muito o Pereirinha que residia no Bom Jardim em Mossoró - infelizmente eu não tenho uma foto dele: baixo, magro, de cor galega, de andar apressado, e que tinha seus problemas mentais, mas nunca fora agressivo com ninguém, e mesmo sendo retardado, quem o conhecia, jamais tentou humilhá-lo por isso ou por aquilo.

Pereirinha era irmão de dona Aldhema Moura, que residia também naquele bairro, uma das zeladoras da Casa de Menores Mário Negócio, que por muitos anos trabalhou naquela instituição de menores.

Além do problema mental que tinha o Pereirinha, também sofria de epilepsia forte, e quando esta lhe atacava, e ao tornar, isto é, tomava conhecimento do que havia acontecido com ele, dizia que tivera naquele momento um abordo. E como todos já sabiam a sua resposta, sem humilhação alguém lhe perguntava se ele vira o feto. Ele dizia que não tinha interesse de ver filho morto. E assim era o Pereirinha, sem agressões com ninguém, apenas serviam de graças as suas respostas.

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Pereirinha gostava muito de frequentar o Pavilhão Vitória, no centro da cidade, e lá, todos que permaneciam ali, gostavam de conversar com ele, não no sentido de zombar, apenas rirem das suas conversas trocadas e engraçadas.

Quando alguém lhe perguntava:

- Pereirinha, se eu sair daqui de Mossoró a pé, em direção à Areia Branca (cidade adjacente à Mossoró - de aproximadamente 50 km a 51 km por estrada, com tempo de viagem de cerca de 45 a 49 minutos de carro pela rodovia BR-110), que horas mais ou menos eu chegarei lá?

Como ele trocava as coisas, geralmente dizia: 

- Se  você sair daqui de Mossoró para Areia Branca às 10h30 da manhã, para às 10h00, irá chegar lá das 4h30 da tarde para às 4h00. 

E assim era o Pereirinha do Bom Jardim que eu o conheci nas décadas de 60, 70..., perambulando pelo centro da cidade e pelas ruas de Mossoró.

Minhas Simples Histórias

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Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.

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COMÉRCIO DE MOSSORÓ ENGANADOR.

 Por José Mendes Pereira


Muitas vezes a gente é bem recebido nas lojas comerciais, mas nem todas usam a seriedade com o cliente.

Acompanhando um amigo que fazia compras em uma das lojas de Mossoró, vi o quanto o freguês é explorado por lojas que não têm o mínimo respeito com o cliente.

Enquanto meu amigo fazia suas compras, observei um diálogo interessante, quando um senhor de idade escolhia calças e camisas para comprá-las. 

Antes de confirmar o preço, de repente apareceu um senhor (não sei se era vendedor ou gerente da mesma), dizendo para vendedora:

- Fulana, use o código “BPL” que é melhor para o seu cliente.

- É verdade! Eu nem me lembrava do código que protege os nossos clientes. - Disse ela sorrindo.

Em seguida, ele rabiscou uma folha com este código. E neste momento chegou um senhor o chamando. Ele saiu às pressas, deixando sobre o balcão o papel rascunhado, talvez por esquecimento.

Sem o mínimo interesse de ver o que ele havia escrito, aproximei-me do balcão. E lá no papel estava escrito  “BPL” – "Bote Pra Lascar”.

Lógico que as peças vendidas com valores além do normal não serão para o vendedor, mas ele terá aumento de comissão.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://cantocertodocangaco.blogspot.com

Autor:
José Mendes Pereira

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- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

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FRANSQUINHO VASCONCELOS E SEU HOMEM DE CONFIANÇA.

 Por José Mendes Pereira

Fransquinho Vasconcelos (aos 43 anos), dona Terezinha (aos 29 anos), Vasconcelos Neto (aos 4), Silvia (aos 3 anos).- 1956 - http://azougue.org

Era um homem de  admirável simplicidade. Educado, calmo, que atendia as pessoas com um simples gesto de boas vindas. Filho de uma grande personalidade de Apodi, mas radicado em Mossoró, o escritor, poeta e jornalista José Martins de Vasconcelos. 

Lembro-me bem onde funcionava a sua primeira Livraria e Tipografia. Próximo ao antigo Cine Cid, na Rua Coronel Vicente Sabóia. Nunca foi homem de luxo, apenas organizava o seu comércio; um birô (bureau), feito de pereiro, envernizado, pequeninho onde guardava todos os seus documentos, notas fiscais, talões... Posteriormente na mesma rua, construiu um prédio, e lá se estabeleceu até os seus últimos dias de vida. 

Nos anos sessenta e setenta eu era tipógrafo na Editora Comercial S/A., e através de contatos gráficos, mantive amizade com ele. Deixando a vida gráfica, as nossas amizades cresceram mais ainda, quando fui prestar os meus serviços públicos ao Estado-RN, numa escola, cujo patrono é o seu pai, José Martins de Vasconcelos.

Jornalista José Martins de Vasconcelos

Ele querendo que o nome do seu velho pai fosse zelado e seguisse mais adiante, fazia panfletos para serem entregues na escola, todos levados e distribuídos aos alunos por mim.

A história que segue, não foi ele que me contou, mas, segundo os gráficos mais antigos que trabalharam comigo, já falavam o que havia ocorrido na sua tipografia.

Fransquinho Vasconcelos tinha um dos seus empregados que muito o paparicava. Por mais que existissem homens honestos, não serviam para lavar os pés do seu grande e honesto profissional. 

Nos finais de semana, principalmente aos sábados à tarde, era do costume, o empregado fazer bicos (horas extras) em sua tipografia. Enquanto Fransquinho Vasconcelos organizava os seus documentos de trabalho, o operário permanecia lá dentro da oficina, fazendo as suas impressões tipográficas, isto no sentido de adiantar os pedidos  para a semana entrante.

Mas geralmente, aos sábados, desaparecia dinheiro da sua gaveta, e, como tendo total confiança no seu empregado,  jamais imaginou que poderia ser ele que o roubava. E os desaparecimentos de dinheiro continuavam, sem ter a certeza quem seria o larápio.

Já cansado de ser assaltado, idealizou uma simples e bem pensada ideia, para descobrir quem seria o ladrão que o roubava. Comprou um chocalho, não tão grande, mas médio, e montou-o sob a gaveta onde ele guardava os seus valores.

Imagem da internet

Nessa tarde, depois de pronta a armadilha, foi lá dentro da oficina, e disse ao empregado, que iria dar um dedinho de conversa com os amigos, lá na praça da Catedral. Geralmente, lá estavam: Jorge Pinto, proprietário do Cine Pax, Seu Medeiros, proprietário da Casa Medeiros, Seu Ferreira, da Casa Ferreira, Odílio Pinto, seu contador, Paulo Bedel que era agrimensor -  e outros e outros comerciantes se divertiam por lá.

Mas Fransquinho Vasconcelos, em vez de ir a dita  viagem, que era logo ali pertinho da sua gráfica, escondeu-se por trás de um monte de caixas com livros que iria ser colocado nas prateleiras, e lá ficou observando quem iria lhe roubar.

Como o empregado não imaginava tal desconfiança do velho patrão, parou a máquina impressora, foi até a sala, em seguida, dirigiu-se até à porta que saía para rua, para ter certeza, que  Fransquinho Vasconcelos tinha ido a dita viagem; e vendo que o patrão havia ido mesmo. Voltou, abriu a gaveta do birô, assustando-se com o trim-trim do chocalho.

Desconfiado,  em vez de retornar à oficina, e sentindo vergonha da sua própria fraqueza, e não imaginava que o patrão se escondia por trás das caixas, foi tentar disfarçar o seu erro entre elas. Mas se enganara! Quando cuidou de se ocultar por ali, viu o patrão banhado de tristeza, por saber que quem o roubava era o seu homem de confiança.

Ao vê-lo ali escondido, disse-lhe:

- Que vergonha, seu Fransquinho! Que vergonha!

- Muito mais vergonha sinto eu - dizia Fransquinho Vasconcelos, trêmulo e sentindo piedade do miserável.  Pois jamais eu imaginei que você fosse capaz disso. Mas não vou te demitir. Você vai continuar trabalhando nesta gráfica. Se eu te demitir, aqueles teus filhos irão todos morrerem de fome, e eles não têm culpa da sua fraqueza. Leve sempre para sua casa coisas adquiridas através do teu suor, para ensinar a teus filhos o caminho da vida sem decepções. Se você continuar assim, estará ensinando eles  serem desonestos. E o fim será cadeia  e mais nada.

O que eu sei, é que o homem não quis ficar mais trabalhando,  abalando-se de Mossoró com toda sua família. Nunca mais foi visto nesta cidade. 

Minhas simples histórias

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Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

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CORONEL PEDRO ALVES DA LUZ QUANDO ESTE FOI ACUSADO DE SER PROTETOR DE LAMPIÃO.

  Por Valdir José Nogueira de Moura

Francisco Ramos de Almeida - Vulgo Mormaço.

Em meados do mês de julho do ano de 1927, um indivíduo por nome Francisco Ramos, cuja alcunha “Mormaço”, depois de uma farra em um samba, no lugar Baixio dos Ramos, no município de Araripe (CE), feriu com um tiro um seu tio, sendo em seguida preso e conduzido à cadeia da cidade do Crato, onde prestou seu depoimento. O referido preso tratava-se de um dos mais célebres bandidos de Lampião, que havia há bem poucos dias abandonado o grupo do famoso cangaceiro, na sua triunfal excursão, quando este, deixando o Ceará, seguiu para Pernambuco.

O cangaceiro “Mormaço” fez a polícia do Crato, minuciosa descrição de sua vida, e de par com ela, trouxe abundantes elementos para a história do combate ao banditismo no Nordeste. O seu depoimento é impressionante. Porém, serão verdadeiras as informações do bandido? Ninguém mais pode assegurar. Em todo caso, o seu longo relato foi publicado em jornais da época. O “Jornal do Recife” publicou o curioso depoimento em duas edições seguidas.

A edição desse jornal de nº 211 de 13 de setembro 1927, publicou a primeira parte do depoimento, Clique aqui e confira sendo que em um dos trechos, o bandido desassombrado contou: “que o coronel Pedro da Luz, morador na fazenda Barrinha, município de Belém de Cabrobó, e próximo a Serra do Umã, cerca de uma légua, muito protege Lampião, fornecendo munição e ocultando o grupo na mesma serra, em lugar dele conhecido, desviando por todos os meios a pista do grupo; que o mesmo coronel recebe de Lampião dinheiro a título de gratificação pelos serviços prestados...”


Coronel Pedro Alves da Luz

Diante dessa tremenda acusação, e em decorrência também de outros boatos maldosos contra o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, prefeito do Município de Belém de Cabrobó, [1922 a 1926,] que diziam ser o mesmo mais um protetor e coiteiro de Lampião, em 1928, o Conselho Municipal daquela cidade votou uma honrosa moção de solidariedade ao dito coronel e que foi publicada no jornal “A Província (PE)”, Ed. 128, do sábado, 2 de junho de 1928:

“Aos dezenove dias do mês de maio do ano de mil novecentos e vinte e oito, às 10 horas da manhã, no Paço do Conselho Municipal desta cidade de Belém de Cabrobó em sessão extraordinária, sob a presidência do tenente-coronel Jerônimo Pires de Carvalho, compareceram os cidadãos Inácio de Sá Araújo, Odilon Alves de Carvalho, Licínio Lustosa de Carvalho Pires e Aristides Alves de Carvalho Barros, conselheiros municipais, e sendo primeiro exposto o motivo da presente sessão que é apresentar ao Sr. Prefeito deste município o tenente-coronel Pedro Alves da Luz uma moção da mais inteira solidariedade erguendo assim o mais cabal protesto contra as infâmias e baixas calúnias que em torno do seu honrado nome se tem levantado ao foro de Vila Bela onde segundo consta, se lhe tem dado como coiteiro e protetor de Lampião, e por isto este Conselho não podendo e nem devendo absolutamente calar-se diante de tão torpe e revoltante injustiça feita ao Digno Chefe do Poder Executivo Municipal, apressa-se em vir por todos os seus membros, abaixo assinados, e satisfeitas as formalidades do estilo, dar o necessário e conveniente desmentido a tão aviltantes e injustas calúnias, obra sem dúvida de algum ou alguns mesquinhos desafetos do digno prefeito.

Para quem conhece de perto o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, não há necessidade de dizer quem ele o seja, pois as suas maneiras de fino trato e relevantes serviços prestados a sociedade em geral, o tem sempre desde muito, revelado como um dos cidadãos mais digno, respeitável e útil deste município que muito lhe deve; umas como em outras localidades onde não é ele ainda conhecido, pequenos e injustos desafetos se lhe tem feito caluniosas acusações, cumpre para melhor desmentido a tais acusações que se põem em relevo o seu proceder, relacionando em síntese ao menos uma pequena parte dos seus serviços que tão abnegadamente pelo bem geral tem prestado à causa pública, fazendo para isso referência dos mais recentes, afim de que as pessoas de bem possam julgar como merece, assim verificar que se trata de um cidadão prestimoso e não um coiteiro e protetor de bandidos, vem pois o Conselho Municipal pela voz de seus membros, apresentar a presente moção para assim repelir as baixas calúnias que lhe tem injustamente assacado, se sente também no dever sagrado de reunir a esta, embora em resumo alguns traços da vida de tão conspícuo cidadão.

O tenente-coronel Pedro Alves da Luz, desde sua mocidade prestou relevantes serviços não só de natureza material como moral, a sociedade, quer aqui quer em outros municípios onde anteriormente residiu, sendo porém suficiente relembrar dentre os méritos que tem prestado a este município como simples cidadão ou como homem público, em cujo caráter se acha atualmente investido, e nesta qualidade tem sido a sua administração uma das mais fecundas e prósperas conforme se ver dos diversos melhoramentos do município, o que não vem a caso enumerar. Quando há anos veio fixar sua residência neste município, vindo de Triunfo, onde exerceu com brilho o cargo de delegado de polícia, procurou a zona que mais se prestasse a agricultura e ai, conseguiu com um trabalho assíduo e inteligente converter as suas terras em fontes de riquezas para o Estado e o Município.

Dizer-se então que o tenente-coronel Pedro Alves da Luz protege a Lampião é uma calúnia, pois muito pelo contrário ele procurou auxiliar sempre a ação do governo contra o tão terrível grupo, como prova disto se deduz de muitos fatos, como por exemplo, do seguinte: Somente depois que Lampião aumentou o seu grupo foi que teve que entrar 3 vezes neste município, passando por duas vezes na Barrinha, residência do tenente-coronel Pedro Alves da Luz, isto porém ligeiramente, sendo que da primeira vez por ali passara no caráter de capitão de um “Batalhão Patriota do Ceará” e em tal caráter chegou a 3 léguas de distância desta cidade, de onde mandou passar telegrama.

E da segunda vez, tendo as suas ordens 89 bandidos, e então por isso o tenente-coronel Pedro Alves da Luz para não se expor às iras de tão temível facínora, uma vez que em coisa alguma se achava disposto a compactuar com ele, e por sua vez, não tendo elementos para reagir contra numeroso grupo, imediatamente retirou-se para esta cidade, de onde transportou-se para o povoado de Abaré do Estado da Bahia, só voltando a sua fazenda depois que passou o Estado de Pernambuco a ser governado pelo exmo. Sr. Dr. Estácio Coimbra, quando começou também mais ativa a perseguição ao banditismo.

E desde então o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, decidiu-se com mais ânimo, a auxiliar neste sentido a ação do governo, e uma das provas disto, está nos meios que facilitou ao volante Domingos Nogueira, para com outras pessoas de Riacho Pequeno, dar combate a Lampião se este com seu grupo tentassem atacar aquele povoado como sucedeu, e de que então resultou a morte de dois bandidos devido a tática e coragem do mesmo Domingos Nogueira, que neste tempo ainda não estava incorporado como praça, e os recursos de que dispunha para a luta lhe era fornecido pelo mesmo tenente-coronel Pedro Alves da Luz.

Quando após a chacina de Favela em Floresta, Lampião fingindo-se subir para atravessar neste município, voltou na direção do norte passando em Conceição das Crioulas, e indo abater gados no Olho d’Água, no pé da Serra do Umã, município de Floresta.

Foi o tenente-coronel Pedro da Luz quem logo ao saber da sua estada naquele local, veio a auto avisar ao delegado de polícia, tendo além disso posto a disposição seu carro ao cabo Manoel Ribeiro para este ir ao encontro do cabo Manoel Neto, comunicar o paradeiro do mesmo Lampião, e como este, muitos outros fatos poderíamos citar.

Nada mais se precisa adiantar para a demonstração cabal da completa falta de fundamento de espíritos perversos ou irrefletidos, tem injustamente assacado contra a reconhecida reputação do prefeito deste município, tanto mais quanto a sua honra, está a cavalheiro, de qualquer infâmia de que se lhe atenta atirar.

E depois de ser lida e datada, conforme, foi por todos assinada. Para constar eu José Carvalho de Sá Roriz, secretário o escrevi.”

Da tradicional e numerosa família Carvalho, o tenente-coronel Pedro Alves da Luz foi nascido no município de São José do Belmonte, na fazenda Gameleira, sendo o primogênito do casal major Antônio Alves da Luz e dona Maria Francisca de Barros, esta irmã do Padre José Pires dos Santos Barros.

Grande fazendeiro, o tenente-coronel Pedro da Luz, além da fazenda Barrinha onde residia, localizada entre os municípios de Belém do São Francisco e Salgueiro, era proprietário de muitas terras na região, onde mantinha avultada quantidade de rebanhos de gado bovino e de corte.

Era um homem muito rico, de grande prestígio, bom caráter e muito respeitado, possuindo também uma infinidade de compadres e comadres, em virtude da quantidade de crianças de que foi padrinho em toda aquela região, tendo algumas, adotado o seu sobrenome “Luz” como homenagem. Ainda no tempo que residiu em Triunfo, chegou a exercer naquela cidade os cargos de delegado de polícia e literário.

Como político, exerceu os cargos de conselheiro municipal e prefeito de Belém de Cabrobó.
Foi casado com dona Afra Florisbela Pires Cantarelli. O casal não deixou filhos.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Bel%C3%A9m%20do%20S%C3%A3o%20Francisco.

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"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

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