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sábado, 24 de dezembro de 2011

OS HIPOPÓTAMOS DE PABLO ESCOBAR

Por: Roberto Guerra
Foto do traficante colombiano Pablo Escobar, morto em 1993
Foto do traficante colombiano Pablo Escobar, morto em 1993

O cenário: hipopótamos vivendo completamente soltos, fora de seu habitat, e se reproduzindo sem controle. As vítimas: os habitantes das imediações da Fazenda Nápoles (a 320 quilômetros de Bogotá, Colômbia), aterrorizada pelos animais selvagens. O pivô: o traficante Pablo Escobar, que trouxe os animais clandestinamente da África para um zoológico particular na década de 80. O drama: hoje, 20 anos após a sua morte, os hipopótamos somam mais de 40 e viraram motivo de uma batalha entre governo e ambientalistas.
A história surreal é o tema do muito bem realizado documentário. Os Hipopótamos de Pablo Escobar, de Antonio Von Hildebrand, que enfoca com bom humor o legado mais absurdo deixado pelo traficante e, a partir daí, traça um bem documentado retrato do bandido que tanto sofrimento causou à Colômbia.


Quando ainda era o todo-poderoso chefão do tráfico colombiano, Escobar explodiu um voo comercial matando 110 pessoas, assassinou ministros, juízes, políticos, além de civis que foram vítimas de carros-bombas. Apaixonado por animais, em novembro de 1983 trouxe as primeiras espécies exóticas da África para construir um zoológico particular, a Hacienda Napoles. O transporte dos animais foi feito por um avião Hércules que ficou conhecido como “narcoarca”. A bordo viajavam casais de girafas, zebras, cangurus, leões, tigres e hipopótamos.
Pablo Escobar morto - Fonte: http://macupicu.wordpress.com
O zoológico, que chegou a abrigar mais de 2.500 animais, foi sendo abandonado com a decadência do próprio chefão. Quando Escobar morreu, em dezembro de 1992, o zoo particular do traficante foi saqueado e os animais que não morreram foram roubados ou transportados para os zoológicos da Colômbia e de outros países. Não foi o caso dos hipopótamos. O casal original reproduziu-se sem controle e calcula-se que hoje, só no entorno da Hacienda Napoles, ainda vivam cerca de 41 deles.

Os Hipopótamos de Pablo Escobar revela talvez o mais insólito problema da longa lista de absurdos de Escobar em seu país. Responsável por milhares de assassinatos por desencadear uma onda de violência sem igual na Colômbia, o chefão do narcotráfico enxergava-se como um Robin Hood. Construía estádios de futebol, igrejas e distribuía dinheiro para as comunidades carentes de Medellín. “Aquele que morria por Pablo Escobar morria feliz”, revela o chefe dos capangas do traficante, John Jairo Velázquez Vázquez, em depoimento ao documentário.
A produção, cheia de originalidade narrativa e bom humor, revela uma exaustiva investigação permeada por trechos animados nos quais um hipopótamo chamado Pablo narra, para uma de suas muitas crias, sua boa vida de macho-alfa na Colômbia. Ao longo da projeção, o diretor traça um paralelo entre esses animais e o traficante: ambos se defendem atacando, são dados a arroubos, acham que podem tudo e são extremamente violentos quando sentem que seu território foi invadido.

Fonte:

Grande encontro de personalidades em Paulo Afonso.

Por: Guilherme Machado

 Da esquerda para a direita.
Gil Leal, repórter - radialista, Antonio Galdino-jornalista, Guilherme Machado - curador e pesquisador, Chico Pedrosa - poeta, escritor declamador de loas, João de Sousa Lima -escritor e pesquisador, Marlos - coordenador cultural, Rubervanio Rubinho - escritor e pesquisador. Estes amigos abriram o estander do Gonzagão na Vila da Cultura em Paulo Afonso Bahia.
Enviado pelo responsável: Guilherme Machado

GRANDES ESCÂNDALOS DA HISTÓRIA

A MORTE DE VLADMIR HERZOG
O jornalista Vladimir Herzog de 38 anos, casado, pai de dois filhos e diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, foi encontrado morto, supostamente enforcado, nas dependências do 2ª Exército, em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. No dia seguinte à morte, o comando do Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão de repressão do exército brasileiro, divulgou nota oficial informando que Herzog havia cometido suicídio na cela em que estava preso.
A versão oficial da morte foi refutada pelos movimentos sociais de resistência à ditadura militar. Uma semana após a morte do jornalista, cerca de oito mil brasileiros participaram de uma missa ecumênica organizada por
Fonte: editora.cosacnaify.com.br
D. Paulo Evaristo Arns, pelo reverendo James Wright e pelo rabino Henri Sobel.
Três anos depois, no dia 27 de outubro de 1978, o processo movido pela família do jornalista revelou a verdade sobre a morte de Herzog. A União foi responsabilizada pelas torturas e pela morte do jornalista. Foi o primeiro processo vitorioso movido por familiares de uma vítima do regime militar contra o Estado.
No dia 18 de outubro de 2004, o Correio Braziliense divulgou duas fotos que seriam de Herzog em sua cela no DOI-CODI. As imagens seriam inéditas e reforçariam a tese de que o jornalista havia sido torturado antes de ser morto. Na única imagem conhecida até então, Herzog aparecia enforcado. 
Clarice Herzog, viúva do jornalista, teria confirmado ao Correio que as fotos seriam mesmo do marido. 
O Exército brasileiros divulgou uma nota oficial se posicionando sobre a divulgação das supostas fotos inéditas, que foi mal vista e duramente criticada por movimentos sociais e entidades como a Federação Nacional dos Jornais (Fenaj) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A nota dos militares é a seguinte:
"Á época, o Exército brasileiro, obedecendo ao clamor popular, integrou, juntamente com as demais Forças Armadas, a Polícia Federal e as polícias militares e civis estaduais, uma força de pacificação que logrou retomar o Brasil à normalidade". Afirma, ainda, "que o movimento de 1964, fruto de clamor popular, criou, sem dúvidas, condições para a construção de um novo Brasil, em ambiente de paz e segurança".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou uma retratação por parte do Exército e do Ministério da Defesa. Assim, no dia 19 de outubro, após reunião entre Lula, o ministro José Viegas e comando militar, general Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército, afirmou que a forma como o assunto foi abordado pela sua assessoria não foi "apropriada e condizente com o momento histórico". A segunda nota oficial dos militares afirma que somente a ausência de discussão interna sobre o assunto pode ter sido responsável pela divulgação da primeira nota oficial. "O Exército também não quer ficar reavivando traumas da sociedade brasileira", garantiu o comandante Albuquerque.
Em entrevista à imprensa, no mesmo dia, o ministro da Defesa classificou a primeira nota do Exército de "inaceitável", e disse que a nova versão da nota oficial encerra o assunto sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. "Assunto encerrado. Bem resolvido. A nota esclarece definitivamente as coisas ao agravo do presidente da República e do ministro da Defesa", disse.
No dia 21 de outubro, foi divulgado que as supostas fotos inéditas de Herzog faziam parte do arquivo da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e teriam sido divulgadas à imprensa em 1997. Na época, ninguém teria relacionado a foto do homem nu a Herzog.
No mesmo dia, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, afirmou que a Direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), lhe comunicou "que as fotos publicadas na imprensa durante esta semana não correspondem ao jornalista Vladimir Herzog, morto pela repressão em outubro de 1975". As imagens seriam produto de uma investigação ilegal conduzida em 1974 pelo antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e que, por este motivo, o nome do homem fotografado não poderia ser divulgado.
No dia 22 de outubro, o perito Ricardo Molina, do Instituto de Pesquisa do Som, Imagem e Texto, da Universidade de Campinas, contrariou Miranda e a Abin sustentando no jornal O Estado de S. Paulo que pelo menos duas das três fotos que estudou são de Vladimir Herzog. Ao mesmo tempo, a viúva Clarice Herzog voltou a afirmar que ao menos uma das fotos é realmente do marido.
Ainda no dia 22, a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com o homem que seria o personagem das fotos divulgadas pelo Correio. Seria o padre canadense Leopoldo d'Astous, pároco durante 31 anos na Igreja de São José Operário, em Brasília, que foi investigado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) de 1972 a 1974 por envolvimento com grupos de esquerda. Ele teria sido fotografado em 1974, um ano antes da morte de Herzog.
Após reunião com o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Nilmário Miranda, no dia 28 de outubro, a viúva de Herzog, Clarice, voltou atrás em suas afirmações e negou que as fotografias divulgadas fossem de seu marido.
 
FONTES: 

Princesa Isabel: redentora ou santa? --

Por: Dom Antônio Augusto Dias Duarte(*)
Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira.

Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.
Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil.

No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador:
“Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”.
Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.
Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.
Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a varrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus.
Ficheiro:GloriaChurch-Rio-CCBY.jpg
O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade. O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, principalmente, da nossa época moderna e pós-moderna.
Fonte: monarquia-ja.blogspot.com
A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem.
Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.
Papa Leão XIII - Fonte: pantokrator.org.br
Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as crianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antivalores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tolerância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao diálogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões africanas, enfim, por todos que têm amor pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel.
Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel,
Fonte: pelafe.net
o frei Galvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar.
Irmã Dulce - Fonte: onordeste.com
Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja.
Fonte: ninhodomoringue.blogspot.com
“É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (…). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).
(*) Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ

Postado por: Armando Rafael

A Missa do Galo em Juazeiro há 140 anos -- por Renato Casimito


No dia de hoje, há exatos 140 anos, o reverendíssimo Pe. Cícero Romão Baptista, recentemente ordenado (Fortaleza: 30.11.1870), atendia o convite do casal
 
Semeão Correia de Macedo (ela, Rosa Amélia de Macedo), segundo professor régio do povoado, para a celebração da missa da vigília natalina.
Naquele ano, a capela do povoado não dispunha de capelão fixo, pois o Pe. Pedro Ferreira de Melo – o quinto capelão do Joaseiro, havia falecido recentemente (fora encontrado morto, sozinho, na casa em que residia no Crato).
O prof. Semeão, então, motivado pelo desejo de que os poucos habitantes do povoado (eram, talvez, umas 30 famílias) comemorassem o Natal daquele ano, foi ao Crato para convidar o novo sacerdote para a celebração. Ele aceitou e assim aconteceu. Como resultado da grande simpatia que passou a existir entre Pe. Cícero e os residentes do povoado, ele foi convidado a voltar outras oportunidades. Até que, definitivamente, passou a residir numa casa cedida pelos habitantes para acomodar a família, a partir de 11 de abril de 1872. E nunca mais o Joaseiro foi o mesmo.

(Ilustração do Almanaque Brasil
fotos do Arquivo do Portal)

O cel. Izaías Arruda e o Incêndio da ponte do rio Salgado - Parte II

Por José Cícero

O ainda hoje misterioso,  incêndio da ponte sobre o rio Salgado de 1927 foi uma dura resposta do cel. Izaías Arruda (então prefeito de Missão Velha) em retaliação a um imbróglio com os engenheiros da RVC, depois que a ferrovia decidiu romper um acordo verbal relativo a compra (fornecimento) de madeira de lei para a fabricação de dormentes. A referida madeira era retirada da propriedade do temível coronel. A RVC resolveu não mais aceitar o produto de Izaías em face do preço exorbitante, muito além do valor de mercado que era praticado na época. O coronel não aceitou de bom grado o rompimento do contrato. Achou que aquilo era uma desmoralização a sua posição de líder. Indignado com o fim do lucrativo negócio, resolveu se vingar.
Coronel Izaias Arruda

De modo que deu ordem aos seus jagunços para que arrancassem quase um quilometro e meio de dormentes da estrada de ferro e fizessem uma grande coivara sobre a ponte. E foi o que promoveram: uma fogueira gigante. Os trilhos ficaram em alguns trechos, soltos sem a sua base de apoio. Uma grande tragédia estava prestes a ocorrer com o trem da feira que passaria ainda nos escuro da madrugada lotado de gente e mercadoria. Um iminente acidente estaria prestes a acontecer. Um verdadeiro atentado que poderia vitimar um grande número de passageiros inocentes. O coronel não estava nem aí para as conseqüências do seu tenebroso ato.
 Missão Velha e Aurora, unidas no resgate da memória do cariri

As labaredas de fogo podiam ser vistas a quilômetros dali. Disse-nos o tal senhor do Jenipapeiro. A ponte estava literalmente em chamas. Vez que grande parte da sua estrutura metálica, segundo relatos, com o fogo, estava vermelha em brasa viva. Uma fogueira monumental alimentada por madeira de lei do tipo: aroeira, pau d’arco, cedro e massaranduba dentre outras. “O ferro da ponte, como dizia meu pai, ficou em brasa viva”, disse o morador. O calor, segundo ele, era tanto que parte da estrutura metálica chegou ao ponto de alguns peças amolecer. Restos de ferros retorcidos ainda hoje depois de pouco mais de 82 anos daquele inusitado acontecimento ainda foram encontrados sob a areia do leito do rio. "A temperatura era altíssima e o fogo entrou pela noite. Foi uma coisa horrível, nem sei com a ponte não caiu por inteira".

E a tragédia só não foi maior porque um vaqueiro que residia nas proximidades (no Jenipapeiro), às escondidas, montou seu cavalo e rumou célere para à estação de Ingazeiras comunicando o fato ao agente local que de imediato telegrafou para as estações do Crato e Fortaleza. O trem daquele dia ficou pelas bandas de Iguatu ou do Crato mesmo. Por vários dias, quase uma semana o tráfego costumeiro do chamado trem da feira ficou interrompido até que funcionários da Rede Ferroviária Cearenses (RVC) sob segurança reforçada pudessem realizar os necessários serviços de recuperação da linha férrea e da própria ponte sobre o rio Salgado. Os prejuízos foram calculados em cerca de 300 contos de réis; uma verdadeira fortuna naquele tempo.

Mas o mistério ainda permanece até hoje. E algumas perguntas continuam, por assim dizer, inevitáveis. Ou seja, por que será que o coronel Izaías Arruda veio a escolher logo a ponte do Olho d’água a mais de duas léguas da estação de Missão Velha onde inclusive era prefeito? Por que justamente Aurora? Será que queria demonstrar força para os irmãos Paulinos com os quais mantinha uma rixa mortal? Ou quisera com isso, evitar quem sabe, que as volantes que se encontravam na parte baixa do Cariri não pudessem chegar a Aurora para dá cabo de Lampião junto com seu bando? Ou mesmo, queria que o próprio Lampião, fosse responsabilizado pelo incêndio aumentando assim, a ira do governo? Quanto a esta última suposição é notório ressaltar que muitos da época, inclusive alguns jornais da capital, chegaram a noticiar que aquele atentado tinha sido obra dos cabras de Lampião, em retaliação a perseguição das volantes, inclusive como consta equivocadamente na página 339 do livro: ‘A Marcha de Lampião, assalto a Mossoró’ de Raul Fernandes, filho do prefeito potiguar Rodolfo Fernandes, famoso por ter comandado a resistência de 27. Por fim, pelo modus operandi, que relação existiu entre o incêndio da ponte do Salgado e o da antiga estação de Missão Velha?
 José Cícero em visita à ponte sobre o Rio Salgado

Ousado e temível em toda região, o coronel Izaías Arruda era de fato, um inegável fazedor de inimigos. Jogava bem, sobretudo nos bastidores e, como costumam dizer nossos matutos – com dois baralhos. De sorte que, não era tarefa fácil vencê-lo em seus domínios. Tinha, como se sabe ainda hoje, o seu exército particular de jagunços sempre pronto a agir nos mais diferentes ramos.Contudo, adespeito de qualquer outra coisa, é preciso dizer que Izaías Arruda de Figueiredo foi um homem inteligente e de coragem que esteve muito além do seu tempo. A forma como se deu a sua morte foi uma prova inconteste de que pagara caro por tudo isso.

O coronel Izaías Arruda, era filho natutal de Aurora onde foi delegado e, quando ainda prefeito de Missão Velha, foi assassinado na estação de Aurora em 04 de agosto de 1928 pelos irmãos Paulinos, vindo a morrer quatro dias depois.

José Cícero

http://blogdaaurorajc.blogspot.com/
http://cariricangaço.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

SBEC informa



Caros Sócios e Amigos,
Lembrando a todos e todas que está disponível no site
www.iiisrh.com.br
os Anais do II Congresso Nacional do Cangaço e
III Semana Regional de História.
É interessante que todos os sócios tenham acesso ao material para ver o alto nível das discussões e as novs temáticas abordadam em torno da História do Nordeste e do Cangaço.
Abraços,

Lemuel Rodrigues
PRESIDENTE DA SBEC
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO
 Cariri Cangaço

Luiz Inácio Lula da Silva

Aos sete anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva mudou-se com a família para Santos (SP), deixando o interior de Pernambuco em busca de melhores oportunidades de vida. Quatro anos mais tarde, em 1956, foi para a capital do Estado de São Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office-boy. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de torneiro mecânico.

Em 1970, depois de perder a esposa grávida do primeiro filho, Lula passou a se dedicar intensamente à atividade sindical.
Em 1973, casou-se com Marisa, sua atual mulher. Em 1975, chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou a primeira greve de operários do ABC paulista em 1978, durante o regime militar.

Em 1980, aliou-se a intelectuais e a outros líderes sindicais, para fundar o PT (Partido dos Trabalhadores), do qual se tornou presidente. No ano seguinte, liderou nova greve de metalúrgicos, foi preso e teve seu mandato sindical cassado.


Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, em junho de 1983, integrou a frente suprapartidária pró-eleições diretas para a presidência da República com os governadores de São Paulo, Franco Montoro (PMDB),

Fonte: Wikipédia

e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT).

Fonte: Wikipédia

Lula foi eleito, em 1986, deputado federal constituinte com a maior votação do país. Concorreu à presidência da República em 1989, quando foi derrotado no segundo turno por
Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso.


Em 1995, deixou a presidência do PT e tornou-se presidente de honra do partido. Em 2002, foi eleito presidente do Brasil com votação recorde de 50 milhões de votos. Reelegeu-se em 2006, vencendo, em segundo turno, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin.
Fonte: desciclopedia.org
Na presidência, a gestão de Lula seguiu a política econômica de seu antecessor, conseguindo com isso colocar o país no rumo do desenvolvimento econômico. Lula também surpreendeu os observadores da cena política por conseguir manter altos índices de aprovação e popularidade, descolando-se das denúncias de corrupção que atingiram seus auxiliares mais próximos.
É inédito na história do Brasil o fato de um presidente concluir seu segundo mandato com um índice de popularidade de 87% (pesquisa CNT/Sensus). Trata-se de um recorde mundial. Fiel ao estilo que marcou seu governo, Lula se despediu da Presidência com choro e nos braços da multidão, tendo sido o centro das atenções na cerimônia de entrega da faixa à sucessora Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, em 1 de janeiro de 2011.

PRESIDENTES DO BRASIL
Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais,  Campos Salles Rodrigues Alves, Afonso Pena, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes,,Washington Luís, Getúlio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Café Filho, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart, Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, João Baptista Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula

Com informações do Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República e Almanaque Abril. 

Dilma e o retrato da mulher coragem

Dilma e o retrato da mulher coragem
Foto: Agência Estado

Foto central no livro A Vida Quer Coragem, do jornalista Ricardo Amaral, lança um poderoso farol sobre a história; esquálida porém forte, presa e no entanto superior, a hoje presidente Dilma Rousseff está diante de uma Justiça Militar de rosto tapado; era 1970 e ela fora torturada 22 dias seguidos
05 de Dezembro de 2011
Marco Damiani_247 – É por isso que eles não querem a Comissão da Verdade. Por um instantâneo como esse que distingue “A Vida Quer Coragem”, do jornalista Ricardo Amaral (Editora Primeiro Plano, com lançamento nacional em 15 de dezembro), e revela, no olhar inquiridor da então presa política Dilma Rousseff, em 1970, toda a superioridade dos que lutaram contra a ditadura sobre a ditadura em si.
band.com.br
Eles não podem mesmo querer essa verdade. Nela vai emergir, entre milhares de outras tantas, a história que Amaral que se propôs a contar e a foto cristaliza para muito além do estupefato da revelação presente. A história de militância política da atual presidente Dilma, retrato pronto e acabado de uma mulher coragem. Não há margem para outra interpretação. Na dúvida, reveja a foto. Porque nela não há retoques. Ali sentada, cercada pelos altos muros de mogno da Justiça Militar, 22 dias após ser torturada em pleno 1970 de ainda não contados mortos e desaparecidos, é ela, Dilma, a esquálida que não perdeu a elegância, a exausta que está forte, a quem por mais que batessem não conseguiram quebrar a alma.
sejaditaverdade.net
Ainda sem trechos divulgados, o livro de Ricardo Amaral já presta o serviço de reposicionar uma discussão que, ao longo dos anos, foi dia a dia tendo sua raiz deturpada. Pelas mentiras escarradas, farsas bem urdidas, conivência dos covardes e franco estímulo dos poderosos, trabalha-se como sendo a mais adequada para todos a versão de que houve uma guerra justa entre esquerda e direita no Brasil, entre guerrilheiros e militares, opositores e regime. Na qual se tratava de matar ou morrer, apenas isso. Procura-se deixar de lado, em nome da cordial conciliação brasileira, os motivos dos opositores e a barbárie praticada pelos executores do golpe de 1964 e seus seguidores carniceiros.
Amiúde, o que se pode esperar do livro é nada menos que o melhor quadro já feito do período decisivo da vida de Dilma, no qual ela jogo a vida e por pouco sobreviveu. Isso porque o Ricardo Amaral que mergulhou no passado da presidente até chegar aos dias de hoje é, todos nos meios políticos sabem, um dos mais capacitados profissionais de seu tempo. Aos fãs de seus textos apurados nas melhores fontes e analisados por sua visão pessoal e experiente, ele parecia meio à sombra, nos últimos tempos, um tantos distante das páginas na grande mídia. Mas é que ele é mineiro e estava tramando essa surpresa que, desde a foto, já ilumina a história e deixa no ar um advertência: quando falarem de Dilma, respeito!
Fonte:

PARABÉM!

Por: José Mendes Pereira

Parabém! Um Ano de sua criação
O blog do Mendes e Mendes está completando hoje, dia 24 de Dezembro de 2011, (um) 1 ano de sua criação.
Convidados para participarem do aniversário:

Novo Site - SBEC

Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço,


Grupo de Estudos do cangaço do Ceará, demais entidades ligadas aos estudos do cangaço
e todos leitores destas páginas.
O blog deseja um Mensagens & Imagens

e Próspero Ano Novo.
São os sinceros votos de:

Porta-retrato (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Porta-retrato

Meus olhos
repousam nos teus
e se eu chorar
vou molhar teu olhar
porque a fotografia
espera somente
eu te encontrar
sem sair do lugar
sem adormecer
sem ao menos piscar

quando a fotografia
me sorria e falava
quando na face além
eu sentia e tocava
alguém retratou
esse rosto tão meu
esse mesmo olhar
que era você
se aqui não estava
e sempre procurava

cadê seu olhar
aquele de luz e sorriso
que agora desejo
que tanto preciso
pra não ter de molhar
afluir rio e mar
diante da fotografia
que ainda me olha
sem o mesmo brilhar
que tinha o seu olho
o seu olho de amar?


Rangel Alves da Costa
 Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

A COR DO VENTO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

A COR DO VENTO
                         
Não imagine que a cor do vento é a tonalidade da fumaça, da fuligem, da poeira ou do pó. O vento possui uma cor muito própria, invisível no ar e somente refletida no olhar.
Na verdade, o olhar apenas visualiza a matiz do momento, pois a cor do vento é trabalhada, produzida, pigmentada, bem no âmago de cada pessoa. Somente a pessoa, na junção de seu estado espiritual com a placidez de sua alma, pode definir a aura que vem e passa adiante.
Conceituando vento talvez seja mais fácil dizer como a sua cor se forma em cada um. Afirmam, pois, que o vento é o ar se deslocando de um ponto a outro, de uma região de pressão atmosférica maior para uma menor; é o ar em movimento, soprando com maior ou menor intensidade em uma direção.
Seria ou não o espírito uma região de alta pressão atmosférica? Ora, a mente, enquanto portal do espírito exerce constante pressão sobre o indivíduo. Desse modo, a força exercida, fruto principalmente daquilo que se costuma denominar estado de espírito, faz a pessoa sentir a brisa ou a rajada e dar cor ao vento, através do olhar.
O pé de vento dá seu primeiro passo distante, bem atrás, muito mais atrás das montanhas, e vem cortando a estrada do espaço ainda invisível. Nasce misteriosamente oculto e assim permanecerá se no percurso não encontrar alguém que lhe dê uma cor. Passando por uma janela fechada será apenas vento, pois nenhum olhar entristecido ou cheio de alegria modificará seu significado.
É preciso, então, que o vento que vem e que passa tenha significado para ganhar cor. É preciso saber, porém, que o significado que ele terá já é preexistente no indivíduo, já está formalizado na mente, já está espelhado na alma. Desse modo, mesmo ainda distante já terá uma feição, por exemplo, de saudade, de relembrança, de fazer a pessoa pensar em coisas alegres ou tristes.
Se a mente está voltada para a espiritualidade enquanto fé e devoção, a cor do vento virá em tonalidade ocre, acinzentada, como retalhos e páginas de um tempo muito distante: “Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens, cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento” (Samuel 22, 10-11); “Queres, então, assustar uma folha levada pelo vento, ou perseguir uma folha ressequida?” (Jó 13, 25); “Agora já não se vê a luz, o sol brilha através das nuvens; passe um golpe de vento, e ele as varrerá (Jó 37,21)”.
Se o espírito está tomado de saudade e o corpo tremula sentindo a falta confortante de alguém amado, então o vento chegará mais forte e já será ventania de cor escurecida, em tons marrons, quase enegrecidos. E geralmente vem acompanhado de fuligens de tantos momentos idos e agora revividos no toque cortante na pele, no açoite no olho, no desconforto que dá.
Se o espírito está desalentado, a mente cheia de angústia se enche de desesperança e aflição, então o vento terá a descoloração da própria água, pois tudo que poderá ser avistado já está encoberto, enuviado, transbordando na lágrima que brota. Vento sem cor, incolor, mas com gosto de sofrimento e o sabor amargo da desesperança.
Se o espírito está pronto para a chegada de alguém ou mesmo imaginando que determinada pessoa possa logo aparecer, então a cor que se formará logo adiante, ainda nos vãos dos descampados, será a da feição da própria pessoa. Se for mulher, por exemplo, será um vento bonito, de lábio rosado, semblante vivaz, pele morena, olhos de negrume retinto, cabelos esvoaçantes como o próprio vento.
Na tristeza da solidão surgirá um vento medonhamente entrecortado por muitos matizes incompreensíveis, pois virá num turbilhão que fará fechar a janela para sentir a negra cor; no abandono surgirá um vento com tonalidades ilusórias, mentirosas ao olhar, e este desesperadamente imaginará enxergar qualquer coisa que venha pelo ar, pela estrada, por qualquer lugar, para confortar o coração angustiado.
Mas é na alegria que a cor do vento é mais visível, surgindo mais forte, mais encantadora. Alguns pensam que é arco-íris, outros pensam que é uma pintura no ar, mas é apenas uma confortante brisa de paz e felicidade. E é por isso que a janela fica sempre aberta esperando essa aragem chegar.

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
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