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domingo, 18 de março de 2012

ANTONIO LUIZ TAVARES - O CANGACEIRO ASA BRANCA

Por: José Mendes Pereira

Segundo o mossoroense professor, advogado, escritor e poeta David de Medeiros Leite, em seu livro: "Ombudsmam Mossoroense", publicado em 2003, na página 71, diz que o cangaceiro Asa Branca havia trabalhado em Mossoró, na Fazenda Barrinha dos Duartes (lugar onde eu nasci),  do senhor Francisco Duarte, vulgarmente conhecido por Chico Duarte, pai de Manoel Duarte, Ferreira, o matador do cangaceiro Colchete.

Escritor David de Medeiros Leite

Diz o escritor: "A Barrinha não foi atacada, mais viveu horas intensas de medo. E o fato fazia sentido na medida em que era sabido que um antigo trabalhador da fazenda, com o apelido de Asa Branca, integrava o bando, e por isso todos pensavam na hipótese do mesmo conduzir os bandoleiros à fazenda antes de invadir a cidade".
Como o futuro cangaceiro Asa Branca chegou até a fazenda Duarte não se sabe, pois ele em entrevista que cedeu ao jornalista Tomislav Femenik, disse que foi incorporado ao bando de Lampião quando se escondia das autoridades, por ter assassinado o assassino do seu pai. 

O cangaceiro apenas declarou o ano em que passou a ser cabra de Lampião, 1922, mas   não revelou  em qual lugar do Nordeste ele  passou a acompanhar o bando do rei.  
Se o cangaceiro Asa Branca tivesse pensado tal ataque à Fazenda Barrinha, com certeza Lampião teria adquirido uma porção de jóias e muito dinheiro, vez que


Chico Duarte

Chico Duarte jamais foi coronel, mas era muito rico, dono de todas as terras no Leste que cobre Mossoró.
Do Sul para o Norte as terras de Chico Duarte, pai de Manoel Duarte, começando pelo Sítio Curral de Baixo, hoje, propriedade dos herdeiros do matador do cangaceiro Colchete.

Sítio Angicos, propriedade do médico  já falecido, Duarte Filho, irmão de Manoel Duarte, nos dias de hoje, no domínio do seu genro Dr. Gastão, irmão do Paulo Medeiros Gastão, o fundador da SBEC.

Sítio Tabuleiro Grande, propriedade do já falecido José Reis, hoje no domínio dos filhos. Sítio Martelo, propriedade do falecido Luiz Duarte (Lili Duarte),  herdeiro do fazendeiro, hoje no domínio dos seus filhos. Sítio Mururé, antiga propriedade de Tentora, também filho do fazendeiro, hoje, propriedade de Dr. Sérvulo. Sítio São Francisco, este último, uma pequena parte pertence aos herdeiros de Chico Néo, meu tio, e Pedro Nél, meu  pai, ambos falecidos, propriedades compradas a Lili Duarte.

Outra grande parte deste último sítio pertence a Ufersa, antiga Escola Superior de Agricultura de Mossoró, e novamente ao fazendeiro Dr. Sérvulo Hebert Vasconcelos e ao Dr. Carlos.

Com a morte do fazendeiro,  onde era localizada a sua grande fazenda, passou a ser propriedade  da viúva, Dona Chiquinha Duarte, que com a sua morte foram herdeiras: Letícia Rodrigues Duarte, filha do casal fazendeiro, e  Gema, sobrinha da viúva. Posteriormente as herdeiras venderam para o capitão Fábio e ao industrial Raimundo Figueira.

Na mesma localidade Barrinha, tem ainda a  propriedade de Aldemar Duarte,  já falecido, pai do escritor Davi de Medeiros Leite. 

Ainda era  propriedade do mesmo fazendeiro, o Sítio Melancias, cujo, fazia estrema com o fazendeiro Joca Correia.

Todos estes sítios são ligados, que antes era uma única propriedade, pertencente ao maior latifundiário de Mossoró, Chico Duarte.  

José Mendes Pereira 
   

Mulheres Mossoroenses II - 18 de Março de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Dando continuidade à série Mulheres Mossoroenses, que estamos publicando nesse mês dedicado a mulher, apresentamos hoje a figura de D. Amélia de Souza Galvão, que foi a única mulher a participar ativamente do movimento pela abolição antecipada dos escravos de Mossoró.
Amélia Dantas de Souza Melo Galvão ou D. Sinhá Galvão, como era mais conhecida, teve papel de destaque no movimento abolicionista mossoroense, sendo de sua autoria a confecção do Estandarte da Libertadora Mossoroense, feito em cetim, com franjas e letras douradas. Este estandarte, que pode ser visitado no Museu Histórico “Lauro da Escóssia”, é o símbolo maior da abolição da escravatura em solo mossoroense. É a prova do idealismo, da disposição e da luta de um povo em prol da liberdade, luta essa que teve D. Amélia como uma incansável guerreira. 
Nas palavras de Raimundo Nonato, “D. Sinhá Galvão foi a mais extraordinária figura feminina de Mossoró, com atividades políticas, sociais e humanitárias do século XIX.” Contagiou-se pelo idealismo do seu marido, de quem se tornou uma cooperadora dedicada e cheia de entusiasmo pela vitória da causa que empolgava as multidões da cidade. 
Era filha do também abolicionista e poeta José Damião de Souza Melo, português radicado em Mossoró. Professava a religião presbiteriana, apesar de seu pai ter sido padre em Portugal. Nunca se soube o motivo da mudança de religião. Sabe-se apenas que um dia ele tirou a batina, queimou-a e veio para o Brasil, surgindo como comerciante em Mossoró. 
Segundo depoimentos do Major Romão Filgueira, “D. Sinhá era uma mulher dotada de raros predicados morais e culturais, belo espírito de comunicação e de idéias elevadas”. Tomou parte em todas as comissões importantes da Libertadora. Apaixonada pelo movimento, “convida suas amigas, entre elas as das famílias Soares do Couto, Dr. Paulo Leitão e outras, para saírem às casas dos senhores possuidores de escravos, concitando-os a alforriarem seus cativos, chegando ao ponto de quando não podiam receber adesões para o movimento, em virtude da escravidão ser garantida por lei, de se ajoelharem, beijando os pés dos potentados, indiferente aos sofrimentos dos prisioneiros das senzalas, rogando a liberdade imediata dos escravos que possuíam”. 
Na memorável sessão de 30 de setembro de 1883, D. Amélia Galvão teve a incumbência de fazer entrega de carta de alforria às mulheres escravas e, a cada uma, beijava, dizendo: “ D. Fulana, a senhora, de agora em diante é tão livre como eu”. Foi um belo e expontâneo gesto. 
Mas D. Sinhá Galvão pagou um preço alto por sua luta em prol da libertação dos escravos. Esgotada pelo cansaço adoeceu, contraindo uma tuberculose e dela não conseguiu se curar. Morreu a 14 de novembro de 1890, estando sepultada em túmulo próprio no Cemitério Público de Mossoró. O município de Mossoró a homenageou emprestando o seu nome a uma rua da cidade e a Loja Maçônica “24 de junho”, fundada em --que foi o berço da campanha libertadora, a elegeu como madrinha do Clube das Samaritanas. 
É lamentável que Mossoró, em suas homenagens prestadas em cada dia 30 de setembro, jamais tenha se lembrado de prestar uma homenagem a D. Sinhá Galvão.

Geraldo Maia do Nascimento

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“VOSMICÊ NUM É HOMI NÃO, É CABA SAFADO!...” (Estória sertaneja)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

“VOSMICÊ NUM É HOMI NÃO, É CABA SAFADO!...”
Torquato entrou na bodeguinha totalmente desarmado, levando consigo apenas a coragem dos homens valentes, encontrou o jagunço Cirineu, armado até os dentes, virando um copo de cachaça no pé do balcão, e foi logo dizendo pra que ouvisse bem:
“Vosmicê num é homi não, é um caba safado!...”.
Ao ouvir a sentença, o vendeirim amarelou, começou a tremer das pernas, se molhou todo e correu como pôde pro quintal. Não se sabe como, mas um que estava por ali acabou engolindo o cigarro de palha que estava fumando. Uma porta ficou estreita demais pra dois passar ao mesmo tempo em correria desenfreada. Outros se jogaram ao chão, se esconderam por trás de sacos, ficaram se sem saber o que fazer diante da tragédia iminente.
Ora, a resposta do jagunço Cirineu às palavras de Torquato certamente não viria através de outra coisa senão na bala, na facada, na extrema violência. Mas o pior é que se ouviram as mesmas palavras sendo repetidas:
 “Vosmicê num é homi não, é um caba safado!...”.
Dois desmaios e um ajoelhamento atordoado, de mãos erguidas para os céus, pedindo por tudo na vida que nenhuma bala perdida lhe atingisse onde estava. Contudo, parecia que o atingido na honra, o que havia sido chamado de cabra safado, não tinha ouvido o que o outro havia dito.
Mas ouviu, e bem claro. E tanto ouviu que à moda dos bandoleiros mais frios, se apoderou da garrafa ainda em cima do balcão e colocou outra dose no copo, virando numa golada só. Depois jogou o copo na prateleira e se virou com olhos esfumaçando em direção a Torquato.
“Num ouvi direito. Repita o que vosmicê acabou de dizer...”. E o outro, agora à sua frente, olhando olho no olho, repetiu: “Quantas veiz percisá. Vosmicê num é homi não, é um caba safado!...”.
“Entonce vai morrer agora mermo...”. E puxou, ao mesmo tempo, uma faca peixeira e um revólver. “Escolha com qual quer morrer...”. Falava cuspindo o jagunço, numa vermelhidão na face que parecia querer explodir a qualquer momento. Deu um passo pra trás e disse: “Vai ser com suas duas. Primeiro atiro, adespois sangro até as tripa sair...”.
“Cuma feiz cum Totonha?”. Ao ouvir esse nome o jagunço mudou de cor, do vermelho irado passou ao amarelado assustado, a quase nenhuma cor nem sangue pela face. A mão afrouxou o revólver, a faca acabou caindo. Mas o jagunço, num gesto brusco, levantou a arma em direção a Torquato e falou:
“Matei a safada que me traía com o Coroné. Tomem vou dá cabo dele, poi quem já me mandô matá mai de vinte vai tomem senti o gostim de morrer sem saber pruquê. E vosmicê vai ter o mermo destino da puta daquela puta safada...”.
“Entonce atire, se for homi mermo. Nunca vi jagunço ser homi, ser valente, ter quarque coragem. Cuma vosmicê, é tudo medroso, traiçoeiro, covarde. Se tivesse um pingüim assim de coragem enfrentava todo aquele que é pago pra matar, pra tirar a vida inocentemente. Mai não, poi o que faz é tocaiá, sem esconder atraiz das moita, na traição. Entonce mostre agora que é homi, ói nos meu óio e atire seu cabra safado, covarde duma figa. Lá onde ela tiver vou dizê àquela que vosmicê acabou de matá, e que num foi Totonha, o quem vosmicê é...”.
“Mai eu matei a puta da Totonha. Ela tava de costa mai sei que era ela...”. Disse o jagunço recuando novamente, sem jeito, numa medonha aflição. Então foi a vez de Torquato avançar em sua direção e dizer: “Quer que eu mande Totonha entrar? Ela está bem aí fora da porta. Quer que eu mande ela entrar?”.
E o jagunço se transformou totalmente, parecia um desajuizado, um fora de si. “Se num matei Totonha, entonce quem foi quem eu matei? Totonha, Totonha, Totonha, me perdoei pelo amor de Deus, vorte pra mim. Totonha, Totonha...”. E correu enlouquecido porta afora atrás da mulher. Saiu da cidade, entrou em estradas, veredas, na mataria, e sempre gritando por Totonha. Louco, completamente louco.
Passados os instantes de aperreios, com cada um saindo de seus esconderijos e aparecendo novamente, o dono da bodega acabou perguntando: “Mas quem foi, Torquato, quem o jagunço Cirineu matou mermo?”.
“Totonha. Ele matou Totonha. Mas ela não botava ponta nele com o Coroné não. Era comigo que ela tinha um chamego”.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Amar como... (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Amar como...


Amar como o amor
necessita ser amado
amar como o amor
precisa ser venerado
amar como o amor
pede para ser deliciado
amar como o amor
retribui se respeitado
amar como o amor
ama o seu bem amado

e amar assim
e apenas amar assim
porque amando assim
o amor será a conquista
de anjo feliz querubim
azul coração na nuvem
distante de todo fim.


Poeta e cronista
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blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 17 de março de 2012

Água Branca: O Cangaço no povoado Alto dos Coelhos.

Por: João de Sousa Lima
Na foto: João Lima, João Maurício (filho do cangaceiro Barra Nova), Aldiro e seu filho Deivinho (nossos anfitriões e que nos prepararam um delicioso almoço).

Nessa Sexta Feira, Eu e o escritor Gilmar Teixeira estivemos realizando uma palestra sobre o Cangaço e Delmiro Gouveia no povoado Alto dos Coelhos, Água Branca, Alagoas.
O povoado é um dos ricos celeiros da região onde a passagem dos cangaceiros deixou marcas e foi de lá que saiu o cangaceiro Barra Nova.

O colégio local foi palco da palestra
Gilmar Teixeira e João Lima.
Entre a ouca plateia se destinguiu a ala jovem que muito interessados assistiram vidrados a palestra e ao filme sobre o cangaceiro Gato.
Rostos ligados na televisão assistindo um filme sobre o cangaço.
Deivinho (em primeiro plano)foi o encarregado da parte da computação e o auxiliar nos slides.


Alguns senhores do Alto dos Coelhos estiveram presentes e nos contaram histórias interessantes sobre o cangaço na região 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-rYLnDMoykbw4LdHHLqn3B87PyfDvWPoBFyzbL7r9DpezEU695c8gqsw27eW3CsoyBlIha0akzqQ1g6OqGvfoPgRhHiaF4WTYkD57sTDFAvuG9zQfcWAthStZC0CPCah8AgavlDsvwha3/s1600/DSC08602.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;">

Esperamos um dia retornar para conversarmos mais sobre as histórias que povoam ainda aquela localidade.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

Mulheres Mossoroenses I - 17 de Março de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento
 

Dando continuidade à saga da mulher mossoroenses, nesse mês dedicado a mulher, trataremos hoje da professora, musicista, poetisa e jornalista, Cordélia Silva.
              
Maria das Mercês Leite, ou Cordélia Silva, nasceu em Mossoró no dia 11 de novembro de 1888, num belo dia de Domingo. Era filha legítima de Tomé Leite de Oliveira e de Maria das Mercês Leite.

Sua infância deu-se em Mossoró, sua terra natal, onde iniciou os seus estudos. A família mudou-se para Macau e depois para Alagoa Grande, na Paraíba, em 1902. E é nessa cidade paraibana que a nossa futura poetisa fez o seu curso de humanidades e música. Foi também em Alagoa Grande que começou a sua vida profissional, lecionando por vários anos. Em 1908 fundou a revista “O Batel”, que circulou por vários anos. Foi colaboradora de vários jornais e revistas da época, entre os quais podemos citar a revista “A Estrela”, de Aracati/CE, que era dirigida por sua amiga Francisca Clotilde, além dos jornais “Jornal do Comércio, de Recife/PE, “O Nordeste” e a “Imprensa” de João Pessoa/PB e em outros periódicos sulistas. 
               
“Foi Cordélia Silva de uma dedicação exemplar ao desenvolvimento cultural da mulher, dando prova exuberante de sua privilegiada inteligência, como fundadora e diretora de uma revista, em colaboração com Célia Adamantina, que era o pseudônimo de Rita de Miranda Henrique”, nas palavras de Lauro da Escóssia.
               
O historiador Raimundo Soares de Brito em suas “Notícia Biográfica de Alguns Patronos de Ruas de Mossoró, assim se expressa sobre a personalidade de Cordélia Silva: “Descendia dos troncos ilustres, que em Mossoró tiveram suas origens no Sargento-Mor José de Oliveira Leite, a primeira autoridade da então ribeira de Santa Luzia de Mossoró. Seus pais foram: Tomé Leite de Oliveira, também mossoroense e dona Maria das Mercês Leite, cearense da cidade de Pereiro”.
               
Causava admiração, na época, o fato de duas moças, numa pequena cidade do interior, conseguir sustentar por tanto tempo uma revista literária, quando na capital todas as publicações desse gênero tinha vida curta, como nos informa ainda o historiador Raimundo Soares de Brito. Tinha também predileção pela música, deixando alguns interessantes trabalhos.
               
Em dezembro de 2000, a POEMA – Poetas e prosadores de Mossoró – lançou, através da Fundação Vingt-un Rosado, o livro “100 Poetas de Mossoró”. Trata-se de uma antologia aos poetas da cidade. E como não podia deixar de ser, a nossa poetisa em foco, Cordélia Silva, se fez presente com o poema intitulado “O Batel”, um dos mais bonitos de sua criação. A própria autora gostava muito desse poema, tanto é que foi com esse nome que batizou a revista que criou em 1908.
               
Cordélia, como tantas outras mulheres mossoroenses, destacou-se por suas atuações empreendedoras, numa época de puro machismo. Amava profundamente sua terra natal, Mossoró, a qual se referia sempre com arraigado bairrismo, entusiasmo e saudade, como informou Assis Silva na apresentação que fez da poetisa para o livro “100 Poetas de Mossoró.
               
Faleceu em Alagoa Grande/PB, em 14 de abril de 1931. Mossoró prestou-lhe uma homenagem gravando seu nome em uma artéria da cidade. 

Geraldo Maia do Nascimento

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Mulheres Mossoroenses - 01 de Março de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento
 

No mês dedicado a mulher, queremos homenagear a mulher mossoroense lembrando algumas “guerreiras”, que com os seus feitos e pioneirismo deixaram seus nomes gravados na galeria da nossa história. E iniciaremos o mês falando da pioneira Celina Guimarães, não apenas por ter sido ela a primeira mulher em toda América Latina a obter o direito de voto, mas principalmente pela educadora que ela foi. Celina Guimarães foi uma mulher de personalidade forte, uma guerreira, de feitos que podemos dizer que estavam muito além do seu tempo. Aproveitamos para, através dessa personagem, homenagear todas as guerreiras, de ontem e de hoje, nativas ou não dessa terra de Santa Luzia do Mossoró.
               
Celina de Amorim Guimarães nasceu em Natal/RN, a 15 de novembro de 1890. Era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza de Amorim Guimarães.
               
Estudou na Escola Normal de Natal, onde concluiu o curso de formação de professores. E foi nessa mesma Escola que conheceu aquele que seria o seu companheiro por toda vida: Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante vindo de Pirpirituba/PB, com quem se casou em dezembro de 1911.
               
Em janeiro de 1912 foi designada para ensinar a cadeira de Ensino Misto Infantil do Grupo Escolar Tomás Araújo, Em Acari, juntamente com o seu marido, onde permaneceram até 1913.
              
E foi assim que a 13 de janeiro de 1914, atendendo convite do Dr. Manuel Dantas, então diretor de Instrução Pública do Estado, foi transferida para Mossoró, onde assumiu a cadeira infantil do Grupo Escolar 30 de setembro.
               
Dona Celina era uma mulher muito dinâmica, inteligente e assídua no trabalho. Essas qualidades fizeram com que ela fosse merecedora de elogio individual registrado no relatório elaborado em setembro de 1914 pelo Inspetor de Ensino, professor Anfilóquio Câmara, e inscrito no Livro de Registro Profissional.
               
Quanto à questão do primeiro voto feminino, vale salientar que não foi D. Celina a primeira mulher a requerer a sua inclusão no alistamento eleitoral. Quem o fez foi à professora Júlia Alves Barbosa, que era catedrática da Escola Normal de Natal, em 24 de novembro de 1927. “Teve, todavia, deferimento retardado pelo Juiz Manuel Xavier da Cunha Montenegro, da 1ª vara da capital, dada à condição de solteira da requerente, somente despachado e publicado pelo Diário Oficial do Estado em data de 1º de dezembro”. Dessa forma, coube a D. Celina o pioneirismo.
                
Mas o fato é que em 25 de novembro de 1927, há exatos 85 anos, era concedido pela primeira vez na América Latina, o direito de voto a uma mulher. A Lei de nº 660, de 25 de outubro de 1927, sancionada pelo Governador José Augusto Bezerra de Medeiros regulamentando o Serviço Eleitoral no Estado do Rio Grande do Norte, estabelecia não mais haver “distinção de sexo” para o exercício do sufrágio eleitoral e condições de elegibilidade. O projeto que alterava a lei ordinária foi de autoria do deputado mossoroense Adauto Câmara, que o apresentou na Assembléia Legislativa com aprovação unânime. E foi com base nessa Lei que a 25 de novembro do mesmo ano, a professora Celina Guimarães Viana requereu sua inclusão no alistamento eleitoral. Seu requerimento preencheu todas as exigências da Lei e nesse mesmo dia, verificados os documentos que o acompanhavam, exarou o Juiz Israel Ferreira Nunes, então Juiz Eleitoral de Mossoró, em substituição ao Dr. Eufrásio de Oliveira, seu jurídico despacho, mandando incluir o nome da requerente na lista geral de eleitores deste município. Coube, portanto, a D. Celina Guimarães Viana a condição de primeira eleitora não só deste Estado como do país e de toda América Latina.
               
Como educadora, uma de suas primeiras providências ao chegar a Mossoró foi abolir o uso da palmatória na sua sala de aula, ferramenta muito usada na época e temida por todos os alunos. Dizia ela que batendo se domava, não se educava. Domar era para animais; criança precisava de educação. Foi ela responsável por traduzir e ensinar a regra de futebol para os jovens de Mossoró, até então um esporte desconhecido para eles. Quando da realização das eleições estaduais de 1928, lançou um manifesto a todas as mulheres, para que comparecessem as urnas e fizessem valer o seu direito de voto. Em 1928, várias mulheres já tinham conseguido inscrição no cadastro eleitoral. E muitos outros feitos dignos de registro em relatos mais longos.
              
É por tudo isso que homenageamos todas as mulheres de Mossoró através de Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora da América Latina.

Geraldo Maia do Nascimento
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Enquanto não vem cangaço - DESCULPA FANTÁSTICA...


O sujeito finalmente conseguiu realizar o seu sonho de comprar um Audi A4 1.8T, automático e conversível. 
Então, numa bela tarde, se mandou para uma auto-estrada para testar toda a capacidade da 'belezura'. 
Capota abaixada, o vento na cara, o cabelo voando, resolveu ir fundo!Quando o ponteiro estava chegando nos 120, ele viu que um carro da Polícia Rodoviária o perseguia com a sirene a mil e as luzes piscando.
- Ah, mas não vão alcançar este Audi de jeito nenhum, pensou ele e atolou o pé no acelerador. O ponteiro marcou 140, 160, 200... e a patrulha atrás. 
- Que loucura, ele pensou e, então, resolveu encostar.

O guarda veio, pediu os documentos, examinou o carro e disse:
- Eu tive um dia muito duro e já passou do horário do meu turno. Se me der uma boa desculpa, que eu nunca tenha ouvido, para dirigir desta maneira, deixo você ir embora.
E o sujeito emendou:
- Na semana passada, minha mulher fugiu com um policial rodoviário e eu tive medo de que fosse ele querendo devolvê-la. 
- Boa noite - disse o guarda.
Extraído do blog:
petroleorn, do petroleiro e prfessor de português Edicarlos Rocha

A INDÚSTRIA DOS SAVEIROS


A INDÚSTRIA DOS SAVEIROS
O país vai ler o comunicado que a abaixo publicamos; vai sentir o valor das encrespações que havemos feito aos portugueses, que vivem entre nós: vai apreciar por si mesmo se assiste sobeja razão para sustentar que se eles intrometem em todos os [...] negócios domésticos; vai julgar [...] não uma verdade o que [...] da influencia perturbadora [...] [...] do comercio, de que [...] e da acumulação dos capitais [...] mãos.
Digam-nos depois que não é por [...] da verdade e do país, que escreve e que continuaremos a escrever em pró da nacionalidade brasileira!
Quatro brasileiros beneméritos, bem dignos irmãos, amigos do povo e da pátria, compram uns 60 saveiros, os quais distribuíram por nacionais, que a pouco e pouco fossem pagando com muita módica quantia (160 réis por dia, dizem-nos) aquele empréstimo generoso.
Em mãos de africanos cativos de portugueses, pela maior parte, estava toda a indústria de remar saveiros, cujo numero em nosso porto excedia talvez de mil.
Havia aí uma lei, que facultava esta indústria a pessoas livres; isto é, que reconhecia o monopólio para escravos; que tendia a dar cabo daquele terrível núcleo de insurreições, que não era ainda nem proteção a nacionais, nem reconhecimento de suas necessidades todas.
E esta lei o que é que ela poderia trazer de proveito, se uma sociedade brasileira não houvesse emprestado um capital aos proletários do país? [Por] bem existir a cem anos a lei; [se] aquele empréstimo nem um [benéfico] [podia] lhe trazer.
Mas é assim que a vontade do povo é lei,
É assim que a vontade do povo impera;
É assim que o povo é mais forte que o governo;
É assim que a soberania do povo se manifesta.
No dia 1º de novembro de 1850 foi dada aos nacionais a permissão de dirigirem eles sós saveiros em estações determinadas. Não erão certamente as melhores estas estações.
E o que fazem os portugueses monopolizadores? Não satisfeitos de negarem-se a vender alguns saveiros que servissem para este primeiro passo da nacionalização da indústria; não satisfeitos de tentarem arredar os homens livres daquele trabalho que pintavam como ímprobo; vendo que são poucos para o trato do comercio os saveiros possuídos por brasileiros, retiram todos os seus escravos á um tempo daquele serviço, posto que somente três dos cais fossem destinados para pessoas livres, para desta arte pretextarem depois que os brasileiros não tem meios de satisfazerem as necessidades do comercio, e guerreando a indústria brasileira exigirem depois a revogação da lei, que o povo faz executar, e a medida adotada pelo governo, isto é, exigirem a continuação de seu monopólio.
É um desaforo que eles não praticariam, se capitalistas brasileiros unindo-se em sociedade fornecessem o capital conveniente para se obter um número suficiente de saveiros.    
É um desaforo, que os bons dentre eles não podem, não devem deixar de reprovar.
Não se zomba assim com o pão quotidiano do povo...    
Fonte: Jornal: O Argos Cachoeirano – Periódico literário, doutrinário e moral.
Bahia, sábado, 9 de novembro de 1850.

Extraído do blog Pesquisando a História do pesquisador:
Urano Andrade

Salvador sedia a 4ª Semana do Saveiro


A Associação Viva Saveiro realiza em Salvador, a partir desta quinta, 15, até o dia 22, a 4ª Semana do Saveiro. O evento, que tem patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, visa divulgar e preservar a identidade histórica e cultural dos saveiros de vela de içar.
Ao longo dos oito dias de evento haverá uma rica programação cultural, que inclui exposições de arte e artesanatos do Recôncavo, exibição de vídeos, visitação das embarcações, passeios, regatas, seresta e até a apresentação de um selo comemorativo do tombamento do saveiro Sombra da Lua pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Nesta quinta, às 19h, será aberta a exposição Bel Borba Saveiros da Baía, no Centro Cultural dos Correios, no Pelourinho. No seu processo de criação, o artista utilizou velas, ferros e madeiras de saveiros afundados. Parte da venda das obras expostas será doada para preservação das embarcações. A mostra permanecerá em cartaz até 28 de abril.
ACESSE A PROGRAMAÇÃO: 

Seminário Bombardeio da Cidade do Salvador

 
A Fundação Pedro Calmon, através do Centro de Memória da Bahia, convida todos a debater o Bombardeio da Cidade de Salvador, em mesa redonda que acontecerá dia 26 de março, as 16h, na sala Kátia Mattoso, 3º andar da Biblioteca Pública do Estado da Bahia.
 
Extraído do blog: Pesquisando a História,
 do pesquisador Urano Andrade

LAMPEÃO DE A a Z

Autor: Paulo Medeiros Gastão
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbLbZqxrG99DrHTQJn41_e1wuIDP-FF5chC3fa2cwVu42DjBdq1Ns91msyIJWsY4zkMOh8VUpNEEBcM-NOOxUQdWwotnBXW8197vyGRPE-fnjVh6NeyLb3NUSHr4FQVWnjA648levjTA/s320/HOTEL+%252822%2529.JPG
Kiko e Paulo Gastão - sentados - Ivanildo silveira, Rostand Medeiros, João de Sousa Lima e Lívio Ferraz
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SAUDADES ETÍLICAS (REVOLUÇÃO E INTELECTUALIDADE NA MESA DE BAR) (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

SAUDADES ETÍLICAS (REVOLUÇÃO E INTELECTUALIDADE NA MESA DE BAR)
Que não imaginem que o presente texto se volta para a apologia da bebida, do porre, da farrice, da bebedeira, da ebriedade e embriaguez. Mas também podem imaginar que sim, pois trata também sobre isso, porém de modo a mostrar o que a mesa de bar representou na formação da cultura, da intelectualidade e dos tantos movimentos libertários que antigamente existiam.
Visualizem a seguinte situação. Já é boca da noite e um sujeito apressado, com roupas e cabelos desgrenhados, fumando um cigarro, chega ao barzinho de sempre, senta na mesma mesa e nem precisa avisar ao garçom ou ao dono do botequim o que pretende tomar. Não precisa porque já conhecem os seus hábitos etílicos, bastando servir primeiro o uísque e depois a cerveja.
Visualizem a cena seguinte: De uma pastinha o indivíduo tira papéis, jornais e até livros. Enquanto fuma e bebe vai remexendo numa coisa e noutra, lendo rapidamente algumas linhas, fazendo anotações, parecendo mesmo distante do mundo. Porém fica pouco tempo ali sozinho nos seus afazeres etílicos e de escrita e leitura, pois logo chega alguém vestido num paletó amassado e usando calça jeans. Senta na cadeira que já o espera, e também não precisa pedir nada no bar, pois logo lhe chega o litro da costumeira bebida.
Pensem na próxima cena. Aquele indivíduo que já estava lá parece nem ter sentido a chegada do outro, pois não houve cumprimentos nem diálogos abertos, e somente depois que o recém chegado toma a primeira dose é que lhe joga na frente alguma coisa escrita. E então começa um diálogo que mais parece uma discussão, com vários palavrões e xingamentos, mas não que desejem agredir-se, mas contrapondo-se ou defendendo aquele escrito.
Agora pensem quem deveria ser aqueles dois. Vou dizer. O primeiro que sentou à mesa é jornalista, um famoso editorialista de jornal de grande circulação. Reconhecido como antigovernista, reacionário e até anarquista, possui uma escrita ferina e é temido por grande parte dos políticos e poderosos. Mas parece um zé-ninguém, apenas alguém que chega num bar simplesmente pra beber.
Quanto ao segundo, digo que este é homem de grande cultura, verdadeiro intelectual, crítico literário e poeta. Mas também, como o próprio se intitula, um libertino libertário, escritor, ex-comunista, ex-socialista, ex tudo, e agora apenas alguém que não vive um só dia sem contar com aquele encontro noturno para discutir a vida, falar mal dos governantes, pregar revoluções, desconstituir teorias e produzir coisas geniais.
Isso mesmo, pois naquela velha mesa de bar, naquele barzinho de aparência rústica, em meio a encontros etilicamente revolucionários, nasceram poesias magistrais, surgiram composições memoráveis, foram entoados os primeiros versos da música genial. A lágrima foi chorada, a glória emergida.
Dali a pouco vão chegando outros e mais tantos outros jovens e velhos, todos com aspectos de liberdade demais no vestir e no andar, ávidos pelo primeiro gole, loucos para entrar com ferocidade na primeira discussão surgida. De repente a mesa, que agora são duas, está completamente tomada por jornalistas, compositores, poetas, escritores, diplomatas, gente que está ali para se deliciar do prazer da conversa, da criação e principalmente da vasta bebida, da fumaça incontida do cigarro, do pratinho que chega com tira-gosto.
Logicamente que aqueles dois primeiro personagens citados exemplificam apenas pessoas adeptas a uma manifestação fortemente cultural chamada mesa de bar. Infelizmente não de hoje, mas de ontem e de outros tempos idos. E um tempo onde era permitido ter o barzinho como expressão intelectual, tornar aquele ambiente um cenário de exposição verbal ou vocal daquilo que havia sido produzido, possibilitar que entre uma dose e outra surgissem parcerias, inspirações geniais, discussões que redundavam em manifestos, simples conversas que diziam tudo sobre a situação do país.
Hoje ainda existem esses bares, mas são poucos, e menos ainda a intelectualidade que os possa freqüentar com dignidade. O que hoje é escrito no computador e tendo um copo de uísque ao lado, noutros tempos nascia no papel do guardanapo, riscando a própria mesa, catando qualquer coisa pra preservar a genial criação. E tudo cheirando a limão, tosquiado pela fumaça do cigarro, algo assim que ninguém dava nada naquele momento.
E dizem que certa vez Vinícius de Morais saiu embriagado de um desses barzinhos e levando consigo a toalha da mesa. Ora, ali estava escrito um de seus mais famosos sonetos. Jaguar, o do Pasquim, lembra bem que via enquanto ele rabiscava, mas não conseguia ler nada: também estava bêbado.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Procura (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Procura


Porque incansavelmente
transponho montanhas e vales
singro o Amazonas e o Danúbio
alimentado pela esperança
de olhar e feliz reconhecer
saciado pela máxima certeza
de que o encontro chegará
bem antes de o sol se pôr
depois de todos os sóis e luas
desde que o sonho me veio
e disse para seguir adiante
no passo de sua lembrança
nas pegadas da recordação
porque antes de a lua chegar
feliz estará meu coração

e já foi manhã e tarde
o sol já caminha apressado
e nada do que procuro
parece perto do sonho
a não ser que eu acorde
e sinta que é na realidade
que deva seguir procurando
e bata a porta de sua casa
em busca da nossa verdade.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

sexta-feira, 16 de março de 2012

A construção discursiva de personagens históricos

Por:Wescley Rodrigues
Mais uma vez vem a baila o livro do ex magistrado Pedro de Morais, intitulado “Lampião, o Mata Sete”, que afirma ter sido o “Rei do Cangaço” um homossexual que viveu um triângulo amoroso e uma relação de fachada com Maria Bonita e Luiz Pedro, seu lugar tenente. As opiniões a cerca da obra são acaloradas, uns criticam, outras tratam-na com ar jocoso, e ainda há aqueles que a demonizam na tentativa de criar uma barreira para que os leitores não tenham acesso a tal produção. A priori deixo claro que não estou aqui para fazer uma defesa do livro em questão, mas para propor um novo olhar que historicamente, sociologicamente e antropologicamente estamos esquecendo, ou não queremos tirar as nossas vendas do comodismo para vislumbrá-la.
Primeiramente é bom salientar que sou completamente contrário a qualquer forma de censura a livros, vivemos em uma sociedade e estado democrático de direito, na qual a liberdade de expressão é princípio elementar que depõe a favor da dignidade da pessoa humana. Só porque um livro vai contra os nossos princípios ou as ideias que temos como verdadeiras, isso não nos autoriza a censurá-lo, pois ao fazermos tal, não estaremos longe do que fez a Igreja Católica com a sua lista de livros proibidos, ou a ditadura militar brasileira que impediu a circulação de toda obra que atentasse contra os seus princípios distorcidos de sociedade.
Não li na integra a obra do referido escritor, haja vista diretamente não poder criticá-lo ou elogiá-lo, mas confesso que pretendo ler, ao contrário da repulsa que alguns amigos pesquisadores do cangaço estão tendo com a obra, pois acredito que só através de uma minuciosa leitura é que estarei gabaritado para fomentar e construir as minhas análises de forma consistente sobre o escrito.
Mas para não me alongar na ideia apresentada, trago ao foco uma questão importante, essa diz respeito à fabricação dos personagens históricos. Antes de Lampião e seus cabras serem protótipos do Nordeste ou da sua dita masculinidade, cabras machos, de fibras, eles são produtos e sujeitos históricos. Como sujeitos históricos são fabricados, construídos, mediante discursos e narrativas. Falo isso por não acreditar em uma verdade histórica, mas uma verossimilhança, uma interpretação autorizada pelos documentos de um passado que já foi, o qual não poderemos resgatá-lo, somente interpretá-lo, representá-lo, mediante os vestígios que chegam ao presente. Essa é uma concepção que atenta de frente contra a teoria positivista de história que ainda vigora na atualidade.
Por ser uma figura histórica que é ditos por um corpus escriturário, Lampião é essa figura que congrega discursos, representações. O livro do Pedro de Morais ajuda-nos a entender um pouco dessas facetas narrativas que os mitos em torno das figuras históricas constroem. Esses são discursos que trazem em si a marca de seu lugar de produção. Por isso, conclamo os amigos a lerem a obra “Lampião, O Mata Sete”, não como um livro de história no sentido positivista, mas, como diriam os teóricos da história francesa, uma vertente de resignificação de personagens históricos a partir de propagandas de épocas distintas, uma página de entendimento de como a fabricação de um mito envolve polêmica e opiniões nem sempre comprováveis, mas que vão tornando-se válidas a partir de sua resignificação simbólica e infiltramento no imaginário e cultura histórica. Tal fabricação de personagens se deu com Napoleão, Hitler, Jesus Cristo, Delmiro Gouveia, Antônio Conselheiro, Padre Cícero, e tantos outros personagens históricos.
Acredito na necessidade de se abri um espaço no Cariri Cangaço 2012 para se debater tais questões fazendo um paralelo com o livro abordado há pouco.
Prof. Ms. Wescley Rodrigues
Sócio da SBEC
Sousa - PB 
Extraído do blog: "Cariri Cangaço"