Seguidores

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Maria Bonita

Por: José Nêumanne Pinto


Rainha do cangaço, a companheira de Lampião ganhou um estudo da neta, Vera Ferreira

Neta de Lampião e Maria Bonita - Vera Ferreira


Trecho: 
“Tentamos ressaltar um olhar sobre Maria que nos conduz ao significado de uma mulher em um determinado contexto e período na história do Brasil”

Legenda: Aventura Ela tinha 19 anos quando saiu de casa para percorrer o sertão


Nascida e criada na Malhada da Caiçara, no sertão baiano, Maria de Déa foi destinada ao casamento, celebrado em plena adolescência, e a uma vida pacata. Aos 16 anos, casaram-na com o sapateiro 

Primeiro esposo de Maria Bonita, o Zé de Nenê

Zé de Nenê, mas o lar do casal, que foi morar no povoado de Santa Brígida, ali perto, logo desmoronou, segundo as más línguas porque o varão era pacato demais para a inquietação fabril da mulher. Além do mais, o marido era estéril e a diferença de temperamento gerou conflitos que levavam o par a se separar e se reconciliar até o dia em que, no final de 1929, cruzou a soleira dos pais dela, Zé Filipe e Dona Déa, o temível Rei do Cangaço no sertão, Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, aos 32 anos.


O chefe de bando era vingativo, cruel e destemido, mas também tinha lá seus laivos de herói romântico. Dos saques das fazendas dos ricaços do sertão furtava perfumes franceses de boa cepa e o melhor uísque escocês. Ao relento nos acampamentos no zigue-zague das fugas para escapar da perseguição policial, puxava um fole de oito baixos e a ele foi atribuída a autoria de um dos maiores sucessos do cancioneiro sertanejo e nacional, Muié rendeira, de cuja autoria se apropriaria, no Rio, o malandro Zé do Norte. 

Não era de estranhar que fizesse corte à morena e começou por lhe encomendar que bordasse suas iniciais CL (Capitão Lampião) em 15 lenços de seda, o que permitiu a abordagem e, depois, serviu de pretexto a novo encontro, que terminou com a retirada da morena separada do marido da casa dos pais. Foi, então, que a beleza da escolhida do Rei lhe deu a alcunha com que morreu na Grota do Angico, Sergipe, ao lado do amante, e que se fixou na memória do povo: Maria Bonita.

Expedita - filha de Lampião e Maria Bonita - Reside em Aracaju-SE

Expedita, filha do casal real da caatinga, criada no Estado em que os pais morreram, Sergipe, sobreviveu à carnificina e gerou, entre outros filhos, Vera Ferreira, que, professora universitária em Aracaju, tem mantido viva a memória dos avós e empreendeu obra de vulto para comemorar o centenário da avó. Bonita Maria do Capitão, livro trazido a lume pela Editora da Universidade do Estado da Bahia, lançado em São Paulo na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915), por R$ 100, é obra de fôlego O volume de 328 páginas, organizado pela neta, jornalista e escritora, com a cumplicidade da desenhista paraibana Germana Gonçalves de Araújo, reproduz o legado da personagem lembrada pelos caprichos e vontades, mas também pelo bom humor e descontração quase infantil, com esmero e bom gosto.

A aventura da menina que saiu de casa aos 19 anos para percorrer o sertão nordestino a pé num bando de cangaceiros até tombar, aos 27, humilhada a ponto de ter a cabeça, decepada quando ainda vivia, exposta à curiosidade popular, tem sido narrada em prosa, verso, imagem e som.

O casal, evidentemente, foi tema de muitos romances de cordel. Num deles, Sabóia, chamado de Marechal de Cordel do Cangaço, registrou: “Cupido fez passatempo / com Maria e Lampião/ ela Rainha ele Rei / governou nosso sertão / cangaço e amor viveu / não foi uma ilustração”. Rouxinol do Rinaré e Antônio Klévisson Viana versejaram: “Maria Gomes de Oliveira / amou muito a Lampião / decidiu ser a primeira / cangaceira do sertão / ignorando o destino / acompanhou Virgolino / pela força da paixão”. O livro reproduziu a capa de um cordel de Sávio Pinheiro sob título O arranca-rabo de Yoko Ono com Maria Bonita ou A desaventura de John Lennon e Lampião, editado em 2008.

Seu apelido famoso também foi muito cantado. “Acorda, Maria Bonita, / levanta pra fazer café, / que o dia já vem raiando / e a polícia já está de pé” - esta é uma estrofe de Muié Rendeira, que ou foi acrescentada depois ou se tornou, como mofou Bráulio Tavares em seu texto registrado no livro, o caso de premonição mais espetacular da história da música popular, de vez que o casal foi morto, de fato, ao amanhecer.

Seu nome também foi muitas vezes lembrado em funções de repentistas pelo sertão afora. Certa vez, Otacílio Batista glosou: “Virgolino Ferreira, o Lampião, / bandoleiro das selvas nordestinas / sem temer a perigo nem ruínas / foi o rei do cangaço no sertão, / mas um dia sentiu no coração / o feitiço atrativo do amor / a mulata da terra do condor / dominava uma fera perigosa. / Mulher nova, bonita e carinhosa / faz o homem gemer sem sentir dor”. Zé Ramalho pôs música nos versos e a canção virou tema da minissérie Lampião e Maria Bonita, na Rede Globo.

A beleza de Maria, mostrada em foto e cinema por Benjamin Abrahão, fascinou artistas plásticos como Mino e virou tema obrigatório de xilogravadores como J. Borges, Mestre Noza, J. Miguel e Marcelo Soares. Suas peças de vestuário e as joias que usava foram reproduzidas no livro, que também se refere à peça de Rachel de Queiroz sobre ela e a filmes do gênero dito nordestern que a adotaram como personagem. Como resumiu Maria Lúcia Dal Farra em poema: “Maria de Déa, Maria Bonita, minha Santinha! / Mulher de tantos nomes / tão poucos para contê-la”.

Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde

Postado por Blocos Online 


http://blocoson.blogspot.com.br/2012/04/maria-bonita.html

A Reinvenção do Nordeste


Pesquisadores discutem a vida e obra de Luiz Gonzaga, na última semana para visitar a exposição "Imaginário do Rei", no Memorial da Cultura Cearense.
Centro Cultural Dragão do Mar
Fortaleza, CE.

Cariricangaco.blogspot.com

As trincheiras de Rodolfo - em 1927: "I" - O Palácio da Resistência

O Palácio da Resistência  
Imagem 01 - Palácio da Resistência

A leitura da obra do médico-escritor Raul Fernandes,  A Marcha de Lampião, Assalto a Mossoró,  induziu-me a criar esta pequena série que a intitulei de As trincheiras de Rodolfo, para descrever, utilizando sempre que possível uma imagem identificadora, sobre os locais na cidade, definidos pelo Prefeito Rodolfo Fernandes, (1872-1927), quando da elaboração do plano estratégico voltado para defesa da mesma, em 1927, do ataque do bandoleiro Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, (1900-1938). Esta pequena Série não tem o objetivo de debater ou contar a história sobre os temas cangaço ou Lampião, pois, estes temas têm vasta literatura disponível sobre os mesmos, com estudiosos de plantão para elaborá-la.

Recomendo a leitura da obra em destaque, por tratar-se de trabalho bem feito, escrito numa linguagem elegante e correta; a obra é fruto, não somente de alguém que foi testemunha dos fatos descritos, mas, também, de uma pesquisa bem elaborada, de acordo com os princípios metodológicos aplicados à ciência histórica, e além de tudo isto, é um registro único deste fato histórico. Por meio dela, pude construir uma idéia mais clara a respeito deste fato, e realmente, tem um aspecto que nos entristece que é reconhecer que o banditismo social que tanto retrocesso acarretou a região nordeste, nada mais foi do que a conseguência do banditismo político existente, naquela época, na região.

Após concluir a leitura desta obra, muitas perguntas surgiram e, claro, ficaram sem respostas, pois somente uma profunda pesquisa, talvez, respondesse estes questionamentos. Alguns deles deixo aqui, esperando, quem sabe, alguma indicação: A quem interessava a destruição da cidade e a derrota do Prefeito Rodolfo Fernandes com o ataque do Lampião?  Por que os Rosados não participaram da resistência ao ataque? Por que saíram todos da cidade antes da convocação para a resistência? Pois, na obra está bem claro que quase metade da população local não acreditava na possibilidade do ataque; não acreditava na ousadia do bandido. Contudo, os Rosados acreditaram e partiram para Porto Franco, em Areia Branca-RN.   

Já que todo cidadão mossoroense que, naquele momento,  estivesse com saúde e pudesse pegar em armas, participou da defesa da cidade. Este sentimento cívico deu forças para empreender a vitória sobre o bando de cangaceiros. Quem sabe, no futuro, estas respostas possam aparecer.

A mansão da imagem 01 era a residência de Rodolfo Fernandes, situada na Av. Alberto Maranhão, número 1751, no bairro Cidade Nova. Esta imagem já foi objeto desta postagem que apresenta outras informações sobre a edificação. Exatamente neste local, o prefeito estabeleceu a trincheira principal de resistência ao ataque de Lampião, à cidade, na tarde de 13 de junho de 1927. As armas e munição necessárias à defesa foram adquiridas às expensas das empresas particulares Tertuliano, Fernandes & Cia., Alfredo Fernandes & Cia., M.F. do Monte & Cia., (leia-se Miguel Faustino do Monte), F. Marcelino Hollanda e Luiz Colombo Ltda. 

Estas defesas eram formadas por donos das firmas, funcionários e trabalhadores, clérigos - não portaram armas, profissionais liberais e até estudantes, enfim, todos civis, sem experiências no campo bélico. Em síntese, o governo estadual, na época, representado pela figura política de José Augusto de Medeiros, absolutamente não fêz nada, ou seja, entregou o destino da cidade ao Deus Dará.

A residência do prefeito transformou-se num grande quartel general. Participaram da defesa planejada desta trincheira principal, além do Prefeito Rodolfo Fernandes, as pessoas abaixo:

1) no telhado da frente - Manoel Duarte, tido como exímio atirador, e, Honório Ferreira;
2) no telhado detrás - Francisco Pinto e o irmão Antônio e Bodoca;
3) no alpendre da entrada principal - Francisco Fernandes de Queiroz e dois senhores;
4) Julio Maia e José Pereira comandavam 8 homens na barricada central, em frente à casa;
5) no muro divisor do quintal - Enedino Inácio da Silva e João Domingos;
6) - no corpo do casarão, vigiavam através dos vãos das janelas: José Rodolfo Fernandes, (filho de Rodolfo Fernandes), Amaro Silva, (funcionário federal),  Abel Freire Coelho, (promotor público adjunto), Adrião Duarte, Francisco Vidal, os irmãos Francisco e Raimundo Calixto, Herculano Barbosa, Geraldo Dunga, Joaquim Benedito, Rochinha Freire, Antonio Coló, José Grosso, Francisco Elpídio, José Romão, José Conrado, Antonio Rolim e Antonio Caldas.
Várias pessoas desarmadas ou não procuraram a residência do prefeito, por segurança. Estas pessoas ficaram no sótão da casa e na sala de jantar, e ajudavam limpando as armas e selecionando a munição. Foram elas:
7) José de Oliveira Costa, (Costinha Fernandes - sócio da firma Tertuliano, Fernandes & Cia.), José Martins Fernandes, José Ribeiro Dantas, José Miguel de Oliveira Martins, Mirabeau de Carvalho Costa e Jofily Paiva de Carvalho, (estudantes do Ginásio Diocesano Santa Luzia), Joaquim Mafaldo de Oliveira, (estudante),  Raimundo Nonato da Silva, José de Paula, (motorista do prefeito), e  Epifânio Dias Fernandes, (estudante).
A estratégia desta trincheira principal foi de extrema importância para a derrota que imposta ao grupo de Lampião. Ao final da tarde, do dia 13 de junho, os bandoleiros bateram em retirada da cidade, deixando para trás muitos dos seus elementos feridos ou mortos naquele combate. O Prefeito Rodolfo Fernandes mostrou às demais cidades do estado como não ficar refém de bandido.


Escrito por Copyright@Télescope 

Próxima a ser postada: -  II 
Posteriormente III, IV, V , VI, VII, VIII, IX, X, XI

Fontes: Memória Fotográfica


http://telescope.zip.net/historia/
http://amantesdeclio.blogspot.com.br/2012/01/as-trincheiras-de-rodolfo-fernandes.html

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope. Fontes: FERNANDES, Raul. ( 1908-1998). A Marcha de Lampião, Assalto a Mossoró. 7a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1550,  Fundação Vingt-un Rosado, outubro de 2009; Fonte do  arquivo fotográfico P&B - Azougue. Provável autor da fotografia: Manuelito Pereira, (1910-1980);  Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica. 

SERPENTES COMEM SERPENTES


Por: Clerisvaldo B. Chagas - Crônica Nº 842
Clerisvaldo B. Chagas

Em nosso livro, “Floro Novais, herói ou bandido?”, publicado em 1985, diz à página 67, sobre os apelidos que o famoso vingador alagoano dava às suas armas. “


“Floro Gomes Novais não se apartava de um revólver calibre 38 de marca “Smith & Wesson” que fazia peso na cintura e cujo apelido dera a essa arma de “Salamanta”. A tiracolo, em um dos bornais, levava o seu famoso “Colt 45” a quem chamava de “Cobra Preta”, justificando o apelido por dizer que “cobra preta não mordia, mas engolia as outras”.  As demais armas de Floro também possuíam apelidos, como o eficiente mosquetão modelo 1922, chamado por ele de “Alecrim”. Olhando pelo perigoso ângulo ofídio da Pseudoboa cloelia, ofiófaga, isto é,  comedora de outras serpentes, bem que Floro Novais conhecia as espécies sertanejas em cuja caatinga nascera e com elas convivia. A Cobra Preta também é conhecida como Muçurana, por ser parecida com o muçum, mas também recebe outras denominações. De fato, a Cobra Preta é imune ao veneno das outras cobras (menos o da Coral) e faz a limpeza da área devorando cascavéis, jararacas e outras terríveis e temidas dos sertões.

À medida que o país vai se transformando, a área política não poderia ficar imune. Com os apertos da Imprensa, Igreja, ONGs, escritores e povo, a pressão aumenta nas faltas cometidas pelos políticos em geral, principalmente em cima da corrupção e da mordomia com o dinheiro das diversas classes sociais. Nesses aspectos ainda estamos distantes de países mais sérios e mais sólidos. Agora salta a surpresa de que alguns senadores querem cortar os salários dos vereadores em municípios de até cinquenta mil habitantes. O apoio está sendo grande e a proposta poderá se tornar realidade, embora creiamos que haverá uma boa briga entre eles. Não tenham dúvidas de que o povo apoiará a iniciativa dos senadores, mas isso revela o ditado popular que diz: “Vão-se os anéis e ficam os dedos”. Os senhores lá de cima querem entregar os vereadores como “bois de piranhas”, para salvarem a pele do Senado sob pressão social do Brasil que não aguenta mais tanta safadeza dos parlamentares das três esferas.

Nós, o povo, temos obrigação de apertar o cerco contra todos eles, até que o cargo de um senador, deputado ou vereador esteja completamente limpo, sem nenhum anzol contra o dinheiro suado dos trabalhadores. Queremos entrar na lista dos países sérios também na área dos seus representantes. Mas, logo chegará à vez de todos. Por enquanto, acompanhemos de perto a manobra dos senadores imitando a arma “Colt 45” do vingador Floro Novais: Serpente sem veneno, mas engole as outras. Depois será a vez da serpente maior (povo) engolir a cobra preta. SERPENTES COMEM SERPENTES.



ATRÁS DA VIDRAÇA EMBAÇADA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

Há uma imagem indefinida, um semblante sem nitidez, uma aparente feição por trás da vidraça embaçada. É tudo opaco, apenas sombreado como se fosse uma réstia.
Ainda assim percebe-se que há gente ali porque a imagem nebulosa ora se aproxima ou se afasta, cola o rosto na vidraça, deixa os lábios estampados no vidro.
A vidraça está embaçada, porém se percebe marcas vermelhas de batom, também se avista um dedo correndo no vidro, pelo lado de dentro, escrevendo alguma coisa.
Numa aproximação maior, observando mais de perto, até que se poderia ler o que estava escrito. Certamente alguma coisa sobre saudade, solidão, amor, tristeza...


Desde ontem que uma chuva fininha insistiu em cair. A luz do quarto estava apagada, mas a cortina continuava espalhada porque aquela imagem aparecia e desaparecia por detrás da janela.
Dizem que em momentos assim, de chuviscos e jardins molhados, de noites mais escuras e entristecidas, os poetas se trancam para encontrar liberdade.
Se ela era poeta, moça de coração versejante, o momento instigava a jogar no papel tantos sentimentos construídos. Talvez em cada passo até a janela estivesse buscando um motivo lá fora.
E quanta poesia poderia nascer dos motivos existentes lá dentro do quarto, naquele ambiente sombrio e triste, e lá fora, onde parecia que a noite chorava toda a dor do mundo.
Quando a noite vai caindo parece que o baú de saudades, de tantas recordações escondidas, se abre sozinho para instigar a mente e fazer a pessoa viajar forçadamente.
E se é noite chuvosa então, eis que os pingos ou chuviscos caindo formam um ambiente solenemente entristecido e revelador de muitas angústias e aflições.
E se é noite, e é noite chuvosa, e a pessoa está sozinha dentro do seu quarto com seus sentimentos aflorados, então só restará a janela envidraçada para encontrar o mundo lá fora.
Mas que mundo lá fora poderia encontrar, se é noite, e noite chuvosa, e o silêncio só é entrecortado pelos ciscados dos insetos no jardim, as folhas se debruçando e o murmurar dos canteiros?
Lá fora não há lua iluminando os caminhos além jardim, não há o sopro da ventania trazendo notícias boas, não há o menino correndo nem o barulho das pessoas adiante.
Por trás da vidraça, com a visão que chega embaçada à vidraça e se estende molhada, não consegue nem enxergar direito a fonte, o banco de madeira, a luminária do jardim.
Passa a mão na vidraça para afastar o anuviamento que ali mais parece uma leve neblina, e ao passar enxerga um mundo lá fora igualzinho ao seu mundo de dentro: solidão.
E porque tem que encerrar o poema que começou a rabiscar, é um passo em direção à escrivaninha e outro de volta à vidraça. O pior é que a saudade está ficando mais forte ainda.
Onde ele estará agora, será que era exatamente nessa noite que passaria diante da minha janela? Será que está ali fora, todo molhando, esperando que eu abra a janela?


Não. Não, ele não está e não virá mais. Mas por que não virá mais se o mundo não acabou para nós, se apenas brigamos, se somente não estamos, mas nos amamos?
Como gostaria de beijá-lo agora, abraçá-lo, sentir-se protegida e aquecida naqueles instantes de chuva; como gostaria de tê-lo ali do lado de fora, chamando o seu nome, gritando com uma flor à mão...
E nesses momentos limpa mais a vidraça, quer abrir a janela, mas a chuva está mais forte lá fora, tudo é lavado lá fora. Então ela começa a chover por dentro...
Adormece soluçando, jogada na cama, vestida na mesma roupa da tarde e anoitecer. Levanta assustada, corre pra janela e encontra um tempo ainda indefinido.
Lembra que havia escrito um poema. Corre para a escrivaninha e lê coisas assim: “... porque o lábio não se contenta em beijar a vidraça, porque a mão não se contenta em escrever o teu nome...”.
E abre a janela porque o sol voltou a brilhar.
  
Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com



terça-feira, 14 de agosto de 2012

“LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE” EM JORNADA MEMORÁVEL

Por: Archimedes Marques

“LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE” EM JORNADA MEMORÁVEL

Clique nos links abaixo:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2012/08/lampiao-contra-o-mata-sete-em-jornada.html

O Rei do Baião em Livro

boamusicaricardinho.com

José Marcelo Leal fala sobre Luiz Gonzaga e sua importância para a cultura brasileira

“Se fosse um livro sobre Michael Jackson talvez não existisse tanta barreira”, declara o coronel da Polícia Militar e escritor José Marcelo Leal Barbosa, autor de obras importantes sobre o músico Luiz Gonzaga e que esteve em Mossoró para divulgar seus trabalhos e participar da oitava Feira do Livro.

Participando de Feiras Literárias e eventos que endossam a fileira de iniciativas pró-leitura no País, Marcelo Leal destaca que é preciso mais atenção à obra de Luiz Gonzaga. “Ele é, hoje, uma referência no que diz respeito à cultura brasileira. Num primeiro momento, Luiz Gonzaga sempre deverá ser homenageado e lembrado pela vida toda. Já vi homenagens de vários tipos, mas está faltando, em minha opinião, uma coisa, começando pela terra natal dele: está faltando valorização do seu trabalho. As rádios FMs não tocam Luiz, afora algumas... Nas AMs ainda escutamos, mas é pela manhã ou no final da noite. Ele é um músico que deve ser sempre divulgado. Foi o primeiro cantor que falou sobre ecologia, sobre Chico Mendes e, antes de tudo, um músico companheiro daqueles que queriam prosseguir na carreira”, destaca o estudioso.

A paixão pela obra do pernambucano começou aos dez anos de idade, quando ouviu, pela primeira vez, a música Assum Preto. “Quando conheci Luiz Gonzaga, eu tinha 10 anos de idade. Sempre me emocionei com as letras dele. Assum Preto foi a canção que me emocionou. Daí, escutava meu pai executando suas músicas e de lá para cá somente aumentou minha admiração pelo seu trabalho”, salienta.

O primeiro livro escrito sobre o músico, intitulado Luiz Gonzaga, suas canções e seguidores é uma referência para quem quer conhecer o trabalho do pernambucano. “Dividi minha pesquisa de campo em três momentos: o primeiro foi comprar todos os livros que falavam sobre ele. Eram 14, à época. Existiam mais, no entanto estavam fora do mercado. A primeira decisão foi essa. Li e pesquisei. Depois, comprei todos os discos, para escutar as canções e estudá-las. Resolvi, logo depois, entrevistar os familiares... a partir daí também entrevistei artistas e gente da mídia que segue Luiz Gonzaga, aqueles que continuam divulgando a vida e a obra dele. Comecei a escrever e o livro não poderia ter outro título: Luiz Gonzaga, suas canções e seguidores. Colocamos mais de 500 letras, além de músicas que ele não gravou. Fiz a ficha cadastral de todos os entrevistados. É o único, dos 40 livros sobre Luiz Gonzaga, que tem partitura para canto-coral. Também colocamos cordéis e 31 entrevistas. O segundo livro partiu do momento em que, enquanto escrevia sobre o Nordeste, verificava o quanto ele havia sido homenageado. Então, este segundo trabalho trata acerca disso”, comenta Leal.

Segundo ele, do primeiro livro mais de 70 leitores deram “feedbacks” acerca do material. “Recebi mais de 70 e-mails de leitores do primeiro livro. Eles me disseram que eu poderia disponibilizar as entrevistas. Nesse segundo volume, coloquei um CD onde disponibilizei 70 entrevistas e elas estão aí para quem quiser pesquisar... Também há 13 canções dele. A edição de 3.000 livros já está se esgotando”, comemora o cearense.

Ele percorre as feiras de livro e eventos literários para divulgar seus livros. “Participo de feiras e eventos. Deixo meus livros, por exemplo, em bancas. As livrarias estão cobrando muito caro dos autores: 50% do valor de capa. Eles vendem, mas não acho justo que fiquem com 50%. Eu, que sou o autor, fico com menos que isso, porque pago a gráfica, viagens e outras despesas. Além disso, faço doações do livro para entidades sérias, como a Apae e os asilos. Enfim, várias instituições que cuidam de pessoas mais carentes que nós. Temos que fazer essa parte de ajudar a pessoas carentes. Minha mãe, durante meio século, fez jantares para idosos... Luiz Gonzaga também ajudou a muitas pessoas, auxiliando, inclusive, com instrumentos. Doou mais de 300 sanfonas para pessoas que não tinham como comprar”, explica.

COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO

Neste ano em que se comemora o centenário de nascimento do músico, José Marcelo Leal crê que as escolas da própria cidade dele, Exu, deveriam criar uma disciplina sobre a obra de Luiz Gonzaga. “Ele levou o Brasil para a França. Não estamos precisando de monumentos, mas de uma disciplina para se estudar a vida e a obra deste músico brasileiro. Uma colega minha, a professora Elba Ramalho, da Universidade Estadual do Ceará, teve um livro publicado, fruto de um trabalho acadêmico na Inglaterra, sobre ele... Hoje, naquele país existe um busto natural de Luiz Gonzaga e se estuda sua obra. As novas gerações deveriam observar melhor isso. Muitas homenagens são feitas, agora, por pessoas que gostam da obra dele, os chamados gonzagueanos. Enfim, todos aqueles que divulgam seu trabalho. Mas, acho necessária uma maior abertura para o seu trabalho. Devemos deixar um pouco o estrangeirismo de lado e valorizar o que é nosso”, finaliza.

Fonte consultada: A Gazeta do Oeste

Adquiri no Blog do Neto

"Lampião - Texto, Tela e Palco" é a contribuição de Luiz Zanotti.

Por: Manoel Severo

O tempo parece correr solto, como nunca antes em nosso sertão... Alias não só em nosso sertão querido do nordeste, mas também pelos lados do sul, bem lá pelas bandas de baixo de nosso Brasil, mais precisamente do Paraná de nosso estimado e querido Zanotti... E nunca dantes na história deste país houve uma integração cultural tão grande como em tempos de agora. Esse imenso Brasil, de muitas culturas e tradições; continental como poucos, se debruça sobre si mesmo e consolida os laços que nos unem a todos. Coube-me fazer a apresentação da presente obra deste mesmo Zanotti, querido e estimado amigo, quero dizer: Luiz Roberto Zanotti.


A vida nos resguarda inúmeras surpresas; receber em nosso pedaço de chão, no Cariri do Ceará, terra de Padre Cícero; um paranaense da gema que se dizia apaixonado pelas coisas de nosso sertão, até parecia um pouco estranho, entretanto esse tal de Zanotti foi chegando de mansinho, bem devagar e de repente tomou conta não só da situação, mas e principalmente do coração de todos que fazem a família Cariri Cangaço; evento de cunho histórico-científico, turístico e cultural, que reúne as mais destacadas personalidades da pesquisa e estudo do fenômeno Cangaço Nordestino; em sua terceira edição. Foram seis dias que consolidaram a admiração e respeito por esse cidadão paranaense, nordestino, brasileiro do mundo.

Em nossas andanças pelo sertão tórrido, pelas veredas das caatingas de nosso Ceará, percebeu-se rapidamente a grande afinidade de Zanotti com a grande e maravilhosa Mata Branca; habitat natural de seu objeto de estudo: Cangaço. O sorriso aberto e sincero mostrava-nos um homem  reencontrando alguns caminhos perdidos, mostrava um brasileiro disposto a conhecer mais de perto uma saga que marcou gerações e pontuou em nossa história como marco de toda uma geração de homens e mulheres que habitaram essas terras muitas vezes esquecidas e por algum tempo; longo tempo, quase vinte anos; comandada por Virgulino, o "Cego véi" que se tornou Capitão, o Capitão Lampião, Rei do Cangaço.

Não seria necessário dizer da natureza do cangaço e o que ele representou para as sociedades rurais de nosso nordeste, sobretudo nos idos entre 1915 a 1940, é por demais conhecido por todos que estudam os fenômenos sociais e suas repercussões, talvez também não fosse necessário dizer da grande influência que o fenômeno acabou legando as mais variadas manifestações culturais de nossa terra e gente: Na comida, na medicina, na estética, nas artes em geral; pintura, artesanato, música, dança, teatro... E foi a partir de um espetacular trabalho de um talentoso cearense; Marcos Barbosa e o seu Auto de Angicos, que retrata através da dramaturgia os momentos imediatamente anteriores ao horror vivido pelo casal mais famoso do cangaço, Lampião e Maria Bonita, antes da morte na Grota do Angico em Sergipe; que um surpreendente Zanotti desenvolveu sua obra em Lampião - Texto, Tela e Palco.


Isento dos padrões muitas vezes habituais da abordagem do rei de todos os cangaceiros: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, que navegam entre o estereótipo de herói ou bandido, o trabalho zeloso de Zanotti nos remete a um olhar transversal, versando sobre aspectos muitas vezes deixados de lado por trabalhos que buscam tratar da mesma temática. A peça nos transporta às mais variadas e pertinentes reflexões sobre o comportamento humano, a partir da ênfase de seu personagem principal, Capitão Lampião; dessa forma só me resta dizer o quanto foi importante para nós do Cariri Cangaço, da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, contribuir, mesmo que de forma humilde com esse capítulo ímpar da dramaturgia brasileira. Parabéns Zanotti e parabéns aos leitores e espectadores...bom espetáculo.

Manoel Severo
Cariri Cangaço
Serviço


Lampião - Texto, Tela e Palco. 

307 páginas. 
Custa R$ 50,00 (Cinquenta reais) com frete incluso. 
"A venda é exclusiva" envie seu pedido via email para 
Professor Pereira: 
franpelima@bol.com.br ou se preferir ligue (83) 9911 8286.

http://lampiaoaceso.blogspot.com

Cangaceirologos Presentes a 15ª Missa em Angico

Por: Manoel Severo
Zeca, Vera Ferreira, Lily e Tomaz Cisne

Neste último mês de julho, mais precisamente no dia 28, emblemático dia do cerco mais famoso e polêmico da história do cangaço, no longíquo 1938; quando perderam a vida Lampião, Maria Bonita, mais 9 cangaceiros e o soldado Adrião, foi celebrada a 15ª edição da Missa na Grota do Angico.

Pesquisadores, historiadores, escritores, estudantes, curiosos e fãs do tema cangaço acompanharam a celebração em memória desses homens e mulheres que sem dúvidas são personagens marcantes da história de nosso nordeste e de uma época, quando protagonizaram um dos fenômenos mais discutidos : O Cangaço.

Missa na Grota do Angico

Confrades de GECC-Cariri Cangaco, Reginaldo e Tomaz Cisne

Tomaz Cisne e Aderbal Nogueira

Além da presença da neta de Virgulino Ferreira, a jornalista Vera Ferreira, tivemos ainda a família SBEC - Cariri Cangaço - GECC , presente,  com  os confrades: Aderbal Nogueira, Tomaz Cisne, Juliana Ischiara, Lily, Zeca, Reginaldo, Antônio Vilela,  Wilson Seraine, Archimedes Marques e Elane, Jairo Luiz, Professor Pereira e dona Fátima, dentre tantos outros.

Manoel Severo.

Fonte: cariricangaco.blogspot.com

Alcino, Receba nosso Abraço de Gratidão

Por: Manoel Severo
Aderbal Nogueira, Tomaz, Alcino Costa e Zeca

A mais recente Caravana rumo às terras do Sergipe, para participar da 15ª Missa na Grota mais famosa do nordeste, não poderia deixar de abraçar e levar o sentimento de todo um conjunto de fãs, admiradores e acima de tudo, amigos de coração; do querido Caipira de Poço Redondo, Alcino Alves Costa.

É uma emoção muito grande, depois de todos os sustos pregados por esse Sertanejo bom de briga, chamado Alcino, em função de sua saúde, poder chegar até a sua amada Poço Redondo, terra emblemática e imortalizada pelo amor e pelas linhas de um de seus mais ilustres filhos, e poder abraçar e compartilhar momentos únicos com esse grande ser humano chamado Alcino.

 
Lançamento do esperado Maria do Sertão, de Alcino Costa

Certamente Aderbal, Tomaz, Zeca, Juliana, puderam representar o sentimento de cada um de nós. Alcino Alves Costa está presente na vida de cada um daqueles que  gostam de uma boa prosa, de causos sensacionais do simples homens do sertão alegre, daqueles que estimam um coração leve cheio de gentilezas e amabilidades para com os amigos... Alcino você é nosso campeão! Parabéns não só pelo lançamento de "Maria do Sertão" que sabemos que lhe é uma preciosidade, mas parabéns por tudo que você representa, saiba que és e sempre será mais que especial. Saudades de você querido amigo, até mais ver...

Manoel Severo


http://cariricangaco.blogspot.com 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Família Celebra o Encontro .

Por: Manoel Severo
Casal Professor Pereira e dona Fatima também  recebem a Caravana do GECC-Cariri Cangaco 

Por ocasião da Caravana presente à Missa na Grota do Angico, mais uma vez a família sem encontra ! Sem dúvidas o encontro e reencontro desta fabulosa família Cariri Cangaço foi, é e será sempre motivo de celebração. Por quase todos os estados deste nosso amado país, confrades apaixonados pela história e memória do nordeste acostumaram-se a momentos como esses acima e abaixo, "clickados"; momentos onde matamos a saudade, colocamos a conversa em dia e acima de tudo, consolidamos este sentimento que acabou cristalizado no coração de todos: A certeza de que vale a pena construir a verdade histórica com dedicação e destemor. Parabens a todos os valorosos "Vaqueiros da História.

 Casal Archimedes Marches e Casal Francisco Pereira

Jairo Luiz, Juliana Ischiara, Wilson Seraine, Tomaz e Vilela

O que dizer desses fantásticos personagens de nossa SBEC - GECC e Cariri Cangaço: Professor Pereira e Dona Fátima, que de Cajazeiras nos transmitem tanta força, um casal que tem um trabalho inegavel na preservação  da vida, da cidadania, do amor ao próximo; de um Aderbal Nogueira, um paladino , "estranho no ninho" com um talento incomum; o discreto e querido Tomaz, sempre "pronto" para todas as aventuras; essas duas damas de ferro; Juliana e Francisquinha, mulheres que aprendemos a admirar pelo talento, coragem, firmeza... esse grande pesquisador e revelação literária que é Archimedes e sua querida Elane; o grande e sensacional Jairo, esse ícone do empreendedorismo nas áreas do turismo regional das ribeiras do São Francisco; esse Gonzagueano Seraine, sem igual em amor à música e a alma do grande Lua Gonzaga e o Cangaceiro Analfacibernético, o estimado amigo Vilela. Poderia passar muito tempo postando aqui o valor de cada um desses queridos  amigos, mas vou me despedir apenas dizendo: Parabens, vocês e toda essa grande Família Cariri Cangaço fazem a diferença.

Manoel Severo
Cariricangaco.blogspot.com

Hoje na História de Mossoró - 13 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 29 de julho de 1929 falecia, em Natal, o Cônego Estevão José Dantas, 


1.º diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, em 1902.

jocelitomarques.blogspot.com

O ilustre sacerdote era natural de S. José de Mipibu, tendo ali nascido a 13 de agosto de 1860.
               
Esteve em Mossoró, quando em 1952 aquele educandário festejou o cinquentenário de fundação, sendo saudado pelo Dr. Américo de Oliveira Costa em sessão solene em que proferiu um substancioso discurso, cheio de recordação daqueles memoráveis anos de atividade educacional nesta cidade.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

DE UMA CONVERSA AGRADÁVEL ACERCA DE CANGAÇO NA OITAVA FEIRA DO LIVRO DE MOSSORÓ

Por: Honório de Medeiros
No sentido horário, Professor Joca, Kydelmir Dantas e Honorio de Medeiros

No dia 11, começo da noite, eu e o Professor Joca, com moderação de Kydelmir Dantas, conversamos acerca de Cangaço, para uma atenta e participativa platéia na 8ª Feira do Livro de Mossoró.

O professor, que andava afastado do "mundo do cangaço" reviveu suas experiência de pesquisador, quando saiu Brasil adentro pesquisando, entrevistando e conhecendo os principais personagens dessa saga sertaneja nordestina.

Eu, pelo meu lado, mais uma vez falei acerca dos mistérios que envolvem a invasão de Mossoró por Lampião. Acrescentei, também, alguns dados que não eram do meu conhecimento quando lancei "Massilon".

Seu Kydel, serenamente, conduziu os trabalhos e, qual cangaceiro escapando das volantes, tão logo terminou a mesa-redonda, desapareceu sem deixar vestígios, não podendo participar do jantar com o qual eu, generosamente, queria lhe presentear, para agradecer uma lembrança da residência onde Childerico Fernandes e sua família residiam quando receberam a visita de Lampião fugindo de Mossoró, após a derrota, e que foi demolida pelo tempo e insensatez dos homens.

É isso mesmo. Que se há de fazer?

No mais é salientar o prazer de ter conhecido o professor Joca e ter estado, mais uma vez, falando para os mossoroenses acerca de cangaço.

ALCINO ALVES COSTA: O Velho Guerreiro Passa Bem

Por: João de Sousa Lima
Alcino Alves Costa

Nessa segunda, dia 13 de agosto de 2012, estive em Poço Redondo visitando o  amigo Alcino Alves Costa e o nosso querido decano encontra-se bem humorado e começando a levar uma vida normal.
Dentre os assuntos levantados "O Matuto do Poço" não deixou passar o tema cangaço. 
Torceremos para que sua saúde seja o mais breve possível recuperada em sua totalidade.


Um autógrafo em seu mais recente trabalho: Maria Do Sertão.


O telefone sempre em mãos para falar com os amigos.


O aperto de mão no Velho Guerreiro.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

A Primeira Eleição em Mossoró - 12 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Mossoró nasceu ao redor da capela de Santa Luzia. Um pequeno agrupamento humano foi surgindo, lento mas progressivamente, até formar o Arraial. Em meados do ano de 1838, iniciou-se a luta pela criação da Freguesia, pois esse era o caminho natural para se tornar Município. Nas palavras do mestre Câmara Cascudo, “elevar a pequenina capela ao predicativo de Matriz era o desejo de todos”. E a Matriz foi instalada em 1842. Segundo o costume da época, o poder espiritual deveria chegar antes, para preparar o terreno para o poder temporal. A primeira batalha estava vencida, mas muita ainda restava para ser conquistado. E dez anos se passara até que em 15 de março de 1852, através da lei provincial de nº 246, o povoado foi emancipado, passando a categoria de vila. Essa medida estabeleceu a criação da Câmara, desvinculando-se politicamente da cidade de Açu.


Surgia, todavia, um problema: como a emancipação foi um ato político e não econômico, já que Mossoró não era dotada de nenhuma atividade econômica que propiciasse a necessidade da autonomia, gerou uma série de atritos para definir quem assumiria o poder da vila. E a população partiu para sua primeira eleição, que seria para a Câmara e Juiz de Paz.
               
Para essa primeira eleição, dois partidos concorriam: Nortistas e Sulistas, também chamados de Liberais e Conservadores. Os Liberais eram chefiados por Irineu Soter Caio Wanderley e os Conservadores pelo Vigário Antônio Joaquim. Venceram os conservadores, numa eleição bastante conturbada, na qual elegeram o padre Antônio Freire de Carvalho, que assumiu a frente da primeira Câmara, no dia 24 de janeiro de 1853. Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo, “com a posse dos eleitos, um grupo de cidadãos recrutados no seio das mais tradicionais famílias de Mossoró, instalou-se, oficialmente, a administração autônoma do Município de Mossoró”.
               
Acontece que os conservadores procederam à eleição na Igreja Matriz de Santa Luzia. Os liberais, no entanto, reuniram-se em uma casa próxima e passaram a tramar contra a eleição que estava acontecendo. Dessa forma, mandaram os irmãos José e David do Rosário tomar o livro das atas das mãos dos conservadores. Os mesmos assim fizeram, sendo, porém, o referido livro retomado mais tarde pelos conservadores. Os liberais, despeitados com o fracasso, fizeram disparar suas armas para o lado da Igreja, sem causar vítimas. E resolveram montar também outra eleição, para tumultuar o processo. As Atas das duas eleições foram enviadas para Natal, sendo que a dos conservadores foi à aprovada. Pela duplicação da eleição, o Presidente da Província multara os Juizes da Paz liberais que eram os senhores Manuel de Souza Nogueira e Irineu Soter Caio Wanderley em duzentos mil réis cada um.
               
A chapa eleita pelos conservadores para o quatriênio 1853-1856 constava: como presidente, o padre Antônio Freire de Carvalho, como vice João Batista de Souza e como vereadores o tenente coronel Miguel Arcanjo Guilherme de Melo, Vicente Gomes da Silveira, Florêncio Medeiros Cortês, alferes Francisco Bertoldo das Virgens e o professor Luís Carlos da Costa Júnior. Eram suplentes de vereadores: Sebastião de Freitas Costa, Simão Balbino Guilherme de Melo, João Lopes de Oliveira Melo, Antônio Afonso da Silva, Antônio Nunes de Medeiros, Silvério Ciríaco de Souza, Agostinho Lopes Lima, João Martins da Silveira Junior, João Francisco dos Santos Costa, Pedro José da Costa, Manoel João da Costa, Gil de Freitas Costa, Raimundo Nonato de Freitas, Targino Lopes de Medeiros, João Batista de Oliveira, Gonçalo Soares de Freitas, Manoel Nunes de Medeiros, Manoel João da Silva, João Florêncio de Oliveira Melo, Gonçalo Lopes de Oliveira e Manuel Januário Lopes de Oliveira.
               
Tudo isso foi registrado na primeira Ata da Câmara Municipal de Mossoró. Este documento é tido como marco inicial da sua administração autônoma, pois com ela começava a história do governo de Mossoró. Mas esse documento parece ser desconhecido pela atual Câmara de Vereadores, que criou uma logomarca em que aparece uma data bem diferente como sendo a que foi instalada a primeira Câmara.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:

Luiz Gonzaga e seu Centenário acontecido no Espaço Gonzagão

Por: João de Sousa Lima

Luiz Alberto e Nildinha lançaram em sua residência, no Espaço Gonzagão o livro do escritor João de Sousa Lima, que narra as passagens do Rei do Baião na Capital da Energia.
O alegre e festivo casal sempre abre suas portas para incentivar e prestigiar a cultura local, onde tem passado uma infinidade de artistas representando suas artes.


Luiz Alberto e Nildinha: Um casal que apoiam as diversas vertentes culturais da cidade.


 Falcão, João, Deca  do Acordeon, Quaxinin, Robério e Luiz Alberto, muito forró pé de serra abrilhantando o evento do centenário de Luiz Gonzaga.


Nicy e suas belas filhas sempre prestigiando os eventos literários de Paulo Afonso.


Quaxinim, Robério e Pai de Chiqueiro.


Nildinha surpreendeu a todos cantando várias músicas com voz bonita e afinada.


O declamador Rômulo (Rominho), Krécia e sua mãe.


"O TRIO NORDESTINO": pouco ritmo e muito barulho. Luiz Alberto, Josué e João.


Raquel Arruda sempre atenta não perdeu nenhum FLASH.


O declamador e poeta Jotalunas prestigiante a arte pura da percussão.


Deca do Acordeon mais uma vez mostrou ser um dos maiores sanfoneiros da região e cantou várias canções de Luiz Gonzaga contagiando a todos.


Nildinha sempre atenciosa com seus convidados.

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima