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sábado, 2 de fevereiro de 2013

FALECEU ADALGISA ROSADO

Por: Lúcia Rocha
Adalgisa Rosado esposa do ex-governado do Rio Grande do Norte e Isaura Amélia

Faleceu na madrugada de sábado, 2 de fevereiro de 2013, Adalgisa de Souza Rosado, aos 93 anos de idade, no Hospital Wilson Rosado.   
       
Adalgisa de Sousa Rosado nasceu em Mossoró, no dia 7 de julho de 1919, na mesma casa em que viveu, na Rua Mário Negócio, com exceção de sete anos que morou no Sítio Cantópolis, período em que foi casada com Dix-sept Rosado Maia, ex-prefeito de Mossoró e governador do Rio Grande do Norte, morto em desastre aéreo em 1951, no exercício das suas funções.
      
Viúva aos trinta e dois anos de idade, quando o mais velho, Carlos Augusto tinha apenas sete anos de idade, criou os quatro filhos – além de Carlos Augusto, teve Isaura Amélia, Betinho e Jerônimo Dix-sept - que tinha apenas um mês quando o pai faleceu.
      
Adalgisa Rosado concluiu os estudos na Escola Normal de Mossoró e, após viúva, passou a trabalhar na Mossoró Comercial, empresa fundada por Dix-sept que comercializava gesso.

Adalgisa foi a primeira dama mais jovem da cidade de Mossoró e do estado, aos 29 e 31 anos, respectivamente. Assumiu a presidência da LBA – Legião Brasileira de Assistência – durante a curta gestão do marido no governo do estado.
       
Adalgisa Rosado e a sua filha Isaura Rosado

No dia 5 de dezembro de 2003 concedeu a única entrevista em sua vida, ao programa Mossoró de Todos os Tempos, exibido pela TCM, quando contou que não sabe por que foi escolhida por Dix-sept, já que ele era considerado em sua solteirice um bom partido, pois já comandava a empresa do pai desde os 19 anos de idade, tinha carro próprio, era um rapaz interessante, não demonstrava que era de família rica, mas de família boa, bem educada. Contou que ele jamais pensara em entrar para a política e foi levado por alguns políticos como Georgino Avelino, que era adversário, mas incentivado pelos amigos e, insistentemente, pelo irmão mais novo, Vingt. Dix-sept alegava que era ocupado com a empresa, que não teria tempo para a política. Mesmo assim, foi eleito prefeito de Mossoró aos 37 anos de idade e, aos 39, governador do estado.
       
À época em que foi primeira dama, Adalgisa administrava recepções que Dix-sept Rosado oferecia no Palácio Potengi, especialmente para autoridades de fora. Não havia serviço de bufê em Natal e Adalgisa comandava pessoalmente a cozinha, servindo jantar para mais de cem pessoas.

Adalgisa com netas

Adalgisa contou que não viajara no vôo fatídico, onde perdeu o marido e alguns auxiliares do primeiro escalão do governo do estado, porque estava de resguardo, amamentando o filho caçula, Dix-sept. Viúva, retornou a Mossoró, para a casa onde nasceu, passando a morar com a mãe, dona Amélia, também  viúva, que a ajudou a criar os quatro filhos, mais Frank Dantas, que adotou ainda bebê, nos anos sessenta, além de Trícia e Dixezinho, netos que adotou ainda crianças. Nos anos 90, enfrentou outra tragédia, pois Dixezinho morreu de forma trágica, aos 23 anos, em acidente na praia de Tibau.   
       
Adalgisa com netos e bisnetos

Adalgisa era envolvida com os movimentos religiosos da cidade e na política sempre atuou nos bastidores, de forma bastante discreta. Simples, não tinha vida social e evitava andar de avião. “Dix-sept era uma pessoa alegre, animada, não frequentava festas, gostava de ter os filhos sempre por perto”, dizia.
       
Adalgisa era mãe do atual chefe da Casa Civil do governo do estado e ex-deputado estadual, Carlos Augusto; do deputado federal, Betinho Rosado; da secretária de cultura do estado, Isaura Amélia; do empresário Jerônimo Dix-sept; e sogra da atual governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini.

Extraído do blog: Lúcia Rocha
http://www.luciarocha.com.br

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


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Marcolino Pereira Diniz e Xanduzinha: Imortalizados através da arte de Luiz "Lua" Gonzaga

Por: José Romero Araújo Cardoso

Discórdias político-econômicas, as quais atingiram frontalmente as estruturas de poder que embasavam o mandonismo local na República Velha, envolvendo João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque e o "Coronel" José Pereira Lima, o qual foi considerado por Rui Facó, em “Cangaceiros e Fanáticos”, como o maior chefe político do interior do Nordeste, resultaram em um dos maiores embates armados do Brasil Republicano que figura na História como a Guerra de Princesa.

A contenda envolvendo o governo do estado da Paraíba e os principais expoentes do mandonismo local, nesse estado, teve início em 28 de fevereiro de 1930, quando da invasão da então vila do Teixeira (PB), com o aprisionamento da família Dantas, ligada por profundos laços de parentescos e interesses ao clã Pereira Lima de Princesa (PB).

Imortalizados através da genialidade ímpar de Luiz Gonzaga no baião "Xanduzinha", gravado no ano de 1950, com letra do iguatuense Humberto Teixeira, Marcolino Pereira Diniz e Alexandrina Diniz foram remanescentes da campanha de Princesa. Marcolino se destacou como importante lugar-tenente do "Coronel" José Pereira Lima, a quem era ligado por laços de parentescos, sendo cunhado e sobrinho do mesmo. Os dois protagonizaram uma romântica história de amor na área de exceção do sertão de Princesa. Marcolino disputou-a com fidalguia e serenidade com outro pretendente ao casamento, o médico Severiano Diniz, discípulo de Hipócrates que cuidou, junto com o Dr. José Cordeiro, do grave ferimento recebido por Lampião no célebre tiroteio contra a volante comandada pelo Major Teófanes Ferraz Torres, no qual o chefe bandoleiro teve o tornozelo profundamente afetado por disparo de arma de fogo.

Marcolino fôra incumbido pelo primo Severiano Diniz de entregar a Xanduzinha uma missiva expressando amor eterno em cada linha, não chegando à destinatária com a mesma intacta, pois a rasgou e mostrou-lhe os pedaços, aproveitando para pedir-lhe em casamento. Xandu, incontinenti, aceitou-o como esposo na hora. Nessa disputa romântica houve divisão na família Pereira Diniz, pois uma parcela ficou a favor de Marcolino e outra favorável ao Dr. Severiano Diniz.

Xanduzinha era filha do "Major" Floro Florentino Diniz, poderoso proprietário rural em Princesa e adjacências, dono de incontáveis propriedades rurais, localizadas na fronteira com Triunfo (PE). Irmão deste, de nome Laurindo Diniz, era dono da famosa fazenda da Pedra, ond,e em 1922 o primeiro bando de Lampião, após este assumir a chefia do grupo das mãos do comandante Sinhô Pereira, foi flagrado em fotografia tirada por Genésio Gonçalves de Lima.

No embate romântico, o "Major" Floro posicionou-se favorável ao Dr. Severiano. A genitora da heroína de Princesa atendia pelo nome de Leonor Douetts Diniz, tendo se decidido em apoiar Marcolino na disputa pelo amor de Xandu.

As oligarquias Pereira Lima e Pereira Diniz enriqueceram principalmente com o cultivo e a comercialização do algodão, exportado para Europa e EUA, via Rio Branco (hoje Arcoverde, estado de Pernambuco), por ramal ferroviário da Great Western, através do porto de Recife (PE), pela família Pessoa de Queiroz, ricos comerciantes com origens paraibanas.

Patos de Irerê, localizado no sopé da serra do Pau Ferrado, a 18 quilômetros de Princesa, era o reduto de Marcolino Pereira Diniz, onde ele cuidava dos seus bois zebus nas fazendas Saco dos Caçulas e Manga, descansando após as labutas sertanejas em sua casa com varanda dando para o norte e para o sul.

Marcolino era filho do "Coronel" Marçal Florentino Diniz, poderoso e influente agro-pecuarista, dono da famosa fazenda Abóboras, localizada entre Serra Talhada (PE) e Triunfo (PE), a qual depois seria permutada pelo sítio Baixio com o "Coronel" José Pereira Lima, de quem era sogro e cunhado. A mãe do caboclo Marcolino, irmã do "Coronel" José Pereira, chamava-se Maria Augusta Pereira Diniz, filha do "Coronel" Marcolino Pereira Lima, natural de São João do Rio do Peixe (PB). O patriarca migrou dessa localidade paraibana em meados da segunda metade do século XIX e formou em Princesa um dos mais importantes blocos políticos que desfrutou a hegemonia política na Paraíba, principalmente após a consolidação do poder por seu filho José Pereira, quando do apoio a Epitácio Pessoa na disputa pelo senado na campanha de 1915, contra o Monsenhor Walfredo Leal.

A ênfase à homenagem a Marcolino e Xanduzinha posteriormente por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira foi referendada quando das refregas da campanha de Princesa, visto que a fim de viabilizar a mobilidade tática das tropas legalistas do governo paraibano que se empenhavam em desbaratar a todo custo a experiência desencadeada em Princesa, a qual com o apoio do Catete firmou Território Livre com absoluta autonomia, fragmentando-se durante meses do restante do estado da Paraíba, o Coronel Elísio Sobreira, comandante das forças militares a serviço do presidente João Pessoa, bem como Severino Procópio, delegado-geral do estado, além do Dr. José Américo de Almeida, Secretário de Interior e Justiça, dividiram o efetivo policial, composto se cerca de 890 homens, entre soldados e oficiais, em colunas volantes. O exército particular do "Coronel" José Pereira era estimado em mais de 1.800 combatentes, diversos desses egressos das hostes do cangaço e também da própria polícia militar paraibana, em razão de que muitos militares haviam sido incorporados à corporação pelo próprio "Coronel" José Pereira.

Assim, a Coluna Oeste, organizada pelo Tenente Ascendino Feitosa, responsável pelos trucidamentos do advogado João Dantas e do seu cunhado, o engenheiro Augusto Caldas, o primeiro assassino do presidente João Pessoa, fragmentou-se e partiu do povoado de Olho D'Água, pertencente na época ao município de Piancó (PB), onde estava aquartelado o comando geral de operações da Polícia Militar paraibana, dirigindo-se à Princesa, transitando pelos povoados de Alagoa Nova (hoje Manaíra, estado da Paraíba), São José e Patos de Irerê. Os comandos desta parcela da Coluna Oeste estavam incumbidos ao Tenente Raimundo Nonato e ao Sargento Clementino Furtado, o "Tamanduá Vermelho" das galhofas dos cangaceiros, cuja presença em Mossoró (RN) foi assinalada em 1927 após o frustrado ataque de Lampião a esta cidade potiguar.

Em Patos de Irerê, mais precisamente no dia 22 de março de 1930, aproveitando a ausência masculina, pois todos os homens estavam no front, os comandantes aprisionaram todas as mulheres que ali se encontravam, incluindo entre estas várias esposas dos combatentes de Princesa, havendo destaque a Xanduzinha.

O grupo comandado por Marcolino interceptou soldado de nome Zeferino, o qual transportava mensagem do Sargento Quelé a Severino Procópio. O delegado-geral do estado se encontrava na ocasião em Piancó, inspecionando atividades militares.

A mensagem transportada pelo soldado informava sobre o intento dos comandantes em marchar sobre Princesa com as reféns formando cordão de isolamento, espécie de escudo humano que objetivava garantir a segurança dos militares. Pensavam que, agindo assim, nenhum defensor de Princesa ousaria atirar nos combatentes do governo paraibano.

O efetivo dessa parcela da Coluna Oeste estacionada em Patos de Irerê era composta de cerca de sessenta homens. Não havia quase nenhuma diferença entre imaginários e ações cangaceiras e volantes, motivos pelos quais os soldados, com raras exceções, se portaram de forma vândala e arrogante durante a ocupação de Patos de Irerê.

Notificado com urgência acerca dos acontecimentos gravíssimos verificados na localidade, o "Coronel" José Pereira autorizou a composição de um grupo de resgate, comandado por Marcolino Pereira Diniz, intuindo libertar as prisioneiras. Na maioria eram os esposos das mulheres seqüestradas. As prisioneiras, quando da invasão da localidade, estavam se preparando para se dirigir a Triunfo (PE), a fim de buscar lugares seguros para se homiziarem.

O violento combate teve início no dia 24 de março de 1930, prolongando-se das oito horas da manhã até as dezesseis horas do mesmo dia. As forças paraibanas perderam mais da metade do efetivo, enquanto do lado oposto houve apenas uma baixa, um senhor de nome Sinhô Salviano desprezou as ordens e, inopinadamente, ficou sob a mira dos soldados atônitos com a intensidade da contra-ofensiva.

Os soldados paraibanos resistiram galhardamente, mesmo em desvantagem numérica, embora inexpressiva, embora se levando em conta o armamento obsoleto, em vista que lutavam com armas geralmente fabricadas em 1912, enquanto os princesenses brigavam com equipamento e munição novos, conseguidos através de um verdadeiro esquema de fornecimento, no qual havia desde a participação de Júlio Prestes ao Catete, passando ainda pela família Pessoa de Queiroz.

Houve gestos louváveis entre as partes envolvidas na luta, com ênfase às ações humanitárias de um soldado de nome Quintino, o qual se compadeceu com o choro persistente de fome de uma criança, filho de Sinhô Salviano, um dos mais aguerridos e corajosos lugar-tenente do "Coronel" José Pereira. O militar, mesmo no mais intenso tiroteio, passou a colocar pequenas quantidades de leite e açúcar em caixas de fósforos à porta da família sitiada.

Por parte das mulheres que foram feitas reféns também houve gestos de perdão e amor ao próximo. Xanduzinha empenhou sua palavra ao Sargento Quelé após a derrota fragorosa da parcela da Coluna Oeste, embora não tenha aceitado. Contudo, aceitou-a para os soldados feridos. O restante dos militares que escapou com vida se embrenhou em território pernambucano.

Antes da campanha de Princesa, e, principalmente, do ataque da Coluna Oeste a Patos de Irerê, Marcolino tinha os seus bois zebus, sua casa com varanda dando para o norte e paro o sul, seu paiol cheiinho de feijão e de andu, sem contar com mais uns cobres lá no fundo do baú. Seus estudos secundários foram realizados no conceituado Mackenzie, na capital paulista, cursando ainda até o terceiro ano da Faculdade de odontologia no Recife.

Homem rico, Marcolino era grande proprietário rural. Suas fazendas eram o Saco dos Caçulas e a famosa Manga, onde diversas vezes Lampião, com quem Marcolino firmou polêmica amizade, descansava dos combates. Quando Marcolino ficou prisioneiro em Triunfo (PB), após seu guarda-costa conhecido por Tocha assassinar em 30 de dezembro de 1923 o magistrado local, de nome Dr. Ulisses Wanderley, o "Coronel" Marçal Florentino Diniz recorreu aos préstimos do cangaceiro a fim de libertar o filho.

A fortuna do caboclo Marcolino ficou seriamente comprometida. O combate, mas, principalmente, a ira dos soldados, destruiu tudo. Canaviais, engenhos de rapadura, moendas, a casa, alvo das bombas "liberais", nada escapou, só restando ao orgulhoso agro-pecuarista os cheiros de Xandu, por quem se arriscou para libertar, reeditando em pleno sertão da Paraíba a saga de Menelau no ensejo da guerra de Tróia.
Xanduzinha saiu ilesa do combate, bem como as esposas dos mais importantes cabos-de-guerra a serviço do "Coronel" José Pereira, durante os turbulentos meses que assinalaram a aguerrida guerra civil paraibana.

A morena mais bela do sertão de Princesa manteve-se impávida ao lado do esposo durante a luta, e, após o término da mesma, recrudesceu a firmeza e a determinação a fim de reconstruir o que havia sido destruído durante as contendas, confirmando o que Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira imortalizaram: "Ai Xanduzinha, Xanduzinha minha flor/ como foi que você deixou tanta riqueza pelo meu amor/ ai Xanduzinha, Xanduzinha meu xodó/ eu sou pobre mas você sabe que o meu amor vale mais que ouro em pó".

Entrevistas pessoais:
SITÔNIO, Hermosa Góes. João Pessoa (PB). 25 de julho de 1989.
SITÔNIO, Zacarias. João Pessoa (PB). 25 de julho de 1989.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Enviado por: José Romero Araújo Cardoso

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Semana dedicada ao saudoso escritor Alcino Alves Costa - A SAUDADE QUE FICA DO CAIPIRA DE POÇO REDONDO

Por: Archimedes Marques
Archimedes Marques, Alcino Alves e Elane Marques

Você deixou tudo a tua cara
Só pra deixar tudo
Com cara de saudade.

(Alice Ruiz)

O que chamamos de morte e que na verdade é apenas o desencarne, o fim da vida terrena, é um caminho inevitável. Temos todos, um dia ou outro, hoje ou amanhã, próximo ou mais demorado, de uma forma ou de outra, que viver isso. Não porque é uma fatalidade do destino, mas porque faz parte da vida desde que a nossa vida se faz vida. Mas o que sempre esperamos, torcemos e pedimos ao Criador é que os bons, aquelas pessoas ILUMINADAS que só fazem o bem ao seu semelhante durem mais tempo, sobrevivendo aos maus. Assim cada um de nós vive, mesmo se de maneira dolorosa igual, de um jeito diferente as diferentes perdas pelas quais temos que atravessar, embora saibamos muito bem que dessas perdas ficam os seus exemplos, positivos ou negativos. E mesmo quando o tempo consegue aplacar essa dor, estancar esse dissabor, sempre fica dentro da gente aquele sentimento indecifrável de vazio junto com a saudade, sensações que perduram até chegar a nossa hora, então passando tais sentimentos para os nossos amigos que também chorarão por nós, caso mereçamos, e assim sucessivamente. É a vida daqueles que sobrevivem a vida dos seus amigos, dos seus entes queridos. Absoluta certeza tenho que não somente eu sinto essas sensações com a perda do amigo ALCINO ALVES COSTA, mas também centenas de outras pessoas, pois o CAIPIRA DE POÇO REDONDO (como ele próprio carinhosamente gostava de ser chamado) sem dúvida alguma foi um homem ILUMINADO que bem soube iluminar a todos que o cercavam, uma pessoa abençoada por Deus que irradiava e continuará na saudade irradiando luz, irradiando alegria, irradiando paz, irradiando harmonia, também irradiando determinação, irradiando a coragem do bravo sertanejo. Alcino é desses abençoados amigos que para sempre ficam guardados “debaixo de sete chaves”, pois além de tudo ele abençoava os seus amigos com a sua áurea desprovida de qualquer maldade. As diversas homenagens e eloquentes mensagens de despedidas desprendidas por seus amigos no cortejo funeral ocorrido no seu querido Poço Redondo são inequívocas provas de tudo isso que falei. Um amigo que bem soube plantar, regar e colher uma grande legião de amigos. Poço Redondo, encravado nesse nosso sertão sergipano, na escaldante tarde desse dia 02/11/2012 (coincidentemente o dia dedicado aos mortos) chorou as suas lágrimas de pesar desde a sua residência nas primeiras horas, a Câmara de Vereadores, a missa de corpo presente na Igreja da Matriz, a Prefeitura até chegar ao Cemitério local da cidade em verdadeira romaria de amigos, provando e comprovando o quão querido era e continuará sendo o poeta, compositor, escritor, pesquisador e historiador ALCINO ALVES COSTA, para mim e com certeza para a grande maioria daquele povo, até então, A MAIOR PERSONALIDADE NASCIDA NAQUELAS TERRAS. Da missa de corpo presente, além das eloquentes falas dos seus amigos, uma passagem ficará para sempre guardada na minha memória: uma rosa amarela brilhante e ensolarada retirada do nosso singelo buquê e repassada às minhas mãos pela minha companheira Elane Marques, cuja cor específica evoca sentimentos de calor, respeito, alegria, felicidade e amizade, depositada por mim sobre o caixão então fechado onde jazia o corpo do CAIPIRA DE POÇO REDONDO, rosa essa que também continha nas suas pétalas gotas das minhas lágrimas, notei como bom observador, que colocaram-na para dentro dessa urna funerária assim que fora aberta na própria igreja quando da bênção final com os Asperges sagrados de água benta realizados pelo Pároco local. Dessa minha simples homenagem e das suas conseqüências senti-me agraciado pelas circunstâncias em ver aquela rosa amarela a seguir junto com o corpo do amigo Alcino em direção ao seu descanso final. Não só os seus parentes e amigos, mas também a cultura sergipana, nordestina e brasileira perde um grande ícone. O sertão perde uma imensa parte da sua identidade. O movimento CARIRI CANGAÇO jamais será o mesmo sem a presença do grande amigo de todos os seus componentes. A história do cangaço que sem dúvidas é das mais legitimas expressão da nossa cultura, da cultura do nosso querido Nordeste, deixa de ter em “vida matéria” dos seus maiores historiadores, embora as suas obras, os seus legados, os seus escritos, os seus pensamentos, os seus entendimentos, os seus ensinamentos vivam para sempre. Com toda certeza daqui a centenas de anos ainda estarão citando ALCINO ALVES COSTA como fonte de informação, pois as águas bebidas das suas fontes e também oferecidas ao público foram águas de fontes saudáveis e não envenenadas, águas de fontes puras e cristalinas, águas das fontes de um verdadeiro CABRA-MACHO SERTANEJO que de tudo deixou a sua cara e com isso deixou tudo com cara de saudade como bem diz a escritora e poeta Alice Ruiz no preâmbulo acima citado. Ser um desses amigos de Alcino, para mim foi um dos maiores privilégios, uma verdadeira honra. De Alcino só me resta eterna gratidão por também fazer parte da sua legião de amigos. Que você seja bem sucedido também na sua nova morada amigo ALCINO ALVES COSTA e que o seu exemplo de vida ensine os bons a ser melhores!

Archimedes Marques, Delegado de Polícia no Estado de Sergipe e também escritor do cangaço. archimedes-marques@bol.com.br

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O cantor João Mossoró fará Show no "Mercadão Cadegue"

Cantor João Mossoró

O cantor João Mossoró estará se apresentando hoje (sábado - dia 02 de Fevereiro), no Mercadão Cadegue, no restaurante "CANTINHO DAS CONCERTINAS", no Rio de Janeiro.

UMA FESTA PORTUGUESA
Prestigie o artista participando desta grande festa.

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O Nordeste ganhou um novo cenário com o advento do Cariri Cangaço

Por: Nasciso Dias

Como não se encantar com essa terra tão querida ? O cariri cearense nos encanta ao primeiro encontro, palco de grandes acontecimentos históricos envolvendo Coronéis, beatos, cangaceiros e personalidades que escreveram seu nome na história do Nordeste brasileiro. O Cariri Cangaço maior evento no estudo desse tema, nos esclarece todos os acontecimentos que marcaram toda uma época especificamente nos séculos XIX e XX.

O evento reúne o mais alto gabarito de estudiosos, em palestras itinerantes  estudo de campo e discussões harmoniosas fruto de um trabalho árduo de pesquisas e estudos sérios levando todo o conhecimento com a mais alta responsabilidade. A cada evento o número de adeptos aumenta e muito é a procura mesmo após o seminário, de pessoas que querem se aprofundar no assunto.


Seja por curiosidade e principalmente por estudos acadêmicos. O Nordeste ganhou um novo cenário com o advento do Cariri Cangaço, pois a história regional passou a ser contada de maneira concisa e esclarecedora envolvendo cada vez mais os participantes. Tudo isso teve a iniciativa do nosso grande curador Manoel Severo, que abraçou essa causa desde 2009, engajado de forma corajosa em busca de parceiros para a realização do evento, graças a sua competência o Cariri Cangaço se consolidou como o maior seminário de todo país de temas regionais em especial o cangaço, ganhado o reconhecimento e a credibilidade  dos parceiros, estudiosos e pesquisadores. Um grande abraço a família Cariri.Parabéns amigo Severo e pode contar com a presença do amigo Volante/Cangaceiro e com a contribuição do GPEC -Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, "Que venha o Cariri 2013".

Narciso Dias
Presidente do GPEC
Conselheiro do Cariri Cangaço.

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Benjamin Abrahão - Entre anjos e Cangaceiros. É a novidade de Frederico Pernambucano de Mello


Esta obra tem o intuito de trazer a biografia do secretário particular do padre Cícero (1917 a 1934) e fotógrafo autorizado do cangaceiro Lampião (1936 a 1938), que possibilitou uma documentação do cangaço.

Serviço

Título: Benjamin Abrahão - Entre anjos e Cangaceiros

Autor: Frederico Pernambucano de Mello
Editora: Escrituras 
Ano de Lançamento: 2012
Assunto: História do Brasil
Número de páginas: 320
Valor: R$ 45,00 (com frete incluso). 

Onde comprar?

Com nosso revendedor oficial Professor Pereira através do E-mail franpelima@bol.com.br ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - (83) 8706 2819 (OI).

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lavras e Fideralina marcam presença na grande Festa da Prévia do Cariri Cangaço 2013

 Manoel Severo, Marcos Santos e Cristina Couto

Uma das personagens mais marcantes de toda a história do Cariri é sem dúvidas Dona Fideralina Augusto Lima, de Lavras da Mangabeira. Autêntica representante da força e da fibra das matriarcas nordestinas, a partir de Lavras influenciou por muito tempo a vida e história de nosso Ceará. Fideralina será a principal personagem do Cariri Cangaço em Lavras da Mangabeira, presença essa confirmada em recente reunião do Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo e representantes do município, tendo a frente a Secretária de Cultura, Cristina Couto.

O encontro se deu no gabinete da Assembléia Legislativaneste último dia 31, e marcou a adesão de Lavras da Mangabeira ao Cariri Cangaço 2013. Além de Manoel Severo e de Cristina Couto, participaram os Assessores do município, Marcos Santos e Jeová Batista.


Para Manoel Severo “já aguardávamos a chegada de Lavras da Mangabeira; terra de meu amigo Melquíades Pinto Paiva; que se juntará aos demais anfitriões do Cariri Cangaço, sem dúvidas não poderíamos abrir mão de mostrar para todo o Brasil a força, a história e a tradição que possui Lavras, sobretudo com a história sem igual de Dona Fideralina e o Clã dos Augustos, é aguardar e conferir no Cariri Cangaço”.

Já Cristina Couto, secretária de cultura do município destacou “ a grande alegria em promover em Lavras o Cariri Cangaço tendo a oportunidade de resgatar os valores históricos de nossa cidade e o prefeito Dr. Gustavo AugustoBisneto já confirmou todo o apoio ao evento, estamos de braços abertos para receber a todos nesta grande festa”.

 Fideralina Augusto Lima

Lavras da Mangabeira sediará a primeira prévia do Cariri Cangaço no ano de 2013, “será um aquecimento para o grande Cariri Cangaço, então para aguardar setembro chegar, teremos essa avant premier, que só poderia ter a marca de outro grande município: Lavras” ressalta Severo. O Assessor de Marketing do evento, jornalista Heldemar Garcia esclarece, “as prévias do Cariri Cangaço serão eventos realizados em várias cidades do nordeste, como precursores do evento, com programação similar ao Seminário Cariri Cangaço, em formato menor, de dois dias: com palestras, debates, discussões, apresentação de vídeos e livros, além de visitas técnicas, e dessa forma, as prévias começam exatamente vestidas de luxo, a partir de Lavras da Mangabeira, logo logo estaremos divulgando a data do Cariri Cangaço – Lavras, aguadem!”

Tudo isso e muito mais enquanto Setembro não chega:

Lavras da Mangabeira por inteiro na Grande Prévia Cariri Cangaço 2013.

Redação Cariri Cangaço

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Convite



Convite

Convidamos aos sócios e amigos do GECC (Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará) para nossa reunião mensal no próximo dia 05 de Fevereiro as 19 horas. Excepcionalmente se realizará na Churrascaria Chopp Grill (Rua Júlio Siqueira n° 580; esquina com a Rua José Vilar, no bairro Dionísio Torres). Contamos com sua presença. Dentre outros assuntos teremos as prévias do próximo cariri cangaço.

Atenciosamente

Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-Ce

Enviado por: 
Capitão Jorge Alfredo Bonessi - pesquisador do cangaço.

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Semana dedicada ao saudoso escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa

Por: Kydelmir Dantas

PARTIU O MAIOR DEFENSOR DA VERDADE HISTÓRICA SOBRE O MASSACRE NA GROTA DA FAZENDA ANGICO

Alcino Costa partiu... Foi pra terras do benvirá? Só Deus, na sua onipotência, o sabe.

Conheci o Mestre nos idos de 1995, quando do primeiro contato telefônico. Depois, quando veio a Mossoró lançar a primeira edição do seu “Lampião Além da versão: Mentiras e Mistérios do Angico”. 

Amizade que não foi pega em arapuca nem feita em mesa de bar... Respeito mútuo numa relação de pai pra filho, de irmãos nas hostes da pesquisa cangaceira. 

Admiração do pupilo pelo seu Mestre... Foi o que sempre senti pelo Caipira de Poço Redondo.

Neste dia primeiro de novembro a SBEC ficou mais pobre e menos feliz, com sua partida; tanto pela defesa em busca da história, quanto pela eterna alegria ao reencontrar seus amigos. Assim era Alcino... Assim nos lembraremos dele.

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço.

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Centenário de Falecimento do Coronel Totonho do Monte Alegre

Por: João Tavares Calixto Jr

Neste ano de 2013 anota-se a passagem do centenário de morte de uma das figuras mais atuantes da historiografia aurorense, e por que não dizer, do cenário coronelístico nordestino. Antônio Leite Teixeira Netto, o Coronel Totonho Leite, ou ainda, Coronel Totonho do Monte Alegre, como era mais lembrado. Tornou-se amplamente, por enroupar-se com as características inerentes ao coronel de baraço e cutelo, famigerado. Entendido por besta, as vezes bestial, serviu de referência por muito tempo ao mundo pretensioso do coronelismo, onde sua figura era temida ou venerada e sua palavra era lei

Assumiu pela primeira vez o posto de Subdelegado de Polícia do pequeno Distrito da Venda da Vila das Lavras, à época, a principal autoridade policial do lugarejo, aos 12 de junho de 1883, tendo sido exonerado aos 5 de novembro de 1884, sendo substituído por Ernesto Teixeira Rabello.  

Foi nomeado pelo Governador Benjamim Liberto Barroso ao cargo de Intendente Municipal da Vila d'Aurora após a exoneração de João Francisco Leite, ocorrida em 1º de março de 1891. Permaneceu por dois anos a frente do Conselho de Intendência Municipal da Vila d'Aurora, entidade ao qual participou como membro fundador, juntamente a João Francisco Leite, Antônio Francisco Carneiro Monteiro, Firmino Bezerra de Medeiros e José Antônio de Carvalho, em 1890, co-elaborando a primeira Lei Orgânica do Município no mesmo ano de 1890.

Joaryvar Macedo, autor de "Império do Bacamarte"

Toma posse novamente em 11 de junho de 1907 ao cargo de Intendente, nomeado pelo Presidente do Estado no dia 5 do mesmo mês e ano. Por ter apeado do poder o seu sobrinho e também coletor em Aurora, Antônio Leite de Oliveira, discorreram sobre ele, como resultado de vingança e perseguições políticas, um dos mais tétricos causos desta página penumbrosa da história de Aurora e do Nordeste brasileiro, que à época, declinava-se ao amargo dissabor das questões resolvidas ao relampejante pestanejar das lâminas do punhal e da estampida e fumacenta alçada do bacamarte. Sobre o desfecho da deposição, acrescentamos o que disserta Joaryvar Macêdo em Império do Bacamarte (Fortaleza, 1990, p. 96):

“Abrindo campanha contra o sobrinho, o chefe de Aurora passou a convocar grupos familiares, aliás, de modo geral, muito entrelaçados ali, no sentido de aderirem a ele, em seu desiderato. Os que se recusaram a compartilhar do conluio, pela circunstância de serem amigos, correligionários ou ligados por laços de parentesco a Antônio Leite de Oliveira, acabariam vítimas de acerbas perseguições. Entre estas, estavam os Paulinos, que foram espancados sob o comando de um elemento do coronel Totonho, de nome José Gonçalves Pescoço. Posteriormente, revidariam a agressão. Por isso, houve um ataque ao sítio Pavão, de propriedade do coronel Cândido Ribeiro Campos, vulgo Cândido do Pavão, tio dos sobreditos Paulinos, aos quais o cacique aurorense pretendia capturar. O coronel Domingos Furtado veio, então, em auxílio do coronel Cândido, que transferiu os sobrinhos para o Taveira, como já se sabe, nos limites de Aurora com Milagres. Lá, o chefe local, o mencionado coronel Domingos Furtado, os garantiria”.

Estando protegidos no Taveira os Paulinos, enviou o coronel Totonho ao Governador do Ceará, Nogueira Acióli, pedido de força, que fosse suficiente para prendê-los no lugar. Da mesma forma, o chefe de Milagres coronel Domingos Furtado, não mediu esforços para providenciar-lhes a defesa. Outro, este, motivo cabal para desenvolver-se o famoso cerco ao sítio, conhecido por fogo do Taveira. Neste ambiente político tumultuado de Aurora, à época, foram vitimados, à semelhança dos Paulinos, os Macêdos do Tipi. Ainda sem forte inserção na virulenta cloaca da politicalha do município, a família mentoreada por Marica Macêdo (nesta época já casada em segundas núpcias com Antônio Abel de Araújo), sofreu também represália por parte do citado coronel Antônio Leite Teixeira Neto. Eram muito estreitos, entretanto, os laços de familiaridade entre os citados. Referimo-nos que a esposa do coronel Totonho (Ana Isabel de Macêdo ou Naninha) era sobrinha do primeiro esposo de Marica Macêdo (Cazuzinha), e deste casal, viu-se uma filha (Joana da Soledade Landim), matrimoniar-se com Vicente Leite de Macêdo, filho do predito coronel Totonho (CALIXTO JÚNIOR, J. T. Venda Grande d'Aurora. Fortaleza, 2012, p. 113-115).

Quando o coronel Totonho ameaçou retirar do poder Antônio Leite de Oliveira, por intermédio do filho Vicente Macêdo, cunhado dos filhos de Maricav Macedo, conseguiu a adesão deste, que, entretanto, recuaram a pedido dela. Com efeito, ela os obrigou a não tomarem parte na questão, porquanto o supracitado Antônio Leite de Oliveira fora dos maiores amigos do seu primeiro marido e, ademais, José Francisco de Sales Landim, irmão dela, era casado com Joana Leite de Oliveira, irmã do mesmo Antônio Leite de Oliveira. Foi desta forma que Marica Macêdo com sua gente passou a figurar no rol dos desafetos do coronel Totonho do Monte Alegre.

 Pesquisadores Sousa Neto e Bosco André na Fazenda do Major José Inácio, em Barro

Não se permite, entretanto, discorrer sobre este personagem marcante do coronelismo do Nordeste, sem que sejam citados dois dos mais contundentes episódios de Aurora, escritos com sangue: O ataque ao Sítio Taveira, de 16 para 17 de dezembro de 1908, e o massacre da Vila d'Aurora em 23 de dezembro de 1908, fatos estes dos mais bárbaros e representativos da historiografia do coronelismo regional desse período inicial do século passado. Sobre o primeiro evento, deu-se por inimizade aos membros da família Santos que atuavam desregradamente na área do Coxá, local de residência de muitos familiares e correligionários do Coronel do Monte Alegre. Por coincidência, escondia-se Marica Macedo com sua família no sítio Taveira, quando de viagem ao Cariri, sob ameaça de ataque ao seu sítio Tipi, pelo mesmo Coronel Totonho. No ataque, cai tombado Cazuzinha, que a época vivia com 17 anos. Ao chegar ao destino, reduto dos coronéis entrelaçados em forte parentesco com Marica, encontraram um clima de revolta, totalmente inconveniente ao Coronel Totonho e demais aurorenses envolvidos no massacre. A chegada sofrida da família constituiu em motivação fortíssima para a vingança violenta que ocorreria em 1908, no dia 23 de dezembro, onde cerca de 600 cangaceiros, comandados pelo Coronel José Inácio do Barro, fizeram sucumbir a pequena Vila d'Aurora após seis horas de intenso tiroteio. Casas foram incendiadas, assim como o comércio e fazendas, chegando a se ver estupros em moças de família, guardando-se o pior tratamento para as pessoas ligadas ao coronel Totonho Leite. 

Os aurorenses que permaneceram na vila sofreram inomináveis violências por parte dos vândalos. O coronel Totonho fugiu para o Crato, donde foi ter ao oeste paraibano. Ali, refugiou-se no antigo São João do Rio do Peixe, à sombra do padre Joaquim Cirilo de Sá, mais conhecido por padre Sá, vigário da localidade e político de prestígio no Estado da Paraíba.

Não se demorou muito o Coronel Totonho no vizinho Estado da Paraíba. Em notícia do periódico caririense O Rebate (p. 2), de 25 de julho de 1909, apontam-se os nomes dos cidadãos Antônio Leite Teixeira Netto, Joaquim Vasques e Francisco Róseo, todos residentes na Vila de Aurora, como sendo os celerados convidados pelo Cel. Antõnio Luiz, do Crato, para tomarem a ombros a incumbência de acabamento e de destruição, fornecendo-lhes instruções, conforme o pensamento geral, para arrancarem acintosamente os marcos da demarcação do Coxá, requerida pelo Padre Cícero. Tendo conhecimento do episódio a Justiça local, mandou-se às pressas postarem-se quatrocentos homens aos pés dos aludidos marcos, guardando-as dos malfeitores, que pouco resistiram, sendo afinal batidos por aquela força, fugindo todos em debandada para o Crato, em cujas ruas alojaram-se. Não caíram mesmo assim os marcos, continuando de pé.

 Dona Fideralina

Aos 13 de julho de 1910, em depoimento realizado ao Juiz Alfredo de Oliveira, em Lavras, afirma Joaquim Vasques Landim, o famigerado Quinco Vasques (o bravo caririense), terem sido alguns aurorenses, os mandantes da tentativa de deposição ao coronel Gustavo Augusto Lima, de Lavras, um dos mais importantes régulos do período coronelístico nordestino, filho da matrona Fideralina Augusto Lima. Ocorreu este cerco aos 6 de abril de 1910, com a invasão de cerca de 300 cangaceiros a fim de atear-lhe do poder lavrense. Do auto de perguntas, informa o réu terem sido Manoel Gonçalves Ferreira, Antônio Leite Teixeira Neto e Davi Saburá, os aurorenses mandantes do assalto ao coronel Gustavo Augusto de Lavras: “Antônio Leite concorreu com um conto de réis em dinheiro que lhe foi entregue por Joaquim Torquato, Manoel Gonçalves Ferreira concorreu com duas cargas de balas de rifles, entregues pelo mesmo Joaquim Torquato e Davi Saburá concorreu com um conto de réis em dinheiro, também entregue por Joaquim Torquato”. Indagado, ainda, Quinco Vasques, sobre a interferência de outros suspeitos no ataque ao coronel Gustavo, acrescenta nos laudos do interrogatório, o que segue: “(...) além desses mandantes o influenciaram mais para este ataque, Joaquim Torquato, José Torquato, Simplício Torquato, os filhos de Antônio Leite, Isaías e João, assim como quase todos os deportados de Aurora (...)”.

Sobre o objetivo do ataque, informou: “era depor o coronel Gustavo e tomarem depois conta da cidade, a fim de melhor ser facilitada a retomada de Aurora, da qual seria novamente chefe, Antônio Leite (...)”.Veio a falecer em 1913, no dia 10 de dezembro, na Vila d'Aurora, vítima de complicações cardíacas e já em idade avançada. Operando de forma ativa no truculento litígio do poder em Aurora, foi ainda, além de Intendente Municipal e Subdelegado de Polícia, Vereador e Juiz Substituto. 

João Tavares Calixto Junior
Fonte:http://lavrasce.blogspot.com.br/2013/01/centenario-de-falecimento-de-antonio.html

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De Norte a Sul: Cariri Cangaço 2013 !


Prezado amigo Severo. Tudo farei para estar presente nesse evento que, tenho certeza, será um grande sucesso. Um forte abraço.

Carlos Megale
Belo Horizonte - MG


Severo. Viva o Cariri Cangaço!

Daniel Walker
Juazeiro do Norte - CE


Valeu meu amigo Severo, conte comigo !!
Grande abraço,

Dario Castro Alves
Fortaleza - CE


Que venha o Cariri cangaço 2013!!!
 Meu amigo Severo, conte também com minha presença nesta nova caminhada de conhecimentos, de descobertas, de alegrias e principalmente de um novo reencontro com esta família maravilhosa e tão unida que é a Família Cariri Cangaço. Grande abraço.

Ana Lucia Granja Sousa
Petrolina - PE



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Métodos de sangramento utilizados por volantes e cangaceiros.

Por: José Romero Araújo Cardoso(*)

O sangramento era um dos crimes mais hediondos cometido no sertão nordestino no tempo do cangaço, praticado tanto por tropas volantes, as quais dispunham de “sangradores oficiais”, como por cangaceiros.
          
Símbolo de uma cultura forjada pela colonização erigida sob a ênfase da força e da violência, responsável pelo extermínio dos índios que habitavam a hinterlândia, a “técnica” de sangramento foi aperfeiçoada ao máximo. A razão econômica da penetração interiorana exigia que o gado criado de forma ultra-extensiva fosse, necessariamente, abatido para o consumo de uma minoria privilegiada da população, principalmente a do litoral canavieiro. No sertão, se tornou um “trabalho de mestre” matar sangrando a jugular ou a carótida.
          
As carótidas são duas artérias, a comum direita e a comum esquerda, sendo que a comum direita é originária do tronco braquiocefálico e a comum esquerda é originária do arco aórtico. A ruptura dessas artérias significa morte certa. A hemorragia violenta na via arterial do fluxo de sangue da aorta se encarrega de tudo.
          
Quando o soldado João da “mancha”, considerado inclusive por seus antigos colegas de farda, como um psicótico, extravagante sangrador das forças volantes paraibanas, rompeu, com um bisturi pertencente ao medico Luiz de Góes, a carótida do advogado João Dantas, assassino do presidente João Pessoa, quando de sua detenção na penitenciária do Recife (PE).    João Dantas estava preso na companhia do cunhado, o engenheiro Augusto Caldas, também assassinado com a mesma “técnica”. O “serviço” fora feito por um profissional macabro que conhecia muito bem o seu “ofício”. O militar sabia milimetricamente onde iria romper a artéria, visto que a luta corporal travada entre o intrépido advogado João Dantas e os seus algozes impediu o seccionamento no ponto exato, como pretendia Dr. Luiz de Góes. Conforme Arruda, só alguém que estava profundamente em contato com a “arte” de sangrar poderia ter feito um “trabalho” com tamanha perfeição.
          
As veias jugulares, outras que também eram preferidas pelos “sangradores” das lutas do cangaço nordestino, são de extrema importância para o organismo. A veia jugular interna é a principal. Ao rompê-la é quase impossível de haver qualquer possibilidade de salvação, a não ser que haja modernas técnicas de reversão, como presença de médicos e hospital, praticamente inexistentes nos ermos esquecidos dos sertões de outrora, embora ainda hoje encontremos tal situação em diversos lugares espalhados pelo nordeste e pelo Brasil afora.
          
Com o comprometimento da veia braquiocefálica, poucas chances de vida havia às vítimas desse suplício macabro promovido por solados e bandidos no sertão do cangaço, principalmente quando do apogeu de Lampião. Essa veia se anastomisa com a veia braquiocefálica direita, formando a veia cava superior, de fundamental importância à manutenção da vida.
          
Lampião era expert nesta técnica, dispondo para isso de imenso punhal de setenta centímetros de lâmina. Tarimbado na lida do campo, sobretudo no que diz respeito à pecuária, fornecendo peles e couros ao “Coronel” Delmiro Gouveia, com quem a família Ferreira negociava, o “rei do cangaço” inovou e utilizou-a profusamente quando de sua chefia no cangaço (1922 – 1938).
          
A veia jugular externa, quando rompida, representa morte certa. Essa veia é constituída da junção da veia retromandibular com a veia auricular posterior, e, após vários estágios de grande importância, desembocará, mais freqüentemente, na veia subclávia.
          
Segundo o Coronel Manuel Arruda de Assis, sobre quem há registros históricos indeléveis, tendo marcado de forma extraordinária a história das lutas do povo do semi-árido nas primeiras décadas do passado século, outro método bastante utilizado por ambas as partes envolvidas nas lutas, consistia em perfurar a clavícula, introduzindo-se, com violência, o instrumento perfuro-contudente diretamente na aorta, junto ao coração.
          
Depois da hecatombe de Piancó (PB), ocorrida no mês de fevereiro do ano de 1926, cuja participação do velho guerreiro das hostes volantes, natural do município de Pombal (PB), fora decisiva e marcante, houve aprisionamentos de militares da coluna Prestes, bem como da cozinheira da milícia que pregava novos rumos. Era uma baiana conhecida entre os revoltosos por tia Maria. Apenas um escapou da triste sina, devido aos apelos de muitos no sertão,  inclusive do Padre Cícero.
          
Conforme ainda o entrevistado, um prisioneiro quando do sangramento pelos militares comandados pelo Coronel Elísio Sobreira, revelou ter feito muito isso quando da marcha da coluna, entre os diversos combates que travou.
          
Ainda em Piancó (PB), Arruda relembrou a chacina do barreiro, a qual vitimou o Padre Aristides Ferreira e diversos camaradas que lutaram bravamente para tentar conter o avanço da coluna. Todos foram sangrados por membros da coluna, consternados com as mortes dos cavalarianos que formavam a vanguarda da Coluna Miguel Costa – Prestes, os quais chegavam na cidade de Piancó (PB), e terminaram alvejados pela pontaria certeira do então sargento Manuel arruda de Assis.

Entrevista Pessoal:

ASSIS, Manuel Arruda de Assis. Pombal (PB), 27 de abril de 1989.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor da UERN.

Enviado pelo autor: José Romero Araújo Cardoso

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Novo livro na praça - Lampião em Alagoas

Autores: Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto

O livro tem 468 páginas.

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O Paraíso dos Mossoroenses II - 01 de Fevereiro de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento
Geraldo Maia e Dr. Vingt-un Rosado

Tibau está localizada na região litorânea do Médio Oeste Potiguar, na divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará. É, como se diz, o paraíso dos mossoroenses. E a paixão dos mossoroenses por essa praia vem de longos anos. Através de velhos jornais locais, existentes no Museu Municipal, colhemos notícias que datam do início do século passado. O professor Vingt-un Rosado, através de seus escritos, nos revela depoimentos de pessoas que conheceram Tibau em épocas passadas. Dessas informações tiramos fragmentos que nos permite conhecer um pouco da história antiga de Tibau.



Ficamos sabendo, por exemplo, que em 1908 mantinham casas em Tibau os seguintes cidadãos: Major Migas, que tinha uma pequena bodega para fornecimento de gêneros de primeira necessidade; Dr. Almeida Castro, que era médico em Mossoró; o Major Zeta Cavalcanti e o farmacêutico Jerônimo Rosado. Sobre Jerônimo Rosado há um depoimento bem interessante. Seu Rosado, como era mais conhecido o farmacêutico, era pai de “numerosa e numerada família”, no dizer do seu filho mais novo Vingt-un Rosado. Consta que todo ano ele fretava 2 carros de boi puxados cada um por 4 parelhas, colocavam cuidadosamente todos os seus familiares e saiam em demanda da praia de Tibau onde passavam grande temporada. Os carros, que eram cobertos com couro de boi espichados para fazer sombra sobre a meninada que enchia o lastro dos carros, saíam cantando e rodando lentamente pelo areial, numa jornada que levava até dois dias para chegar ao final. Seu Rosado saia de Mossoró pela madrugada, dormia em Gangorra para no outro dia alcançar Tibau. A casa da praia era pequena, de piso batido e coberta com palha. E por passarem ali grande temporada, como já foi dito, Seu Rosado levava uma professora que lá se encarregava de ministrar os conhecimentos referentes ao curso primário a meninada. A professora em questão era Dona Lutgardes Guerra, que era filha de Felipe Guerra.
               
Por volta de 1918 e 1919 foram construídas várias casas na chapada do morro dentre as quais achava-se a de Antônio Florêncio de Almeida e o afamado chalé de Delfino Freire, todo construído em madeira, pregada a pregos de cobre, plantada em cima da pedra do chapéu, na divisa natural do Rio Grande do Norte com o Ceará. “Seu” Delfino era grande comerciante em Mossoró.
               
Por volta de 1926/1927 foi construída a Capela de Santa Terezinha, onde foi celebrada a primeira missa pelo Padre Manoel Barreto.
               
A estrada de rodagem Mossoró-Tibau foi construída em 1932 pela Associação Comercial de Mossoró, que tinha como superintendente o Sr. Alfredo Fernandes. Os recursos havia sido adquiridos pela Associação nas diversas praças do país, como auxílio aos flagelados da seca, conforme noticia o jornal “Correio do Povo” em sua edição de 29/05/1932. “As antigas viagens para Tibau eram feitas por dois caminhos e algumas variantes: um pela Gangorra-Canto dos Bois-Tibau e o outro pelo caminho que ia para a Barra ganhando-se a praia 18 Km, que distavam até Tibau, os quais somados aos 36 Km da Barra até Mossoró totalizavam 54 Km.” Dix-sept Rosado Maia, quando Governador, mandou piçarrar a estrada em toda a sua extensão. O Governador Dinarte Mariz, atendendo reivindicação do seu Secretário de Educação Dr. Tarcísio Maia, construiu a atual estrada que liga Mossoró a Tibau.
               
A primeira linha de transporte coletivo para Tibau surgiu por volta de 1942 com uma “sopa” de propriedade do Sr. Cícero Gadê. 
                
Continua no próximo domingo

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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