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quarta-feira, 3 de abril de 2013

CASA VELHA (COM UMA FLOR À JANELA) (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*

CASA VELHA (COM UMA FLOR À JANELA) 

Uma casa velha no sertão. Não na cidade nem nos povoados, mas na beira da estrada de chão batido, lá nas distâncias de tudo.

Uma casa velha e empobrecida, de barro batido e cipó, telhado de pouca telha e muita palha ressequida, em cujas brechas davam para se avistar uma lua imensa, bonita. E também por onde entravam raios de sol escaldante.

Na casa velha uma pequena família. O marido e a esposa e dois filhos. Ele sem ter o que plantar nem colher, desempregado de tudo, aperreado de enlouquecer. Ela também sem ter o que fazer. Sem barro no barreiro não havia como moldar nem pote nem panela.

Os dois filhos vivendo o sofrimento da inocência esquecida pela sorte e pelos poderes públicos. Sem escola nas redondezas, não tinham como estudar. Sem comida na panela, com apenas uma pedacinho disso ou daquilo, também quase não tinham o que comer.

Casa de barro e a família também, não seria engano dizer. E barro prestes a despedaçar, estilhaçar a qualquer momento. Ele com uma dor escondida. Ela com uma dor remoendo. Os filhos na dor chorada. A fome. A fome também causa dor na barriga, no estômago, no pensamento.

Nem precisava falar da fome. Ela estava em todo lugar, nua, gritando, impossível de ser suportada. Mas tinha de ser. Gente grande suporta essa dor, mas os pequeninos não. Dor danada de acontecer. Fome terrível por todo lugar.
Duas panelas de barro, porém emborcadas, em cima de uma mesa velha. Também duas de alumínio penduradas numa trempe de canto de canto de parede. Pratos de alumínio arrumados um sobre o outro e as colheres por cima. Tudo empoeirado. Quase sem uso.


Dois potes e uma moringa. Em apenas um pote se avistava o barro do fundo molhado. Sinal que ainda tinha água, mas bem pouquinha mesmo. Como costumeiro acontecer, não havia cobra enrodilhada por trás do fundo do pote. Diante da situação, certamente que havia preferido morrer debaixo do sol.

A moringa estava fazia, mas colocada no umbral da janela. Segundo a crendice daquele povo, mesmo vazia ele tinha de ser mantida ali. A boca vazia, virada pra cima, acabava gemendo de sede. E tal gemido era ouvido pelas forças da natureza. E somente assim a chuva poderia cair mais depressa.

Desse modo, dia e noite e noite e dia e a moringa ali de boca aberta, sedenta, no umbral da janela. Só que os dias passavam, também os meses, e nada de seus rogos serem atendidos. Nenhuma nuvem de chuva, nenhuma gota d’água caindo.

Preocupados apenas em olhar a moringa de vez em quando e lançar os olhos sem brilhos para o céu azulado e o sol escaldante, jamais atentaram para o que acontecia logo ao lado da moringa, num cantinho do umbral.

Ali, calma e silenciosamente, foi crescendo uma plantinha. Mesmo sem gota d’água derramada por cima, mesmo sem jamais qualquer adubo, verdejou a ponto de fazer surgir uma florzinha vermelha. Apenas uma.

Os dias passavam, a preocupação aumentava com a seca, a fome e a sede se alastrando cada vez mais. E quando olhavam em direção à janela procuravam enxergar apenas a moringa como salvação. Mas a florzinha estava ali.

Mas o que fez com que aquela flor vermelha brotasse daquela plantinha estranhamente nascida ali, sem qualquer grão ter sido jogado por cima do barro duro? Sim, como uma planta poderia ter surgido das raízes do barro petrificado, como o existente naquela janela?

Se a fé do povo ainda não havia surtido efeito com relação aos rogos saídos da boca da moringa, outra coisa aconteceu. Tanto o pai como a mãe, fugindo do olhar das crianças, corria para chorar na janela. No cantinho da janela.

Não chorava do lado que estava a moringa, mas do outro. E neste lado, cada lágrima caída foi sendo acolhida pelo barro como semente. Até vingar, brotar e virar flor. Uma flor vermelha na janela.

E a natureza, tão encantada com a florzinha ficou que passou a temer pelo seu futuro naquele mundo de sequidão. E por isso fez a chuva cair por todo lugar. Um mundo de benção caída do céu para alimentar o jardim do lugar: o povo, a terra, a vida...


(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com


Cariri Cangaço Opinião

Por: José Cícero
Festa de abertura do Cariri Cangaço em Aurora

Quão lisonjeiro e gratificante é a doce experiência de se viver toda a emoção de, literalmente termos mergulhados no fundo da história destes sertões do mundo. Principalmente em meio a uma sensação de alegria e contentamento quase descomunal, numa sinergia coletiva entre aqueles que procuram o tempo todo viver e sentir os fatos históricos na sua compleição mais forte e verdadeira, quase como uma profissão de fé.

Na sua grande maioria, pesquisadores, escritores e historiadores deveras apaixonados que são pela temática dos sertões e, em particular, do fenômeno do cangaço desde a sua gênese. Tendo como pano de fundo, o papel exercido pela ínclita figura de Virgulino Ferreira da Silva - O Lampião, rei do cangaço e os seus comandados, além de coronéis, beatos, jagunços, coiteiros e volantes.

Uma grande multidão de aficionados, dos mais diversos e distantes rincões do Nordeste (quando de outras partes do Brasil e do mundo) reunidos em torno de um tema no mais das vezes, recorrente e por demais palpitante. Movidos todos eles, pelo combustível incontrolável da curiosidade, da leitura e da pesquisa como um farol sempre a serviço da verdade e da ciência social. Uma multidão de abnegados pesquisadores, cuja paixão pela história lampiônica é quase uma marca indelével, notadamente na visão dos que desejam sempre quere aprender um pouco mais.

José Cícero recepcionando o Conselho do Cariri Cangaço em Aurora

Um considerável ingrediente que há muito tem fomentado a produção de conhecimento, chamando a sociedade (em especial a acadêmica) a pensar e se debruçar sobre toda uma série de questões a partir do enfoque do cangaço e seus desdobramentos. E, é bom que se diga, o Cariri Cangaço tem jogado um papel de destaque neste processo. Assim como outros eventos do mesmo naipe, que ora acontecem em outras paragens do Nordeste e pelo País afora.

Quem sabe, como uma profunda cicatriz deixada na própria pele (destes sertanejos curiosos), por espinhos de antigos mandacarus durante as inumeráveis andanças e incursões pelas inóspitas caatingas nordestinas.

Uma declaração de guerra em favor do bem. O bom combate anunciado como que por meio de medievais trombetas sertanejas, sobre os chapadões destes grotões caririenses. Uma sensação de alegria sem tamanho, estampada nos olhos, bem como no peito de todos estes verdadeiros vaqueiros visionários de uma saga sem fim, chamada cangaço.

Cariri Cangaço visita o Caldeirão do Beato Zé Lourenço

Pulsão de quase morte a nos impulsionar às andanças e à pesquisa, buscando conhecer um pouco mais daquilo que, de fato, aconteceu um dia neste sagrado chão e pelas bibocas desconhecidas de uma elite ainda hoje preconceituosa.

Sem dúvidas, num gesto da mais evidente ousadia dos que, ainda não se deram por satisfeito diante da mentira de uma história descrita e escrita pelos vencedores. E assim, decidem por si mesmos, ir além. Muito além da versão daquilo que há muito se convencionou a chamar de história oficial.

Diante de todo este incomensurável contentamento e disposição para este mergulho profundo e perigoso na história, ficamos a nos perguntar: Que força e que energia (talvez sobrenatural) nos impulsionam a esta grandiosa empreitada? Que motivação será tão forte, a ponto de fazer com que homens e mulheres das mais diferentes classes, profissões, idades, concepções, crenças e lócus geográficos; desconhecendo distâncias venham se compor como num verdadeiro exército de desbravadores pós-modernos ansiando ver de perto os nossos sertões hodiernos? A face cruel da história. Os resquícios do passado que sobreviveu a toda escuridão tenebrosa dos anos idos...

Que argamassa inquebrantável possui a fantástico história do cangaço ainda hoje, ao ponto de mexer o mais profundamente possível com todos nós pesquisadores e entusiastas desta temática?

Será que, como dizem os opositores, estamos implicitamente a enaltecer bandidos? Não. Isso não.


O que estamos na verdade, ao meu juízo, é lançando um novo olhar justo, preciso e necessário sobre a fenomenologia dos acontecimentos que, por mais de cem anos, impregnou os sertões e a sua gente de grandes percalços, marcados pela miséria e pela injustiça de toda sorte.

Independentemente, portanto, de enxergarmos (por exemplo) Lampião, quer seja como herói ou como bandido - o cangaço por seu turno, como um fenômeno eminentemente social e político, deixou sua marca na historiografia de todo o interior nordestino. E Virgulino Ferreira, o Lampião, quer queira ou quer não, foi o seu protagonista maior. De tal maneira que não poderá passar despercebido neste estudo de casos e acontecimentos. É fundamental que conheçamos nossa verdadeira história...

Como de resto, é mister que se diga que, só após as estripulias de Lampião com seu bando, foi que o sertão ´passou´ a ser visto de uma outra maneira pelos poderes do litoral. Contudo, parte daquela antiga realidade ainda persiste, vez que a ótica dos poderosos também permanece tal qual como no passado: míope, excludente, injusta, massacrante, discriminante e mentirosa.

José Cícero
Professor e pesquisador do cangaço
Fonte:http://diariodonordeste.globo.com

http://cariricangaco.blogspot.com

Temas do evento A chegada de Sinhô Pereira ao Cariri Cangaço

Por: Jorge Remigio


Quando setembro vier, teremos o prazer de desfrutar a convivência por quase uma semana, com grandes personalidades do meio cangaceirístico, como também, de muitos amigos e amigas formados no seio desse encontro grandioso e singular, que é o CARIRI CANGAÇO. Este prima por dar um caráter cultural, didático e educativo ao evento, como também, tem a força de interagir plateias e pesquisadores nos seminários que sucedem nas cidades acolhedoras que fazem parte do circuito. A notícia da inclusão e discussão em seminário do personagem Sinhô Pereira, foi muito acertada. 

Continue lendo clicando no link abaixo:

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2013/04/temas-do-evento.html

O rei do baião e Dominguinhos


O rei do baião Luiz Gonzaga, apresenta o mestre Dominguinhos! Viva a cultura nordestina! Quem tem talento é assim mesmo.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

"Fidalgo", mas nem tanto. Lampião comia... também com as mãos!

Por: Ivanildo Silveira(*)

Na foto abaixo, vê-se o Rei do cangaço comendo utilizando as mãos, enquanto dois cangaceiros se servem com prato e colher.


Compulsando a literatura cangaceira, vamos encontrar que os hábitos cangaceiros, no tocante à alimentação, eram os mais variados. Cada cangaceiro possuía seu copo/caneco, sua colher, o prato e a cabaça/ cantil para depósito dágua.


Entre os alimentos destacavam-se: Farinha, carne de sol, rapadura, café, sal, leite, coalhada, galinha, bode, caças em geral etc... Some-se a isso, também, as frutas silvestres que eram consumidas, inclusive cactos (xique-xique, coroa de frade..etc..), quando havia muita falta dágua.

As carcaças dos animais (peles e ossos) eram enterrados, a fim de que a podridão dos mesmos, vista pelos urubus que rondavam o local, não os denunciassem á policia. Quando desarmavam as barracas/tordas e abandonavam o "coito", deixavam um odor de ciganos.


(*)Ivanildo Alves Silveira é Colecionador do cangaço Membro da SBEC

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2010/06/lampiao-comia-tambem-com-as-maos.html

terça-feira, 2 de abril de 2013

Aldenor Nogueira-familia camboa

Por: Grismarim

É a segunda postagem que escrevo neste blog  a respeito de Aldenor.


Conheci Aldedor muito bem durante os anos que vivi em Mossoró. Era primo do meu pai, Manuel Nogueira de Lucena. Foi radialista, professor primário, vendedor de jornal e vereador. Um dos seus mais brilhantes programas na rádio Difusora de Mossoró era: Crepúsculo  Sertanejo às seis horas da manhã.

Foram  estes os antepassas de Aldenor Evangelista Nogueira, em linhagem familiar:

1 - Alferes Manuel Nogueira de Lucena, comandante da ribeira de Mossoró, casado com Firmiana Rosa dos prazeres.

2 - José de Góis Nogueira, casado com Quitéria Francisca de Oliveira, comandante das praias da ribeira de Mossoró. 

3 - Jerônimo da Rocha Nogueira, casado com Joaquina Guilherme de Melo.

4 - Francisco de Góis Nogueira, casado com Maria Querubina da Soledade. 

5 - João Evangelista Nogueira (caneca+-), casado com Martinha Evangelista, de quem nasceu Aldenor Nogueira, que se casou em primeiro matrimônio com Luzia Filgueira do Couto, e em segundo matrimônio com Luitgard Pereira, nascendo dos dois matrimonio vários filhos de ambos os sexos. Alguns dos quais com grandes destocas em meio da sociedade Mossoroense, no campo militar e magistratura.., -.  ;

Extraído do blog: Família Camboa, do pesquisador Grismarim.

http://familiacamboa.blogspot.com.br/2013/04/aldenor-nogueira-família-camboa.html

Evento Cangaço Sousa

Por: Wescley Rodrigues

Nobres amigos(as),

Saudações cangaceiras!

É com enorme alegria que comunicamos a todos(as) que estamos articulando uma versão do Cariri Cangaço na cidade de Sousa – PB e Nazarezinho – PB, a realizar-se no mês de junho. O evento, que intitulamos “Parahyba Cangaço”, é uma parceria que estamos travando entre o Cariri Cangaço e o Centro Cultural Banco do Nordeste, localizado na cidade de Sousa – PB.

Dessa feita, convidamos todos(as) para participar de mais um evento cultural que, antes de tudo, além de promover um debate profícuo sobre o nosso Nordeste e sertão, possibilita um reforço das nossas raízes e tradições culturais.

Por questões práticas estamos pensando em dois dias, um sábado e domingo, sendo que o evento iniciaria na tarde do sábado e se estenderia até o domingo pela manhã. Ainda não temos a data fixa, só confirmamos o mês de junho.

O evento envolverá duas cidades, a cidade de Sousa – PB e Nazarezinho – PB, terra do cangaceiro Chico Pereira. Na oportunidade, além de voltarmos os debates para o cangaço na Paraíba, é pretensão encabeçarmos um manifesto na cidade de Nazarezinho, para o restauro e preservação pelo poder público, da casa de Chico Pereira, que está deteriorando-se devido à ação do tempo. Sendo que, assim como foi feito em Paulo Afonso e Serra Talhada com a criação do museu na casa que pertenceu a família de 


Maria Bonita e Lampião, tal seria feito também na antiga propriedade da família de Chico Pereira. 


Isso é uma forma de protegermos o patrimônio material e cultural do cangaço, haja vista que um povo sem história e sem símbolos ou monumentos que sinalizem para o seu passado, é uma povo com identidade fluída.

Além do mais, o encontro possibilitará um aprofundamento sobre a emblemática figura de Chico Pereira, cangaceiro de grande relevância para o cangaço na Paraíba e tão pouco conhecido e explorado pelos estudiosos do cangaço.

A priori gostaríamos de agradecer ao Centro Cultural Banco do Nordeste por acolher a iniciativa, a direção e funcionários, e de forma especial aos Srs. César Nóbrega, Sérgio Silveira e Irís que juntamente conosco estão encabeçando o evento.

Esperamos entusiasmados a presença de todos(as), e em junho nos encontramos em Sousa.

Abraço fraterno.

Prof. Wescley Rodrigues
Sousa - PB

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Wescley Rodrigues

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Pais e irmãos de Manoel Duarte Ferriera

Por: José Mendes Pereira

Manoel Duarte Ferreira era filho de Francisco Duarte  e de Maria Vicência Duarte.

Francisco Duarte e Maria Vicência Duarte

Seus irmão eram:

Emanuel Duarte Ferreira,
José Duarte Ferreira,
Francisco Duarte Filho,
Luzia Duarte Ferreira,
Cristina Duarte Ferreira,
Maria Duarte Ferreira, 
Raimunda Duarte Ferreira,
Luiz Duarte Ferreira,]
Casimiro Duarte Ferreira, Raimundo Duarte Ferreira e
Tentora Duarte Ferreira.

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Pau-de-Arara, A Música.

Por: Kydelmir Dantas (*)

Pesquisando a obra fantástica de Luiz Gonzaga, o nosso eterno Rei do Baião, encontramos a música título deste artigo. 


Costumeiramente encontramos na internet e até em revistas de âmbito nacional, com publicações direcionadas a um público específico, - que as pessoas confundem com o título de outra composição - que não foi gravada pelo Gonzagão: “Último Pau-de-Arara”. Esta “Pau-de-Arara”, autoria do Luiz Gonzaga e Guio de Moraes, disco de 78 RPM gravado no ano de 1952 (www.luizluagonzaga.com.br), cuja letra é a seguinte:

Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xóte, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão.

Porém, gostaria de informar que a canção “Último Pau-de-Arara” não é do grande mestre da sanfona e rei do Baião Luiz Gonzaga. 


A composição dessa música é de Venâncio, Corumbá (dois dos mais conhecidos compositores e cantores da tradicional música sertaneja) e José Palmeira Guimarães, este último mais conhecido por seus amigos por Palmeirinha e, ainda hoje, desconhecido do grande público. Foi gravada no LP do Fagner em 1973.

Parte da poesia foi censurada, à época e, posteriormente gravada num CD do Coral da Petrobrás, no ano 1996, sob a regência do Padre Pedro Ferreira da Costa, em Natal (RN). Nesta versão, foi colocada a parte censurada, conforme abaixo:

ÚLTIMO PAU-DE-ARARA - Composição: Venâncio/Corumbá/J. Guimarães.
Intérprete: Coral da PETROBRÁS – Natal – RN - CD VOZ & ALMA – 1996.
“NÃO ADIANTA IR EMBORA,
PRA SÃO PAULO OU GUANABARA,
O PATRÃO QUE AQUI ME EXPLORA
ME ARRANCA OS OLHOS DA CARA
É O MESMO PATRÃO DE LÁ
E O DEUS DE LÁ É O DAQUI
SÓ DEIXO MEU CARIRI
NO ÚLTIMO PAU-DE-ARARA.”

Outra gravação, apresentando outra versão, segundo o poeta, cantor e compositor paraibano, um legítimo seguidor de Jacson do Pandeiro, Biliu de Campina; a música de Venâncio e Corumbá e letra original de JOSÉ PALMEIRA GUIMARÃES, foi gravada no CD - Forró Pé & Cabeça de Serra – 2005, do próprio Biliu de Campina, cuja capa encabeça este artigo.


(*) Escritor, cordelista, escritor, pesquisador e sócio da  
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

http://lentescangaceiras.blogspot.com.br/search/label/Pau-de-Arara%20-%20A%20M%C3%BAsica%20%28Kydelmir%20Dantas%29

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JOHN, UM NEGRO DA TERRA

José Ribamar Bessa Freire - 31/03/2013 - Diário do Amazonas


Ele nasceu, em 1956, nos Estados Unidos. Era americano. Portanto tinha, inapelavelmente, que se chamar William ou John. Ficou John. Mas por ser filho de português, seu destino era ser registrado como Manuel ou Joaquim. Acabou herdando o Manuel do pai. E foi com esse nome composto - John Manuel - que veio de mala, cuia e Machado para o Brasil, onde criou raízes, filhos, livros e deixou marcas.

Aqui deu aulas, palestras e conferências, organizou eventos, iniciou estudantes na pesquisa, formou mestres e doutores, fez discípulos, vasculhou arquivos, pesquisou, escreveu, publicou, amou e foi amado, apaixonou-se pela história indígena e abrasileirou-se tanto que se transfigurou em negro da terra, termo consagrado em um de seus livros sobre índios e bandeirantes.

Foi ironicamente na Rodovia Bandeirantes, em Campinas, na terça-feira, que um táxi desgovernado chocou o carro dirigido por John, eliminando um dos expoentes da história indígena. Ele morreu no local, aos 56 anos, no auge de sua vida intelectual, vítima da guerra absurda do trânsito, que no Brasil mata anualmente mais do que qualquer guerra civil. Na última quinta-feira, 28 de março, depois de velado no salão da biblioteca, na Unicamp, foi levado para o Crematório na Vila Alpina, em São Paulo.

Índios e bandeirantes

O historiador John Manuel Monteiro era paulista, mas paulista de Saint Paul, Minnesota, onde nasceu. Lá, muitos moradores descendem de alemães e escandinavos, que migraram para os Estados Unidos no final do século XIX, encurralando a população nativa em reservas indígenas, que hoje sediam cassinos. Quando os portugueses e hispânicos chegaram, os índios já eram minoria discreta, mas capazes ainda de despertar o interesse de um pesquisador sensível e generoso como John, um paulistano de coração.

Desde a graduação em história, no Colorado College (1974-78), ele vinha buscando entender o processo de colonização portuguesa nos trópicos, inicialmente em Goa, na Índia, e depois no Brasil. No mestrado (1979-1980), focou seu interesse sobre o Brasil Império, no século XIX, e finalmente no Doutorado (1980-1985) na mesma Universidade de Chicago, debruçou-se sobre a escravidão indígena, os bandeirantes e os guarani de São Paulo.

Quando o conheci, em 1992, apresentado por Manuela Carneiro da Cunha, ele trabalhava com ela num grande projeto interdisciplinar, de âmbito nacional, que procurava localizar, mapear e avaliar a documentação manuscrita sobre índios existente nos arquivos de todo o Brasil. Fui convocado para coordenar a equipe do Rio de Janeiro. Com John, entramos em cada um dos 25 grandes arquivos sediados no Rio. No final, ele organizou a publicação do Guia de Fontes para a História Indígena e do Indigenismo em Arquivos Brasileiros.

O objetivo do projeto era criar uma ferramenta para combater a cumplicidade da historiografia brasileira que "erradicou os índios da narrativa histórica" ou tentou "torná-los invisíveis". O Guia foi elaborado por equipes que reuniu mais de cem pesquisadores em todas as capitais do país, coordenados por John Monteiro. Localizou muitos documentos desconhecidos e até então inexplorados, criando as condições para "repensar, de forma crítica, tanto o passado quanto o futuro dos povos indígenas neste país".

John Monteiro trazia considerável experiência em pesquisa documental nos arquivos das Américas, da Europa e da Índia. Publicou, em 1994, o livro seminal Negros da Terra: Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo. Lá, apoiado em farta documentação, redimensiona o papel dos índios na história de São Paulo e desconstrói a baboseira de que o bandeirante paulista contribuiu para alargar e povoar o território brasileiro. Recoloca na história do Brasil, como sujeito, o negro da terra ou gentio da terra, expressão usada para designar o índio escravizado.

ACESSE O TEXTO NA ÍNTEGRA: 
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1026

Extraído do blog Pesquisando a História do pesquisador Urano Andrade

http://uranohistoria.blogspot.com.br


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Chicó, o maior mentiroso do sertão

Escrito por:  Marco Haurélio
Chicó (Selton Mello) do filme de Guel Arraes, inspirado no livro de Ariano Suassuna

O famoso Chicó é um mentiroso de mão cheia, contador de causos como ninguém, ele foi o escolhido para celebrarmos, hoje, o dia da mentira. Agora, quando você contar aquela história de pescador e alguém ficar perguntando, querendo entender, responda: "não sei, só sei que foi assim!" que tá resolvido.

Leia trecho do cordel "Presepadas de Chicó e astúcias de João Grilo" do escritor Marco Haurélio.

Chicó contava vantagem,
Mas o povo não ligava,
Toda noite para ouvi-lo
A multidão se ajuntava,
Porém não tinha sequer
Um que nele acreditava.

João Grilo dizia sempre:
— Chicó, tenha mais cuidado,
Pois a sua língua grande
Pode deixá-lo enrascado
Se um dia se deparar
Com algum cabra malvado.

Chicó dizia: — Qual nada!
Nunca me meto em engano:
Já irriguei o deserto
Com as águas do oceano,
Mandei fazer uma ponte
Ligando Marte a Urano!

Já matei onça de tapa
E leão com pontapés,
Já tirei água de pedra,
Como um dia fez Moisés,
Em casa tenho uma árvore
Que produz contos de réis!

João Grilo disse: — Chicó,
Nem mesmo lá em Pequim
Um pé-de-pau dá dinheiro
Ou a água do mar tem fim.
Chicó respondeu: - Não sei;
Eu só sei que foi assim...

Porém, meu amigo João,
Agora vou lhe contar
Uma história verdadeira,
Dessas de se admirar,
Que mesmo o cabra incrédulo
É forçado a acreditar:

No sertão do Ceará
Vi três matutos correndo
Atrás de uma tartaruga –
Parece que inda estou vendo –
Mas vou descrever os três
Pra você ficar sabendo.

Cada um deles levava
Consigo uma carrapeta.
Mas o primeiro era mudo
O segundo era perneta;
Já o terceiro era cego,
O quarto surdo e maneta.

E foi o cego quem viu
A tartaruga matreira.
O mudo falou pra ele:
— Acabou-se a brincadeira!
Depois gritou o perneta,
Que se danou na carreira.

Mas quem pegou a bichinha
Foi o sujeito cotó,
Vendeu-a para um mendigo,
Ficou mais rico que Jó.
É a mais pura verdade,
Quem lhe garante é Chicó.

Mas isso, João, não é nada,
Já fiz coisa mais incrível
Que, se lhe contar, você
Pensará ser impossível.
Pra você pode até ser,
Mas não pra alguém do meu nível.

Eu tenho um grande criame
De abelhas no meu quintal.
Tentei contar as colmeias –
Confesso que passei mal –
Pois nem em quinhentos anos
Descobriria o total.

Porém contei as abelhas,
Que passavam de um trilhão!
Vendo que faltava uma,
Quase perdi a razão
Mas para minha alegria,
Vi o seu rastro... no chão.

Entrei mata adentro e vi
Minha abelhinha caída,
Com duas raposas velhas
Numa batalha renhida.
Saquei de grande peixeira,
Pra defender minha vida.

Rumei a peixeira nelas,
Que saíram em disparada;
A peixeira se perdeu
Dentro da mata fechada.
Então, matutei um jeito
De sair desta embrulhada.

Logo peguei o meu binga,
Fogo na mata botei,
E desta forma, as raposas
Pra bem longe afugentei.
Quando o fogo se apagou,
Minha peixeira encontrei.

Porém sobrou só o cabo,
O ferro foi derretido.
Corri até o ferreiro,
Contei o acontecido:
E pedi que refizesse
O ferro, que foi perdido.

Mas ele se confundiu
Por ter cabeça de vento
E me fez um anzol reto
Pra eu pescar ao relento.
Joguei o danado n’água,
Puxei e veio... um jumento!

Veio com bruaca e tudo,
Então nele me montei.
Os quartos da abelhinha
Fujona, avante encontrei.
Quando espremi, dez mil litros
De mel bem puro tirei!

Porém não tinha os barris.
E estando no mato só,
Resolvi armazenar
Todo o mel no fiofó
Do meu jeguinho, contudo,
Confesso: fiquei com dó.

Passado algum tempo houve
No sertão grande secura;
Nas costas do meu jumento
Cresceu grande matadura,
De tanto carregar peso
Em sua jornada dura.

O jumento carregava
Bastante mercadoria
E, para minha surpresa,
Presenciei, certo dia,
Germinando em suas costas
Feijão, milho e melancia.

Então, peguei o machado
E dei um golpe no centro
Da melancia, porém
O machado caiu dentro.
Olhei o buraco e disse:
— É aqui mesmo que eu entro!

Lá dentro da melancia
Avistei em disparada
Um vaqueiro procurando
A sua enorme boiada.
Pedi seu adjutório:
Ele me deu uma escada.

Para subir os degraus
Foi terrível o escarcéu,
Pois saí da melancia
E fui bater lá no céu.
Lá Maria Madalena
Me ocultou em seu véu.

Acabei voltando à Terra
Cavalgando num corisco,
Que caiu em Xique-xique,
Nas bandas do São Francisco,
Mas aprendi a lição –
Hoje sou um cabra arisco.

Postado por Tuíca do Cordel

http://luzdefifo.blogspot.com.br

Exposição Itinerante Luiz Gonzaga Centenário


Data: 01 a 06 de abril de 2013
Local: NIT - Limoeiro do Norte - CE - Ao lado da Igreja Matriz - centro.


No encerramento (06/04/13)haverá um DEDO DE PROSA GONZAGUIANO, comandado pelo Reginaldo Silva e com a presença de 2 autores que recentemente lançaram livro, no Centenário do Rei do Baião:


Onaldo Queiroga (Pombal - PB), autor do livro O BAIÃO EM CRÔNICAS. 2012.

Kydelmir Dantas (Mossoró - RN), autor do livro LUIZ GONZAGA E O RN. 2012.

Enviado pelo escritor poeta e pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas


http://blogdomendesemendes.blogspot.com