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quinta-feira, 25 de julho de 2013

A MORTE DO CANGACEIRO QUE CONHECI

Publicado em 24/07/2013 por Rostand Medeiros
Junto a Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro, em outubro de 1999
 Junto a Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro, em outubro de 1999 - Rostand Medeiros

Morreu nesta quarta-feira o último cangaceiro do bando de Lampião, Manoel Dantas Loiola, de 97 anos, mais conhecido como Candeeiro. Ele faleceu na madrugada de hoje no Hospital Memorial de Arcoverde onde estava internado desde a semana passada, após sofrer um derrame.

Na semana passada, quando me encontrava no Sertão do Pajeú, na boa companhia dos amigos André Vasconcelos, de Triunfo, o poeta Alexandre Morais, de Afogado da Ingazeira e Álvaro Severo, de Serra Talhada, soubemos que ele estava bastante doente e fiz minha oração como cristão, desejando a sua melhora. Quando soube da notícia, na mesma hora me lembrei do encontro que tive com o cangaceiro Candeeiro.

Manoel Dantas Loiola, o Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro e sua esposa, na tranquilidade do seu lar 
Manoel Dantas Loiola, o Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro e sua esposa, Dona Linda, na tranquilidade do seu lar

Foi no dia 23 de outubro de 1999, há quase quatorze anos, quando discretamente comecei a sair por este sertão afora em busca de sua história, de sua gente, de sua cultura e de sua gênese.

Naquele dia, em um distrito da cidade pernambucana de Buíque, eu conheci na verdade “Seu Né”. Foi através do depoimento de Manoel Dantas Loiola, o Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro, que comecei a compreender que o entendimento do tema cangaço jamais se resume na tola pergunta “-Foram os cangaceiros heróis, ou bandidos?”, que muitos insistem em fazer e eu tolamente também me fazia.

Lembro-me quando chegamos ao seu comércio e ele me olhou de um jeito inquisitivo, até mesmo duro. Mas depois de um primeiro contato, percebi estar diante de uma pessoa muito tranquila e discreta. Não quis conversar sobre o cangaço na sua casa comercial, mas em sua residência, onde fomos magistralmente bem recebidos por ele e sua esposa, Dona Linda.

Com ele fiz a minha primeira entrevista com alguém envolvido em um fato histórico da minha região. A conversa fluiu franca e aberta e o rolo de fita K7 parecia pouco para tanto papo.

Muito bem recebido pelo antigo membro do bando de Lampião
Muito bem recebido pelo antigo membro do bando de Lampião

Em um dado momento do nosso diálogo, sem maiores pretensões, sapequei a seguinte questão “-Mas Seu Né, o Senhor se considerava um bandido?”.
Nessa hora percebi que tinha passado uma linha meio complicada das memórias daquele homem. Deu para ver que sua mulher ficou nitidamente tensa. Primeiramente ele me olhou primeiramente de um jeito inquisitivo e depois relaxou. Vai ver que percebeu que a minha pergunta não tinha malícia. Mas foi a segurança de sua resposta, sem nenhuma grosseria, que eu jamais esqueci…

“-Eu nunca fui bandido, fui cangaceiro!”.

Aquela resposta criou em mim um desejo enorme de entender porque aquele homem tinha aquele pensamento, tinha aquela identidade. Desse dia em diante eu compreendi que, não apenas a história do cangaço, mas praticamente muitos aspectos ligados a história do Nordeste do Brasil é bem mais complexa do que podemos imaginar. E você só obtém respostas se cair em campo, elas não caem do céu e na vida real o “CRTL-C & CRTL-V” é uma piada.

As palavras de candeeiro conseguiram abrir em mim uma dimensão que não percebia. Até então a ideia que tinha era que os cangaceiros eram tão somente marginais, foras da lei. Para corroborar esta minha ideia, bastava olhar uma das antigas fotos dos grupos de cangaceiros e ver alguns crimes saltavam aos olhos; ali estava bem caracterizado o bando, ou formação de quadrilha e o uso de armas restritas as Forças Federais (como não sou da área de Direito posso errar na informação do crime).

Pois bem, depois de ouvir a firme diretiva do ex-cangaceiro Candeeiro, comecei a perceber que ali havia uma forte ideia de identidade. De uma identidade própria, estranha, exclusiva e dela o Seu Né, pelo menos naquela fase de sua vida, muito se orgulhava. Talvez seu orgulho fosse o mesmo que um militar sente de sua farda, de sua patente e de suas medalhas. Comecei a ver que se os tais “Guerreiros do Sol” eram só bandidos, porque a roupa tão marcante? A mesma roupa que alcançaria uma inigualável e única característica.
Segundo os jornais afirmam  o Seu Manoel Loiola ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirmava que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.

Segundo o meu amigo José Mendes, de Mossoró, este 'Cadeeiro nos tempos do cangaço - Fonte - http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2011/04/porque-reuniao-no-coito-do-angico.html
Segundo o meu amigo José Mendes, de Mossoró, este é Cadeeiro nos tempos do cangaço-
http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2011/04/porque-reuniao-no-coito-do-angico.html

Ele me comentou que entre o momento que entrou no cangaço, até a morte de Lampião, aqueles foram momentos inesquecíveis de sua vida.

Os jornais comentam que Candeeiro afirmou que nos quase dois anos que ficou no bando tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião, exigindo dinheiro de grandes fazendeiros e comerciantes. Sempre retornava com o pedido atendido. Estava na Grota do Angico, quando da morte de Lampião e Maria Bonita e figurou entre os que conseguiram escapar. No dia do ataque, já estava acordado e se preparava para urinar quando começou o tiroteio. Candeeiro recebeu um balaço no braço, que deixou uma cicatriz e por esta razão sempre andava de camisa de manga longa. Mesmo ferido no braço direito, conseguiu escapar do cerco. Dias depois, com a promessa de não ser morto, entregou-se em Jeremoabo, na Bahia, com o braço na tipoia. Com ele estavam outros 16 cangaceiros e cumpriu dois anos na prisão.

por este sertão afora em busca de sua história, de sua gente, de sua cultura e de sua gênese
Por este sertão afora em busca de sua história, de sua gente, de sua cultura e de sua gênese

Aquele encontro em outubro de 1999 foi extremamente estimulante para que eu continuasse saindo por aí, ao longo destes anos percorrendo os caminhos empoeirados atrás da história da minha região. Lembro-me que depois daquele encontro eu já estive em locais como Canudos, locais da passagem da Coluna Prestes, combate do Rio Formoso, Juazeiro do Padim Cícero, Pau da Colher, Caldeirão, os fanáticos da Serra do João do Vale, Missa do Vaqueiro, palmilhando o caminho de Lampião no Rio Grande do Norte, o cangaço e a guerra na região de Princesa, as fortalezas do nosso litoral nordestino e até o tema da Segunda Guerra Mundial, que é tão importante na história da minha amada cidade Natal.

Nessa ideia de conhecer a história da minha região, da qual tenho enorme orgulho de ser natural, o meu desejo é sempre buscar algo mais. E tudo começou com Seu Né.

Requiescant in pace cangaceiro…

P.S. - Bem, sei que alguns poucos daqueles que pesquisam sobre este tema podem até considerar ridículo tantas linhas para falar de um único encontro com este cangaceiro, que não era uma pessoa de ponta dentro do processo estratégico do bando de Lampião e por alguém que não esteve com tantos protagonistas que vararam as caatingas de chapéu de couro de aba quebrada e arma na mão. Tudo bem, mas pelo menos eu consegui extrair do contato com este ser humano algo que se tornou não apenas uma notinha de rodapé em algum trabalho inútil.

Publicado no blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço: Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com

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OS ESQUECIDOS (MEMÓRIA E VIDA DEPOIS DO CANGAÇO) - III

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa


Somente por iniciativa de Alcino Alves Costa, um ex-prefeito municipal, pesquisador e escritor das coisas nordestinas e principalmente cangaceiras, a história daqueles meninos e meninas, depois homens e mulheres alquebrados da luta, não foi completamente esquecida. Coube a ele tirar muita areia daquele chão pedregoso em busca de um depoimento confiável, de uma “verdade verdadeira”. Somente mais tarde foi domando aqueles temores para ter diante de si um vasto leque das tantas proezas.

Como a população não dava - e continua não dando - qualquer importância aos guerreiros das caatingas, muitas vezes apenas os familiares tinham conhecimento do passado dos seus e procuravam resguardar os seus feitos dentro de quatro paredes, nos baús do esquecimento. Raríssimos os casos onde outras pessoas estranhas ao círculo familiar respeitavam aquele passado, demonstravam algum interesse e procuravam repassar o que conheciam.

Foi assim que por muito tempo a história de Zé de Julião permaneceu sob o mármore frio do esquecimento. Nem sua família nem seus filhos (teve várias mulheres depois da morte de Enedina no Angico) eram vistos perante a figura do pai famoso. Mas famoso como, se relegado às sombras do esquecimento? Afamado pela história, ainda que não pelo conhecimento de seu percurso de vida. José Francisco do Nascimento, seu nome de batismo, certamente foi a personagem mais emblemática, mais fascinante e mais injustiçada de todo o sertão sergipano.


Ora, filho de família rica para as posses sertanejas de então. Seu pai, Julião do Nascimento, era proprietário de muitas terras e rebanhos. Casou ainda muito moço com Enedina - que mais tarde o acompanharia na vida cangaceira - e por ali permaneceu ajudando nos afazeres familiares. Possuía a leitura, a escrita e o senso crítico como os grandes diferenciais naquela povoação sertaneja de imensa maioria analfabeta e empobrecida.

Contudo, foi a visão própria de mundo, permeada de conscientização crítica, que modificaria o seu destino. Como afirmado, tomava-se de extrema revolta todas as vezes que via ou ficava sabendo dos contumazes desmandos policiais, submetendo maldosamente o pobre sertanejo. E não só os mais humildes como aqueles se sobressaíam economicamente, pois o seu próprio pai, Julião do Nascimento, muitas vezes fora vitimado pela vil ganância da tropa infame. Constrangia e ameaçava qualquer um em busca de obter todo tipo de vantagem, principalmente econômica. E aquele povo já tão sofrido não merecia tal tipo de tratamento, na visão revoltosa do filho de Seu Julião.

Tomado de indignação e sentindo que por ali não havia justiça séria e capaz de dar um basta naquelas tantas injustiças, viu no ideário cangaceiro a única forma de combater aquela situação opressora. Abusos e absurdos protagonizados pela polícia, que era a mesma volante que vivia no encalço do bando de Lampião. Então viu o  cangaço como bandeira de luta, como forma de combater os desmandos se alastrando.

Foi aceito no grupo juntamente com sua esposa e nele foi alimentando sua luta até a chacina de 28 de julho de 38. Conseguiu sobreviver ao ataque da volante alagoana comandada por João Bezerra, mas viu sua querida Enedina ser mortalmente atingida. Sem a companheira, sem o comando do grande Capitão, sem meios de prosseguir na luta armada, procurou refazer sua vida com outros planos.

Mas não era nada fácil a vida de ex-cangaceiro. Foi perseguido, caçado, tido como valioso prêmio. Sempre acossado, vagueou pelo sul da Bahia, retornou a Sergipe, passou uma temporada no Rio de Janeiro até retornar novamente a Poço Redondo, dessa vez para resolver problemas familiares, vez que o seu pai havia falecido. Seu desejo era permanecer no seu lugar, tomando conta do seu quinhão na herança, mas teve de retornar a Nova Iguaçu para cuidar de outros negócios seus deixados por lá.

Ainda naquelas distâncias, saudoso, martirizado pela vontade de retornar de vez, não suportou mais e decidiu regressar. Ao retornar dá início ao seu plano maior: ser o primeiro prefeito do então emancipado município. A antiga povoação havia alcançado sua independência política em 1953. E a primeira eleição já estava sendo organizada.

Mesmo sendo lembrado pelos adversários como o “ex-cangaceiro”, Zé de Julião era benquisto demais perante a população. E sua vitória era dada como certa. Disputou com Artur Moreira de Sá, um político famoso em Porto da Folha, de onde Poço Redondo acabava de ser desmembrado, e o resultado foi surpreendente, pois deu empate: 134 votos para cada um. Pelo critério da idade, Artur Moreira acabou sendo eleito, pois mais velho que o filho de Seu Julião.

O resultado, contudo, não foi motivo para desânimo, pois ele já se mostrava fortalecido o suficiente para ser o escolhido na eleição seguinte, a de 1958. Assim achava e assim planejou. Não sabia, porém, que teria como adversário, além de um candidato propriamente dito, também as principais lideranças políticas do estado, a corrupção eleitoral, a justiça tendenciosa e toda sorte de perseguições. Vinte anos depois e a face de ex-cangaceiro ainda era explorada pelos concorrentes. Fato marcante é que aqueles declaradamente seus eleitores deixaram de receber os títulos eleitorais.

Mesmo jogado às feras, acossado de todo lado, vendo a injustiça imperar, resolveu não fraquejar e decidiu levar adiante seu sonho de ser prefeito. Contudo, não havia como vencer sem ser votado, e a maioria de seus eleitores não podia votar. No dia da eleição, sabendo que os títulos negados lhe tiravam qualquer chance de vitória, convidou alguns vaqueiros amigos e, como numa cavalhada desenfreada, com todos montados nos melhores cavalos, saiu invadindo seções eleitorais e saqueando urnas. No lombo dos animais as provas das aviltantes manobras políticas.


Não só teve seu sonho desfeito mais uma vez como se viu encurralado pela justiça. A ordem de prisão foi prontamente expedida. A polícia procurava-o por todo canto, mas ele continuava ali pertinho, no vizinho município baiano de Serra Negra e sob a proteção do poderoso coronel João Maria. Contudo, tempos depois é cercado pela polícia sergipana e preso. Passou pouco tempo na penitenciária e foi liberado por interferência política, sob a promessa de que transformaria sua revolta em aceitação governista. Sem saída, aceitou, mas não engoliu o acordo. Era do seu feitio ser assim.

Em liberdade, planejava ser candidato novamente, mas foi insistentemente aconselhado por amigos a passar uns tempos noutro estado até a situação política e judicial se mostrar mais confiável. Então comprou passagem e seguiu. Mas dizem que nunca chegou ao seu destino. Outra versão diz que já estava em Salvador quando resolveu retornar. Não propriamente a Poço Redondo, mas para ficar escondido nos arredores esperando o momento certo para acertar contas com antigos desafetos políticos.

Nada disso pode ser confirmado. O que se tem como verdade é que viajou e se manteve por um tempo afastado de seu berço de nascimento. E também que retornou, pois numa manhã de domingo, 19 de fevereiro de 1961, Zé de Julião foi encontrado morto, assassinado, num lugar chamado Bastiana, nos arredores de sua querida cidade. As motivações desse crime ainda hoje são controversas. Muitos asseveram que foi morto à traição e a mando daqueles com quem pretendia ajustar contas, resolver na bala mágoas políticas ainda não esquecidas. Algum dia contarei a verdade de toda esse fatídico episódio.

Eis, portanto, parte da história desse grande sertanejo. Contudo, ainda que sua saga seja comprovadamente rica de dramaticidade e sua vida tenha sido tão marcante, por muitos anos ficou completamente esquecida da população poço-redondense. Inacreditável que pudesse ter acontecido assim, mas foi preciso que Alcino desencavasse a história desse grande sertanejo para que o seu conterrâneo passasse a conhecer esse épico maior. 

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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Lançamento do Livro "Vida Profissional"

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Caros amigos,

O prefácio desde livro foi escrito por este locutor que vos fala. Você é nosso (a) convidado (a). 
Claro, também pedimos uma colher de chá para divulgar. Abraço
Rinaldo Barros

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Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
José Romero Araújo Cardoso

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Bumbum de Ivete Vargas

Ivete Vargas
Getúlio Vargas

Ivete Vargas [São Borja, 17 de julho de 1927 - São Paulo, 3 de janeiro de 1984] era sobrinha-neta do ex-presidente Getúlio Vargas. Durante o seu primeiro mandato [ela foi eleita pela primeira vez em 1950] deputada federal [PTB] por São Paulo.

Governador Dix-sept Rosado

Naquela época, Ivete visitou a cidade de Mossoró, importante município norte-riograndense. Pois bem, Epifânio Barbosa [ele era entusiasta de Vargas] grande pecuarista nos Sertões do Assu, figura espirituosa, com grandes amizades com influentes políticos do seu tempo, da terra potiguar, inclusive com o governador Dix-Sept Rosado, resolveu ir até a terra mossoroense conhecer aquela parlamentar.


Ao chegar ao aeroporto, Ivete já se encontrava rodeada por uma multidão de admiradores. Não deu outra. Epifânio despachado, desinibido que era, meteu-se no meio daquela gente toda e, com facilidade se aproximou daquela ilustre visitante, batendo forte com a mão no 'bumbum' de Ivete, auto se apresentando com aquele seu jeitão sertanejo que lhe era peculiar: "Muito prazer, deputada. Epifânio Barbosa, do Assu. Nunca bati na bunda de uma mulher, pra ela não olhar pra trás."

Fonte: http://estoriasdapoliticapotiguar.blogspot.com.br/2011/07/bumbum-de-ivete.html#comment-form

Enviado pelo pesquisador José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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Novo livro de Pedro Nunes - TESTEMUNHO DE UM TEMPO

Por: Kydelmir Dantas


O Mestre Pedro Nunes está expondo, mais uma vez, seu lado literário através de crônicas, neste novo trabalho.

Vale  a pena adquiri-lo.

Foto

Caros amigos

Com passos firmes, pernas caminhadeiras e sem barulhar, chego à sua porta novamente e me anuncio:
– Ô de casa!

Quero entrar, descansar em sua sombra, beber água de seu pote, sentar-me em seu banco de madeira e conversar um pouco. Percorri veredas, caminhos estreitos, grotões fechados de moitas, estradas poeirentas e longas. Depois de muitas madrugadas, eis-me aqui à sua casa. Trago comigo TESTEMUNHO DE UM TEMPO, crônicas escritas em linguagem saborosa para você ler e refletir. São muitas e falam de coisas do dia a dia.
            
Para fazer o pedido, basta mandar-me o endereço que a editora remete por via postagem. O preço do livro é R$ 40,00 e só é pago depois de você receber a postagem no endereço indicado.
            
Para mim será uma honra ter meu livro de crônicas em suas mãos e submetê-lo a seu juízo crítico.
            
Em anexo arquivo da capa para sua apreciação.
Forte abraço,
Pedro Nunes Filho

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço: Kydelmir Dantas

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Apagou o Candeeiro; morre Manoel Dantas de Loyola

Por: Manoel Severo
 

Faleceu no inicio do dia de hoje, Manoel Dantas de Loyola, seu Né, ou o ex-cangaceiro Candeeiro, depois de estar internado desde a última segunda-feira na UTI do hospital Memorial Arcoverde.

Ainda em fevereiro de 2012, tivemos o privilégio de mais uma Caravana Cariri Cangaço; reunimos o "bando" e partimos para o meio da caatinga. Entre nossos destinos: Guanumbi, pequeno distrito de Buique. Saindo do centro da cidade percorremos 27 Km em estrada carroçável até chegar a casa de Manoel Dantas de Loyola, ou, Seu Né; ou melhor: Candeeiro. Seu Né, como todos acabam chamando o ex-cangaceiro que morava no número 19 da principal rua do lugarejo, bem em frente a pracinha. Dona Linda e dois dos quatros filhos estavam naquele dia ao lado do nonagenário no momento de nossa visita. 

Aquela visita a Candeeiro nos remeteu a uma emoção impressionante, não só pelo personagem ali representado, mas pela força que aquele homem de 98 anos ainda exalava. O sorriso franco e fácil, o olhar doce e curioso quando falava, não pareciam ser de um homem que esteve nos hostes cangaceiras, ou de um dos cangaceiros que conseguiu escapar do fatídico Angico. Candeeiro sem dúvidas cativava pelo enorme carisma que possuia...

 Múcio Procópio e numero 19 da principal rua de Guanumbi

Durante nossa última visita, lampejos de lucidez e lembranças, mas nas poucas que pudemos perceber, “bebemos na fonte”, foram mais de duas horas de uma visita inesquecível. A entrada no cangaço, as andanças com Jararaca, o baiano, as histórias com Virgínio, o Capitão, Angico, o tiro que esfacelou seu braço, as entregas, o tempo que era soldado da borracha,  o retorno, enfim. Passo a passo Candeeiro ia juntando pequenos  fragmentos de lembranças de um tempo que parece não sair de sua cabeça... 

 
Candeeiro e Manoel Severo

Afrânio, Candeeiro, Manoel Severo e Valentim  Antunes

“Certa vez Corisco observando um dos cangaceiros da família dos Ingrácias, um moreno ainda jovem com os cabelos encaracolados, era manhazinha e os cabelos desse cangaceiro estava molhado do sereno da noite, daí nasceu o apelito de Zé Sereno para o marido da Sila”

Candeeiro, memória viva dos tempos do cangaço

Aderbal Nogueira entre o casal: Candeeiro e dona Linda

Naquele dia, dona Linda, sua esposa, a tudo escutava e acompanhava, aqui e acolá um comentário, um reparo, uma outra lembrança. Naquela manhã as fotografias selariam o final de nossa visita e a certeza que havíamos compartilhado momentos de inegável valor histórico ao lado de personagens como Manoel Dantas de Loiola, ou seu Né, ou Candeeiro. 

A família Cariri Cangaço se une às orações e ao sentimento da família enlutada. Que Deus possa iluminar todos os caminhos.

Manoel Severo

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Tributos ao velho cangaceiro. - Lembranças luminosas de um "Candeeiro"

 Belíssimo registro de Márcio Vasconcelos

Manoel Dantas Loyola sobreviveu a Angicos. Na época do cangaço, era conhecido como Candeeiro. Pernambucano de Buíque (a 258 quilômetros do Recife), ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirma que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.

Candeeiro vive como comerciante aposentado em Guanumbi, distrito de sua cidade natal. Atende pelo nome de batismo, Manoel Dantas Loyola, ou por outro apelido: "seu Né". No primeiro combate com os "macacos", Candeeiro foi ferido na coxa. "Era muita bala no pé do ouvido", lembra. O buraco de bala foi fechado com farinha peneirada e pimenta. Candeeiro teve o primeiro encontro com o chefe na beira do Rio São Francisco, no lado sergipano.

"Lampião não gostava de estar no meio dos cangaceiros, ficava isolado. Quando soube que eu era de Buíque/PE, comentou: "sua cidade me deu um homem valente, Jararaca'".

 Candeeiro na ocasião de sua entrega

Candeeiro diz que, nos quase dois anos que ficou no bando, tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião exigindo dinheiro de grandes fazendeiros e comerciantes. Sempre retornava com o pedido atendido. Ele destaca que teve acesso direto ao chefe, chegando a despertar ciúme de Maria Bonita. Em Angicos, comentou que o local não era seguro. Lampião, segundo ele, reuniria os grupos para comunicar que deixaria o cangaço. Estava cansado e preocupado com o fato de que as volantes se deslocavam mais rápido, por causa das estradas, e tinham armamento pesado. No dia do ataque, já estava acordado e se preparava para urinar quando começou o tiroteio.

"Desci atirando, foi bala como o diabo" .

"Mesmo ferido no braço direito, conseguiu escapar do cerco". Dias depois, com a promessa de ser não ser morto, entregou-se em Jeremoabo, na Bahia, com o braço na tipóia. Com ele, mais 16 cangaceiros. Cumprindo dois anos na prisão, o Candeeiro dava novamente lugar ao cidadão Manoel Dantas Loyola. Sobre a época do cangaço, costuma dizer que foi "história de sofrimento". Mas ainda é possível perceber a admiração por Lampião.

"Parecia que adivinhava as coisas", lembra. Só não quis ouvir o alerta dado na véspera da morte, em 1938".

Fonte: Diário de Pernambuco

 Impressões sobre um velho amigo

Seu Né, Aderbal e Dona Lindinalva.

Candeeiro foi casado com Dona Lindinalva (Linda), com quem teve quatro filhos. Aderbal Nogueira sempre foi recebido com carinho por toda família. Há mais de 20 anos o documentarista da SBEC fazia as primeiras imagens do velho cangaceiro, na época ainda produziu um documentário exclusivo sobre o amigo e fonte de pesquisa, vamos conferir um trecho.



Testemunhos de quem o conheceu pessoalmente

 
 Candeeiro e Múcio Procópio

Para mim o encontro com o ex-cangaceiro Candeeiro, ou seu Né, como todos o chamam na intimidade, foi de uma emoção tremenda. A partir daquela casa simples, num lugarejo também simples, se esconde pedaços das história tantas vezes contadas por tantos.

Logo que chegamos e antes mesmo de sermos apresentados a Candeeiro, o sertanejo olhou para cada um de nós com um olhar manso, mas como de uma águia e com a firmeza que só as experiências da vida podem proporcionar, foi declinando a característica de cada um; um a um. Aquilo me marcou profundamente. Permanecemos ali com seu Né e sua família por muito tempo, uma conversa boa, amena, cheia de animação que podia ser notada pela risada forte e conhecida de seu Né.

Quando nos despedimos, ele veio até a porta, agradecendo a visita e fiquei a me perguntar o tamanha da inteligência desse sertanejo, talhado pela vida, pelo sofrimento e pelo destino. Candeeiro foi para mim o marco da Caravana Cariri Cangaço.

Múcio Procópio
Vice-Presidente da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço
Fotos e informações: Manoel Severo

 
Sabino Bassetti

Com a morte de Candeeiro, secou uma das últimas fontes de informação sobre o cangaço. Seu Né, como era chamado pelos mais íntimos, era incapaz de dar uma informação errada como tantos fizeram, quando não sabia algo respondia simplesmente: "Não tenho conhecimento". Sua casa era um porto seguro, pois ele e sua família recebiam a todos com muita satisfação. Candeeiro prestou importantes informações a diversos pesquisadores.

Agora com a missão já cumprida, que ele encontre o descanso eterno.

Adeus seu Né...

Sabino Bassetti
Pesquisador e escritor, Salto/SP

http://lampiaoaceso.blogspot.com
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Dominguinhos

Publicado em 23/07/2013 por Rostand Medeiros
O grande Dominguinhos - Fonte - www.transasom.net
 O grande Dominguinhos – Fonte – http://www.transasom.net

Batizado por Gonzaga, Dominguinhos levou adiante legado do Rei do Baião – Após começo com ritmos nordestinos, este grande músico pernambucano transitou entre muitos estilos.

Um adolescente de 16 anos, chegado ao Rio de Janeiro havia pouco, de repente ganha a bênção do Rei do Baião ao ser chamado pelo próprio de “herdeiro artístico”. Não poderia ter começado de maneira mais certeira a carreira musical de Dominguinhos, o sanfoneiro nascido José Domingos de Morais, em Garanhuns, Agreste pernambucano, no dia 12 de fevereiro de 1941. O Brasil se despede do músico nesta terça-feira (23).

“Gonzaga estava divulgando para a imprensa o disco ‘Forró no escuro’ [1958] quando me apresentou como seu herdeiro artístico aos repórteres”, lembrou-se Dominguinhos, em entrevista ao G1, durante os festejos do centenário de Gonzaga, em dezembro do ano passado. “Foi uma surpresa muito grande, não esperava mesmo”, assegurou.

Dominguinhos junto ao Rei do Baião - Fonte - www.onordeste.com
 Dominguinhos junto ao Rei do Baião – Fonte – http://www.onordeste.com

A relação entre os dois, no entanto, é mais antiga. Dominguinhos ainda era criança e tocava triângulo com os irmãos no grupo Os Três Pinguins. Naquela época, era chamado Neném do Acordeon, apelido de infância. Tinha 8 anos e estava tocando na frente do hotel onde Gonzaga se hospedara, em Garanhuns, quando o Rei do Baião notou seu talento. Ali mesmo, prometeu ao músico mirim uma sanfona de presente, caso este resolvesse ir ao Rio de Janeiro.

O artista consagrado não se esqueceu do garoto quando ele foi procurá-lo, já rapaz, na então capital federal. Acompanhado do pai, o também sanfoneiro Chicão, e de um dos irmãos, Dominguinhos se mudou para o Rio de Janeiro e passou a viver em Nilópolis. Em 1954, a intenção do músico era encontrar Luiz Gonzaga. Quando o encontro aconteceu, a promessa não demorou a ser cumprida: “Em cinco minutos, ele me deu uma sanfona novinha, sem eu pedir nada”, contou. Também não foi necessário tempo demais para Gonzagão ter certeza do que tinha suspeitado em 1949: o anúncio de Dominguinhos como herdeiro aconteceria apenas quatro anos após a chegada do então jovem sanfoneiro ao Rio. Além do instrumento e da bênção, Gonzaga ainda batizou o rapaz, dando-lhe o apelido que viraria nome artístico. Para o velho Lua, a alcunha de “Neném do Acordeon” não ajudaria na carreira como músico.

A primeira gravação profissional de Dominguinhos não poderia ser no disco de outro artista: em 1957, tocou sanfona em um álbum de Luiz Gonzaga, na música “Moça de feira”, de autoria de Armando Nunes e J. Portela. No mesmo ano, o padrinho ajudou de novo na hora de batizar o grupo do qual o afilhado faria parte: com Zito Borborema e Miudinho, Dominguinhos fundou o Trio Nordestino, que ficou conhecido por interpretar diversos ritmos do Nordeste. O grupo continuaria, com outras formações, mas a participação de Dominguinhos foi encerrada em 1960.

Os primeiros discos
Os primeiros discos

O mundo do samba, da gafieira e do bolero atrairia o sanfoneiro temporariamente, mas, em 1965, Dominguinhos foi convidado a gravar, na recém-inaugurada gravadora Cantagalo, um disco que tinha como alvo os migrantes nordestinos que viviam no Rio de Janeiro. O dono da empresa era Pedro Sertanejo, pai de Oswaldinho do Acordeon, um dos primeiros a lidar com o forró no mercado do Sul-Sudeste brasileiro. Foi o bastante para Dominguinhos voltar a tocar xotes e baiões e, em 1967, integrar uma excursão de Luiz Gonzaga à região Nordeste, dividindo-se entre as funções de sanfoneiro e motorista – o notório medo de avião do sanfoneiro não começou aqui, no entanto. Antes de adotar o transporte rodoviário, Dominguinhos voou pelo mundo durante 30 anos, mas há 26 tinha deixado as aeronaves de lado.

Luiz Gonzaga, Guadalupe, Dominguinhos e Genival Lacerda. Foto do casamento de Dominguinhos e Guadalupe - Fonte - http://www.forroemvinil.com/
Luiz Gonzaga, Guadalupe, Dominguinhos e Genival Lacerda. Foto do casamento de Dominguinhos e Guadalupe – Fonte –http://www.forroemvinil.com/

Além de ser o segundo sanfoneiro de Gonzaga, e motorista eventual, Dominguinhos teve a oportunidade de conhecer, nessa excursão, a cantora pernambucana Anastácia. O encontro com a compositora, com quem se envolveu, marcou a carreira do músico. Juntos, são autores de mais de 200 canções. “Tenho sede” e “Eu só quero um xodó” são dois dos grandes sucessos da dupla e esta última música já soma cerca de 250 regravações, em várias línguas.

O empresário Guilherme Araújo, que dirigia a carreira dos novos ídolos baianos como Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil, viu Dominguinhos tocando num show de Luiz Gonzaga, em 1972, e fez o convite para que o sanfoneiro acompanhasse Gal no show “Índia”.  É dessa mesma época a primeira gravação de Gil de “Eu só quero um xodó”, versão que ficou muito famosa no Brasil. Como instrumentista, Dominguinhos passou então a transitar com desenvoltura no mundo da MPB, tocando ao vivo e também participando de gravações em estúdio.

Dominguinhos e Gilberto Gil - Fonte - www.premiodemusica.com.br
Dominguinhos e Gilberto Gil – Fonte – http://www.premiodemusica.com.br

Durante show no dia do centenário de Luiz Gonzaga, em 13 de dezembro deste ano, realizado na terra natal do Rei do Baião, Exu (PE), Gilberto Gil reiterou a importância de seu herdeiro. “Dominguinhos teve a herança do Gonzaga, que ele incorporou, através das canções, dos estilos, o gosto pelo xote, xaxado”. No entanto, para Gil, Dominguinhos soube trilhar um caminho próprio. “Ele foi além, em uma direção que Gonzaga não pôde, não teve tempo. Ele foi na direção do início de Gonzaga, o instrumentista, da época das boates do Mangue, no Rio de Janeiro, quando ele tocava tango, choro, polca, foxtrote, tocava tudo, repertório internacional, tudo na sanfona”.

Em meados dos anos 1980, Dominguinhos viu sua popularidade crescer em nível nacional. “De volta pro meu aconchego”, composta em parceria com Nando Cordel e gravada por Elba Ramalho, e “Isso aqui tá bom demais”, assinada junto com Chico Buarque, e gravada pelos dois, fizeram parte da trilha sonora da novela “Roque Santeiro”, da TV Globo, um sucesso absoluto entre 1985 e 1986. Temas dos personagens Roque Santeiro e Sinhozinho Malta, respectivamente, as canções ganharam milhares de ouvintes, levando o nome de Dominguinhos país adentro.

A composição de trilha sonora voltaria à vida de Dominguinhos em 1997, quando o sanfoneiro assinou as canções do filme “O cangaceiro”, de Anibal Massaini Neto. Dois anos depois, o disco “Você vai ver o que é bom” trouxe o registro de “O riacho do imbuzero”, uma letra até então inédita do compositor pernambucano Zé Dantas, que foi entregue a Dominguinhos pela viúva do parceiro de Luiz Gonzaga.  No mesmo trabalho, os dez anos da morte do Rei do Baião foram lembrados na música “Prece a Luiz”, assinada em parceria com Climério.

CD-Dominguinhos-Iluminado

Em 2004, Dominguinhos cumpriu temporada de shows no Rio de Janeiro, em dupla com Elba Ramalho, com repertório que privilegiou os hits de ambos os artistas. As apresentações se transformaram em CD no ano seguinte.  Em 2007, os papéis se inverteram e foi a vez de Dominguinhos virar padrinho: o sanfoneiro participou da estreia da filha Liv Moraes em disco, fazendo o arranjo e tocando a sanfona em algumas das faixas.  Nos últimos anos, a cantora acompanhou o pai em muitas das suas apresentações, inclusive durante a festa pelo centenário de Gonzaga, em Exu. A gravação, em 2009, do primeiro registro em DVD – “Dominguinhos ao vivo” – aconteceu no maior teatro ao ar livre do mundo, em Fazenda Nova, cidade do Agreste pernambucano, mesmo palco onde é realizada anualmente a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Os cantores Elba Ramalho, Renato Teixeira, Liv Moraes e Jorge de Altinho e os sanfoneiros Waldonys e Cezzinha participaram do trabalho.

Entre os últimos CDs gravados por Dominguinhos estão os trabalhos com o violonista gaúcho Yamandu Costa. A parceria começou em 2007, com o disco “Yamandu + Dominguinhos”, que tinha uma única preocupação: deixá-los tocarem o que tivessem vontade, sem amarras a repertórios ou estilos. Em cinco dias, foram registrados clássicos como “Feira de Mangaio” (Sivuca e Glória Gadelha), “Wave” (Tom Jobim), “Pedacinho do céu” (Waldir Azevedo) e “Asa branca” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira). O encontro dos músicos viraria DVD, em 2009, e permitiria a produção de um novo CD, o “Lado B – Yamandu Costa e Dominguinhos”, lançado em 2010. Composições de Hermínio Bello de Carvalho, Jacob do Bandolim, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso e Lamartine Babo fazem parte do repertório do segundo disco.

Prêmios e honrarias não foram poucos ao longo de praticamente 60 anos de carreira: em 2002, o CD “Chegando de mansinho” deu a Dominguinhos seu primeiro Grammy Latino. “Conterrâneos”, CD solo gravado em 2006, conquistou o Prêmio Tim em 2007, na categoria cantor regional. Em 2008, Dominguinhos foi o homenageado do Prêmio Tim de Música Brasileira e, dois anos depois, venceu o Prêmio Shell de Música. Este ano, o disco “Iluminado” deu ao sanfoneiro pernambucano mais um Grammy Latino, na categoria raízes brasileiras -  uma classificação mais do que digna para uma estrela da música brasileira, defensor e renovador de suas raízes nordestinas.


Fonte – G1 PE

Extraído do blog Tok de História, do historiógrafo e pesquisador do cangaço: Rostand Medeiros

Descanse em Paz, Mestre !

Por: Juliana Ischiara
Dominguinhos e Juliana Ischiara

Descanse em paz mestre! Hoje o nordeste se despede de você com dor no coração... e já com saudade do sorriso doce e cativante, da voz suave e forte. Seu amor pelo nordeste jamais será esquecido...


Vai mestre, voa para o céu e de lá, continue torcendo pela nação nordestina e mandando inspirações musicais...


Juliana Ischiara e toda família Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com
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Morreu nessa madrugada de 24 de julho de 2013 o Ex-Cangaceiro Candeeiro.

Por: João de Sousa Lima
João de Sousa Lima e o ex-cangaceiro Candeeiro

Manoel Dantas Loyola foi o cangaceiro candeeiro e um  dos sobreviventes do combate da Grota do Angico. Nascido em Buíque, Pernambuco. Ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirma que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.  Candeeiro era aposentado e vivia na vila São Domingos, distrito de sua cidade natal. Apelidado por Seu Né. No primeiro combate com os "macacos", Candeeiro foi ferido na coxa. "Era muita bala no pé do ouvido", lembra. O buraco de bala foi fechado com farinha peneirada e pimenta.

CANDEEIRO diz que, nos quase dois anos que ficou no bando, tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião exigindo dinheiro de grandes fazendeiros e comerciantes. Sempre retornava com o pedido atendido. Ele destaca que teve acesso direto ao chefe, chegando a despertar ciúme de Maria Bonita. Em Angicos, comentou que o local não era seguro.

"Desci atirando, foi bala como o diabo .". Mesmo ferido no braço direito, conseguiu escapar do cerco".

Dias depois, com a promessa de ser não ser morto, entregou-se em Jeremoabo, na Bahia, com o braço na tipóia. Com ele, mais 16 cangaceiros. Cumprindo dois anos na prisão, o Candeeiro dava novamente lugar ao cidadão Manoel Dantas Loyola. Sobre a época do cangaço, costuma dizer que foi "história de sofrimento". Mas ainda é possível perceber a admiração por Lampião.

Postado por João de Sousa Lima no João de Sousa Lima em 7/24/2013

Enviado pelo escritor e pesquisador João de Sousa Lima
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Nota de falecimento! - Morre um dos últimos ex cangaceiros vivos

Por: Ângelo Osmiro

Lamentamos informar o falecimento do Sr. Manoel Dantas Loyola o ex-cangaceiro "Candeeiro", que aos 98 anos era um dos últimos remanescentes do Grupo de Lampião.

 
Foto: NE10 UOL

Fato ocorrido nas primeiras horas do dia de hoje, conforme nos comunicou o sócio honorário do GECC João de Sousa Lima.


Seu Né, como também era conhecido desde segunda-feira (15/07) estava internado na UTI do hospital Memorial Arcoverde na Capital do Sertão.

Da época do cangaço, seu Né guardava muitas lembranças e não escondia a admiração pelo maior cangaceiro da história, a quem chama de "amigo".

Produção laser vídeo - do documentarista Aderbal Nogueira


Seu Né deixa esposa e seis filhos. O velório está acontecendo na residência do ex-cangaceiro, na vila Guanumby, zona rural de Buíque. O sepultamento está marcado para as 16 horas desta quarta-feira no cemitério local.

Com informações de Angelo Osmiro Barreto
e do Caetés Lula Blogspot

Adendo:

Remanescentes de Lampião agora só  restam dois: 
O cangaceiro Vinte e Cinco e a cangaceira Dulce.

http://lampiaoaceso.blogspot.com
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OS ESQUECIDOS (MEMÓRIA E VIDA DEPOIS DO CANGAÇO) - II

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

OS ESQUECIDOS (MEMÓRIA E VIDA DEPOIS DO CANGAÇO) - II

Afirmo, sem medo de errar, que a maioria da população atual de Poço Redondo não sabe dizer quem foi Zé de Julião e muito menos o cangaceiro Cajazeira; não lembra mais de Sila ou de Adília e nem sabe o que significaram na história do cangaço; não conhece nada sobre a participação de Mané Félix ou de outros coiteiros e cangaceiros naquele período de lutas sem vitórias. Parte da história de Zé de Julião, por exemplo, só foi conhecida com as filmagens de “Aos ventos que virão” na região. E assim mesmo completamente distorcida, irreal.

Hoje em dia, por exemplo, se perguntar a algum morador quem foi Durval Rodrigues Rosa, logo terá como resposta o falecido líder político, ex-prefeito, valoroso sertanejo reconhecido por todos na região. Mas ninguém o recordará como o rapazote em cujas terras ribeirinhas da família Lampião foi chacinado, e muitos menos daquele que conhecia todos os segredos envolvendo a participação de seu irmão, o coiteiro Pedro de Cândido, na trama que culminou com a tragédia cangaceira.

Adília e Sila

Mesmo meninote, Durval rondava o coito e também ajudava o irmão coiteiro naquilo que o bando ali refugiado necessitasse. Porém, nunca gostou de relatar em detalhes o que sabia. Questioná-lo sobre aquelas verdades escondidas era o mesmo que adentrar num sombrio labirinto. Verdade é que faleceu levando consigo a sentença de absolvição ou de condenação do irmão Pedro de Cândido, acusado de traição a Lampião e seu bando.

Soa até como contrassenso que tenha acontecido assim, mas a verdade é que pessoas estranhas ao seu meio os tenham valorizado e reconhecido muito mais do que aqueles conviventes sob o mesmo chão. Enquanto os sertanejos se mantinham afastados, ignorando aquelas vidas recheadas de feitos - para o bem ou para o mal -, outros chegavam de muito distante ávidos para lançá-los o olhar e a palavra. E ouvir, acima de tudo.

E em Poço Redondo, município do sertão sergipano que forneceu mais de duas dezenas de filhos seus ao bando mais famoso de cangaceiros e em cujo solo, na Gruta do Angico, coito às margens do Velho Chico, Lampião e mais nove companheiros foram chacinados a 28 de julho de 38, sempre foi marcante a indiferença das pessoas com relação aos seus irmãos de luta. A par dos já citados, os exemplos se avolumam.

Não se conhece bem os motivos de ter acontecido assim. A maioria dos ex-cangaceiros nunca gostou de ser reconhecido como tal, de ser relembrado pela sua trajetória catingueira. Por trás disso tudo o temor que permaneceu por muito tempo, como se ainda estivessem sendo perseguidos pela polícia, tivessem que ser chamados a prestar contas às autoridades, serem vítimas de vinganças ou problemas não resolvidos desde outros tempos.

As perseguições policiais existiram mesmo, é verdade. Muitos caçadores de cangaceiros, talvez ainda não satisfeitos com os acontecimentos de Angico, continuaram perseguindo aqueles que conseguiram sobreviver à chacina. Não bastou, como alguns fizeram, que se entregassem à polícia. E não porque as perseguições continuaram com uma feição de pessoalidade, de acerto de contas de indivíduo para indivíduo, da polícia contra o ex-cangaceiro. O “ex” era a senha maldita. O sargento Deluz, por exemplo, fez fama nesse encalço aterrador, agindo com desmedida perversidade.

Zé de Julião, alcunhado de Cajazeira no bando de Lampião, foi um exemplo claro de que as perseguições pessoais continuaram existindo mesmo após a chacina de Angico. Perdeu sua esposa Enedina no fogo, porém conseguiu escapar. E daí em diante se viu muito mais encurralado do que nos tempos de luta aberta. Contudo, a história registra que outros fatores interferiam para a continuidade das perseguições.

Ser ex-cangaceiro era apenas a desculpa para o prosseguimento dos encalços, vez que contra ele pesavam outras desavenças, até mesmo de antes de entrar para o bando. Um dos motivos para que ele enveredasse no mundo cangaceiro foi exatamente o repúdio contra as ações violentas da polícia contra os inocentes sertanejos, aliadas às repetidas extorsões e ameaças. Talvez a polícia não houvesse esquecido aqueles arroubos de indignação de um filho de um fazendeiro de então. Por isso aproveitou-se da ocasião para testar a sua força.

Mas a verdade é que as perseguições policiais contra o ex-cangaceiro passaram a ter outras motivações. Ter participado do bando era apenas uma desculpa de fachada. O que realmente pesou contra ele foi o fato de ter se mostrado disposto a enfrentar politicamente os poderosos da região. E quando disse que seria candidato a prefeito, então a coisa pegou fogo para o seu lado. Daí ter sido forçado a viajar para o Rio de Janeiro. Ao retornar e se lançar novamente candidato continuaram as perseguições. Até ser assassinado, já nas terras de Poço Redondo, quando mais uma vez regressava do exílio forçado.

Zé de Julião ou Cajazeira

Como demonstrado, não era vão o temor demonstrado pelos ex-cangaceiros. E mesmo muitos anos depois, quando já não se falava mais daqueles acontecimentos de Angico nem de qualquer investida policial contra eles, ainda assim permaneceram arredios, amedrontados, só aceitando falar quando conhecia bem quem os procurasse. E até mesmo Alcino, uma forte liderança local, iniciou suas pesquisas tendo grandes dificuldades para contar com a colaboração daquelas pessoas.

Esse afastamento dos ex-cangaceiros e coiteiros se justificativa por si mesmo. Estavam exercendo um legítimo direito de proteção pessoal e de não querer fuçar em cinzas de fogo adormecido. Contudo, o que não se justifica é que a população de Poço Redondo, conhecendo cada um e sabendo de sua passagem pelo cangaço, tenha se mostrado tão alheia a esse povo combatente e com uma história tão pujante. E não conhecer o acontecido nos limites de onde vive revela ainda mais o descaso com o passado e com o que lhe deu feição de importância.

Vejo como descaso, desvalorização mesmo, estar na presença de Adília, pessoa que entrou no cangaço ainda adolescente, companheira de Canário e irmã de Delicado, e avistá-la como pessoa comum. E assim acontecia. E o fazendo estavam, também, renegando a história, o passado, as lutas sangrentas que ainda ecoavam pelas moitas catingueiras. E certamente ainda ressoam por aquelas brenhas de sol e espinhos.

Para a maioria dos poço-redondenses era como se nada daquilo tivesse acontecido, era como se aquelas pessoas jamais tivessem sido comandadas por Lampião ou arriscado a vida para não deixar nada faltar aos revoltosos. E vejo total desacerto nessa postura de indiferença. Heróis ou bandidos, justiceiros ou vermes sanguinários, fossem como fossem, verdade é que eram pessoas distintas, e, como tais, personagens de um mundo onde a força sertaneja foi colocada a toda prova.

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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