Seguidores

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Inconsequente, Maldoso, Eivado de Inverdades...

 Por Archimedes Marques
A arte de Aldemir Martins...

Discutir se Lampião e Maria Bonita eram bandidos ou heróis é História. Mas, publicar um livro ressaltando inveridicamente a orientação sexual do casal e tantas outras leviandades é violar a privacidade e intimidade da própria família Ferreira, seus remanescentes, sem qualquer interesse histórico, científico ou jornalístico. Com certeza isso não é construir história é fazer histrionia, histrionice, histrionismo.

Adquirido, passada a curiosidade inicial, o sábio leitor vendo a fragilidade de todas as suas alegações logo verá que tal obra é IGUAL A UM CASTELO DE AREIA NA BEIRA DA PRAIA, em pouco tempo será consumido pela água de volta, destruído por completo. Tal castelo construído sem estrutura alguma voltará a ser simplesmente areia, pois as suas alegações e suposições com pretensas provas, sejam elas testemunhais, documentais ou outras quaisquer, inexistem, sequer indícios há. TUDO FICTÍCIO, fruto da sua imaginação, assim, não tem como se sustentar por muito tempo. Embora para alguns, os maldosos de plantão do mesmo gênero, desinteressados ou leigos por completo no assunto acreditem em tais irreflexões. Estrago feito de qualquer jeito!


Como pesquisador do tema cangaço o autor não passa de UM ARREMEDO DE APRENDIZ: os erros são gritantes e pululam em cada página do seu livro. Ademais as suas palavras na tentativa de desmistificar o Mito Lampião a qualquer custo são CHULAS e também cheias de ódio, ódio que chega ao extremo, chega a transpor a sua própria razão e, sem razão jamais um escritor se transformará em historiador, pois historiador não pode agir tão somente pela emoção, se não conseguir chegar à verdade real, deve pelo menos dela se aproximar, nesse sentido ele demonstra estar longe, bem longe disso tudo, ANOS LUZES de distancia.

Archimedes Marques em noite de lançamento

Como escritor de romances, talvez tivesse alguma chance, melhor sorte, mas como historiador, com toda certeza ele será reprovado com as piores notas em todos os quesitos. Ao mais exigente leitor com certeza a nota a ser dada será ZERO, pois de tudo do seu livro QUASE NADA SE APROVEITA, posto que da historia verdadeira apenas fatos repetitivos, mesmo assim eivados de erros: datas, nomes, lugares trocados, tipicidade do pesquisador CHINFRIM, desatento para um pouco aliviar.
  
Dentre as tantas aberrações coloca como suposta TESTEMUNHA DE OUVIR DIZER um cidadão, escrivão, que já faleceu e nada disse para ninguém, somente para ele, então Juiz de Canindé. Dá a entender também que dois ex-policiais volantes que saem em fotografias como seus supostos entrevistados COMUNGAM COM OS SEUS ENTENDIMENTOS, contudo, esses dois cidadãos TAMBÉM ESCREVERAM EM LIVROS AS SUAS MEMORIAS e, as suas narrações são totalmente contrárias, ANTAGONICAS, como antagônico também é o entendimento do prefaciador do seu livro ao seu próprio entendimento.

Oleone Fontes e João de Sousa Lima no Cariri Cangaço Piranhas 2014

O escritor Oleone Coelho Fontes autor do livro Lampião na Bahia é o seu prefaciador. É a primeira vez que vejo prefaciador e autor se debaterem em TANTAS SITUAÇÕES CONTRÁRIAS UMAS A OUTRAS nas suas obras.

Além do mais o livro dele VAI DE ENCONTRO A MAIS DE 800 TÍTULOS JÁ PUBLICADOS, alguns deles escritos na própria época do cangaço, na efervescência das guerras em que os pobres sertanejos tanto sofriam e mais do que nunca rogavam pelo fim de Lampião, ou mais ainda pós-era, baseados em incontáveis entrevistas com inúmeros remanescentes desse tempo. Seriam todos esses historiadores perfeitos idiotas, grandes mercenários da cultura ou, exímios enganadores? E as pessoas que viveram a infância, a juventude de Virgulino por quais razões foram omissos nas suas tantas entrevistas?

Não existe no livro LAMPIÃO O MATA SETE um único documento que prove que o autor fez qualquer tipo de estudo, pesquisa ou de onde foi buscar tais informes. Tudo não passa de mera especulação, INVENCIONICE. Mesmo porque não há qualquer demérito em alguém ser ou, LAMPIÃO TER SIDO HOMOSSEXUAL se verdade fosse. A discussão é se o fato é verdadeiro ou mentiroso, e nesse sentido o autor pode ser considerado como o MAIOR IMPOSTOR que a literatura cangaceira já viu.

Aracaju, 07 de outubro de 2014.

Pesquisador, escritor, Conselheiro Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/10/inconsequente-maldoso-eivado-de.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PEDIDO DE ORAÇÃO. www.edepromessa.com



Queridos, sei que esses dias estão carregados de muita emoção para a maioria de nós. Gostaria de assumir com vocês um compromisso de nos unirmos em oração a favor deste amado irmão, esqueçamos as diferenças religiosas.

Especialmente, meus irmãos evangélicos, peço para compartilhar este pedido de oração com seus pastores e líderes, em suas comunidades de fé, para que possam incluí-lo em suas orações.

A oração transcende as paredes de nossos locais de reunião, e lhes convidamos a compartilhar e motivar a muitos a unir-se à campanha de oração, usando suas redes sociais e outros meios de divulgação.

Oremos pelo Padre Marcelo Rossi, para que Deus o abençoe e lhe saúde.

Deus abençoe a todos.


"Faz parte de nós. Vamos orar pela sua recuperação!".

O CANGAÇO BEM ANTES DE LAMPIÃO TER NASCIDO... TUDO COMEÇA COM O DILEMA DO CABELEIRA!!!!


Cabeleira é o apelido de José de Gomes, um dos primeiros cangaceiros de Pernambuco. José era naturalmente bom, mas foi ensinado pelo pai, Joaquim Gomes, a ser cruel. Junto com o pai e Teodósio, o traiçoeiro amigo, assim como vários outros comparsas, Cabeleira aterroriza a província de Pernambuco em 1776 (exatos 100 anos antes da publicação do romance). Mas quando ele reencontra Luísa, foge com ela e começa a se reformar, apesar de instintivamente ainda tentar se defender violentamente. Luísa acaba morrendo logo após a fuga, pois estava ferida, e Cabeleira é preso, fraco, faminto e desarmado, num canavial. José Gomes é executado junto com seus antigos comparsas apesar dos apelos da mãe de que a ele servia melhor a penitenciária pois estava reformado.

O romance acaba com o autor atacando a pena de morte. A obra inicial da "literatura do Norte" que o autor pretendia fazer, O Cabeleira começa o Regionalismo na nossa literatura e apresenta marcantes qualidades tanto do Romantismo quanto do Naturalismo. Cabeleira é um homem naturalmente bom (como acreditavam os românticos) que é corrompido pelo pai e pelo meio (característica dos naturalistas), age várias vezes por instinto (Naturalismo), mas reforma-se pelo todo-poderoso amor (Romantismo). As mulheres são todas boas (Romantismo), os homens reúnem defeitos e qualidades (Naturalismo) e o protagonista vive perseguido pelo conflito interno. (Uma tendência mais realista esta última; os realistas tinham preocupações sociais como o anteriormente referido ataque a pena de morte.)

Fonte: facebook
Página: Guilherme Machado 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Mais uma das minhas pesquisas sobre a saga do sertão nordestino.

Por Guilherme Machado

Mais uma antiga catedral construída sobre ordem do beato Antônio Mendes Maciel "Antônio Conselheiro". Esta em uma cidade baiana na região noroeste do Itapicuru; em Crisópolis - Bahia, capela construída em 1892.

Fonte: facebook
Página: Guilherme Machado 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ZÉ BAIANO E SEU GRUPO


Foto de Zé Baiano e seu pequeno bando no ano de 1935 em Ribeirópolis, ex Saco Do Ribeiro (povoado de Itabaiana). Foto feita por Felino Bonfim na Praça da Bandeira. 

Fonte: Noite Illustrada de 2 de agosto de 1938. Acervo: Claudemir De Lima

Fonte: facebook
Página: Robério Santos‎

http://blogdomendesemendes.blogspot.com




17 de Novembro de 1958


Estou chocado... Acervo de Raul Meneleu Mascarenhas Fonte: Jornal O Globo: Rio de Janeiro, 17 de Novembro de 1958

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

BRASIL, CHORA TUA DOR!


Uma breve história de despedida de um guerreiro do cangaço, (Sinhô Pereira) passando o trono para Lampião o "vassoura "


Dois dias depois, Sebastião fez a Lampião algumas recomendações a respeitos de algumas vinganças ainda a executar, entre as quais contra o prefeito de Belmonte PE... E emocionado despediu-se de todos. 

Impressionante e comovente o derradeiro abraço longo, forte e afetuoso de Sebastião Pereira da Silva em Lampião. Era o mestre abraçando o discípulo que logo depois seria o Rei do Cangaço e o Senhor Absoluto do Sertão!

Fonte: facebook
Página: Guilherme Machado 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

COLORIZANDO... CHEGANDO LUIZ PEDRO

Colorizado por Rubens Antonio

O Mestre Rubens Antônio (Salvador-BA) trouxe à vida o cangaceiro Luiz Pedro do Retiro, cabra valente e corajoso que não abria nem para o capeta acompanhado dos seiscentos diabos.

Apesar de ter matado acidentalmente Antônio Ferreira irmão de Lampião, foi perdoado pelo capitão e jurou lealdade afirmando que morreria no dia em que seu chefe morresse... e não deu outra.

Na extrema direita da imagem podemos ver Luiz Pedro aquele que perderia a cabeça, mas não a moral em 27 de julho de 1938 ao lado de seu capitão e seus companheiros.

Da esquerda para a direita colorizados estão: JURITY - SABONETE E LUIZ PEDRO.

Colorizado por: Rubens Antônio (Salvador-BA)

Fonte: facebook

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO, O POETA

            Material do acervo do pesquisador Doizinho Quental

Os versos abaixo são atribuídos a Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Segundo o chefe de volante Optato Gueiros, estes versos foram abandonados em um embornal, quando de um ataque policial ao bando do famigerado capitão.

                        “Leitores sendo possível,
                        Leiam com toda atenção,
                        Este pequeno fascículo,
                        Que nos dá explicação,
                        Quem foi, quem é Virguliho,
                        Pela alcunha Lampião.”

                        “Fui nascido no Pajeú,
                        Por Lampião apelidado,
                        No município de Vila Bela,
                        No lugar denominado,
                        Riacho de São Domingos,
                        De Pernambuco no Estado.”

                        “Gado bravo pra mim,
                        Não estando mal montado,
                        Sendo em cavalo bom,
                        Julgava o bicho amarrado,
                        Ou vinha pra o curral sadio,
                        Ou com um quarto quebrado.”

                        “Até aos 17 anos,
                        Vivia calmo e sossegado,
                        Até todos me conheciam,
                        Por lutador honrado,
                        E nessa idade os retrocessos,
                        Fizeram-me mau e desgraçado.”

                        “Porém já sabem os leitores,
                        Do mais antigo ditado,
                        Que não se julgue feliz,
                        O que vive em bom estado,
                        Que vem a naufragação,
                        E acaba em mau resultado.”

                        “Se reunimos os três irmãos,
                        Cada qual mais animado,
                        Disse eu ao pai já velho,
                        Bote a questão para um lado,
                        E deixe estar que o meu rifle,
                        É um bom advogado.”

                        “Eu bem que disse ao meu pai,
                        Desta vez acreditei,
                        Que advogado bom é o rifle,
                        Que com ele deportei,
                        Todos os nossos inimigos,
                        Agora sim descansei.”

                        “Seus nomes estão anotados,
                        Suas casas já queimei,
                        Não poupei nem mesmo o gado,
                        Nesta luta me empenhei,
                        Para a qual fui empurrado.”

                        “Estou bem certo do meu fim,
                        Que me importa de morrer?
                        Mato João Pedro ou Matim,
                        E onde vou comparecer?
                        Já fiz tudo que queria,
                        Que me importar de  morrer?”

                        “Para minha infelicidade,
                        Entrei nesta triste vida,
                        Não gosto nem de contar,
                        A minha história sentida,
                        A desgraça enche o meu rosto,
                        Em minha alma entre o desgosto,
                        Meu peito é uma ferida.”

                        “Quando me lembro senhores,
                        Do meu tempo de inocente,
                        Que brincava nos cerrados,
                        Do meu sertão sorridente,
                        Sinto que meu coração,
                        Magoado de paixão,
                        Bate e chora amargamente.”

                        “Meu pai e minha mãe querida,
                        Quiseram-me ensinar,
                        No colo carinhoso,
                        E ela ensinou-me a rezar,
                        E a todos bem respeitar,
                        E ele ensinou-me nos campos,
                        E eu menino a trabalhar.”

                        “Cresci na casa paterna,
                        Quis ser homem de bem,
                        Viver de meus trabalhos,
                        Sem ser pesado a ninguém,
                        Fui almocreve na estrada,
                        Fui até bom camarada,
                        E tive amigos também.”

                        “Tive também meus amores,
                        Cultivei a minha paixão,
                        Amei uma flor mimosa,
                        Filha lá do meu sertão,
                        Sonhei de gozar a vida,
                        Bem junto à prenda querida,
                        A quem dei meu coração.”

                        “Hoje sei que sou bandido,
                        Como todo mundo diz,
                        Porém já fui venturoso,
                        Passei meu tempo feliz,
                        Quando no colo materno,
                        Gozei o carinho terno,
                        De quem tanto bem eu quis.”

                        “Meu rifle atira cantando,
                        Em compasso assustador,
                        Faz gosto brigar comigo,
                        Por que sou bom cantador,
                        Enquanto o rifle trabalha,
                        Minha voz longe se espalha,
                        Zombando do próprio horror.”

                        “Nunca pensei que na vida,
                        Fosse preciso brigar,
                        Apesar de ter intrigas,                       
                        Gostava de trabalhar,
                        Mas hoje sou cangaceiro,
                        Enfrentarei o balseiro,
                        Até alguém me matar.”

                        “Quando pensei que podia,
                        O caso estava sem jeito,
                        Vou dar trabalho ao governo,
                        Enfrentar agora de peito,
                        E trocar bala sem receio,
                        Morrendo num tiroteio,
                        Sei que morro satisfeito.”

www.kantabrasil.com.br/Lampiao.../Lampião%20e%20outras%20Históri...‎

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A beleza da rainha do cangaço Maria Bonita


Grande Artur Leite, veja a beleza de Maria Gomes de Oliveira, a nossa rainha Maria Bonita. Aqui ela aparenta ser bem novinha, muito embora não tanto. 

Se esta foto tiver sido feita pelo fotógrafo particular do rei do cangaço Lampião, o Benjamim Abraão Botto em 1936, certamente quando a foto foi tirada, Maria Bonita já estava com 25 anos. Mas mesmo assim, aparentava muito jovem ainda, até com rosto de menina.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Lampião a caminho de Juazeiro, a Cidade Santa

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu Mascarenhas

LAMPIÃO convocado para fazer parte do Batalhão Patriótico do Juazeiro do ‘Padim Ciço’

A Coluna Prestes transpôs o rio Parnaíba, penetrando no Piauí. E a 18 de janeiro de 1926 atingiu a cidade de Picos, no Piauí, próximo do Ceará, ameaçando assim o Cariri.

O Deputado Floro Bartolomeu, investido pelo Presidente da República com a patente de General, para combater a Coluna Prestes, chegava ao Juazeiro com uma numerosa quantidade de munição, armas, fardamentos e com muito dinheiro no bolso para fazer frente às despesas de uma empreitada dessas.

As restrições que Lampião fizera ao Batalhão Patriótico onde mostrou com suas palavras a falta de disciplina e de um uma escolha de oficiais de comando sem tática, deixou o general desgostoso com ele. Floro Bartolomeu não conseguiu entender até então o que o guerrilheiro mais famoso do Brasil, naquela época, queria dizer e por isso macambúzio veio a relevar a provável ajuda. Quando Floro se convenceu que Lampião tinha razão, mandou logo procurá-lo para entregar-lhe, com a patente de Capitão, um dos comandos de vanguarda do Batalhão Patriótico.

— "Lampião é bandido!"  diziam uns. 

— "A História” - replicava Floro, “está cheia de bandidos que se regeneraram, tornando-se grandes homens e até fundadores de império e nações”.

A importância dada a Lampião e seus cangaceiros pode ser sentida por quem conhecia por demais suas proezas e suas táticas de guerrilheiro. Um guerrilheiro bem treinado, vale por cem soldados imberbes ou despreparados. O pequeno bando de Lampião, de cerca de 50 homens valia por 5.000. Fico impressionado, pelas táticas desse homem que nunca veio a ter um preparo militar de caserna. Era guerreiro nato como muitos da história humana.


Era um cabra destemido e valente. Não significando que em algumas fugas do combate, mereça o adjetivo de covarde, assim como alguns infelizmente pensam. Essa é a tática de guerrilha usada em diversas partes do mundo. Para um inimigo poderoso, um ataque e um recuo para não perder forças. Apenas quando Lampião sentia que o enfrentamento era possível, tiroteava por diversas horas com seus inimigos.

A política da época dos coronéis do sertão, o usava de diversas formas, tornando-se seu aliado quando se tirava vantagem e mostrando-o como um bandido sanguinários quando isso lhes era de ajuda.

Lampião Regenerado

Padre Cícero

Somente na mente de um homem voltado para a salvação das almas sertanejas que padeciam pelo abandono do poder público, poderia conceber um plano desses. Padre Cícero já tinha feito que um cangaceiro abandonasse a vida de crimes e enveredado nos caminhos da lei e da ordem, por que não fazia o mesmo com Lampião?

Foi então expedida a ordem de convocação, em cartão oficial, com o timbre do Batalhão Patriótico, Floro assinou e convocou com urgência Lampião.  Na casa do padre Cícero foi chamado João Ferreira, que admitiu seu irmão estar pelas zonas do Pajeú ou do Navio. Padre Cícero então escreveu uma carta ao Coronel Né Pereira, da Carnaúba, em Vila Bela, chamando seu filho, como dizia ele, para se render ao patriotismo, combatendo uma força ilegal, que avançava para o Ceará e com intentos de invadir a terra santa do Juazeiro.

João Ferreira, irmão de Lampião, não quis servir de portador daquela convocação e então foi escolhido e incumbido o Tenente Francisco das Chagas Azevedo, comandante da Trigésima Terceira Companhia do Batalhão Patriótico, que ao chegar em seu destino, a fazenda Carnaúba, apresentou-se ao Coronel Né Pereira, que não fez demora, enviando três ou quatro pessoas, por diferentes direções, para ver se encontrava Lampião. De logo, o encontraram. Suspeitando de cilada, recusou Lampião atender ao chamado, tão somente depois que examinou bem a assinatura do Padre Cícero, cuja letra lhe era familiar, é que se decidiu ir ao Juazeiro.

De imediato, Lampião, agora com quarenta e nove homens, se pôs nas veredas, na direção do Cariri, em busca da patente almejada e para atender seu padrinho santo. 

Era de manhã cedo, quando Lampião subiu a serra do Araripe. Ia a cavalo com os seus cabras. Mas receoso, deteve-se ele antes de entrar no pequeno povoado chamado Macapá, hoje Jati, que tinha uma força pública comandada pelo Tenente Luís Rodrigues, mandou-lhe uma carta de apresentação e anexou as de Floro e do Padre Cícero.

Após a leitura, o tenente, devolvendo ao portador as missivas, dizendo-lhe que Lampião podia ficar despreocupado, pois não haveria inguirizia e que aquele documento apresentado por ele, era um passaporte legal e que as portas daquele povoado estavam abertas para Lampião e seus comandados.  


Às três horas da tarde, entrou o Rei do Cangaço, em Macapá, com seu grupo. Viajando em meus pensamentos, os vejo, e minha alegria de admirador não do bandido que era, mas de um homem que fez sua história e deixou gravado nos corações dos nordestinos, e porque não dizer, do Brasil e do mundo quase todo, na escrita e na tradição boca a boca. Todos montados, firmes e olhando pra frente com seus corpos retesados, garbosos, trotando pomposamente, em desfile como sendo o salvador do povo cearense contra a coluna que queriam destruir as terras de ‘Padim Ciço”. Porte de majestade, o Rei dos cangaceiros ia na frente, em um cavalo que imagino branco, mas que segundo o povo, era ruço. Estava ladeado à sua direita por seu irmão Antônio e à esquerda por seu Lugar-Tenente o cangaceiro Sabino, “os três puxando a fila dupla, marchando de costado, com vinte e três pares de cavaleiros e fechada por Luís Pedro, sozinho.”

Parou a tropa quase que real defronte da casa do Tenente Barroso. Desceram dos cavalos e formando um semicírculo e segurando suas montarias, onde após os cumprimentos, cordiais e de estilo, o “Tenente Barroso passou em revista a tropa lampiônica. Um a um, foram, minuciosa e demoradamente, apresentados por Lampião, os seus guerrilheiros e explicada a origem de seus nomes de guerra: — Antônio Ferreira (seu irmão), Sabino (lugar-tenente), Seu Chico, Maçarico, Aragão, Jurema, Nevoeiro, Pinica-Pau, Tenente, Mormaço, Cobra Verde, Andorinha, Moita-Brava, Açucena, Cuscuz, Luís Pedro, Moreno, Três Pancadas, Três Cocos, Chumbinho, Pensamento, Juriti, Meia Noite, Criança, Cancão, Coqueiro, Sabiá, Chá Preto, Barra Nova, Bentevi, Lasca Bomba, Azulão, Gato Bravo, Beija Flor, Bom Devera, Pai Velho, Maquinista (literato e secretário), Cravo Roxo, Jararaca, Candeeiro e seu irmão Vareda, Serra do Mar, Lua Branca e seu irmão Vinte e Dois, Colchete, Delicadeza, Fogueira, Arvoredo e Cajueiro.”

A maioria dos cangaceiros, cabras acostumados aos combates era pernambucanos. Uns de Vila Bela, outros de Floresta e do Pajeú de Flores. Mais alguns de Triunfo. Tirante Pai Velho sendo o mais idoso, o resto da cabroeira entre 18 e 30 anos de idade. “E com exceção de alguns curibocas e dois negros, os demais de cor branca, ou amorenados. Na residência de uma idosa senhora, D. Generosa, se reuniram Lampião e seu Estado Maior (Antônio Ferreira, Sabino e Luís Pedro) juntamente com os Tenentes Luís Rodrigues Barroso e Veríssimo Alves Gondim (comandante de volante), o sargento Antônio Gouveia e outros agaloados componentes da polícia militar cearense, para uma conversa informal, amistosa e animada, servida de galinha assada e regada a vinho cerveja. Lá fora, cangaceiros, soldados e povo em perfeita harmonia. Quase consumido o estoque de cigarros, fósforos, bolachas, vinho e perfume da bodega do comerciante Moisés Bento, que gostava de "despachar" os cangaceiros, fregueses esses bons pagadores.”

Lampião não gostava de dever a ninguém, exceto sua ira revoltada contra o sistema que o oprimia e por isso requisitou, pagando corretamente, todas as galinhas dos quintais para mantença de seu bando. Depois, no meio da rua, ordenou Lampião ao sanfoneiro tocasse "Mulher Rendeira". E, enquanto improvisava loas, os cabras, em roda formada, xaxavam e cantavam o famoso estribilho: 


— "Olê Mulé Rendêra , ô, mulé rendá,  Chorô pru mim num fica Saluçô vai no borná"

“A vibração dos acordes desta canção guerreira contagiou os militares e todo o povo. De súbito, entusiasmados, todos imitavam os alegres visitantes...

Horas inesquecíveis, de alegria e festa, as que Lampião veio trazer àquele pedaço de sertão perdido no Cariri! Durante as despedidas, entregou Lampião ao Tenente Veríssimo um bonito revólver niquelado "Chimite" ("Smith and Wess"), para ser oferecido, como presente, a seu amigo ausente - Capitão Honorato dos Santos Carneiro, da polícia do Ceará. 

Prosseguindo na viagem, passou por Porteiras, indo pernoitar no sítio Laranjeiras, cujo proprietário, Antônio Pinheiro, fez troca dos animais cansados e inferiores do grupo, fornecendo outros melhores.”

Daí Lampião e seu bando, partiram como salvadores da pátria e com peitos estufados de orgulho patriótico, entoavam o hino  "Olê Mulé Rendêra , ô, mulé renda...”. 

O Sonho de um Sonhador


Parece que eu estava lá. Em minha mente buliçosa, viajava antes que um piscar de olhos estalasse, vendo aquela alegria contagiante. Lembrou-me, mal comparando, e que Deus me perdoe, do Rei Davi, quando voltava à Jerusalém com a Arca da Aliança, recuperada dos Filisteus, onde o povo cantava e tocava seus instrumentos cantando e louvando a Deus por Davi a ter recuperado.


Marchei junto com eles sem que eles me notassem. E notei a satisfação no rosto de Virgulino Ferreira da Silva, que queria se ver livre de Lampião, e esta era sua oportunidade. Queria ser uma pessoa comum. Era seu sonho e eu no meu sonho, entrava no seu sonho. Queria criar seu gadinho e ter sua roça de algodão e macaxeira. Talvez até mesmo em seus sonhos proféticos, tenha visto sua Maria Bonita, esperando por ele, para criarem em paz os seus filhos.

Infelizmente os homens de poder e os invejosos, não deixaram, uma pena...

Fontes de partes da matéria: 







Extraído do blog do pesquisador do cangaço Raul Meneleu Mascarenhas

http://meneleu.blogspot.com.br/2014/10/lampiao-caminho-de-juazeiro-cidade-santa.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS

Por José Bezerra Lima Irmão

Obrigado, Zé Mendes, pelas referências feitas ao meu livro. 

De fato, dediquei 11 anos de minha vida à elaboração desse trabalho - "Lampião, a Raposa das Caatingas". Para mim, escrever esse livro era uma espécie de missão. A história de Virgulino Ferreira deve ser contada com respeito à realidade dos fatos. Lampião, para o bem ou para o mal, simboliza a história do Nordeste, junto com Antônio Conselheiro, o Apóstolo de Canudos, e com o Padre Cícero, oásis de esperança na seca espiritual deste Nordeste sofrido e injustiçado.

Quero agradecer as referências ao meu livro, feitas pelo grupo "Xaxado Cabras de Lampião", que administra o MUSEU DO CANGAÇO, em Serra Talhada, antiga Vila Bela, berço do famoso cangaceiro do Pajeú. Meu livro está exposto no MUSEU DO CANGAÇO. Todo turista de passagem por Serra Talhada precisa visitar o MUSEU. Os visitantes poderão dar uma olhada no meu livro. Só o índice tem 736 páginas. Fiz o possível para pôr nessa obra tudo o que já foi escrito sobre Lampião, sobre o cangaço e temas afins. Os fatos são contados rigorosamente na sequência temporal, com uma obsessiva preocupação com a verdade, tanto quanto possível, haja vista ser impossível passar a limpo a história depois de decorrido quase um século. Obrigado a todos.

Um forte abraço para todos.

José Bezerra Lima Irmão

Fonte: facebook
Página: José Mendes Pereira Mendes – o cangaço

http://blogdomendesemendes.blogspot.com