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terça-feira, 23 de junho de 2015

O Homem que Promoveu Lampião

Por Rostand Medeiros

A história da famosa promoção a capitão do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, ocorrida em Juazeiro, no ano de 1926, é de conhecimento de todos e um tema já bastante divulgado. Sobre o homem que realizou este procedimento, Pedro de Albuquerque Uchoa, muito já foi igualmente comentado. Quem primeiro trouxe a história da patente e a figura de Uchoa ao conhecimento geral foi o cearense Leonardo Mota (1891-1947), no seu livro “No tempo de Lampião”. Lançado em 1930, a entrevista transcrita de Uchoa, colocou este funcionário público no centro das atenções.

Lampião e família, em foto por ocasião de sua visita a Juazeiro em 1926

Três anos após o lançamento do livro de Mota e sete anos depois deste acontecimento “burocrático-cangaceirístico”, Uchoa teceu mais alguns interessantes comentários relativos a este pitoresco episódio da trajetória do Rei do Cangaço.

Matéria com Uchoa


Através da reprodução das páginas de um vespertino carioca, apresentadas na primeira página do jornal sergipano “Diário da Tarde”, de sexta-feira, 29 de setembro de 1933, vamos encontrar o funcionário público Uchoa, aparentemente vivendo na antiga Capital Federal. Pela descrição no jornal, tudo indica que ele não era mais um membro dos quadros do então Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Era apresentado pelo jornal como funcionário da “Secretaria do Tribunal”, sem especificar se era um tribunal ligado a justiça Estadual ou Federal.
O jornalista que realizou a entrevista informa que se espantou ao descobrir que estava diante do homem que forçadamente provocou uma interessante querela burocrática e o mesmo, em nenhum momento da entrevista, negou o seu ”feito”.
“- Fui eu mesmo, quando estava no Juazeiro, Ceará”. Afirmou Uchoa.

Pedro de Albuquerque Uchoa. Fonte-2ºSgt Narciso.


Mas como tudo ocorreu. Para reavivar a memória de todos, recorro ao excelente livro “Padre Cícero-Poder, Fé e Guerra no Sertão”, de autoria do jornalista e escritor cearense Lira Neto, que no capítulo 11, páginas 463 a 482, traça detalhadamente os episódios que culminaram na criação da patente de capitão para Lampião.
No ano de 1925, o então presidente da República Arthur Bernardes idealizou um plano para derrotar os componentes de uma coluna de oficiais rebelados do Exército Brasileiro, que percorriam os sertões na esperança de insuflar a massa com o seu exemplo de luta, derrubar o presidente e alterar a ordem vigente na nação. Comandados por Luís Carlos Prestes, Isidoro dias Lopes, Siqueira Campos, eram conhecidos na época como revoltosos.

Floro Bartolomeu


Eles estavam no início de 1926 adentrando o Ceará, vindos do Piauí. O presidente da República convoca Floro Bartolomeu da Costa para organizar a resistência aos rebelados no Ceará. Floro era um médico baiano, que vivia em Juazeiro, era deputado federal, muito ligado ao Padre Cícero Romão Batista e que em 1914, havia organizado um movimento sedicioso que culminou com a derrubada do então governador cearense, Franco Rabelo. Parecia o homem certo para a função. Floro procura o Padre Cícero, carismático prefeito e religioso de Juazeiro, e, com uma dinheirama vinda do Rio de janeiro, organizam os chamados Batalhões Patrióticos. Eram mais de mil homens com uniformes de brim azul-celeste e munidos de modernos fuzis privativos das forças armadas. Foram passados em revista pelo Padre Cícero em 9 de janeiro de 1926 e saíram ao encalço dos revoltosos.
Mas a caçada não deu certo. Afeitos as táticas de guerrilhas e ao constante movimento da tropa pelo sertão, os revoltosos conseguiram driblar os membros dos Batalhões Patrióticos e seguiram atravessando o Ceará.

Batalhão Patriótico em Juazeiro.


Desesperado, o Floro pede mais dinheiro ao governo e amplia a já amalucada ideia de Arthur Bernardes. Ele envia um portador para convocar para a “Guerra Santa”, com uma carta do padre destinada a ninguém menos que Virgulino Ferreira da Silva, o famigerado Lampião. No início desconfiado, Lampião acabou aceitando o convite do seu “Padim Ciço”, o homem a quem ele devotava confiança cega e que aparentemente, há algum tempo protegia os seus familiares de vinganças. Virgulino partiu para o Juazeiro. Lira Neto foi muito feliz ao colocar uma frase que exemplifica esta parte desta história; “Deus e o Diabo iriam se encontrar na Terra do Sol”. Mudanças no Meio do caminho. Enquanto Lampião seguia para a “Meca do sertão”, os revoltosos driblavam os Batalhões Patrióticos e seguiam seu caminho de lutas sem nem chegar perto de Fortaleza, ou de Juazeiro, grande temor do Padre Cícero. Neste meio tempo Floro Bartolomeu adoeceu fortemente de sintomas ligados a sífilis e deixou a “frente de combate”.

Coluna Prestes.


Logo a coluna de revoltosos, que entraria para a história do Brasil como Coluna Prestes, passou pelo Rio Grande do Norte (Cidades de São Miguel e Luís Gomes) e seguiu para a Paraíba. Floro Bartolomeu por sua vez rumou para Fortaleza e depois foi de navio para o Rio de janeiro, onde morreria em pouco tempo. Tudo parecia indicar que a tempestade havia passado, mas uma nuvem negra, em formato de um chapéu de couro com a testeira quebrada, se aproximava de Juazeiro. O perigo dos revoltosos poderia ter até passado, mas Lampião vinha cobrar a sua conta para poder “cumprir seu dever cívico”. A princípio o chefe da guarnição policial de Juazeiro pensou em oferecer resistência, mas Padre Cícero não podia aceitar esta situação. Afinal o homem era um convidado e deveria ser bem recebido. Durantes três dias de um final de semana memorável para a cidade de Juazeiro, Lampião e seus homens aproveitaram ao máximo da principal urbe do interior do Ceará.
Na noite de 4 de março de 1926, ocorreu o famoso encontro de duas das mais míticas figuras já produzidas no Nordeste do Brasil. É nessa hora que entra em cena Pedro de Albuquerque Uchoa. Encontro Memorável.
Voltando a reportagem reproduzida sete anos após os fatos, Uchoa comenta que ainda na época em que vivia em Juazeiro, era “muito amigo” do líder político e religioso da cidade. Afirmou que mantinha uma boa relação com o religioso, a ponto de todo dia o Padre Cícero ir tirar um cochilo na sua casa ao meio dia. Nestas horas a casa de Uchoa ficava cheia de romeiros que vinham pedir a benção ao velho padre.

Lampião e seu irmão Antônio Ferreira em 1926.


Sobre os acontecimentos de 4 de março de 1926, Uchoa não narra o que aconteceu antes da chegada de Lampião, mas informa que nesta noite foi acordado por dois “jagunços”, em um sobradinho onde morava com seu contraparente, o cantador João Mendes de Oliveira. Os homens intimaram o funcionário público, afirmando autoritariamente que “-Meu padrinho está chamando o Senhor com urgência”. Uchoa não perdeu tempo e foi logo a casa do Padre Cícero.
Segundo sua narrativa, estes dois homens portavam fuzis a tiracolo, estavam encourados e cheios de “medalhas”. As medalhas no caso, certamente seriam imagens de santos penduradas no peito. Ao escritor Leonardo Mota, Uchoa afirmou que estes homens eram Sabino Gomes e o irmão de Lampião, Antônio Ferreira. Ao chegar a residência do líder de Juazeiro, o Padre Cícero lhe apresentou Lampião e disse, conforme está reproduzido no velho jornal sergipano de 1933.
“- Aqui está o capitão Virgulino Ferreira. Ele não é mais bandido. Veio com cinquenta e dois homens para combater os revoltosos e vai ser promovido a capitão. Olhe, o senhor vai fazer a patente de capitão do Sr. Virgulino Ferreira e a de tenente do seu irmão”.
Evidentemente que Uchoa ficou pasmo, “perplexo” em suas palavras. Fiquei imaginando a cara do pobre coitado do funcionário do Ministério da Agricultura, acordado no meio da noite com esta bomba na mão. Ele ainda tentou argumentar que não podia, mas um dos irmãos de Lampião ponderou na hora.
“- Não, se meu padrinho está mandando o senhor pode”.
O Padre Cícero lhe colocou na condição de “mais alta autoridade federal de Juazeiro” e aí não teve jeito. Com o carismático prefeito ditando os documentos, foram “lavradas” as designações de patente. Segundo Uchoa comentou ao repórter, parte dos termos do documento referente a patente de Lampião foram; “Pelo Governo Federal era concedido a Virgulino Ferreira a patente de capitão do Exército, por serviços prestados a República”. Depois o Padre Cícero foi categórico e ordenou a Uchoa um curto “assine”. Ele colocou a sua firma no controverso documento. Interessante é que em nenhum momento na reportagem, Uchoa pronuncia que concedeu uma patente a um dos mais cruéis e sanguinolentos bandidos de lampião, o famigerado Sabino.
Após os “trâmites burocráticos”, Uchoa afirma que presenciou o temível Lampião, todo equipado, se ajoelhar reverentemente e beijar emocionado a batina do Padre Cícero. Lampião informou ao Padre que se comprometia a “proceder bem”….. Uchoa informou ainda que após o encontro destas duas figuras, Lampião e seus homens receberam suas armas, munições e partiram no meio da noite. Se assim foi, este foi o último ato da visita de Lampião e seu bando a Juazeiro. Um Simples “ajudante de inspetor agrícola”?
A Leonardo Mota, o funcionário público Uchoa afirmou que ao retornar para a sua casa, por volta das onze da noite, tentou argumentar com Sabino e Antônio Ferreira que aquele documento não valia nada e que ele “não passava de um simples funcionário subalterno do Ministério da Agricultura”. Ao que o irmão do cangaceiro-mor do Brasil respondeu secamente que “se o padre dissera que era ele que devia assinar a patente, era porque era ele mesmo”. Uchoa se calou.

O escritor Leonardo Mota.


Ao ler em Mota, que Uchoa se considerava “um simples funcionário subalterno do Ministério da Agricultura”, percebi que na reportagem de 1933, Uchoa informou que era um “simples ajudante de inspetor agrícola”. Ele então se encontrava em um posto mais baixo na hierarquia dos quadros funcionais do Ministério da Agricultura daquela época? Seria obrigatório que um “ajudante de inspetor agrícola”, fosse uma pessoa com formação superior?
A resposta é não necessariamente. Mesmo com o termo “ajudante”, aparentemente esta extinta função do Ministério da Agricultura, conforme se lê em vários exemplares do Diário Oficial da União (D.O.U.) desta época, poderia, ou não, ser exercida por uma pessoa com o título de agrônomo. Encontrei várias transferências publicadas no D.O.U., do início da década de 1930, onde vemos inúmeros “ajudantes de inspetor agrícola” sendo remanejados. Alguns aparecem com o título de “agrônomo” adiante do cargo, em outros não.
Mesmo não tendo encontrado nada designando Uchoa como agrônomo, eu acredito que ele tinha sim esta formação. O interessante é que na entrevista concedida no Rio, sete anos depois do episódio em Juazeiro e reproduzida na primeira página do jornal sergipano “Diário da Tarde”, em nenhum momento Uchoa comenta sua formação superior. Isso em uma época onde o Brasil era tão carente de educação, que quem era “Dotô” fazia questão de dizer a todos sobre a sua superioridade acadêmica e ainda mostrar o seu anel de formatura.
Das duas uma; ou Uchoa era um homem muito humilde, ou o repórter do tal vespertino carioca era muito fraco… Certamente o Padre Cícero, em muito pouco tempo, deve ter se arrependido de dar continuidade à ideia de Floro de trazer Lampião a Juazeiro. Logo Lampião percebeu que de seus “colegas de farda”, estes não viriam até ele com salamaleques típicos de militares e nem com continências. Deles, Lampião só iria receber bala. Sobre a sua luta contra os revoltosos da famosa Coluna Prestes, existem indicações que Lampião e seu bando travaram um pequeno combate, sem maiores consequências, em Pernambuco. Depois o cangaceiro decidiu continuar seu caminho de depredações, saques e violências, do qual era um especialista, deixando de lado a promessa feita ao Padre Cícero.
Mas quem não deixou passar em branco a situação foram os jornais da época, que se mostraram extremamente impiedosos nas críticas ao líder de Juazeiro.
As manchetes do jornal recifense “A Noite”, de 10 de agosto de 1926, aqui apresentadas, dão uma ideia do que o Padre Cícero sofreu. O texto então é pior ainda. Nele encontramos; “E ainda agora, para coroar toda esta obra de misérias que o Padre Cícero vem desenvolvendo ao longo de anos, Lampião passeia a sua impunidade nas ruas de Juazeiro, garantido e hospedado pelo padre satânico”.
Em minha opinião o Padre Cícero não percebeu a extensão do estrago que ocorreria quando decidiu dar prosseguimento ao plano desorientado de Floro Bartolomeu. Alguém se esqueceu de lembra ao padre que seria muito difícil fazer com que certos componentes de volantes que combatiam os cangaceiros, teriam agora de parar a sua luta figadal contra o facínora e seus homens, e ainda mais, teriam de prestar continência ao capitão Virgulino. Isso tudo apenas por uma ordem emanada de Padre Cícero e sacramentada pela “mais alta autoridade federal de Juazeiro”, um “ajudante de inspetor agrícola”.
Para a imprensa do país e certos setores da elite que governava a nação, a ação do Padre Cícero foi considerada, no mínimo, “desastrada” e só serviu para manchar a sua biografia. Sobrou até para o pobre do Uchoa. Segundo a reportagem de 1933, ele teve de prestar contas do ocorrido a ninguém menos que o próprio ministro da agricultura.
Uchoa não informa se foi ao titular da pasta durante a gestão Arthur Bernardes, o baiano Miguel Calmon du Pin e Almeida, que ele teve de narrar os fatos. Ou se prestou contas ao sucessor deste, o paraense Geminiano Lira Castro. Já o paulista Paulo de Morais Barros, que assumiu o ministério depois da Revolução de 1930, na mesma época que ocorreu o lançamento do livro de Leonardo Mota, que tornou o “simples funcionário subalterno do ministério da Agricultura”, em alguém que mereceu um encontro com o titular do ministério.
Com qual ministro se encontrou, não importa. O que importa foi que neste encontro ele falou a autoridade, o mesmo que havia dito a Leonardo Mota; “Naquele momento eu lavraria até a demissão do presidente da República”… Não sei se esta verdadeira “epopeia burocrática” trouxe a Uchoa algo mais do que constar nos livros de história do cangaço.

O maior beneficiado com a visita a Juazeiro foi Lampião.


Sem dúvida alguma, apenas uma pessoa saiu ganhando deste episódio e ele foi Lampião. Além de receber novos fuzis e munições, vaidoso como era, deve ter adorado a sua “patente”. Pois assim passou a assinar seus bilhetes e seus cartões que continham sua fotografia. A partir do dia que Uchoa assinou aquele papel, todos os nordestinos que ficaram diante de Lampião, desde um rico coronel na sua casa-grande, ao simples lavrador na sua tapera, passaram a tratá-lo como capitão.
Uma situação chama atenção. Lampião sabia que nao lutaria mais com a Coluna Prestes? A Coluna Prestes cruzou o Rio Grande do Norte em 4 de fevereiro de 1926, depois foi para a Paraíba e Pernambuco. Lampião só chegou a Juazeiro em 4 de março. É possível que ele soubesse por onde andava a Coluna? Certamente. Os jornais Pernambucanos da época, que estão no Arquivo Público de Pernambuco, dão notícia praticamente dia a dia dos Revoltosos . Se os jornais em Recife sabiam, imaginem Lampião.
Esperto e bem informado, certamente Lampião deveria saber de tudo isto. Mas como diz Lira Neto, foi a Juazeiro cobrar o que lhe foi prometido. Lampião era tão sem vergonha, pilantra, que não ficou satisfeito só com as armas e munições (que já era um grande presente), quis a patente, quis sair de Juazeiro como “oficial” e “oficializado” e aí ocorre o caso do Uchoa. Me chama a atenção que, com o poder que o Padre Cícero tinha em Juazeiro, ele poderia ter mobilizado até as “corujas da torre da igreja” para lutar contra Lampião e este jamais teria pisado em Juazeiro e sei lá o que teria acontecido. Mas ele não fez. Por que?
Creio que o Padre tinha receio de um retorno dos Revoltosos a sua região. Pode ter pensado que podia precisar dos serviços do “capitão”. Não podemos esquecer que nesta época os membros da Coluna já tinham entrado em Piancó e degolado o líder político local, o também Padre Aristides, depois de um forte combate pouco conhecido.
Defesas em Favor do Padre Cícero. Chama atenção neste episódio a forma como ao longo dos anos os defensores de Padre Cícero buscaram, de todas as maneiras, alterar as características deste encontro com Lampião. Dos cantadores de feira, passando pelo sanfoneiro Luís Gonzaga e até na internet dos nossos dias, muita gente buscou dar uma nova versão aos fatos. Durante anos existiram folhetos de cordel, livros, revistas que defendiam a existência histórica do encontro e surgiam os defensores da tese que nada foi daquela forma.

Capa do disco com o show de 1972, com Luiz Gonzaga ao vivo.


Em 1972 o admirador inconteste de Padre Cícero e de Lampião, o sanfoneiro Luiz Gonzaga, de Exu, em Pernambuco, ao realizar um antológico show no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro, defendeu abertamente o Padre Cícero em relação ao seu encontro com Lampião. Nesta época Luiz Gonzaga andava meio esquecido do grande público, devido a Bossa Nova, Jovem Guarda e outros movimentos musicais. Este show foi seu grande retorno, sendo um dos poucos registros de como era Gonzagão no palco. Quando cantou a música “Olha a Pisada”, de sua autoria em parceria com o médico Zé Dantas, fez um “break” e narrou uma história sobre o episódio. Começava com Lampião e a “cangaceirada” entrando de fuzil na igreja “com a boca do cano para baixo” em sinal de respeito. Gonzaga afirmou que o Padre Cícero Não queria que Lampião chegasse muito perto dele e, quando este pediu uma benção, o padre de Juazeiro não lhe benzeu e ainda aplicou com seu cajado uma grande surra em Lampião.
Evidentemente que nada disto aconteceu. Era uma criação fantasiosa do insuperável sanfoneiro, na defesa do Padre Cícero. Atualmente, chama atenção a defesa do Padre Cícero que ocorre no site Wikepedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Floro_Bartolomeu).
Nesta grande enciclopédia da internet, no tópico destinado a narrar a vida do médico baiano Floro Bartolomeu da Costa, encontramos um texto repleto de meias verdades, que em nada ajuda a estudantes que por ventura utilizarem este serviço para uma pesquisa sobre este assunto. O texto comenta que no ano de 1925, Floro havia recebido uma ordem do então presidente da República Artur Bernardes para defender o Ceará da Coluna Prestes. Foram então organizados os chamados Batalhões Patrióticos (verdade). Consta que Floro, teria então usado o nome do Padre Cícero sem que o sacerdote soubesse dos fatos (situação essa muito difícil de ocorrer devido ao prestígio do Padre Cícero).

Juazeiro. Fonte - http://www.skyscrapercity.com


Este então convidou Lampião a fazer parte do Batalhão Patriótico. Lampião, grande devoto do padre, aceitou o convite e partiu para Juazeiro, mas não encontrou Floro, que havia viajado para o Rio de Janeiro por motivos de saúde (verdade). Comenta-se que Padre Cícero ficou perplexo quando soube que Lampião estava em Juazeiro para servi-lo (O Padre Cícero sabia que eles vinham).
Ao encontrar Lampião e seu bando, Padre Cícero os aconselhou a abandonar o cangaço e lhes deu rosários de presente, com a condição de que só usassem depois de abandonar a vida bandida (o Padre Cícero pode até ter dado conselhos, rosários e escapulários, mas as armas e munições foram entregues). Os cangaceiros deixaram então Juazeiro, mas antes Lampião recebeu a patente de capitão do Batalhão Patriótico das mãos de Pedro de Albuquerque Uchoa, funcionário público e integrante do batalhão (Uchoa não afirmou isso nem em Leonardo Mota e muito menos na reportagem de 1933).

Fonte - http://www.skyscrapercity.com


O Padre Cícero Romão Batista era um homem do seu tempo, com virtudes e defeitos. Possui uma biografia feita de altos e baixos momentos, coisa normal que qualquer ser humano passa em sua vida. Para mim, o encontro com Lampião foi um momento de baixa na história do padre.Mas em minha opinião, ele fez sim um grande milagre (e não tem nada haver com a história da Beata Mocinha). O maior milagre do padre Cícero, mesmo tendo sido realizado em meio a religiosidade popular e mística, lances de violência e muita politicagem, foi a transformação de um simples povoado em uma das mais pulsantes e progressistas cidades do interior do Nordeste.
Rostand Medeiros - Fonte -  http://tokdehistoria.com.br
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segunda-feira, 22 de junho de 2015

CRISTINA DO CANGACEIRO PORTUGUÊS


O cangaceiro Português descobriu que sua companheira Cristina estava lhe traindo com um cangaceiro alagoano, chamado Jitirana, do grupo do cangaceiro Corisco (Antônio Felix), Cristina fugiu desesperada, indo procurar Corisco, pedir proteção. Corisco estava na fazenda Aroeiras, município de Piranhas, no estado de Alagoas.

Ela procurou a pessoa errada, pois Corisco era contra mulher no grupo, e ainda costumava dizer: 

"- De mulher para dar trabalho, basta a minha”.


Cristina era sergipana e a família morava em Propiá. Corisco enganou Cristina, dizendo que ia mandar ela para casa dos pais, quem iria leva-la era Messias de Cazusa. O grupo foi para a fazenda Emendadas de Bié.

Era 21 de julho de 1938, Corisco mandou um cabra levar ela até a beira do rio, dizendo que Messias estava lá esperando para levá-la até Propiá. Logo que saíram, ouviram uns gritos e tiros. Foi executada.

Fonte: facebook
Página: Francimary Oliveira

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O FILHO DOS CANGACEIROS MARIANO E OTÍLIA


O FILHO DOS CANGACEIROS MARIANO E OTÍLIA, entregue ao Padre Firmino da cidade de Mata Grande-AL.. "O BILHETE" (Livro: Almas do Nordeste de C. Nery Camello).
“SR. PADRE FIRMINO“
Mando essi minino para o senhor criar. 
Pode criálo que ele não é culpado dos mal-feitos do pai. 

Nasceu no dia 21 de abril, ás 8 horas da noite.  

Filho de MARIANO LAURINDO GRANJA E OTÍLIA MARIA.

Peço ao senhor para ser o padrinho e Nossa Senhora a madrinha.

MARIANO GRANJA

Fonte: facebook

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ENTREGA DO GRUPO DE CANGACEIROS DE ÂNGELO ROQUE.. Fonte: A Noite, edição de 01-04-1940


Fonte: facebook

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O cangaceiro Luis Pedro Cordeiro


Luis Pedro Cordeiro, ou simplesmente, o cabra Luis Pedro, nasceu na fazenda Almas, próximo ao lugar Retiro no município de Triunfo PE. Foi sem nenhuma dúvida o cangaceiro que acompanhou Lampião por mais tempo. Entrou para o grupo de Lampião no final de 1923 ou início de 1924, ou seja, justamente quando o futuro rei do cangaço "veraneava" ali pelas regiões de Triunfo PE e Princesa PB, tendo como base uma fazenda do coronel Marçal Diniz na pequenina Patos, hoje Irere. 

Luis Pedro tinha nessa época por volta de 18 anos de idade, era um homem de estatura mediana e pele clara. Luis Pedro foi também um dos poucos cangaceiros que sempre respondeu unicamente pelo nome de batismo, no bando jamais teve apelido. 

Pelo menos apelido que se tornasse conhecido. Embora sendo homem da maior confiança de Lampião, Luis Pedro jamais teve um grupo que lhe pertencesse, ou seja, um grupo que fosse "o grupo de Luiz Pedro". 

Claro que muitas vezes chefiou grupos em várias missões, porém, nessas vezes sempre chefiando cabras de outros grupos, principalmente cabras pertencentes ao grupo de Lampião. Luis Pedro, não era homem que gostasse de ostentação, não ligava para a fama... 

...tanto é que, mesmo nas ocasiões que estava chefiando algum grupo, ao se apresentar em algum lugar dizia: "meu nome é Luis Pedro, CABRA de Lampião" Como tantos outros cangaceiros, durante certo tempo Luis Pedro também teve sua companheira no bando. 


Era Neném, uma baiana que o acompanhou por bastante tempo, ou seja, até o dia que veio a morrer, a morte de Neném aconteceu exatamente um dia após a entrada de Sila no cangaço em novembro de 1936, num ataque da volante do sargento Deluz ocorrido na fazenda Mocambo no estado de Sergipe. 

A viúva D. Delfina Fernandes, coiteira de cangaceiros e proprietária da fazenda Pedra d’água, chegou a comentar que certa vez quando o bando de Lampião fazia uma travessia no rio São Francisco, Maria Bonita teria arrastado uma asa para o cabra Luis Pedro. Até aí nada de mais, pois, é comum isso acontecer onde convivem homens e mulheres. 

Mas será que algum dia D. Delfina chegou a navegar no rio São Francisco em companhia do grupo de Lampião? Luis Pedro, sempre fiel, sempre respeitado pelos outros cabras e também pelo próprio Lampião, veio a tombar brigando em Angico em 1938 ao lado de Lampião e mais 9 companheiros. 

Luis Pedro era um cangaceiro que amealhou fortuna no cangaço. De acordo com o soldado Antonio Jacó, matador de Luis Pedro, que confessou ter ficado com todos os pertences do cangaceiro, que carregava consigo na ocasião, além de muitas joias e ouro, quantia acima de 200 contos em dinheiro. O cabra Luis Pedro acompanhou Lampião por quase 15 anos."

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"Lampião - O Cangaço e seus Segredos".


Vocês poderão  adquirir esta obra intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos" do escritor Sabino Bassetti, através deste e-mail:

sabinobassetti@hotmail.com

Muitas informações sobre o cangaço, algumas até então desconhecidas pelos estudiosos e simpatizantes do cangaço.

Através de pesquisas sérias e comprometidas com a verdadeira história, o Bassetti entrega aos companheiros amantes do tema "cangaço", a sua mais nova obra:

"Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frete já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e adquira já o seu.

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SILA- UMA GUERREIRA ATÉ O FIM! (ALGUMAS LEMBRANÇAS DE MINHA INFÂNCIA)

Por Susi Ribeiro Campos

Boa noite amigo José Mendes Pereira, como lhe prometi, escrevo aqui algumas lembranças de minha convivência com minha sogra Sila, ex-cangaceira de Lampião.


Após algumas visitas que fizemos em seu lar, Dona Sila e eu sempre que possível, nos comunicávamos por carta, inclusive ela me ajudava nos estudos sobre o Cangaço que continuavam na escola.

Em 1980, eu então com doze anos de idade fui passar minhas férias escolares no apartamento de minha avó, que morava ao lado do Shopping Ibirapuera, e naquela época, ficar dias ao lado de um Shopping, era uma maravilha para uma criança.

Marcamos o dia e ela foi nos visitar.

Minha avó, Elfrida Clara Alves Machado Ambrogini, era baiana, de Salvador, mas que havia sido criada em São Paulo, onde chegou com seus pais ainda criança, por motivo de trabalho do meu bisavô. Casou-se com um italiano e passou a integrar totalmente a comunidade europeia.

Lembro-me que mesmo assim sua frase preferida era:

"Ai que saudades que eu tenho da Bahia"!

Os comentários dos parentes que haviam ficado na Capital Baiana, seguiam os jornais da época, e ela realmente tinha verdadeiro pavor do nome "Cangaceiro." Não foi fácil explicar a ela que os cangaceiros não eram o que os jornais da época diziam, mas que os jornais trabalhavam do ponto de vista do Governo da época.


Quando Sila chegou, com ar alegre, bonita, bem vestida, perfumada como sempre foi, minha avó não queria acreditar que se tratava de uma ex-cangaceira de verdade.

Sila e ela enfim, ficaram muito amigas. conversaram por muito tempo sobre costura, tema que agradava a ambas.

Sila era muito alegre ao conversar comigo e com minha avó..., mas dentro de seu olhar, eu sentia uma tristeza escondida, uma mulher que havia sofrido muito... lutado a vida inteira para criar seus filhos de forma digna.


Havia trabalhado duro ao lado do marido Zé Sereno e até mesmo se recusava a aceitar um emprego muito bom, de costureira, em uma fábrica, pois haviam descoberto que ela estava grávida e, segundo nos contou, se não "tirasse a criança" nada de emprego. Mesmo precisando muito, ela se indignou e não aceitou, estava grávida de Wilson.

Só por esse motivo que ela deve ter mencionado a outras pessoas também, tenho tanto a lhe agradecer, pois foi através dela que meu falecido esposo Wilson Ribeiro de Souza, ou simplesmente Ribeiro, como gostava de ser chamado pelos amigos, veio a este mundo. Seus olhos brilhavam de emoção ao contar suas histórias, era muito "viva", tinha muita energia!

Era morena clara como Wilson, cabelos ligeiramente ondulados, curtos, bem alinhados, olhos castanhos, alta e magra, mas muito estilosa, roupas bem cuidadas, sóbria, discreta, uma senhora Dona Sila.

Olhou minha avó e perguntou: "- Nossa! É baiana? Tão branquinha para ser da Bahia" ao que minha avó respondeu que apenas havia nascido em Salvador, foi criada na Cidade fria e cinzenta de São Paulo, onde todo mundo fica branco demais, além de ser neta de portugueses.

Lea Ambrogini de Lima e sua filha Susi Ribeiro Campos

Foi uma grande alegria para mim poder mostrar à minha avó (meu avô italiano já havia falecido), a meus pais, e a toda uma escola, na época eu estudava ainda no "Colégio Maria Imaculada" no Bairro do Paraíso em São Paulo, que o Cangaço e os Cangaceiros eram "gente igual a gente" só que com uma diferencial: Grandes Batalhadores, pessoas que sofreram muito para chegar a serem vistos sem preconceitos pelos paulistas, paulistanos, e até mesmo pelos nordestinos das grandes cidades, que os conheciam apenas "de ouvir falar", através da mídia da época, que eram os Jornais.

Minha avó, a qual eu chamava de Pitinha, ficou muito amiga de Sila e propôs a ela, se poderia ser minha madrinha de Batismo, pois eu, por motivos da diferença religiosa entre meus pais, ainda não havia sido batizada.

Esse fato acabou por não acontecer, mas desde então, eu passei a chamá-la de Madrinha até o fim de sua vida. Fui batizada já adulta, em São Paulo, antes de me casar com Wilson.

Batismo de pessoa adulta na década de noventa, se realizava de uma só vez, após um curso, o "Batismo/Primeira Eucaristia e Crisma" de uma só vez, na Igreja Santa Maria Goretti no Butantã/Vila Gomes.

Desculpe por não poder lhe fornecer fotos amigo José Mendes Pereira, mas após o que aconteceu quando fiquei viúva de Wilson, e fui completamente roubada pela família evangélica que mencionei no primeiro texto, tudo que consegui de fotos que tenho hoje foi recolhido nos lixões e terrenos baldios da cidade por onde procurei.

Fotos de Sila e Dadá

Sila, Ilda Ribeiro de Souza (há controvérsias sobre seu verdadeiro nome, e eu procuro não entrar no assunto, pois é fruto do trabalho de pesquisadores) segundo seus documentos pessoais, nasceu no dia 24 de outubro de 1919, sei disso, pois, posteriormente quando convivi com ela, já como minha sogra, a acompanhava ao médico e portanto a ajudava com seus cartões e RG.

Sobre nossa convivência "nora/sogra" lhe escreverei outro dia.

Muito obrigada pela oportunidade, meu amigo!

Meu desejo é que Sila hoje descanse na Paz de Deus! ELA FOI, É, E SEMPRE SERÁ UMA GRANDE GUERREIRA ATÉ O FIM! 

Com toda admiração da nora,
Susi Ribeiro Campos.

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Referências dos sítios de sepultamento da ex-cangaceira Dadá

Por Rubens Antonio

Segunda-feira, 7 de janeiro de 1994. Padre "encomendando a Deus", a alma de Sérgia da Silva Chagas, a Dadá, no Cemitério Jardim da Saudade - Foto de Carlos Casaes, no jornal "A Tarde":

Registro do assentamento original de Dadá, no Cemitério Jardim da Saudade:
Aspecto geral do cemitério, na área do sepultamento original, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, em Salvador, Bahia:
Sítio específico onde se encontrava a sepultura, antes do translado para o ossuário da Ordem Terceira do Carmo:
Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Salvador, Bahia. O pequeno anexo com duas portas, à direita, é a entrada do ossuário da ordem:
Parte do ossuário da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Salvador, Bahia, onde estão os restos de Dadá:
Parede do ossuário da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Salvador, Bahia, onde estão os restos de Dadá:
Ossuário de Dadá:

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

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domingo, 21 de junho de 2015

ESSE EVENTO EM PIRANHAS É SIMPLESMENTE IM-PER-DÍ-VEL!


Meninos! Esse evento em Piranhas é simplesmente im-per-dí-vel! Além da visita ao sítio histórico de Maranduba, onde aconteceu um dos maiores combates da história do cangaço, somente comparável às Batalhas de Macambira, Serra Grande e Serrote Preto, teremos a oportunidade de assistir a mais de uma dezena de palestras e painéis dos companheiros Inácio Loiola Damasceno Freitas, Manoel Severo Barbosa, Archimedes Marques, Lamartine Andrade Lima, João de Sousa Lima, Jorge Remígio, Narciso Dias, Sousa Neto, Antônio Fernandes de Araújo Sá, Vera Ferreira, Ivanildo Silveira, Kiko Monteiro, Celso Rodrigues, Antônio Amaury, Sílvio Bulhões, Leandro Domingues Duran, Wescley Rodrigues, Juliana Pereira, Aderbal Nogueira... E, por fim, a Missa do Cangaço, na Grota do Angico. 

Estarei lá! "Cariri Cangaço - Piranhas 2015".

Fonte: facebook

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VALE A PENA VER DE NOVO


Ataque do Bando de Lampião à Fazenda Jiló, por causa de uma intriga feita por Horácio Novais, relatado por Cícero Pedro, que na época era criança e ouviu a história contada por seus familiares.

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QUEM MATOU DELMIRO GOUVEIA?


SERVIÇO
Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.
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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAVERNAS


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JESUÍNO BRILHANTE FILME COMPLETO



Leia um pouco sobre o cangaceiro romântico

Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico 
Por Ângelo Osmiro

Jesuíno Alves de Melo Calado ou simplesmente Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico. Nasceu no sítio Tuiuiú nas proximidades de Patu no Estado do Rio Grande do Norte. Agricultor e criador até os vinte e cinco anos, era um homem pacato. Segundo o grande folclorista potiguar Câmara Cascudo que por sua vez ouvira do padre Antônio Brilhante, Jesuíno era de estatura baixa, robusto, pele clara, arruivado e de olhos azuis, falava manso e tato; exímio atirador tinha grande pontaria sendo ainda ambidestro. Casou-se com uma prima, chamada Maria Carolina C. de Mello com quem teve cinco filhos. 

Um verdadeiro “Robin Hood” do sertão, roubava dos ricos para distribuir aos pobres, tendo como fato que durante a grande seca que assolou o sertão nordestino em 1877, uma das mais catastróficas da história, ele e seu bando saqueavam os comboios enviados pelo governo transportando alimentos. Distribuía aos flagelados a seu critério; era aquele que protegia as donzelas ultrajadas, fazendo casamentos, principalmente de filhos de poderosos que abusavam das filhas dos sertanejos humildes, achando que não seriam punidos ou obrigados a casar.

A entrada de Jesuíno Brilhante no cangaço deu-se em razão de uma desavença com uns vizinhos da família Limão, esses ligados ao partido Conservador, então dominante da política local, em contra partida a família de Jesuíno estava ligada ao partido Liberal, “em baixa” como se dizia na época. Este fato em especial viria causar a perseguição de Jesuíno por parte de um governo tendencioso. 

Após um roubo de cabras na fazenda dos Calados, praticados por membros da família Limão, a briga esquentou, tendo um irmão de Jesuíno de nome Lucas Alves, levado uma surra de Honorato Limão na “rua” de Patu. O fato revoltou Jesuíno Brilhante que se dirigiu à localidade em busca de vingança, tendo encontrado o agressor em um bar, zombando e mandando abrir uma garrafa de cachaça em “honra do morto”. Jesuíno invadiu o estabelecimento comercial e matou Honorato Limão a golpes de faca, fato ocorrido precisamente no dia 25 de dezembro de 1871, noite de natal.

Outra versão é que um menino da família Limão teria desrespeitado o patriarca da família, o major João Alves de Mello Calado. Zé Limão cumprindo ordens de seu patrão José Lobo, fora à fazenda Tuiuiú devolver uma junta de bois que João Alves havia emprestado a seu patrão. Desgostoso com a ordem, o moleque foi a contragosto e chegando a propriedade dos Calados, não tratara com o devido respeito ao velho fazendeiro. Naquele mesmo instante chegava à fazenda Jesuíno, filho de João Alves que presenciou toda a cena e pediu respeito para com seu pai, o menino atrevidamente respondeu ao filho de João Alves e puxou uma faca para agredi-lo, sendo desarmado e dominado por Jesuíno, acabou levando uma surra. A família Limão passou a jurar vingança pela sova levada pelo caçula. 

A partir do assassinato de Honorato Limão, Jesuíno Alves de Melo Calado passaria a ser Jesuíno Brilhante, o nome era uma homenagem a um tio, que havia abraçado a vida bandoleira anteriormente. Sua vida foi repleta de histórias extraordinárias, como a que uma vez, chegando à fazenda de um conhecido seu, pediu ao fazendeiro cavalos, viveres e dinheiro, tendo este negado, dizendo que dar não daria se quisesse que levasse, Jesuíno respondeu-lhe que era cangaceiro sim, ladrão não, montou em seu cavalo e saiu sem mais nada dizer ou fazer. Outro fato famoso de sua vida bandoleira deu-se no assalto a cadeia de Pombal na Paraíba, com o intuito de soltar seu irmão que estava preso naquela cidade. Assim como também o ataque à cadeia de Martins no Rio Grande do Norte, quando, enquanto tiroteava com seus inimigos ia furando buracos nas paredes das casas conjugadas, indo sair na última casa da rua, deixando seus adversários atônitos com sua astúcia. Nesta ocasião deu fuga a 43 presos conforme consta no processo aberto para apurar o caso. 

Jesuíno entrou na vida bandoleira aos vinte e cinco anos, passando cerca de dez anos vivendo em baixo do cangaço, porém jamais foi assalariado para cometer qualquer tipo de crime, tinha orgulho de dizer que nunca havia matado para roubar. Dentre as histórias heroicas da tradição oral atribuída a Jesuíno Brilhante, conta-se que certa vez pedindo pouso em uma fazenda, foi atendido pela mulher do fazendeiro, pois este estava viajando. Aflita, a mulher pede socorro, um valentão do lugar havia mandado avisar que ela se preparasse àquela noite, pois ele viria dormir com ela. Jesuíno orientou a mulher a sair de casa e tomou seu lugar no quarto. Brilhante esperou o valentão, que apareceu à noite e adentrou no quarto pensando encontrar a pobre mulher indefesa. Pouco tempo depois o homem saiu gravemente ferido e veio a falecer. Ao amanhecer a mulher voltou para casa, encontrou Jesuíno que a tranquilizou, dizendo ter resolvido o problema, o valentão não voltaria mais, pois havia viajado. 

Também no Ceará, o cangaceiro romântico fez das suas. Após sua esposa e seu pai sofrerem severas humilhações praticadas pelo Alferes Sá Leitão no Rio Grande do Norte, o militar agressor tentou refugiar-se nas redondezas da cidade de Russas, onde para seu azar, moravam vários familiares do cangaceiro. Não demorou muito para que Jesuíno Brilhante fosse avisado pelos parentes do paradeiro de seu inimigo. Deslocou-se para as terras jaguaribanas acompanhado somente do cabra conhecido por Pajeú. Sabendo de todos os passos do militar, Jesuíno preparou uma emboscada e feriu mortalmente seu opositor, após o ocorrido voltou oculto para o território potiguar.

Sua saga foi romantizada pelo grande escritor cearense Rodolfo Teófilo, através do livro “Os Brilhantes”. Escritor nascido na Bahia, entretanto dizia ser cearense por opção. Algumas histórias de gentil homem são atribuídas hoje em dia ao cangaceiro Lampião, o que cria de certa forma uma áurea de herói para o cangaceiro do Pajéu, o que na realidade Lampião não foi, algumas dessas atitudes foram mesmo protagonizadas pelo cangaceiro herói potiguar, esse sim um cangaceiro romântico. Outras histórias sequer existiram, sendo pura criação do imaginário popular.

A vida de Jesuíno Brilhante foi heroica, e sua morte não poderia ser diferente. Sendo atacado pela polícia comandada por um seu inimigo da família Limão, vendo-se acuado montou em seu cavalo e partiu célere em direção dos seus perseguidores disparando seu bacamarte, mas foi ferido mortalmente pelo inimigo. Jesuíno foi ainda carregado pelos companheiros, vindo a falecer no lugar Palha, no meio do mato, onde foi enterrado. Anos depois seu amigo o médico Francisco Pinheiro de Almeida Castro exumou o esqueleto, levando a caveira para Mossoró, daí para a cidade do Rio de Janeiro de onde não se sabe hoje seu paradeiro. Jesuíno Brilhante o verdadeiro Cangaceiro Romântico.

Ângelo Osmiro 

Fonte: lampiaoaceso.blogspot.com
*Ângelo Osmiro Barreto é Historiador e Pesquisador do Cangaço, sócio da SBEC - Sociedade brasileira de estudos do cangaço

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VISITA DE JOSÉ MENDES PEREIRA E DO PROFESSOR JOSÉ ROMERO DE ARAÚJO CARDOSO AO FOTÓGRAFO JOSÉ RODRIGUES DA COSTA

José Rodrigues da Costa

Hoje, dia 21 de junho de 2015, pela manhã, às 9:00 horas, estive na casa do José Rodrigues da Costa, proprietário do Foto Rodrigues, em companhia do professor adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), escritor e pesquisador do cangaço José Romero de Araújo Cardoso. José Rodrigues e José Romero são amigos de longos anos, os quais vem contribuindo para o enriquecimento da cultura do Nordeste, bem como do Brasil inteiro.

José Romero de Araújo Cardoso e Marcela Ferreira Lopes

Na ocasião, José Romero de Araújo Cardoso fez uma doação a José Rodrigues da Costa, em nome dele e da namorada Marcela Ferreira Lopes, que também é uma importante colaboradora no que diz respeito à cultura do nosso país, sobretudo da região Nordeste. 

Marcela Ferreira Lopes é graduada em Geografia pelo Centro de Formação de Professores da Universidade Federal de Campina Grande e graduanda em Pedagogia pela mesma instituição de ensino superior, além de Especialista em Educação de Jovens e Adultos, com ênfase em Economia Solidária, pelo Centro de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade Federal de Campina Grande.

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SINA DE CANGACEIRO

Paulo Gutemberg de Noronha Costa

Personagens citados no baião SINA DE CANGACEIRO

  Virgulino Ferreira, o bandido Lampião                           Rodolfo Fernandes, Prefeito de Mossoró em 13 de Junho de 1927

1954 – (...) o baião “Sina de Cangaceiro”, de João Costa Neto e Paulo Gutenberg, sobrinho de Joãozinho. Esse baião conta a história da péssima recepção sofrida por Lampião, ao chegar à cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

SINA DE CANGACEIRO
(Paulo Gutenberg – Costa Netto)

Mossoró, Mossoró, Mossoró.
Cangaceiro chegou numa nuvem de pó
Cangaceiro voltou sem vencer Mossoró (Bis)

Cidade de Baraúna,
Uma aroeira bem forte
Resistiu seu povo bravo,
Não nasceu pra ser escravo
Dos bandoleiros do Norte

Bis

Na trincheira de Rodolfo,
Só de fardo de algodão,
Quebrou o orgulho do cabra,
De Virgolino Ferreira,
O bandido Lampião.

In: DANTAS, Kydelmir. Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte – Personalidades, Músicas e Episódios. Mossoró – RN: Queima-Bucha, 2012. P. 156 - 157

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do "Cangaço" José Romero de Araújo Cardoso

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