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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

EQUIPE DE REPORTAGEM VISITA CAVERNA QUE SERVIA COMO ESCONDERIJO DE LAMPIÃO E SEU BANDO NO CEARÁ


"O nosso http://blogdomendesemendes.blogspot.com não afirma que é mentira, mas também não quer dizer que é verdade este acontecimento registrado. 

Eu nunca ouvi falar que Maria Bonita e Lampião, "juntos", estiveram no Ceará. O leitor é quem dirá sim ou não!". 

De acordo com moradores, na caverna, existia um quarto secreto para o casal Lampião e Maria Bonita.

Por TV Jangadeiro
Categories: em Gente na TV
14 de fevereiro de 2017

Conheça a caverna onde Lampião e seu bando morava (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro).


Depois de mais ou menos 20 minutos de caminhada desviando de obstáculos e matos, a equipe de reportagem do Gente na TV, Jangadeiro/SBT, chegou a uma caverna onde, segundo os moradores de Alcântaras, no Ceará, Lampião e seu bando se escondiam. O local guarda histórias e muito mistério.

Com muita dificuldade, a equipe chegou a um local reservado na caverna que, segundo o guia, era o quarto do casal Lampião e Maria Bonita. É um verdadeiro paraíso natural.

Veja todos os detalhes dessa história no vídeo da Gente na TV, da TV Jangadeiro/SBT:

Clique no link abaixo e assista ao vídeo:

http://tribunadoceara.uol.com.br/videos/gente-na-tv/equipe-de-reportagem-visita-caverna-que-servia-como-esconderijo-de-lampiao-e-seu-bando-no-ceara/amp/

Nota do http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O que Lampião e Maria Bonita foram fazer no Ceará na década de 30? Incrível, este acontecimento! 

Veja o mapa: 

Se Lampião se escondia com o seu bando nesta caverna, sem Maria Bonita, eu até acredito um pouquinho, mas só um pouquinho, um tiquinho que cabe dentro de um dedal, desse tamainho, mas já na década de 30, em companhia da sua rainha Maria Bonita no Ceará, não dá para eu acreditar. 

Estão querendo formar ponto turístico para que as pessoas se iludam e partam para conhecer a caverna que Maria Bonita nunca esteve lá.

E essa história saiu de quem? Quem presenciou Lampião com Maria Bonita arranchados para dormirem uma noite ou várias noites nesta caverna?


Mas esta é a minha opinião e respeito a opinião do leitor. 

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ACABOU DE SAIR DO "FORNO". ZÉ RUFINO - O MATADOR DE CANGACEIROS (DOCUMENTÁRIO)


ACABOU DE SAIR DO "FORNO".ZÉ RUFINO - O MATADOR DE CANGACEIROS (DOCUMENTÁRIO)

O vídeo constante nesse documentário foi extraído do documentário "MEMÓRIAS DO CANGAÇO" produzido pelo Jornalista e Cineasta Paulo Gil Soares no ano de 1964.

Jornalista e cineasta Paulo Gil Soares

Vocês assistirão nesse documentário a uma sensacional entrevista com o célebre "Tenente Zé Rufino" que durante anos comandou uma das mais temidas Forças Policiais Volantes, dando combate ao cangaceirismo/banditismo, que naquela época, infestava os sertões do Nordeste. 


Zé Rufino entrou para a história como um dos maiores perseguidores e matadores de cangaceiros de todo o período de existência do fenômeno cangaço em solo nordestino.

Assistam...

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo: Lampião, cangaço e Nordeste
Link: https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5

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A CADERNETA DE LAMPIÃO...!


Um dos objetos mais interessantes do rei do cangaço é uma caderneta composta de rabiscos enigmáticos, até hoje, nunca estudada e decifrada pelos pesquisadores do cangaço. Se trata de um objeto da coleção da Família Ferreira Nunes.

O rei do cangaço, além de sanguinário, era um homem minucioso em suas anotações. Favores prestados; nomes de pessoas importantes; valores pagos por sequestro etc, etc... São informações que, possivelmente, estão nessa famosa CADERNETA que, poucas pessoas, até hoje, tiveram acesso.

Fonte: facebook
Página: Volta Seca
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=632879106914067&set=gm.602446393297642&type=3&theater

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

UM DIA DIFERENTE

Por Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2017 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica 1.636

Hoje fomos despertados pelos espanta-boiadas que em bando fazia seu taralhar pelos terrenos baixos do rio Ipanema. Que alegria imensa era aquela, minha gente, que repassava para nós como se fôssemos receber boas novas. E para sertanejo, alvíssaras é a mudança de tempo azul para o cinza das nuvens carregadas.

Nos últimos dois dias, o vento soprava mais forte no período vespertino e as nuvens formavam-se rodeando os municípios sertanejos. Uns achavam que as chuvas viriam, outros pensavam ser apenas enganação. Barreiros e açudes vazios representando a tradição imorredoura das secas apresentam-se no cenário crestado sertanejo. O cinza dos garranchos endurecidos transmite a cor da tristeza ao solo poeirento e nu onde as magérrimas reses passam os beiços no nada.

O Médio Sertão sofre desesperadamente com o tempo de estio prolongado, mas o Alto Sertão mostra até inúmeras casas de fazenda fechadas, cujos proprietários e moradores arribaram.

Como não ficar alegre, muito mais eufórico do que os próprios arautos das noticias, os espanta-boiadas! Com o aviso de mudança chegou mesmo uma garoa a muito desaparecida molhando as telhas da cidade perto do amanhecer. Mesmo assim prossegue o dia nublado no Sertão, onde se aguarda o grosso escondido nas trovoadas que não vieram em janeiro. Sabe-se, porém, que durante esse tempo, chuva fraca por aqui é sinal que em outros lugares da redondeza receberam o líquido dos céus em abundância. Só poderemos confirmar essa versão quando os pássaros humanos do semiárido atestarem metendo a boca no mundo.

Mesmo assim, a garoa trouxe esperanças e no mínimo amenizou a temperatura que estava danada e constante.

Daqui de Santana do Ipanema, a “Capital do Sertão”, vamos tentando captar novos sinais concretos de satisfação climática. Ô mundo bom!


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O SORRISO DE LAMPIÃO: LEITORES E COMENTÁRIOS

*Rangel Alves da Costa

Uma absoluta certeza: o tema cangaço vem despertando cada vez mais atenção e interesse. Isso se comprova em cada texto que escrevo acerca de Lampião e seu bando ou sobre a saga cangaceira em geral. Logicamente que quando mais for instigante a escrita mais a atenção do leitor é despertada. Contudo, um fato inusitado aconteceu.

Inusitado mesmo. E assim por que eu jamais imaginaria que um texto tão despretensioso como “O Sorriso de Lampião” fosse alcançar tamanho número de leitores e tantos comentários elogiosos. E digo despretensioso por que um escrito bem menos contundente que o anterior intitulado “O coiteiro Pedro de Cândido e as evidências da traição”.

Contudo, publicado o texto na última terça-feira nos grupos que sigo no Facebook sobre a temática cangaceira (Historiografia do Cangaço; O Cangaço; Ofício das Espingardas; e Lampião, Cangaço e Nordeste), até a presente data cerca de 500 seguidores se demoraram em leitura, curtiram e muitos destes acabaram tecendo comentários de todos os tipos, mas quase sempre enaltecendo a figura de Lampião e a qualidade do texto.


Entre tantos, recolhi alguns que dizem respeito ao texto e autor:

Davi Antonio: Que texto tremendo, dispensa qualquer comentário.
Geovane Rico: Excelente postagem.

Clayton Maia: O mais lindo texto que já tive o privilégio de ler, bravo, magnífico parabéns o autor.

Lucilene Medeiros: Texto maravilhoso, ficaria o dia todo mergulhada na leitura, me perco nas viagens que faço ao ler. Parabéns!!!!!

Analucia Gomes: Sensacional amigo. Parabenizo-te pela forma simples e bem escrita do texto. Para você meu melhor sorriso!

Francisca Alencar: Muito bom!

Voltaseca Volta: Só uma palavra... Esse Rangel Alves da Costa arrebenta em suas crônicas. Certa feita, o mestre e escritor Alcino Alves Costa falou em uma roda de escritores: “... Lampião vive a zombar de todos nós, pois ninguém, até hoje, conseguiu decifrar os mistérios de sua vida".

Rivia Maria Santos: Belo texto, forte e verdadeiro, uma profecia que fica forte a cada dia.

José Carlos dos Anjos Wallach: Bom de ler.

Marcos de Carmelita: Brilhante.

Erika Pecher: Coisa mais linda de texto; esse sorriso deu nó na garganta pra sempre. Salvem Virgulino, Velho Lua e agora Rangel Alves da Costa!
Veronica Pires: Gosto muito dessas histórias que marcaram uma fase revolucionária dentro do Nordeste.

Jonas Rangel: Gostei muito você e bom ei.

João Paulo Olyveira: Magnífica narração de quem foi o verdadeiro Lampião... Parabéns!!

Lucia Helena Souza Que texto belíssimo!... Puxa!... Cheguei a me emocionar, pois este é o Lampião que eu conheço e tanto admiro. Parabéns, Rangel Alves da Costa, por texto tão maravilhosamente escrito.

Fatos assim só nos enchem de alegria e contentamento. O escritor necessita desse reconhecimento para continuar escrevendo, criando e recriando mundos reais ou imaginários. E quando o assunto é Lampião, é cangaço, é sertão, então o prazer da escrita se une ao conhecimento de causa. E tudo flui mais prazeroso e convidativo ao leitor.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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ALGUNS ASPECTOS DO TRÁGICO FIM DO CORONEL GONZAGA E A HECATOMBE DE OUTUBRO DE 1922 EM BELMONTE, PERNAMBUCO

Autor – Valdir José Nogueira de Moura 

Gonzaga nem era Pereira, nem era Carvalho e na cidade onde a política era polarizada entre as duas tradicionais e rivais famílias do Pajeú, isto significava ser forasteiro. As principais lideranças locais não viam com bons olhos a sua rápida ascensão política, social e econômica que, até certo ponto, deixava-as em escanteio.

Com sua rápida ascensão política e social, prestigiado pela família Pessoa de Queiroz, que era sua amiga e deseja fazê-lo prefeito de Belmonte, vaidoso que era Gonzaga queria a todo custo arranjar mais proteção ainda e, comprometido com o governo, começou a ajudar a polícia na perseguição a Sebastião Pereira (Sinhô Pereira) e Luiz Padre. 

Sinhô Pereira sentado e Luiz Padre em pé

Sabendo disto, Sinhô Pereira não gostou e mandou dizer-lhe que podia até aceitar perseguição da polícia, pois este era o seu papel, mas de particular não aceitaria perseguição sob nenhuma hipótese e o deixasse viver em paz, se quisesse viver. Foi um ultimato enérgico, todavia Gonzaga, cioso de seu poderio emergente, não se intimidou com as ameaças de Sinhô Pereira, e sempre que podia, dava ajuda financeira às volantes policiais que perseguiam os cangaceiros. Por isto, Belmonte passou a ser visitada por volantes policiais até de outros Estados.

Estava Gonzaga um dia ausente de casa quando chegou um mensageiro, vinha da parte de um grupo de cangaceiros e trazia uma relação de pedidos a serem atendidos; sua esposa indignada negou-se a atender as exageradas solicitações, com um comentário final que o irritou: “Que fossem trabalhar como seu marido sempre o fizera”.

Em maio de 1922, Sinhô Pereira e seu grupo, nas suas correrias e incursões, interceptou um comboio do coronel Gonzaga nas cercanias de Rio Branco (atual Arcoverde), sendo uma grande parte da mercador ia arrebatada e fartamente distribuída entre os componentes do bando, e a outra parte queimada. 

Crispim Pereira de Araújo

Essa atitude de Sebastião Pereira teve de ser alterada com a intervenção de Crispim Pereira de Araújo, mais conhecido como Iôiô Maroto, primo de Sinhô Pereira, e duplamente compadre de Gonzaga, que foi requerido para isto pelos parentes e amigos, e o conseguiu mediante a promessa de alguns contos de réis.

Luiz Gonzaga 

Sebastião Pereira cumpriu o seu trato e exigiu mais tarde a contraprestação de outros. Ioiô Maroto foi obrigado a procurar pelo recebimento da quantia, mas encontrou Gonzaga pouco disposto a satisfazê-lo. Era que Gonzaga estipendiária agora gente armada. A situação se apresentava mais em condições de garantia.

Algum tempo depois, dava-se pelo município de Belmonte a passagem de um tenente da Polícia do Ceará, de nome Peregrino Montenegro, conhecido por sua violência e pela indisciplina de seus comandados. Essa força volante, encarregada de perseguir o banditismo, visitou, no dia seguinte a sua passagem e estada e estada na cidade, a propriedade Cristóvão, pertencente a Ioiô Maroto, e ali cometeu toda sorte de abusos, arbitrariedades e desmandos, surrando moradores, ameaçando de morte o próprio Ioiô Maroto, a quem injuriaram e sujeitaram a humilhações, desrespeitando a família deste. Basta dizer que toda sorte de ultrajes e maus tratos foram realizados pela soldadesca.

Ao se retirar daquela fazenda, o tenente Montenegro mostrou uma carta a Ioiô Maroto, dizendo que agradecesse o que sofrera ao seu amigo e compadre Luiz Gonzaga, que fora quem lhe incumbira daquele serviço. Neste ato insensato de Peregrino Montenegro, estava o estopim da terrível chacina futura que tanto abalou Belmonte.

Convencido, assim, Ioiô Maroto da responsabilidade do seu grande amigo e compadre Gonzaga nos ultrajes que sofrera, resolveu vingar-se. Ninguém podia mais dissuadi-lo dessas idéias e ele começou abertamente a declarar os seus propósitos de desagravo, que chegaram diretos a Gonzaga, com recados intimativos de que não moraria mais no Município de Belmonte. Que um dos dois havia de mudar-se.

Ciente da atitude de Ioiô Maroto, apesar de todas as suas afirmativas públicas e particulares de não ter tido a menor interferência nos atos de vandalismo praticados pela força do tenente Montenegro, o coronel Gonzaga, temendo a realização das ameaças e vinditas de Ioiô Maroto, procurou acabar com seus grandes negócios em Belmonte. Tendo se retirado para a Bahia e Sergipe, buscava escolher local para se estabelecer, mas avisado pelas garantias do Governo de Pernambuco e aconselhado pelos amigos da Capital, também ligados ao governo estadual, voltou ao município de Belmonte, e continuou a frente dos seus negócios que o retinham sempre, tendo agora além da força pública, um pessoal em armas.

A volta do coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz para o município de Belmonte, cercado de todas essas garantias, enraiveceu ainda mais Ioiô Maroto, que publicamente declarava mais uma vez que os dois não poderiam viver no Município, diante da afronta que ele, Maroto, sofrera e que sua vingança estava sendo preparada.

Ora, certo dia Gonzaga é procurado por um irmão do próprio Ioiô, conhecido como Antônio Maroto, com quem entrou em negócios de algodão. Diante disto, o coronel Gonzaga se convenceu de que tudo estava terminado, dispensando o seu pessoal e recolhendo na sua casa as armas e as munições que estavam em poder do mesmo pessoal.

Na foto vemos de pé, na extrema esquerda da foto, José Alencar de Carvalho Pires e sua tropa de policiais Fonte – Valdir José Nogueira de Moura

A visita de Antônio Maroto à casa de Gonzaga indignou os habitantes das cidades, que achavam que o mesmo não deveria dar crédito nenhum de confiança ao pessoal de Ioiô Maroto. Preocupado também com este fato, José Alencar de Carvalho Pires (Sinhozinho Alencar), na época 2º sargento comandante do destacamento de Belmonte, casado com uma sobrinha de Gonzaga, pediu que o mesmo não se confiasse e que retornasse o seu pessoal em armas para garanti-lo. Era sabido por todos que a fazenda Cristóvão regurgitava de cangaceiros e que Ioiô havia declarado abertamente: 

“Se eu morrer sem desforra, minha alma voltará a Belmonte para fazer o que eu não fiz”. 

Respondeu Gonzaga a Sinhozinho: 

“Vá cuidar de sua saúde e não tenha receio dos cangaceiros que estão em casa do compadre Ioiô, que eles não virão a Belmonte”. 

Retrucou então o sargento: 

“Não há tempo, Coronel, para poder confiar-me em cangaceiros. Enquanto o senhor desarma seus homens eu armo os meus soldados até os dentes.”

É de imaginar a boataria que tomou conta de Belmonte na época. Ioiô Maroto, na sombra, começou a por em prática o seu plano de vingança. Em suas maquinações e idéias sinistras, começou a aliciar parentes e moradores seus, cangaceiros, formando um numeroso bando capitaneado por ele próprio, a gente de Tiburtino Inácio, bem conhecido também nos fastos do banditismo e a malta do célebre bandoleiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e resolveu atacar Belmonte e assassinar o seu compadre Luiz Gonzaga.

Bando de Lampião

Familiarizado por longos anos de convivência com os mais terríveis bandoleiros de então, primo e amigo do célebre cangaceiro Sinhô Pereira, que assentava principalmente seus arraiais no Município de Belmonte, Ioiô Maroto reuniu com facilidade a gente necessária e preparou com uma tática seguríssima o fato criminoso que levou a efeito.

Ele sabia dos fracos recursos do destacamento de polícia comandado pelo sargento Alencar. Oito ou nove praças tão somente. Quase todas as testemunhas ouvidas durante o inquérito procedido pela justiça, falam que logo tomaram conhecimento do inesperado ataque do grupo de Ioiô Maroto, os soldados entraram em ação. Sabia que o coronel Gonzaga dispensara ultimamente alguns defensores que trazia em armas para sua guarda; sabia assim que em casa daquele só se encontrava este, sua mulher e filhos menores.

Assim concebido e resolvido o seu plano de vingança, que se aproveitava da realização do casamento de um filho do fazendeiro Franco Lopes de Carvalho, de nome Jacinto Gomes de Carvalho com Gertrudes Maria de Carvalho (filha do coronel Moraes), que na manhã de 20 de outubro de 1922 deveria ter lugar na fazenda Santa Cruz, distante da cidade umas duas léguas, e que para este casamento haviam sido convidadas as pessoas gradas da cidade, entre as quais o sargento Alencar de Carvalho, que ao mesmo casamento deveria comparecer, ficando assim o destacamento sem o seu chefe e comandante.

A festa de outubro, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, e realizada anualmente na cidade de Belmonte, era das mais concorridas. Como ordenava a tradição, as comemorações se iniciavam com a tradicional alvorada, os sinos repicavam, fogos explodiam no ar, banda de música e pífanos alegravam as ruas… Aquela animada noite de 19 de outubro de 1922 teve como patrono o coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz. Este senhor ao deixar a Matriz de São José juntamente com o padre José Kherlle, seguiu para a Casa Paroquial. Lá o reverendo então o interpelou sobre a sua situação com Ioiô Maroto.

Padre José Kherlle

Respondeu o mesmo que a malquerença entre ambos havia terminado, pois um irmão de Ioiô entrara com ele em negociações, tendo emprestado ao mesmo a quantia de três contos de réis e cedido o vapor para serviço de Maroto, e que também havia dispensado o seu pessoal que, por prevenção, trazia armado.

Recusando, então, o convite do padre para pernoitar na Casa Paroquial em virtude da chuva, às onze horas o coronel Gonzaga deixava aquela casa e retornava ao seu lar. Lá chegando, deu de cara com o seu vaqueiro Manoel Pilé, que espantado relatou que ficara sabendo que Ioiô Maroto estava juntando um considerável número de gente em armas na sua fazenda Cristóvão. Não dando crédito às desconfianças de seu vaqueiro, Gonzaga tranquilizou-o dizendo que não havia mais questão entre ele e seu compadre Ioiô.

O certo é que pelas nove horas dessa mesma noite, Ioiô Maroto havia saído de sua fazenda com os seus companheiros e cangaceiros, parentes e moradores, em número superior a 45 homens, com rumo certo para a cidade de Belmonte, onde realizaria a empreitada na forma pretendida.

De 4 para 5 horas da madrugada, do dia 20 de outubro de 1922, a cidade de Belmonte era despertada ao ruído de tiros que se disparavam de mais de um ponto da rua e das suas imediações. O tiroteio ia crescendo de intensidade e duração, dando a entender, dentro em pouco, tratar-se não de bombas que vinham sendo frequentes, por motivos dos festejos religiosos do Coração de Jesus, mas de detonações de armas de fogo num verdadeiro assalto.

Naqueles tempos de cangaceirismo, em que ninguém tinha a propriedade e a vida seguras, as povoações, as cidades, não se eximiam desses terrores e era um ataque em regra que se fazia a Belmonte.

Numeroso grupo invadira por um dos lados, o do norte, o quadro da cidade e sustentava dali nutrido fogo, dominando inteiramente à frente da casa do coronel Gonzaga. Uma parte desse grupo, 12 ou 15 homens, atacava, por sua vez, pelos fundos a casa do referido negociante. Para penetrar na dita casa, dois bandidos, Varêda e José Dedé – este conhecido por Baliza – escalaram o muro e, uma vez dentro, sustentaram fogo para que o restante dos atacantes arrombasse o portão de entrada para o quintal da residência do dito coronel. Nesse ínterim, João Gomes, parente e vizinho de Gonzaga, ouvindo o barulho que fazia os assaltantes junto ao referido portão, saiu para o quintal, que era comum às duas casas dele e Gonzaga, e conseguiu ainda dar uns tiros, indo se refugiar depois em sua casa, pois nesse momento, ultrapassando todos os obstáculos, o grupo particularmente incumbido de dar a morte ao infeliz negociante, penetrava em sua residência, colhendo-o então inerme e indefeso.

Senhores da casa, cujas portas abriam a machadadas, foi esta invadida, e o coronel Gonzaga, desorientado, correu para se refugiar no sótão. Todavia, uma tábua do assoalho cedeu e ele caiu na sala de visitas, quebrando os dois braços. Porém, fugindo da fúria de seus perseguidores, tentou galgar uma janela de um quarto junto a sala de visitas, dá para o oitão da casa, mas é abatido sobre o peitoril, sendo varado pelas balas assassinas.

A casa, o quintal, tudo estava ocupado e os bandidos fizeram mão baixa no que puderam levar, quebrando, arrebentando móveis, baús, na embriagues do saque e da pilhagem.

A família de Gonzaga, sua mulher e filhos, assim como o jovem José Demétrio, que na época, era encarregado da estação telegráfica de Belmonte e também noivo de Bida, filha de Gonzaga, nada sofreram fisicamente. Um dos bandidos, o de nome Cajueiro, recebeu de seu chefe, Ioiô Maroto, a incumbência de poupá-los, e assim foram segregados num quarto que dá para a sala de jantar.

Ante o tiroteio realizado pelo grupo chefiado por Ioiô Maroto, o sargento Alencar, que não fora ao casamento do filho do fazendeiro Franco Lopes de Carvalho, na Santa Cruz, reagiu, com o seu destacamento e alguns paisanos, contra os atacantes.

Desde as 4 horas da manhã daquele dia, o mesmo acordara alarmado por forte tiroteio. Pernoitara em casa de João Lopes, seu sogro, pois ali se encontrava doente uma filha. Levantou-se aos primeiros tiros e seguiu para a sua casa, situada na mesma rua. Ali chegando, armou-se. Abrindo o depósito de munição, verificou que existiam cerca de 4.000 mil balas, e carregando o seu fuzil correu a cidade. Observou que toda a Rua do Açougue estava tomada pelos cangaceiros, e das casas do velho Quintino Guimarães e seu genro, Pedro Vítor, especialmente do Açougue, partia forte fuzilaria. Deitando-se, então, atrás de uma antiga cajazeira que havia no meio da rua que, por sinal, servia de casa-de-feira, detonou cerca de 50 tiros, visando especialmente às casas de Quintino Guimarães e Pedro Vítor. Todavia, não chegando, portanto, nenhum soldado para auxiliá-lo, o destemido Sinhozinho Alencar foi procurá-los no quartel e em suas próprias residências, somente encontrando dois, Severino Eleutério da Silva e José Francisco da Silva. Com essas praças resistiu até às 5 horas e meia, quando se apresentaram mais três soldados: Manoel Rodrigues de Carvalho, José Antônio de Oliveira e Luiz Mariano da Cruz; o primeiro, do destacamento local, e os dois últimos, do de Vila Bela, os quais haviam chegado no dia anterior com licença daquele destacamento. Às 6 horas apareceu o soldado José Miguel dos Anjos. Contando, no entanto seis praças, o imbatível comandante fez a seguinte distribuição: Luiz Mariano da Cruz, na esquina da casa de Neco Medeiros; José Miguel dos Anjos, em casa de seu sogro, João Lopes Gomes Ferraz, e os demais lutando com ele, ora no meio da rua, ora entrincheirados em sua casa ou no portão do muro da mesma, fazendo cessar forte fuzilaria que partia do cemitério, onde se entrincheirara grande número de bandidos.

Às 8 da manhã, mais ou menos, o sargento Alencar, temendo o fracasso por falta de munição, pois dos quatro cunhetes existentes, apenas um restava, e os soldados Severino Eleutério e José Francisco da Silva estavam já com armas curtas, pois seus fuzis haviam deflagrado pela culatra, consequência da intensidade do fogo, retirou-se então com os soldados José Antonio de Oliveira e Manoel Rodrigues de Carvalho. O dito sargento deixou os demais resistindo, e com dois companheiros assaltou o cemitério, pondo em debandada o grupo que ali estacionara. depois, pela retaguarda, atacou o Açougue Público e suas adjacências, causando verdadeiro pânico no meio dos bandidos que julgaram estar sendo atacados por grande número de soldados, e colocou em fuga os bandidos a quem seguira em perseguição até um quilômetro fora da cidade. Ao retornar pelo beco do Açougue, gritou ao coronel Gonzaga que estava tudo salvo, pois que os bandidos haviam fugido. Porém, nesse momento, para surpresa sua, ouviu de Quintino Guimarães que, nessa ocasião, apareceu à porta de sua residência, as seguintes palavras: “Gonzaga está morto desde muito cedo, os cangaceiros entraram em sua casa antes de haver tiros; os primeiros foram dados nele”. Angustiado com tal notícia, Sinhozinho Alencar entrou sozinho na casa do coronel Gonzaga, encontrando-o morto, banhado em sangue, em um quarto próximo à sala de visitas, e a sua família presa em outro quarto.

Da reação oposta pela polícia, ajudada por alguns civis, tiveram os atacantes alguns mortos. Foi essa reação que, certamente, conseguiu impedir que as consequências do assalto se estendessem para o estabelecimento comercial de Gonzaga, a Rosa do Monte, que ficava no mesmo correr de sua residência, porém com certa distância, pois havia de permeio outros prédios. A não ser pela frente e por uma porta do único oitão que deitava para um beco, o estabelecimento comercial se acabava, por sua vez, no campo de mira de alguns defensores do coronel Gonzaga, como o civil Manoel Gomes de Sá Ferraz, junto aos seus filhos João e Antônio, que devotados a ele, atiravam em posição fronteira.

Soldado Heleno Tavares de Freitas – Fonte – Valdir José Nogueira de Moura

Além do coronel Gonzaga, cujo assassínio era o fito principal do ataque, a ação dos criminosos vitimou ainda o soldado Heleno Tavares de Freitas, que caiu em poder dos bandidos quando acudia o chamado para a defesa; o velho Joaquim Gomes de Lira; e João Gomes de Sá, que foi saqueado, roubado e ferido. Da parte dos atacantes, morreram o famoso Baliza e Antonio da Cachoeira (este, após o tiroteio, faleceu de parada cardíaca), e entre os inúmeros feridos estavam Zé Bizarria, Cícero Costa e o próprio Ioiô Maroto, que ficara aquartelado na casa do velho Quintino Guimarães.

Entre as jóias roubadas durante o saque, estava um anel de brilhante pertencente e usado pelo coronel Luiz Gonzaga, que dizem ter sido visto depois em um dos dedos do bandoleiro Lampião. Daí aquela famosa quadra de larga divulgação no sertão:

“A aliança de Gonzaga
Custou um conto de réis
Lampião botou no dedo
Sem custar nenhum derréis.”

Família do coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz , morto por Lampião em 1922 – Fonte – Valdir José Nogueira de Moura

Em 1928, foi aberto inquérito para apurar os acontecimentos que tiveram lugar em 20 de outubro de 1922, no Município de Belmonte. Em 7 de outubro de 1929 era publicada no Diário Oficial do Estado de Pernambuco a sentença de pronúncia proferida nos autos do Processo criminal daquele trágico acontecimento que resultou entre outros, na morte do coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, diante da denúncia do Promotor Público de Olinda, em comissão no Município de Belmonte: Crispim Pereira de Araújo (Ioiô Maroto), Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), José Terto (Cajueiro), Antonio Cornélio, José Bizarria, José Teotôneo da Silva (José Preto), João Porfírio, Feliciano de Barros, Antônio Padre(irmão de Luiz Padre), Pedro José Clemente(Pedro Caboclo), Francisco José (Varêda), Tiburtino Inácio (filho do Major José Inácio do Barro-CE), Antônio Moxotó, José Dedé (Baliza). Meia Noite, José Ovídio, Papagaio, José de Tal (Caneco), Miguel Cosmo, Raimundo Soares do “Barro”, Antonio Ferreira da Silva, Livino Ferreira da Silva, José de Tal (Caboré), Cícero Costa, Terto Barbosa, José Benedito, Manoel Barbosa, Olímpio Benedito (Olimpio Severino Rodrigues do Nascimento), Francisco Barbosa, Dé Araújo, José Flor (Manjarra), Antonio Caboclo (Pente Fino), Laurindo Soares (Fiapo), Manoel Benedito, Antonio pereira da Silva (Tonho da Cachoeira), João Cesário (Coqueiro), Sebastião de Tal (Sebasto), Manoel Saturnino, Beija Flor, Pilão, Lino José da Rocha. Quanto aos outros indivíduos que tomaram parte do ataque, ignora-se ao certo o nome ou sinais característicos de cada um.


Carta da viúva do coronel Gonzaga, contando sua dor e as ocorrências que envolveram seu finado esposa e publicada no jornal recifense A Provincia, de 1 março de 1923, pag.2 – Fonte – Coleção Rostand Medeiros

https://tokdehistoria.com.br/2017/02/16/alguns-aspectos-do-tragico-fim-do-coronel-gonzaga-e-a-hecatombe-de-outubro-de-1922-em-belmonte-pernambuco/

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FOTOS FEITAS NO PERU

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Últimas fotos tiradas no Peru. Ponte do Suspiro, no Bairro Boêmio de Barranco, em Lima.






Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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VISITA AO PERU

Por Benedito Vasconcelos Mendes
Benedito Vasconcelos e esposa Suzana Goretti

Ruínas Inca de "Huaca Pucllana"- O Templo dos Adoradores do Mar, situada no Bairro Miraflores, em Lima-Peru. Estas ruínas feitas de tijolos de barro cru deixaram de ser utilizadas antes da chegada dos espanhóis e apesar dos tremores de terra próprios desta região, ainda hoje existem. A ausência de chuvas e de ventos fortes ajudaram a preservar este sítio arqueológico.





O Museu do Ouro do Peru, localizado em Lima é um testemunho da arte refinada e da riqueza em peças de ouro, prata, cobre e bronze manufaturadas e usadas pela civilização pre-hispânica do Peru. A beleza e a grande quantidade de vasos, cântaros e outros objetos metálicos, usados no cotidiano e nos rituais religiosos dão uma noção aproximada de como era desenvolvida a civilização nativa, antes da chegada dos espanhóis. Além da metalurgia avançada, a técnica de preparação de múmias também chama a atenção dos visitantes. Múmias com cabelos, dentes e pele preservados, inclusive com tatuagens bem conservadas, demonstra a evoluída técnica de preparação de múmias dos Incas.



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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CANUDOS (TRAGÉDIA ÉPICA)

Por Joab Aragão

Prezado Romero, 
Navegando pela internet, dei de cara com um site da ABL. 
Não é que em formato PDF está ali arquivado o livro CANUDOS (Tragédia épica) de autoria de Francisco Mangabeira, estudante de medicina, integrante do corpo médico da quarta expedição? 
Vale a pena lê-lo. 
Aí vai o endereço:

www.academia.org.br/.../caa-030-tragedia_epica-francisco_mangabeira-miolo-para_i...

de A de Athayde 
Um abraço.
Joab Aragão

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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HOJE É DIA DO REPÓRTER!


Repórter é um jornalista que pesquisa a informação apresentada em diversos tipos de meios de comunicação. É o responsável por trazer aos leitores as últimas notícias.


Em Jornalismo, furo é o jargão para a informação publicada em um veículo antes de todos os demais. O furo é dado quando uma equipe de repórteres e editores consegue apurar uma notícia, um fato ou um dado qualquer e publica esta informação sem que os veículos concorrentes tenham acesso a ela. Embora não necessariamente, grande parte dos furos no jornalismo diário é constituída por denúncias de crimes, corrupção e outras atividades ilícitas.


O termo em inglês para furo é scoop.

Dia 16 de fevereiro é dedicado como "Dia do Repórter", cuja origem não é conhecida. No Estado de Mato Grosso foi estabelecido o dia 31 de outubro como "Dia do Repórter Político".

"O blogdomendesemendes parabeniza todos os repórteres de Mossoró e do Brasil". 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Furo_(jornalismo)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%B3rter

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