Seguidores

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

NOBRES INICIATIVAS DE UM PESQUISADOR

Pelo andar da carruagem e andanças do vaqueiro Rubens a Memória do cangaço será ressuscitada em Juazeiro, Jaguarari (BA) e região

1º Clique e reveja a matéria Fogo da Abóbora, 82 anos

2º O pedido - Ação de nosso confrade Rubens Antonio (Foto).

Saudações Amigos e Amigas

Abóbora ou Abóboras era pertencente ao Município de Jaguarari/BA à época do fogo. Passou a pertencer ao Município de Juazeiro.

Conversei com gente apropriada do município de Juazeiro que anotaram os dados e estão mandando confeccionar uma cruz com nome, apelido, data de falecimento, do cangaceiro "Mergulhão".

Também olharão o em torno e pensarão algo para a sepultura, em termos de composição mineral.

Aspecto atual da sepultura do cangaceiro Mergulhão



As ideias estão fluindo e também e conversarei com a assessoria do prefeito, Sr. Isaac Cavalcante, para ver como poderemos dar mais destaque ao sítio. Ainda esta semana, é provável que eu converse com algum secretário.

O objetivo é arregimentar crianças para servirem de guia darem informações a quem visita o povoado. Na verdade, temos que dar um jeito de atrair turistas para aquele distrito.

E, ainda em termos de artesanato, provavelmente o Núcleo de Artesanato Mineral de Juazeiro começará a preparar peças referentes ao Cangaço.

Mais uma coisa:

O pessoal de Juazeiro está pensando em também revitalizar a sepultura do cangaceiro Arvoredo.


 Aspecto da sepultura de Arvoredo, em Jaguarari.

Meu desejo é mais amplo... é a criação da Rota do Cangaço em importantes cidades da Bahia. Com as seguintes Estações:
 - Abóboras - Sítio da batalha e sepultura de Mergulhão
- Barrinha - Sítio local da morte de Arvoredo
- Jaguarari - Sepultura de Arvoredo
- Itiúba - visita à Calçada de Pedra... sítio de uma trincheira de Aristides... e à residência fortificada do mesmo.
- Queimadas - Cadeia municipal ainda preservada como na época do massacre...

  A intervenção já começa a dar resultados, eis um comunicado do pesquisador enviado hoje.
 Prezados amigos e amigas
 "Fui hoje informado pelo pessoal da prefeitura de Juazeiro que está já confeccionada uma cruz apropriada para marcar o local da sepultura. Esta será colocada em evento apropriado.
Assim que o mesmo se realize, passarei a vocês fotografias do evento".
Que tal... para começar? Estou tentando.pessoal... Quem quiser colaborar... Estou aqui historiageologica@gmail.com
Um abração Rubens Antonio. 
- Professor e palestrante sobre História Geológica da Bahia, Antropologia, Geologia, Epistemologia, Metodologia do Trabalho Científico, História da Ciência.
"O Lampião Aceso e obviamente os cangaceirólogos de todo o país parabenizam e agradecem o cuidado, entusiasmo e determinação do Sr. Rubens Antonio, bem como as autoridades dos respectivos municípios".

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

LAMPIÃO NA BAHIA BATALHA DAS FAZENDAS PERI-PERI E FAVELA


A 24 de março de 1930 estourou um combate na Fazenda Peri-Peri, próxima a Juazeiro, estendendo-se até a Fazenda Favela. Neste, três militares saíram gravemente feridos.

O sargento Aderbal Borges teve entrada de projétil um pouco acima da mandíbula, no lado direito da face, com saída pelo lábio inferior, no seu lado esquerdo.

Depoimento de Ângelo Roque, o cangaceiro Labareda, que participou do confronto, a Estácio de Lima (1965):
"Labareda" fotolito de Paulo Gil Soares
"Nós íamos viajando, um dia, na rodagem e topamos com os macacos do sargento Aderbal... Nós não tivemos certeza se eles vinham da Favela, ou do Juazeiro sustentamos um fogo corrido, e mergulhamos na caatinga. Os macacos perderam a pista. E nós tínhamos ali por perto um pouso que não era bom, mas, porém servia. Compadre Lampião reuniu o pessoal e mandou Zé Baiano emboscar a estrada da Favela e nós ficamos de emboscada na estrada de Juazeiro. Pegamos, aí, um portador, e toquemos-lhe o pau, e tomamos um dinheiro que ficou com Lampião. 

Dinheiro era preciso, mas não faltava vindo dos coronéis, dos amigos, de quem for. O capitão deu ordem e despachou um camarada pra buscar mais uma importância em Juazeiro. Nós fomos denunciados por esse cabrinha falador e tivemos duas brigadas, melhor dizendo uma por cima da outra. Zé Baiano com a volante que vinha da Favela e Lampião com nós, de novo brigando com o sargento Aderbal e os macacos dele. A ordem não era pra nós combatermos pra valer até o fim. Novamente recuamos, sumindo, pra voltar na ocasião correta. E sempre gritando, assoviando, descompondo. Numa dessas ocasiões, o fogo cerrou feio, e o sargento Aderbal, com disposição de homem, avançou pra nós, querendo acabar com a gente, e então se descobriu. 

Levou um tiro danado que feriu a cabeça, bem no queixo; nós soubemos que foi coisa feia, mas, porém o sargento aguentou como homem e o resto dos macacos também não correram. Aderbal ainda vive, sendo coronel da polícia. Nós inventamos de continuar nas brigadas desse dia, mas não parecia haver vantagem pra nós. Compadre Lampião deu sinal e nós abrimos caatinga adentro. Zé Baiano já tinha chegado, mas Volta Seca estava sumido. Ninguém acreditou que ele tivesse sido morto! Dormiu no mato, e no outro dia quando nós estávamos distanciados e começamos a cantar Mulher Rendeira, Volta Seca chegou, contando que esteve perdido, e nos achou guiado pelo canto da Mulher Rendeira."

Também feridos no mesmo tiroteio soldados Calixto Eleutério dos Santos e José Domingos dos Santos

O soldado Calixto Eleutério dos Santos teve três ou duas costelas do lado esquerdo fraturadas por tiro de fuzil. O soldado José Domingos dos Santos teve a coxa esquerda varada por uma bala e o dedo polegar esquerdo despedaçado por outra.


http://blogodmendesemendes.blogspot.com

O CARRASCO DO CALDEIRÃO CAPITÃO JOSÉ GONÇALVES BEZERRA

Por Fernando Maia Nóbrega
 
  “O senhor, Capitão, vai pagar caro”. O couro de Trancelim” (Severino Tavares)

Nome: José Gonçalves Bezerra
Nascimento: Sem informações
Morte: 10 de maio de 1937. –Sítio Conceição, Crato-Ce.
Motivo: Vingança
Acusados: Severino Tavares e Fanáticos do Caldeirão.

Antecedentes

Por volta de 1890, chega a Juazeiro atraído pelos milagres ali ocorridos no ano anterior e pela fama de santidade do Padre Cícero um paraibano de nome José Lourenço da Silva.

De princípio, fixa-se na cidade e vai trabalhar como agricultor pelos sítios. Aos poucos vai se inserindo, de maneira marcante, na vida religiosa e se transforma em renomado beato.

Ao correr do tempo passa a ser admirado por sua capacidade de trabalho e inteligência. Observado pelo Padre Cícero é aconselhado a arrendar terras na região onde pudesse trabalhar por conta própria. Seguindo o conselho recebido, José Lourenço aluga um sítio, pertencente a João de Brito numa localidade chamada Baixa da Anta na cidade do Crato.

 José Lourenço 
Foto do livreiro Luis Maia.

Na nova paragem fez grandes plantações de macaxeira, feijão, cana de açúcar de açúcar e inúmeras fruteiras. Em virtude de sua fama de caridoso e acolhedor de pobres, logo seu sítio recebe grande quantidade de fanáticos que lá foram morar em busca de trabalho e religiosidade.

Uma ou duas vezes por mês, José Lourenço, juntamente com seus moradores, ia a Juazeiro assistir missas e visitar o Padre Cícero. Em uma de suas idas, recebeu do reverendo um boi Zebu, chamado Mansinho, para ser criado na Baixa da Anta.

O animal foi cuidado com todo zelo e carinho pelos fanáticos, mormente por se tratar de uma doação feita pelo “Santo Padim Cícero”, como gostavam de se referir ao sacerdote. Aos poucos, a estima dedicada ao Boi Mansinho foi se transformando em adoração. Os chifres eram adornados com flores e fitas; sua urina transformada em remédio milagroso e as pontas das unhas em amuletos.
Monsenhor Joviniano Barreto, pároco de Juazeiro, denunciava às autoridades eclesiásticas da região que na Baixada Anta os fanáticos estavam se desviando da ortodoxia da Igreja Católica, e se praticando o fetichismo em total heresia aos cultos da Santa Igreja.  Blog do Sanharol
  
Dr. Floro Bartolomeu atendendo os anseios do Monsenhor e evitar críticas da imprensa, pôs fim no totemismo ao prender o Beato José Lourenço e mandar sacrificar o Boi Santo na presença de muitos fanáticos.

Em 1926, João de Brito, cedendo às pressões, desfaz o acordo de arredamento do sítio Baixa da Anta forçando o Beato José Lourenço ocupar uma propriedade do Padre Cícero conhecida como Caldeirão dos Jesuítas também localizada na cidade do Crato.

Exatamente como antes procedera, o Beato José Lourenço juntamente com 300 famílias faz grandes plantações de algodão, imensos canaviais, constrói dois açudes, ergue uma capela e várias casas no novo assentamento. Tudo que era produzido pertencia a todos inexistindo um dono exclusivo.

Em 1934, com a morte do Padre Cícero, muitos os sertanejos desamparados de um líder foram ter guarida nas terras do Caldeirão. Se havia falta de emprego no Cariri, nas terras do Beato,ao contrário, todo mundo trabalhava e mais ainda: o que era plantado ou criado pertencia à coletividade inexistindo a figura do patrão.
No seu inventário, o Padre Cícero deixara todas as terras que lhe pertenciam para os padres salesianos. E como a Igreja já se pronunciara contra as distorções religiosas praticadas na comunidade do Beato Zé Lourenço e, principalmente, tendo receio que os fanáticos se apoderassem das terras ocupadas, o bispo procurou um meio de expulsá-los de lá.
  
Usando o prestígio do seu partido político, a LEC – Liga Eleitoral Católica – representantes da Igreja pressionaram o governo para extinguir a comunidade do Caldeirão sob o argumento de uma possível célula comunista.

Reunidos no Palácio da Luz em Fortaleza:
O Governador do Estado, Dr. Menezes Pimentel... 

Juntamente com...
Secretário de Estado Andrade Furtado

O Chefe de Polícia Cordeiro Neto e o...
 Bispo do Crato D.Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva...

Decidiram acabar com o Caldeirão. (01)

A primeira atitude tomada pelo Chefe de Polícia foi enviar dois agentes secretos ao Caldeirão para se inteirar da realidade. O primeiro era um agente civil que se infiltrou como fanático; o outro era o Capitão Zé Bezerra que se passando por industrial dizia estar ali com o intuito de instalar uma usina de beneficiamento de oiticica.

Depois de dias de observação, embora não tenha verificado a existência de armas, o relatório do militar classificava a situação como “perigosa” e era favorável a sua desativação em virtude do caráter comunista na distribuição dos lucros.

Em setembro de 1936, sob o argumento que a comunidade do Caldeirão, com mais de 1500 habitantes, era uma ameaça ao Estado, um contingente de 150 policiais foi enviado para a desocupação do lugarejo. Enquanto os pobres sertanejos abandonavam suas casas, o Capitão Zé Bezerra, nomeado interventor do arraial, ordenou o desarmamento dos moradores, sendo encontrado somente instrumentos de trabalho: enxadas, foices e machados. Em seguida, deu-se o prazo de cinco dias para os casados abandonarem o local e dois aos solteiros. Por último, a polícia queimou os casebres, os depósitos de algodão e víveres. Consta que saqueou todo bem que tivesse e liquidez imediata.

Foi precisamente durante sua permanência na direção do Caldeirão que Zé Bezerra cometeu duas faltas gravíssimas aos olhos dos fanáticos: a tortura praticada numa mulher em meio a um interrogatório sobre o paradeiro de José Lourenço e ter causado a morte do cavalo Trancelim animal preferido do Beato. A revolta dos moradores se transformou em ódio e num sentimento perpétuo de vingança.

Após a expulsão, os fanáticos se reagruparam sob o comando do Beato José Lourenço em um lugar inóspito na Serra do Cariri que englobava dois sítios: Mata dos Cavalos e Curral do Meio.
 
A Morte do Capitão Zé Bezerra

José Gonçalves Bezerra era reconhecidamente um homem bravo, corajoso, experiente policial, sendo o oficial escolhido pela Polícia Militar para combater o cangaço no Estado na segunda e terceira décadas do século translato.

A literatura cearense é pródiga em referência sobre o José Bezerra. Otacílio Anselmo eminente escritor caririense, oficial da polícia e contemporâneo do Capitão, o descreve como “(...) policial arbitrário e cruel”. O autor de “O Padre Cícero – Mito e Realidade” – diz ter presenciado uma surra aplicada por aquele policial em um cabo da polícia dentro do quartel da capital. (02).

Nertan Macedo, outro escritor, define o Capitão Zé Bezerra como “(...) um dos maiores bandidos autoridades que se teve notícias no Ceará.”. (03)

É bem verdade que na incessante procura a pistoleiros e cangaceiros no Ceará, verificada entre os anos de 1920 a 1930, coube na época aos Tenentes Peregrino Montenegro e Zé Bezerra a missão de exterminar banditismo no interior do Estado.

Ressalte-se que foi sob o comando de Zé Bezerra que ocorreu a “Tragédia das Guaribas”, onde Chico chicote e seus companheiros foram trucidados em 1927 em Brejo Santo - CE.

Ruinas da casa de Chico Chicote.
Fotos de Manoel Severo. 

Entretanto, em que pese os inúmeros riscos de vida passados nas refregas contra cangaceiros, foi durante a pacífica tomada do Caldeirão em 1936, que o Capitão Zé Bezerra cometeu dois graves erros, os quais foram fundamentais para a execução de sua morte no ano seguinte. O primeiro, quando em um interrogatório sobre o paradeiro do Beato José Lourenço, Bezerra usou de meios torturantes ao queimar os seios de uma mulher com o charuto que fumava. O outro, talvez o mais grave aos olhos dos crentes, quando sob o efeito de bebida alcoólica, cavalgou o Trancelim, cavalo de estimação do Beato. Durante toda noite percorreu a região, açoitando o animal e às carreiras passava pelas ruelas do arraial. Recolhido à estrebaria, exausto o cavalo viria a morrer no outro dia. Ressalte-se que havia a crença entre os fanáticos, aceita como a mais pura verdade, que ao morrer o Beato subiria aos céus montado no Trancelim. O Capitão Zé Bezerra cometeu a heresia de profanar a religiosidade daquele povo.

Tempos depois, quando já ocupavam a Mata dos Cavalos, os moradores se dividiam em duas correntes de pensamento. De um lado, sob o comando teocrático e pacifista de José Lourenço, pregava-se o perdão aos responsáveis pela diáspora do grupo. Do outro, sob a liderança político-militar de Severino Tavares, clamava-se pela vingança e a reconquista do Caldeirão.

Os seguidores de Severino Tavares nutriam e armazenavam um ódio e um desejo de vindita contra o Capitão José Bezerra. Para a consecução de seu intento, tramaram um plano arrojado e inteligente que seria o de atrair o militar à Mata dos Cavalos e assassiná-lo! Uma cilada foi tramada e posta em prática.

Em maio de 1937, apareceu no quartel da polícia em Juazeiro um cidadão de nome Sebastião Marinho a procura do Capitão José Bezerra para apresentar uma queixa. Ao ser atendido pelo militar, informou que suas terras haviam sido invadidas pelos fanáticos do Beato José Lourenço e que é conhecedor de um plano de Severino Tavares de invadir e saquear a cidade do Crato. Embora muito experiente, o Capitão de nada desconfiou e tomou somente uma providencia antes da diligência: o querelante teria que ir com a polícia ao local.
No dia 10 de maio de 1937, formou-se uma volante com objetivo de ir a Mata dos Cavalos assim estruturada:
1 - Capitão José Bezerra
2 - 1º Sargento Anacleto Gonçalves Bezerra
3 - 2º Sargento José Marcolino Brasileiro
4-  2º Sargento Marcelino
5 - 3º Sargento Jaime Olimpio Rocha
6 - Cabo Benigno Gomes
7-  Soldado Raimundo Pereira
8 - Josafá Torquato Gonçalves
9 - Soldado José Dantas (Corneteiro)
10 - Soldado Eugênio Cesário da Silva
11 - Soldado Álvaro Gomes Bezerra (03)
  
Ressalte-se que o sargento Anacleto e o soldado Álvaro eram filhos do Capitão.

Ao constatar o pequeno número de policiais destacado para a missão, Sebastião Marinho, talvez com o intuito de despistar suspeita, disse: •.
  - “Capitão, os soldados são pouco...”.
Talvez por ser conhecedor do caráter pacifista dos fanáticos e ignorar a nova faceta belicista no grupo, respondeu:
  - “São suficientes.”
Partindo em cima de um caminhão cedido pela prefeitura de Juazeiro passaram pela delegacia do Crato, onde o Capitão foi alertado pelo tenente João Lima, comandante do destacamento daquela localidade, sobre o pequeno número de soldados. Mais uma vez o José Bezerra dispensou ajuda.

Ao chegar perto do local destinado, O Capitão Zé Bezerra mandou parar o carro e ordenou que os policiais entrassem em forma. Em seguida, deu alguns esclarecimentos e ordenou que o sargento Marcelino e soldado Cesário ficassem guarnecendo o caminhão. Aos demais, que o seguissem.

Adentraram por uma vereda que dava acesso ao arraial. Em dado momento, inesperadamente saiu de dentro de um espesso matagal uma mulher correndo. Com receio que ela fosse avisar aos fanáticos, o Capitão com o grupo saiu em sua perseguição.

Eis que inopinada e inesperadamente os militares são cercados e atacados ferozmente por vários fanáticos, surgidos como fantasmas do meio da mata, armados de cacetes e foices.

Em poucos minutos, jaziam inertes Capitão Zé Bezerra, sargento Anacleto, cabo Benigno e o soldado Josafá.

Do caminhão se ouviu o estampido de tiros oriundos da mata. O soldado Cesário falou para o sargento Marcelino:
  - “O Capitão foi atacado, sargento”.
  “Tenho pena do Capitão, mas ele foi avisado que os soldados eram insuficientes” Respondeu.
Cinco minutos depois Cesário viu um vulto se arrastando pelo mato: era o sargento José Olímpio sangrando e com golpes profundos na cabeça. Arquejando, a vítima disse:
  -“Não deixem que os bandidos acabem de me matar...”.
Logo após, ouviram uns novos gemidos. Era o sargento Marcolino com alguns soldados feridos.
  - “Fomos atacados de surpresa. Vi o Capitão estirado no chão e o Anacleto também. Acho que morreram.” - Disse Olímpio.
 O sargento Marcelino reuniu os soldados capazes de se moverem, mesmo os feridos em pequena gravidade, e foram ao encontro do Capitão. Lá se depararam com um quadro tenebroso: com a cabeça esfacelada, ainda segurando o parabelum, jazia morto o Capitão Zé Bezerra. Ao seu lado, o filho Anacleto. Mais adiante o corpo do cabo Benigno, e do soldado Josafá e mais três cadáveres de fanáticos.

Assim morreu como viveu o bravo militar: da maneira mais trágica e cruel. Morreu como um dia lhe dissera Severino Tavares:
-“O senhor, Capitão, vai pagar caro o couro de Trancelim!” (04). 

Notas
01 - João Xavier de Holanda – Polícia Militar do Ceará em Meio Século de República 1939 Vol. 3 pág. 47. Editora INESP. Fortaleza 2003.
02- Otacílio Anselmo e Silva. Brejo Santo sua história e sua gente – A Tragédia de Guaribas pág.190. Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Fortaleza 1981.
03 - N.A. A relação completada dos componentes da volante policial nos foi fornecida pelo sargento Eugênio Cesário da Silva, na cidade de em Juazeiro do Norte em 1981. Em1937, Cesário era soldado da Polícia Militar e esteve presente no massacre dos policiais.
04 - João Xavier de Holanda, O.c.pág.58.

BIBLIOGRAFIA

HOLANDA, João Xavier. Polícia Militar do Ceará em meio século de república 1889-1939
Fortaleza. Editora INESP ,2003

SILVA, Otacílio Anselmo. Brejo Santo sua história e sua gente – Tragédia de Guaribas
Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Fortaleza 1981.

Pesquei em História de Juazeiro
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Foto de Menezes Pimentel: blog fortaleza nobre
Foto de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva: Arquivo particular do Diácono Policarpo Rodrigues


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

GECC FESTEJA SEU PROGRAMA INAUGURAL EM FORTALEZA


Fonte: You Tube Canal: Aderbal Nogueira - Cangaço

Um dos mais destacados e antigos grupos de estudo do cangaço  no Brasil, inaugurou seu mais novo programa na internet, explorando a temática. O GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, com mais de 20 anos de atuação inaugurou nesta última semana seu primeiro programa na rede mundial de computadores. Com a produção e expertise de Aderbal Nogueira em seu canal do You Tube, que ao lado de Ângelo Osmiro, presidente, e Manoel Severo; Curador do Cariri Cangaço protagonizaram o primeiro programa da série.

Para Aderbal Nogueira "o programa do GECC trará para os expectadores um conjunto qualificados de entrevistados, pesquisadores, escritores, estudiosos das temáticas do sertão". Já o presidente do GECC, Ângelo Osmiro, afirma:"Exploraremos não só o tema cangaço, mas todos os temas ligados ao estudo do sertão, como o messianismo, coronelismo, religiosidade, enfim, serão programas plurais". Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, lembra:"Os nossos amigos de todo o Brasil não perdem por esperar por essa nova empreitada do GECC, com certeza vem muita coisa boa por ai".

Programa do GECC
You Tube - Canal Aderbal Nogueira
22 de Fevereiro de 2020

CLÁUDIA TELLES


O Brasil perdeu a cantora Cláudia Telles.

Cláudia Telles de Mello Mattos nasceu no Rio de Janeiro no dia 26 de agosto de 1957 e faleceu no dia 21 de fevereiro de 2020.

Foi uma cantoracompositora e instrumentista brasileira, de ascendência portuguesa e francesa, intérprete de canções românticas, dentre elas as mais tocadas: "Fim de Tarde" e "Eu Preciso Te Esquecer".

Biografia/Carreira

Filha do violonista, compositor e advogado Candinho, e de uma das precursoras da bossa nova, a cantora Sylvia Telles, Cláudia Telles, ainda menina, foi convidada pela mãe para subir ao palco do Teatro Santa Rosa, no Rio, no último show da temporada do espetáculo "Reencontro", que reuniu Sylvia Telles, Edu Lobo, Trio Tamba e Quinteto Villa-Lobos, para cantar "Arrastão" (de Edu Lobo e Vinicius de Moraes). Ficou órfã de mãe aos nove anos, tendo sido criada por seus avós maternos, tendo tido pouco contato com o pai. Aos dezesseis anos, após ter perdido os avós, foi viver sozinha no apartamento que era de sua mãe, em Copacabana. Nesta época trabalhava em musicais no teatro.

Cláudia iniciou sua carreira fazendo coro para artistas famosos em suas gravações, entre eles The FeversRoberto CarlosJosé AugustoGilberto GilJerry AdrianiJorge BenBelchiorSimoneRita LeeFafá de Belém, entre vários outros. Sua chance de "brilhar" veio, entretanto, quando uma amiga do Trio Esperança, Regina, precisou se afastar do grupo por causa da gravidez, Claudia a substituiu em gravações e shows, ganhando experiência de público. Daí para frente ela se dedicaria completamente à arte musical.

Além das gravações em estúdio, Claudia foi crooner do conjunto de Chiquinho do Acordeon, um dos mais conceituados da época, durante um ano. Saiu quando Walter D'Ávila Filho, ao escutar uma música nova de seu parceiro e também produtor na época da CBS (hoje Sony Music) Mauro Motta, se lembrou dela e de sua voz - um pouco parecida com a da mãe, mas com um timbre metálico, diferente das vozes que havia no mercado e deu-lhe, a título de experiência a “tal” música para gravar. O sucesso foi estrondoso.

A música logo passou aos primeiros lugares das paradas. Todos queriam saber de quem era aquela voz suave e vieram os diversos convites para programas de televisão. O público jovem se identificou imediatamente com aquela menina de cabelos escorridos, tímida, que lhes derramava versos de amor. "Fim de Tarde" foi um dos grandes sucessos daquele ano de 1976 e agora menina-mulher, amadurecida pelo tempo e pelas circunstâncias, conhecia a fama. Foram vendidas mais de 500 mil cópias do compacto simples, o que lhe valeu o primeiro disco de ouro da carreira, oportunidades para excursionar e também para gravar a música em inglês e espanhol.

Aos 19 anos, Cláudia se projetava nos mesmos caminhos antes trilhados com incomparável êxito pela mãe. Passou então a ser requisitada para shows, cantando do samba ao bolero. Mas sua paixão era a Bossa Nova, chegando a ser considerada a mais perfeita intérprete de "Dindi", uma das muitas músicas que havia feito de sua mãe uma celebridade e unanimidade nacional, ultrapassando as fronteiras do Brasil.

No seu primeiro LP, em 1977, Claudia regrava “Dindi”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, grande sucesso na voz de sua mãe, e faz mais dois grandes sucessos, “Eu preciso te esquecer” e “Aprenda a amar”.

Cláudia nunca escondeu de ninguém o prazer que sentiu ao gravar "Dindi", um dos grandes sucessos de Sylvinha Telles: "Foi uma forma de homenageá-la". A homenagem foi além, veio em forma de batalha. A mesma batalha empreendida por Sylvinha para mostrar o que queria e do que era capaz, apenas com uma diferença: a dura comparação do seu trabalho com o da mãe, a eterna luta para provar que chegou onde quis sem nunca contar apenas com o fato de ser mais uma filha da mãe famosa.

Quatro anos após o sucesso de "Fim de Tarde", em entrevista à revista O Cruzeiro, contou do seu desejo de resgatar à memória os sucessos da Bossa Nova. Seria um tributo a sua mãe e ao maior movimento da história da música brasileira. Entrou em contato com sua gravadora e discutiram esta possibilidade. A ideia, entretanto, nunca saiu da gaveta, deixando seu sonho adormecido por algum tempo.

Era separada e teve três filhos homens, que não seguiram a carreira artística.

Morte
Morreu no fim da noite de sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020, aos 62 anos, de insuficiência cardíaca e disfunção da válvula aórtica, causadas por endocardite.[1][2].


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

QUEM CEGOU LAMPIÃO?


Por Osvaldo Abreu

Eta! Cangaço repleto de mistério,
Eta! Cangaço repleto de versão.
0 capitão Virgulino fica a rir no etéreo.
Afinal, quem cegou Lampião?

Uns dizem que foi de nascença,
Outros um espinho na infância.
Menino, a incerteza gera descrença,
Difícil é equilibrar a balança.

Tanta gente cega por aí...
Não sabe enxergar o mundo.
Escuta e não sabe refletir.

Vê lá a pior cegueira não é do Capitão,
É de quem não desconfia no profundo,
Entonce, cego não é só Lampião.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

HONRA E LEALDADE AO INIMIGO.

João Filho de Paula Pessoa

O Ten. Manoel Neto foi um valente combatente contra o cangaço. Fez parte da volante Nazarena de Pernambuco, enfrentou Lampião e seu bando desde o início, nos maiores combates do Cangaço, teve muitas perdas de parentes e soldados, foi atingido algumas vezes por tiros cangaceiros e passou muitos anos em perseguição à Lampião pelas caatingas nordestinas enfrentando as mais diversas e duras provações de força e resistência. Sua Volante era conhecida pela determinação e valentia, cega às vezes, pois muitas vezes dispensava a estratégia e partia destemidamente para o confronto frente a frente com os cangaceiros. 

Tinha uma rixa pessoal com Lampião, suas perseguições priorizavam os bandos em que Lampião estava e certa vez lhe propuseram envenenar as águas dos poços, “pias” e lugares onde Lampião se abastecia de água para matá-lo envenenado, proposta que recusou veementemente, afirmando que aquilo seria uma covardia e não haveria honra, nem mérito naquele tipo de assassinato, pois Lampião também sabia dos lugares em que ele e sua tropa bebiam água e nunca as envenenou e assim preferia enfrentar Lampião de “homem para homem”. 

O Ten. Manoel Neto se afastou da campanha contra o cangaço por volta do ano de 1933 para seguir carreira militar, chegando ao posto de Coronel. Lampião morreu em 1938, pela volante de João Bezerra de Alagoas. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 21/02/2020.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com