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sábado, 19 de dezembro de 2020

1910 – A MISTERIOSA NOITE DOS HOLOFOTES EM NATAL

 


Quando a Pequena e Provinciana Natal Foi Iluminada Por Poderosas Luzes Desconhecidas – Causou Medo e Preocupação no Povo – As Portas da Igreja de Bom Jesus foram Arrombadas Para as Pessoas Rezarem por Proteção  – O Fenômeno Foi Testemunhado Por Câmara Cascudo – Diferente do Que se Pensou na época, Não Foi o Encouraçado Minas Gerais Que Iluminou a Capital Potiguar

Rostand Medeiros – IHGRN

Estamos na capital potiguar em uma quarta-feira, dia 29 de março do ano de 1910, então uma bucólica cidade com pouco mais de 27.000 habitantes, que naqueles dias acordava em meio a muito frio para a sua realidade, com temperaturas que variavam entre 22 e 23 graus por volta das sete da manhã[1].

Além disso, de manhãzinha bateu um vento sudoeste e caiu uma chuva e ao longo do dia as temperaturas máximas nem sequer chegaram aos 29 graus[2]. Com a forte precipitação do dia anterior, onde foram testemunhados trovões e relâmpagos sobre a cidade, o pluviômetro marcou mais de 100 m.m. de chuvas em Natal[3].  

Pela manhã cedo era comum nessa antiga Natal que as pessoas seguissem para o Mercado Público na Avenida Rio Branco, o principal entreposto de vendas de alimentos. Outros locais procurados sempre pela manhã o povo natalense seguiam para orar, ascender velas, participar de missas nas igrejas de Nossa Senhora da Apresentação, do Galo, a de Nossa Senhora do Rosário, ou de Bom Jesus. Sendo as três primeiras localizadas na Cidade Alta e a última na Ribeira.

Próximo da estação da Great Western.

Nessa cidade calma e tranquila, em meio a um tempo frio e talvez bem nublado, o dia 29 de março de 1910 foi avançando e logo a noite foi chegando. 

Bom, quem estiver lendo esse texto deve imaginar que nessa noite em Natal os lampiões da Empresa de Iluminação a Gás Acetileno estariam acesos em seus postes de ferro, com os bicos de gás com potência de iluminação de apenas “15 velas”, clareando basicamente o bairro da Ribeira. Mas isso não ocorreu naquela data. Teria havido algum problema na iluminação?

Um dos lampiões de gás acetileno, que iluminavam a Rua do Comércio, atual Rua Chile, onde vivia em 1910 a família de Luís da Câmara Cascudo.

Recorremos então a Luís Câmara Cascudo para descobrir em seu livro História da Cidade do Natal, que essa iluminação ficava apagada três dias antes e três dias depois da fase em que a lua estava cheia[4]. E naquele mês de março de 1910, conforme está na primeira página do jornal A República de 26 de março, a lua cheia estava marcada para o dia 27.

Para completar a situação, na Natal de 29 de março de 1910 não existia luz elétrica nas residências. Em um mundo sem rádio, televisão, computador, aparelhos celulares, internet e outras maravilhas modernas que utilizam a energia elétrica para seu funcionamento, grande parte da população dormia bem cedo.

Feixes de Luzes Misteriosos e o Pânico em Natal

Rua Dr. Barata, na Ribeira.

Pesquisando os jornais da época vi que o jantar era servido normalmente às seis da noite e depois o que havia para fazer era se reunir com os parentes em casa, ler algo a luz de um candeeiro a base de querosene, ou simplesmente pegar uma cadeira, um tamborete e sentar nas calçadas com os vizinhos e conversar.

Mas naqueles dias a temperatura estava fria, de vez em quando chovia, e, mesmo com a pequena capital potiguar iluminada pela luz natural da lua, acredito que às nove da noite desse dia muita gente já estava em casa, se preparando para ir para cama. É possível que por volta das nove da noite a “Guarda Nocturna” já se encontrasse nas ruas com seus apitos e cassetetes realizando suas patrulhas, para uma ronda que se apresentava sem maiores alterações.

Foi quando repentinamente e de forma surpreendente, o céu foi iluminado por feixes de uma luz clara, branca, radiante e muito forte.

Luís da Câmara Cascudo, então com apenas 11 anos de idade, rememorou aquela noite inesquecível quase 32 anos depois na sua coluna “Acta Diurna”, no jornal natalense A República. Ele então morava com seus pais na Rua do Comércio (atual Rua Chile), no número 44. Eles viviam em uma casa com a parte posterior voltada para o Rio Potengi, onde certamente o jovem e sua mãe viram os feixes de luzes “cortarem os céus em súbitos safanões luminosos”, conforme descreveu em 1942.

Justino Cascudo, sua esposa e seu filho Luís.

Do seu local de visualização Cascudo comentou que as luzes iluminaram o mangue do outro lado do rio, as águas tranquilas do Potengi, coqueiros, dunas e chegavam até o Refolés, onde atualmente se encontra a Base Naval de Natal. Do seu ponto de observação Cascudo viu os feixes se elevarem no firmamento, onde depois escreveu que “Cruzavam-se, confundindo no espaço como num duelo dantesco de enormes serpentes vestidas de relâmpagos”.

Texto publicado por Luís da Câmara Cascudo no jornal natalense A República no dia 6 de fevereiro de 1942, em sua coluna “Acta Diurna”, onde detalhou o caso dos holofotes em Natal.

O pai de Cascudo, o comerciante Francisco Justiniano da Oliveira Cascudo, colocou o filho para rezar em alto e bom som um “Salve Rainha” e que fosse dito “sem errar”. Mas não foi apenas na casa da família Cascudo que a reza, embalada pelo medo do desconhecido, ecoou com força e fé. Cascudo informou que nas casas vizinhas na Rua do Comércio dava para ouvir as ladainhas dos desesperados em busca de proteção divina. Até uma das portas da Igreja do Bom Jesus das Dores da Ribeira foi arrombada (“voou em pedaços”, segundo Cascudo), para os fiéis adentrarem o templo e pedirem a salvação dos céus.

Igreja de Bom Jesus, no bairro da Ribeira.

Horas depois, certamente após tomar conhecimento com outras pessoas na cidade sobre aqueles feixes de luz, o coronel Cascudo explicou ao filho o que acreditava ser aquele fenômeno e a calma voltou na casa às margens do rio Potengi e também na cidade.

As luzes vistas no dia 29 de março repercutiram bastante, pois dois dias depois o jornal A República trazia na sua primeira página a nota que reproduzimos abaixo e que acredito ter sido a explicação aceita sem contestação sobre o estranho caso.

Não demorou e um interessante artigo assinado por Hernani Fontes apontou como a passagem do Minas Gerais por Natal chamou atenção da comunidade e era o motivo de conversas das “pessoas gradas” da comunidade[5].

Logo o medo do povo natalense se tornou coisa do passado e surgiu certo encantamento, pela capital potiguar ter sido a “Primeira cidade brasileira iluminada pelos potentes holofotes do encouraçado Minas Gerais”, considerado então o mais poderoso navio de guerra a singrar os sete mares.

Mas NÃO foi essa nave de guerra que realizou esse procedimento diante de Natal, pois na noite de 29 de março de 1910 o encouraçado Minas Gerais não se encontrava na costa brasileira!

O Encouraçado Minas Gerais e Como ele Veio Navegou Para o Brasil?

As obras de construção desse grande navio se iniciaram em abril de 1907, no estaleiro W. G. Armstrong Whitworth & Co Ltd, na cidade deNewcastle-on-Tyne, ou simplesmente Newcastle, no norte da Inglaterra.

Era uma nave verdadeiramente espetacular para seu tempo. Possuía doze canhões com calibre de 305 mm, uma verdadeira bateria de ferro e fogo. Para nível de comparação, o famoso o encouraçado russo Potemkin, muito ligado a Revolução Russa de 1917, tinha apenas quatro canhões desse mesmo calibre. Além desse armamento superpesado, o Minas Gerais tinha nos seus costados quatorze canhões de 120 mm e couraças de proteção que variavam de oito a nove polegadas de espessura e confeccionados pela empresa Krupp. O Minas Gerais e seu irmão gêmeo, o São Paulo, poderiam alcançar uma velocidade máxima de 21 nós (39 km / h) e as tripulações desses navios podiam chegar a 106 oficiais e 887 marujos. A nave deslocava quase 20.000 toneladas, sendo lançada nas águas em setembro do ano seguinte e comissionado em abril de 1910.

Batimento da quilha do encouraçado Minas Gerais.

No final de 1910, segundo o jornal The Times de Londres, em sua edição de 3 de março de 1911 (pág. 7) a Inglaterra tinha doze encouraçados e o resto das grandes potências mundiais outros treze, dos quais cinco pertenciam à Alemanha e quatro aos Estados Unidos. Mas naquele momento o Brasil tinha dois dos mais recentes e maiores poderosos encouraçados navegando e prontos para entrar em ação[6]. E na Inglaterra estava sendo construído um terceiro encouraçado, o gigantesco Rio de Janeiro[7].

O Minas Gerais descendo para água.

E qual a razão do Brasil, uma grande nação repleta de recursos naturais, mas muito pobre e quase sem indústrias, drenou milhares de libras esterlinas para os ingleses construírem aqueles três colossos dos mares?

Na virada do século XX, a Marinha do Brasil era inferior às rivais argentinas e chilenas em qualidade e tonelagem total. Em 1904, o legislativo brasileiro votou pela alocação de uma quantia significativa de recursos para resolver esse desequilíbrio naval. Os proponentes dessa estratégia acreditavam que uma marinha forte ajudaria a tornar o país uma potência internacional. Esses navios de guerra, os mais poderosos do mundo, entrariam em serviço em uma época em que os encouraçados estavam rapidamente se tornando uma medida de prestígio internacional. Eles, portanto, chamaram a atenção global para o que era percebido como um país recém-ascendente.

O Minas, como os marujos simplificavam o nome do encouraçado, era comandado pelo veterano capitão de mar e guerra João Batista das Neves, um oficial com mais de trinta anos na Marinha de Guerra. Ele tivera um papel de destaque na conhecida Revolta da Armada de 1893, comandando o cruzador Andrada. Neves assumiu o comando desde a saída do encouraçado dos estaleiros de Newcastle-on-Tyne, no dia 4 de fevereiro de 1910.

O Minas Gerais já completamente pronto.

Mas o navio brasileiro não seguiu direto para o Brasil. Primeiramente rumou para os Estados Unidos, para o porto de Norfolk, no estado da Virgínia. Antes atracou no porto de Plymouth, sudoeste da Inglaterra, onde desembarcou alguns marinheiros que estavam doentes. Partiu no dia 8. Pouco mais de 24 horas depois o navio brasileiro se viu diante de um fortíssimo temporal e seu comandante decidiu seguir para a ilha de São Miguel, nos Açores, aonde chegou em 15 de fevereiro. Nessa ilha o Minas recebeu carvão e zarpou no dia 21 para os Estados Unidos[8].

O Minas Gerais, em uma pintura do inglês Charles L. De Lacy.

Chegaram na costa americana no dia 2 de março, mas só puderam entra no canal de Hampton Roads dois dias depois devido a um pesado nevoeiro. Antes de atracar no porto de Norfolk, o encouraçado seguiu para um local chamado Old Point Confort, defronte ao Fort Monroe, uma das maiores fortificações militares americanas na época. Nesse local o Minas Gerais disparou uma salva de 21 tiros de canhão em saudação a nação anfitriã. O navio brasileiro foi então saudado pela guarnição do forte e do encouraçado USS Lousiana.

USS North Carolina

Depois de treze dias o Minas Gerais se juntou ao cruzador blindado USS North Carolina, da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), e seguirem para o Rio de Janeiro. A missão do North Carolina era transportar o corpo de Joaquim Nabuco, então embaixador do Brasil nos Estados Unidos e falecido em janeiro de 1910. Os dois navios zarparam às dez e meia da manhã de 17 de março.

Na sequência os dois navios realizaram no dia 22 de março uma parada para abastecimento de carvão na ilha de Barbados, no Caribe, então uma colônia britânica. No outro dia as duas naves seguiram em direção ao Brasil[9].

Salva dos poderosos canhões do Minas Gerais.

E é aí onde começa o mistério da noite em que Natal foi iluminada por holofotes.

Quem Iluminou Natal?

Os primeiros brasileiros que comunicaram terem visualizado a dupla Minas Gerais e North Carolina, foi o pessoal do farol de Salinas, atualmente Salinópolis, no Pará. O caso ocorreu na tarde de 31 de março de 1910, quase dois dias depois do caso de Natal ter sido misteriosamente iluminada por luzes que aparentemente eram de holofotes[10].

É certo que esses navios passaram por Natal no começo da manhã do dia 4 de abril, onde provavelmente não foram vistos por ninguém. Sabemos disso porque nessa mesma data, às duas da tarde, eles passaram diante do porto de Recife, onde diminuíram a marcha, emitiram sinais de luz e foram vistos por muitas pessoas[11]. Dependendo da condição do mar, um navio que siga entre Natal e Recife a 21 nós de velocidade, leva cerca de sete a oito horas de navegação[12].

Se não foi nem o Minas Gerais e nem o North Carolina, quem então iluminou Natal?

Sabemos que não era incomum nessa época, anterior a criação do radar, que navios utilizassem seus holofotes. Evidentemente que a quantidade desses aparelhos por navio dependia da sua utilização, no caso do Minas Gerais, uma nave de guerra, haviam nove holofotes de 90 centímetros de diâmetros, que tinha um alcance de até seis minhas náuticas, ou cerca de onze quilômetros.

O uso desse tipo de aparelho de iluminação marítimo estava condicionado a situações variadas. Desde necessidade de navegação segura, localização de obstáculos, transmissão de sinais, busca de náufragos no mar e muito mais.

Holofotes de 90 cm em uma nave inglesa durante a Primeira Guerra Mundial, iguais aos utilizados no encouraçado Minas Gerais.

Então seria errado algum navio ligar seu farol para tentar entrar no porto de Natal e assim evitar bater nas rochas que durante séculos atrapalharam a entrada de naves no rio Potengi? Teoricamente não!

Inclusive nessa época já existia na Fortaleza dos Reis Magos um farol de sinalização que orientava os navegantes a ultrapassar a barra do rio e chegar ao porto. Mas em 1910 o procedimento normal era esses barcos entrarem no nosso porto com o apoio de um prático de navios durante o dia. Esse é tipo de profissional até hoje, mesmo com todos os avanços tecnológicos, conhece os detalhes e obstáculos de um determinado corpo de água e trabalham orientando navios a adentrarem e atracarem com segurança nos portos de todo mundo.

Uso de holofotes na Marinha do Canadá, na década de 1910.

Percebemos que um barco que utilizasse de maneira indiscriminada holofotes de alta potência e longo alcance sobre uma cidade, sem adentrar o seu porto (o que justificaria o uso dos holofotes), assustando toda uma população, não sei se é considerado algum tipo de crime. Mas certamente não é uma situação normal, pois não conheço outro caso.

Pelos dias posteriores a 29 de março de 1910, as notícias sobre o encouraçado Minas Gerais que circularam no jornal natalense A República, o principal da cidade, focaram basicamente na sua chegada ao Rio de Janeiro, então Capital Federal. Comentaram principalmente sobre a retumbante festa que aconteceu no porto da cidade, onde não faltaram manifestações patrióticas e nacionalistas. Em tempo – Afora as notícias publicadas em A República, nenhum outro jornal, ou qualquer documento oficial, trouxe novas informações sobre a passagem do encouraçado Minas Gerais diante da capital potiguar e sobre a utilização de holofotes iluminando a cidade.

Não tenho meios para dizer o que foi que iluminou Natal e assustou sua população em 29 de março de 1910.

O mistério permanece!

NOTAS————————————————————————————————————————————————————–


[1] Sobre a população de Natal na época e outros dados ver Cascudo, C. História da Cidade do Natal, 3ª ed., Natal-RN, Edição IHGRN, 1999, página 95.

[2] Nesse tempo em Natal existia uma estação pluviométrica e suas medições eram publicadas diariamente na primeira página do jornal A República, o principal jornal do Rio Grande do Norte na época. Chama atenção as temperaturas bem mais amenas que nos dias atuais.

[3] Como ocorre até hoje em uma região afetada pelas secas, a boa notícia naqueles dias frios era que no interior do Rio Grande do Norte as chuvas caiam em todo sertão e os rios Assú, Mossoró, Ceará-Mirim e Potengi estavam com grande volume de água. Como naquela época o algodão, o gado e outros produtos agropastoris eram os motores da fraca economia potiguar, aquelas chuvas eram ótimas notícias depois de dois anos de seca.

[4] Ver Cascudo, C. História da Cidade do Natal, 3ª ed., Natal-RN, Edição IHGRN, 1999, página 301.

[5] Ver jornal A República, Natal-RN, ed. 18/03/1910, pág. 1. Não consegui encontrar nenhuma informação sobre quem era Hernani Fontes, mas seu artigo é muito interessante e aponta com antecedência o que ocorreu na Revolta da Chibata.

[6] Pesquisadores e jornalistas do ramo de defesa nacional apontam que durante um curto período após seu lançamento e incorporação na Marinha do Brasil o encouraçado Minas Gerais, assim como seu irmão São Paulo, realmente foram os navios de guerra mais poderosos em termos de armamentos no mundo. Ver o canal https://www.youtube.com/watch?v=4tMAxMwob70

[7] Em razão de falta de dinheiro, decorrente de uma da muitas crises econômicas que atingiram o Brasil em sua História, o encouraçado Rio de Janeiro foi vendido para o Império Otomano, atual Turquia, em outubro de 1913 e rebatizado Sultân Osmân-ı Evvel. Com o início da Primeira Guerra Mundial o navio foi assumido pelos ingleses e denominado HMS Agincourt. Ver http://www.dreadnoughtproject.org/tfs/index.php/H.M.S._Agincourt_(1913)

[8] As quase 20.000 toneladas de deslocamento permitiam ao Minas Gerais enfrentar a maioria dos temporais marítimos,  mas a tripulação a bordo estava reduzida a 836 homens e, na avaliação do comandante João Batista das Neves, estes se encontravam “bastante fatigados”. Por isso a necessidade dav parada nos Açores. Ver jornal A Imprensa, Rio de Janeiro-RJ, 17/04/1910, págs. 3 e 4.

[9] É possível conhecer todos os detalhes da viagem do encouraçado Minas Gerais para o Brasil em 1910 em uma grande reportagem publicada nos jornal A Imprensa, Rio de Janeiro-RJ, 17/04/1910, págs. 3 e 4.

[10] Ver notas sobre essa visualização nos jornais  A Imprensa, Rio de Janeiro-RJ, 17/04/1910, págs. 3 e 4. E A Província, Recife-PE, 02/04/1910, pág. 1. O farol do município de Salinas foi construído em 1852, reformado em 1916 e continua em funcionamento até nossos dias. Sobre esse farol ver – https://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_de_Salin%C3%B3polis. Sobre o município de Salinópolis ver https://pt.wikipedia.org/wiki/Salin%C3%B3polis.

[11] Ver Jornal de Recife, Recife-PE, 05/04/1910, pág. 1.

[12] Sobre a distância marítima entre Natal e Recife e o tempo de navegação, ver www.geografos.com.br

https://tokdehistoria.com.br/2020/12/18/1910-a-misteriosa-noite-dos-holofotes-em-natal/

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

OS GRANDES CRIMES DE LAMPIÃO - PARTE I.

Por Cangaçologia 

https://www.youtube.com/watch?v=VqVCg38IfhY&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

No decorrer dos anos muitas histórias foram criadas pelo imaginário popular em torno da figura polêmica de Lampião. Algumas dessas histórias sangrentas, outras romanceadas e tantas outras com teores cômicos ou sarcásticos. A verdade é uma só e todos nós sabemos que a história do cangaço e em especial a história do cangaceiro Virgolino Ferreira da Silva “Lampião”, foi escrita com muito sangue, suor e sofrimento. Um período de luto para o sertão e para o sertanejo nordestino. 

Muitas histórias de crimes monstruosos, que foram cometidos tanto por parte dos cangaceiros, quanto de grande parte das Volantes que os perseguiam, se perderam com o passar do tempo, mas uma grande e importante fatia dessas histórias foram salvas através da memória popular e de documentos que ainda nos tempos atuais podemos ter acesso. 

Com o intuito de preservar e divulgar a história cangaceira selecionamos algumas dessas histórias e a partir de agora as apresentaremos em capítulos, onde especialistas e estudiosos do assunto falarão a respeito dos fatos acontecidos, cada um dentro da sua especialidade. Tenho a plena convicção que através dessas histórias teremos um maior conhecimento e compreensão sobre os fatos e acontecimentos desse período negro da nossa história chamado cangaço. 

Geraldo Antônio de Souza Júnior

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COM QUEM ENCONTRAR LIVROS SOBRE CANGAÇO

Por José Mendes Pereira

Existem vários autores de livros sobre o tema “CANGAÇO”, mas muitas vezes você está procurando "UM" e não tem como adquiri-lo, por falta de e-mails destes profissionais da cultura. Mas estou disponibilizando o e-mail de Francisco Pereira Lima (Professor Pereira), lá de Cajazeiras, no Estado da Paraíba. 

Se o professor Pereira não tiver em sua livraria o exemplar que você procura sobre o "CANGAÇO", com certeza ele sabe quem tem para vender. Se você tem pressa para adquiri-lo não deixa para amanhã, pois os livros que são publicados sobre o "CANGAÇO" são praticamente arrebatados pelos leitores, pesquisadores, e até mesmo pelos escritores que colecionam tudo que é publicado sobre "CANGAÇO". 

Não são todos os livros sobre "CANGAÇO" que são vendidos com exclusividades pelo professor Pereira, mas lembre-se que ele não é só proprietário de livraria, tem interesse pela cultura brasileira, e lhe cederá e-mails, ou endereços de quem tem livros sobre "CANGAÇO" para vender.  

Não deixa para amanhã, pois poderá ser muito tarde, e você poderá ficar sem o livro que  interessa em sua estante.

E-mail do professor Pereira: 

franpelima@bol.com.br

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APENAS UMA CARTA DE GRATIDÃO

 Por Archimedes Marques

Há oito anos atrás perdi a minha querida mãe, uma perda irreparável e que sempre me traz dor e melancolia ao relembrar aquele tenebroso dia de 18 de dezembro de 2012... E assim, na época, eu escrevi essas últimas palavras em memória dessa mulher exemplo em todos os sentidos.

APENAS UMA CARTA DE GRATIDÃO

Minha estimada e inesquecível mãe, Maria Isabel Melo Marques:

A sua terrena morada de 29 de agosto de 1934 a 18 de dezembro de 2012 foi singela, pura e por demais proveitosa, pois deixou alimento para o espírito, amizade, carinho, afeto e amor em todas as pessoas que a conheceram. Os meus olhos, os olhos daqueles que a cercaram, os nossos olhos são testemunhas oculares dessa visão, nossos corações são testemunhas pulsativas dessa arritmia, nossos cérebros são testemunhas conscientes dessa razão, nossos sentimentos são testemunhas intelectivas dessa sensação, nossos juízos são capazes de decretar essa sentença em plena e absoluta justiça. Minhas palavras apenas tentam comprovar que não morre aquela pessoa que nas outras vive. O que é bom é eterno e ao invés de apenas passar termina ficando imortalizado.

De boa filha e verdadeira irmã dos seus irmãos você se tornou excelente esposa para o nosso querido pai. De excelente mãe você se tornou cúmplice dos seus filhos, mais tarde das noras e do genro. Cúmplice também foi dos seus netos e bisnetos, uma cumplicidade que transcendeu curtas gerações, uma cumplicidade que só buscava o bem de todos.

Do seu dom iluminado de ser feliz e trazer felicidade com as suas sábias palavras, atos e decisões, de contar os seus contos, de historiar as suas histórias, de encantar com os seus encantos, de se encantar com os nossos encantos, de sorrir os nossos sorrisos, de sofrer os nossos sofrimentos, de se preocupar com as nossas preocupações, teve você também o poder de transformar as nossas lágrimas em alentos.

Do seu dom natural das artes você se destacou na criatividade, desenho, pintura… Nas letras, sempre bem trabalhadas, se tornou poeta em versos e prosas, contista, amante das escritas e dos livros… Da sua voz e ritmo cadenciados de cantora romântica deixou gravado um disco que não toca somente os nossos corações, mas também irradia de alegria contagiante a nossa aura.

Da amizade sempre bem regada e adubada você plantou e colheu uma legião de amigos que para sempre guardarão a sua memória, pois sendo uma pessoa abençoada pelo Criador continuará na saudade irradiando luz, irradiando satisfação, irradiando paz, irradiando harmonia, irradiando amor…

Assim, por tudo isso e indefinidamente por muito mais, só me resta agradecer o privilégio de ter sido gerado pelo seu amor, de ter nascido do seu ventre, de ter sido amamentado pelos seus seios, de ter vivido o seu convívio, de ter sido acariciado e acalentado pelas suas mãos, afagado pelos seus maternos e aconchegantes beijos, agraciado e curado das feridas pelas suas preces, remediado pelos seus remédios, aprendido e crescido com os seus ensinamentos, esperando um dia reencontrá-la na sua nova morada, de tudo, rogando que o seu exemplo e legado de vida ensinem os bons a ser melhores.

Seu filho, Archimedes Marques.

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TRECHO 4 DO ROMANCE “UM REPÓRTER DO FUTURO NO BANDO DE LAMPIÃO”

“Antes de se dirigir para a casa–grande, os cangaceiros deram, a galope, umas duas voltas em torno da praça, aparentando surpresa por não haver ninguém no lugar, muito menos ter sido preparada nenhuma resistência contra eles. Demonstravam que vieram mesmo dispostos a travar um intenso tiroteio contra os moradores do povoado. Estavam todos armados de fuzis, e tinham voltado a vestir as suas roupas de navegação, que haviam abandonado temporariamente enquanto estavam pacificamente hospedados na fazenda.

Mesmo constatando que o povoado estava deserto, os cabras se posicionaram de forma estratégica em torno da praça, para prevenir possíveis ataques, enquanto Lampião, Luís Pedro e Ezequiel Ponto Fino se dirigiram, ainda a galope, na nossa direção. Riscaram a dois metros do alpendre.

– Muito bom dia, seu Jeremias. Muito bom dia, seu Aparício – bradou o capitão – Que surpresa boa encontrá–los por aqui, uma hora desta. Cadê o povo da terra? Se escafederam assim de repente?

– Mudou–se todo mundo para a vila, capitão – respondeu Jeremias, sem levantar–se da cadeira, aparentando uma assustadora tranquilidade.

Eu fui me levantando devagar, em sinal de respeito a Lampião, e ao mesmo tempo sem saber que postura adotar diante do impávido Jeremias. Lampião foi descendo calmamente do cavalo, sem tirar os olhos de mim e do capataz. O olho esquerdo brilhava de ódio, o olho cego lacrimejava desprezo, e havia um sorriso meio zombeteiro nos lábios finos e arqueados. Luís Pedro e Ezequiel permaneciam em silêncio, e pareciam perplexos diante da placidez de Jeremias.

O capitão colocou um pé sobre um dos degraus do alpendre e descansou o fuzil sobre a perna, olhando fixamente para nós. Minhas pernas começaram a tremer. A figura de Lampião, naquele momento, era muito assustadora. Estava ali na sua mais inteira potencialidade de destruição e crueldade, embora de forma contida e dissimulada. Fazia o papel de cavalheiro do Mal. Era o Demônio na sua traiçoeira performance de elegância e cordialidade.

(...)

Lampião manteve cravado sobre mim o olhar inquisidor. Estava bem próximo de mim, eu sentia o seu cheiro forte, a emanação do seu calor. Embora fosse de minha altura, parecia bem mais alto, enorme, gigantesco. Meus cabelos estavam arrepiados.

(...)

Lampião virou–se para a praça e soprou o apito que trazia pendurado ao pescoço. Aquilo me deu um arrepio por todo o corpo. Imediatamente os cangaceiros espalhados pela praça esporearam os cavalos e vieram a galope, concentrando–se todos em frente à casa–grande. O capitão ordenou:

– Compadre Mariano, reúna um grupo e vá até o curral. Quero que matem com tiros de fuzil todos os animais que estiverem lá. Antonio de Engrácia, reúna outro grupo e vá até o depósito de grãos e à casa–de–farinha. Destruam tudo! Não quero nada em pé, nada funcionando, nada prestando mais para nada.

A seguir, virou–se para Jeremias e segurou–o pelos cabelos com brutalidade, fazendo–o levantar–se da cadeira de balanço.

– E vosmecê, seu fio da peste! O que faz aí sentado? Fique de pé diante do capitão Virgulino, gangrena do estopô!

Jeremias ficou em pé, sem fixar o olhar em nada, como se estivesse imerso num torpor. Virgulino olhou–o da cabeça aos pés.

– Eu podia sangrar vosmecê agora, seu condenado, mas tenho que reconhecer que vosmecê é um cabra de coragem. E eu respeito homem valente. Por isto vou lhe dar uma chance. Vou deixar que você escape desta, se sumir imediatamente da minha vista!

Mal o capitão terminou a frase, Mariano e o seu grupo retornaram do curral.

– Capitão, não tem um pé de criação no curral.

– Como não tem animal no curral? E onde foi parar o gado do coronel? – perguntou Lampião, já olhando para Jeremias.

– Cadê o gado do coronel, seu pustema? – gritou, próximo ao ouvido de Jeremias.

– Soltei o gado todo na caatinga ontem à tarde, capitão – respondeu o capataz, corajosamente.

Ezequiel interveio:

– Virgulino, vosmecê tá perdendo tempo com este desgraçado! Não vê que o miserável soltou o gado pra evitar que a gente matasse os animais? Ele fez tudo planejado, meu irmão. Enfia logo o punhal no pescoço desta desgraça!

Eu tomei coragem e me meti na discussão:

– Capitão, por favor, não mate Jeremias. Ele já vai sofrer punição nas mãos do coronel.

– O senhor não se meta onde não é chamado, seu Aparício! – respondeu Lampião, lançando sobre mim um olhar que me fez fugir num átimo o sangue do rosto.

Ezequiel saltou do cavalo e já veio subindo para o alpendre com o punhal desembainhado.

– Deixe que eu sangro este peste, Virgulino. Tenho uma conta pra ajustar com este corno.

– Alto lá, Ezequiel! – gritou o capitão – Quem decide aqui sou eu!

E mandou o próprio Ezequiel, acompanhado de Mergulhão, procurar querosene dentro da casa. Não seria difícil achar o produto, usado cotidianamente para acender os candeeiros. Os cabras voltaram logo depois com duas latas cheias.

– Amarre as mãos deste sujeito para trás – ordenou–me Lampião, estendendo–me uma tira de couro que havia tirado dos arreios do seu cavalo.

Achei curioso ele ter–me incumbido desta tarefa. Mas, enquanto amarrava as mãos de Jeremias, dei–me conta que o capitão ainda queria dar uma chance ao capataz. Acreditando nesta hipótese, deixei os nós frouxos, relativamente fáceis de serem desfeitos por quem tem habilidade com as tarefas de uma fazenda. Ao mesmo tempo, senti–me um pouco aliviado, com a esperança de que o capitão, ao confiar em mim esta incumbência, provavelmente me pouparia de qualquer violência.

– Espalhem querosene pela casa toda, e também pela casa do capataz. E toquem fogo em tudo! – ordenou.

Ezequiel e Mergulhão cumpriram a ordem, e em poucos minutos começavam a subir as primeiras labaredas em vários cantos das duas casas. Aí veio o momento mais terrível. Lampião puxou Jeremias por um dos braços, e foi arrastando–o com muita truculência para a porta da casa. Jeremias voltou–se rapidamente para mim, os olhos arregalados de pavor:

– Seu Aparício, se o senhor sair vivo desta, peça ao coronel pra tomar conta de minha família.

Só deu tempo para dizer esta frase, pois Lampião deu–lhe um violento empurrão, que o derrubou de bruços no meio da sala de visita, onde os móveis já estavam sendo tomados pelas chamas. A seguir fechou a porta.

– Se ele for macho mesmo, consegue se livrar das amarras, e pode escapar pela porta dos fundos. Não quero nem saber se vai conseguir. O Diabo que o carregue! – disse o capitão.”

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VÍDEO INÉDITO DE LAMPIÃO | CNL | 655

O Cangaço na Literatura
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FOTO RARÍSSIMA DE LAMPIÃO E JURITI. QUEM JÁ TINHA VISTO ELA?

 Por Robério Santos


Grande Robério Santos, esta é a primeira vez que eu vejo esta foto.

Parabéns pelo o achado!

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HOJE, UM ANO E NOVE MESES QUE A SENHORA FOI MORAR COM DEUS...! A SAUDADE DÓI DEMAIS PORQUE SÓ AUMENTA!

 Por Antonia Reilta

O casal Maria Beatriz de Melo Gomes e Manoel Gomes Pinheiro

Adendo: José Mendes Pereira

Quando eu saí da Casa de Menores Mário Negócio por não poder mais ficar lá devido a minha maioridade, eu fiquei como formiga sem formigueiro. Não tinha um lugar específico para ficar. Fui me alojar no Sindicato dos Trabalhadores da Lavoura de Mossoró, porque o meu pai era membro efetivo de lá. Vivi dias difíceis. Foi quando este casal que era funcionário da instituição que eu acabara de perder o apoio, me convidou para morar com ele. Foi lá o meu grande "Porto Seguro" na Rua Romualdo Galvão no grande Alto da Comceição. Este casal era para nós, internos, pais adotivos. 

Assim que eu soube que ela estava doente não a visitei porque eu não sabia a gravidade da sua saúde. Quando eu soube pensei que era doença simples. Mas eu me enganei. A Bia já estava se preparando para ir ao encontro de Deus!

A nossa mãe adotiva se foi. Mas Deus está cuidando dela. Um dia nós nos encontraremos novamente Beatriz, mas desta vez, na Casa do Senhor!

Muito obrigado Beatriz (Bia) e (Gomes), o que vocês ffizeram por mim e por outros também do nosso tempo!

Manoel Gomes Pinheiro é primo legítimo do meu pai Pedro Nél Pereira. A minha avó paterna Herculana Maria da Conceição é irmã da sua mãe que era Antônia Maria da Conceição, e apesar que não tinha  no seu nome Xaxá e nem Galdino, mas era da gema.

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LOCAL DO MASSACRE AOS CANGACEIROS MARCELINOS

 Por Raquel Nogueira

Ontem, eu fui com o amigo e pesquisador José Francisco para esse local que eu queria conhecer há tempos, o local onde foi o massacre dos cangaceiros Marcelinos, chamado o Auto do Leitão, que fica na antiga estrada da Feira entre Crato e Barbalha, esse aonde estou sentada é o Túmulo do Cangaceiro Lua Branca, irmão de Bom-de-Veras que trabalhava na fazenda do Coronel Santana e esse Coronel disse pra Lampião que ele era Bom-de-Veras ( Bom no Tiro ).

Lua Branca esteve no ataque à Mossoró-RN, foi obrigado a Cavar a própria Cova, ficou preso na Cadeia Pública e Câmera Municipal de Barbalha que hoje é a escola dos saberes, detrás da Rodoviária de Barbalha, o assassinato dos Marcelinos aconteceu no ano de 1928, ele foi morto junto com Bom-de-Veras e com Manuel Toalha e outros.

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PARABÉNS, PADRE MÁRIO

Por Manoel Belarmino

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NOTA DE PESAR!

 Por Relembrando Mossoró

O Relembrando Mossoró vem comunicar o falecimento da nossa amiga e servidora pública Deusiene Gomes, a mesma faleceu hoje no Hospital Regional Tarcísio Maia, vítima de um AVC e Covid. Ela trabalhava no Abrigo Amantino Câmara. Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

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