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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

LENHA NA FOGUEIRA - ADEMAR OU BENJAMIN?

 Por: Renato Casimiro


Severo me pediu uma opinião sobre o excelente Depoimento de Nirez, com respeito à participação de Ademar Bezerra Albuquerque na realização do filme com Lampião. A rigor, não ouvi ali nada do que não seja o restabelecimento da verdade. Nirez tem a seu favor um zelo muito grande por tudo que lhe cerca, seja na fotografia, na música e em todas as suas manifestações de grande memorialista.

Não há dúvida que o seu depoimento procura esclarecer a verdade sobre aquilo que, historicamente, se aceitou como sendo uma ação de Benjamim Abrahão.

É perfeitamente factível que as atenções de Ademar Bezerra Albuquerque para não perder a oportunidade de realizar o trabalho, através de Benjamim, sejam verdadeiras e incontestáveis. E nisto o Nirez juntou detalhes fornecidos pelo Chico Albuquerque com grande propriedade para firmar a veracidade das afirmativas.

Procurando imagens do Juazeiro antigo, não encontrei em muitos anos uma só que pudesse ser referida ao “fotógrafo” Benjamim. E olhe que ele tinha tudo para fazê-lo, pois no período em que foi secretário do Pe. Cícero, Juazeiro se viu descoberto por uma quantidade enorme de visitantes ilustrados e o dia-a-dia da casa do padre era muito favorável a isto.

Ademar Bezerra Albuquerque 
Pescada em Fortaleza Nobre

Efetivamente, este período de Juazeiro e do Pe. Cícero (época em que Benjamim servia à casa do padre) é muito rico em imagens fotográficas e filmes. A propósito destes filmes, reproduzo o texto que apresentei em nosso então jornal eletrônico Juazeiro on line, na sua edição de 18.01.2009, numa coluna denominada Juazeiro, por aí, que ainda pode ser encontrado disponível em
http://www.juaonline.info/.

FILMOGRAFIA(I)...

Numa consulta à Cinemateca Brasileira (Secretaria do Audiovisual/Minc), São Paulo, localizei dados sobre os filmes realizados pelo sr. Lauro Reis Vidal, durante sua visita a Juazeiro, em 1925. Foram três películas: um filme original, de 1925, e dois outros montados nos anos 1939 e 1955.

FILMOGRAFIA(II)...


O JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO

(Infelizmente, a Cinemateca Brasileira não possui este filme), é um documentário inscrito na categoria de curta-metragem/silencioso/não-ficção. O material original foi em 35mm, BP, 16q. Produção de 1925, em Fortaleza, onde foi lançado em 08.12.1925, no Cine Moderno. A produtora foi a Aba Film, de Adhemar Albuquerque, que fez a direção. Sinopses: "Surpreendente filme natural apresentando magníficos aspectos da região do Cariri em que se vêem: Joazeiro, Crato, Barbalha e outros lugares, assim como Missão Velha, Lavras, Quixadá, Ingazeiras, Fortaleza, etc.

Impressionante vista do grande açude do Cedro". (Jornal do Comércio, 28.11.1926). "Trata-se de uma bela reportagem cinematográfica do Cariri, zona em que o padre Cícero exerce a sua infatigável atividade e o seu grande prestígio. O Joazeiro, a cidade do padre Cícero, é apresentada em seus diversos aspectos, mostrando o seu progresso, o seu povo, enfim tudo o que ali existe de importante. Além do Joazeiro, o público aprecia outros bonitos pontos do sertão cearense, destacando-se o Crato, Barbalha, Missão Velha e o colossal açude do Cedro, obra grandiosa da engenharia brasileira. De Fortaleza há algumas, como sejam o porto, o passeio Público e o Parque da Liberdade. 

Há também belos trechos da estrada de ferro e fotografias de Lampião e seu grupo. É um filme digno de ser apreciado. Não fatiga o espectador. Ao contrário, torna-se atraente pela variedade de cenas, que desenrola. Além disto satisfaz uma curiosidade: mostra o maior domador de homens dos sertões, o padre Cícero Romão Baptista, que se apresenta em diferentes cenas, entre o povo que o aclama, em sua residência trabalhando, abençoando afilhados e romeiros, discursando, enfim de diversas maneiras é ele visto na tela".
(Jornal do Comércio, 02.12.1926)

FILMOGRAFIA(III)...

O JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO, o segundo documentário, foi realizado em 1939, na categoria de curta-metragem/sonoro/não-ficção, a partir de um material original anterior, em 35mm, BP, com duração de 8min, 220m, 24q. A produção foi de Lauro Reis Vidal, no Rio de Janeiro.

FILMOGRAFIA(IV)...

PADRE CÍCERO, O PATRIARCA DO JUAZEIRO, o terceiro documentário, foi realizado em 1955, na categoria de curta-metragem/sonoro/não-ficção, a partir do material original em 35mm, BP, com duração de 11min, 300m, 24q. A produtora foi a Filmes Artísticos Nacionais, do Rio de Janeiro, e a co-produção foi de Lauro Reis Vidal, tendo como direção Alexandre Wulfes. Por exigência da época, o documentário passou pela censura em 19.01.1955, com o certificado 31942, válido até 19 de janeiro de 1960.

FILMOGRAFIA(V)...

Comentários: Observe que fotos de Lampião são referidas em período anterior à sua visita a Juazeiro, em 1926. Algumas das cenas destes documentários podem ser vistas em outras produções recentes, tanto para cinema como para TV. Na ilustração da coluna de hoje, o arquivo do Juaonline apresenta algumas delas, em fotos que foram obtidas por Raymundo Gomes de Figueiredo (anos 50), a partir de fotogramas destas películas. Especialmente sobre esta primeira película, encontro um registro cartorial firmado pelo Pe. Cícero nos seguintes termos:

1931, 13 de Novembro 
-  DOCUMENTO DO PADRE CÍCERO CONCEDENDO AUTORIZAÇÃO EXCLUSIVA, AO SR. LAURO DOS REIS VIDAL, PARA EXIBIÇÃO DO FILME" JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO E ASPECTOS DO CEARÁ. "ÍNTEGRA: 
" Amigo e Sr. Laudo Reis Vidal. Saudações. Consoante os seus desejos, pela presente, dou a V.S. a exclusividade absoluta para exibição e representação cinematográfica em "qualquer parte do país e fora dele" de filme que diz respeito a aspectos deste município ou fora dele, nos quais figure a minha pessoa. Assim autorizado poderá V.S. fazer a exibição de qualquer película authentica que tenha obtido, ou que possa obter, conforme melhormente consulte as suas conveniencias e as aspirações gerais do povo, a exemplo da que já é de sua propriedade. 
Joazeiro, 13, de outubro de 1931.  
Ass. Padre Cícero Romão Baptista. (Lo. B-l, N° de Ordem 10, p. 18)

No dia seguinte, o Pe. Cícero faz constar no mesmo livro do primeiro tabelionato uma outra comunicação, reafirmando a concessão do dia anterior e ampliando suas prerrogativas:

1931, 14 de Novembro 
- DOCUMENTO DO PADRE CÍCERO CONCEDENDO AUTORIZAÇÃO EXCLUSIVA AO SR. LAURO REIS VIDAL, PARA IXIBIÇÃO DO FILME "JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO E ASPECTOS DO CEARÁ. "Integra:
"Amigo e Sr. Lauro Reis Vidal. Local. Reportando-me a minha carta passada onde lhe concedo a exclusividade de minha exibição cinematográfica ficando V.S. com plena autorização por ser o único habilitado a propagar o município de Joazeiro e minha pessoa, através da mesma exclusividade, em todos os tempos, como proprietário do filme "Joazeiro, do Padre Cícero e Aspectos do Ceará" ou outro qualquer filme que possa obter; sirvo-me da presente para juntar as fotografias e documentos que solicitou, em relação separada e por mim assignada, como elementos precisos para a via de propaganda acima citada. Encerrando, cumpre-me, de já, agradecer a sua manifesta boa vontade para comigo, os meus amigos e as coisas do Joazeiro. 
Saudações. 
Joazeiro, 14 de novembro de 1931. 
Ass. Padre Cícero Romão Baptista.( Lo.B-l, N° de Ordem 12, p. 19/20).

O ano de 1925 foi pródigo para filmagens em Juazeiro. Conhecemos a película realizada em 11 de janeiro, quando da inauguração da estátua ao Pe. Cícero, na Praça Alm. Alexandrino de Alencar; conhecemos a película realizada em setembro, quando da visita da comitiva do presidente Moreira da Rocha; conhecemos a que foi realizada por Ademar Albuquerque/Reis Vidal; mas não conhecemos uma que teria sido realizada por iniciativa do então deputado estadual Godofredo de Castro, neste mesmo ano.

É muito mais provável que Ademar esteja como realizador em todas estas películas e este relacionamento teria servido para oferecer um treinamento mínimo para o que viria anos depois com o filme de Lampião, pois é neste ponto que o testemunho de Chico Albuquerque a Nirez é importante.

Não tenho dúvida em aceitar que Ademar e Benjamim tornaram-se parceiros, sendo este cliente daquele e a quem poderia realizar pelo motivo apresentado por Chico Albuquerque e Nirez, o da confiança de alguém que não o punha, e a seu grupo, em apuros com a repressão policial.

Embora tenha feito isto, publicamente, em depoimento durante uma edição do Cine Ceará, anos atrás, aproveito a oportunidade para relatar brevemente o que me foi ensejado conhecer desta atividade cinematográfica de Benjamim. No início dos anos 80, eu e Daniel Walker adquirimos uma coleção de fotografias antigas de Juazeiro e alguns pequenos pedaços destas películas que o seu proprietário, Raymundo Gomes de Figueiredo, cidadão juazeirense, mantinha como acervo e no qual se incluíam livros e jornais, e a que deu o nome de Arquivo Benjamim Abraão.


 Benjamim

Quando adquirimos e isto foi divulgado pelo Diário do Nordeste, o fato foi relevado como se tivéssemos adquirido o Arquivo “de” Benjamim Abraão. A família de Benjamim, através de seu filho, então residente em Niteroi e comerciante no Rio de Janeiro, Atalah Abraão, instruído por Eusélio Oliveira, resolveu mover uma ação contra nós dois e a levou adiante nas instâncias de Juazeiro do Norte e Fortaleza. Vencemos nas duas e o material nos foi devolvido, anos depois.

Mais adiante, numa conversa com o ex-senador da república, José Reginaldo Duarte, cuja família criou nos arredores de Juazeiro, o filho de Benjamim, o sr. Atalah, nos chamou para uma conversa onde algumas coisas foram faladas a respeito da frustração que aquele ato determinou para nós e para a família, sobretudo porque ficou demonstrado que nós não havíamos comprado nenhum roubo, portanto, não éramos receptadores de um acervo, até então procurado.

O sr. Reginaldo Duarte nos lembrou, inclusive, que por vários anos, encontrando-se diversos rolos de filmes pertencentes a Benjamim (não se sabe se apenas outros que não o relativo a Lampião) num canto da casa, na localidade de Brejo Seco, proximidades do atual Aeroporto Regional do Cariri, guardados em latas...

...a garotada do sítio tomava aqueles rolos e os queimavam durante as festas juninas. Certamente que por conta do material cinematográfico de então, sua queima se assemelhava a uma chuva de prata, coisa que fazia a garotada delirar.

Este é o fim trágico, pelo qual, inclusive tivemos que pagar duramente por uma suspeita descabida, a partir da ignorância e má vontade do então, meu amigo, Eusélio Oliveira, que não se permitiu aceitar o convite para conhecer de perto o que tínhamos comprado. A grande indagação que ficou, como moral da história foi mais uma grande dúvida sobre o que teria feito ou não Benjamim Abraão, como fotógrafo e cinegrafista, aluno de Ademar.

Em tudo o que mencionei antes e do que ouvi, destaco: Sem querer por fogo na fornalha e já pondo, enfatizo o que registra a ficha da Cinemateca, mencionada: Há também belos trechos da estrada de ferro e fotografias de Lampião e seu grupo. Não é interessante que haja estas fotografias tomadas em data(s) anterior(es) a 1926. Observar que no filme com Lampião, Benjamim aparece usando um bornal com a inscrição Aba Film. Nunca houve omissão de que a produtora foi a Aba Film, de Adhemar Bezerra Albuquerque, que (também) deve ter feito a direção, à distância. Por isto, o depoimento de Nirez corrobora com as indicações anteriores de que ele era, efetivamente, produtor, diretor e fotógrafo destas películas em torno de 1925.

Entre 1925 e 1936, quando filma Lampião, certamente Benjamim já teria apreendido objetivas e eficientes lições para manejar a máquina. Em mais de 10 anos de relação profissional com Ademar, Benjamim só teria feito isto? A resposta se foi, desgraçadamente, no fogo ingênuo das crianças, em noitadas de São João, nos arredores de Juazeiro do Norte.


Renato Casimiro

Pescado no açude do Coroné Severo: Cariri Cangaço

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Ademar%20Albuquerque

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

EM JUNHO DE 2022 FOI ELEITA A NOVA DIRETORIA DA SBEC.

   

Professor Lemuel Rodrigues, eleito novo presidente da SBEC

Aconteceu na manhã do ultimo dia 15 de junho de 2022, nas dependências da Biblioteca Municipal Ney Pontes no centro da cidade de Mossoró, a eleição e posse da nova diretoria da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. Na oportunidade foi realizada uma prestação de contas pelo presidente Benedito Vasconcelos que esteve a frente da instituição pelos últimos anos.

SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, criada a partir do sonho e do empreendedorismo do pesquisador Paulo Gastão

A Chapa única apresentada ao pleito tem como presidente o pesquisador Lemuel Rodrigues, na vice presidência a pesquisadora Patrícia Gastão, como secretário temos Geraldo Maia tendo como suplente o escritor Leandro Cardoso Fernandes e como tesoureiro, o pesquisador Marcílio Falcão com Honório de Medeiros como suplente. A chapa apresentada foi eleita por unanimidade e em ato contínuo foi declarada empossada pela diretoria que encerrava seu mandato.

Ricardo Meira, Manoel Severo, Benedito Vasconcelos, Susana Goreti e Graça Gastão
Paulo Gastão, fundador da SBEC

Uma das presenças marcantes na solenidade de eleição e posse da nova diretoria da SBEC foi da senhora Graça Gastão, viúva e grande companheira do fundador e primeiro presidente da SBEC, o inesquecível Paulo Gastão. "Novamente nos emocionamos e temos certeza que Paulo esta conosco também na manha de hoje, ao lado dos amigos que ele tanto gostava e da SBEC que ele amava", palavras de Graça Gastão. 

Para o ex-presidente Benedito Vasconcelos, "depois de muitos desafios conseguimos através desta competente Comissão Eleitoral realizar o pleito nesta manha, só temos a agradecer a confiança em mim depositada inicialmente por Paulo Gastão e a todos os sócios e confrades da SBEC ao longo desses anos. Destaco aqui a instituição das comendas: Alcino Alves Costa que teve como primeiro comendador, o nobre curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa e da comenda Paulo Gastão, que teve como primeira comendadora, para nossa honra, sua esposa, Graça Gastão; comendas essas que com certeza serão mantidas pela nova diretoria".

Benedito Vasconcelos
Benedito Vasconcelos e Manoel Severo

Em seguida à posse da diretoria, o novo presidente Lemuel Rodrigues no uso de suas palavras ressaltou as primeiras ações que serão assumidas por sua diretoria com destaque para as possíveis regulamentações burocráticas necessárias, uma ampla renovação cadastral e as primeiras ações no planejamento tanto dos Fóruns do Cangaço como do futuro Congresso Nacional do Cangaço.

Lemuel Rodrigues e Marcilio Falcão
Professor Lemuel Rodrigues, novo presidente da SBEC

Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "testemunhar a eleição e posse da nova diretoria da SBEC é sem dúvidas uma grande honra; na verdade o Cariri Cangaço é resultado do amplo e irrestrito apoio recebido a partir da SBEC. Gostaria de ressaltar a figura de Gastão, sempre a nos orientar e nos mostrar os caminhos para consolidar nosso Cariri Cangaço que hoje é uma realidade, e mais, uma diretoria recém eleita com a qualidade de seus integrantes como Lemuel Rodrigues, a Patrícia, Geraldo, Marcilio, Leandro e Honório, é garantia de tempos alvissareiros, salve nossa SBEC; desses ilustres confrades, tenho a honra de ter dois deles; Leandro e Honório; Conselheiros Cariri Cangaço", conclui Manoel Severo.   

Eriberto Oliveira e Manoel Severo

Para o jornalista Heldemar Garcia, assessor do Cariri Cangaço, e também presente à solenidade, um dos pontos importantes do encontro da SBEC "foi também a apresentação aos presentes do projeto do Cariri Cangaço Mossoró 2023, realizado pelo Severo, e sem dúvidas Cariri Cangaço, SBEC, Museu do Sertão, UERN, Prefeitura, enfim, irmanados iremos realizar mais um espetacular Cariri Cangaço, isso para 2023", revela Heldemar.

Para o presidente eleito da SBEC, professor Lemuel Rodrigues, "estaremos realizando em breve, uma reunião da atual diretoria para apresentar a proposta de realização do Cariri Cangaço em Mossoró". revela o atual presidente da SBEC.

Eleição da Nova Diretoria da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, cidade de Mossoró em 15 de junho de 2022, nas dependências da Biblioteca Municipal Ney Pontes.

https://cariricangaco.blogspot.com/2022/06/eleita-nova-diretoria-da-sbec.html

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VONTADE DE DESCASCAR FERIDAS.

 Por José Mendes Pereira

Escola Estadual José Martins de Vasconcelos

A Escola Estadual Professor José Martins de Vasconcelos, foi a  minha segunda casa no mundo da educação, porque a primeira, foi a Escola Estadual Professor Manoel João, no grande Alto de São Manoel. 

Escola Estadual Professor Manoel João de Mossoró - http://blogdadired12.blogspot.com/2014/08/e-e-prof-manoel-joao-realiza-caminhada.html

A última escola que trabalhei durante seis meses, e era completando o meu tempo de serviço, para eu requerer a aposentadoria foi, a Escola Estadual Antonio de Sousa Machado, este patrono, foi o fundador de Mossoró, no conjunto Nova Vida (Malvinas).


Muita saudade eu sinto da Martins de Vasconcelos, dos(as) amigos(as) que lá deixei, e que não citarei nomes de nenhum, simplesmente para não deixar amigos e amigas sem frisá-los, apenas falo "discente e docente", mas nela, por duas vezes, fui decepcionado por uma pessoa, e que isto nunca saiu da minha mente. Fui desprezado e decepcionado.

Às vezes, eu fico num canto parado, revendo a Martins de Vasconcelos, e na minha mente, observando todos os cômodos, classes, direção, sala de professores, biblioteca, sala de vídeo e corredores, mas de repente, me aparece na minha frente, como se eu estivesse vendo novamente, o desrespeito da pessoa que me agrediu com palavras, repetindo tudo, e isso me apodero de um tédio invencível, e me dar vontade de ainda descascar feridas, e ir saber o porquê de ter me decepcionado no meio daquela gente que me viu chegar ali. 

Eu não sou uma pessoa vingativa, mas sou igual a todos os seres racionais, sou humano, rio quando preciso, choro quando sinto dores, tenho um coração que bate, e pelas minhas veias, correm sangue escarlate. 

A segunda vez que eu fui repreendido, pela mesma pessoa, no meio do corpo docente, me apareceram pensamentos contrários, mas sou controlado por forças maiores.

De repente, aparecem as minhas inquietações, querendo saber qual foi a finalidade de me atacar. Teria sido pelo fato de me apresentar calmo, tranquilo? Se o que disse a mim, por duas vezes, se tivesse dito a outra pessoa, tinha engolido o que não passa pela sua garganta? Posteriormente, vi que tudo aquilo contra mim, era sem dúvida, marcação, e, tentando tomar a minha vaga na escola para colocar uma pessoa sua. Mas ela não tinha condições para isso, porque, eu era um dos fundadores da escola. Nem ela e nem ninguém me tiraria dali. Nem a própria "DIRED" podia fazer isso contra a mim. Eu não estava fazendo nada de errado no meu trabalho, na minha função.

Mas o tempo é pouco, e por enquanto, eu vou me aguentando, para não descascar feridas. Não sei se qualquer dia descascarei as feridas que me incomodam. Eu sei que já se passaram muitos anos, mas dizer a verdade a quem não tem caráter, nunca será tarde, ainda há tempo, nunca é tarde. 

O meu pensamento absurdo sempre me vem, quando me lembro da amaldiçoada direção. Direção sem caráter..., sem prestígio, sem sapiência,, burra em todos os sentidos, que caiu de para-queda, sem ter o mínimo conhecimento como se dirige um órgão público. 

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NO TEMPO DA CACHAÇA

 Clerisvaldo B. Chagas, 28 de dezembro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.821


Vamos escrevendo para uma cidade sem memória e uma juventude que não encontra a história do município. Com essa conversa atual de rota da cachaça, em Alagoas, lembramos mais uma vez que tivemos uma cidade fabril, inclusive com fabriquetas de aguardente. O senhor João Aquino tinha uma fábrica de refrigerante, “Guaraná Globo”. O senhor Júlio Pezunho tinha uma fábrica de colchões, o senhor Antônio tinha uma fábrica de vinagre. No bairro Floresta havia uma fábrica de cordas. Três fábricas de calçados, uma fábrica de bolos e duas fábricas de carne-de-sol. Quanto ao fabrico da aguardente, em Santana do Ipanema, servia bem para abastecer o mercado local. Quanto a qualidade, nunca ouvimos falar sobre se o líquido era bom ou ruim.

Na esquina da Travessa Antônio Tavares para a Rua Nova, casa comprida de Manoel ou José Lopez, dizia o povo que se produzia cachaça.  No comércio, muito mais abaixo da igrejinha de São Sebastião, o irmão do padre Bulhões, Antônio Bulhões mantinha uma fábrica de cachaça e fazia as entregas no caçuás em lombo de jumento. Por trás da atual Loja Maçônica, “Amor à Verdade”, havia a destilaria do senhor Sinval, morador da rua Nova, jovem ainda, bigode a Castro Alves e que gostava de recitar poesias do poeta Zé da Luz. Algumas dessa fabriquetas de aguardente também produziam vinagre. Ainda não vivíamos o auge de marcas de aguardentes famosas e fabricada em larga escala pelo estado vizinho de Pernambuco, mas já se falava numa tal de “Azuladinha das Alagoas”.

Quanto a fruta jurubeba, produz uma bebida também chamada jurubeba e está incluída nas bebidas alcoólicas do estado. Embora houvesse muitas plantas nativas jurubeba na região de Santana do Ipanema, a bebida era importada e de cunho popular. E nas margens da rodovia Palmeira dos Índios – Arapiraca, via Igaci, proliferava a planta jurubeba ao longo de toda rodovia. Surgiu uma fábrica no distrito Canafístula, Palmeira dos índios, cujo depósito de madeira era tão alto que parecia uma louvação à bebida. Tempos depois fomos visitá-la, mas a fábrica de jurubeba havia cerrado suas portas.

Atualmente se fala muito em rota da cachaça na região agrestina, porém, Santana do Ipanema não possui mais nenhuma fábrica de aguardente.

Entretanto, com fábrica ou sem fábrica, com destilaria ou sem, os bebinhos da Terra de Senhora Santana continuam sem trégua na rota da cachaça.

DESTILARIA



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O OLHAR DE JORGE REMÍGIO PELOS CAMINHOS DO CARIRI CANGAÇO SERRA TALHADA.

 

Sertão abençoado por Deus... Nesses treze anos de Cariri Cangaço, em andanças intermináveis pelas veredas sagradas das caatingas nordestinas aprendemos a valorizar ainda mais o chão de nossa origem, nosso berço sertanejo com a força de todo um país. A cada edição do Cariri Cangaço, novos cenários, novos caminhos, novas emoções. Hoje trazemos o "olhar apurado e sensível" de nosso amigo Jorge Remígio; pesquisador da cidade de Custódia em Pernambuco, Conselheiro Cariri Cangaço; registros fotográficos de momentos imorredouros em Serra Talhada, Calumbi e Bom Nome...

O sol a pino nos impõe uma resiliência própria dos apaixonados pelos cenários sertanejos; Jorge Remígio com sua sensibilidade ímpar, reuniu cenários e personagens, impressões e emoções, todas reunidas a partir de momentos únicos de encontro entre a natureza exuberante do sertão e o principal protagonista de todas as histórias: o homem. Aqui e ali anônimos e destacados personagens se apresentam como parte de um balé mudo e ensurdecedor, que a todos encanta com a magia do momento. Cariri Cangaço mais que um evento, um sentimento.


Cariri Cangaço Serra Talhada-Calumbi-Bom Nome
11 a 15 de novembro de 2022
Imagens : Jorge Remígio, pesquisador, 
Conselheiro Cariri Cangaço da cidade de Custódia PE

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