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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Angicos, o fim da caminhada

Por Joan Edessom de Oliveira

Lampião viveu quarenta anos, mais da metade no cangaço. Comeu o pó das estradas sertanejas ao longo de mais de vinte anos. Palmilhou, por vezes a cavalo, mas no mais das vezes a pé, com suas sandálias de couro, incontáveis léguas por sete Estados brasileiros. Travou centenas de combates e escapou a todos eles. Em Angicos, o cego não disparou um tiro sequer.
             
Cometera, em toda a sua trajetória no cangaço, um erro muito sério. O fracasso do ataque a Mossoró, no Rio Grande do Norte, acompanhou-o por toda a vida. Atacara uma cidade grande, próxima ao mar, importante politicamente. Fora derrotado, uma dura derrota, de valor simbólico muito grande. Atraíra sobre si ainda mais a violência repressora do governo. Mossoró virou um símbolo, um ícone. Lampião não cometeu jamais o mesmo erro.
              
Em Angicos, ele errou uma segunda vez. Muitas vezes repetira que não se fica em coito com uma única saída, “ratoeira” segundo os cangaceiros. Angicos era exatamente uma delas. Corisco ali estivera e dissera isso. Zé Sereno dissera para Lampião a mesma coisa.

Zé Sereno à esquerda

O capitão insistira em ficar, confiava em Pedro de Cândido, o coiteiro que o trairia. Angicos é uma sequência de erros que desafia os historiadores do cangaço até hoje. Como o capitão Virgulino cometera um erro tão grosseiro? Como Juriti e Ligeiro, famosos cachorros de Lampião, juntamente com os outros, não latiram dando o alarma? Como, em esconderijo tão desfavorável, não havia sentinelas? A história ainda busca respostas setenta anos depois.
              
Na manhãzinha de 28 de julho de 1938 havia em Angicos os bandos de Lampião, Luís Pedro e Zé Sereno. Corisco ainda chegaria com Dadá e seu bando. Conforme dizem os sobreviventes, o combate durou apenas quinze minutos. Foi o mais curto da vida de Lampião, e também o que apresentou o maior número de baixas. Foi o combate fatal. Há setenta anos passados.
              
Lampião e Maria correm o sertão até hoje, nos romances de cordéis, na boca dos cantadores, na voz sussurrante das contadoras de história sertanejas, nas inúmeras pesquisas dos historiadores, na boca do povo, de pai para filho, de avô para neto, de bisavô para bisneto.

Segundo Chandler (2003: p. 218), “Lampião era um bandido social, mesmo não sendo um nobre salteador. (...) a sociedade em que viveu era tal que um jovem corajoso, como ele, poderia cair no banditismo muito facilmente. Ou como disse um cantador:

“Era brabo, era malvado,
Virgulino, o Lampião,
Mas era, pra que negar,
Nas fibras do coração
O mais perfeito retrato
Das caatingas do sertão.”

Joan Edessom de Oliveira é mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará e diretor da Escola de Formação Permanente do Magistério, em Sobral-CE.

Referências Bibliográficas:
           
CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião, o rei dos cangaceiros. 4ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.
ARAÚJO, Antonio Amaury Correia de. Assim morreu Lampião. 3ª ed. Santos: Traço, 1982.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 4ª ed. São Paulo: A Girafa, 2005.
FACÓ, Rui. Cangaceiros e fanáticos. 4ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.
DIAS, José Umberto. Dadá. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1988.
SOUZA, Ilda Ribeiro de (Sila). Sila: memórias de guerra e paz.         
Recife, Imprensa Universitária-UFPE, 1995.

EDIÇÃO 96, JUN/JUL, 2008, 

PÁGINAS 67, 68, 69, 70, 71


Extraído do blog:  "CDM - Centro de Documentação e Memória"

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Para quem perdeu


Entrevista com o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello no Programa"Provocações" TV Cultura.

Apresentação de Antonio Abujamra.

  

Bloco 2 



lampiaoaceso.blogspot.com


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INFORMATIVO JOVENS ESCRIBAS – LANÇAMENTO DO LIVRO “EU NÃO SOU HERÓI-A HISTÓRIA DE EMIL PETR”

Por: Rostand Medeiros

Rostand Medeiros, João de Sousa Lima e Juliana Ischiara

Outubro se aproxima do seu crepúsculo, mas ainda estamos a todo vapor nas atividades literárias aqui em Natal. 


Nesta terça começa a FLIQ (Feira de Livros e Quadrinhos de Natal), na quinta teremos lançamento de mais um livro e, no último dia do mês, fechando com chave de ouro, o 6º lançamento do mês.  # OTTO GUERRA – TRAÇOS E REFLEXOS DE UMA VIDA. Uma das filhas do grande pensador e humanista Otto de Brito Guerra, Dona Zélia Maria Seabra de Moura, organizou e vai lançar nesta quinta (25.10) uma reunião de textos importantes sobre seu pai que, se vivo estivesse, haveria completado 100 anos no último mês de julho. O livro será lançado pelo selo “Bons Costumes”, divisão da Jovens Escribas para publicações por encomenda.


Lançamento de “Otto Guerra – Traços e reflexos de uma vida” de Zélia Maria Guerra Seabra. Local: UNI-RN. Data: 25 de outubro de 2012 (Quinta-feira)Hora: A partir das 19h

# EU NÃO SOU HERÓI – A HISTÓRIA DE EMIL PETR. Mais um belo registro que chega às prateleiras por obra do selo “Bons Costumes” é o livro “Eu não sou herói – A história de Emil Petr”. Trata-se da biografia do filho de tchecos que nasceu nos Estados Unidos, lutou na Segunda Guerra Mundial, foi capturados pelos alemães, sobreviveu, veio a Natal e tornou-se patriarca da família Vale. Uma grande história contada pelo historiador Rostand Medeiros a pedido da família. A estreia do livro será no derradeiro dia do mês de outubro, no Iate Clube de Natal.


Lançamento de “Eu não sou herói – A história de Emil Petr” de Rostand Medeiros.Local: Iate Clube de Natal. Data: 31 de outubro de 2012 (Quarta-feira)Hora: A partir das 19h.

http://tokdehistoria.wordpress.com/

Lampião e sua higiene

Por:  Rogério Mota

"Os cangaceiros de Virgulino Ferreira e principalmente Lampião, não gostavam muito de tomar banho. Apesar das dificuldades de localizar água nas caatingas do Sertão Nordestino, eles não se esforçavam muito para se lavarem, passavam dias sem tomar um banho e suados, com as suas roupas sujas, conseguiu perfumes “francês” nas feiras livres das cidades onde passavam e jogavam pelos seus corpos. Os homens se barbeavam, ainda bem!

As mulheres do bando não tinham as preocupações de fazer sua higiene, enfim, faziam todas as suas necessidades fisiológicas, ficavam impregnadas de sujeiras e assim continuavam.

Minha tia Maura que com o meu avô Genésio Lima quando iam aos encontros dos cangaceiros para tirar fotos e cantar para o bando, dizia que era um cheiro insuportável, uma fedentina horrível que aquelas criaturas apresentavam.

Ela contou que Lampião admirava seus cantos, mas, não era de muita conversa e também de fazer elogios. Estas características de falta de higiene do bando de Lampião ficaram muito tempo nas histórias memoráveis que foram contadas quando tia Maura lembrava.

Esta é mais uma das historias que ainda não foi contada sobre o Rei do Cangaço."

Enviado pelo jornalista e articulista Rogério Mota - Recifense - Pernambuco

A ESTRADA DE LAMPIÃO

Por: Clerisvaldo B. Chagas, Crônica Nº 890

Novamente, depois de mais de quarenta anos de luta e promessas enganosas, eleições e desespero, volta à baila a estrada de Lampião. Esse é um trecho da BR-316 que vai desde o maior entroncamento do Nordeste, Carié, Alagoas, à cidade de Inajá, Pernambuco.

Trecho Carié/Inajá. Foto: (Blog do Bernardino - Cada Minuto)

Trata-se de uma imensa reta cortando a caatinga no peneplano sertanejo, que interliga as cidades do Alto Sertão alagoano: Canapi, Inhapi e Mata Grande e Água Branca, no primeiro plano. O asfalto demora tanto a chegar que o sítio Carié virou povoado e algumas das cidades ganharam asfalto estadual por trás. Inúmeras manifestações foram feitas pelos moradores da região e, se não for mais uma peça, o asfalto está para sair. Diz certo deputado, que a estrada será pavimentada pelo PAC. A notícia é que o Ministério dos Transportes acaba de assegurar a pavimentação com o valor estimado em quarenta milhões. A bancada de deputados federais de Alagoas assegura o que foi acordado com o ministro, para o trecho que compreende 49 quilômetros de extensão. Além de facilitar o escoamento da produção, a estrada garante geração de emprego e renda e deverá atrair investimentos para os dois estados.

Lampião costurando

Essa região da estrada BR-316, foi motivo de muitas andanças de Lampião e Corisco, pelos municípios serranos de Água Branca e Mata Grande.

O grande amigo de Lampião - Corisco

No raso da caatinga, o bandoleiro também atacava Inhapi, Pariconha e Ouro Branco, além de ter fretado viagens em burros para a atual cidade de Delmiro Gouveia. Vimos que apenas 49 km separava o Carié de Inajá, o que facilitava a vivência de Virgolino entre um estado e outro. Inajá, em Pernambuco, era conhecida como Espírito Santo e, foi perto dali que aconteceu o grande combate entre Virgolino e 

Coronel José Lucena

José Lucena, considerado uma das quatro maiores batalhas do cangaço. Quando houve a distribuição de volantes alagoanas pelo sertão, com sede em Santana do Ipanema, a partir de 1936, o encarregado dessa região passou a ser um homem de confiança do governo, sargento José Joaquim, chefe de volante. Corisco preferia agir na zona de serra, por ser nativo de Água Branca e a área ser de imensa fartura e esconderijos. Moreno, substituto de Virgínio tinha predileção pela planura e agia muito entre o Canapi, Alagoas, e Tacaratu, Pernambuco.

O cangaceiro Moreno

O asfalto pode estar chegando mesmo, depois de longa anedota. Mas ainda se conta muitas histórias de cangaço nas caatingas do velho entroncamento Carié. Para a maioria dos seus habitantes, um trecho que pede socorro. Para outras pessoas, A ESTRADA DE LAMPIÃO.

Autobiografia do autor:

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei.

Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão(encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.

Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados)

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2012/10/a-estrada-de-lampiao.html

domingo, 21 de outubro de 2012

Lampião e a cidade de Mossoró

Por: Juarez Morais Chaves
Minha foto

Mossoró é hoje a segunda maior cidade do Estado do Rio Grande do Norte. É uma cidade bonita, muito limpa e bem administrada. Atualmente sedia o Hotel Termas, um dos melhores hotéis do Nordeste. Pois bem, foi nessa cidade que há 83 anos atrás Lampião conheceu a sua primeira derrota que lhe foi imposta pelos moradores da cidade no dia 13.06.1927

O cangaceiro Lampião

No dia 9 de junho de 1927, Lampião adentrava no Estado do Rio Grande do Norte, disposto a reforçar o seu caixa pilhando a cidade de Mossoró. No dia 12, já estavam no povoado de São Sebastião, hoje a cidade de Dix-sept Rosado, próxima a Mossoró. De São Sebastião enviou mensagem ao Prefeito de Mossoró, Sr. Rodolfo Fernandes, informando que no dia seguinte estaria invadindo a cidade, causando, com essa notícia, um grande desespero em toda a população, conhecedora que era das atrocidades do Cap. Virgulino quando não lhe satisfaziam as vontades.  No que pese a grande preocupação, o Prefeito acalmou o povo e liderou a reação montando trincheiras para recepcionar os invasores. Além das trincheiras montadas fazia parte da estratégia de defesa a orientação para que as mulheres e criança ficassem em casa e não saíssem à rua, dando assim um aspecto de  esvaziamento da cidade


" Cel Rodolfo

Estando Eu até aqui pretendo drº. Já foi um aviso, ahi pº o Sinhoris, si por acauso rezolver, mi, a mandar será a importança que aqui nos pede, Eu envito di Entrada ahi porem não vindo essa importança eu entrarei, ate ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai aver muito estrago por isto si vir o drº. Eu não entro, ahi mas nos resposte logo.
Capm Lampião."

No dia 13 de junho o bando de Lampião invadiu o  Sítio Saco, é  de lá enviou um bilhete, exigindo a quantia de  400 contos de réis sob pena de invadir e destruir a cidade. Numa prova de coragem do povo potiguar, recebeu como resposta outro bilhete, assinado pelo Prefeito e devolvido  pelo mesmo portador, dizendo que Lampião podia invadir a cidade pois para ele e seu bando tinham bala de fuzil.

Revoltado e com raiva pela petulância do prefeito Lampião entrou na cidade e  por volta das 16:00 h começou o ataque. O bando foi dividido em três grupos cada um encarregado  de invadir a casa do Prefeito, a estação ferroviária e outro o cemitério. Encontrando feroz resistência da população Lampião perde importantes cabras e  o bando, após uma hora de tiroteio, recua, deixando em plena rua o cangaceiro Colchete morto com o crânio esfacelado por balas e o cangaceiro Jararaca gravemente ferido no peito, que é capturado  e praticamente enterrado vivo. pela população.

A atual Igreja de São Vicente, na época apenas uma capela, foi a principal trincheira de resistência e ficou com sua única torre crivada de bala. Lampião com seus  53 cangaceiros dentro de Mossoró, não imaginou  que iria enfrentar mais de 150 cidadãos armados na defesa da cidade e das suas famílias. Foi uma noite de terror, de grande tiroteio, mais parecendo uma noite de São João.

Pela reação recebida Lampião sentindo que dominar a cidade seria praticamente impossível, ordenou a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados “botaram Lampião para correr”. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.

http://xiquexiquense.blogspot.com.br/

Kydelmir Dantas e Luiz Gonzaga em Natal

 Kydelmir Dantas

Na próxima sexta-feira (26 de Outubro de 2012 às 19:30), o poeta, escritor, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC), pesquisador do cangaço e estudioso de Luiz Gonzaga, Kydelmir Dantas lançará em Natal - Rn.

Editora Queima Bucha

na Praça Cívica do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. o seu mais novo trabalho "LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE." 

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O senhor do Reino da Pedra - Delmiro Gouveia


A história de Delmiro Gouveia, o polêmico magnata que ergueu e comandou com mão de ferro uma civilização luminosa nas trevas do sertão
Dilton Cândido Santos Maynard

Era um homem temido e extremamente sedutor. Dizem que tinha ímã nos olhos e detestava gente preguiçosa. Quando ia à cidade, vestia-se elegantemente, com direito a bengala e cartola. Estava sempre perfumado. No sertão, manejava com habilidade o chicote e sabia fazer-se respeitar. Em todo o Nordeste, chamavam-no coronel Delmiro Gouveia, ou simplesmente “coronel dos coronéis”.

Em meio à pobreza e ao atraso do sertão, Gouveia criou a usina hidrelétrica Angiquinho, encravada nas paredes de uma cachoeira, para obter eletricidade das águas do Rio São Francisco. Com a energia, impulsionou a Companhia Agro-Fabril Mercantil (CAM), conhecida como Fábrica da Pedra — a primeira a produzir linhas de coser no país.

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu em 5 de junho de 1863 em Ipu, Ceará. Órfão de pai, mudou-se ainda criança para Recife. Depois de perder a mãe, em 1877, caiu no mundo, dedicando-se a vários ofícios: foi tipógrafo, trabalhou na Brazilian Street Railways Company, virou mascate e chegou a despachante de barcaças no Cais de Ramos. Por fim, ingressou no negócio de peles de bode, carneiro e cabra, criando, em 1896, a Delmiro & Cia. Segundo o escritor Graciliano Ramos (1892-1953), Gouveia “adquiriu tanta habilidade que poderia, segundo afirmam os tabaréus, esfolar uma cabra viva sem que ela percebesse que estava sendo esfolada”.

Atacando ferozmente a concorrência, em pouco tempo o jovem empresário figurava nos jornais como o “Rei das Peles”, tornando-se o único exportador de couros do Nordeste para os Estados Unidos. Os lucros lhe trouxeram uma vida de fausto: sua residência, a Vila Anunciada (assim batizada em homenagem à primeira esposa), foi transformada em um espaço para grandes festas e saraus.

Apesar de não vir de família tradicional e de possuir pouca instrução, Gouveia tornou-se presidente da Associação Comercial de Pernambuco. Seu figurino era elegante: ditou moda com os “colarinhos Delmiro Gouveia”, tinha um apreço todo especial por roupas brancas e perfumes importados. A fama de negociante próspero logo foi acompanhada pela de galanteador que enviava rosas e bilhetinhos apaixonados às amantes.

Delmiro visitou a Exposição Universal de Chicago, em 1893, e voltou de lá com a cabeça cheia de idéias. Provavelmente, a experiência inspirou-lhe a criação do Derby, um mercado com 129 metros de comprimento por 28 de largura, 18 portões, 112 janelas e venezianas, e um restaurante. Funcionavam no Derby 264 boxes, todos com balcões de mármore, onde se vendiam hortaliças e verduras.

Os visitantes que desembarcavam no porto de Recife eram transportados pelo leito do Rio Capibaribe para um hotel construído próximo ao mercado. Mas a grande atração era mesmo a iluminação elétrica, inédita na cidade. O público lotava o mercado para experimentar os carrosséis e divertir-se com as barracas de prendas, o teatro, as regatas, além do velódromo para ciclismo. Para muitos, o Derby foi a versão pioneira de um shopping center no Brasil.

Do prefeito José Coelho Cintra (1843-1939), Delmiro Gouveia obteve isenção de impostos e outros favores, mas os privilégios não foram suficientes para que mantivesse o empreendimento por muito tempo. No dia 2 de janeiro de 1900, o Derby ardeu em chamas. O misterioso incêndio teria sido uma resposta à ousadia do empresário, que eliminava intermediários baixando os preços, e certa vez chegou a atacar a bengaladas o senador Francisco Rosa e Silva (1857-1929), poderoso líder político pernambucano e então vice-presidente da República. Delmiro acabou preso, acusado de ter ordenado o fogaréu para receber o seguro.

Inocentado, passou por uma séria crise conjugal. Para fugir do redemoinho, viajou para a Europa, ficando cerca de um ano longe dos negócios, que iam mal, e do casamento, que desmoronara. Quando, enfim, retornou ao Brasil, estava falido.


Em um ato intempestivo, Gouveia resolveu raptar a menor Carmela Eulina do Amaral Gusmão, por quem se apaixonara. A moça era filha do governador de Pernambuco, Segismundo Gonçalves (1845-1915), importante aliado de Rosa e Silva. Alguns biógrafos sugerem que Eulina (futura mãe de três filhos seus) foi a “vingança de saias” aplicada por Delmiro em Segismundo, pelos ataques aos seus negócios.

Delmiro Gouveia e Eulália, filha do governador de Pernambuco, Segismundo Gonçalves

Fugindo para Alagoas, Gouveia estabeleceu-se na cidade de Água Branca, onde recebeu apoio das poderosas famílias Torres e Luna e retomou o negócio de peles e couros. Recuperou-se dos prejuízos, e em março de 1903 fixou-se na Vila da Pedra. Próxima ao sítio que comprou na região ficava a cachoeira de Paulo Afonso. O que lhe inspirou um plano ousado: a partir da queda d’água, construir uma hidrelétrica para fornecer energia ao Recife, sua antiga morada, e a outras cidades do Nordeste. Tudo arquitetado, Gouveia associou-se a americanos para viabilizar o projeto. Mas nem tudo saiu como o esperado. O governador Dantas Barreto (1850-1931) teria dito ao negar a concessão: “O negócio é bom. Tão bom que deve esconder alguma velhacaria!” Os americanos pularam fora, mas Gouveia levou a idéia adiante, limitando-a às suas terras.

Enquanto a hidreletricidade era ainda assunto de revistas, Gouveia, de arma em punho, obrigava seus empregados a descer pelo abismo de Paulo Afonso para instalar a usina. A energia obtida moveu a Fábrica da Pedra, que prosperou alavancada pelos tempos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Os carretéis ingleses passaram a sofrer uma inesperada concorrência no mercado nacional, com o rápido crescimento das linhas marca Estrela. No exterior, Gouveia lançou a linha Barrilejo. Sua clientela estrangeira incluía Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Antilhas e Canadá.

O negociante modificou a paisagem do sertão alagoano. A vila pulou de menos de uma dezena para cerca de 250 casas, com uma população de quase cinco mil pessoas. As bebidas alcoólicas foram proibidas — mas isso, evidentemente, não valia para o rei das peles: instalado em um confortável chalé, abastecido de champanhes caros e vinhos de Bordeaux, tornou-se o “senhor da Pedra”. Seus cinco automóveis, os primeiros a cruzar aqueles sertões, assustavam os camponeses. Junto com a indústria, levou para a pequena localidade a máquina de gelo, o telégrafo, o cinema (como ingresso das crianças, cobrava o boletim escolar com boas notas), o carrossel, a tipografia, bandas de música e a jornada de trabalho de oito horas, com folgas aos domingos.

A fábrica possuía uma vila operária, onde Delmiro impôs normas rigorosas aos moradores. Havia horário para fechar as portas, vistoria da higiene nas casas e multas para quem cuspisse no chão. Das moças, o cearense exigia vestidos abaixo dos joelhos e cabelos arrumados. Os filhos dos empregados eram obrigados a estudar — se faltassem, os pais recebiam duras advertências. Todos deveriam andar sempre asseados. Arno Pearse, observador estrangeiro, registrou que os operários iam para o trabalho “mais bem vestidos do que o europeu médio no domingo”.

Quando dispunha de tempo, Gouveia fiscalizava pessoalmente o funcionamento de tudo. O perfume forte denunciava sua presença, deixando os empregados em pânico. Deslizes freqüentemente levavam os infratores aos troncos das baraúnas próximas à fábrica. Há relatos de empregados que “fizeram mal” a alguma trabalhadora, e após um dia amarrados na árvore, aceitaram o “conselho” do coronel e se casaram, apadrinhados pelo próprio. Talvez por isso, Mário de Andrade (1893-1945) tenha escrito que “Macunaíma (...) pensou em morar na cidade da Pedra com o enérgico Delmiro Gouveia, porém lhe faltou ânimo. Para viver lá, assim como tinha vivido era impossível”.

Mas se em muitos despertavam temor, as atitudes enérgicas do empresário eram, para outros, simplesmente inaceitáveis. Fosse por desavenças pessoais, fosse por interesses comerciais contrariados, a pele de Delmiro Gouveia estava a prêmio. Aos 54 anos, era um cabra marcado para morrer. E driblar este destino foi um golpe que o magnata não soube dar. “Foi covardemente assassinado a tiros de rifle o grande industrial Delmiro Gouveia, uma das existências mais úteis e laboriosas do Brasil atual”, alardeou a Revista da Semana. Os três tiros foram disparados quando o empresário lia jornal na varanda de seu chalé, no dia 17 de outubro de 1917. Em sua homenagem, a revista lembrava que ele “foi estabelecer-se próximo à cachoeira de Paulo Afonso, criando a Vila da Pedra, hoje em dia transformada pela sua energia ciclópica num dos mais importantes centros rurais e industriais do país, numa verdadeira civilização encravada dentro da barbárie do sertão nordestino”.

De Mário de Andrade, o acontecimento mereceu o seguinte comentário: “Teve o fim que merecia: assassinaram-no. Nós não podíamos suportar esse farol que feria os nossos olhos gestadores de ilusões, a cidade da Pedra nas Alagoas”.

Em seu testamento, Delmiro deixou uma fortuna calculada em quatro mil contos de réis. E exigiu: “Quero que meu corpo seja inumado em cova rasa, sendo meu enterro feito sem pompa alguma e dispenso também todos os sufrágios e quaisquer outras solenidades”. Assim foi feito. A banda local acompanhou o féretro, mas, além disso, nada mais houve.


Róseo e Jacaré, acusados e condenados...inocentes???

Foram presos dois suspeitos, que confessaram um crime que não cometeram após muita tortura. Ao que tudo indica, a ordem partiu de coronéis da região. O processo-crime, revisto anos depois, está repleto de falhas e, para alguns, é um belo exemplar de erro jurídico.

No ar, ficou a suspeita de que o assassinato fora encomendado pela Machine Cottons, grupo inglês que fez uma férrea campanha para adquirir a Fábrica da Pedra e retomar o monopólio no negócio de linhas, perdido durante a Primeira Guerra. Delmiro negou-se a vender a companhia. Anos após a sua morte, o trust finalmente comprou a fábrica. Os novos donos chocaram a população da Pedra: várias máquinas da CAM foram quebradas e jogadas no leito do Rio São Francisco.

Delmiro Gouveia virou mito. O homem um dia acusado de velhacaria tornou-se um mártir da indústria nacional, vítima do “atraso” sertanejo e da pressão do capital estrangeiro. Embora exista mais de uma dezena de biografias dele, como num romance policial sua vida tem lacunas intrigantes. Ainda assim, exposições, histórias em quadrinhos, filmes, ruas, avenidas e até a Vila da Pedra, hoje uma cidade, levam seu nome. Imponente entre as rochas, Angiquinho lembra as mudanças ocorridas no sertão. Projetada sobre ela, a sombra do coronel dos coronéis ainda passeia impetuosa.

Dilton Cândido Santos Maynard é professor da Universidade Estadual de Alagoas e autor da tese “O Senhor da Pedra: os usos da memória de Delmiro Gouveia (1940-1980)”, (UFPE, 2008).

Saiba Mais - Livros:

ARARIPE, J.C. Delmiro Gouveia: a glória de um pioneiro. Fortaleza: BNB, 1997.
MARTINS, F. Magalhães. Delmiro Gouveia: pioneiro e nacionalista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL,1979.
ROCHA, Tadeu. Delmiro Gouveia: o pioneiro de Paulo Afonso. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1970.

Saiba Mais - Filmes:

“Coronel Delmiro Gouveia”, de Geraldo Sarno,1977.
“Delmiro Gouveia: o homem e a terra”, de Ruy Santos,1971.

Revista de Historia da Biblioteca Nacional

http://historianovest.blogspot.com.br/2009/02/o-senhor-do-reino-da-pedra-delmiro.html

Para você que ainda não o leu - A CIGANA DE PARICONHA E LAMPIÃO


Diz-se que Lampião, quando jovem, honesto e trabalhador, encontrou uma cigana bonita e sorridente, na feira de Pariconhas (Alagoas). Virgolino deu-lhe a mão para ser lida. A cigana começou a tremer lábios e pálpebras e fez terrível revelação: “Tenha cuidado com o número sete. Ele vai ser a sua perdição”. Até então, Virgolino trabalhava como almocreve do coronel Delmiro Gouveia, que, por coincidência, possuía nome e pré-nome com 7 letras...

Coronel Delmiro Gouveia

Delmiro foi assassinado a tiros, no dia 10 de outubro de 1917. Lampião morreu nas mesmas circunstâncias, na grota de Angicos, dedurado por um coiteiro de nome 

Pedro de Cãndido à esquerda - acervo João de Sousa Lima

Pedro de Cândido, no dia 28 de julho de 1938. Angicos e Cândido são nomes de 7 letras. Vinte e oito, o dia da morte de Lampião, é múltiplo de 7. Julho é o 7º mês do ano. Mil novecentos e trinta e oito tem 4 algarismo que, somados, totalizam 21, múltiplo de 7. Também foi de 21 o número de anos de diferença entre as mortes de Delmiro e Lampião.

Mossoró (Rio Grande do Norte), uma cidade de 7 letras, foi invadida por Lampião às 17 horas da noite de 13 de junho de 1927. A cidade estava em festa, promovida pelo “Humaytá”, uma instituição desportiva que possuía 7 letras em sua denominação. Também tinha 7 letras o nome do coronel Rodolfo, prefeito de Mossoró, que organizou a resistência contra o cangaceiro. Lampião, neste cerco, perdeu os cangaceiros Colchete e Jararaca e ficou com 5 homens seriamente feridos. Teve 7 baixas.

Se, supersticioso como era, Lampião tivesse dado mais atenção às palavras da cigana de Pariconhas, notaria que, na realidade, o número 7 tinha muito a ver com a sua vida. Lampião, capitão, cangaço, são exemplos de nomes que possuem 7 letras. Ele conheceu Maria Bonita no interior da Bahia, em Santa Brígida. O nome da santa (Brígida) tem sete letras, já não seria um aviso do destino? 

A metralhadora que ceifou a vida do cangaceiro era da marca Hot-Kiss, outro nome de 7 letras funestas, ligado ao destino do cangaceiro.

O cangaceiro Sinhô Pereira - O único chefe de bando de cangaceiro de Lampião

Lampião entrou para o cangaço aos 24 anos. Cerrou fileiras no bando de Sinhô Pereira (será que Pereira não tem 7 letras?), que abandonou a vida de bandoleiro e retirou-se para Goiás.

Os cangaceiros Corisco e Dadá

Corisco, um dos cangaceiros de maior confiança de Lampião, morreu dois anos após o cerco de Angicos. Quantas letras têm o nome de Corisco? 

Abraão Benjamim e Padre Cícero

Abrahão era um libanês que vivia em Juazeiro, ajudando padre Cícero. Foi ele quem, pela primeira vez, conseguiu a permissão de Lampião para fotografar o bando, em 1936. Abrahão é o 7º patriarca da Bíblia. O nome do fotógrafo de Lampião também tinha 7 letras...

http://zarcofernandes.webnode.com.br/curiosidades-/

NATALIA QUEIROZ MINHA MÃE, FOI ENTREVISTADA EM 1990



DEPOIMENTO DE NATÁLIA QUEIROZ SOBRE A INVASÃO DE LAMPIÃO A MOSSORÓ EM 13/06/1927 

Esse texto foi extraído do meu livro “MEMORIAS DE UM TEMPO FUGAZ”, que  será publicado em breve. Está na fase de revisão para depois ir ao prelo. Eis a entrevista:

P - Onde a senhora estava na véspera do ataque de Lampião a Mossoró? A senhora fugiu no trem para Areia Branca?

N - Estava na casa do prefeito Rodolfo Fernandes com um grupo de amigos e familiares, todos curiosos com a evolução dos acontecimentos, pois o ataque de Lampião a Mossoró poderia acontecer a qualquer momento.Sei bem que Júlio Maia ( um dos líderes da resistência e primo do Prefeito), chegou e disse que nós tínhamos que ir também para Areia Branca de trem. Continua Natália – os homens estavam se organizando em trincheiras. O prefeito foi muito corajoso, decidido, isso é que é a verdade., Acho que fomos no último trem, já muito lotado. Foi uma verdadeira folia. Eu era muito jovem, claro que estava com medo mas naquela idade tudo era aventura. Eu ainda não conhecia João Almino. Passamos três dias em Areia Branca. Era tanto boato!  As informações eram desencontradas, mas voltamos no primeiro trem.

P - Já sabiam que Lampião havia sido derrotado?

N- deram ordem para a gente voltar, pois Lampião já havia saído, mas tinha sempre aquelas pessoas que duvidavam de tudo. No percurso, acho que já bem perto de Mossoró, avistamos um carro e o trem diminuiu a marcha para saber notícias. Nessa ocasião o pai de Idália, (esposa de Chico Xavier de Queiroz), o senhor Antonio do Carmo, muito nervoso perguntou ao motorista do carro em voz alta, como estava a cidade. O motorista respondeu:- “tudo em paz”, mas ele entendeu “tudo em bala” .Ficou então gritando para o trem parar.E dizia : – Ta vendo, tudo em bala”. Foi um verdadeiro alvoroço. Algumas pessoas choraram, mas o maquinista desceu e foi conversar com o motorista do veiculo ficando esclarecido que estava tudo em paz. O trem prosseguiu viagem.

P-  O trem estava muito cheio?

N- sim estava mas nem todo o pessoal que tinha ido a Areia Branca voltou naquele dia, alguns ainda permaneceram por vários dias e a cidade de Mossoró ainda passou quase um mês com boatos. Diziam que Lampião ia retornar ou que estava na passagem do rio. Lembro-me de Jararaca na cadeia, fui olhar. Dr. João Marcelino foi o médico que o atendeu. Dizem que Jararaca  foi enterrado vivo, pelos policiais que iam levá-lo para Natal.

P- O que aconteceu após a fuga de Lampião?

N-  Sim, mas o bando de Lampião fugiu em direção a Jucuri e de lá até a fazenda Veneza, que era uma propriedade de Alfredo Fernandes. O gerente dela era Childerico (Childerico  Fernandes de Souza), primo de seu pai. Chegaram de manhã cedo (dia 14). A Bebela (Felisbela Rodrigues Fernandes) me disse muito depois o sofrimento que passaram. Acabaram com toda a comida existente lá, estoque de carnes, mataram muitas galinhas a tiro e mandaram fazer comida.  Eram mais de 50 cangaceiros. Saquearam tudo e ainda levaram 15 contos de reis que Childerico estava guardando para compra de umas reses. Bebela me disse também que só conseguiu guardar um queijo que caiu e ela jogou para debaixo de um armário. A certa altura Lampião perguntou se Childerico era primo do prefeito. Ele disse que sim. Não houve confusão por isso, mas  tinha um cangaceiro chamado Massilon que evitou muito as agressões que alguns queriam fazer. Eles ficaram na fazenda por todo o dia 14 e depois seguiram para Limoeiro do Norte.

Concluiu Natália: – eu não conhecia ainda João Almino. Minhas amigas é que falavam dele e diziam que ele era irmão de Celso Almino. Ora, se eu também nem sabia quem era Celso.

COISA LINDA! (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

COISA LINDA!

Coisa mais linda o entardecer no sertão e o cheiro de café torrado espalhando pelo ar, e ao bater à porta da velha senhora ela já saber o que você deseja ali. E traz o aroma fumegante na xícara, e traz a palavra, e traz o contentamento maior da vida.

Ao se aproximar da cancela ser logo recebido pelo meninote barrigudinho, que depois de mostrar sorriso no rosto bonito e no olho graúdo, se esconde por trás do mourão. E você o percebe olhando de fininho e se retraindo, até desabar em correria para depois surgir com um passarinho na mão e outro no coração. Que coisa mais linda, meu Deus!


Gesto lindo, maravilhoso, ainda que sentimentalmente desafiador, chegar de visita numa taperinha sertaneja e já próximo ao meio-dia o velho dono da casa pedir que lhe dê a honra de dividir sua mesa com o alimento que tiver. E você sentar e comer gulosamente feijão de corda com ovos de galinha de capoeira. E depois ouvir, sempre com semblante entristecido, as maiores desculpas por não ter oferecido o prato merecido pelo doutor.

Coisa linda, encantadora, é a tarde sertaneja com suas calçadas de cadeiras de balanços, com cocada e arroz doce em cima das mesinhas e janelas, vizinhas tratando cuidadosamente da vida dos outros, velhos picando fumo por cima dos tocos, velhas senhoras adormecendo suas lembranças nos embalos da ventania. E a meninada ao redor jogando bola, soltando pipa, correndo de canto a outro.

Lindo demais ainda poder encontrar o cavalo alazão do menino, todo bonito e ligeiro na sua magrez de cabo de vassoura ou pedaço de pau trabalhado; e também encontrar a casinha de boneca esperando sua dona chegar. E imaginar que quem está lá dentro, a própria boneca enfeitada no vestido de chita, anda muito raivosa pelo sumiço daquela que lhe chama de filha. E de repente chegar a menina com uma caminha de madeira que o pai acabou de comprar na feira.

Duvido que haja coisa mais bela do que o sertão nos dois extremos do dia, na alvorada e no anoitecer. Pelas matarias e descampados os sons da natureza, os bichos grunhindo, os mistérios sussurrando, para mais tarde, assim que o galo cantar e a passarinhada despertar, a vida receber sua cor e tudo se transformar em louvor. Menino se dana a correr, papagaio a falar, rala aqui e mexe acolá. Esse é o som do sertão, e eco mais belo não há.


E depois que o sol se esconde, quando o sombreado vai tomando os quadrantes, vai chegando a ventania trazendo o som de uma viola caipira, e muitas vezes o berrante ecoando para agradecer a juntada do gado, o trabalho cumprido, a vida que segue em frente. E tudo debaixo de uma lua imensa no terreiro da fazenda. E chega um compadre e outro, um gole é oferecido, e daí o proseado, o prestar contar do viver. E mesmo que não seja a melhor, coisa mais bonita não há.

Lindo, lindo demais, passar defronte ao cercado, à malhada do terreno, e avistar a caipirinha mais linda do mundo colhendo flores imaginárias para enfeitar sua janela. E tanta deusa, tanta musa, tanta doçura em pessoa, que é difícil não achar que por ali vivem as mais belas mocinhas do mundo, ainda que de roupa simples, vestidinho de chita, diadema no cabelo, uma maçã perfumada em cada face. E mais belo ainda o sorriso, o olho de flor da vida, cabelo amigo do vento, um passo que é valsa suave. E que melodia esse encontrar, que vontade de chegar perto dela e não dizer nada. Apenas admirar!

Que coisa linda é ser sertanejo, reconhecer-se sertanejo, jamais afastar do seu corpo a presença sentimental do chapéu de couro, do gibão, do alforje, da mochila de caçador, do suor queimando a pele, da moringa de barro da janela, do pote antigo recoberto com toalha rendada. E por onde andar, ainda que o asfalto sempre iguale os caminhos, ter na mente e na visão a vereda de encontros, um voo de jaçanã, a flor do mandacaru, o preá correndo à frente, o encontro com a catingueira, o xiquexique e a macambira.

Mas a coisa mais linda do mundo, e que somente no sertão existe, direi agora: o ser humano na mais pura realidade que possa existir. Haverá alguma coisa mais autêntica que o sertanejo?


Biografia do autor:

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE. 

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 20 de outubro de 2012

Novidades Outubro 2012



Paulo Tardin visita o local onde foi filmado
    Os Perigos de Nyoka e Falsários do Oeste e muitos outros.

18 de Outubro de 2012
OLÁ AMIGO
               O SHOW NÃO PODE PARAR !!!
        NOVOS TÍTULOS===GÊNEROS VARIADOS
      GUERRA==DRAMA==ROMANCE==ÉPICOS==FICÇÃO
    FAROESTE==CLÁSSICOS DA TV....
     VISITE-NOS www.cinetvnostalgiadvd.blogspot.com
             e DIVULGUE PARA OS AMIGOS !!!
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                     18 Outubro 2012

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

CANGAÇO – MILLENARIAN REBELS: PROPHETS AND OUTLAWS Parte VIII

Para os países que falam Inglês
http://www.1000dias.com

The cangaceiros recognized themselves in a simple idea, revenge, the realization of which touched them directly. They formed a warrior community whose social project (revenge is, indeed, a social project) was absolutely negative and for the most part completely personal. Each one had his revenge to carry out. It belonged to her and related to a given person or, more generally, a given family. And he intended to bring it to a good end, if he had not already done so. The entire constituted order was opposed to her revenge. By carrying it out, the cangaceiro challenged the entire society.

The cangaceiro did not criticize the society in which she lived, but the goal she pursued made him a rebel. The millenarians didn’t seek to avenge themselves or, more precisely, the hour of vengeance did not belong to them, since it was up to God or a supernatural being like king Dom Sebastião, but they criticized society. Thus, it was almost inevitable that they would meet, as they did, in fact, in Canudos. The state arranged to transform a spiritual community into a warrior community and an individual in search of revenge into a social bandit.

Members of the elite of a city in northeastern Brazil, during the visit of a high dignitary of the Catholic church. The most prominent members of this select group were known as “colonels” – http://tokdehistoria.wordpress.com

The insult that the cangaceiro had to erase came both from an individual and from the society that supported that individual, that was his accomplice. The offense didn’t come from an isolated individual, from one’s likes — in those days, settling such an insult would not have been a problem — but from a social authority. It could be an insult from a “colonel” or someone in his circle, which amounts to the same thing. The offense came from a fazendeiro who was invested with both a social authority as a large property holder and a political authority as a representative of the state in the region. The vengeance of the cangaceiro, in fact, was a social vengeance. Carrying it out didn’t just mean confronting an individual, but also the state that stood behind him.

The cangaceiro made his own justice toward and against the state, which always stood on the side of the one who offended him. His inalienable and universal right as a free individual came into conflict with the objective Right of the state, the substance of which is revealed precisely in forcing the individual to alienate her universal and immediate right to freedom.

“It is enough that the I as free being am alive in the flesh, because it is prohibited to degrade this living existence to the rank of pack animal. While I live, my mind (which is concept and also freedom) and body are not separate; this constitutes the existence of freedom, and it is in this that I experience it. It is a sophistic concept without idea that makes the distinction according to which the thing in itself, the mind — and even the idea of it — , is not struck when the body is abused and when the existence of the person is subjugated to another’s power.”[40]

Groups of officers who hunted the bandits were known as “Volantes”. These men used uniforms very similar clothes worn by bandits. The reason was the need to protect the vegetation typical of dry region of Northeast Brazil, very thorny and known as “Caatinga” – http://tokdehistoria.wordpress.com

By avenging himself, the sertanejo realized his idea that all human beings were equal in their humanity; he became effectively free, for himself and for others. For him, this passage of the idea into concreteness corresponded to the passage into clandestinity. He abandoned an abstract civil existence that suddenly appeared for what it was, a servile existence. Thus, he became a cangaceiro.

Freedom is a risk to take. Suffering an insult without reacting means submitting to the power of another, falling into slavery. This corresponds to a person’s social death, to which she can respond only with the master’s death.

Faced with an essentially human reaction, the academics of our times, like Josué de Castro[41], go so far as to even speak of a nutritional deficiency to explain the rebellion of the cangaceiros or the millenarians, and talk of flight when they should confront the state and the world. Who knows, maybe in referring to these academics, one could have spoken of a chronic deficiency of the most elementary intelligence of human practices.

The sertanejos possessed this intelligence, recognizing themselves in the cangaceiros and appreciating them as courageous human beings who preferred to put their lives at stake than to die as slaves. The fact is that from one moment to the next any sertanejo might have been forced to go into hiding for similar reasons. These people were on the verge of slavery. Their existence as free human beings ceaselessly threatened to collapse into submission, to fall or return into slavery. They were always ones who lived and reacted in haste.

In June 1927, Lampião attacks the town of Mossoró, in state of Rio Grande do Norte. After this attack took place this photo in the city of Limoeiro, in the state of Ceará. You can see some hostages – http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br

The cangaceiro showed through his actions that even the poor could become terrifying. Feared and admired, a cruel hero and a bandit with a big heart, he quickly became a mythical figure of the sertão.
In the cangaceiros’ heroic deeds, it is difficult to distinguish legend from reality. The testimonies, the depositions, the poetry, the stories and the news articles accumulated and contradicted each other. Reality itself, in which shameful self-interest, betrayal and complicity, boldness and deceit were mixed, was not only complex and contradictory, but already legendary. With the cangaceiros, reality had been pierced by an idea. It belonged to an epic poem.

In the 19th century, starting from Brazil’s independence, social banditry spread within the country, reaching its peak at the proclamation of the Republic. Then it took on the traits of modern cangaceirismo, which would reach its culmination in Lampião in the 1930s.

 Antônio Silvino – http://tokdehistoria.wordpress.com

At the beginning of the 20th century, two figures stood out: Antonio Silvino and Sebastião (Sinhô) Pereira, with whom Virgulino Ferreira, the future Lampião, took his first steps. Legend has presented them to us as especially good and generous, in the style of social bandits like Robin Hood. Antonio Silvino was captured in 1914 and sentenced to thirty years in prison. He was released after twenty years. Sinhô Pereira withdrew into “public life”.

Virgulino (Lampião) was born in 1897 in a small village in the province of Pernambuco, where his father was a sharecropper on a small plot of land and also a mule driver. One day, a detachment of the police, whose commander was linked to a hostile family, slaughtered the old man and the mother.

Virgulino and his brothers burned the mourning clothes in the barnyard and swore that from that moment on they would no longer carry on mourning, but would rather carry the gun. The sisters were entrusted to the youngest of them while the others went into hiding. But finding themselves in an extremely precarious and uncertain situation, after a few victorious conflicts with the military police, they united with Sinhô Pereira’s cangaço.

In this photo we see sitting Sinhô Pereira, the first head of the Lampião. Beside him is his cousin Luiz Padre. These two famous outlaws fought many battles in the state of Pernambuco – http://cariricangaco.blogspot.com.br

One of Lampião’s first endeavors was the murder of “colonel” Gonzaga, director of the Belmonte police in the state of Pernambuco. The man was killed with his entire family, and even the goats and chickens in the barnyard were slaughtered. In the end, Lampião removed the wedding ring from the corpse, put it on his finger and didn’t take it off again until his final day.

When Sinhô Pereira retired in 1922 (this could happen when one could count on the implicit blessing of Father Cicero), Virgulino became the indisputable leader of the band. Though he went on to become the most celebrated of the cangaceiros, he would also be the last. Lampião wrote the final chapter of a history.

His nickname, Lampião (lamp, lantern), came to him from one of his early battles. In the course of a nocturnal ambush, he had taken to firing so quickly that it lit up the night.

For nearly twenty years, throughout the sertão, Lampião would wander from one province to another over an immense landscape, appearing in an unpredictable manner, scrambling his trails, always turning conflicts with the police to his own advantage.

In this photo we see the left Lampião and beside his brother Antônio – http://cariricangaco.blogspot.com.br

“Let’s leave civilians in peace. Against police and traitors: FIRE!”

The blows were frequently struck by small groups commanded by the best men, while the leader controlled everything. Sometimes the entire band took part in genuine war expeditions. Lampião studied routes, sought to discover where there were concentrations of money, followed the movements of the “flying squads”. He was considered a “modern” bandit and used strategy and tactics most skillfully.

The band stayed hidden for long periods in a safe place, a forest, an inaccessible mountain chain, a desert oasis or the fazenda of a friend. The people only moved in small groups to resupply ammunition, a very difficult enterprise, to deliver messages demanding money and to buy food and other things. They moved in a limited radius, just a dozen people with a guide, if need be; the round lasted a week at the longest. At times, if the situation became too hot, the band literally disappeared without leaving a trace, deliberately spreading news and signals that confused the trails and making the police and beaters go crazy. Then the cangaceiros rested and recovered from the fatigue of their latest endeavors, preparing the next ones with high spirits.[42]

Lampião and his band on horses. Note that one of the bandits uses a military bugle – http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br

Expeditions lasted several months and could cover several northeastern provinces. Lampião extorted money from the rich property owners, villages and sometimes cities of a certain significance. He presented himself with his band, receiving the money collected from the rich, merchants and property owners directly from the local authorities. In some cases, he visited the school while the men sat in the plaza of the church, then usually everything ended with a banquet followed by dancing. The feast started with great binges of overflowing glasses of a brandy called “a testarda” (“the stubborn woman”). Poetic challenges were launched where the best bards confronted each other, while encounters came together and dissolved… In the night, the troop took off singing their story to the tune of “Mulher Rendeira”.

Olé, mulher rendeira
Olé, mulher renda
Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorar!

Sometimes things went badly. For example, during the attack on Inharéma (sic) in Paraíba. The cangaceiros did not succeed in taking the center of the town. That time, mad with rage, they retreated, destroying, looting and burning everything that they found in their path.

“Upon returning to the state of Pernambuco at the end of 1925, Lampião occupied the city of Custódia, but in the most peaceful manner in the world. The bandits spent the day passing through the streets. Everyone paid for his purchases. All around the area sentries kept watch. Lampião extorted a few rich bastards, bought provisions, medicine and ammunition. The tailor made clothing for him, finishing it the same day, as promised, and was paid handsomely for it. Lampião sent a telegram to the state’s governor, telling of all the colors, but he didn’t pay for this on the pretext that the telegraph was a ‘public’ service. The police detachment, having disappeared at the first alarm, gave no signs of life.”

Continuaremos na próxima semana.

Extraído do blog: "Tok de História" do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com/2012/09/22/cangaco-millenarian-rebels-prophets-and-outlaws/