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segunda-feira, 13 de abril de 2020

ANTÔNIO MATILDE E OS IRMÃOS PORCINOS

Por Antônio Correa Sobrinho

A história do banditismo no sertão do Nordeste do Brasil, conhecido por CANGAÇO, imperante de anos do século XIX a meados do século XX, tem registrado em seus anais a atuação de notáveis bandoleiros, como Cabeleira, Jesuíno Brilhante, Antonio Silvino, Luiz Padre, Sinhô Pereira, Virgulino Lampião, Sabino, Corisco, e também os cangaceiros ANTONIO MATILDE e os IRMÃOS PORCINO, estes últimos, iniciadores, preceptores, mestres daquele que veio a se tornar o mais célebre dos cangaceiros que existiram no Brasil, considerado o “rei do cangaço”, o já acima citado VIRGULINO LAMPIÃO.


Fui buscar Antonio Matilde e os filhos de Porcino Cavalcanti de Lacerda, Antonio, Manuel, Pedro, gente das terras alagoanas, a fim de compor a coleção de textos que ora apresento, nos jornais pernambucanos, Diário de Pernambuco, A Província e o Jornal do Recife, e, um único informe, no diário carioca A Noite, publicações estas disponibilizadas na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional.

Detalhe: reuni somente as notícias e comentários trazidos a lume pelos sobreditos periódicos, nas datas contemporâneas ou relativamente próximas aos episódios dos quais fizeram parte Antonio Matilde e os irmãos Porcino, para, com isso, proporcionar ao leitor os primeiros escritos, as iniciais formulações históricas dos momentos germinais do cangaço produzido por Lampião.

Antônio Correa Sobrinho

São relatos onde se percebe, nas entrelinhas, o quão isolado e abandonado, pobre e desvalido encontrava-se o sertão nordestino naqueles remotos anos, terminais do Império e iniciais da República, tempo de secas prolongadas e fome epidêmica, condição esta, em boa parte, resultante da inexistência, ali, do Estado verdadeiramente promovedor de justiça e progresso, cultor do bem-estar social, cuja presença meramente formal, simbólica, omissa, seletiva, interesseira, terminou por transformar o adusto rincão nordestino num campo fértil de banditismo e messianismo, expressões de dor e sofrimento, brado de desespero de um povo.

Podemos também imaginar, lendo estes pequenos artigos, o que poderia não ter sido a vida cangaceira de Lampião, tão abrangente e impactante, caso ele tivesse deixado o cangaço, como o fizeram os seus sobreditos comandantes, Luiz Padre e Sebastião Pereira, bem como os seus monitores Antonio Matilde e os irmãos Porcino. Ao preferir continuar trilhando os caminhos da criminalidade organizada, o que o fez até às últimas consequências, Lampião terminou por herdar destes seus maiorais, um sem número de figadais inimigos, perseguidores vorazes e contumazes, ávidos por extirpá-lo da face da terra; como se não lhe bastassem os seus originais inimigos e os seus algozes das volantes. Lampião que terminou, por um lado, alastrando e agravando a grave e perniciosa doença social; e por outro, dizendo aos quatro cantos do mundo e do Brasil, com sua espetaculosa e beligerante atuação, ainda que de forma reflexa, inconsciente, da existência de uma nação chamada Sertão.

Outras coisas mais podemos retirar desta leitura. Agradecendo sempre ao meu filho Thiago, pela capa e diagramação, encerro a apresentação do E-book, pensando estar contribuindo

Disponível em PDF, gratuitamente: www.antoniocorreasobrinho.com

Aracaju, dezembro de 2019.
Antônio Corrêa Sobrinho


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LAMPIÃO ALMA GRANDE

Por Ariano Suassuna

Lampião não era uma alma pura, mas não era uma alma pequena e vulgar, era uma alma grande.

Ariano Suassuna

Perdi a fonte

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LAMPIÃO, O INIMIGO DO PROGRESSO.


João Filho de Paula Pessoa

Lampião sabia que o progresso era uma ameaça à suas ações, à seu estilo de vida e à sua própria existência e costumava combatê-lo à seu modo, sempre que possível cortava os fios dos telégrafos e destruía suas máquinas e cabines, queimava estações e vagões de trem, incendiava caminhões e atacava as construções de estradas e seus trabalhadores.

Em meados de 1929, estava em construção uma estrada que ligaria Juazeiro da Bahia à Santo Antônio da Glória também na Bahia e que passaria pelo Raso da Catarina. Os trabalhadores laboravam protegidos por um contingente policial, da ameaça cangaceira. Certo dia o Oficial deste destacamento recebeu uma carta de Lampião, em que ordenava a suspensão da construção da estrada, sob a pena dele cortar sua cabeça, matar os soldados e arrancar as mãos e pés dos trabalhadores. Ao saberem da carta, todos os trabalhadores fugiram em desespero, abandonaram o serviço, a construção e os soldados, que por sua vez, também não ficaram e debandaram também, não ficando ninguém na obra da estrada, que foi abandonada e interrompida temporariamente. Algum tempo depois a construção foi retomada, no entanto sem a escolta policial e quando Lampião passou por lá novamente e viu a obra em andamento cumpriu sua promessa, atacou e matou os nove trabalhadores que lá estavam, repetindo estes tipos de ataques, várias outras vezes pelos sertões em que passava, para impedir o avanço do ameaçador progresso. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 31/03/2020.


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HOJE NA HISTÓRIA - 26 DE JANEIRO DE 1907 - O ATAQUE DO CANGACEIRO ANTÔNIO SILVINO A BARRA DE SÃO MIGUEL - PB



Segundo informações fidedignas recebidas dessa villa sertaneja, eis o que se passou por ocasião da estada ali do bandido Antonio Silvino.

No dia 12 de Abril, depois de 11 horas da noite, entrou o grupo formado de 13 cangaceiros, inclusive o chefe, na villa, onde não havia a menor noticia da sua aproximação. Cerca de uma hora antes, estiveram na casa do delegado de policia, cidadão Nicolau Vitalino Correia de Araujo, distante da villa um kilometro e obrigara o mesmo delegado a acompanha-lo e a servi-lhe de guia.

Ao entrar na villa, Antonio Silvino dirigiu-se a cada uma das residências das praças de policia, que em um número de três guarneciam a localidade e foi prendendo-as cada uma por uma vez. Tomou-lhes as armas e os fardamentos, e obrigou-as a acompanha-lo.

Presa e desarmada a ultima praça, dirigiu-se o facínora á casa de João Anastácio, ex-praça do Batalhão de Segurança, que a cerca de quatro annos sutentara fogo contra ele na povoação do Boqueirão.

A voz do delegado, prisioneiro de Antonio Silvino, João Anastacio abriu a porta, sendo subitamente amarrado pelo grupo e arrastado para a rua, onde recebeu grande numero de açoites e duas facadas.

Depois seguiu o grupo para a casa do capitão Manoel Henrique do Nascimento Araujo, escrivão da Mesa de Rendas, ao qual intimou a entregar todo o dinheiro existente na repartição, no que foi obedecido.

Assim passou ás mãos de Silvino a quantia de trezentos e tantos mil reis, único dinheiro existente na Mesa de Rendas porque o respectivo administrador major Deodato Pereira Borges, tinha vindo pouco antes á capital recolher a arrecadação do ultimo trimestre.

Os bandidos obrigaram o referido escrivão a abrir a repartição, onde se apoderaram de todos os livros, papeis e estampilhas que conduziram para a rua e queimaram completamente. Silvino recomendou então ao escrivão que da arrecadação que fizesse, guardasse-lhe cada mez 50$000, que ele viria ou mandaria buscar.

Foram d’ahi á casa do subdelegado de policia, Candido Casteliano dos Santos, contra quem Antonio Silvino estava prevenido, e que recebeu a exigência de um conto de réis, sob pena de ver incendiado o seu estabelecimento comercial.

O sr. Candido Casteliano respondeu que não dispunha de quantia tão elevada porque fizera pouco antes remessa para a praça do dinheiro apurado, pelo que Silvino aceitou a importância de 400$000, tirando porem fazendas no valor de 200$000.

Exigiu e recebeu 50$000 do cidadão Olyntho José de Vasconcelos, 1º suplente do Substituto do Juiz Seccional.

Mandou esbordoar uma praça do destacamento de nome Pedro Rodolpho, porque esta declarou que só se entregara sem resistência por ter sido sorprehendida.

Tudo se fez no maior silencio de modo que as pessoas, que se achavam agasalhadas no interior das casas não presentiam o que se passava na rua.

Antes de retirar-se, Antonio Silvino mandou bater na porta do tenente-coronel Manoel Melchiades Pereira Tejo, que até então ignorava o que se estava passando, e que despertando, abriu a porta.

D’elle exigiu Silvino café para si e seus companheiros no que foi satisfeito, retirando-se da villa ás 3 horas da madrugada.

Jornal A Républica.


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CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO


NOTA OFICIAL

Diante do atual quadro de Pandemia do Covid-19 que assola nossa Nação; considerando todas as recomendações das autoridades governamentais e sanitárias; federais, estaduais e municipais; e acima de tudo em profundo respeito à integridade e saúde da imensa família Cariri Cangaço de todo o Brasil, a Curadoria do Cariri Cangaço Paulo Afonso nas pessoas de Manoel Severo Barbosa e Joao de Sousa Lima, representando o Conselho Alcino Alves Costa e o Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, comunicam que o referido seminário Cariri Cangaço Paulo Afonso 2020, anteriormente marcado para os dias 11 a 13 de junho do corrente, está ADIADO para data a ser confirmada posteriormente. Pedimos humildemente a compreensão de todos e permanecemos à inteira disposição para maiores esclarecimentos. Sabemos que a Vida é a Arte do Encontro e o Cariri Cangaço tem como grande legado fazer valer cada encontro, se cuidem e fiquem em casa, esperamos que no mais breve espaço de tempo possamos reunir a verdadeira alma nordestina, com respeito, festa e segurança.

Cariri Cangaço 
Mais que um Evento, Um Sentimento...

CURADORES
Manoel Severo Barbosa
Conselho Alcino Alves Costa
João de Sousa Lima
Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso

APOIO INSTITUCIONAL
Benedito Vasconcelos
SBEC-Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Archimedes Marques
ABLAC- Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
Ângelo Osmiro Barreto
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
Narciso Dias
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço


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domingo, 12 de abril de 2020

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

Peça: 
franperlima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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GLOBO REPORTE COM LUIZ GONZAGA


1984 o globo reporte falava da vida do rey do baião luiz gonzaga enviado por edmar domingos alves
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A VIDA DO VIAJANTE
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CASA ANTIGA NO SERTÃO NORDESTINO E O LUGAR ONDE ARRANCARAM UMA BOTIJA DE OURO




Fazenda cabaças lugar onde o padre Cícero visitou diversas vezes pois o mesmo tinha amizade com o capitão Angelo Gomes de Sá neste vídeo vejamos um casarão antigo que pertenceu ao mesmo em fazenda cabaças verdejante Pernambuco
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FILHOS DO CANGAÇO - INÁCIO CARVALHO OLIVEIRA "INACINHO" FILHO DO CASAL CANGACEIRO MORENO E DURVINHA



Inácio Carvalho Oliveira "Inacinho" é filho do casal cangaceiro Moreno e Durvinha, antigos integrantes do bando do cangaceiro Lampião. Inacinho nasceu no ano de 1938 enquanto seus pais ainda estavam no cangaço. Moreno e Durvinha tiveram que entregar o filho para adoção, por causa da dura vida que levavam em meio a caatinga. Em 1940... Moreno e Durvinha decidem abandonar o cangaço e partem em busca de outras terras, deixando para trás seu primogênito. Pais e filho permaneceram afastados e sem contato durante sessenta e seis anos, até que novamente se reencontraram. Um relato histórico e emocionante que vocês conhecerão ao assistirem essa entrevista. FILHOS DO CANGAÇO...

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MORENO E DURVINHA | O CANGAÇO NA LITERATURA #128



Mais um vídeo foi apagado de nosso canal mas está aí de volta (felizmente). nem me estresso mais... Valeu@! Os últimos Cangaceiros https://www.youtube.com/watch?v=EzK-R...
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AMOR DE CANGACEIROS


Adauto Silva
Virgínio, Durvinha e Moreno
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CANGAÇO - CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORTE DE LAMPIÃO



Cangaço - Considerações sobre a morte de Lampião Paulo Brito, Archimedes Marques e Rossi Mágne falam sobre Angico, Maria Bonita e ABLAC. Link do vídeo; https://youtu.be/raPomO4vsmk
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PÁGINAS ETERNAS

*Rangel Alves da Costa

Preciosas são as imortais velharias. Apenas para alguns, logicamente. A maioria das pessoas foge de tudo que seja antigo, ainda que relíquia ou algo valioso demais para ser desprezado. Com relação aos livros então. Raramente um livro novo é lido, folheado, amado, quanto mais um que tenha cinquenta anos ou mais. Coisa velha, coisa do passado, dizem. Não sabem, contudo, que nas letras antigas há uma sabedoria eterna e sempre presente.
De vez em quando gosto de ir visitar algumas imortais velharias. Vou ao mercado, subo ladeira, caminho pelos arredores do centro ou distancio-me ainda mais somente para visitar, conversar, prosear, folhear e me apaixonar ainda mais pelos livros antigos. Sim, prazer imenso em reencontrar as páginas já amareladas de um Garcia Márquez, de um Érico Veríssimo, de um João do Rio, de um Machado de Assis, de um Proust, de um Poe, de um Tagore. Sim, também Jorge Amado, Florbela, Sommerset Maugham, Exupéry, Walt Whitman, dentre tantos outros.
Nos sebos ainda existentes pela cidade, os possíveis e inusitados reencontros. Ora, não é toda hora que um Voltaire chega com cheiro de outros tempos, que um Dante ressurge das cinzas, que um José Mauro de Vasconcelos aparece com suas páginas ainda cheirando a pé de laranja lima. Aquele Drummond mais antigo, aquela Cecília Meireles primeira, aquele José Lins do Rego exalando o cheiro da bagaceira e do suor do engenho. Outro dia encontrei uma edição bonita de A Boa Terra, de Pearl S. Buck, também Hermann Melville e Harriet Beecher Stowe. Nas mãos, A Cabana do Pai Tomás e sua história tão bela e tão dolorosa.
Além desses, há outros clássicos da literatura mundial que, embora raramente, de vez em quando há a sorte grande de avistá-los escondidinhos pelos cantos das estantes ou mesmo nas caixas empoeiradas e baús compartilhados de traças. Talvez um Balzac, algum dos Dumas, um Charles Dickens, um Nietzsche, um Schopenhauer, um Kafka. Delicioso prazer em folhear um João Guimarães Rosa, seja numa página de Grande Sertão: Veredas, Sagarana ou Corpo de Baile. E encontrar Riobaldo e Diadorim em seu amor proibido.
Na minha estante já estão muitos moradores do meu Nordeste. De vez em quando folheio e releio Graciliano, João Ubaldo, Gilberto Freyre, Cascudo, Nertan Macêdo, João Cabral, Rachel de Queiroz, Tobias Barreto, dentre muitos outros. Contudo, realmente não sei o que acontece, mas o encantamento nunca é o mesmo quando o autor é encontrado pelos sebos da vida. É como se o inesperado acontecesse, como se um amigo muito distante de repente fosse avistado tomando um cafezinho numa mesa de canto.
Os autores não precisam ser de um passado tão distante que não se tenha como raridades. A raridade está na edição primorosa, na integralidade da obra, no seu conteúdo, na boa tradução, mas também pelo aspecto antigo que o livro passa a ter depois de alguns anos. Naquele amarelado cinzento, entre folhas já fragilizadas pelo tempo ou pelo uso, todo o encantamento e magia que se deseja sempre ter. Nas mãos, um mundo. Nas mãos, cavaleiros errantes, servidões humanas, tragédias e risos, amores desencontrados e reencontrados. Avista-se um moinho de vento, a bagaceira do engenho, o menino falando com seu pé de laranja lima, o olhar perverso da traição.
Os autores já partiram noutro romance do além, mas suas obras continuam permitindo os reencontros e as visitações. Mas os livros também partem de repente. Os bons livros escasseiam pelas traças, pelos descuidos, pelo mau uso. Daí se tornarem raridades aqueles que persistem em sobreviver sob os cuidados de um guardião da memória, nas bibliotecas públicas ou particulares, mas principalmente nos escondidos daqueles leitores mais apaixonados. Não raro, contudo, vão parar no lixo numa descuidada faxina. A salvação é quando encontram o caminho dos sebos, das casas das imortais velharias.
Os sebos se constituem em verdadeiros templos da arqueologia literária. Nem tudo que se encontra espalhado possui serventia, mas a exploração com afinco e persistência sempre revelará importantes e indescritíveis achados. Neles, os arqueólogos das letras ou os exploradores da boa escrita, lançam a pá do olhar logo no formato da brochura, na sua idade, no seu aspecto de preservação. Em seguida, logo cuidam de encontrar o nome da obra e seu autor. E é assim que surge uma raridade do Padre Antônio Vieira, um tratado filosófico, um Virgílio ou um Marco Aurélio. E já na posse do inusitado tão desejado, o leitor logo se confessa amigo daquela obra e diz que enfim encontrou aquele autor.
E assim por que os sebos não são apenas lugares onde livros antigos podem ser encontrados e comprados. Não. Os sebos são como as casas de inacessíveis ou distantes amigos, mas que de repente aparecem à janela com um sorriso, mesmo que já envelhecido. Os sebos são, assim, os bancos de praças onde os velhos se assentam despercebidos à espera de alguém que lhes reconheça. E que sente ao seu lado para o diálogo, para a relembrança, para o prazer da presença.
Coisa de três ou quatro dias atrás, entrei num desses sebos e quase não saio mais. Meu olhar se perdia pelas estantes, pelas caixas, pelos livros amontoados pelos cantos. Uma vontade danada de levar comigo dez, vinte, trinta livros. Separei apenas três: uma edição de Cem Anos de Solidão, de Garcia Márquez, e dois volumes de Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado, de Frederico Bezerra Maciel. Paguei quase nada. O preço maior foi a despedida, o adeus àqueles velhos e queridos amigos.


Escritor
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QUINA QUINA

Por Verluce Ferraz

"O nome da planta que amarga serve para a Vida de Cão” vida de marginal, sem beira nem eira... Assim era a vida do cangaceiro QUINA QUINA...!!! Sofria perseguição tanto das volantes como dos cangaceiros... Votti, como fala Oleone Coelho Fontes!

O cangaceiro Jonas Celestino dos Santos, conhecido como QUINA-QUINA este declarou que antes de entrar no bando de Balão (subgrupo de Lampião) sofria perseguições tanto das volantes das forças legais como dos cabras de Lampião, e a solução encontrada foi se juntar aos bandidos em 1936.


Após o massacre em Angico, QUINA-QUINA se entregou em Jeremoabo (no interior da Bahia). Neste contexto percebemos o sofrimento de muitos indivíduos que tiveram suas vidas marcadas na guerra que envolvia cangaceiros e os policiais das volantes do sertão.

Parte de: O fim do rei do cangaço Rafael Sancho Carvalho da Silva é professor de História da FTC EAD e Pós-Graduando Lato Sensu em História Social e Econômica do Brasil pela Faculdade São Bento – BA...!!!é nome de Cangaceirohttps://www.facebook.com/photo.php?


Originária do Brasil – mais especificamente de lugares úmidos da Mata Atlântica e da Amazônia – a quina possui o nome científico Coutarea hexandra. Trata-se de uma árvore de copa globosa e tronco baixo, muito bela e ornamental, sendo comumente utilizada em paisagismos. Popularmente, a quina pode ser conhecida em algumas regiões como quina de Pernambuco, quina-quina, quina do Piauí, quina do Pará, quina de dom Diogo, quineira e quina branca. Além de seu uso decorativo, a quina também possui diversas propriedades medicinais benéficas para a saúde, o que a fez ser explorada de forma intensa, tornando-a uma árvore rara e muito valiosa.

Com tanta riqueza no meu Sertão, até Lampião resistiu e só morreu à bala...


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ARSENAL DE JESUÍNO BRILHANTE


Por Voltaseca

O cangaceiro JESUÍNO BRILHANTE morreu no final do sec. XIX, sendo natural da cidade de Patu/RN. Foi denominado pela literatura, como o cangaceiro social.

Abaixo, fotos das armas usadas pelo mesmo.
Fonte: livro Jesuíno Brilhante, do autor Raimundo Nonato, 1ª edição, 1970.



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O CANGACEIRO MAIS CRUEL


Por Francisco Carlos Jorge de Oliveira

Amigos deste grupo, por inúmeras vezes questionamos sobre quem foi o cangaceiro mais cruel do bando de Lampião, uns dizem que foi gato outros Zé Baiano, também qual o mais sensato e Humano, uns dizem que foi Mariano outros Zé Sereno, mas falamos pouco de quem foi o cangaceiro mais feio ah! Uns dizem que é Candeeiro outros afirmam que é Canário. Bem! O Bernardino Rocha sergipano de Poço Redondo conhecido como cangaceiro Canário, além de feio era também muito cruel, tanto com suas vítimas quanto com Adília sua companheira. 


Canário foi traído e morto covardemente pelo seu comparsa, o assecla Penedinho. Canário sempre atuou em subgrupos do cangaço, principalmente no bando de Zé Sereno, onde era respeitado e temido ao extremo pelos seus sectários. Canário era um bandido valente e cruel, duas característica que supriam o que mais lhe frustrava, seu porte físico; pois era miúdo e baixinho, motivo que lhe causava constrangimento e vergonha. 


Observem nas postagens que ao ser fotografado Canário subiu em cima de uma pedra e ainda espichou as canelas para ficar da altura de Catingueira, Já na outra foto; ele procurou ficar na parte mais alta do terreno para discretamente se igualar e ficar da altura dos cangaceiros e das mulheres que estavam junto deles. Pois é meus amigos, os cangaceiros também eram homens vaidosos.


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sábado, 11 de abril de 2020

ELANE MARQUES - ENTREVISTADA


 Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Elane Lima Marques nasceu em Aracaju em 17 de março de 1959. Na graduação, é formada em Pedagogia pela Faculdade Pio X, com especialização em Administração Escolar. Na pós-graduação cursou Psicopedagogia Institucional e Clínica. Na área de voluntariedade notabiliza-se no Lions Club International, tendo ocupado a Presidência do Lions Clube Atalaia, assim como os cargos de Coordenadora do Gabinete de Integração, Assessora da Mulher e da Família, Assessora Distrital das Crianças, Assessora Distrital de Eventos, Presidente da Divisão D, e atualmente exerce o cargo de Presidente da Região D do Distrito LA3 que abrange Pernambuco, Alagoas e Sergipe. É sócia também do Woman’s Club International of Sergipe onde ocupa o cargo de 2ª Vice-Presidente.

“Satisfação pessoal em ver o meu trabalho sendo divulgado, propalado, lido, por vezes elogiado pelo público; enfim, deixando como parâmetro para pesquisas de futuras gerações.”

Boa leitura!

Escritora Elane Lima Marques, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto por temáticas voltadas para o cangaço?

Elane Marques - Sendo Conselheira do Movimento Cariri Cangaço e acompanhando o meu companheiro, escritor Archimedes Marques, também me apaixonei por esse tema culminando em escrever o livro “Sila, do Cangaço ao Estrelato”, uma obra que minucia a história de vida dessa cangaceira, companheira de Zé Sereno, uma mulher que sobreviveu ao cangaço e também venceu na grande metrópole São Paulo.

Em que momento pensou em escrever “Sila, do Cangaço ao Estrelato”?
Elane Marques - Na qualidade de autêntica representante da mulher, conforme sempre procurei ser em todas as áreas de minha atuação, quando me inteirei mais profundamente do tema cangaço, procurei dentre as cangaceiras aquela que melhor fizesse parte do meu perfil, pois pretendia escrever algo a seu respeito. Assim, em uma dessas pesquisas de campo alguns anos atrás, próximo a Curituba, município de Canindé do São Francisco, em Sergipe, conhecemos uma pessoa encantadora, humilde, um homem simples e castigado pelo tempo: José de Souza Lins Ventura, mais conhecido por Zé Leobino, vaqueiro aposentado, nascido na fazenda Cuiabá, em 3 de fevereiro de 1924. Zé Leobino, nos seus doze anos de idade, conheceu Lampião, Maria Bonita e diversos outros cangaceiros, dentre os quais Sila, que sempre se acoitavam naquela propriedade pertencente à portentosa família Brito que dominava o baixo São Francisco. Após sermos apresentados, depois de uma curta conversa, ele foi logo dizendo que eu era bonita e bem feita igual a Sila, com uma “anca” bem torneada, também uma mulher determinada, decidida e acima de tudo, uma mulher que demonstrava saber o que queria, enfim, o retrato em pessoa de Sila. Oportunamente fizemos outra visita ao simpático Zé Leobino, e novamente esse “galanteador” asseverou estar olhando para Sila, para ele a mais bela das cangaceiras. Desse modo, vaidosa como sempre fui, me despertou a ideia fixa de melhor pesquisar essa mulher, uma brava cangaceira do passado e uma grande mulher no período pós-cangaço. Aquele cansado homem me fez ver o que estava “escrito nas estrelas”, ou seja, que eu deveria escrever sobre Sila, e assim foi feito.

Apresente-nos a obra.

Elane Marques - O envolvimento de Sila com o cangaço se deu na segunda metade de 1936, quando passou a conviver maritalmente com o então cangaceiro Zé Sereno (José Ribeiro Filho) que pertencia ao bando de Lampião. Esse acontecimento mudou para sempre a vida dessa jovem sertaneja, natural de Poço Redondo, Sergipe, menina nos seus 13 anos de idade que, juntamente com sua família, se tornou a partir de então alvo das perseguições das Forças Policiais Volantes que atuavam no combate ao banditismo pelos sertões.

Sila e seu companheiro estiveram presentes em alguns combates e sobreviveram à emboscada realizada pela Força Policial Volante de Alagoas, comandada pelo então Tenente João Bezerra, que vitimou Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros, além de um soldado da Força Policial, fato ocorrido em 28 de julho de 1938 na grota do Angico, em Sergipe.

Após a morte de Lampião, o casal se entregou às autoridades em troca da anistia prometida pelo governo Vargas, e pouco tempo depois de serem liberados pela Justiça, seguiram perambulando a pé pelas estradas vivendo grandes aventuras, com destino ao sul da Bahia, indo posteriormente para Minas Gerais e por fim para a grande São Paulo, onde se estabeleceram definitivamente.

De que forma Sila se destacou após o cangaço?

Elane Marques - Assim que chegou a São Paulo, nasceu o quarto filho com vida do casal; entretanto, somente três estavam em sua companhia, pois o primeiro, nascido na época de cangaço, fora entregue a terceiros para uma melhor criação. A exemplo das outras paragens, sem dinheiro algum, comeram o “pão que o diabo amassou” entre os paulistanos da periferia, não somente por terem um passado de sangue, mas principalmente por serem sertanejos nordestinos, pior ainda, por terem sido cangaceiros. Mas os dois foram à luta: Zé Sereno fazia “biscate” aqui e acolá até que conseguiu um emprego fixo como vigilante e faxineiro em uma escola municipal. Sila, por sua vez, mostrava seus dotes na costura. Costurava em casas diversas ganhando diárias ou por encomenda. Costurava na sua residência as roupas dos clientes da redondeza.

Devido ao seu excelente desempenho, montou um atelier de costura nos Jardins, em São Paulo e fez bicos de vendedora e enfermeira, virando-se como podia. Durante alguns anos, trabalhou como costureira na TV Bandeirantes, costurou roupas para as dançarinas do Chacrinha, foi camareira das atrizes Regina Duarte e Fernanda Montenegro. Também fez figuração nas novelas “Sapos e Beijos” e “Os Imigrantes”. Auxiliandonas filmagens da minissérie “Lampião”, da Globo, nos anos 80, regressou ao palco de sua tragédia. Sila começou a viajar, dar palestras e resgatar a epopeia do cangaço, que viveu na carne.

Mas Sila era “ranhenta”, sempre queria mais. Quando descansava, estava lendo ou escrevendo algo, aprimorando a língua portuguesa, daí virou escritora, autora de três livros: (SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Sila Uma Cangaceira de Lampião”. São Paulo: Traço Editora e Distribuidora Ltda, 1984. / SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Sila, Memórias de Guerra e Paz”. Recife: Imprensa Universitária, 1995. / SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Angicos Eu Sobrevivi”. Oficina Cultural Mônica Buonfiglio, 1997).Pelo fato de ser conferencista em vários eventos, congressos e afins, Nordeste afora, Sertão adentro e noutros tantos lugares do Brasil, passou a ser mais conhecida ainda, dando entrevistas para muitas revistas, rádios, televisões, jornais... Sila agora já era uma celebridade, uma estrela...

Quais os principais desafios para a escrita do enredo que compõe o livro?

Elane Marques - Os desafios e dificuldades vieram e se foram à medida que a “colcha de retalhos” ia sendo remendada com a ajuda do meu companheiro, do amigo escritor Paulo Gastão, do cineasta Aderbal Nogueira, do pesquisador Geraldo Junior e dos remanescentes familiares de Sila, dentre tantos outros pesquisadores que contribuíram para a grandeza da obra.

O que mais a marcou enquanto escrevia o enredo que compõe “Sila, do Cangaço ao Estrelato”?

Elane Marques - Sem sombra de dúvida, o que mais me marcou foi o falecimento de Gilaene de Souza Rodrigues, a Gila, filha de Sila, pessoa que acolheu na totalidade os meus propósitos, que me forneceu importantes informações, fotografias inéditas; enfim, uma santa alma que se colocou à minha inteira disposição e que ficou radiante com minha ideia de escrever sobre sua mãe. Uma pessoa extraordinária que também deixou marcadas as suas considerações no meu livro em texto simples, mas direto sobre seus pais. Uma pessoa que também viria pessoalmente para o lançamento do meu livro, mas que infelizmente faltando apenas alguns dias para o evento partiu para o outro mundo, quem sabe a se reencontrar com Sila e Zé Sereno.

O que mais a encanta na trama?

Elane Marques - A lição de vida que nos traza grande Sila, provando que quando há perseverança se pode mudar da água para o vinho.

Onde podemos comprar seu livro?

Elane Marques - Nas livrarias: Leitura, no Shopping Boa Vista, em Salvador; e Escariz, no Shopping Jardins, em Aracaju. Também por correspondência fazendo o pedido pelo meu e-mail: marqueselane2@bol.com.br

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Elane Marques - Satisfação pessoal em ver o meu trabalho sendo divulgado, propalado, lido, por vezes elogiado pelo público; enfim, deixando como parâmetro para pesquisas de futuras gerações.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Elane Lima Marques. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Elane Marques - Desejo que as pessoas não deixem os livros impressos morrerem. Adquiram, leiam, continuem colecionando e engordando suas bibliotecas. Usem  seus computadores e celulares para outros fins, esquecendo um pouco dessa história de livro virtual.

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