http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Seguidores
segunda-feira, 1 de junho de 2020
A SOLIDÃO DE ABRAÃO.
Morreu na Vila de Pau Ferro (Águas Belas/Pe), onde morava
sozinho numa pensão, estava pobre, endividado e sem amigos. Numa noite comum,
foi emboscado num beco escuro, durante uma breve falta de energia ocorrida no
vilarejo e levou 42 facadas, sem nenhuma chance de sobrevivência.
Ninguém foi
preso, existindo três versões para sua morte, uma é que seria um vingança de um
marido ciumento, portador de deficiência física. Outra seria por vingança de
uma ofensa feita à um morador local. E a última teria sido morto pela polícia em
uma operação sigilosa.
Foi enterrado solitariamente sem nenhum glamour, mérito,
choro ou comoção e em sua missa de sétimo dia, estava tão somente o padre, que
rezou sozinho para aquela importante, mas desprezada e solitária alma.
João
Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 21/01/2020.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2987917664631149&set=gm.619325918671368&type=3&theater&ifg=1
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
...E ENTRA JUNHO DE 2020
Por Susi Campos
E para nós, perdem mesmo totalmente a conotação "humana", o lado
material e físico, se tornando Anjos de Luz, que de onde estiverem, nos guardam
e protegem, olham por nós.
Susi Campos, Wilson Ribeiro de Souza
Meu primeiro e falecido esposo Wilson Ribeiro de Souza filho mais novo do ex-casal de cangaceiros de Lampião e sobreviventes de Angico, Sila e Zé Sereno; que se estabeleceram na cidade de São Paulo, onde os conheci quando tinha apenas 10 anos de idade.
A ex-cangaceira Sila
Nessa época conheci Wilson, e apesar da grande
diferença de idade, cheguei a registrar no meu diário, que quando crescesse me
casaria com ele! E assim aconteceu, no dia 02 de Dezembro de 1995 em São Paulo.
O ex-cangaceiro Zé Sereno e... colorizadas pelo Historiador Professor Rubens Antonio
No próximo dia 04, seria seu Aniversário.
Faleceu vítima de ataque cardíaco fulminante, no dia 02 de fevereiro de 2003,
em nossa casa, na cidade de Rio Claro SP.
Susi Campos e Wilson Ribeiro
Por isso acredito que muitos se transformam em Anjos!
Não podemos mais vê-los, mas eles nos guardam.
* As duas
primeiras fotos: meu primeiro casamento, em 02/12/1995
* Meus sogros: Sila ( Ilda Ribeiro de Souza) e Zé Sereno ( José Ribeiro Filho) já com idade avançada, na cidade de São Paulo.
* As duas últimas fotos mostram Sila e Zé Sereno na época do Cangaço, foram colorizadas pelo Historiador Professor Rubens Antonio.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
PASSARELA SOBRE O RIO IPANEMA
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.314
Os habitantes dos bairros São José, Barragem e Clima Bom, necessitam de uma ponte sobre o rio Ipanema para se ligarem com a parte alta do Bairro Paulo Ferreira, onde estão localizados o Hospital e o Campus UFAL. Entretanto, por isso ou por aquilo, a conta pode ser reduzida com uma simples passarela repartida para pedestres e motoqueiros. Alguém dessa região que precise dos serviços hospitalares, hoje, tem que fazer um arrodeio, cujo percurso está em torno de 6 km. Caso existisse a passarela teria que percorrer somente cerca de 400 metros. A passagem de concreto seria a partir da Avenida Castelo Branco, quase ao lado da Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas até a encosta do outro lado do rio. Ali o Ipanema deve apresentar aproximadamente, 100 metros de largura.
![]() |
| CAMPUS UFAL ( FOTO: B. CHAGAS). |
Caso o cidadão venha dos Bairros Clima Bom e Barragem, o arrodeio até o hospital daria até mais de uma légua de beiço como se diz no sertão (mais de 6 km). A visão de mobilidade urbana é importante como medida de conforto, economia e salvação de vidas. Esse problema da ponte ou passarela, deveria ser abordado e defendido pelos vereadores representantes do povo) notadamente, aqueles que residem no Bairro São José e já conhecem o problema de perto. Além de facilitar a vida dos moradores desses bairros, principalmente os mais pobres, a ponte ou passarela poderiam motivar novos empreendimentos, tanto na parte alta do Bairro Paulo Ferreira, quanto na região do Bairro São José, principalmente.
Para se chegar ao hospital, saindo do Bairro São José, caminhando pelo rio Ipanema, é enfrentar o areal, se o rio estiver seco, subir uma encosta difícil, por uma vereda encostada a uma cerca de arame farpado e inúmeras pedras que podem abrigar serpentes venenosas e um matagal Dificilmente um idoso chegaria ao hospital seguindo essa trilha. A priori, algumas ruas do Bairro Paulo Ferreira, já desceram grande parte da encosta com calçamento e belas residências, porém, no lugar questionado acima, não. Somente mato e pedras. No arrodeio do Bairro São José ao hospital, percorre-se três pontes já existentes na região do Comércio e mais um aclive quase sem fim de uma rua cumprida igual a uma semana de fome. Esperamos que os representantes do povo batalhem juntos ao gestor do município por uma vitória popular de milhares de futuros usuários do vai e
Vem. Cidade acidentada, possui muitos problemas, mas também pululam às soluções.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
A PEDRA DE BONSUCESSO: LENDÁRIA E PERIGOSA
*Rangel Alves da Costa
Bonsucesso é uma povoação ribeirinha, às margens do Rio São Francisco, no sertão sergipano do município de Poço Redondo. Povoação singela, convidativa, com banho de rio que é um verdadeiro maravilhamento da vida.
A povoação é reconhecida pela religiosidade de seu povo, pelas raízes culturais que permanecem vivas e pelo senso de preservação de sua comunidade. Mas também muito conhecida por uma pedra existente ao largo de uma de suas ruas, cujo estranho magnetismo já vem, desde muito, provocando todo tipo de histórias.
Os mais velhos dizem que é apenas uma pedra normal, sem causar efeito algum em quem nela se sentar, mas outros foram disseminando uma lenda muito diferente. Segundo estes, de normal a pedra não tem nada. E dizem mais: comprovada está a boiolice de muitos que nela já sentaram.
Certamente que mais uma história criada para dar fama ao lugarejo, até para atrair turistas, mas, de um jeito ou de outro, a verdade é a Pedra de Bonsucesso se tornou não só famosa como lendária.
Pedra esta que já ganhou fama mundial pelo seu poder de transformação de instintos humanos. Com efeito, diz a lenda que todo aquele que sentar na pedra começa logo a sentir “certas diferenças” no seu íntimo. O homem passa a desmunhecar, a mulher passe a ter vontade de usar botina 44.
Diz ainda a lenda que muita gente já saiu de Bonsucesso exatamente pela força de atração da pedra, que com seu misterioso e fascinante poder, era como se chamasse a pessoa para nela sentar. Então, para evitar uma “sentadinha” e depois se acostumar com a transformação, a pessoa preferia deixar o lugar.
Ontem, um morador da povoação ribeirinha me confessou algo ainda mais instigante. Disse-me o beiradeiro que muitos pais não permitem de jeito nenhum que seus filhos brinquem ao redor ou se aproximem da pedra. Os motivos são óbvios.
Disse-me ainda que a pedra era bem maior, grande mesmo, mas foram quebrando aos poucos por medo que acontecesse o pior: que todo mundo que passasse adiante sentisse seus estranhos e misteriosos efeitos, sentisse a força transformadora da danada e perigosa.
Hoje, o que dela resta serve apenas para sentar. Mas é na sentada onde mora o perigo. Também estranho é que muitos jovens de outros lugares, até de outros estados, visitem Bonsucesso exclusivamente para sentar na pedra.
Estranho, muito estranho esse desejo pela “sentadinha”, mas dizem que fazem até fila.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
MULHER!
Por Francisco
de Paula Melo Aguiar
Que
mudou o mundo
Ave
Maria de Nazaré
Mãe
de Jesus do céu oriundo
Mulher
grande na fé.
Que
mudou o mundo
Biografia
anônima do existir
Projeto
do inacabado gira-mundo
Missão
de vida pelo sentir.
Que
mudou o mundo
Penélope
fiel a si mesma
A
espera de Ulisses, fecundo
Tessitura
incondicional e esma.
Que
mudou o mundo
Joana
D’Arc que sentia
Via
e ouvia apelo alto-fundo
A
santa da França, ideal de valentia.
Que
mudou o mundo
Marie
Curie a do Nobel
Da
paz duas vezes, não confundo
Vencedora
de si, com ou sem troféu.
Que
mudou o mundo
Isadora
Duncan, a dançarina
De
leveza e passo bailundo
Humilhada
desde menina.
Que
mudou o mundo
Helen
Keller e Anne Sullivan
Pedras
de caminho imundo
Obstáculos
transpostos sem divan.
Que
mudou o mundo
Gabriela
Mistral, a mestra
Nobel
da Literatura, além-mundo
Generosidade
sem orquestra.
Que
mudou o mundo
Golda
Meir valente mulher
Sem
medo do masculino iracundo
E
da hegemonia de poder e fé.
Que
mudou o mundo
Simone
de Beauvoir
Pelo
existir profundo
Amou
Sartre sem deixar de si amar.
Que
mudou o mundo
Madre
Teresa de Calcutá
Acolhimento
ao pobre moribundo
Conta
do rosário sem contar.
Que
mudou o mundo
Santa
Dulce dos Pobres
O
amparo em fração de segundo
Exemplo
e virtude dos nobres.
https://www.recantodasletras.com.br/poesias-de-vida/6810936
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
MANIPULAÇÃO
Por Francisco
de Paula Melo Aguiar
Uma
criança acorda berrando
Histericamente
vai crescendo...
E
sempre repete o ato chorando
Acredita-se
que ela está sofrendo.
Os
pais correm para acalentar
A
criança com soluços estridentes ...
Zangada,
aos poucos para de chorar
E
fica com face e lábios sorridentes.
A
agitação gera agonia
Chutes
para todos os lados
Choro,
berro e gritaria...
Noites
e dias bitolados.
Tudo
isso é tentativa
De
faniquito e manipulação
Para
em tudo ser atendida
Ela
quer apenas adulação.
https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6929080
Enviado por Francisco de Paula Melo Aguiar
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
CANGACEIRO MENINO DE OURO E ANTÔNIO DA PIÇARRA.
Por José Mendes Pereira
Ex. cangaceiro Oliveira, conhecido também como Menino de Ouro ou Alagoano e o famoso coiteiro de Lampião Antônio da Piçarra. Fonte: LUCETTI, Hilário. Histórias do cangaço. Crato: Gráfica Encaixe, 2001.
Foto do acervo do pesquisador do cangaço Beto Rueda.
Na literatura lampiônica existe uma certa dúvida em relação ao cangaceiro "Menino de Ouro", se foi ele ou não que morreu entre Limoeiro do Norte e Mossoró. Alguns acreditam que foi ele que morreu ali, quando da tentativa de assalto à cidade de Mossoró feita pelo cangaceiro Lampião e seu bando, tendo ele sido alvejado no momento da refrega e ao sair de Mossoró às carreiras, e como estava com grave ferimento, ao chegar à margem da antiga estrada do cajuiero que liga Limoeiro à Mossoró, foi assassinado por um dos seus companheiros, já que ele não tinha mais condição de seguir viagem com os companheiros do bando do capitão Lampião. O assassinato foi em terras do Ceará.
Honório de Medeiros diz em seu artigo, basta conferir clicando no link abaixo: "Originariamente, percebe-se facilmente,
a cruz estava plantada diretamente no solo calcário. Hoje, inclusive, existe
uma pequena cavidade por trás da cruz, construída com tijolos, talvez para
receber velas...!" http://cariricangaco.blogspot.com/2013/12/a-morte-do-cangaceiro-uma-cruz-beira-do.html
Cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira. Ao centro dona Francisca da Silva Tavares e o poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano Kydelmir Dantas. Foto feita em sua residência em uma visita que nós fizemos à dona Francisca da Silva Tavares em Mossoró no ano de 2012.
Mais ou menos no ano de 2010 Dona Francisca da Silva Tavares viúva do ex-cangaceiro Asa Branca me falou em sua residência em Mossoró que "Menino de Ouro" morou algum tempo em Macaíba no Estado do Rio Grande do Norte, próximo à sua residência.
O cangaceiro não tinha família, segundo dona Francisca, e em situações difíceis, sendo ele ex-comparsa do cangaceiro "Asa Branca" no crime, e amigos, o facínora "Menino de Ouro" tudo que ganhava dividia com o "Asa Branca" a feira e dinheiro para que ele desse de comer à sua família. Ela me revelou isto em sua casa, o que o ex-cangaceiro havia feito de bom para o casal e para todos os seus filhos.
Antonio Tavares o ex-cangaceiro Asa Branca.
Dona Francisca me falou ainda que, se o ex-cangaceiro "Menino de Ouro" não morasse por lá, isto é, em Macaíba, o casal e seus filhos teriam passado muita necessidade, porque o salário que o "Asa Branca" ganhava não dava para sustentá-los. Isto eu ouvi da viúva do "Asa Branca" certo dia em sua casa. Dona Francisca não me disse quem teria chegado primeiro em Macaíba, se foi o "Asa Branca" ou se foi o cangaceiro "Menino de Ouro".
Neste momento não dará certo para eu apresentar esta foto do cangaceiro a ela, mas se eu escapar desta tal de coronavírus e dona Francisca também, quando passar todo esse movimento triste que a humanidade está passando, vou mandar revelar esta foto e ver se dona Francisca tem condições, mesmo com longos anos passados, de reconhecer este senhor como sendo "Menino de Ouro", que morava em Macaíba perto do seu companherio de desordens Antonio Luiz Tavares o Asa Branca, também cangaceiro de Lampião.
Uma observação: O cangaceiro que morreu próximo a Limoeiro do Norte com certeza ainda era muito jovem.
José Mendes Pereira
CABACEIRAS NA ÉPOCA DO CANGAÇO ASSUNTOS DE ANTONIO SILVINO NA PRISÃO
Depois de
passados alguns meses na prisão sobre os cuidados médicos, Antonio Silvino
ficou totalmente curado e passou a se interessar pela opinião pública a seu
respeito. Mas julgava-se vítima do “Governo” que lhe perseguia. Declarou que
não matava ninguém por dinheiro. Afirmou que a sua consciência não lhe acusava
dessa ordem de crime, porque nunca havia sido capanga de ninguém. Certo dia
Antonio Silvino recebeu um repórter do Periódico Estado de São Paulo, que
conseguiu entrevista-lo. Depois de longas conversas declarou ao repórter que
não admitia ser chamado de bandido ou assassino. Na Casa de Detenção do Recife,
o cangaceiro Antonio Silvino foi visitado por várias pessoas. Entre: amigos,
médicos, religiosos, estudantes jornalistas, poetas escritores... Foi visitado
até mesmo por pessoas filhos de seus inimigos. Mas que não guardaram
ressentimentos de ódio ou de vingança, ao contrário admiravam a coragem e
valentia ao seu respeito. (Antonio Silvino RN - Raul Fernandes).
O Senhor
Seráfico Ricardo, neto do fazendeiro Ricardinho da fazenda Bravo município de
Cabaceiras, ex-combatente aposentado, na época residente em João Pessoa,
Capital da Paraíba, nos declarou em junho de 1989: “- Quando o cangaceiro
Antonio Silvino estava preso, alguns cabaceirenses lhe visitaram na Detenção do
Recife. Entre as pessoas Major Anselmo, Padre Inácio (ambos do antigo Conselho
Municipal), Deusdedithe, Severino de Alcântara... Entre outros fazendeiros e
comerciantes”. E uma das visitas chegou a declarar ao Capitão Manoel Martins Pereira
de Barros que no tiroteio do Roçado da Serra na fazenda Corredor, ano 1912,
havia deixados joias escondidas num oco de angico, entre duas pedras. Nesse
local também havia deixado como marcação um punhal em pé.
Sobre os
citados objetos visitamos o fazendeiro Juarez Lacerda, com quem se encontrava
de posse do dito punhal. Encontrados na década de 1940, por Galdino, tio do
Senhor Juarez Lacerda. Nos declarou que havia ganhado o tal objeto do seu tio.
E que as joias foram encontradas por José Ambrosio Castro, na década de 1970,
quando tirava casca de angicos para o curtimento de peles.
Para muitos
cabaceirenses Antonio Silvino não era um bandido. Se bandido ele tivesse sido,
muitas pessoas de bem não teriam lhe visitado na prisão. Pessoas de muitos
lugares do país vinham lhe visitar. Hoje, quem das pessoas de bem visita um
bandido na prisão? A não ser seus familiares?
De uma das
páginas do documento de Raul Fernandes intitulado de “Antonio Silvino no RN”,
doado por Geraldo Cesino, transcrevemos trechos do que foi registrado em
relação ao cangaceiro: “... Câmara Cascudo o procurou diversas vezes, no
período de 1924 a 28. E durante este período escreveu as características
seguinte do cangaceiro Antonio Silvino: _... olhos castanhos, quase
agatanhados, serenos, gestos lentos, com simpatia natural, asseado e cortês”.
Mais adiante: “__ valente atrevido, arrojado, com gesto generoso e humano,
respeitador de donas e donzelas, nenhum cangaceiro antes dele despertou maior
interesse para os cantadores e poetas sertanejos, motivando um número
incalculável de folhetos nas feiras”.
E assim sendo,
depois do que descrevemos de Câmara Cascudo, deixamos uma pergunta para os
nossos leitores refletirem: “Qual ou quais bandidos tiveram, ou têm essas
descrições declaradas por um grande escritor”?
Texto: NCastro Castro
Baseado em:
"Antonio Silvino RN - Raul Fernandes". E depoimentos de Seráfico Ricardo e Juarez
Lacerda.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
domingo, 31 de maio de 2020
LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS
Por José Bezerra Lima Irmão
Fazer o quê? Não é vaidade, O Edson, mas não tenho como me conter diante de um elogio como este. Eis o que escreveu em sua página no Facebook um cidadão de Floresta, Pernambuco, a respeito do meu livro:
“O livro Lampião - a Raposa das Caatingas, do escritor José Bezerra Lima Irmão, nos leva à verdadeira essência do Cangaço no Nordeste Brasileiro, de linguagem fácil e compreensão, em sua pesquisa séria, e quando você começa a ler esse magnífico livro não quer mais parar. Um livro desse é escrito a cada 100 anos, uma verdadeira obra-prima, para historiadores pesquisadores amantes do Cangaço. Eu recomendo essa grande obra do meu amigo José Bezerra Lima Irmão”.
A mensagem é de Giovane Macário Gomes de Sá. Conhecemo-nos em Floresta, no recente encontro em Floresta, organizado pelo incansável Manoel Severo Barbosa.
http://blogdomendesemendes
Se você quiser adquiri-lo basta entrar em contato com o professor Pereira através deste e-mail:
franpelima@bol.com.br
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
CHEFE DE LAMPIÃO FOI EXPULSO DO PIAUÍ

Por Reinaldo Coutinho
Quando Lampião (1988-1938) e seus irmãos Antônio (1895-1927) e Livino (1896-1925) caíram em definitivo no cangaço em junho de 1920 para vingar a morte de seu pai, Virgulino teve que aguardar bastante tempo até ser chamado de chefe ou líder de bando ou até de Lampião. Com efeito, a princípio os Ferreira entraram para o bando de Sebastião Pereira mais conhecido como Sinhô Pereira, um pernambucano nascido em 1896 e falecido em Minas Gerais em 1972.
Segundo Sinhô Pereira em entrevistas, Lampião e os irmãos chegaram de Alagoas depois do assassinato do pai, dispostos a confrontar com José Saturnino, seu inimigo comum. Não tinham condições financeiras nem experiências e participaram com muita bravura de alguns combates.

Retrato
da família Ferreira, tirado em Juazeiro, em 1926. Lampião (1) está à direita;
seu irmão Antonio (2) está à esquerda; em pé, no meio, com a mão no ombro da
esposa, João (3), o único irmão Ferreira que não entrou para o cangaço; Ezequiel (4), o irmão mais moço, que entrou depois para o cangaço, está a
esquerda de João. As senhoras são irmãs dos rapazes. os outros homens no grupo
são primos. Foto liberada por João Ferreira, Propriá-se. Não identificamos na
imagem o irmão Livino.
Havia muitas ligações entre Lampião e Sinhô Pereira: eram vizinhos; a mãe de Lampião era afilhada do pai de Sinhô Pereira; o pai de Lampião era afilhado do Padre Pereira, tio de Sinhô Pereira; as famílias eram amigas; e com comuns inimigos: “Os Saturninos” e José Lucena.
Sinhô possuía alguns antepassados ilustres, pois descendia do Coronel Andrelino Pereira da Silva (1830-1901), o Barão de Pajeú. Era alfabetizado e trabalhava no campo, o que o diferia culturalmente bastante dos outros bandoleiros.

SINHÔ PEREIRA, JÁ IDOSO, EM MINAS GERAIS. REPRODUÇÃO
Motivos familiares levaram-no a ingressar no cangaço, tendo recebido a insígnia de comandante de tropa. Segundo ele próprio, a impunidade em Vila Bela teve seu auge em sua juventude; como no assassinato de seu irmão Né, onde nem inquérito policial foi aberto. Pressionado politicamente e perseguido por forças policiais, viajou para Goiás e Minas Gerais, onde obteve o título de cidadão mineiro.
Foi o único comandante de Lampião. Apelidado “Demônio do Sertão” pelos populares, por ser um rei nas estratégias de guerrilhas pela caatinga. Por várias vezes foi cercado pela polícia, e conseguia escapar. Era um homem do bem, embora justiceiro popular.
Sinhô Pereira abandonou o cangaço por duas vezes. A primeira vez, em 1918, Lampião ainda não integrava seu bando. O cangaceiro não se sentia à vontade sendo um fora da lei, como acontecia com muitos cangaceiros. Conforme suas entrevistas posteriores, ele nasceu para ser cidadão, casar e constituir família.
Em 1918, Sinhô Pereira e seu inseparável primo Luís Pereira da Silva Jacobina (? – ?), o “Luís Padre” resolveram recomeçar a vida e deixaram o cangaço. Alguns historiadores afirmam que eles haviam atendido a um pedido de Padre Cícero (1844-1934), enviado numa carta endereçada ao Sinhô Pereira, em que o sacerdote pedia que os primos deixassem a região do Pajeú-PE, que vivia em clima de guerra e de medo. O sacerdote cearense ao receber a resposta favorável, enviou outra carta para Padre Castro, no município de Pedro II (Estado do Piauí), pedindo ao vigário que recebesse os dois jovens e encaminhasse-os para o Maranhão, para as terras dos piauienses Barão de Santa Filomena e do Marquês de Paranaguá. Mas os primos escolheram o Estado de Goiás.

OS PRIMOS LUÍS PADRE E SINHÔ PEREIRA, EM IMAGEM NA JUVENTUDE E JÁ IDOSOS. REPRODUÇÃO
Do município de José do Belmonte-PE vieram em direção ao Estado do Piauí. Em Simões, já distante do Pajeú (Pernambuco), decidiram se separar para despistar possíveis perseguidores, marcando um reencontro no sul do Piauí, em Correntes, próximo à fronteira com Goiás Dali seguiriam até seu destino final, São José do Duro, corruptela de São José D’Ouro, em Goiás, hoje Estado de Tocantins.
Estavam todos montados a cavalos e acompanhados de seis cangaceiros. Luís Padre ficou com dois cangaceiros e rumou para Uruçuí-PI (hoje Município). Já Sinhô Pereira ficou com quatro cangaceiros (“Cacheado”, “Coqueiro”, “Raimundo Morais” e “Gato”), rumou a Corrente-PI. Passou por São Raimundo Nonato-PI e chegou a Caracol – PI. O próximo destino seria Parnaguá-PI. Mas Sinhô Pereira foi surpreendido pela polícia do Piauí, em Caracol – PI. Isso em dezembro de 1918.

“GATO” ACOMPANHAVA SINHÔ PEREIRA. REPRODUÇÃO.
A força policial era comandada pelo tenente Zeca Rubens. Um contingente de 20 soldados, e ainda mais de 40 populares. A casa em que Sinhô Pereira e seus homens dormiam foi cercada pela força policial. As carabinas de Sinhô Pereira estavam desmontadas, mas depois de um tiroteio de uma hora, o cangaceiro e o seu pessoal fugiram, deixando dois soldados feridos levemente e carregando Cacheado quase nos braços, gravemente ferido. Sinhô Pereira nunca abandonou cabra ferido, sendo muito solidário a seus homens!
Sinhô Pereira tido por alguns como “arquiduque do sertão” e por outros o rei das guerrilhas na caatinga, mesmo com um grupo de cinco pessoas conseguiu escapar. Suas táticas de guerrilha funcionaram.
Ao atingir Nova Lapa, município piauiense de Gilbués, Luiz Padre soubera que Sinhô Pereira fora cercado pela polícia do Piauí nas proximidades da cidade de Caracol. O primo de Sinhô resolveu prosseguir a viagem pelo cerrado piauiense, rumo ao Estado de Goiás, passando pela cidade piauiense de Santa Filomena e perdeu por completo o contato com Sinhô Pereira que ficou por quatro dias na Fazenda Mulungú, com Cacheado muito ferido, até que o tenente Zeca Rubens, através de um seu irmão mandou lhe dizer que não o perseguiria enquanto ele tivesse tratando do cabra ferido.
Não resistindo aos ferimentos o cangaceiro Cacheado morreu nos braços de Sinhô Pereira. Há uma imagem da polícia baiana na cidade de Jeremoabo onde os soldados posam apresentado a cabeça decepada de um cangaceiro chamado Cacheado. Ou as volantes baianas participaram da perseguição juntamente com a polícia do Piauí ou se trata de outro cangaceiro homônimo já que era comum a duplicidade de apelidos entre os cangaceiros.

VOLANTE BAIANA EM JEREMOABAO-BA POSA ORGULHOSA EXPONDO A CABEÇA DO CANGACEIRO CACHEADO. REPRODUÇÃO.
Dos outros cangaceiros que acompanhavam Sinhô no Piauí, Coqueiro morreria futuramente por ordens de Lampião, ao se envolver em fuxicos e intrigas amorosas no bando. Gato, por sua vez, reputado como o mais perverso dos cangaceiros de Lampião, morreu em 1936 em combate com a polícia alagoana na cidade de Piranhas. Sobre o cangaceiro Raimundo Morais desconhecemos seu destino.
Sinhô Pereira reiniciou a viagem, mas em Jurema, ainda no Piauí, encontrou o cabra que ferira Cacheado, João de Bola, que foi morto por um dos seus homens.
A partir deste episódio a perseguição policial recrudesceu, com o tenente Zeca Rubens à frente de 40 soldados seguindo as pegadas de Sinhô Pereira que ia trocando de animais cansados substituindo por animais tomados ao longo das fazendas percorridas. Novamente cercado pela polícia quando dormia 40 léguas para além de Caracol, Sinhô Pereira e seus homens conseguiram furar o cerco policial, mais uma vez, depois de meia hora de tiroteio, morrendo um soldado e saindo ferido um rapaz da casa onde estavam arranchados. Em Tocoatiara Paulista, perderam os animais: um cavalo e três burros.
Em Sete Lagoas tomaram novos animais que foram trocados novamente em Barra de São Pedro. Foi aí que Sinhô Pereira decidiu voltar ao Pajeú e lutar com os seus inimigos até um dia, já que não o deixaram buscar a paz e o esquecimento em terras distantes, como era o seu desejo.
Sinhô então retornou desanimado para sua terra (Pernambuco). Desistiu da viagem para o Estado de Goiás e reassumiu seu bando de cangaceiros. Alegava que para chegar a Goiás eles teriam um longo e difícil trecho pelo Estado do Piauí até chegar o destino final.
Foi uma decisão nervosa, mais em oito dias Sinhô Pereira estava novamente nas barrancas do Pajeú até 1922 quando conseguiu deixar o Nordeste no seu segundo e definitivo abandono do cangaço. Saiu, desta vez, da Fazenda Preá, Serrita propriedade do coronel Napoleão Franco da Cruz Neves, casado com Ana Pereira Neves, prima de Sinhô Pereira e Luiz Padre, além de madrinha de batismo deste último.
Com a volta de Sinhô Pereira de Caracol (PI), foi que Lampião passou a integrar o seu bando. Foi então que em 1922 Sinhô entregou o comando do bando a Virgulino.
Em 1922, já em Goiás desde 1919, Luís Padre comunicou ao Sinhô Pereira o lugar onde estava. Seguro e sossegado. O cangaço na região Nordeste estava cada vez mais difícil. Sinhô Pereira resolveu ir onde estava seu primo, e comunicou ao grupo. Convidou Lampião pra ir com ele, mas este disse que ficaria. Muitos cangaceiros ficaram com o futuro rei do cangaço, que assumiu o comando do grupo. Ao despedir-se de Lampião, disse-lhe: Vou deixar umas brasas acesas por aí. Trate de apagá-las.
Sinhô Pereira foi embora para Goiás no ano de 1922 e só voltou beber das águas límpidas e saborosas do Pajeú no ano de 1971 (mês de junho), quando veio visitar a família em Serra Talhada, PE.
Sinhô Pereira nem seu primo Luís Padre nunca foram presos.
Fontes:
www.wikipedia.org
Damasceno,MarcosOliveira.
http://www.portalsrn.com.br/noticias/marcos_01.php?id=91
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/
Neves,
napoleão Tavares. Primeira Viagem de Sinhô Pereira e Luiz Padre, do
NordesteParaGoiás
http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2011/06/primeira-viagem-de-sinho-pereira-e-luiz.html
www.lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
CHEGADA DE LAMPIÃO NO GRUPO DE SINHÔ PEREIRA

Em1920, os
irmãos Ferreira, ou Virgulino, Antônio e Livino, além de 4 cabras (Antônio
Rosa, Primo, Meia Noite e João Mariano), procuram Sinhô Pereira na Passagem do
Brejo, em uma das margens do Pajeú e ficam fazendo parte do seu grupo.
Vinha de tempos anteriores a amizade entre as duas famílias. A mãe de Virgulino era afilhada de batismo de Manuel da Passagem do Meio (pai de Sebastião) e o velho Zé Ferreira era afilhado também de batismo, de Manuel Pereira da Silva Jacobina (irmão de Manuel da Passagem do Meio e pai de Luís Padre).
No dia em que Lampião e seus irmãos entraram para o grupo de Sebastião Pereira este para experimentá-los abarracou-se na fazenda da Carnaúba, do cel. Manuel Pereira Lins (pai do ex-deputado estadual Argemiro Pereira) e mandou um recado para o cap. José Caetano, que estacionava em Bom Nome, convidando-o para dar uma brigada. Estava com uns rapazes novos no grupo e precisava fazer um teste com eles.
O capitão José Caetano foi recebendo o recado e mandando tocar a corneta, saindo no rumo da casa do cel. Manuel Pereira Lins com 40 "macacos".
Na Carnaúba houve muito tiro, morrendo Luís Macário, um cabloco ao qual Sebastião estimava e este, com 13 homens, foi obrigado a abandonar a fazenda. O oficial tomou conta da casa, mandou dar sepultura ao morto e regressou a Bom Nome.
Sebastião voltou em seguida à propriedade e não deixou que conduzissem a rede de seu amigo enquanto não lhe arranjasse um companheiro para o cemitério. Não podendo alcançar mais o capitão Zé Caetano, matou, na estrada, um pouco mais adiante, João Bezerra, pessoa entrelaçada com sua família e que nada tinha a ver com suas questões.
Em Vila Bela, 50 anos mais tarde, diria que "aquele" fora o único ato de loucura que praticou na vida e doía-lhe na alma a sua lembrança, tendo mesmo concorrido decisivamente para ele abandonar, para sempre (como fizera), o sertão e o Estado.
Do livro: VILA BELA, OS PEREIRAS E OUTRAS HOSTÓRIAS
De: Luís Wilson
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Assinar:
Postagens (Atom)

















