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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

GUERREIROS DO SOL...

Por Lucena Brues


(Em 'Guerreiros do sol' o cangaço-meio-de-vida, o cangaço-vingança e o cangaço-refúgio são amplamente explorados, bem como tipos humanos em que se encarnou a violência desde os primeiros dias da colonização - o valentão, urbano ou rural, o cabra de bagaceira, o jagunço e o cangaceiro.)

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SÓ TEM BODE

 Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.465

Ainda nos anos 60 a carne de bode era bastante desvalorizada. No geral, só quem apelava para essa proteína eram as pessoas de menor poder aquisitivo. Todavia aí não estava incluída a chamada buchada, prato cobiçado por todas as classes sociais. Até havia escolha quando a preferência pelo bode superava a buchada de carneiro, diziam os entendidos. Cantava o forrozeiro:

“Eu faço uma buchada

De bucho de bode

Que o cabra come tanto

Que mela o bigode...”

Também eram consideradas coisas para trabalhadores braçais, o charque e o bacalhau que hoje concorrem com o preço do ouro. O bacalhau era alimento dos escravos. O charque era servido aos “batalhões” nos roçados. Mas voltemos ao nosso bode pai de chiqueiro do dia a dia.

Três ou quatro hotéis havia em Santana muito procurados pelos viajantes, assim chamados os caixeiros-viajantes que chegavam de Maceió e Recife para vender seus produtos na Praça. Para economizar, sempre surgiam os que procuravam hospedarias mais humildes como a de dona Rosa no perímetro das feiras semanais. Vez em quando ficávamos sabendo o que se servia nessas pensões pelo humor de algum viajante presepeiro:

“Seu Mané como é que pode

Seu Mané como é que pode

Na pensão de Dona Rosa

Só tem bode...

Só tem bode”.

Atualmente desapareceu o caprino no médio sertão. “Dar trabalho se criar o bicho pulador de cerca e de pouco rendimento na panela”, falam os criadores de ovinos.  Mas o Candinho da novela das seis, ao procurar um bode para a sua cabra Ariana, parece despertar o apetite pelo bode assado e a buchada sertaneja. Enquanto o dono das cabras está sendo promovido em cidades como Petrolina, Picuí e Recife, de gado miúdo só temos o carneiro para agradar ao turista.

Por favor, não botem a culpa, porém, em DONA ROSA...

Venda de bode (Foto: g1.globo.com)



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ATENÇÃO VOCÊS! FAÇAM QUALQUER PERGUNTA SOBRE O MEU LIVRO E EU FAREI DE TUDO PARA RESPONDER A VOCÊS ASSIM QUE PUDER.

Por Teresa Raquel

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JOAQUIM SOLON DE MOURA

 Por Relembrando Mossoró

Nasceu em Patu-RN, no dia 15-06-1901; filho de Raimundo Leão de Moura e Francisca Melânia de Moura. Ele foi Professor e faleceu no dia 29-01-1962.

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VOZES DOS FILHOS DE NAZARÉ - PARTE 1

 Por Aderbal Nogueira Cangaço

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Os filhos e netos dos Nazarenos falam o que pensam de sua história e o que esperam do futuro de seu torrão natal.

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ENDOGAMIA: MARIA BONITA E A TRADIÇÃO DE CASAMENTOS ENTRE PRIMOS

Por João de Sousa Costa

Maria Gomes de Oliveira é de 8 de Março nasceu na Bahia em 1911 numa família numerosa de homens e mulheres: Ananias, Oséias, José, Isaías, Arlindo; e mais Benedita, Antônia, Dorzinha, Chiquinha, Nana, Dondon e Deusinha.

Sua avó era holandesa de nascimento, casada com um português; tendo o casal emigrado para o Brasil em 1850 e radicado na Região de Santa Brígida.

Mais conhecida no sitio Malhada da Caiçara, onde vivia Maria de Déa, seguiu uma tradição social sertaneja, de influência judaica: a endogamia. Casou com um primo chamado José Miguel da Silva, mais conhecido como Zé de Neném. Sapateiro de profissão, homem mais velho e condições de sustentar uma família.

Sua irmã Dondon fez o mesmo, casou com um tal de Cícero, também sapateiro e irmão de Zé de Neném. Desde a sua infância até a fase adulta, Maria de Déa preservou uma confidente e conselheira: sua prima Maria Rodrigues.

Como Maria conheceu Virgulino, há versões para todos os gostos. Em prosa e verso. Mas segundo Oséias, seu irmão, Lampião frequentava sua casa. E o casal se conheceu, dançou e namorou, antes de Maria tomar a decisão de seguir o novo amor.

Mas há relatos que indicam mais sobre as inquietações da baianinha que viria ser a “Rainha do Cangaço”. Contam que, mesmo casada, Maria de Déa teve aventuras extraconjugais. O escritor Alcino Costa atribui à Maria Bonita um caso com comerciante de tecido de Santa Brígida.

“Um romance sigiloso, com o tal comerciante de nome João Maria, tão sigiloso que ainda hoje é negado pelos seus familiares”. Este suposto romance extraconjugal não é mencionado em profundidade por nenhum outro escritor.

Conta-se que entre 1929 até 1932, já convivendo com Lampião, permaneceu Maria em casas de coiteiros. Por conta da Revolução de 1930, a repressão ao cangaço arrefeceu, as forças policiais estavam focadas no Litoral e Lampião aproveitou a oportunidade para determinar que as mulheres casadas com cangaceiros podiam se juntar ao bando.

Foi uma mudança radical no cangaço no que se refere a costumes, higiene e civilidade nas relações em grupo, porque o bando seguia barbarizando nas razias e vinditas.

Atentem para as fotografias de Maria Bonita e das demais cangaceiras; elas expressam esteticamente como elas gostariam de ser lembradas: bem vestidas, cobertas de joias e em poses ensaiadas (nas duas fotos abaixo, uma Maria Bonita produzida para ser fotografada e outra despojada de adereços)

A vaidade reinante no bando criou uma estética, um estilo. Lampião não deixava por menos: homem dos “sete instrumentos” pois dominava a arte de costurar em couro, fora pedreiro, dava uma palinha na harmônica e também compunha, além de ser um “pé de valsa”.

E a relação com Virgulino veio a maternidade, uma vez que no primeiro casamento, devido à infertilidade de Zé de Neném, ter filhos estava fora de questão.

Relatam que Maria Bonita engravidou quatro vezes, mas só uma filha nasceu e que recebeu o nome de Expedita. O parto foi assistido por uma senhora de nome dona Rosinha, e é atribuída a essa parturiente o fato de a criança ter sobrevivido, pois nos outros três partos anteriores não houve assistência alguma.

Maria Bonita foi descrita pelo Diário de Pernambuco como “Madame Pompadour” do Cangaço, uma definição de Benjamin Abraão. Na edição de 30 de julho de 1938, sobre os acontecimentos em Angico, inclui um parágrafo sobre Maria de Déa, que diz:

“Maria Bonita amava Lampião doidamente. Nunca o abandonava quando no combate. Com ele viveu, com ele morreu”.

Por fim, o relato do soldado José Panta de Godoy, da volante do aspirante Francisco Ferreira de Melo e que foi o carrasco de Maria Bonita. Diz ele:

“Aí eu atirei nas costas dela e ela caiu; no que ela caiu, ela levantou-se; eu dei outro tiro na barriga dela, assim por trás, ela caiu e não levantou mais. O soldado Santo cortou a cabeça de Lampião, e depois me emprestou o facão para mim cortar a cabeça de Maria Bonita. Nisso nóis fiquemos levantando a saia dela com a boca do fuzil, pra vê a caçola que era incarnada”.

E completa o carrasco:

- No borná de Maria Bonita tinha um pouquinho de ôro quebrado. Dentro de um pé de meia tinha uma base de meio quilo de ôro quebrado, além de volta, anel...”

Como Lampião terminou seus dias todo mundo sabe. Mas como viveu e morreu Zé de Neném?

O pouco que se sabe, Zé de Neném nunca sofreu assédio da polícia pelo fato de ter sido o ex-marido da “rainha do cangaço” e também nunca chegou sequer a conhecer Lampião – seu rival de alcova.

Relatam que deixou tudo para trás, casou novamente e reconstruiu sua vida; jamais deu entrevistas; migrou para São Paulo onde fez fortuna e virou industrial do ramo de calçados.

João Costa. Acesse: blogodojoaocosta.com.br Siga: @joaosousacosta (instagram)

Fotos. Benjamin Abraão.

Fonte: “Lampião Além da Versão, Mentiras e Mistérios de Angico”, de Alcino Alves da Costa

“Maria Bonita – Entre o Punhal e o Afeto”, de Nadja Claudino.

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O CANGACEIRO E O MENINO DO ENGENHO.

 Por  João Filho de Paula Pessoa

Em Abril de 1908, Antônio Silvino, com sua horda, visitou o Engenho Corredor na Paraíba, tendo pré avisado de sua visita iminente. Ao chegar ao Engenho foi recebido na porta pelo proprietário, o Cel. José Lins Cavalcanti de Albuquerque, que o saldou e ofertou um farto banquete à todos do bando, já providenciado com antecedência diante do pré-aviso da visita. Durante esta ceia houve uma respeitosa e cortês prosa entre o Coronel e Antônio Silvino, que contou um pouco de sua saga e apresentou ao anfitrião todos os seus asseclas, nomeando-os um a um. Ao final da refeição o líder cangaceiro ainda pediu uma quantia em dinheiro para as necessidades e manutenção do bando, sendo atendido e recebendo do coronel um determinado valor. Após, da mesma forma pacífica como chegaram, se despediram com um aperto de mãos, seguindo o bando seu indefinido caminho e ficando o coronel e seus funcionários sem nenhum mal sofrido. Todo este acontecimento transcorreu sob o testemunho ocular de uma criança de seis anos, o neto do Coronel, que esteve presente à todo o momento deste encontro e à tudo assistiu, presenciando tudo sem ser percebido com importância. Após trinta anos, em 1938, aquele menino era um famoso escritor, tendo escrito romances como O Menino do Engenho em 1932 e visitou Antônio Silvino, após este cumprir 23 anos de prisão, por ocasião de sua visita ao Rio de Janeiro, onde morava. Em 1953, inspiradamente, escreveu outro romance intitulado Cangaceiros, sendo dele também as obras literárias, como Fogo Morto, Riacho Doce dentre outras, se tornando membro da Academia Brasileira de Letras em 1955, seu nome era José Lins do Rego. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 20/11/2020.

Assista o filme deste Conto - https://youtu.be/HXqyfkxPjIw

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FALECIMENTO DE DADÁ

 Por Ilana Borboleta

Hoje dia 07 de Fevereiro, minha vó Dadá faz 26 anos de falecida.

Como passou tão rápido!!

Para alguns era uma bandida fora da lei, mas para mim, foi a melhor vó que Deus poderia me dar de presente.

Tenho muito orgulho dela, era uma vó carinhosa, alegre, dedicada, guerreira, eram tantas as qualidades que ela tinha.

Uma pena que muitos dos que a criticam tanto, não teve o privilégio que eu tive de conhecer o ser humano maravilhoso que ela era.

Ela me deixou com muita saudade!!

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FLORESTA RECONTADA...

 Por Giovane Gomes

Giovane Gomes e Floresta Recontada...

"Muitos pesquisadores nunca andaram em Floresta-PE e escreveram mentiras sobre nosso povo , outros conheceram a nossa história sobre o cangaço , e distorceram os fatos, colocando Lampião como o bom moço e os Florestanos sendo o vilão da história. Hoje nossa terra tem verdadeiros guardiões com um rico acervo literário de escritores Florestanos como Leonardo Gominho com seus Livros regionais "A Rebelião da Serra Negra" conta como surgiu Floresta, nossa Marilourdes Ferraz, filha do lendário Manoel Flor nos presentei com a nossa bíblia do Cangaço "O Canto do Acauã" , O Memorável Tenente João Gomes de Lira com seu livros de Memórias, volume I e II " Memória de um Soldado de Volantes , o Ex-Volante Manoel Cavalcanti "Seu Neco de Pautilia" narra com precisão o combate de Maranduba-AL em seu Livro de memórias do Cangaço , o grande escritor Geraldo Ferraz, membro da Academia pernambucana de Letras com a melhor coletânea de livro sobre do Cangaço narrar a tragetória guerreira seu avô o Coronel Theofhanes Torres Ferraz de Sáo maior comandante Volante de Floresta , o nosso herói Florestano que em 1914 , foi responsável pela a prisão do chefe cangaceiro Antônio Silvino " O Rifle de Ouro " teria que ser um Florestano para cumprir essa missão com sucesso .  

Denis Carvalho, Leonardo Gominho, Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima, Cristiano Ferraz e Manoel Severo

Os jovem promissores escritores Marcos de Carmelita e Cristiano Ferraz e o As Cruzes do Cangaço, Fatos e personagem de Floresta " nos trouxe novos fatos novos ao mundo do cangaço , histórias que só o povo florestanos conhecia ,mais não revelava ,hoje é considerado pela a critica do cangaço com um dos melhores livros do cangaço nas últimas décadas . Não podemos esquecer de nosso jovem Advogado, Colecionador e Especialista em Armas Brancas, Denis Carvalho, um guardião da cultura florestana e da sua numerosa família Os Carvalhos. Quando fala da da história Florestana devemos todo nosso respeito ao Genealogista e Historiador Nivaldo Carvalho , ele dedicou sua vida a preserva à história de nosso povo , e sua contribuição na literatura florestana , ele é o porto seguro da maioria dos escritores de Floresta , Nivaldo Carvalho , sem ele muitas obras literária não teria tanta clareza de fatos e datas em Floresta . Hoje somos um berço de cultura e aos poucos estamos abrindo nossas portas para vários pesquisadores do tema cangaço. 

O comandante Manoel Severo Barbosa a nos proporcionar o Cariri Cangaço um evento voltado a entender o fenômeno chamado cangaço, ele também escolheu um grande conselheiro florestano para nos representar Manoel Serafim, um homem que não mede esforços, quando o assunto é mais uma edição do Cariri Cangaço Floresta. Floresta vivi seu maior apogeu e uma revolução cultural que temos muito orgulho em dizer que somos da Terra dos maiores perseguidores de Cangaceiros .Dedico esse texto a todos filhos de Floresta-PE que deram sua vida na luta contra do banditismo rural."

Giovane Gomes

Pesquisador - Floresta, Pernambuco

http://cariricangaco.blogspot.com/2017/09/floresta-recontada-porgiovane-gomes.html

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O FOGO DAS CARAÍBAS!

 Por Giovane Gomes

Em 04 de fevereiro de 1926 as volantes de Optato Gueiros estacionadas no Distrito de Nazaré município de Floresta-PE, souberam de informação do bando de Lampião, que encontravam em São Serafim município de Flores, fizeram um descolamento para o local, em campo encontraram as tropas do Tenente Higino Belarminio , constituído uma numerosa força volante, o pelotão do Tenente Higino em sua grande maioria composta por nazarenos.

Pernoitaram na caatinga no dia seguinte pegaram o rasto de Lampião rumo ao riacho do Navio, na fazenda Maravilha, Manoel Flor percebeu uma pegada maior que as demais, era o cangaceiro Negro Felix. Chegaram no lugar chamado de Caraíbas , encontram uma casa de taipa a qual tinha uma mulher que logo foi respondendo que não sabia dos cangaceiros , gritava em voz alta como quisesse avisar alguém. Essa região era domínio de um bando de fora da lei de alcunhas de pequenos, família acostumada com arte da espingarda, a volante ficou em alenta sobre atitude da mulher ao perceber que era uma volante, logo que saíram da casa e atravessar o riacho.

Os cangaceiros estavam posicionados em lugares estratégicos, abriram fogo contra a volante, muitos tiros, fumaça e gritos, um intenso tiroteio. Manoel Neto envolveu na peleja logo foi emboscado e ferido no braço por um tiro, sendo socorrido para a região de Betânia, o Tenente Higino atingido abandonar a luta, o soldado Altino Gomes de Sá, um homem, alto, forte e valente, levantou para atira em um cangaceiro abrindo fogo, mas Altino foi atingido no rosto gravemente, quase sendo sangrado pelos os bandoleiros, sendo salvo por seu primo Pedro Aleixo de Carvalho.

As volantes permaneceram por horas no meio da fuzilaria, os cangaceiros eram do riacho do Navio conhecidos por serem homens valentes, muitos faziam parte do bando de Manuel Pequeno famoso bandoleiro.

Acervos: Giovane Gomes.

Referência Biográfica, FERRAZ, Marilourdes Ferraz, O Canto do Cauã.

Foto: Altino Gomes de Sá, Pedro Aleixo de Carvalho e Sebastião Sobreira, registro 1926.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

UMA VITÓRIA DA HISTÓRIA DO CANGAÇO

Por Archimedes Marques

A internet é o espaço por excelência da liberdade, o que não significa dizer que seja um universo sem lei e infenso à responsabilidade pelos abusos que lá venham a ocorrer. (Ministro Herman Benjamim).

Há algum tempo atrás um cidadão de epiteto RICO INGLÊS então detentor de um Canal de You Tube denominado O CONTRADITÓRIO DO CANGAÇO, resolveu CONTESTAR A HISTORIA DO CANGAÇO E A TODOS OS PESQUISADORES que ao longo de muitos anos construíram essa história. Até ai tudo bem que pela nossa Constituição Federal há o Direito da Livre Expressão a cada brasileiro e toda e qualquer contestação é sempre bem-vinda para se consertar aquilo que está errado.

Entretanto, o citado cidadão RICO INGLÊS apenas não contestava, ele agredia a tudo e a todos com PALAVRAS AGRESSIVAS, DE BAIXO CALÃO E ATÉ CRIMINOSAS, praticando por vezes seguidas os CRIMES DE INJÚRIA, CALÚNIA E DIFAMAÇÃO contra muitos, ALÉM DE INFRINGIR OS DIREITOS AUTORIAS de tantos outros, vez que era USEIRO E VEZEIRO em usar vídeos alheios sem as devidas cautelas.

Para não muito alongar, citando apenas três grandes personagens das pesquisas do cangaço atingidos por ele, a exemplo de Antonio Amaury Corrêa de Araujo, Aderbal Simões Nogueira e Lamartine de Andrade Lima, eram constantemente agredidos e vilipendiados pelo citado RICO INGLÊS, não somente nos seus vídeos, mas também nos comentários desses vídeos. Chamar de “mentirosos” era a palavra menos agressiva que ele usava. Ademais não aceitava crítica de quem quer que fosse e as respondia sempre com palavrões e xingamentos diversos, asseverando sempre que o CANAL ERA DELE E POR ISSO ELE FALAVA O QUE BEM QUERIA, CONTESTAVA O QUE BEM QUERIA E XINGAVA QUEM ELE BEM QUERIA. Trocando em miúdos o cidadão RICO INGLÊS se achava o VERDADEIRO REI DA COCADA PRETA e até mesmo o DONO DO YOUTUBE.

Nas suas tantas contestações o cidadão RICO INGLÊS chegou até o CUMULO DO ABSURDO de alegar que ANGICO NUNCA EXISTIU, QUE TUDO NÃO PASSOU DE UM GRANDE TEATRO inventado pelos vencedores, Policiais Volantes, e com aval dos antigos pesquisadores que manipulavam e até compravam os entrevistados para manterem essa história mentirosa. Desse modo o cidadão RICO INGLÊS passou a ser uma PERSONA NON GRATA entre todos os verdadeiros pesquisadores, não somente os da velha geração, mas também da nova geração como Robério Santos e Tiago Menezes que também mantém Canais junto a Plataforma de You Tube dentre tantos outros que mantém páginas no Facebook. E assim uma verdadeira enxurrada de denúncias foram feitas no âmbito interno do You Tube contra ele. E assim também na qualidade de verdadeiro pesquisador indiretamente atingido resolvi por conta própria organizar um DOSSIÊ contra o RICO INGLÊS. Desse modo estudei todos os seus vídeos e comentários dando PRINTS em todas as agressões e xingamentos que ele cometeu na sua trajetória de contestações, relacionando todos crimes que ele praticou, que juntando tudo deu o total de 62 páginas, encaminhando-as via e-mail para o setor jurídico do You Tube.

Assim sendo, tomei como surpresa no dia de hoje que o referido RICO INGLÊS FOI EXPULSO DO YOU TUBE E TODOS OS SEUS VIDEOS FORAM DELETADOS.

Decerto que essa vitória não foi somente minha, foi fruto de uma sucessiva JUNÇÃO DE DENUNCIAS, a exemplo das tantas denúncias feitas por Aderbal Nogueira que já tinha feito o You Tube retirar do ar vários vídeos desse cidadão, assim como o Robério Santos que também o denunciou dentre tantos outros que se sentiram ofendidos.

Finalizo reafirmando com muito orgulho que essa foi UMA VITÓRIA DA HISTÓRIA DO CANGAÇO.

Aracaju, 04 de fevereiro de 2021.

Archimedes José Melo Marques.

Pesquisador do Cangaço.

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CORISCO A SOMBRA DE LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira

Dê um pulinho até Cajazeiras no Estado da Paraíba e veja se o professor Pereira ainda tem esta maravilhosa obra em sua livraria. Aqui está o seu contato:

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ALINA EPONINA, PIONEIRA NO CANGAÇO

 Por João Costa

Um detalhe que chama muita atenção no cangaço são os casais; notadamente os casamentos entre primos – foram muitos. O casamento entre primos no Brasil é permitido; embora em torno de um amor assim, pairem desconfianças genéticas, medo do pecado e tudo o mais. A endogamia era a possibilidade de amar na vastidão das zonas rurais, de vida social praticamente nula.

Tomemos o caso da primeira cangaceira e que não obteve fama; uma jovem destemida que casou com o primo por amor, pegou em armas muito antes de Maria Bonita e Dadá e as demais 36 cangaceiras da era lampiônica; foi trocada por outra mulher mais nova e terminou sua vida abandonada pelo icônico guerreiro e salteador do Pajeú pernambucano.

É o caso de Alina Eponina de Sá, prima e esposa de Sinhô Pereira. Mulher pouco conhecida até por pesquisadores, que passou a ter uma vida cangaceira em 1919, data de seu casamento no religioso com o já cangaceiro Sinhô Pereira, primeiro chefe de Virgulino, antes da era Lampiônica.

O relato é dela mesma, em entrevista ao jornal O Povo, de Fortaleza, em 1968, ao escritor e jornalista Otacílio Anselmo. Alina Eponina, de fato, foi a mulher pioneira no cangaço – e pouco, muito pouco mesmo, se sabe sobre seu perfil.

Ela mesma narrou que foi criada no mesmo universo rural do primo, casou por amor e seguiu o marido pelo tempo que este permaneceu no cangaço; acompanhou Sinhô Pereira quando "depôs as armas", foi para Goiás e depois morar em Minas Gerais até 1958.

A matéria do jornal O Povo, pinçada pelo escritor Frederico Pernambucano de Mello, no livro “Apagando Lampião” tem trechos assim:

“Alina passou a viver com o marido a partir do dia do casamento, havendo tomado parte em todos os combates travados desde aquela data, utilizando um rifle cano de mamão”.

Isso em 1919. Outra mulher que só haveria de manejar armas e impor autoridade a homens em armas, foi Dadá, entre os anos de 1930 e 1940.

Diz ainda Anselmo em sua matéria.

“O que mais assinalou sua audacíssima união com Sinhô Pereira foi o nascimento do filho, Severino Pereira, em 1922, já em Goiás; sem esquecer que a travessia de Sinhô Pereira deste estado para Minas, se deu em meio a pesados tiroteios”.

Alina revela que ao casar com Sinhô Pereira era nove anos mais moça que ele e fora abandonada por Pereira, já em Minas Gerais, simplesmente “trocada” por uma mulher mais nova.

A garota nascida na zona rural no longo domínio territorial de Serra Talhada, companheira de cama e de rifle, após seguir e apoiar o marido pelo Pajeú de Pernambuco, Ceará; depois Goiás e Minas Gerais, voltou para o Ceará.

Descartada, despojada de bens, a jovem que se apaixonara pelo primo guerreiro e com ele casou, estava de volta ao convívio da sua família no Cariri Cearense.

“Dona Lina” como ficou conhecida na velhice, morreu em junho de 1972 e foi sepultada no Cemitério de Jati-CE.

Na historiografia da mulher no Cangaço, há lacunas gigantescas a serem preenchidas por pesquisadores; para essas mulheres não cabem simplesmente papéis de coadjuvantes de seus companheiros, limitadas a sexo, civilidade ou mesmo de vitimização.

Mas é preciso acrescentar e destacar posturas e regras civilizadas que elas mesmas, com naturalidade, impuseram a homens celerados, ladrões, salteadores, injustiçados; simplesmente homens e seu tempo.

João Costa – blogdojoaocosta.com.br

Fonte: “Apagando Lampião”, de Frederico Pernambucano de Melo

Foto. Sinhô Pereira.

Cariri Cangaço - Imagem de Eponina.

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SUSI RIBEIRO CAMPOS NORA DE SILA E ZÉ SERENO

 Por Susi Ribeiro Campos


Boa noite, meu grande amigo José Mendes Pereira:
 
Como lhe prometi, vou dar continuidade ao que relatei anteriormente sobre minha convivência com minha sogra Sila ex-cangaceira de Lampião.

Já em Julho de 1993, quando comecei a namorar Wilson (filho do casal de cangaceiro), no dia seguinte ao dia 08 de Julho, Sila havia me feito um elogio e Wilson se dirigindo a ela, disse: 

- Ela pode ser sua nora...

Disse e saiu rindo, alegre como sempre foi.

Sila me olhou assustada, estávamos na cozinha de sua casa:

- É verdade? Mas seus pais não vão deixar... Wilson é pobre... ele bebe.

Susi Ribeiro e o coronel do exército Conrado Lima 

Ao que logo lhe respondi:

- Mas ele vai parar de beber (tinha comigo essa certeza) e meu pai vai deixar sim, sabe o quanto gosto do seu filho.

Susi Ribeiro Campos e sua mãe Lea Ambrogini de Lima

Sila se preocupava, pois, meus pais me haviam dado estudo e tinham uma posição sócioeconômica privilegiada. Meu pai era Coronel da Aeronáutica aposentado. Logo fomos conversando e arrumando a mesa para o almoço, enquanto eu procurava dissipar suas preocupações.

Susi e Wilson

Sila tinha se apegado muito ao Wilson e com razão, pois viúva, tinha perdido o filho mais velho Ivo Ribeiro de Souza, em um trágico acidente ainda muito jovem, lhe restava Wilson e Gila.  

Gilaene (Gila) filha do ex-casal de cangaceiros Zé Sereno e Sila. - www.youtube.com - Gila também já faleceu há poucos anos.

Wilson era quem cuidava dela, estava sempre ao seu lado, a acompanhava ao médico, enfim Wilson era seu "tudo". Sila tinha muito medo de perder esse filho, que ele se casasse de novo e a abandonasse, como dizia.

Não foi fácil, procurei explicar a ela que eu não estava ali para afastar Wilson dela, mas para que pudéssemos todos ser mais unidos.

Aos poucos, quando fui morar nos fundos de sua casa, ela pode então compreender, que realmente minha intenção não era levar Wilson embora, e ficou mais tranquila.

Voltando a hora do almoço... esse demorava, rsrsrsrs nos fins de semanas, eu e ela preparávamos o almoço e ficávamos por horas jogando Buraco, até a hora de Wilson voltar, do bar “Toca do Sapo”, que pertencia aos meus padrinhos de Batismo, o casal baiano Eriberto Pereira de Jesus e Maria José Pereira.

A diversão de Wilson era a cerveja, mas voltava alegre para casa e ia dormir... rsrsrs e nós duas almoçávamos sozinhas.

Durante a semana, ele trabalhava o dia inteiro, como fotógrafo e cinegrafista do Instituto Oceanográfico da USP, voltava direto para casa, e ficávamos juntos na sala, assistindo as novelas, filmes...

Sila ainda costurava, fazia roupas para peças de teatro sobre o Cangaço, escrevia livros, dava entrevistas em programas de Televisão, fazia exposições e Lançamentos. Era muito ativa, vaidosa. Era eu que cuidava dos cabelos dela, fazia suas unhas, maquiagem, e a deixava prontinha para suas entrevistas.

Wilson e eu a levávamos, quando suas entrevistas eram em São Paulo, como no Programa do Amaury Júnior, Jô Soares e Sílvia Poppovic. Wilson programava o videocassete para gravar, a acompanhávamos e esperávamos por ela.

Muitas vezes, ela insistiu para que eu a acompanhasse em suas entrevistas, mas nunca quis aparecer às custas da vida, do sofrimento dela, era sua história, seu momento, respondia... preferia esperar por ela lá fora.

Na volta para casa, íamos correndo assistir, ele então fazia uma pequena edição e ficava completo, porque ela tinha brilho, força, luz e a História encantadora de sua vida

Sempre tivemos desavenças familiares quanto a limpeza da casa, forma de como passar a roupa do Wilson... quem cuidava melhor dele, rsrsrs, mas nada nunca nos desuniu, ela era realmente para mim não uma sogra, mas uma madrinha, aquela da infância. Íamos juntas à feira fazer compras, ela adorava peixe, e o que me fazia fazer cara de nojo... gostava da cabeça do peixe assado.

Muitas vezes ela foi conosco (Wilson e eu) à casa de meus pais, tinha seu quarto e sua televisão particular, para assistir sua novela preferida "Maria do Bairro".

xonatas.blogspot.com

Sila gostava muito de passear, viajava muito ao Nordeste, e ficava por lá durante meses, na casa de amigos.

Sobre o cangaço, comigo, não falava muito, pois eu a ouvia contar repetidas vezes suas histórias, durante as entrevistas que dava aos repórteres que a procuravam em sua casa. Eu já sabia de trás para frente, de frente para trás..., mas algumas coisas me foram confidenciadas sim. "Que Lampião era um chefe justo, calmo, sua fala era pausada, tranquila e era além de muito inteligente, como um pai para todos. Não gostava de maldades e refreava os cangaceiros que tinham índole violenta. 

Lampião rezando

Que era um homem religioso, com uma fé enorme e muito respeito pelas famílias. Que havia sido "carregada" para o Cangaço por Zé Sereno, não tinha ido por livre e espontânea vontade.

Cangaceiro Zé Sereno

Chorava ao lembrar de seus irmãos que a acompanharam e morreram no Cangaço, do filho que teve "no mato" e por incrível que possa parecer, do gênio forte de Maria de Lampião, que a desagradava. Ela dizia que "Maria era meio louca" instável, xingava muito e ridicularizava quem não gostava." 

Maria Bonita

Que pouco se viram, Sila não gostava de Maria, não sei o que houve e não vou entrar em detalhes, pois ela não me contou o porquê, mas pude sentir isso várias vezes, em todas as entrevistas que dava, durante as exposições e quando falava conosco, nos contando particularmente.

Segundo Sila ela foi a última pessoa a conversar com Maria Bonita antes do Massacre de Angico, mas como todos nós temos outras pessoas que mais nos agradam, Sila não era diferente, Maria não era sua melhor amiga, como dizia aos historiadores. Ela nunca quis revelar isto aos historiadores, somente contava a nós, e é claro, a Vera Ferreira neta da Maria Bonita  sabe disto também.

Ex-cangaceira Dulce - a última cangaceira que está viva - De toda(as)(os) os cangaceiros ela é a única que está viva.

Das cangaceiras amigas, falava muito de Dulce, Nenê de Luiz Pedro, que havia falecido no dia seguinte de sua entrada no cangaço e de Dadá após o Cangaço.

Neném do Ouro e Luiz Pedro

Dadá e Corisco

Sila e Zé Sereno haviam feito muitas amizades com ex-policiais e volantes que também foram morar em São Paulo, e até uma vez, tive a oportunidade de acompanhá-la à casa da família de um ex-volante, foi uma tarde muito agradável, conversei muito com uma senhorinha já bem idosa, esposa do ex-volante falecido. Infelizmente não me recordo o nome deles.

Minha sogra tinha momentos de tristeza, lembrava muito de Ivo, o filho falecido, logo eu procurava mudar de assunto... "vamos jogar? Eu perguntava, ela adorava jogar.

De tempos em tempos, eu a acompanhava ao médico. Ela sofria de hipertensão sistêmica, e tinha crises terríveis de pressão alta, com dores de cabeça que a atormentavam muito, principalmente no tempo frio de São Paulo.

Um dia chegamos, Wilson e eu a ter que correr com ela, de madrugada, para o hospital, acordamos e ela sangrava muito pelo nariz. “- Foi a sorte dela”, disse o médico, pois se o sangue não houvesse saído, poderia ter causado um derrame cerebral.

Ainda existe muito a ser dito sobre nossa vida em comum, após o falecimento de meu pai, quando Sila ficava muito em nossa casa em Rio Claro, mas vou terminar por aqui hoje meu amigo , e continuar um outro dia.

Realmente tenho vontade de lhe escrever mais, mas após o falecimento do Wilson, venho sofrendo com astigmatismo e hipermetropia e detesto usar óculos, mas mesmo com eles, minha vista se cansa.

Se Deus quiser próximo ano acaba a carência do plano de saúde por doença pré-existente, e eu poderei fazer a cirurgia da vista.

Agradeço por mais uma oportunidade!
Um grande abraço a você
À Sila, sempre minha eterna gratidão e carinho!
Susi Ribeiro Campos, nora de Sila e Zé Sereno

Este material foi enviado para mim pela nora do casal de cangaceiros Zé Sereno e Sila Susi Ribeiro Campos.

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SILA DOCUMENTÁRIO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=wxKHA8JH8rY&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Aderbal Nogueira - Cangaço

Entrada no cangaço - Zé Sereno, Luis Pedro e Neném - Primeiro tiroteio e morte de Neném - A revolta de Luis Pedro - Encontro com Lampião - Como era Lampião - Reencontro com Adília - Rio São Francisco - Combate em Angico.

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20 CURIOSIDADES SOBRE LAMPIÃO

 https://www.youtube.com/watch?v=g_oC1kI-CYI&ab_channel=Canga%C3%A7oEterno

Cangaço Eterno

Conheça algumas curiosidades sobre o maior cangaceiro da história ! Você sabi que ele mandou matar seu meio irmão ? Pois é, essa entre outras vocês encontra nesse vídeo.

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A BOLA DO FINADO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica/conto 2.464

O Estádio Arnon de Mello, em Santana do Ipanema, Alagoas, está situado ao lado do Cemitério Santa Sofia, parte alta do Bairro Camoxinga. Recebeu o nome do, então, governador em troca de vários milheiros de tijolos para cercar a praça esportiva. Acordo firmado, hoje em dia a murada anda precisando de reforma para mais segurança dos transeuntes da área.

Cemitério Santa Sofia construído entre 1942 e 1945. (foto: B. Chagas/livro 230).

Certa feita, houve um jogo muito importante. A torcida lotava o estádio, inclusive, havia muitos desportistas até em cima do alto muro que separa o cemitério do estádio. O Ipanema, costumeiramente, sempre foi um time orientado para bola rasteira e rápida, porém, desta feita um zagueiro mandou a bola violentamente para o espaço fazendo com que ela caísse no Cemitério Santa Sofia.

A torcida ficou irritada porque isso atrasaria o jogo, pois, na época, jogando com uma bola só, era preciso enviar um funcionário do campo para rodear pela rua, entrar no cemitério, procurar entre os túmulos e trazer de volta a pelota. Mas eis que um milagre aconteceu. A bola retornou do mesmo jeito que havia deixado o campo. Com o acontecimento inédito, houve uma debandada dos torcedores que estavam encostados ao muro. O bandeirinha saiu em disparada se benzendo e erguendo as mãos aos céus.

O segundo acontecimento foi ainda mais espetacular. O Ipanema jogava um amistoso com um time do Agreste quando um zagueiro, sufocado com o ataque adversário, deu um chutão que a bola subiu e parecia não querer voltar ao solo, foi para nos fundos do cemitério. Após cinco minutos de jogo paralisado, chega o vigia do cemitério e devolve a bola dizendo: “O finado Zé Bodó mandou dizer que se a pelota bater novamente em sua cruz rasgará a bola”. E como Zé Bodó havia morrido há pouco meses, o treinador que recebeu a bola de volta teve uma tremedeira na hora e uma diarreia momentânea, despachada nos recantos do estádio.

Seria o Benedito!

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