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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

FOI DE FAZER MEDO

 Clerisvaldo B. Chagas, 18/19 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.473


         A energia da Equatorial só apareceu lá para as 23 horas, mesmo assim por pouco tempo. A chuva amainou, mas logo voltaram à ativa a escuridão e um resto da chuvarada.  Calor imenso, escuridão sem Internet, sem telefone, sem ar condicionado, sem ventilador, foi uma noite muito dura. O dia seguinte, quarta-feira, nada de energia, nada de comunicações. No anoitecer dessa quarta-feira de Cinzas, nova trovoada teve início, coisa nunca vista, duas trovoadas seguidas em poucas horas. A mesma novela da noite anterior: escuridão total, relâmpagos, trovões e receios, sendo a violência do tempo menor do que a noite da terça. A trovoada só foi se acalmar lá para as 22 horas. Só apareceu a luz no breu da cidade, em torno de 23.30.  Finalmente amanheceu e o sertão mostrou um céu límpido como se nada tivesse acontecido. As ruas estavam lavadas e, cremos que os pecados também.

 

Só não se perderam os alimentos que estavam em congelador, falam em muito prejuízo. As primeiras notícias da quinta apontaram o apagão em Santana do Ipanema e mais nove cidades sertanejas. Todos queriam uma trovoada, Zé, mas não com as trevas e violência do tempo. O saldo é que deve ter enchido barreiros, açudes, barragens e cisternas de toda a região. Ainda madrugada, espanta-boiadas faziam alaridos sobrevoado o rio Ipanema e logo cedo do novo dia, o leiteiro com sua moto de entrega e buzina de carro grande, anunciava a volta da normalidade na terra de Senhora Santana.

Segundo dia de quaresma.

Amém, amém!

CHUVA EM SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

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APÓS EXÉRCITO, CORISCO ENFRENTA GUERRA REAL NO CANGAÇO E PEDE PRA SAIR (PARTE 2)

Por João de Sousa Costa 

Cristino Gomes da Silva depois de ser apresentado pelo fazendeiro Manoel Valões a Virgulino Ferreira da Silva, acreditou que “viver da espingarda” seria fácil e a alternativa que se apresentava naquela quadra de sua vida; fugitivo por conta de um homicídio praticado em meio a uma briga e procurado por deserção do Exército Brasileiro.

Não demorou muito Cristino haveria de descobrir que, ao contrário de uma quartelada do Exército, no cangaço a guerra era real e cruel.

Os tempos agora eram de desassossego, enfrentamentos com tiroteios a qualquer hora, emboscadas, razias e chacinas as mais cruéis.

Debaixo de um chapéu de couro com aba dobrada para trás para servir como sombra tendo punhal e rifle como apetrechos inseparáveis além bornais para conduzir roupa, comida e munição, Corisco foi encaminhado por Virgulino Lampião a José Leite Santana, o cangaceiro Jararaca, chefe de subgrupo e, por coincidência, também egresso das fileiras do Exército como ele.

O ano era de 1926, agosto o mês e na sua primeira empreitada, Cristino está entre os cabras de Lampião que atacaram a fazenda Tapera, de propriedade de Manoel do Nascimento Gilo nas cercanias de Floresta(PE).

A história ensina que a verdade é a primeira a morrer numa guerra. E este ataque à família Gilo, o primeiro com a participação de Corisco, os historiadores reportam que resultou de uma grande mentira, de um engodo e de uma falsificação.

Conta-se que Manoel Gilo tinha como desafeto um certo Horácio Novaes, bandoleiro da região do Navio condenado pela justiça por roubo de cavalos e gado.

Este Horácio Novais preparou um ardil para Virgulino e seu bando escrevendo uma carta a Lampião recheada de ofensas e falsificando a assinatura como sendo Manoel Gilo.

Gilo havia testemunhado na ação judicial que condenara Novaes por roubo de Cavalos. E esta carta com afrontas a Lampião era a vingança Novaes contra Gilo e Família.

Virgulino deu crédito à carta forjada por Novaes e foi “tomar satisfações”, saber de Gilo sobre a veracidade do teor da carta

Lampião nesta quadra da sua trajetória estava no auge da sua liderança à frente de uma centena de cangaceiros, dentre eles, Corisco, que fazia naquele momento sua estreia no cangaço.

Sabedor da aproximação de Lampião, Manoel Gilo pede socorro à polícia estacionada Floresta. Recebe do capitão Muniz de Farias a garantia de que, em caso de ataque à fazenda, o destacamento marcharia em socorro.

- “Fique sossegado, se a fazenda for atacada, despacho em cima da bucha uma volante em seu socorro”, teria assegurado o capitão Muniz a Manoel Gilo.

O dia 26 de agosto amanhece com os cangaceiros ocupando atalhos, curral, cancelas e sitiando a casa da fazenda; o tiroteio estoura e uma chuva de balas desaba sobre a casa; Gilo, seus dois filhos e alguns empregados revidam com mesmo furor; o pipocar dos tiros anunciava o fim do mundo.

Gilo e sua família não se entregam, respondem com sucessivas cargas de tiros; bem municiado, avalia que a polícia chegará a tempo em seu socorro.

- O capitão Muniz é homem de palavra, garantiu cumprir com o seu dever e virá em nosso socorro, era a centelha de esperança de Gilo.

Ledo engano porque o capitão Muniz não cumpriu o combinado e prometido. As horas se passam, o tiroteio não cessa, as armas esquentam de tantos disparos.

Perto dali, em Floresta, a polícia escuta o pipoco dos tiros, mas não se mexe.

Entre os militares acantonados está o anspeçada Manoel Neto, homem dali mesmo da região, de Nazaré do Pico, e inimigo feroz de Lampião e seus irmãos, que percebe a inépcia e falta de vontade do capitão Muniz em combater.

Mané Neto, que haveria de se tornar cabecilha das volantes nazarenas, não se dá por acovardado. Calibra as armas, mobiliza os poucos homens disponíveis no lugar e ruma em marcha batida em socorro dos sitiados na fazenda da família Gilo.

Mas o teatro de guerra se mostrou desfavorável à volante de Mané Neto. O bando de Lampião estava em maior número, repele o ataque e a tropa abandona o combate.

Terminada a infernal fuzilaria, Manoel Gilo é capturado pelos cangaceiros e interrogado por Lampião sobre a veracidade do teor da famigerada carta.

- Capitão eu não sei ler nem escrever; não posso escrever carta nenhuma, nem partiu de mim atrevimentos e ofensas ao senhor, disse Gilo a Lampião e apontando para Novaes como o responsável pela artimanha.

Em resposta rápida, ali do lado, Horácio Novaes saca do revólver e dispara à queima-roupa matando Manoel Gilo.

O saldo perverso desse ataque foi monstruoso. Treze mortos tombados no terreiro mais dez corpos ensanguentados e espalhados pelos quartos, cozinha e na sala.

O bando deixa a família Gilo exterminada e segue sua cavalgada tocando o terror e pilhando fazendas, vilas e transeuntes nas estradas.

Por onde passa o bando de Lampião chama a atenção da população e da imprensa pelos adornos e vestimentas utilizadas. Mais ainda chama a atenção dos curiosos aquele cangaceiro loiro, de porte atlético, verbalizando bem e de sotaque diferenciado. Este cangaceiro era Corisco em sua estreia no bando de Lampião.

Mas Mané Neto e os nazarenos não desistiam fácil na caçada a Lampião e o bando é alcançado num sítio de nome Favela, onde se trava combate feroz e implacável. O resultado é de muitas baixas por parte das volantes; além dos feridos, uns socorridos pelo próprio Mané Neto, outros deixados para trás para morrer.

Aqui a brutalidade da guerra mostra sua verdadeira face a Cristino, pois os soldados como ele fora um dia e que ficaram para trás vivem o horror e viram de perto a face do mal e seus malefícios.

Os capturados têm seus olhos vazados com cápsulas de balas batidas com a coronha do fuzil, outros são sangrados ainda vivos.

O terror vivido pelos soldados e as baixas sofridas pelo bando nesse entrevero foram as credenciais iniciais do cangaço a Cristino e o combate da fazenda Favela impressionou e abalou a convicção de Corisco em seguir no cangaço.

Corisco vai até Lampião e, sem mais nem menos, surpreende o chefe.

- Capitão, com sua licença, estou pedindo baixa; peço pra sair.

E assim, antes mesmo de começar, o novato bandoleiro Cristino encerra sua carreira no cangaço, e faz o caminho de volta à vida pacata de civil. (a saga continua)

João Costa; Acesse: blogdojoaocosta.com.br

Fonte: “Lampião: a raposa das caatingas”, de José Bezerra Lima Irmão

“Corisco – a Sombra de Lampião”, de Sérgio Augusto Dantas.

Foto: Benjamim Abraão.

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TRIBUTO A VIRGOLINO.

Por Anildomá Willans.

Uma celebração à cultura popular do Sertão do Pajeú. Conheça nosso Canal no YouTube - CABRAS DE LAMPIÃO.

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O DIA EM QUE BRUNA VIOLA CHOROU.

https://www.youtube.com/watch?v=fWFxN6Yj_Pg&ab_channel=OttoWuttke

Aprecie as belas canções da Bruna Viola.

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LAMPIÃO E A PROSTITUTA! EM CAPELA SERGIPE 1929.

 Por Guilherme Machado

Foi por volta de 1929 em sua primeira ida à cidade de Capela Sergipe... Depois de passear e até ir ao cinema da cidade, Lampião sempre dominado pelo erotismo, foi até a casa da Prostituta por nome Enedina. Ordenou-lhe que deixasse as portas da frente e dos fundos abertas, e disse-lhe: 

"Se aparecê os macacos (policiais) por uma ou por outra eu tenho que sair por cima deles"

No quarto cuja porta Lampião a trancou por dentro, desfez se todos os embornais, cartucheiras, armas e roupas, ficando apenas de alpercatas e de camisa de meia a tal da camiseta. Ao se despir a rapariga quis ser gentil, e quis ajuda-lo. Ele e deteve a com um gesto: 

"Não pegue em nada! Minhas armas e neste borná só pode alguém pegar depois de morrer o Capitão Lampião". 

Pôs o fuzil e o parabellum ao alcance das mãos, sobre a cama ele colocou seu longo punhal... Depois do rala e rola Lampião suspirou e falou uma frase digna de um super amante: 

"Este quarto não cabe a metade dos cabras que este aqui tem sangrado, levantando o punhal em direção aos céus".

Deu setenta mil réis a Enedina" e lamentando falou:

"É uma pena que o comércio não estar aberto para eu comprar para você um vestido e um perfume dos bons!!!"

Obs. a fotografia da prostituta que aparece na matéria não é a de Enedina, esta não foi fotografada! Quem aparece é a prostituta americana a perigosa Tricse! 

Fonte: Oficio das Espingardas.

Fonte: Do livro O incrível mundo do Cangaço vol.2 autor: Antonio Vilela de Souza.

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FAZENDA LAGES

 Por Giovane Gomes

Na Fazenda Lages em 1926, as volantes pernoitaram em um leito de riacho seco próximo a sede da Fazenda. No dia seguinte travaram um tiroteio da Fazenda Trigue. Qual Lampião saiu baleado no ombro, sendo transportado em uma rede para a Fazenda Caraibas, depois foi transferindo a cavalo para fazer seu tratamento em Tacaratu-PE. As fazendas Lages e Trigue, berço da Família Gomes Correria conhecidos como Yoio do Trigue.

Foto de Giovane Gomes

Ainda existem marcas dos tiros que as volantes deram na hora da fuga em uma casa antiga próximo da sede.

Atualmente a Fazenda Lage é um Assentamento da Reforma Agrária MST.

Assentamento : Maria Bonita

FLoresta-PE.

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O CANGAÇO NÃO É TREM, MAS VAI ACABAR DESCARRILHADO NOS TRILHOS DA HISTÓRIA.

 Por Aderbal Nogueira

O Cangaço não é trem, mas vai acabar descarrilhado nos trilhos da história. Se continuar assim breve teremos dramalhões novelescos recheados de melodramas, chororos, personagens fantasmagóricos, etc etc. Se tudo fosse levado para obras ficcionais, beleza, mas acho que não.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

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RELÍQUIA

Por Ricardo Rodrigues
De pé: Frei Francesco Urbania, Cangaceiro Balão (Guilherme Alves dos Santos), Frei Agostinho da Loro Piceno e Cabo Zé Preto. Sentado: Pároco de Jeremoabo-BA, Padre José Magalhães e Souza. 19 de outubro de 1938, Jeremoabo-BA. Acervo: Robério Santos.

O nosso blog não sabe quem fez esta foto.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1583306025211669%2C1583253565216915%2C1582998991909039%2C1582952408580364%2C1582940325248239&notif_id=1613603020652735&notif_t=group_activity&ref=notif

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ÚLTIMA APARIÇÃO DE LAMPIÃO ANTES DE MORRER...!!!

Por Guilherme Machado

Rubinho Lima e Guilherme Machado

Cinco horas da manhã de 28 de julho de 1938. Grota de Angicos, uma fortaleza de pedras escondida dentro da caatinga, encravada numa depressão perto do riacho Tamanduá e próxima ao rio São Francisco. O local é a fazenda Angicos, no município sergipano de Porto da Folha, e o fogo cerrado das metralhadoras portáteis do regimento policial militar de Alagoas, comandado pelo tenente João Bezerra, durou 15 minutos. Eram tantos tiros que mal dava para enxergar o que acontecia. Pedaços de xiquexique, mandacaru, facheiro – vegetação típica do sertão – caíam por todos os lados. Lampião tombou primeiro. Maria Bonita foi abatida logo depois. Apanhados de surpresa, muitos dos 39 cangaceiros que se refugiavam na grota ainda dormiam, e nove morreram na emboscada. O restante conseguiu fugir.

Onze cabeças decepadas foram levadas e expostas, como troféus de guerra, na escadaria da prefeitura de Piranhas, em Alagoas, de onde partira a expedição da volante (nome dado aos grupos de policiais que se moviam de cidade em cidade à procura de cangaceiros). Antes, os policiais surrupiaram todo o dinheiro, ouro e joias que puderam. O esconderijo havia sido apontado, após tortura, por Pedro Cândido, um homem de confiança de Lampião, morto misteriosamente em 1940...!!!

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

BANGALÔS DE JUAZEIRO

 Por Roberto Júnior


Hoje brindamos nossos leitores com uma série de fotos de bangalôs antigos, verdadeiras joias da arquitetura juazeirense cuja construção hoje está em desuso por conta da modernidade. Muitos desses bangalôs já foram destruídos e outros estão bastante deformados, bem diferentes da arquitetura original, ou com grades de ferro na frente razão por que não foram fotografados. Pode ser que esquecemos alguns. Portanto quem tiver fotos de outros bangalôs podem nos mandar cópia por e-mail que teremos o maior prazer em publicar, pois nosso desejo é mostrar o que nossa cidade teve de bom.
 
Ângelo de Almeida, Rua Conceição. Celso Gomes, Rua São José
Odílio Figueiredo, Rua da Matriz (demolido, hoje é o Sesc). Da Família Viana, Rua Padre Cícero (exposto a venda)


José Camilo da Silva, Rua Santa Rosa (demolido para alargamento da Rua Conceição)


Rua Conceição. Rua da Glória com Alencar Peixoto


Odilon Figueiredo, Rua 24 de Março (exposto a venda). Dr. Possidônio Bem, Rua São Francisco


Rua Alencar Peixoto. Dr, Mozart Cardoso de Alencar, Rua Padre Cícero


Sebastião Amorim, Rua Padre Cícero. José Viana, Rua Padre Cícero (demolido para alargamento da Rua São Francisco)


Manoel Bento, Rua Dr. Floro. José Vicente, Rua Padre Cícero (demolido para alargamento da Rua Conceição)


Família Belém, Rua Conceição (demolido para construção da Caixa Econômica). Zeca Marques, Rua Conceição (modificado)


1. Dió Ribeiro, Rua São José. Cruzamento das Ruas da Glória e São Francisco (demolido)


Felipe Neri da Silva, Rua Padre Cícero (demolido para construção de um estacionamento) . Seu Lunga, Rua Conceição (construído pelo casal Cícero Pinheiro-Dona Marieta)

http://www.portaldejuazeiro.com/2012/12/bangalos-de-juazeiro.html

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AVENIDA RIO BRANCO EM MOSORÓ, ONDE ATUALMENTE FOI CONSTRUÍDO A PRAÇA DE CONVIVÊNCIA - 2006

 Crédito da foto Lindomarcos Faustino - Relembrndo Mossoró

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LAMPIÃO, O ETERNO FUGITIVO.

 Por Raul Meneleu

oda vez que tentamos enquadrar e definir Lampião, ele foge. Talvez até por conta de dificuldades que temos nos dias de hoje em estudar sua história, por conta de não termos mais referências vivas dos que andaram com ele ou o combateu, que possam tirar dúvidas surgidas por novas avaliações.

Herói ou bandido? Violento ou amoroso? Justiceiro ou generoso?  É isso. Toda vez que  procuramos definir Virgulino Ferreira da Silva, encontramos em sua história diversos caminhos que nos levam achá-lo bandido, herói violento, amoroso justiceiro e generoso.

Querem saber: ninguém está pondo em dúvida a existência de Lampião, assim como não podemos ver com cem por cento de garantia as histórias que se fala sobre ele e que cobrem a sua figura. E o que é pior, é que, com o passar dos tempos, vai ser cada vez maior o volume de versões a seu respeito,  cada vez fica mais longe da verdade em tal história. Não que duvidemos 100% da história dita oficial.

Se formos verificar, existem pelo menos dois "Lampiões". Um é aquele que cresceu em um ambiente violento onde a palavra do coronel, decidia sobre a vida e a morte daquelas pessoas que moravam ao seu redor e marcados por lutas sangrentas entre famílias de grandes proprietários de terra. O outro Lampião, é aquele jovem que trabalhava como tropeiro para seu pai, varando as veredas do sertão, levando mercadorias para as vendas das cidades, chamadas bodegas e também levar mercadorias para os comerciantes de ferramentas, tecidos, utilidades domésticas  e até mesmo para pequenos industriais com seus alambiques e engenhos de fabricar rapaduras e mel. Chegou até mesmo transportar mercadorias para o grande industrial Delmiro Gouveia em sua fábrica de linhas, no distrito de Pedras, atual Delmiro Gouveia, município brasileiro no estado de Alagoas.

Lampião, aliás virgulino, era também um bom artesão. Ele fabricava celas, arreios, capas para facões, chicotes de couro e também era um bom domador de cavalos e burros Era bastante conhecido na região. Além disso ele era um ótimo versejador e tocava sanfona de 8 baixos que acompanhava os seus versos. Ora, era um rapaz que por ter seu trabalho, seu ganho e seu sustento, quando estava em casa principalmente nos fins de semana, onde ia para aquelas festinhas, aqueles arrasta-pés tão famosos no sertão, com dinheiro no bolso para consumir bebidas e gastar com os seus amigos, só podia ser famoso mesmo! Isso causava inveja a alguns rapazes e entre eles o Zé Saturnino, que era filho de um fazendeiro que possuia mais posses que o pai de Lampião, Zé Ferreira.

Virgulino foi poeta, foi amigo, foi valente, foi namorador. Tornou-se o homem que viveu à margem da lei depois que passou a ser perseguido pelos seus inimigos que tinham inveja de sua juventude e da sua capacidade em conquistar amigos.

A partir de 1922, quando assumiu o grupo de cangaceiros que participava, conseguiu criar a seu redor, um imaginário fabuloso. Quando se tornou uma pessoa bastante perseguida pelas volantes policiais, que constantemente estavam no seu encalço, foi criado então esse imaginário. Criado Por muitos repentistas que faziam os seus cordéis para serem vendidos nas feiras das cidades do nordeste, onde

alguns deles chegavam a tocar sanfonas e violas, mostrando nos seus versos  versões imaginárias desse homem tão perseguido. Eram histórias mirabolantes nessa cultura que se escrevia e que explodia nos cantos da pobreza e da própria fome dos sertanejos.

Lampião nunca apresentou pra ninguém uma plataforma política ou um programa de reinvindicações sociais, mas traduziu como ninguém a  insatisfação popular contra um regime autoritário que já perdurava há muito tempo e que infelizmente até os dias de hoje persiste. Regime autoritário de nossa história, que ficou conhecido como República Velha, se bem que na República Nova, que já se iniciou corrupta, pois tinha os mesmos personagens corruptos da Velha, na sua linha de frente. Não é a toa que Jornais da época que recebiam benesses do governo, procurassem mostrar Lampião com imagem de criminoso de alto grau de delinquência, procurando com isso denegrir totalmente o lado humano e social vivido por lampião e seus cangaceiros.

Contrário a isso,  de Lampião traduzir como ninguém a insatisfação popular, os poetas de cordel que estavam constantemente nas feiras das cidades do nordeste, mostraram um Lampião valente, com alto grau de capacidade libertadora dos pobres, suas lutas contra os poderosos e que até hoje é lembrado e cantado pelos poetas e repentistas. É Por isso que, tão impressionante figura lendária de Lampião seja um pretexto para acabar com as injustiças sofridas pelos mais pobres.

Aqueles que persistem em falar mal de Lampião, não vêem ou fazem que não ver, que em um ambiente seco do sertão, na catinga nordestina, outras crianças, com suas famílias, sofrem o descaso das autoridades até os dias de hoje.

Lampião tem de ser examinado pelos olhos da sociologia e não pelo olhar policial, pois já fazem mais de 80 anos de sua morte. Foram muitas histórias de ódio, mas também teve muitas histórias de amor e de generosidade, pois Lampião também foi capaz de amar.

Realmente meus amigos, falarmos desse personagem histórico, desse mito, nunca é, colocar um ponto final nessa história. Porque Muitas ainda estão escondidas e à medida que o tempo passa,  se refaz cada versão dessa história.

https://meneleu.blogspot.com/2020/09/lampiao-o-eterno-fugitivo.html?fbclid=IwAR2q1-uIrH1GXJg-NzjkR3OjfYbmfd46Z3b5IjlIAjjNv7wj1Y_hBBJqmas

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NOVO OLHAR URBANO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.472

Ao percorrermos novamente Centro e bairros de Santana, não temos como ignorar a antiga e presente necessidade de assegurar uma nova forma de travessia no rio Ipanema. O velho desejo do povo santanense era a construção de uma ponte no final da Rua São Paulo até o Conjunto habitacional Eduardo Rita, na margem direita, o que corresponde ao trecho da esquecida rodagem Santana – Olho d’Água das Flores. A cidade se desenvolveu, todavia, aquela velha travessia continua sendo a mesma do século passado, isto e, uma frágil passagem molhada que fica submersa durante às cheias, interrompendo a mobilidade urbana. A citada ponte desafogaria a ponte do Comércio, General Batista Tubino, ajudaria a desenvolver toda a região de saída para Olho d’Água das Flores, Pão de Açúcar, Batalha, Jacaré dos Homens, São José da Tapera, Palestina, Senador Rui Palmeira, Carneiros, Monteirópolis, Piranhas e Jaramataia, com inclusão de Arapiraca.

Naquela região de saída estão importantes empreendimentos como o “novo bairro Colorado (Luar de Santana), IFAL, Posto de gasolina, Churrascaria, Casas Comerciais da construção, diante de um tráfego intenso dia e noite. Todos os que viessem dos municípios citados acima, se não precisassem visitar o Centro Comercial de Santana, aliviaria o trânsito pela nova ponte, onde já existem no Bairro São Pedro, várias alternativas de saída para o Norte da cidade e para Palmeira do Índio, Maceió. Achamos que a prefeita atual Christiane Bulhões, poderia deixar a marca definitiva da sua profícua administração com a nova passagem, pois dispõe de um deputado federal e uma senadora na família, além do prestígio inquestionável perante o governo estadual.

Verdade seja dita, foi o prestígio junto ao interventor estadual General Batista Tubino que o, então, prefeito Adeildo Nepomuceno Marques conseguiu a ponte no Comércio e que leva o nome do militar. Assim surgiram os bairros Floresta e Domingos Acácio e tudo de bom que existe atualmente na margem direita do rio Ipanema, inclusive, o Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo.

Além dos perpétuos benefícios que a nova ponte traria para Santana em geral e particularmente para aquela região – antigamente chamada Minuino – a atual gestão deixaria um marco indelével do seu período junto a esta e às futuras gerações. Vamos sair do feijão com arroz!

PONTE GENERAL BATISTA TUBINO, INAUGURADA EM 1969, IMAGEM EM 2013. (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).

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LIVROS...

 Por Francisco Pereira Lima

Indicação Bibliográfica. Essa jóia da bibliografia paraibana foi reeditada. 420 páginas. Quem desejar adquirir: Professor Pereira Whatsapp 83 9 9911 8286.

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PROFESSORA DONA INALDA CABRAL ROCHA

Por José Mendes Pereira
Crédito da foto Lúcia Rocha

Lamento o falecimento de dona Inalda Cabral Rocha. Eu não sabia e vi agora no facebook. Fiquei de ir à sua casa acompanhado de Rocha seu filho e sua nora Lirete Rocha, para fazermos uma foto com ela. Infelizmente o tempo passou e veio a pandemia e nós não fizemos a foto com ela. 

Mas Deus cuidará dela com muito carinho. Dona Inalda Cabral é uma referência para todos os funcionários da educação, pois foi diretora do NURE - Núcleo Regional da Educação, nos dias de hoje, DIRED - Diretoria Regional da Educação.

SEGUE A SUA BIOGRAFIA ESCRITA POR LINFOMARCOS fAUSTINO:

Por Lindomarcos Faustino

A Professora Inalda Cabral Rocha nasceu no dia 25 de janeiro de 1925, no Sítio Riacho do Meio, município de Pau dos Ferros, Estado do Rio Grande do Norte, a Professora Inalda Cabral Rocha; filha de seu Pedro Alves Cabral e dona Antônia Neri Cabral. 

Ela iniciou seus estudos aos oito anos de idade, no Grupo Escolar Joaquim Correia, em sua cidade natal, tendo como primeira professora dona Carmelita Rocha, onde passou apenas dois anos nesta Escola; depois, migrou para Mossoró no final de 1934, onde passou a estudar no Ginásio Sagrado Coração de Maria em 1935, se formando em 1942. No ano seguinte passou a estudar na Escola Normal de Mossoró, pois não havia o Segundo Grau, no Colégio das Irmãs. A colação de grau de Inalda Cabral foi realizada no dia 12 de dezembro de 1944. Em 1978 prestou vestibular para Pedagogia, pela UERN e passou com muito êxito. 

Por se tratar de uma pessoa determinada passou por diversas escolas do Estado do Rio Grande do Norte, vejamos: em agosto de 1945 passou a lecionar no Grupo Escolar Joaquim Correia; depois, no ano de 1947, era a gestora daquele Grupo Escolar; trabalhou no Grupo Escolar Padre João Maria, na cidade de Jardim de Piranhas, em 1951; Ambulatório Padre Dehon, em Mossoró; em 1957 foi transferida para a Escola Estadual Moreira Dias, sendo diretora da instituição; em 1961, passou por outra transferência para o Grupo Escolar 30 de Setembro; em 1963 foi transferida para o Grupo Escolar dos Excedentes, que ficava no município de Assu-RN; em seguida, retornou para o Grupo Escolar 30 de Setembro, onde permaneceu até o ano de 1966; Grupo Escolar Modelo; Escola Municipal Joaquim da Silveira Borges; Diretora de Educação do Município de Mossoró (Gerente Executiva de Educação), na gestão do então Prefeito Raimundo Soares de Souza; Escola Princesa Isabel; Escola Lions; Escola Estadual Solon Moura. Mais tarde, abriu uma escola particular, na Rua Mário Negócio, denominado de Educandário Nossa Senhora Aparecida, em 1970; foi nomeada em 27 de maio de 1971 como Chefe do II NURE, atualmente XII DIRED – Direção Regional de Ensino e Desporto, onde se aposentou nesta função; tempos depois passou a se dedicar ao seu Educandário Nossa Senhora Aparecida, mas surgiu o convite para assumir a Coordenação Municipal Mobral, nomeada pelo então Senhor Prefeito João Newton da Escóssia, em 09 de agosto de 1977, pela portaria 73/77, dispensando uma atenção maior a sua escola. 

Em 1947 casou-se com o senhor Pielson Dantas Rocha e desta união nasceram doze filhos: Luzia Maria Rocha, Teresinha, Judas Tadeu, Jacinta de Fátima, Maria Aparecida, Rocha Neto, Francisco Canindé, Lúcia de Fátima, Filomena e Maria da Conceição.

Professor Inalda Cabral Ro

Em 20 de outubro de 1986, após dez anos de sua aposentadoria, recebeu uma justa homenagem em vida, do então Governador José Agripino Maia, quando da inauguração da Escola Estadual Professora Inalda Cabral, bairro Santo Antônio, nesta cidade, fazendo uma justa homenagem a esta grande professora que adotou Mossoró como sua cidade natal. Esta nobre cidadã também possui o título de Cidadão Mossoroense, outorgado pela Câmara Municipal de Mossoró, através do vereador Lupércio Luiz de Azevedo.

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ANTÔNIO DOS SANTOS VULGO VOLTA SECA

 Por Adelson Mota








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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O ASSASSINATO DO Dr. ULYSSES ELÍSIO DO NASCIMENTO WANDERLEY

 Por Antônio Corrêa Sobrinho

O assassinato do juiz de direito do município de Triunfo, em Pernambuco, em dezembro de 1923, Dr. ULYSSES ELÍSIO DO NASCIMENTO WANDERLEY, foi, à época, amplamente noticiado na imprensa nacional. Sobre o qual, nesta minha diletante pesquisa, trago, para conhecimento e satisfação dos que fazem este temático grupo, o que relataram os jornais pernambucanos: Jornal do Recife, Diário de Pernambuco, A Província, Pequeno Jornal; e os diários editados na Capital Federal, Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Jornal e A Noite.

Observo que formatei este trabalho, trazendo a íntegra da descrição do Jornal do Recife e, entre colchetes, de modo complementar e para fins confirmatório, os informes trazidos pelos sobreditos diários.

HECATOMBE EM TRIUNFO

Jornal do Recife

CONSEQUÊNCIAS DE UMA POLÍTICA DE ÓDIOS E PAIXÕES – TIROTEIO E MORTES – NOTAS

Para empanar o brilho das festividades que deveriam ser realizadas em Triunfo, em solenização à passagem do ano, festividades que se realizaram em todo o Estado e quiçá no Brasil, enchendo de satisfação o nosso povo, na noite de anteontem para ontem, irrompeu naquele município pernambucano uma sangrenta tragédia, que, pela raridade das comunicações telegráficas, não sabemos que origem teve.

No entretanto, há muito que se esperava tão lutuoso acontecimento, pelo aspecto terrível da política local, mais a mais intrincada pela dissidência e competições de seus prosélitos.

Desde que subiu à curul da prefeitura municipal de Triunfo o cônego Leal, várias correntes que não olhavam com bons olhos a política mantenedora de sua candidatura, desde logo se mostraram aguerridas à administração daquele candidato

Eleito, o cônego Leal assumiu o governo municipal, em meio às mais sérias apreensões, tendo o braço forte do Dr. Ulisses Wanderley, juiz de direito da aludida comarca.

Acirrados os ânimos nessa luta partidária, de paixões e ódios que foram sempre o apanágio dos políticos de Triunfo, dia a dia se condensava a odiosidade das partes beligerantes, esperando-se, a cada hora, o despacho, que, anteontem, teve o seu momento fatal.

Hostes levantinas lograram efetivar o encontro e, num intenso propagar de paixões baixas e soezes, investiram contra a ordem e a legalidade, ensanguentando o solo triunfense com o horror de uma hecatombe.

Ao que sabemos, nesse encontro morreu o Dr. Ulisses Wanderley, e foram gravemente feridos numerosas pessoas de responsabilidade, entre as quais o Sr. Temístocles Leal, irmão do cônego Leal, prefeito de Triunfo. Jornal do Recife

[Terminou bem tristemente o ano de 1923 com os sangrentos sucessos de Triunfo.

Ontem, logo às primeiras horas da manhã, entraram de circular boatos de graves ocorrências na próspera cidade sertaneja, em consequência das quais ter-se-ia verificado a morte de diversas pessoas, entre outras, do juiz de direito da comarca doutor Ulisses Wanderley.

A triste notícia teve infelizmente confirmação.

Anteontem, às 22 horas, aquele magistrado, em companhia de sua família e amigos, assistia uma sessão de cinema quando um grupo de indivíduos armados invadiu o estabelecimento onde se realizada o espetáculo, provocando sério conflito.

Findo este notou-se estar gravemente ferido, com diversas punhaladas, o doutor Ulisses Wanderley que faleceu poucos minutos após, tendo ainda recebido ferimentos o Sr. Temístocles Leal, irmão do cônego José Leal, prefeito daquele município, e outras pessoas.

Um indivíduo de nome Januário que fazia parte do grupo assaltante morreu também em consequência de tiros recebidos no conflito. Diário de Pernambuco].

[O destacamento daquele município, antes do desenrolar desses sucessos, compunha-se de 26 praças. A Província].

[RECIFE, 31 (A) – Telegrama aqui recebido de Triunfo diz que às 22 horas do dia 30, naquele município, houve uma calorosa discussão no cinema local, estabelecendo-se um grande conflito, do qual resultou a morte do Dr. Ulysses Wanderley, juiz de direito, e de Januário Ribeiro, saindo gravemente feridos Marcolino Filho, Temístocles Leal, chofer de Marcolino, e o comandante Isaias de Medeiros.

O governo, ao ter ciência dessa grave ocorrência, providenciou a fim de apurar as responsabilidades. O Jornal].

[Às 10 horas da noite de ontem, o Dr. Ulysses Wanderley, juiz de direito daquela comarca, achava-se em uma casa de diversões, quando chegou ao seu encontro um grupo armado, assassinando-o a punhal.

Travou-se então grande conflito, saindo gravemente ferido o cunhado do juiz, Temístocles Leal, irmão do cônego Leal, prefeito do município.

Também saíram feridos o indivíduo Marcolino de tal e outros do grupo assaltante. Reina grande pânico na cidade.

O Exmo. Dr. Governador, de posse dessas informações, teve longa e reservada conferência em seu gabinete com o desembargador chefe de polícia, comandante da Força Pública, procurador geral do Estado, tomando as necessárias providências.

Após acertadas as primeiras medidas, o governador exonerou o delegado de Triunfo, tenente-coronel Quintino de Lemos, nomeando para substitui-lo o tenente Pedro Malta, que se transportará para aquele município amanhã, pela madrugada, em trem especial.

O tenente Malta irá acompanhado de numerosa força, a fim de restabelecer a ordem.

O Dr. Sergio Loreto nomeou ainda o Dr. Agricio Brasil, juiz de direito de Quipapá, e o Dr. Euclides Ferraz, para procederem inquérito a respeito. – Pequeno Jornal].

[RECIFE, 31 (Serviço especial da A NOITE, pelo cabo submarino) – A cidade de Triunfo, onde, já, certa vez, houve gravíssima perturbação da ordem por motivos políticos, voltou, hoje, à evidência por uma verdadeira reedição daqueles acontecimentos.

Não se conhecem ainda os motivos principais, constando que se prendem ao partidarismo extremado os lutuosíssimos fatos ali, agora, desenrolados. Com segurança, porém, quanto à origem, nada é lícito afirmar.

As comunicações aqui renhidas adiantam que, depois de um conflito cuja extensão é igualmente ignorada, o juiz de direito da comarca, Dr. Ulysses Wanderley, caiu, assassinado. A Noite].

[“TRIUNFO, 31 (Transmitido às 10 e meia da manhã). Ontem dez horas noite tendo Marcolino Diniz vindo assistir festas aqui encontrou-se Dr. Ulisses Wanderley, que travou com Marcolino calorosa discussão tendo Dr. Ulysses vibrado forte bengalada Marcolino. Travada grade luta faleceram Ulysses Wanderley, Januário Ribeiro, companheiro de Marcolino, saindo gravemente feridos Marcolino Diniz, o chofer de Marcolino e Temístocles Leal, e levemente ferido Isaías Medeiros. Coronel Quintino de Lemos tomou necessárias providências. Laurindo Diniz ”. A Província].

[“TRIUNFO, 31 (Transmitido às 10 e meia da manhã). Ontem dez horas noite tendo Marcolino Diniz vindo assistir festas aqui encontrou-se Dr. Ulisses Wanderley, que travou com Marcolino calorosa discussão tendo Dr. Ulysses vibrado forte bengalada Marcolino. Travada grade luta faleceram Ulysses Wanderley, Januário Ribeiro, companheiro de Marcolino, saindo gravemente feridos Marcolino Diniz, o chofer de Marcolino e Temístocles Leal, e levemente ferido Isaías Medeiros. Saudações. – João Cordeiro, Carolino Campos”.

Eis aí mais um fruto dessa política rotulada de “paz e trabalho”, tão apregoada e que, de fato, só tem sido de desarmonia e sangue. A Província].

[... Agora, depois dessa série abominável de crimes, vem o caso de Triunfo – cidade pernambucana, onde se repetem as incursões dos cangaceiros do deputado José Pereira Lima. Aí, o prefeito de Princesa, Marcolino Diniz, cunhado do deputado Pereira Lima, acompanhado de vários celerados, assassinou a tiros e a faca o juiz de direito de Triunfo, Dr. Ulysses Wanderley. O fato prende-se a um caso anterior, ocorrido quando era governador de Pernambuco o doutor Borba: o chefe político de Triunfo, coronel Deodato, incorreu no desagrado dos Pessoa de Queiroz, sobrinhos do Sr. Epitácio, sendo logo dadas ordens ao deputado Pereira Lima para o assassínio do mesmo senhor, o que não tardou em ser cumprido. De Princesa saiu um numeroso grupo de cangaceiros, e Deodato, atacado a tiros, sucumbiu, juntamente com alguns amigos que o defenderam na ocasião.

Esses horripilantes crimes constituem, por assim dizer, o programa político da gente do Sr. Epitácio.

Basta ver o que a respeito desse hediondo crime de Triunfo diz a folha oficial do governo, A União, noticiando-o, em sua edição de 5 de janeiro presente:

“O fato desenrolou-se por ocasião de uma festividade pública, sendo de lamentar as suas consequências, PELA CIRCUNSTÂNCIA (só por isso!!!) DE SER O CORONEL MARCOLINO DINIZ UMA PESSOA DE RECONHECIDA ESTIMA E ESPÍRITO ORDEIRO, O QUAL DESFRUTA CONSIDERÁVEIS SIMPATIAS EM TODO O SERTÃO.” (Eis a moral política do epitacismo paraibano...). Correio da Manhã].

Avante na sua faina de morte e destruição, os assassinos tirotearam a granel o próspero município, implantando o terror, a viuvez e orfandade nos lares.

Ontem pela manhã, teve notícia telegráfica da triste ocorrência o Exmo. Sr. Dr. Sérgio Loreto, o governador do Estado, que logo conferenciou com o desembargador Silva Rego, chefe de polícia e coronel João Nunes, comandante da Força pública, iniciando as providências que o caso requeria.

Por ato de ontem o senhor governador nomeou o doutor Agricio Brasil, juiz de direito de Quipapá, para presidir o inquérito, e o doutor Euclides Ferraz, promotor público de Floresta, para, em comissão, acompanhar o processo e formação da culpa.

Ainda pelo excelentíssimo senhor, doutor governador do Estado foi exonerado do cargo de delegado de polícia de Triunfo o tenente coronel Antonio Quintino de Lemos é nomeado para delegado especial do governo em Triunfo o tenente Pedro Malta, delegado de Olinda.

Para aquele município seguiu ontem, em trem especial da Great Western, o tenente Pedro Malta, que se fez acompanhar de um pelotão da Força Pública composto de 70 praças.

Estivemos em a residência do Dr. Felinto Wanderley, [conhecido clínico aqui residente. Diário de Pernambuco] irmão do Dr. Ulisses Wanderley, S. S. mostrava-se profundamente abalado, sendo o seu estado bastante agitado.

Em sua companhia encontramos vários amigos que foram à sua residência apresentar os seus sentimentos pelo doloroso fato.

O doutor Felinto mostrou-nos os seguintes despachos, telegráficos que havia recebido de Triunfo, ontem, pela manhã: Triunfo, 31 – Marcolino acompanhado grupo, ontem, noite, assassinou barbaramente Ulisses. Temístocles e Marcolino gravemente feridos.

Já telegrafei governador pedindo providências.

(a) Cônego Leal.

Felinto Wanderley – Triunfo 31 – Criminosos, morto um feridos dois – Luiz.

O doutor Ulisses Wanderley era juiz de direito de Triunfo, desde o governo do Dr. Manoel Borba, quando se submetera a concurso, tendo conquistados o primeiro lugar.

Antes, porém, havia sido juiz municipal de Afogados de Ingazeiras e Triunfo, respectivamente.

Contava 40 anos, formou-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1904.

Era filho do saudoso Sr. Olímpio Elísio Wanderley.

Casado com dona Elisa Leal Wanderley, irmã do cônego José Leal, atual prefeito de Triunfo, deixa o saudoso 5 filhos menores.

[O Dr. Ulisses Wanderley era um magistrado inteligente e estudioso, tendo uma obra publicada sobre assuntos forenses, e vários artigos na imprensa.

Formado em 1904 pela nossa Faculdade de Direito ocupara os cargos de juiz municipal de Afogados de Ingazeira e Triunfo, para cuja comarca, tendo feito brilhante concurso, fora nomeado juiz de direito no governo do Dr. Manoel Borba].

O fato covarde ocorreu anteontem às primeiras horas da noite na ocasião em que todos se entregavam ao festivo novenário que ali se realizava, momentos depois da chegada do cônego José Leal, que procedera de Recife, onde veio se entender com o governador e pedir providencias ao mesmo sobre as ameaças de morte que vinham sendo feitas pelos chefes da política em oposição, ali.

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O chefe do grupo que assassinou o doutor Ulisses Wanderley é ali conhecido; é filho do Sr. Marçal Florentino Diniz e sobrinho do Sr. Laurentino Luiz, ex-prefeito de Triunfo.

Marcolino vive em Cajazeira, fazendo constantemente a travessia de Princesa a Triunfo.

O assassino é ainda cunhado do coronel José Pereira, de Princesa.

A família do Dr. Felinto Wanderley é unânime em acreditar que o assassinato do Dr. Ulisses Wanderley foi motivado por dissidência política, pois há tempos a vítima vem sofrendo mesquinha oposição por não obedecer às ordens da corrente que queria a todo transe dominar Triunfo pelo terror.

O Dr. Ulisses era grandemente estimado pelo seu modo sereno de agir, procedendo sempre como um verdadeiro juiz.

Lamentando o fato, que veio enlutar uma grande família pernambucana, compungindo as almas daqueles que privavam da amizade do chorado extinto, levamos à família Wanderley os nossos pêsames pelo fatal acontecimento.

Que as providências tomadas ponham termo a essas lutas fratricidas são os votos que fazemos.

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Na palestra, embora ligeira, que tivemos com o Dr. Felinto Wanderley, S. S. não podendo esconder a sua grande dor de irmão, deixou-nos compreender que a sua família atribui a responsabilidade intelectual do bárbaro assassinato a uma pessoa de importância, residente nesta cidade, a qual, há muito tempo, não calava a sua animosidade contra o Dr. Ulisses Wanderley, por ter este reagido sempre contra absurdos e outros processos políticos agitados em Triunfo.

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Do Palácio do Governo recebemos a seguinte nota:

O Governador do Estado, tendo em vista o que dispõe o artigo 122 da Constituição do Estado e as informações recebidas da cidade de Triunfo após o assassinato do juiz de direito, bacharel Ulisses Elísio do Nascimento Wanderley, ali ocorrido ontem, resolve determinar que o juiz de direito da comarca de Quipapá, bacharel Agricio Gonçalves da Silva Brasil, se passa temporariamente para aquela comarca e ali proceda a rigoroso inquérito, formação da culpa até pronuncia inclusive dos responsáveis pelo referido crime, bem assim designa o promotor público da comarca de Floresta, bacharel Euclides Ferraz, para promover os termos da acusação penal, de acordo com o artigo segundo da Lei nº 1.098, de 30 de junho de 1911, e Ancilon Ferraz para servir como escrivão ao referido inquérito.

[A propósito dos lutuosos acontecimentos desenrolados em Triunfo, Pernambuco, e dos quais veio a resultar a morte do Dr. Ulisses Wanderley, juiz de direito daquela comarca, o Dr. Solidonio Leite, líder da bancada pernambucana na Câmara, recebeu do Dr. Sergio Loreto, Governador daquele Estado, o seguinte telegrama, datado de ontem:

“Dr. Solidonio Leite. Rio – Acabo de receber telegrama de Triunfo, comunicando grave perturbação da ordem ali, sendo assassinado o juiz de direito e feridas gravemente diversas pessoas que tomaram parte no conflito. Imediatamente fiz seguir para ali diversos contingentes da Força Policial e nomeei novo delegado militar, que seguiu hoje em trem especial, levando reforços. Nomeei, também, juiz de direito, promotor e escrivão em comissão, para fazerem o inquérito e a formação da culpa dos criminosos, nos termos da Constituição. Afetuosas saudações. (a) Sergio Loreto.” Jornal do Brasil].

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Imagens publicadas pelo Jornal do Recife, do infausto Dr. Ulysses Wanderley e dos seus cinco filhos, com as seguintes descrições:

*Juiz de direito da comarca de Triunfo, covardemente assassinado a punhaladas, anteontem, no município acima, quando assistia a uma festividade religiosa.

*Filhinhos do doutor Ulysses Wanderley, que foi, anteontem, vítima de covarde atentado, pagando com a vida a impretensidade de seu caráter de magistrado.

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