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domingo, 30 de maio de 2021

CAFÉ TORRADO E OUTRAS SAUDADES

 *Rangel Alves da Costa

Tudo lembra sertão. Café torrado, sinos, cuscuz, quintais, varais, rosários e terços, oratórios e imagens santas por cima das banquinhas. Fitas do Padim Ciço, flores de plástico envelhecidas em jarro, retratos antigos nas paredes.

Tudo lembra sertão. Não este sertão de agora, de modismos e negações das raízes e da história, de desvalorização dos bons costumes e dos respeitos que conduziam as vidas em comunidade.

Aquele sertão antigo mesmo, o sertão do carro-de-bois, do autêntico vaqueiro, do roceiro e do mateiro, do caçador e das valorosas mãos das parteiras. Seu João Retratista, chegado diretamente da alagoana Pão de Açúcar para a Festa de Agosto, testemunhava em preto e branco aquelas roupas de chita, as calças boca-de-sino, as camisas finas de volta-ao-mundo.

Pano enfestado não faltava. As irmãs Marques, Izabel, Mãezinha e Conceição de Timbé, todas enfeitando o povo para as festanças, para os forrós com Zé Goiti, Zé Aleixo, Dudu Ribeiro, Agenor da Barra, e tantos outros.

Tinha forró comendo no centro, mas com um medo danado que Zé Valentim aparecesse no meio do salão transformado no rato maior do mundo. Ainda assim Zelito, pandeirista, zabumbeiro e cantador de Zé Aleixo, entoava para o prazer dos corpos suados e cheirando a pinga de balcão: “Ai eu não posso ver ninguém chorar, porque vem logo uma vontade em mim. Quem foi que disse que não chora por amor, pois os meus olhos já chegaram ao fim...”.

A noite virava e os chinelos continuavam chinelando pelos salões forrozeiros. Miltinho ainda nem pensava em abrir um bar e depois transformar no salão forrozeiro mais famoso da cidade, quando o toque das sanfonas já ecoava no Salão da Prefeitura e no Bar de Delino, dentre outros locais.

Se o sapato estava velho, desgastado ou com aparência não muito boa, não havia problema. Era época de Manezinho Tem-Tem aparecer na cidade e passar de porta em porta pergunta quem desejava que ele fizesse milagres com sua caixa de engraxate. Expedito, o doido agalegado, não perdia uma festa. Parecia um tição de fogo quando estava enraivecido com a rapaziada.

Depois, os mais jovens passaram a ter a opção dos bailes dançantes, principalmente no Mercado Municipal. R Som 7, Dissonantes, Impacto Som, Embalo D, dentre outras bandas e conjuntos musicais. Eram noites inesquecíveis, dançando agarradinhos, sob chuva de luzes, ao som de My Mistake e outros sucessos: “There was a place that, i lived and a girl so young and fair, i have seen many things in my life…”.

Como havia escuridão por todos os lados, então a rapaziada sumia pelos cantos e becos e ia namorar e fazer safadeza nos escondidos. Um sertão muito diferente, nostálgico, bucólico, simples, porém grandioso em sua essência. Maria passando com pote na cabeça em direção ao tanquinho.

Ao redor do Tanque Velho, as comadres dando conta da vida dos outros enquanto esfregavam panelas. De repente, o medo que a vaca de careta, correndo desembestada pelo meio da rua, entrasse por qualquer porta. E entrava mesmo. Ao entardecer, o cheiro oloroso, saboroso, forte, gostoso, do café torrado. Filas eram formadas na porta de Dona Lídia em busca de um tiquinho de seu famoso café.

E logo os sinos dobravam na igreja. Hoje não, mas antigamente a noite chegava sempre abençoada pelos sinos. Eram instantes de fé, de devoção sertaneja, de abnegação ao sagrado. A noite ia avançando entre os proseados nas calçadas e os abraços da brisa boa. As mocinhas nas janelas, apenas sonhando com seus príncipes encantados. Pelas ruas nuas, de pouco movimento, a criançada brincando de roda, as mãos em ciranda e a pureza nos corações.

Com a réstia de qualquer luz, as mãos da meninada transformavam as paredes em verdadeiro cinema. Outros preferiam brincar de pega-de-boi em plena escuridão. Um menino era escolhido como boi, e então corria para se esconder. Não demorava muito e o restante saía em disparada atrás do bicho fogoso.

Assim era a vida. Assim nos sertões de antigamente.

 
Escritor
blograngel-sertão.blogspot.com


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CARIRI CANGAÇO PERSONALIDADE TRAZ VICTOR SAMUEL DA PONTE E A MUSICA NORDESTINA

Por Manoel Severo

 

Nesta segunda, dia 31/05 /21 ás 20h uma conversa pra lá de especial sobre a influência da musica nordestina nos destinos da música brasileira, com o pesquisador Victor Samuel da Ponte, imperdível. Ao vivo no Instagram do Cariri Cangaço, vem com a gente, segue lá: @cariricangaço

CARIRI CANGAÇO PERSONALIDADE

VICTOR SAMUEL DA PONTE

AO VIVO, 20H NO INSTAGRAM DO CARIRI CANGAÇO

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/05/cariri-cangaco-personalidade-traz.html

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SANTANA CIDADE

 Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.543



 

Santana do Ipanema foi elevada à cidade em 31.5.1921, através da Lei N. 893. Governava o estado de Alagoas, interinamente, o padre e ex-intendente de Santana Manoel Capitulino de Carvalho, e que no momento era senador.

Santana do Ipanema, já estava completamente preparada para virar cidade. Tinha igreja, Cadeia, Correios, Escola, banda de música, coletoria, calçamento, iluminação pública através de lampiões de óleo de baleia e sobradões que atestavam o prestigio de vila em franco desenvolvimento.

 Naquela ocasião, a grande novidade foi a chegada da luz elétrica através de força motriz. Houve um convênio entre um grupo de investidores e prefeitura e foi criada a Empresa de Força e Luz que a princípio funcionou com seu grande motor alemão à Rua Barão do Rio Branco. Depois foi construído o prédio em que hoje funciona a Câmara de Vereadores para atuar com a parte técnica e administrativa da Empresa. Um ano após a emancipação, Santana do Ipanema iniciou o fornecimento dessa modalidade de luz. Era a gestão de Manoel dos Santos Leite.

Postes de madeira distribuídos pela cidade nova, recebiam energia do escurecer à meia-noite. Bem perto das 24 horas, usuários recebiam o sinal que o tempo estava se esgotando: três piscadelas apagam/acendem.

Esse sistema elétrico, durou até o ano de 1959, quando o motor, já bastante maltratado foi à exaustão.

Assim, Santana do Ipanema passou quatro anos no escuro e só veio gozar da eletricidade total bem adiante, após muitas mobilizações da sociedade. Até mesmo desfiles noturnos com velas e lanternas invadiram as ruas de Santana. Foi criada a rádio clandestina Candeeiro que em todos os dias bradava a fúria do povo santanense por falta da luz. A população somente foi atendida em 1963, com energia de Paulo Afonso (BA). Governava Alagoas o major Luiz Cavalcante, como interventor.

Quanto a água encanada só veio chegar em Santana do Ipanema no ano de 1966 captada no rio São Francisco em Belo Monte. Daí em diante, todos os ventos sopraram em seu favor e a cidade Rainha do Sertão confirmava  o seu favoritismo em ser o polo do semiárido alagoano. Já foi chamada “Terra dos Carros de Boi” e Terra do Feijão.

Orgulho em ser santanense!!!

S ANTANA CIDADE (FOTO: B. CHAGAS).

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DOCUMENTÁRIO LUIZ GONZAGA - VIDA, MÚSICA E CONQUISTAS - TV ASSEMBLEIA CEARÁ

 Por TV ASSEMBLEIA CEARÁ

https://www.youtube.com/watch?v=4R5HG-d-uIk&ab_channel=TVAssembleiaCearaTVAssembleiaCeara

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TV UNIGRANDE - Destaque - Aderbal Nogueira

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=OjZVKBtoyLw&ab_channel=UNIGRANDE-CENTROUNIVERSIT%C3%81RIO

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17 ENTREVISTAS RARAS COM EX CANGACEIROS

 Por Nossa História em imagens

https://www.youtube.com/watch?v=whNd0dzPLps&ab_channel=NossaHistoriaemimagensNossaHistoriaemimagens

17 entrevistas com ex Cangaceiros feitas entre 1964 a 2007 com Adilia, Dadá, barreira, Deus te Guie, Balão, Criança, Dulce, Saracura, Angelo Roque, Sila, Zé Sereno, volta Seca, Vinte Cinco, Aristeia, Otilia, Durvinha e Moreno. AJUDE NOSSO PEQUENO CANAL A CRESCER E PRODUZIR MAIS CONTEÚDO COM MAIS QUALIDADE. ACESSE O LINK E FAÇA SUA DOAÇÃO https://www.paypal.com/donate?hosted_

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VÍDEO..! 50 FOTOS DE EX-CANGACEIROS, APÓS A VIDA DO CANGAÇO... FONTE: YOUTUBE

Material do acervo do Volta Seca - Nossa Historia em imagens

https://www.youtube.com/watch?v=G0I0M9BlMys&ab_channel=NossaHistoriaemimagens

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LEANDRO BARRETO QUE TRANSPORTOU CORISCO E DADÁ BALEADOS.

 Material do acervo do José João Souza

Foto raríssima.

O motorista que transportou o corpo moribundo de Corisco e Dadá com o tornozelo dilacerado por um tiro, da fazenda Pacheco em Barro Alto via Capharnaum até Miguel Calmon, José Claudio Santos Filho vulgo Zé Cláudio em uma pose bastante inusitada, talvez fazendo referência as vestes dos cangaceiros, com bornal atravessado ao corpo, o chapéu de aba quebrada e uma vara na mão fazendo alusão a um rifle, composição bastante interessante, seria um sarcasmo ou apenas uma referência ao cangaço?!

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1656141404594797%2C1655918671283737%2C1655913907950880%2C1655765647965706%2C1654933288048942&notif_id=1622221008529488&notif_t=group_activity&ref=notif

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CHEGADA DE LAMPIÃO NO GRUPO DE SINHÔ PEREIRA

Em1920, os irmãos Ferreira, ou Virgulino, Antônio e Livino, além de 4 cabras (Antônio Rosa, Primo, Meia Noite e João Mariano), procuram Sinhô Pereira na Passagem do Brejo, em uma das margens do Pajeú e ficam fazendo parte do seu grupo. Vinha de tempos anteriores a amizade entre as duas famílias. A mãe de Virgulino era afilhada de batismo de Manuel da Passagem do Meio (pai de Sebastião) e o velho Zé Ferreira era afilhado também de batismo, de Manuel Pereira da Silva Jacobina (irmão de Manuel da Passagem do Meio e pai de Luís Padre). No dia em que Lampião e seus irmãos entraram para o grupo de Sebastião Pereira, este para experimentá-los abarracou-se na fazenda da Carnaúba, do cel. Manuel Pereira Lins (pai do ex-deputado estadual Argemiro Pereira) e mandou um recado para o cap. José Caetano, que estacionava em Bom Nome, convidando-o para dar uma brigada. Estava com uns rapazes novos no grupo e precisava fazer um teste com eles. O capitão José Caetano foi recebendo o recado e mandando tocar a corneta, saindo no rumo da casa do cel. Manuel Pereira Lins com 40 "macacos". Na Carnaúba houve muito tiro, morrendo Luís Macário, um cabloco ao qual Sebastião estimava e este, com 13 homens, foi obrigado a abandonar a fazenda. O oficial tomou conta da casa, mandou dar sepultura ao morto e regressou a Bom Nome. Sebastião voltou em seguida à propriedade e não deixou que conduzissem a rede de seu amigo enquanto não lhe arranjasse um companheiro para o cemitério. Não podendo alcançar mais o capitão Zé Caetano, matou, na estrada, um pouco mais adiante, João Bezerra, pessoa entrelaçada com sua família e que nada tinha a ver com suas questões.

Em Vila Bela, 50 anos mais tarde, diria que "aquele" fora o único ato de loucura que praticou na vida e doía-lhe na alma a sua lembrança, tendo mesmo concorrido decisivamente para ele abandonar, para sempre (como fizera), o sertão e o Estado.

Do livro: VILA BELA, OS PEREIRAS E OUTRAS HOSTÓRIAS

De: Luís Wilson

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O MAIOR ESTRATEGISTA DO CANGAÇO NORDESTINO

Por José Mendes Pereira

O cangaceiro Lampião nos primeiros momentos de sua vida no Cangaço - https://tokdehistoria.com.br/2020/02/15/1921-os-primordios-da-saga-de-lampiao/

Lógico que eu não tenho nenhum tiquinho de conhecimento sobre economia, e nem tão pouco como caminha o Brasil em relação a valores, porque isso é assunto para economistas e pessoas instruídas em moedas, mas tentando satisfazer aos meus  id, ego e superego, percebo que Virgolino Ferreira da Silva, o famoso e sanguinário capitão Lampião, foi um dos cangaceiros que mais prejudicou a economia do nordeste brasileiro.

Antonio Silvino - http://omundocomoelee.blogspot.com/2013/08/antonio-silvino.html

O afamado cangaceiro conhecido como "rifle de ouro" Antonio Silvino foi o primeiro antes de Lampião, mas não fez tantas estripulias sangrentas quanto fez o vesgo, e nem invasões que ultrapassassem os seus limites como desordeiro do sertão do Brasil. Antonio Silvino usou o seu limite como bandido.

No tempo de Lampião os sertões e as cidades nordestinas viviam preocupados, porque temiam uma possível visita do facínora, e principalmente, quando se tinha notícia que ele e seus comandados estavam em determinada região de um dos sete Estados do nordeste, e aí, sofriam todas as classes sociais, sendo elas: camponeses, fazendeiros, indústrias, comércios, vilas, vilarejos, pequenas cidades, porque eram obrigados a fecharem as suas portas, temendo a visita do marginal e seu grupo a qualquer hora, e com os fechamentos das portas das atividades, a economia despencava de vez, só porque não se fabricava e nem se vendia nada. E assim, o dinheiro deixava de circular no meio da população, tanto sertaneja como das pequenas cidades.

Mas muitas autoridades policiais, judiciárias e municipais tiveram culpas, porque, além de apoiarem o velho guerreiro, algumas delas davam apoio total a grupos de cangaceiros que pertenciam ao próprio Lampião, fazendo com que o poder moral do comandante fosse respeitado nos lugares por onde ele passava.  E assim, o capitão fez vítimas causadas por pessoas que o apoiavam, quando deveriam ter evitado tantas mortes praticadas por ele.

Lampião não era um bandido qualquer, e sim, um bandido de fama nacional, e até mesmo internacional; um bandido que causava medo por onde passava. Um bandido dono de uma coleção de astúcias e crimes, e tudo que ele fazia de ruim, era bem calculado para não errar, contrário, seria vítima de si mesmo; e cada crime e astúcia praticados por ele, alguém estaria pronto para ser punido, com boas lapadas de chicotes, morte ou coisas semelhantes, iria ser assassinado com tiros a queima roupa, ou sangrado por punhal. Lampião era uma fera humana que metia medo a quem ficava à sua frente, e incomodava bastante a população sertaneja. Louco aquele que não desejava obedecê-lo, mas sabia que poderia pagar muito caro a sua desobediência na presença de Lampião. 

Mas segundo os remanescentes de Lampião, e um deles, o ex-cangaceiro Balão, afirmou que o facínora não castigava ninguém sem motivo. Toda conta que ele cobrava de alguém, de qualquer jeito, tinha sempre a procedência, e uma delas era a covardia. O capitão não sabia de jeito nenhum perdoar a falcidade. E ele estava certo.

Lampião e seu grupo de cangaceiros - https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49505229

Era nele que os seus comandados depositavam confiança. Sem o capitão Lampião à frente no comando de um combate, mesmo sendo um grande grupo de desordeiros, eles se consideravam como formigas sem formigueiro, ou uma colméia sem a sua abelha rainha. Para eles, Lampião era um protetor das suas vidas, muito embora, um Deus do mal, mas era, porque ele tinha as suas amizades com grandes pessoas que eram autoridades, e assim, ele conseguia bem o que queria, e o seu grupo se sentia mais ainda protegido.

Até os homens da lei que o procuravam nas caatingas para eliminá-lo, temiam que o capitão Lampião fizesse uso das suas astúcias e os matassem nas tocaias covardes. Mas a covardia entre perseguidos e perseguidores faz parte de qualquer combatente, seja ele qual for. O desejo de cada um, tanto cangaceiro como volante, é matar, mas não deve esquecer que, o risco que corre o pau, corre o machado. Ninguém está no meio de um combate pensando que é uma guerrilha de brincadeira. E para se salvar dos estilhaços de balas, é ter o cuidado de não se descuidar, porque se facilitar, será uma presa fácil para os inimigos, do contrário, cairá sem vida entre aquela caatinga desprotegida de proteções. Então, é cada um por si e Deus por todos.

Será que o velho cangaceiro nasceu mesmo para ser bandido, ou o destino o fez? Cada um de nós veio ao mundo para cumprir uma missão, e a dele foi mesmo ser bandido, Mas acho que Lampião e seus irmãos nasceram mesmo para fazerem vítimas por onde passavam.

Informação: Estes parágrafos que escrevi são apenas pensamentos meus, e de forma alguma, prejudicarão a literatura lampiônica e nem tão pouco os pesquisadores, escritores e cineastas. 

Ninguém é obrigado a concordar comigo, porque discordar faz parte de cada um estudioso do cangaço. E se acha que estou conversando coisa com coisa, tranquilo fico se entrar em oposição, me explicando a razão das minhas falhas sobre o que escrevi, só assim irei aprender mais sobre o cangaço. O estudo cangaceiro é livre para se opinar. Não para informar fatos que não aconteceram.

Jamais ficarei chateado se você leitor, ficar contra as minhas opiniões. Não podemos mentir sobre este tema tão importante, mas cada um de nós é dono do seu raciocínio e opinião que traga a verdade. Opine, caso queira, mesmo discordando da minha. 

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sábado, 29 de maio de 2021

MEU NETO JOÃO VICTOR

 Por José Mendes Pereira


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UMA NOVA PERSPECTIVA PARA HISTORIA: A TRILOGIA DE HONÓRIO DE MEDEIROS, CANGAÇO, PODER E CIÊNCIA

Por Gustavo Sobral 

Este trabalho é uma tentativa de leitura da trilogia de Honório de Medeiros. Trilogia que nasce com a publicação de Massilon, em 2010, perpassa a publicação de História de cangaceiros e coronéis, 2015, e tem o seu desfecho com a publicação de Jesuíno Brilhante, 2020

Honório de Medeiros propõe em sua obra um estudo histórico sobre o cangaço a partir das relações de poder, um estudo sobre as relações de poder e uma nova proposta para escrita da história ao considerar que a história deve ser entendida, escrita e explicada por uma perspectiva analítica e interpretativa.Como condição necessária para o trabalho de pesquisa, o autor apresenta uma revisão da literatura preexistente acerca do cangaço, propondo uma classificação em fases, tipos de estudos e tipos de autores, procurando situar nesse contexto a sua proposta de abordagem.

As fases, que trata por ondas, são três: a fase da produção dos fatos, quando se passaram os acontecimentos; a fase da coleta dos fatos, quando os fatos passam a ser registrados; e uma terceira fase, que deve ser a elaboração de teorias. Três também são os tipos de texto: os que fantasiam, os que narram e os que pensam. E considera também a presença de zonas de interseção: narrações que analisam; fantasias que narram etc.

Quanto aos autores, reconhece três grupos distintos: um grupo que reúne cantadores de viola, cordelistas, contadores de estórias, xilogravuristas e poetas; um grupo que nomeia de pesquisadores do cangaço, que são aqueles que se debruçam 192 sobre o tema; e o grupo que congrega os pesquisadores acadêmicos sediados nas universidades. A par desse contexto, elege, por sua vez, um caminho próprio de investigação que, considera, deve partir de uma leitura crítica das fontes, aplicando uma metodologia adequada e suportes teóricos condizentes. É essa a proposta que desenvolve na construção da sua trilogia, o que se pode albergar em cinco vertentes de abordagem distribuídas nos três volumes publicados.

A primeira vertente é o que se pode considerar estudos sobre os estudos, que seriam os trabalhos em que o autor expõe uma reflexão e uma visão crítica sobre os estudos existentes acerca do cangaço.No primeiro volume, Massilon, é possível identificar os seguintes textos nessa vertente: “Aplicação do método da ciência”; “O cangaço em nova onda”; “A nova onda do cangaço”. No segundo volume, História de Cangaceiros e Coronéis, os capítulos “Epifenômeno do cangaço”, “Tipos de textos sobre o cangaço” e “Sobre história e conhecimento escolar”.

Um segundo viés compreende estudos críticos mais aprofundados sobre as teorias e abordagens sobre o cangaço, quais sejam, a teoria do escudo ético, do estudioso Frederico Pernambucano de Melo — ensaio que integra o segundo volume, História de Cangaceiros e Coronéis —; e um estudo crítico sobre Câmara Cascudo e o cangaço, adendo a Jesuíno Brilhante, terceiro volume da série. O terceiro viés se volta para as biografias e os perfis de cangaceiros, coronéis e outras figuras históricas do contexto.

Uma quarta abordagem se detém aos episódios e a outros aspectos. Em episódios, o ataque de Lampião a Mossoró; em aspectos, podemos elencar o pacto dos governadores e o Rio Grande do Norte no tempo dos coronéis. A quinta perspectiva, que perpassa todas as anteriores, é o arcabouço metodológico e teórico. A metodologia adotada é plurimetodológica, voltada para uma diversidade de fontes de pesquisa, e envolve levantamento bibliográfico; pesquisa documental, que resulta do acesso a fontes documentais diversas; e pesquisa etnográfica, que é a pesquisa de campo, que alberga a coleta de depoimentos, realização de entrevistas e visita aos locais dos acontecimentos.

Honório de Medeiros, Bárbara e Manoel Severo

A pesquisa e o levantamento bibliográfico se concentram em livros: obras gerais de história do Rio Grande do Norte, trabalhos monográficos sobre cangaceiros, biografias, memória, genealogia e estudos teóricos no campo da ciência, filosofia, biologia, sociologia, direito, ciência política etc.; cordéis diversos, que contam a história de cangaceiros e seus feitos; e revistas e jornais de ontem e de hoje. Documentos diversos, compreendendo certidões de batismo e de óbito, inventários; peças jurídicas, como processos, representações, denúncias, pareceres, relatórios; cartas pessoais e cartas abertas (publicadas em jornais). Todos são fontes exploradas e, em sua maioria, reproduzidas a título de citação, adendo ou anexo.

Depoimentos, entrevistas e o “Diário de Viagem” — quarta parte do volume Massilon —, que relata o percurso da pesquisa de campo. Há também toda uma preocupação em documentar o trabalho de pesquisa em notas de referência, aditivas e explicativas, em rodapé e/ou ao final de cada volume, referendando as fontes pesquisadas, os depoimentos colhidos e as entrevistas realizadas.

A título de anexo, o autor cuida da reprodução de documentos, seja em fac-símile, seja transcrito. Também há a menção, ao final de cada volume, das fontes bibliográficas consultadas. A par de todo esse suporte metodológico, Honório de Medeiros desenvolve a sua teoria, o alicerce para observar e compreender o fenômeno do cangaço e o estudo das relações de 194 poder, e o faz ao apresentar os dados coletados, a análise e a interpretação, refutando hipóteses consagradas pela historiografia e propondo um novo olhar para a história.

Convite de lançamento de Massilon, de Honório de Medeiros no Cariri Cangaço

A invasão de Lampião a Mossoró ganha uma nova proposta de análise que considera as relações de poder e interesse dos coronéis e refuta as premissas postas, construindo um novo paradigma para entender a história. O mesmo acontece ao observar o pacto dos governadores como decorrência dessa relação de poder; e não é diferente quando se debruça sobre a dualidade “cangaceiro, herói ou bandido?” Honório de Medeiros não se julga fiel da balança ou solucionador de questões históricas, mas apresenta prismas analíticos e interpretativos se fiando na base plurimetodológica que adota.

A sua tentativa de biografar Massilon esbarra em uma série de dificuldades oriundas dos desencontros e conflitos de informação que permeiam os textos sobre o cangaço e, também, na ausência de dados.O nome é a primeira verdade a encontrar para contar Massilon. Com tantos nomes possíveis e pistas, Honório de Medeiros se encontra diante de um baralho embaralhado: Benevides, Massilon Leite, Massilon Diógenes, Antonio Leite? Uma figura e tantos nomes, qual seria?

O pesquisador é aquele que sabe aonde deve ir. E Honório de Medeiros vai em busca dos registros de nascimento e batismo e nada encontra, até que uma pista o leva ao inventário do pai do cangaceiro e lá está o verdadeiro nome de Massilon: Macilon Leite de Oliveira. Mas não se dá por satisfeito, pois sabe que pesquisar é entender as circunstâncias das fontes, e se faz a pergunta que deixa também para o leitor: como saber se o escrivão não se enganou? Honório de Medeiros entende que encontrar uma possível resposta não é dirimir uma dúvida. Assim, o autor também revela mais uma faceta do seu trabalho: um projeto de como se deve construir a história.

Honório de Medeiros é aquele que compreende que fazer história é não se contentar com o que está posto e, dessa forma, parte numa viagem em busca de novas fontes, que alimentam novas versões da história, ciente de que só a par de todas elas, é possível analisar e interpretar. O pesquisador é também, para Honório de Medeiros, aquele que reconhece a ausência de fontes de pesquisa e que desconfia, compara, checa e confronta todos os fatos. A construção de Massilon, a biografia, obedece a uma forma de apresentação sistemática que nasce da divisão lógica do autor para a exposição do tema. A primeira parte é dedicada ao motivo (capítulo “A busca por Massilon”) e ao contexto (capítulo “O Rio Grande do Norte e Sertão”). A segunda parte se volta para a descoberta e a revelação do biografado: como se chamava, onde e quando nasceu, quais eram as suas feições — e nesse quesito há toda uma investigação para identificar e recuperar a presença de Massilon em uma fotografia, desvendando, assim, o único retrato possível do cangaceiro. Além disso, o autor aborda temperamento, fatos da vida, registros outros e, por fim, o fim, a morte do biografado.

Outro não é o percurso que promove ao biografar Jesuíno Brilhante, tanto nos capítulos que lhe dedica na primeira parte de História de Cangaceiros e de Coronéis, quanto, cinco anos depois, no terceiro e último volume da trilogia, dedicado à história de Jesuíno Brilhante e ao aprofundamento da tese. O ataque de Lampião a Mossoró também ganha contorno em História de Cangaceiros e de Coronéis, seguindo o mesmo caminho de explanação, passo a passo. Honório de Medeiros introduz, apresenta e passa a considerar as hipóteses e os envolvidos, cangaceiros e coronéis, e chega ao campo de análise para, então, propor a sua própria tese para leitura e intepretação.Para tanto, o autor trabalha a construção dos conceitos. É pelo capítulo “Do conceito de cangaço”, na terceira parte do volume Massilon, que ele começa contrapondo as definições de cangaço e de banditismo.

Importante nessa conceituação é a definição de Cascudo: “para o sertanejo [cangaço] é o preparo, carrego, aviamento, parafernália do cangaceiro, inseparável e característica, armas, munições, bornais, bisacos com suprimentos, balas, alimentos secos, mezinhas tradicionais, uma muda de roupa, etc.” E também estabelece confrontos.Honório de Medeiros refuta a concepção de bandido social proposta pelo historiador Eric Hobsbawm. E vai mais longe: é impossível conceituar e explicar o cangaço em razão das condições geográficas, sociais, econômicas etc.

Caldeirão que Honório de Medeiros resumirá como “hipóteses do ambiente social” no seu “Esboço de conclusão”, capítulo de Jesuíno Brilhante. Essa redução é simplista, considera, e não abarca toda a complexidade e singularidade do fenômeno. Em Jesuíno Brilhante, o autor considera novos aportes para a construção do conceito de cangaceiro, levando em consideração que seriam figuras entre a santidade e o banditismo. E sustenta que a teoria do escudo ético, de Frederico Pernambucano de Mello, não é uma leitura que se aplica exclusivamente ao cangaço, e sim ao banditismo de forma geral. Pernambucano teria partido, considera Honório de Medeiros, da noção de fator moral apresentada por Câmara Cascudo em Vaqueiros e Cantadores, que, por sua vez, teria bebido na fonte de Felipe Guerra, em Ainda o Nordeste.

Tanto a noção de escudo ético quanto a noção de fator moral consideram a justificativa moral do cangaceiro para aderir ao cangaço como fator determinante, hipótese que Honório de Medeiros propõe que possa ser substituída por uma teoria mais abrangente. Já no estudo que empreende acerca de Câmara Cascudo e o cangaço — adendo do volume Jesuíno Brilhante —, investiga a construção e o molde do pensamento cascudiano acerca do tema. A perspectiva da ânsia de grandeza e impulso à revolta pessoal, que serve para pensar o cangaço, lerá em Bertrand Russell; como colherá em Albert Camus a noção de homem revoltado, que é aquele que, inconformado, reage, para então propor a leitura da figura do cangaceiro a partir da noção de outsider proposta por Howard S. Becker e Norbert Elias.

O outsider é o transgressor, o desviante, o excêntrico que não espera viver com as regras estipuladas pelo grupo. Dessa maneira, Honório de Medeiros propõe entender a figura do cangaceiro pelo prisma do inconformismo. Compreender, e não julgar, alerta o autor. E, assim, vai chegar ao conceito de cangaceirismo: é a história dos inconformados, revoltados, outsiders. Outro conceito macro é o conceito de coronelismo, que está atrelado a uma compreensão da estrutura de poder feudal no Brasil monárquico e republicano. Honório de Medeiros se valerá do conceito de coronelismo traçado por Raymundo Faoro em Os Donos do Poder.

Seria o coronelismo aquela mesma estrutura de poder que se verifica na Europa feudal, um mundo de senhores arbitrários, cuja vontade era a lei, associados ao clero, proprietários de terras e do subjugo dos homens. O coronelismo é, portanto, uma forma de exercício do poder. Outros aportes sustentam a construção do seu pensamento teórico. Honório de Medeiros parte da ciência por uma perspectiva ampla e transdisciplinar como caminho possível. O autor considera o racionalismo crítico do filósofo britânico Karl Popper para construir uma abordagem científica e aplica as regras do método científico para propor uma lógica das informações como forma de validar ou não as hipóteses e, assim, escrever a história.

Gustavo Sobral; escritor, jornalista, ensaísta.

O autor também vai se valer da noção de campo social do sociólogo francês Pierre de Bourdieu, que compreende a realidade como uma malha aberta, cujos pontos de interseção, os atratores sociais, congregam fatos e ações semelhantes, formando uma malha social, ou seja, um campo. Essa compreensão de campo social lhe permite observar cangaço e coronelismo como fenômenos do mesmo campo social, o campo social do poder. Ao considerar o cangaço um fenômeno social, Honório de Medeiros parte do postulado do cientista político, sociólogo e antropólogo francês Émile Durkheim, em As Regras do Método Sociológico, e equipara fato social a fato natural, ou seja, considera os fatos sociais como passíveis de teste, comprovação e validação.

O fenômeno, portanto, pode ser comprovado pelas suas leis de recorrência, e as hipóteses levantadas podem ser testadas. Dessa forma, considera Honório de Medeiros, os fatos são passíveis de serem testados para serem comprovados ou não. Outra contribuição importante no construto da sua proposta é a aplicação da teoria da evolução, do biólogo britânico Charles Darwin. Honório de Medeiros se apropria do darwinismo ao compreender o comportamento humano como uma evolução constante, uma busca pela sobrevivência e adaptação ao meio, e se aproxima da corrente da bio-história. No que tange ao estudo das relações de poder, o referencial é o cientista político, jurista e historiador italiano Gaetano Mosca e sua teoria de classe política. Mosca entende que um fenômeno não deve ser apenas estudado em sua forma concreta ou apenas nas suas manifestações formais. É preciso compreender a dinâmica que se esconde e sustenta as relações de poder e interesse e, assim, compreender que os grupos funcionam a partir dos seus interesses de poder. O cangaço, nessa leitura, apresenta-se como uma manifestação de poder e revolta dos excluídos.

É a partir dessa perspectiva e da junção dessas partes que o autor conecta cangaceiros e coronéis e estabelece o cangaço como resultado das relações de poder, e é assim que também escreve uma história do poder.Honório de Medeiros lança nos três volumes de sua trilogia, e em quase duas décadas de pensamento e reflexão, uma nova perspectiva teórica, metodológica e conceitual para a pesquisa e a escrita da história, abrindo as portas da história no Rio Grande do Norte, dos estudos sobre o cangaço e sobre as relações de poder, para uma nova perspectiva no século XXI.

GUSTAVO SOBRAL é jornalista e escritor. Publicou e organizou diversos livros, dentre os quais “As Memórias Alheias” e “Os Fundadores”.

Ensaio publicado na Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras Nº66, jan-mar, 2021, p.191-199. 

Fonte: http://honoriodemedeiros.blogspot.com/ - 11 de maio de 2021

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/05/uma-nova-perspectiva-para-historia.html?fbclid=IwAR0MX01_EGcmrfVbFNkKIqaDzL8dvP7ODsySPd_3D7kCqHMeCCKn8wadCjU

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CANGAÇO - LAMPIÃO NO POVOADO SANTO ANTÔNIO

 Por Aderbal Nogueira

João de Sousa Lima nos mostra o Povoado Campos Novos-BA, onde nasceu um filho de Lampião e Maria. Logo em seguida, a casa do coiteiro Cassiano, que prendeu o cangaceiro Passarinho e o levou para a prisão.

https://www.youtube.com/watch?v=zUpzxllAIKw

Para finalizar, o Sr. Argemiro narra os fatos que presenciou quando criança no Povoado Santo Antônio-BA, quando o bando de Lampião chegou à casa de seu pai. 

Fala dos apuros que a família passou, de delitos cometidos pelo grupo e também da famosa Seca de João Miguel, que ficou conhecida por esse nome porque o Capitão João Miguel quis, desastrosamente, despovoar o sertão. 

Link desse vídeo: https://youtu.be/zUpzxllAIKw

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UMA VISITA A KYDELMIR...

 Por Carlos Alberto

Na sexta-feira, 21/05, uma alegria ao visitar o amigo e confrade Kydelmir Dantas, com muita conversa sobre cordel, cangaço e HQ.

Obrigado por tudo...

https://www.facebook.com/photo?fbid=3506348489464927&set=a.730034257096378

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NAZARÉ DO PICO BRINCADEIRAS DE LAMPIÃO QUANDO CRIANÇA

 Por Nazaré, Terra de Valentes

https://www.youtube.com/watch?v=NHwZ8Wdtp1U&ab_channel=Nazar%C3%A9%2CTerradeValentes

Nazaré, Terra de Valentes

Formas como Virgulino, Levino e Antônio Ferreira brincavam quando eram criança. #caganço #lampião #cagaceiro

https://www.facebook.com/verluce.ferraz/posts/4358208217550677?notif_id=1622279768429531&notif_t=notify_me&ref=notif

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CASA DE MANOEL PEREIRA DA SILVA - NÉ PEREIRA

 Por Luiz Bento

Casa de Manoel Pereira da Silva, Né Pereira, primeiro Sub-Delegado do distrito Macapá atual JATI-Ce. Visitada por Lampião em março 1926.

https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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APARECIA NOS ERMOS FEITO UMA VISÃO DEMONÍACA...

"Concluídas as pesquisas nos arredores, e recolhidas as armas e munições de guerra, os jagunços reuniram os cadáveres que jaziam esparsos em vários pontos. Decapitaram-nos. Queimaram os corpos. Alinharam depois, nas duas bordas da estrada, as cabeças, regularmente espaçadas, fronteando-se, faces volvidas para o caminho. Por cima, nos arbustos marginais mais altos, dependuraram os restos de fardas, calças e dólmãs multicores, selins, cinturões, quepes de listras rubras, capotes, mantas, cantis e mochilas...

A caatinga mirrada e nua, apareceu repentinamente desabrochando numa florescência extravagantemente colorida no vermelho forte das divisas, no azul desmaiado dos dólmãs e nos brilhos vivos das chapas dos talins e estribos oscilantes...

Um pormenor doloroso completou essa encenação cruel: a uma banda avultava, empalado, erguido num galho seco, de angico, o corpo do coronel Tamarindo.

Era assombroso... Como um manequim terrivelmente lúgubre, o cadáver desaprumado, braços e pernas pendidos, oscilando à feição do vento no galho flexível e vergado, aparecia nos ermos feito uma visão demoníaca."

Euclides da Cunha , Os Sertões

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/05/aparecia-nos-ermos-feito-uma-visao.html

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CANGAÇO - O DESTINO CRUEL DO TENENTE GEMINIANO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=hqkwIKf81LE&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7oAderbalNogueira-Canga%C3%A7o

No ano de 2005 uma comitiva da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço fez uma visita ao Ten. João Gomes de Lira. Nessa época a internet ainda engatinhava e o YouTube ainda nem existia. O nosso intuito era única e exclusivamente registrar a história. O saudoso amigo Paulo Gastão fazia o que costumava fazer: ajudar a preservar e disseminar a história do sertão. E o nazareno João Gomes de Lira narrou para nossa comitiva a morte e o destino cruel do Tenente Geminiano. Link desse vídeo: https://youtu.be/hqkwIKf81LE

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CANGAÇO - EU VI CORISCO BALEADO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=hKLtixgTLOg&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Vídeo onde falo um pouco sobre o cerco a Corisco e Dadá, por Zé Rufino. Depoimento de Dona Isabel Ferreira, que era amiga de Zefinha e foi testemunha dos acontecimentos naquela ocasião. 

Link com Sérgio Dantas, sobre vida e morte de Corisco_parte 1 https://www.youtube.com/watch?v=dCQnN... Link com Liandro Sousa, em Barra do Mendes https://www.youtube.com/watch?v=39Y7A...

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MARIANO O RESPEITADO CANGACEIRO DE LAMPIÃO

 Por Cangaço Eterno

https://www.youtube.com/watch?v=kaYM36dJ_wE&ab_channel=Canga%C3%A7oEterno

Francisco de Assis Barros

Salve Helton!!! Muito top esta biografia sobre Mariano. Segundo Antonio Amaury, Rodrigues de Carvalho, entre outros pesquisadores/historiadores, Ranulpho Prata se equivocou, ao dizer que Mariano era negro e trazia sempre consigo esta palmatória, ao qual a nomeou de "Boneca de Laço e Fita", por ser preso ao cinto com um laço de fita, que era usado pela dar "bolos" nas mãos de suas vítimas, pois na verdade, Mariano não era totamente negro, e sim, apenas de pele meio parda queimada pelo sol e também, era o negro Zé Baiano quem tinha essa palmatória, ao qual fazia parte de seus instrumentos inquisitoriais, além do ferro de marcar gado com as iniciais JB.

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