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domingo, 3 de novembro de 2024

QUEM FOTOGRAFOU E FILMOU BENJAMIM ABRAÃO BOTO COM LAMPIÃO E MARIA BONITA?

Por Antônio Corrêa Sobrinho

Leio vez ou outra a afirmação de que as fotos e imagens em movimento em que o libanês Benjamim Abraão Boto aparece juntamente com Lampião, Maria Bonita e o grupo de bandoleiros foram registradas por um dos cangaceiros do grupo.

Benjamin Abraão, Maria Bonita e Lampião

A postagem do Diário de Pernambuco, de 16/01/1937, “LAMPIÃO VAI APARECER NUM FILME CINEMATOGRÁFICO", responde a indagação.

Diz assim a nota: "Na fotografia, o famoso bandoleiro aparece ao lado de sua companheira e daquele cinematografista, numa pose batida pelo ajudante deste último, nas caatingas do Sertão."

"AJUDANTE DESTE ÚLTIMO", diz assim o jornal. Podemos, então, com base nesta informação, primeiro, dizer que Boto não se valeu da ajuda técnica de nenhum cangaceiro, e, segundo, por indução, concluir que o ambicioso aventureiro Benjamim Boto não andava desacompanhado à cata de Lampião. Isso nunca me pareceu plausível, um cinegrafista e seus vários equipamentos de trabalho (máquinas, lentes e outros instrumentos), inda mais que sabemos que foi coisa grande e bem produzida a obra do gringo, aventureiro e ambicioso cineasta. Uma equipe mínima que tenha sido se fez necessária. Vá lá que composta apenas pelo turco e o inominado ajudante, para eu não afirmar sem amparo.

Quem teria sido este auxiliar? Alguém da Aba Filmes, de Fortaleza?

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sábado, 2 de novembro de 2024

HERÓIS E BANDIDOS

Beto Rueda

A existência de grupos armados que agiam violentamente no interior do Brasil tem raízes nos confins de nossa história política e social. Também vêm de longe escritos que relatam e analisam as ações desses bandidos país afora. Os romances brasileiros desde o séc. XIX retrataram fartamente essa figura típica dos interiores brasileiros. Um bom exemplo é um romance do cearense Franklin Távora (1842-1888) publicado em 1876. O Cabeleira narra a história de dois bandidos do sertão que viveram no séc. XVIII.

Mas a partir das primeiras décadas do século XX que as obras sobre os bandidos do sertão se multiplicariam, época em que também se intensificou a atuação dos cangaceiros.

Em 1917, o político e escritor cearense Gustavo Barroso (1888-1959) publicou Heróis e Bandidos, uma das obras mais importantes da época sobre o tema.

Gustavo Barroso atuou intensamente no jornalismo, política e diplomacia brasileira. Sua carreira de escritor exerceu nas mais diversas modalidades. Com mais de cem títulos, publicou ficção, ensaio, poesia; livros de história, crítica, política, folclore entre outros temas. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, nacionalista convicto, antissemita declarado e militante e divulgador do integralismo, doutrina política de extrema direita inspirada no catolicismo conservador e no fascismo europeu.

REFERÊNCIAS:

BARROSO, Gustavo. Heróis e Bandidos: os cangaceiros do Nordeste. Fortaleza: ABC, 2012.

CARDOSO, João. Heróis e bandidos. < http:// blog.bbm.usp.br/2015/herois-e-bandidos/ >. Acesso em 25 out.2024.

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SERTÃO ORNAMENTAL

 Clerisvaldo B. Chagas, 31 de outubro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.139

A história se repete no Sertão quando se aproxima o Natal, descrito tantas vezes neste espaço. Quase todas as árvores sertanejas prestam tributo ao Criador dos Mundos.  Arbustos, cactáceas, árvores, arvoretas e gramíneas enfeitam parte do sertão diante dos olhos dos animais selvagens, domésticos e do ser humano. É o mandacaru, o facheiro, a coroa-de-frade, a favela, o alastrado o rabo-de-raposa, as margaridas do campo, o pereiro, o jasmim, a craibeira... E vamos nos deleitando com as variadas flores que surgem isolada ou não nas trilhas, nas veredas, nos caminhos, nas baixadas, nos cocurutos dos serrotes, nas beiras das lagoas. Em muitas dessas vezes nos sentimos pequenos, mínimos, sumidos, diante da grandeza da flora e sua homenagem ao Senhor Jesus e às suas criaturas.

CRAIBEIRA NA ANTIGA ESCOLA HELENA BRAGA. FILHA AO LADO QUERENDO FLORAR. (FOTO: B. CHAGAS).

E vamos terminando o mês de outubro numa primavera típica: dias ensolarados e quentes, noites úmidas e ventos frios nos conduzindo para novembro que às vezes nos brinda com trovoadas, primeiras. E como não temos mar, vamos marcando presença nos açudes, nas represas, nas praias do “Velho Chico” em Piranhas, Pão de Açúcar e se aventurando para as bandas de Belo Monte, Olho d’Água do Casado, Delmiro Gouveia...  Novembro, o mês tradicional dos ventos por aqui, há muito os antecipou e ainda continuamos vivendo essa realidade.  E se as matas, no geral ficam crestadas, pontos isolados da caatinga destacam-se com seus preciosos ornamentos ao viajor de olhares perscrutadores.

É por isso que também na paisagem urbana, vamos nos surpreendendo com as maquiagens das nossas damas representativas como a craibeira que surge por cima dos quintais nos pátios de escolas tais como A Francisco Correia e a antiga Helena Braga, já tem adolescente com mais de 15 metros de altura. Lançar um olhar de aprendizado aos vegetais neste período é prazeroso e cultural onde aprendemos com a Natureza a resistir, a acreditar, a ornar a alma e fortificar as virtudes. A aproximação do final de ano é mais um motivo de reflexão, na igreja, no quarto, na varanda, no alpendre, na rede...  Pois, como nos foi ensinado no catecismo da Igreja Matriz de Senhora Santana: “Deus está aqui, aqui, aqui, ali, em todos os lugares”, mas você é quem decide se quer se encontrar com Ele.

Link para essa postagem


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PLANETA MERCÚRIO

 Por Átila Matias

Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar e o que está mais próximo do Sol.

Mercúrio é considerado o menor planeta do Sistema Solar desde o rebaixamento de Plutão a planeta anão. A proximidade de Mercúrio com o Sol (é o planeta mais próximo dessa estrela) torna o desenvolvimento da vida nesse planeta bastante difícil, pois há altas e baixas temperaturas, instabilidades climáticas, atmosfera fraca e uma superfície escura, talvez devido à presença de grafite ou mesmo pelas altas temperaturas, que “carbonizam” as paisagens.

Mesmo com todas as adversidades, é um planeta intrigante e que chama a atenção dos astrônomos por conter água, tanto em estado sólido quanto líquido (em menores quantidades).

Leia também: Por que não sentimos a Terra girar?

Mercúrio é um planeta que possui a superfície escura.

Tópicos deste artigo

1 - Dados gerais de Mercúrio

2 - Características de Mercúrio

3 - Mercúrio na cultura

4 - Curiosidades sobre Mercúrio

5 - Exercícios resolvidos

Dados gerais de Mercúrio

Diâmetro equatorial: 4.879 quilômetros.

Área da superfície: 7,5 x 107 km².

Massa: 3.302×1023 kg (330 bilhões de bilhões de toneladas).

Distância do Sol: 57.910.000 de quilômetros.

Satélite natural: não possui.

Período de rotação: aproximadamente 59 dias.

Período de translação: aproximadamente 88 dias.

Temperatura média: devido à alta variação térmica, o planeta possui uma temperatura média de 179 ºC.

Composição atmosférica: por estar tão próximo do Sol, a atmosfera de Mercúrio é bem instável e fraca, se comparada com a da Terra. Em geral, possui gases como hélio, sódio e oxigênio, com predomínio dos dois primeiros.

Características de Mercúrio

Graças às duas sondas espaciais que visitaram Mercúrio nas últimas décadas (Mariner, nos anos 1970, e Messenger, em 2011), muito já se sabe sobre Mercúrio, mas ainda há muito o que se explicar e várias perguntas sem respostas, muitas com suposições e estimativas. Tal mistério é perfeitamente aceitável, haja vista a dificuldade de acessar o planeta, que conta com instabilidades climáticas, baixas e altas temperaturas e uma órbita peculiar.

A órbita de Mercúrio, por exemplo, é uma das menos circulares do Sistema Solar. Durante o periélio, o planeta chega a uma distância do Sol de 47 milhões de quilômetros. Já no afélio, essa distância atinge 70 milhões de quilômetros.

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol.

Mercúrio é um planeta que não possui uma inclinação semelhante à da Terra. Sem essa inclinação e com uma translação curta, não há existência de estações do ano. Essa baixa inclinação explica também o gelo encontrado nas crateras desse planeta. Segundo os estudos da sonda Messenger, o fato de não estar bem inclinado em relação ao Sol faz com que a iluminação não atinja o fundo das crateras, possibilitando a formação de gelo durante a noite.

Sua composição atmosférica é instável e fraca quando comparada com a nossa. A proximidade com o Sol faz com que Mercúrio sofra com os ventos solares, dificultando a presença de atmosfera, satélites naturais e anéis. Com isso, o planeta é suscetível aos meteoros, que constantemente se chocam com o planeta, abrindo enormes crateras.

A estrutura física de Mercúrio também chama a atenção. Os estudos das sondas indicam que o núcleo do planeta seja maior do que o da Terra, correspondendo a 75% de Mercúrio. Isso é bem desproporcional, haja vista que se trata do menor planeta do Sistema Solar, mas com um núcleo de quase 4000 quilômetros de diâmetro.

Uma das possíveis explicações é que Mercúrio era um planeta enorme, localizado bem distante de onde está hoje, há bilhões de anos. Com seu movimento orbital, foi sendo transportado para próximo do Sol. Durante esse “transporte”, choques com outros corpos celestes afetaram sua estrutura, diminuindo sua massa rochosa. Esse passado turbulento também pode ajudar a explicar a densidade de Mercúrio, que é o segundo planeta mais denso do Sistema Solar, atrás apenas da Terra.

Em 2018, uma terceira sonda espacial partiu em busca de mais respostas sobre Mercúrio, a sonda BepiColombo, cuja parceria se deu entre a agência espacial europeia ESA e a agência japonesa JAXA. A expectativa é conhecer ainda mais o menor planeta do Sistema Solar.

Leia também: Por que o homem ainda não voltou à Lua?

Mercúrio na cultura

O nome do planeta está relacionado às culturas mitológicas grega e romana. Segundo esses dois povos, Hermes (para os gregos) e Mercúrio (para os romanos) são considerados os deuses dos mensageiros, atuando de forma rápida na comunicação entre os povos.

Como a sua órbita atinge até 180 mil km/hora, o planeta recebeu esse nome, pois tem um movimento muito rápido no Universo.

Na astrologia, Mercúrio é considerado o planeta do signo de Gêmeos, que está ligado, por sua vez, à comunicação e à inteligência, algo típico de um deus mensageiro.

Nos nomes dos dias da semana, a quarta-feira é um dia dedicado ao planeta. Para os romanos e gregos, esse era o dia do deus mensageiro. Nesse dia, atividades comerciais e viagens são facilitadas na crença mitológica, daí o nome Miércoles (em espanhol) ou Mercoledì (em italiano). Ambos os nomes significam “Dia de Mercúrio”.

Curiosidades sobre Mercúrio

Seu nome deriva do deus Mercúrio, o deus mensageiro da mitologia romana.

As primeiras observações com telescópio datam de 1610, e Galileu Galilei fez as primeiras constatações.

Um dia em Mercúrio dura 59 dias na Terra.

Um ano em Mercúrio dura 88 dias na Terra.

A velocidade de rotação de Mercúrio pode atingir 180 mil km/hora.

Mesmo estando próximo do Sol, sondas espaciais encontraram gelo em Mercúrio.

As temperaturas no planeta podem atingir 420 ºC de máxima e -173 ºC de mínima, sendo o planeta com a maior oscilação térmica do Sistema Solar.

Devido a sua fraca atmosfera, Mercúrio é bem suscetível a choques com meteoros, meteoritos e cometas. Dessa forma, é o planeta com a maior quantidade de crateras entre os oito do Sistema Solar.

Em toda a história espacial, três sondas já visitaram Mercúrio: Mariner 10, em 1975; Messenger, em 2004; e BepiColombo, em 2018. Os anos citados foram os anos em que as sondas saíram da Terra.

O núcleo do planeta ocupa 75% de toda a sua massa.

Uma viagem da Terra até Mercúrio levaria, em média, 7 anos.

Não há indícios de placas tectônicas em Mercúrio.

Veja também: 8 curiosidades sobre o Sistema Solar

Exercícios resolvidos

Questão 1 – (UEPG 2010 - adaptada) Sobre o Sistema Solar, seus astros componentes e os movimentos desses astros, assinale V para o que for verdadeiro e F para o que for falso.

I – ( ) Os planetas, quanto mais distantes do Sol, mais rapidamente descrevem o seu movimento de translação, enquanto os mais próximos do Sol mais vagarosamente descrevem as suas órbitas.

II – ( ) Todos os planetas do Sistema Solar possuem movimentos de rotação, sendo que uns giram muito lentamente em torno de seu eixo, a exemplo de Júpiter, e outros giram rapidamente, a exemplo de Vênus. Todos eles praticam sua rotação no mesmo sentido, de oeste para leste.

III – ( ) Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são os planetas gigantes do sistema e são de constituição gasosa. São considerados planetas exteriores, pois orbitam o Sol além do cinturão de asteroides.

IV – ( ) Plutão deixou de ser considerado um planeta dos nove que compunham o Sistema Solar e passou à categoria de planeta anão.

V – ( ) Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são planetas sólidos, de constituição rochosa e, por isso, denominados planetas terrestres. São considerados, ainda, planetas interiores, pois suas órbitas se localizam aquém do cinturão de asteroides.

A ordem correta, de cima para baixo, é:

A) F F V V V

B) F V F V V

C) V V F F V

D) V F V F F

Resolução

Alternativa A.

I – F – Quanto mais distantes do Sol, maior será o tempo gasto para um planeta completar sua translação.

II – F – Nem todos os planetas têm sua rotação no mesmo sentido que a Terra. Vênus, por exemplo, gira ao contrário.

III – V

IV – V

V – V

Questão 2 – No Universo, muitos planetas possuem satélites naturais que giram ao seu redor, ou seja, que os orbitam. É o caso do planeta Terra, que possui a Lua como satélite natural. Dentre os planetas do Sistema Solar, aqueles que não possuem satélites naturais girando ao seu redor são:

A) Vênus e Marte.

B) Urano e Netuno.

C) Mercúrio e Vênus.

D) Mercúrio e Netuno.

Resolução

Alternativa C. Por estarem mais próximos do Sol, Mercúrio e Vênus não possuem satélites naturais devido às tempestades solares, que impedem a presença orbital desses corpos celestes.

Átila Matias
Professor de Geografia

 https://brasilescola.uol.com.br/geografia/mercurio-1.htm

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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

O HOMEM MAISVELHO DO MUNDO

 Por Tô de Graça Community

Meu voozinho é o homem mais velho do mundo, e hoje ele está completando 146 anos.

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AS MENINAS DO CANGAÇO EM CORDEL.

 Por Martha Menezes


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FOTO MELHORADA POR FRANCISCO ALVARENGA RODRIGUES

 Por José Mendes Pereira

Francisco Tavares da Silva - Foto melhorada por Francisco Alvarenga Rodrigues

Francisco Tavares da Silva era filho de Antonio Luiz Tavares, o ex-cangaceiro "Asa Branca", e de dona Francisca da Silva Tavares. O jovem nasceu no dia 14 de Abril de 1959, na cidade "Caridade", no Estado do Ceará. 

https://www.idace.ce.gov.br/2019/08/05/caridade-comemora-61-anos-de-emancipacao-politica-com-entrega-de-titulos-da-terra/

Este foi assassinado aos 24 anos de idade, por um primo, por coisas banais. Logo o causador da sua morte, foi também assassinado. Dona Francisca sua mãe não me revelou o nome do jovem que o assassinou. 

O cangaceiro Asa Branca e sua esposa dona Francisca da Silva Tavares.

Qualquer dia desses que eu a visitar em sua casa, vou perguntar o nome do rapaz que o assassinou, e se era seu sobrinho, ou do Asa Branca.

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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

O CANGAÇO EM POÇO REDONDO – APENAS UM TIQUINHO DE TANTA COISA.

 Por Rangel Alves da Costa

Trinta e cinco filhos da terra fizeram parte do Cangaço de Lampião. Quase a metade da população masculina era formada por coiteiros. Da beira do São Francisco à divisa com a Bahia, as trilhas mais usadas pelos cangaceiros. De 29 a 38, constante era a presença de Lampião e seus cabras. Lampião chegou em abril de 29 e morreu em julho de 38 nas terras de Poço Redondo. A herança familiar cangaceira ainda está por todo lugar, com filhos, irmãos e outros parentes. Filhos e parentes de coiteiros também são avistados de canto a outro. A Gruta (denominação utilizada pelos antigos moradores) ou Grota (denominação geralmente utilizada nos livros) do Angico, o Maranduba, a Pia das Panelas, Tingui (Santo Antônio), Pelada, São Clemente, Cururipe (Marco de Canário), Estrada de Curralinho (Cruz dos Soldados, Marcos de Antônio Canela e de Zé de Julião), tudo em Poço Redondo. Também o Riacho do Braz, onde foi morto Pau Ferro, e que deflagrou a vingança e o cerco de três subgrupos de Lampião na Estrada de Curralinho. Foi pela Estrada de Curralinho que Lampião chegou pela primeira vez ao sertão sergipano, em 1929. De Poço Redondo era o primeiro casal que enveredou no Cangaço (Zé de Julião e Enedina). De Poço Redondo eram os quatro irmãos que se tornaram cangaceiros (Sila, Marinheiro, Mergulhão, Novo Tempo). Também parentes eram três famosas cangaceiras: as irmãs Adelaide e Rosinha, e ainda Áurea. Irmãos também eram Adília e Delicado. A região de Cajueiro e Jacaré, na beira do rio, foi berço da maior família de coiteiros de Sergipe: A Família Félix (Mané Félix, Adauto, Erasmo, Lourival e muitos outros). Os irmãos Durval e Pedro de Cândido eram de Poço Redondo. Um dos maiores pesquisadores e escritores do tema Cangaço era também poço-redondense: Alcino Alves Costa, sobrinho do cangaceiro Zabelê, o último Zabelê no Cangaço.

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CORONEL RODOLFO FERNANDES DE OLIVEIRA MARTINS.

 Por Francisco Alvarenga Rodrigues

Rodolfo Fernandes, prefeito de Mossoró a época da invasão de Lampião a cidade norte rio-grandense.


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Eu acho que Francisco Alvarenga Rodrigues foi o primeiro a dar cor a esta foto do coronel Rodolfo Fernandes.

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A SUPOSTA MORTE DE ANTÔNIO DE ENGRÁCIA

 Por Francisco Alvarenga Rodrigues

Em junho de 1930, Lampião apoiou Ângelo Roque na morte de um cangaceiro chamado Sabiá, sobrinho de Cirilo e Antônio de Engrácia, por ter estuprado a filha de um coiteiro. Em virtude desse fato, os Engrácia ficaram divididos: Cirilo se conformou, mas Antônio de Engrácia considerou uma desfeita imperdoável a morte do sobrinho. Recado pra lá, recado pra cá, Lampião sentenciou: Antônio de Engrácia podia se considerar um homem morto. Dos Engrácia, o único que ficou com Lampião foi Zé Baiano, que reconhecia abertamente o erro do primo. Cirilo, embora não tivesse rompido com Lampião, afastou-se por uns tempos, esperando a poeira assentar. Ele não tinha poder de decisão. Quem dava as cartas na família era Antônio. Passados meses, Cirilo pediu a um coiteiro para falar com Lampião, dizendo que seus parentes queriam fazer as pazes. Lampião mandou a resposta: perdoava Cirilo e os sobrinhos, mas para Antônio de Engrácia não tinha perdão. Os Engrácia, comandados por Antônio, estabeleceram-se na zona que historicamente era a sua base: as caatingas sem fim de Chorrochó, Feira do Pau e Patamuté. Os coitos prediletos eram na fazenda Cacimba do Meio, dos irmãos Benjamim, Cornélio e Feliciano, na fazenda Varjota, de Teodorico, e na fazenda Silva, de seu Dé. Em dezembro de 1930, morreu o sobrinho Antônio de Seu Naro. Como ambos se chamavam Antônio, correu a notícia de que quem tinha morrido era Antônio de Engrácia. Convenientemente, os Engrácia nem desmentiam nem confirmavam os boatos. Em fins de junho de 1931, soube-se da "segunda" morte de Antônio de Engrácia. Dizia-se que os Engrácia tinham feito uma festa na fazenda Retiro, na região de Várzea da Ema. Cirilo ficara bêbado. Havia poucas mulheres para dançar. Cirilo estava dançando com uma, e Antônio pediu que ele lhe cedesse a dama, pois queria dançar também. Cirilo não cedeu. Houve uma troca de socos e empurrões. Antônio correu e entrou numa casa. Cirilo correu atrás. Ouviu-se um tiro, e Cirilo voltou chorando, dizendo que tinha matado o irmão. Ele próprio enterrou o corpo dentro da casa, mandou quebrar o telhado por cima e tocou fogo. Não deixou ninguém ver o corpo. Depois disso, os Engrácia voltaram em peso para a companhia de Lampião. Cirilo os havia redimido.

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OS VERSINHOS PARA MARIA BONITA NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

 Por Rostand MedeirosMaria_Bonita_br_01Maria Bonita

No dia 21 de fevereiro de 1970, no periódico Diário de Pernambuco, Waldemar de Figueiredo Valente escreveu um texto intitulado “A gesta do Cangaço”, onde no final da primeira parte reproduziu os versos que agora apresento e que, segundo o autor, foram criados pelo cangaceiro Zabelê para comemorar o aniversário de Maria Bonita.

São versos bem interessantes, que mostram um lado diferenciado e menos focado nos processos ligados a violência que tanto caracterizou o cangaço.

G

Waldemar Valente foi médico, farmacêutico, antropólogo, sociólogo, etnólogo, professor, pesquisador, humorista e escritor. Pertenceu ao grupo de notáveis africanistas que se destacou na área desde o Primeiro Congresso Afro-Brasileiro de 1934. Como escritor Waldemar Valente escreveu obras como Introdução ao estudo da Antropologia Cultural (1953); Sincretismo religioso afro-brasileiro (1955); Maria Graham: uma inglesa em Pernambuco nos começos do século XIX (1957); Misticismo e região (1963); O padre Carapuceiro: crítica de costumes na primeira metade do século XIX (1969), Nordeste em três dimensões folclóricas (1986); Antologia pernambucana de Folclore (1990).

W VALENTE
Waldemar de Figueiredo Valente

Foi professor na Professor da Universidade Federal de Pernambuco, e na Universidade Católica de Pernambuco. Waldemar Valente morreu no Recife, no dia 27 de novembro de 1992.

https://tokdehistoria.com.br/tag/cangaceiro-zabele/

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ALVARÁ DE SOLTURA DO CANGACEIRO "DEUS TE GUIE"

Achado de Moisés Reis


Domingos Gregório dos Santos, o cangaceiro "Deus te Guie", foi um dos bandoleiros entregues em 1940 em Paripiranga, com o grupo de Ângelo Roque.

Juntamente com o chefe e outros companheiros como Saracura, Cacheado e outros, foram encaminhados para Salvador, julgados e condenados a diferentes penas pelos crimes cometidos durante os anos de cangaço.

 Euclides Custódio, vulgo Cacheado, detido na casa de detenção de Salvador no ano de 1944. Apesar de pouco falado, era extremamente perigoso, após a morte do cangaceiro Gato, Cacheado passou a executar para Lampião algumas das missões mais cruéis designadas pelo rei do cangaço.

Créditos Helton Araújo

De acordo com o processo ao qual tive acesso, contava, quando foi preso, com 22 anos de idade, era filho de João Gregório dos santos e Francisca Maria de Jesus.

Deus te Guie foi recebido na penitenciária do Estado da Bahia a 15 de fevereiro de 1943 e registrado como prisioneiro de número 1523, sentenciado inicialmente a 10 anos e doze meses de prisão por participar do assassinato de Olegário Bispo da Conceição, Antônio Elias e Nonato Firmino, crime ocorrido em 8 de junho de 1939 pelo grupo de Ângelo Roque em Bebedouro. Por esse triplo homicídio, inclusive, Labareda pegaria 30 anos de prisão, conforme processo ao qual também tive acesso no arquivo público da Bahia.

Ainda de acordo com o documento abaixo, Deus te Guie teria amargado longos 12 anos e dez meses de prisão celular, isto é, regime fechado, na capital baiana.

O alvará de soltura do ex-cangaceiro é datado de 12 de outubro de 1953. Foi essa a data exata que o ex-integrante do temível grupo de Labareda ganhou a liberdade após pagar a sua dívida com a sociedade.  

Alvará de Soltura de Deus te Guie - Arquivo Público da Bahia.

 Pescado no Blog do autor
 
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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

ZABELÊ O VELHO CANGACEIRO AINDA SE LEMBRA: NAQUELE TEMPO, SÓ DEUS NÃO SE AJEITAVA.

 *Texto de Claudio Bojunga, para o jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” – 31/07/73




Um velho entrevado, torto, de 73 anos, tossindo, mal vestido, deve estar muito doente. Só os olhos são ágeis como os olhos de um menino: correm em torno da mesa, encara rapidamente as pessoas para depois se fixar na janela à esquerda, na porta aberta à direita; os olhos de Zabelê, mais de 40 anos depois, conservam a vigilância dos tempos do cangaço. E como se, a qualquer momento, um macaco fosse pular à sua frente ou às suas costas para enchê-lo de bala.

Zabelê, ou Isaias Vieira, um homem totalmente apavorado. É um exemplo dos cangaceiros que, depois da luta, ficaram por aqui mesmo, no Nordeste. Há muitos em todo o sertão, de Alagoas ao Ceará, todos escondidos sob nomes falsos. E eles sabem que não temem fantasmas. A vingança, no sertão, é elaborada com paciência chinesa. É possível, perfeitamente possível que, a qualquer momento, amanhã talvez, um outro velho entrevado descarregue seu revólver sobre o velho Zabelê. Afinal, Zabelê nem sabe quantos matou em um ano de cangaço. Era coiteiro de Lampião desde 1923, na região do Pajeú, até que o coito se tornou evidente demais, e perigoso. Olhando de um lado para outro enquanto fala, o velho conta:
- Lampião: tá descoberto que eu compro coisinha procê. Tô enroscado. Se não sentá praça vou acabar entre as pernas do tenente.
Lampião pensou um pouco. Não era qualquer coiteiro que podia “sentar praça” no cangaço. Zabelê insistiu:
- Tô desmantelado. Sou pai de família, tó desmantelado.
-Desmantelado você já nasceu.
E dito isso, Lampião aceitava um novo “soldado”. Porque era preciso estar mesmo muito “desmantelado” na vida para topar a parada. Zabelê tinha mulher, quatro filhos e muito azar.
Começou a brigar em 1926 e um ano depois estava preso. Participou de um combate importante, o de Serra Grande, naquele mesmo sertão. Como todo ex-cangaceiro, diz que, naquela batalha, morreram uns 30 macacos. Cangaceiro, nenhum. O mesmo truque usado pelos policiais da época. Vários dizem que em Serra Grande morreram um ou dois soldados. O coronel Higino José Belarmino, famoso entre outras coisas por não mentir, nem que a verdade possa “prejudicar” a imagem da Volante, diz que morreram dez soldados em Serra Grande. Cangaceiros, ele não sabe, ninguém sabe.

Isaias Vieira, o primeiro  “Zabelê”  cumpriu longa pena na penitenciária do Recife. Esta foto é de 29 de dezembro de 1928, quando ainda se encontrava preso.
Foto do Acervo Lampião Aceso, não compõe a matéria original.

Os cangaceiros sempre carregavam os seus mortos e feridos e os eternizavam, batizando um cabra novo com o nome do preso ou do morto: assim, este que apavorado conversa com a gente, é o primeiro Zabelê de uma série. Um toque de misticismo, nem tanto para confundir a polícia, mas o povo. O cangaceiro não morre. Zabelê está preso? Como, olha ele aqui.
Apesar do pavor, Zabelê I ainda ousa revelar, com seu raciocínio lógico de sertanejo, que tudo não se resume a troca de tiros entre grupos ou requintes de crueldade. Até Zabelê, personagem de mínima importância dentro daquela fase da História do Brasil, sabe o que significa corrupção.
"Todo mundo ajeitava. O senhor pode ser naquela época o presidente da nação, ajeitava também. Naquela época só quem não ajeitava era Deus que não aparecia".
Ele quer dizer que grande parte das armas do cangaço foi vendida pela própria polícia que importantes políticos da época, hoje venerandos e com estátua (algumas equestres) no meio das praças, estiveram envolvidos gravemente, pairando sua honra sobre os tiroteios que eles próprios manipulavam.
Zabelê: apavorado, velho, doente, pobre e atualizadíssimo.
*Créditos para Antônio Corrêa Sobrinho

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O VELHO QUE PERDEU O VICIO TEXTO DE LEONARDO MOTA

 Por Francisco Alvarenga Rodrigues - A imagem é só como ilustração

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Zabelê disse certa vez:

– A coisa mais engraçada que eu tive de assistir passou-se numa fazenda do município de Princesa, na Paraíba. O velho dono da casa tremia que era ver vara verde. Lampião o botou debaixo de confissão, riscando-lhe o punhal nas costelas e ele acabou descobrindo o rumo da volante do Tenente Mané Binisso. Virgolino queria dar no velho uma surra de relho, mas, era tanto choro de muié e menino, que o jeito foi se perdoar. Mais com pouca, Lampião tirou do bolso um maço de cigarros e ofereceu:

– Pita?

O velho ficou calado, fez que não tivesse ouvido. Lampião tornou a perguntar, desta vez gritando no pé do ouvido dele:

– Pita?

Aí, todo tremendo, o velho disse:

– Pito. Mas, Vamincê querendo, eu largo o viço…

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