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quinta-feira, 13 de março de 2025

DOM GABRIEL MARCHESI

Por Valdir José Nogueira

Foto: Com o Bispo Diocesano de Floresta Dom Gabriel Marchesi e o pároco da Paróquia São José, de São José do Belmonte Padre Américo de Sá Leite Neto.

Presidiu a Celebração da 1ª Noite de Novena da 168ª Festa em honra do Excelso Padroeiro São José de São José do Belmonte Dom Gabriel Marchesi, Bispo Diocesano de Floresta. Foi a terceira vez que um Bispo de Floresta visitou São José do Belmonte. O primeiro a visitar nossa Paróquia foi Dom Augusto Álvaro da Silva entre os dias 5 a 10 de março de 1913; o segundo foi Dom José de Oliveira Lopes entre os dias 23 a 28 de maio de 1916. Lembrando que no passado a Paróquia São José, de Belmonte pertenceu a Diocese de Floresta, fundada pela Igreja de Roma em 5 de dezembro de 1910, a primeira do Sertão pernambucano, desmembrada da então Diocese de Olinda, que na mesma data foi elevada a Arquidiocese. No dia 20 de dezembro de 1910 foi nomeado D. Augusto Álvaro da Silva seu primeiro bispo. Tendo existido até 2 de agosto de 1918, a Diocese de Floresta foi substituída pela Diocese de Pesqueira. Todavia a Diocese de Floresta foi restabelecida a 15 de fevereiro de 1964, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Diocese de Pesqueira.

A Paróquia São José de São José do Belmonte pertenceu a Diocese de Floresta (1910 a 1918), a Diocese de Pesqueira (1918 a 1956) e hoje pertencente a Diocese de Afogados da Ingazeira erigida a 2 de julho de 1956, pelo Papa Pio XII, desmembrada da Diocese de Pesqueira, por meio da bula "Qui volente Deo", tendo como padroeira Santa Maria Madalena, celebrada aos 22 de julho. Sua instalação, entretanto, só ocorreu aos 19 dias do mês de maio de 1957, quando da tomada de posse do seu primeiro bispo diocesano, Dom João José da Mota e Albuquerque. Este bispo - que mais tarde se tornaria arcebispo de São Luís, escolheu como lema do seu episcopado "In manus tuas" (Em tuas mãos), e por quatro anos foi o pastor diocesano.
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NO INTERIOR DO CASARÃO QUE FICA LOCALIZADO NA CIDADE PERNAMBUCANA DE SÃO JOSÉ DO BELMONTE NO ESTADO DE PERNAMBUCO, QUE NO PASSADO PERTENCEU AO CORONEL LUIZ GONZAGA GOMES FERRAZ, ASSASSINADO POR LAMPIÃO E BANDO NO DIA 22 DE OUTUBRO DO ANO DE 1922.

 Por Geraldo Júnior

O casarão foi palco de um crimr terrível praticado por Lampião e seus comandados, crime esse que foi encomendado por Sinhô Pereira, que pouco antes de abandonar o cangaço e passar a chefia do bando à Lampião, por questões pessoais e familiares, encomendou a morte do coronel Luiz Gonzaga.

O casarão foi cercado e atacado pelos cangaceiros no amanhecer do dia 22 de outubro de 1922. Sem chances de defesa o coronel, em ato desesperado, tentou se resguardar subindo no sótão de madeira da casa, porém devido ao seu peso e ao estado crítico das madeiras o sótão cedeu e o coronel caiu no meio da sala que naquela ocasião já estava infestada de cangaceiros, selando assim o seu destino. Durante a invasão do casarão também foi morto o cangaceiro Baliza, morte que ainda hoje gera dúvidas em relação à real autoria, levantando a suspeita de morte por fogo-amigo, já que Baliza ameaçava a liderança de Lampião à frente dos remanescentes do bando deixado por Sinhô Pereira. Assunto para outra matéria.
Na fotografia anexada a essa matéria estou ao lado da amiga Perginha Machado, atual moradora do histórico casarão que no longínquo ano de 1922, recebeu a indesejada visita de Lampião.
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UMA RARIDADE FOTOGRÁFICA ONDE APARECEM OS EX-CANGACEIROS CRIANÇA (TERCEIRO) E SILA, COMPANHEIRA DO EX-CANGACEIRO ZÉ SERENO.

Por Geraldo Antônio de Souza Júnior
Fotografia registrada pelo fotógrafo Jorge Bodanzki e cedida gentilmente ao nosso canal pelo jornalista Humberto Mesquita.
Fica o registro!
SIGAM e CURTAM o canal (Página) Cangaçologia para receber todas as nossas atualizações e ficar a par de todas as histórias e acontecimentos que envolvem a história a respeito do fenômeno cangaço, que aqui serão publicadas.
Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador do canal Cangaçologia.

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quarta-feira, 12 de março de 2025

CEL. ISAÍAS ARRUDA RECEBEU 60 CONTOS DE RÉIS DE LAMPIÃO, DEPOIS TRAIU O CAPITÃO.

 Resenha do Cangaço - Lemuel Rodrigues

https://www.youtube.com/watch?v=s5ZEZYAm69Y

Em mais um programa da Rota Mística do Cangaço, chegamos a segunda etapa de nossa viagem. Estamos em Missão Velha no Ceará, onde conheceremos a história do Cel. Isaías Arruda, o homem que vendeu armas para Lampião invadir Mossoró e emboçou 60 contos de réis na negociação.

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CEL. ISAÍAS ARRUDA RECEBEU 60 CONTOS DE RÉIS DE LAMPIÃO, DEPOIS TRAIU O CAPITÃO.

Resenha do Cangaço - Lemuel Rodrigues
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Em mais um programa da Rota Mística do Cangaço, chegamos a segunda etapa de nossa viagem. Estamos em Missão Velha no Ceará, onde conheceremos a história do Cel. Isaías Arruda, o homem que vendeu armas para Lampião invadir Mossoró e emboçou 60 contos de réis na negociação.

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MARIA BONITA

 Por Fotografias Históricas Nordeste Do Brasil


Maria Bonita, mulher do cangaceiro Lampião, posa para o fotógrafo libanês Benjamin Abrahão junto aos seus dois cães, Guarani e Ligeiro, sertão nordestino em 1936. Imagem Colorizada Digitalmente.

Em 8 de março de 1911, nascia na atual cidade de Paulo Afonso, na Bahia, Maria Gomes de Oliveira, mais conhecida como MARIA BONITA. Ela entrou para a história como a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros e também foi a mulher de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, conhecido como o “Rei do Cangaço”.
Conta-se que aos 15 anos, Maria Déia, como os familiares a chamavam, já estava casada com Zé de Neném (José Miguel da Silva), um sapateiro. Viveram juntos por cinco anos e não tiveram filhos. Ele era estéril. Brigavam constantemente e toda vez que acontecia um desentendimento, ela se mudava para a casa dos pais.
Virgulino passou por aqueles lados, arranchou-se na fazenda Malhada do Caiçara, dos pais de Maria e se engraçou por ela. Caiu de amores. E, impressionado com sua beleza, passou a chama-la de Maria Bonita. Ia passar por ali quatro dias, mas acabou ficando dez. Um romance tórrido. Nesse último dia, Maria ajeitou suas roupas e subiu na garupa de Virgulino.
A relação durou oito anos, e o casal teve uma filha, Expedita Ferreira Nunes (atualmente com 90 anos de idade), que foi criada por um casal de amigos vaqueiros. Depois disso, Maria Bonita engravidou outras vezes, mas sofreu abortos ou os bebês morreram ainda pequenos. Maria Bonita foi assassinada no dia 28 de julho de 1938, após ser degolada pela polícia. O mesmo aconteceu com Lampião e outros nove cangaceiros na quando foram emboscados na Grota de Angicos, em Poço Redondo (Sergipe) após o grupo ser emboscado pela volante comandada por João Bezerra da Silva.
A História de Lampião e Maria Bonita foi retratada em várias produções cinematográficas e televisivas, mas a mais conhecida foi a minissérie "Lampião e Maria Bonita" exibida em 1982 pela TV Globo. Escrita por Aguinaldo Silva e Doc Comparato, com direção de Paulo Afonso Grisolli e Luís Antônio Piá, a minissérie contou os últimos seis meses de vida de Lampião e Maria Bonita, protoganizados pelos atores Nelson Xavier e Tânia Alves. Os personagens seriam relembrados em 1997 no filme "Baile Perfumado", dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas.
Com o enredo "o aperreio do cabra que o excomungado tratou com 'má-querença' e o santíssimo não deu guarida", a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense especulou sobre o que ocorreu com Lampião após a morte, inspirado nos cordéis A Chegada de Lampião no Inferno e O grande debate que teve Lampião com São Pedro, de José Pacheco no carnaval de 2023. O desfile contou com a partipação da filha de Maria Bonita e Lampião, Expedita Ferreira, num dos carros principais. A escola saiu-se vencedora, conquistando seu nono título de campeã das escolas de samba do Rio de Janeiro.
: Benjamim Abrahão

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EM POÇO REDONDO, AQUELAS RENDEIRAS E TANTAS SAUDADES...

Rangel Alves da Costa

Onde tá Dona Clotilde? Tá ali... Onde tá Dona Conceição de Laura? Foi ali... As calçadas esperam, os bilros esperam, as almofadas esperam, mas já não ouço suas vozes, não vejo suas mãos passeando por cima da marcação no papelão, já não ouço o som dos bilros transformando em arte cada passo e cada encontro. Já não vejo a linha se entrincheirando entre as flores e os espinhos. Já não vejo o enchimento da almofada sorrindo bela beleza surgida. Onde está Dona Cenira? Ainda está ali... Onde está Dona Araci? Foi ali... Tardes saudosas de um sertão bucólico e cativante, relembranças de banquinhos nas calçadas e brisa boa soprando entre as doces palavras. O menino brincando de bola, mas com cuidado, pois Dona Mariá estava ali. O cavalo apressado diminuindo o galope, pois Tia Mãezinha estava ali. As velhas almofadas envelheceram ainda mais e hoje choram suas saudades. As tardes fagueiras já não cantam mais as doces canções no tilintar dos bilros. Na memória, restando apenas os espinhos. E como dói cada ponta aguda da medonha saudade. Como dói ser aquele Poço Redondo. Ser aquele Poço Redondo e não ser mais. Nunca mais...

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terça-feira, 11 de março de 2025

UM MUNDO FEMININO...

Por Hélio Xaxá


"É de manhã bem cedo
E somente "nós" estamos de pé...
Da cama "elas" sentem o cheiro:
Somos "nós" fazendo o café..."
Ouvimos comícios na praça
Assistimos passeatas nas ruas...
Caminhando de mãos dadas
São "elas", lindas, indo à luta.
Alegria, risos e vozes de crianças
Silenciando-se para "elas", agora
Levarem pro futuro a esperança:
São "elas", tias rainhas da escola...
Sua simpatia balança corações
E manda para longe o tédio...
Desfilando graça entre os peões:
São "elas", construindo prédios.
"Quando chega a hora do almoço
Sente-se um cheiro de queimado no ar...
Ou está salgado ou está insosso:
Somos "nós", aprendendo a cozinhar."
De rainhas da economia caseira
À senhoras mestres da matemática
Inteligentes, criativas, faceiras:
São "elas", dominando a informática.
Estando à frente de grandes empresas
Trazem para o nosso país o progresso...
Sua presença não causa mais surpresas:
São "elas", nas decisões do congresso.
Caráter forte de quem lidera
Pulso firme de quem administra...
Para o mundo direto da Inglaterra:
São "elas", de Primeira Ministra.
"Casas sujas e mal-varridas
Roupas encardidas e amarrotadas
Pilhas de pratos, restos de comida:
Somos "nós", desleixadas donas-de-casa."
Explode um grito de gol
Num estádio no país do sol
A Seleção dá mais um show:
São "elas", musas do futebol.
Entre mecânicos, máquinas e óleo
Já se tornou uma cena comum
Uma presença feminina no pódio:
São "elas" pilotando na Fórmula Um.
Pela necessidade de se defender
Um esporte que não tem nada a ver...
Meninas botando negões pra correr:
São "elas", campeãs do caratê.
"Quando finalmente chega a noitinha
Tudo volta a ser
Do jeitinho que todo homem quer...
Companheiras, carinhosas, cheirosinhas
Ávidas de amor prazer
São "elas", mais do que nunca: Mulher!


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CANGACEIRO MERGULHÃO.

 Por Histórias do Brasil

Antônio Juvenal da Silva. Entrou para o bando de Lampião no início do ano de 1926.

- Participou do fogo das Caraíbas entre as cidades de Betânia e Floresta(PE), fevereiro de 1926.

- Participou do ataque à vila de Nazaré, fevereiro de 1926.

- Esteve em Juazeiro do Norte, março de 1926.

- Participou do tiroteio na fazenda Abóboras, município de Vila Bela(PE), julho de 1926.

- Esteve no ataque à fazenda Serra Vermelha, município de Vila Bela(PE), agosto de 1926.

- Participou da chacina à famíla Gilo, na fazenda Tapera, município de Floresta(PE), agosto de 1926.

- Esteve do combate da Serra Grande, próximo à Vila Bela(PE), novembro de 1926.

- Foi ferido no combate com a volante do sargento Arlindo Rocha, no Ceará, abril de 1927.

- Participou da invasão ao Rio Grande do Norte e da cidade de Mossoró, junho de 1927.

- Esteve em Limoeiro do Norte(CE) depois do ataque frustado a Mossoró. Foi fotografado com o bando.

- No dia 27 de março de 1928, executou com um tiro de misericórdia o valente companheiro Sabino Gomes, mortalmente ferido em combate, no fogo da fazenda Piçarra.

- Foi um dos cinco cangaceiros que atravessaram o Rio São Francisco com Lampião em direção à Bahia, agosto de 1928.

- Participou do primeiro tiroteio em solo baiano, contra a volante comandada pelo tenente Manoel Neto, nas proximidades do município de Santo Antônio da Glória. Agosto de 1928.

- Juntamente com Lampião, Ezequiel, Moderno, Luiz Pedro, Mariano, Corisco e Arvoredo, "visitou" as vilas de Tucano e Ribeira do Pombal, dezembro de 1928.

- Fez parte do grupo no embate com a polícia baiana na fazenda Curralinho, entre as vilas de Massaracá e Buracos. Dezembro de 1928.

- Foi morto no dia 07 de janeiro de 1929 no fogo com a volante baiana comandada pelo tenente Odonel Francisco da Silva, no arraial de Abóbora, município de Jaguarari(BA).

FONTE:

DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Lampião e o Rio Grande do Norte: a história da grande jornada. 2. ed. Cajazeiras: Real, 2014.

OLIVEIRA, Bismarck Martins de. cangaceiros de Lampião de A a Z. 2. ed. João Pessoa: Mídia Gráfica e Editora, 2020.

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CASARÃO

 Clerisvaldo B. Chagas, 10 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

 Crônica: 3.204

CASARÃO DO PADRE BULHÕES: ÚLTIMOS ESTERTORES. (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).

O casarão histórico do padre mais famoso que já apareceu por essas bandas, fora Francisco Correia – um dos fundadores da cidade e milagreiro – era muito interessante, peculiar e a nem um outro casarão da cidade se assemelhava. Fora construído no alto da ravina que forma a foz do riacho Camoxinga, Não temos nenhuma informação oral ou escrita de quem o construiu. Teria sido o próprio padre Bulhões, quando chegara da sua terra Entre Montes ou teria sido comprado no início? Ninguém sabe informar. O que sabemos é que, margeando o riacho no alto da ravina, havia e ainda há uma mureta muito bem-feita de proteção contra o fenômeno das terras caídas e das próprias enchentes violentas do citado riacho. Vale salientar que as terras do desaguadouro, são finas e fácil desagregação.

Nos últimos anos como casarão quase ocioso, funcionava apenas um compartimento, logo vizinho à rua, onde funcionava uma Marcenaria, com certeza, cedida ou alugada por seus herdeiros ao conhecido Negão, mano de outro personagem tão conhecido em Santana: José dos Santos, dono do Restaurante Xokant’s. Na certa, Negão recebeu ordens de despejo e o que vimos, após, foi o casarão sendo demolido aos poucos como se fosse para aumentar a dor do povo santanense. E de fato, o casarão histórico, desapareceu, sumiu, se encantou. No seu lugar ficou apenas um enorme vazio como um espaço escrito de caderno apagado por feroz borracha de duas cores. Nem era mais atração um buraco de onde fora arrancada botija, nem um frondoso pé de tamarinas e nem mesmo as muretas que permaneceram intactas.

Daí em diante, o amplo terreno foi mercado de artesanato, estacionamento, parada de circos e outras coisas mais. O único registro que se conhece, é o livro 230, Iconográfico aos 230 Anos de Santana do Ipanema. Não surgiu uma única pessoa que viveu no casarão ou com ele conviveu que quisesse escrever algumas linhas sobre o saudoso Cônego Bulhões. Da mesma maneira aconteceu com a vida da repartição DNER – Departamento Nacional de Estradas e Rodagens – que morreu melancolicamente, tendo sua belíssima história em Santana do Ipanema e regiões sertanejas, apenas virado uma página em branco, amarelada ou invisível às novas gerações.



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O CAPITÃO LAMPIÃO VAI CHEGAR!

 Por José Mendes Pereira - FICTÍCIO - (Crônica 06)


O lugarejo todo já tinha sido informado que o sanguinário e perverso Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião estava para chegar. O cangaceiro não tinha dó de ninguém, e cada indivíduo, tomasse um lugarzinho para se proteger dos absurdos que ele praticava. Intimidava o sujeito só com um grito. Enfiava seu punhal com mais de 80 centímetros pela clavícula do marcado para morrer, rasgando todo o intestino, e atirava sem escolher quem, só para ver a queda do infeliz.

O vigário da pequena capela do vilarejo celebrava a missa, mas não temia a sua chegada, porque Lampião não batia e nem matava padre. O seu medo, era que, além de bater nos fiéis da igrejinha, ele poderia levar todo o dinheiro que arrecadara no momento da missa.

O dono de uma pequeninha lanchonete precisava se ausentar do seu comércio, e ao sair, disse ao seu empregado:

- Eu tenho que resolver algumas coisas na feira, e talvez eu não volto mais hoje. Se você ouvir falar que o capitão Lampião está no lugarejo, dê por encerrado o movimento de fregueses. Cuida logo de baixar as portas, e não se demore, faça fiapo em busca de casa. O capitão Lampião não tem nem um tico de dó de ninguém, e o melhor mesmo é prevenir, para não passar por vexames. O que a gente sabe o que ele faz por aí, não evitará de fazer também aqui no nosso vilarejo.

- Sim senhor! - Respondeu o empregado.

Mas assim que o dono da lanchonete saiu, infelizmente, chegou pelas laterais da lanchonete um homenzarrão usando chapéu de couro, um facão, uma espingarda e um enorme bornal. O suposto cangaceiro parecia o "king Kong", barbudo, braços grossos, de voz assustadora. Chegara montando numa égua brava. Mas ela parecia temê-lo, e ficou quietinha em seu lugar. Nem precisou ser amarrada. E foi aquela correria. Mulheres, meninos, e até os homens estavam nervosos.

E alguém que já corria pelas avenidas com medo, desesperadamente, gritava:

- Pelo amor de Deus, gente, corra que o capitão Lampião já está no nosso vilarejo! E traz nas mãos, um facão, uma espingarda e um enorme bornal cheio de balas.

Um velho sapateiro que cochilava em uma espreguiçadeira de frente à rua, ao ver o suposto capitão Lampião, ficou morrendo de medo, e ao se levantar, caiu lá embaixo da calçada. E assim que ficou em pé, tentou correr, mas caiu desmaiado.

Um comerciante ambulante que vendia miudezas em uma bicicleta, ao correr, perdeu todas suas bugigangas, restando-lhe apenas em seu poder, a bicicleta, que logo cuidou de montar, e, rapidamente, mesmo desajeitado, entrou de mata adentro pedalando.

Os homens do vilarejo não esperaram por nada, e não quiseram saber nem um pouco do capitão Lampião, entraram de mata adentro.

O dono de um barzinho de pinga, no alvoroço, querendo se salvar das enormes mãos do cangaceiro, enrolou-se a uma cadeira ginga-ginga, e foi ao chão. E ao levantar a vista, viu o valentão entrando com seus passos longos e desajeitados, e foi logo de encontro a ele, gritando com um assustador vozeirão:

- Me dá uma cachaça aí logo, sua peste!

E lá se veio o homem correndo com a garrafa de cachaça nas mãos. Caso demorasse a servi-lo, poderia pagar caso para ele.

O capitão Lampião não esperou que o empregado abrisse a garrafa. Arrebatou-a das suas mãos, quebrou o gargalho sobre o balcão, e bebeu tudo de uma vez só, nem ligou para pedaços de vidro.

O comerciante já havia dito a Deus que iria devolver o seu espírito, pois diante daquele homenzarrão, já sabia qual seria o seu caminho.

- O senhor quer outra! - perguntou o empregado procurando agradá-lo, já se desmanchando em urina e outras coisas estranhas.

- Não, peste! A que eu tomei já é o suficiente! – Dizia ele com a cara de mal.

O cangaceiro saiu do bar, cuspiu fortemente, pigarreou, pôs uma enorme marca de fumo na boca, sempre observando o espaço prum lado e pro outro, montou-se na sua égua brava, e antes de sair, o comerciante perguntou-lhe:

- O senhor é Virgolino Ferreira da Silva, o capitão Lampião?

- Por que sua peste me pergunta isto?

- É porque nos jornais de hoje publicaram que o capitão Lampião já entrou no lugarejo, e com certeza, irá decepar muitas cabeças de quem é morador daqui. Peste ruim, ele não deixa um vivo, degola todos! E vem com uma grande quantidade de marginais...

- O que me diz? - perguntou ele com espanto.

- Sim senhor...!

- Eu quero lá saber do capitão Lampião! Deus me livre eu encontrar com aquela peste! Deus me livre!

E sem mais demora o suposto capitão Lampião esporeou a sua égua, e saiu rapidamente do lugarejo, com medo do capitão Lampião. Ao sair do bar, esqueceu de levar o bornal. Verificado o que carregava dentro dele, estava cheio de rolinhas, avoantes, asas-brancas, preás, Inhambus, papagaios,...

O homenzarrão era apenas um veterano caçador, e não fazia mal a ninguém, só tinha tamanho e avantajado corpo. Medroso ao extremo.

Minhas simples histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro. 

ALERTA AO LEITOR E LEITORA!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. Você pode não conduzir arma, mas o outro, poderá ter uma maldita matadora, e ele poderá não perdoa a sua ignorância.

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