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sábado, 10 de fevereiro de 2018

EXPEDIÇÃO ANGICO ESTUDOS TÉCNICOS NA GROTA DO RIACHO ANGICO


Vários jovens, Giovane, Richard, Cristiano, Vaneildo, Maria Oliveira, Sargento Ramilson, Cicero Rodrigues, José Lopes Tavares e Sálvio Siqueira, se reuniram em um grupo com uma determinada ideia. Queriam saber como seria a noite ao relento dentro da caatinga.

Foi escolhido o local da grota do riacho Angico, onde no dia 28 de julho de 1938, manhã romper do dia, a tropa comandada pelo tenente João Bezerra, cerca e ataca um bando de cangaceiros que se encontravam acoitados no leito do riacho e em sua margem esquerda. Estando presente o maior dos chefes cangaceiros, Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião.


Após o ataque, sabe-se da morte de 11 cangaceiros, dentre eles o “Rei dos Cangaceiros”, sua companheira a “Rainha dos cangaceiros”, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como ‘Maria Bonita’, e uma baixa militar, o soldado Adrião.

No momento do ataque, uma das colunas, a do Sargento Aniceto, perde-se, não encontrando o local previamente combinado. Com isso, abre um ‘rota de fuga’ para aqueles que estavam encurralados sob forte fogo dos soldados.


Parte de nossos estudos, na ocasião, era conhecer o local na escuridão noturna, procurar saber as dificuldades que enfrentou a tropa para se aproximarem, como conseguiram tamanha façanha sem chamarem a atenção dos cangaceiros, e qual hora, aproximadamente, conseguia-se vislumbrar a silhueta de um corpo humano dando condições de ser alvejado.

O tempo, na noite do dia 27 de julho de 2016 para o clarear do dia 28, se comparado as condições climáticas, segundo o que relatam os historiadores, estava diferente da noite do dia 27 de julho de 1938. Não choveu.


O calendário lunar nos diz que na noite do dia 27 de julho de 1938, a fase da Lua estava em ‘Crescente’. Já na noite do dia 27 de julho de 2016, a fase da Lua estava em ‘Quarto Minguante’.

Quarto minguante é uma das fases da Lua. Ocorre quando o ângulo Terra-Lua-Sol é aproximadamente reto, de modo que vemos apenas cerca da metade do disco lunar, no período em que a parte iluminada está diminuindo progressivamente. Já a fase da Lua no Quarto Crescente ocorre quando o Sol e a Lua estão em signos que se encontram a 90° de distância entre si, formando uma quadratura. 


Fizemos essa pesquisa para vermos a qualidade de visão noturna, a olho nu, que tiveram mais ou menos os soldados, quando da sua aproximação ao acampamento alvo.

A coisa não foi moleza não. Hoje, com as degradações causadas pelo tempo e homem, notamos a dificuldade de locomoção. E hoje temos as trilhas, coisa que não acreditamos que tinha naquele tempo.

Após esses fatos pesquisados, esperamos o romper do dia. Lento e preguiçoso, ele começa a clarear vagarosamente... 


Em direção ao Rio São Francisco, começamos a notar uma grande sombra, como se fosse um monstro deitado, dormindo. É à sombra de uma serra. Do lado contrário, ou seja, lado que se encontrava o bando acoitado, ainda não dava para divisar nada. Com o passar do tempo,, começamos a vislumbrar imagens, vultos, sem termos a certeza do que seria... Mais um pouco de tempo e, aí sim, já consegue-se ver bem uma pessoa. Quando registramos essas imagens, estávamos do lado, mais ou menos em que estavam os soldados que acompanharam o tenente Bezerra.

Fotos Sálvio Siqueira

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