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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

BENITO DI PAULA MORRE EM SÃO PAULO, AOS 84 ANOS, E DEIXA OBRA SINGULAR NO SAMBA. - POR MAURO FERREIRA.




Um dos grandes da música brasileira, Benito di Paula morreu em São Paulo

Um dos grandes da música brasileira, Benito di Paula morreu em São Paulo

♬ Um dos cantores e compositores mais populares do Brasil nos anos 1970, Benito Di Paula morreu na noite deste domingo, 18 de outubro, aos 84 anos. O artista faleceu no Hospital 9 de julho, em São Paulo (SP), em decorrência de complicações de um câncer de próstata. O artista lutava contra a doença há cerca de um ano. Ainda não há informações sobre o velório e o enterro do cantor.

Cantor, compositor e músico fluminense, Benito Di Paula nasceu Uday Velloso (28 de novembro de 1941 – 18 de outubro de 2026) na cidade de Nova Friburgo (RJ) e foi criado no Rio de Janeiro (RJ). Mas o Brasil já o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente, esquema novo.

Benito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também obtiveram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba. Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro.

O cantor, compositor e músico fluminense Benito Di Paula morre em São Paulo (SP), aos 84 anos, em decorrência de câncer — Foto: Murilo Alvesso

O cantor, compositor e músico fluminense Benito Di Paula morre em São Paulo (SP), aos 84 anos, em decorrência de câncer — Foto: Murilo Alvesso

Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra com arranjos cheios de teclados. E o fato é que o sambeiro pianeiro imprimiu assinatura singular na música do Brasil.

Diplomado na escola noturna das boates, território onde constatou que o manuseio das teclas do piano surtia efeito de batucada, Benito Di Paula marcou época nos palcos dos auditórios dos programas de TV com o informal visual de gala composto por anéis, casacas, colares, gravatas borboletas, pulseiras e, claro, os cabelos longos e outrora cacheados. Quem viveu no Brasil ao longo dos anos 1970 lembra da figura de Benito.

O cantor debutou no mercado fonográfico em 1967 e lançou em 1971 o primeiro álbum, “Benito Di Paula” (1971), ao qual se sucedeu o segundo, “Ela” (1972), apresentado um ano depois com o primeiro sucesso do artista, “Violão não se empresta a ninguém” (1972).

Contudo, o reinado de Benito Di Paula começou de fato em 1973 com dolente samba-canção, “Retalhos de cetim”, apresentado em single blockbuster naquele ano de 1973.

“Retalhos de cetim” foi o ponto de partida para o sucesso de obra que – calcada no mix do piano tocado pelo artista com instrumentos de percussão – rendeu sucessivos hits até 1984, mas sobretudo no período que foi de 1973 a 1977.

Nesse período, foi impossível ignorar “Charlie Brown” (1974), “Beleza que é você mulher” (1974), “Bandeira do samba” (1975), “Como dizia o mestre” (1975), “Vai ficar na saudade” (1975), “Tudo está no seu lugar” (1976), “Do jeito que a vida quer” (1976, grande samba dos versos confessionais “...É que meu samba me ajuda na vida / Minha dor vai passando esquecida”), “Assobiar e chupar cana” (1977) e “Proteção às borboletas” (1977).

Apresentadas ao longo de quatro anos, no já mencionado período de 1973 a 1977, auge da carreira de Benito, essas músicas atestaram o talento do compositor para fazer samba descolado da matriz do gênero, ainda que a assumida maior influência do sambeiro tenha sido a obra do bamba Ataulfo Alves (1909 – 1969).

Lançados em discos editados pelo cantor na gravadora Copacabana, na qual Benito permaneceu até 1980 e para a qual voltou brevemente em 1987 e em 1992, esses sucessos da década de 1970 já são suficientes para garantir a imortalidade de Benito Di Paula na galeria dos criadores da música do Brasil.

Contudo, o cantor ainda emplacou eventuais hits na primeira metade da década de 80. “Ah! Como eu amei”, música dos irmãos Jota Vellozo e Nei Vellozo, garantiu a Benito bom lugar nas playlists de 1981. Parceria de Benito com Márcio Brandão Carneiro, “Amigo do sol, amigo da lua” (1984) tocou bem nas rádios e na TV.

Tema da trilha sonora da novela “A gata comeu” (TV Globo, 1985), “Amigo do sol, amigo da lua” foi o último sucesso de Benito Di Paula, ainda que o cantor tenha continuado a lançar discos com regularidade até 1996, ano em que apresentou o álbum “Baileiro” sem repercussão.

Desde então alijado do mercado fonográfico pela máquina das gravadoras, Benito Di Paula apresentou somente mais dois álbuns com músicas inéditas, “A felicidade é nossa” (2017) e o relativamente recente “O infalível zen” (2021), disco com o qual celebrou 80 anos de vida.

Nos últimos anos, a obra inovadora de Benito Di Paula passou por processo de reavaliação e gerou tributos na área fonográfica e também no Carnaval. Em 2025, o artista foi enredo da escola de samba Águia de Ouro, uma das mais importantes do Carnaval paulistano. A agremiação desfilou com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer” e com a presença do próprio Benito, emocionado, em um dos carros alegóricos.

No entanto, o aval mais importante, o do público, sempre foi dado de imediato a esse cantor, compositor e instrumentista que deixa o nome gravado na história da música popular do Brasil ao morrer a um mês de completar 85 anos.

Benito Di Paula (1941 – 2026) na capa de álbum de 1976, lançado no período áureo do cantor e compositor — Foto: Reprodução / Capa de disco

Benito Di Paula (1941 – 2026) na capa de álbum de 1976, lançado no período áureo do cantor e compositor — Foto: Reprodução / Capa de disco

https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/10/18/benito-di-paula-morre-em-sao-paulo-aos-84-anos-e-deixa-obra-inovadora-no-segmento-do-samba.ghtml

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Confúcio foi o mais famoso filósofo e pensador político da China e viveu entre 552 e 479 a.C. 

"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte  pergunta:

- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?

E o mestre lhe respondeu:

- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".

Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.

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