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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SITE DA ACADEMIA LUIZ GONZAGA DO BRASIL LANÇADO NA REUNIÃO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO CARIRI PARAIBANO


O site Academia Luiz Gonzaga do Brasil – www.academialuizgonzaga.com.br é inaugurado na manhã deste sábado, 13 de dezembro de 2014, na 9º Reunião Anual do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano, IHGC, na Praça da Vila do Artesão, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, comemorativa do 150º aniversário da cidade paraibana Rainha da Borborema.

O jornalista Xico Nóbrega, criador do site-Academia Luiz Gonzaga do Brasil, palestra aos sócios do IHGC e convidados, sobre o tema Luiz Gonzaga e a Paraíba, dando enfoque à presença da microrregião paraibana do Cariri nos baiões, xotes, toadas do imortal cantador da Asa Branca.

A Paraíba é um dos Estados mais presentes nas músicas de Luiz Gonzaga, ao lado de Pernambuco e do Ceará. Isto desde o ano de 1952, quando ele lançou discos 78 rotações com duas músicas fazendo alusão à Paraíba. O célebre baião Paraíba, com o refrão curioso “muié macho, sim sinhô”. E o Baião na Garoa, um lamento de seca e de alegria de inverno, se referindo aos retirantes debandando da Paraíba, Ceará e Alagoas.

Daí em diante Luiz Gonzaga iria se referir a coisas paraibanas, personagens, lugares, costumes, em mais vinte e cinco músicas, inclusive narrativas da paisagem ecológica, personagem e costumes da microrregião do Cariri paraibano.

Os compositores paraibanos

O primeiro parceiro do Rei do Baião de origem paraibana é o compositor Antonio Barros, coautor do baião Estrela de Ouro, de 1959.

Na década de 1960, 1970 e 1980, vários compositores paraibanos participariam da grande obra do Rei do Baião.  José Marcolino, Geraldo Vandré, Luiz Ramalho, Rivaldo Serrano de Andrade, Sivuca, Glorinha Gadelha, Cecéu.

O compositor pernambucano Rosil Cavalcanti, viveu e morreu em Campina Grande, na Paraíba, onde se projetou como radialista e autor de grandes sucessos na voz de Jackson do Pandeiro e Marinês, Rosil é autor de várias músicas marcantes de Luiz Gonzaga na década de 1960.

Luiz Gonzaga e o Cariri

A microrregião do Cariri paraibano, a paisagem ecológica, personagens e costumes, inspiram boa parte das músicas de Luiz Gonzaga referindo ao Estado da Paraíba. Devido ser a microrregião natal do compositor José Marcolino. Ele nasceu se fez homem e se casou em territórios dos atuais municípios de Serra Branca, Sumé e Prata. Consagrar-se-ia um dos compositores mais importantes do Rei do Baião da década de 1960.

Aliás, Luiz Gonzaga realizou em Zé Marcolino um feito único entre os mais de 240 parceiros que participam da grande obra do Rei do Baião, em termos de número de músicas inéditas gravadas em um só álbum. O disco Ô Véio Macho, de 1962, tem seis baiões, xotes, toada, todas do parceiro compositor paraibano. Sertão de Aço, Serrote Agudo, Pássaro Carão, Matuto Aperreado, A Dança de Nicodemos, No Piancó.

Todas essas obras do parceiro José Marcolino são impregnadas de coisas paraibanas. A paisagem ecológica, a tristeza de seca versus alegria de inverno, folguedos, tipos populares, humores, costumes, principalmente da microrregião do Cariri paraibano.

O álbum Pisa no Pilão (A Festa do Milho), de 1963, traz no seu repertório mais duas composições de José Marcolino, os baiões Pedido a São João e o Caboclo Nordestino.

Em 1964, foi lançada uma obra-prima da discografia de Luiz Gonzaga, o álbum A Triste Partida, com a toada homônima do disco que se tornaria célebre, e mais algumas pérolas do caririzeiro Zé Marcolino. A toada Cacimba Nova, o forróMarimbondo, o xote Numa Sala de Reboco e o baião Cantiga de Vem Vem, este de José Marcolino e Panta (Pedro Cruz).

O drama social secular do retirante da seca no Cariri paraibano, e no semiárido nordestino em geral, inspirou baião Queixas do Norte, de José Marcolino e Pantaleão (Pedro Cruz).

Site nacional sobre o Rei do Baião lançado no Calçadão de Campina Grande.

O jornalista cultural Xico Nóbrega lança na manhã deste sábado, no Calçadão da cidade de Campina Grande, o site Academia Luiz Gonzaga do Brasil – www.academialuizgonzaga.com.br, dentro da programação dos 102 Anos de Luiz Gonzaga.

O site também vai ser lançado na manhã deste sábado na na 9º Reunião Anual do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano, IHGC, na Praça da Vila do Artesão, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, comemorativa do 150º aniversário da cidade paraibana Rainha da Borborema. E no final da tarde no evento cultural do Museu dos Três Pandeiros, às margens do Acude Velho.

É previsto para a manhã deste sábado, além do lançamento do www.academialuizgonzaga.com.br, exibições de vídeos do Rei do Baião, documentários e reportagens especiais de televisão, e apresentações artísticas.

Quem é o Fundador da Academia Luiz Gonzaga do Brasil.

Eu sou Francisco Antonio Vieira da Nóbrega - jornalista Xico Nóbrega -, 55 anos, norte-rio-grandense, nascido no município do Açu. Resido na cidade de Campina Grande, na Paraíba, desde 1979, onde, como técnico agrícola, ingressei na empresa de pesquisa agropecuária do Estado, a Emepa. Durante alguns anos atuei em projetos de implantação de campos experimentais de algodão e pastagem, e em pesquisa caprina.

Formei-me em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo pela Universidade Regional do Nordeste – hoje UEPB -, em 1988. Desde então atuei como repórter na sucursal do jornal A União em Campina Grande, durante quase vinte anos, escrevendo reportagens culturais paraibanas e nordestinas em geral, especialmente sobre Luiz Gonzaga.

Eu sou um dos jornalistas brasileiros mais dedicados aos estudos do Rei do Baião, desde 1989, quando fiz a primeira e mais marcante reportagem. A cobertura do sepultamento do Rei do Baião, na cidade do Exu, em Pernambuco, publicada no jornalA União, da cidade de João Pessoa, em duas edições.

Desde então, pesquiso e escrevo sobre assuntos temáticos afins da grande obra do imortal cantador da Asa Branca. Fazendo reportagens nas datas magnas do seu nascimento e da morte, nos jubileus das músicas clássicas, reportagens sobre o Museu Fonográfico Luiz Gonzaga de Campina Grande (extinto), pesquisadores e colecionadores luiz-gonzaguianos, e outros assuntos afins.

Sou ex-editor do site do Museu Luiz Gonzaga campinense, um dos primeiros sites do Brasil do gênero, e inauguro neste dia 13 de dezembro de 2014 - do 102º Aniversário de Luiz Gonzaga -, a Academia Luiz Gonzaga do Brasil –www.academialuizgonzaga.com.br  -, com as mesmas atribuições do site anterior e outras inovações.

Concluo no momento três projetos de livros. O Rei do Baião em 24 Ensaios Temáticos Ilustrados: Personagens, Obras, Estados Nordestinos. Além de um livro sobre o baião Paraíba. Assim como finalizo outra obra de maior fôlego comentando uma seleção de 150 obras do Rei do Baião e parceiros.

Contato: xnobrega1@gmail.com

O que é a Academia Luiz Gonzaga do Brasil

A ACADEMIA LUIZ GONZAGA DO BRASIL – ALGB - é uma entidade on line e presencial - www.academialuizgonzaga.com.br-, com o objetivo de congregar informalmente os fãs de Luiz Gonzaga, brasileiros e estrangeiros, homens, mulheres, jovens, crianças, oferecendo conteúdos à preservação, formação, e divulgação da vida e da obra do Rei do Baião.

A ALGB, fundada em 13 de dezembro de 2014 na cidade de Campina Grande, na Paraíba, por iniciativa deste jornalista cultural Xico Nóbrega, se propõe a congregar a maior comunidade de fãs, professores, jornalistas, pesquisadores da música brasileira, levando a todos a informação mais ampla e precisa da Cronologia, Iconografia, Discografia, Bibliografia, Atualidades, e outros macros temas dos Estudos de Luiz Gonzaga.

Academia Luiz Gonzaga do Brasil há de cumprir um calendário anual de atividades pautado nas datas magnas do imortal cantador da Asa Branca. O seu nascimento em 13 de dezembro (1912) e a morte em 2 de agosto (1989).

O período junino é sempre uma data genuinamente luiz-gonzaguiana, no qual a nossa entidade-site há de ter maior visibilidade.

De ano a ano dão-se os jubileus de 50, 60 e 70 anos das gravações originais dos grandes sucessos do Rei do Baião. Assim como acontecem os centenários de nascimento dos compositores parceiros de Luiz Gonzaga. Esses eventos em geral do mesmo modo hão de oferecer conteúdo informativo e noticioso ao www.academialuizgonzaga.com.br.
A ALGB visa também promover eventos presenciais e on line. Cursos, palestras, concursos, exposições, mostras de vídeos, divulgar lançamentos e feiras de livros e de discos luiz-gonzaguianos.

Contatos
(Xico Nóbrega – Contatos: 83-96593839 – xobrega1@gmail.com)

Enviado pelo poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano Kydelmir Dantas

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MOSSORÓ NA TRILHA DA HISTÓRIA

9° REUNIÃO DE ANIVERSARIO DO IHGC


PROVÍNCIA DA PARAHYBA DO NORTE
SERTÃO DOS CARIRYS DE FORA
VILLA REAL DE SÃO JOÃO DO CARIRY
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRAPHICO DO CARIRY - IHGC
CASA DE JOSÉ LEAL RAMOS

REUNIÃO DE 9°ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO

DATA: 13 DE DEZEMBRO DE 2014
LOCAL: AUDITÓRIO DA VILLA DO ARTESÃO. CAMPINA GRANDE. PARAÍBA
HORÁRIO: 8:00 h

PAUTA DA REUNIÃO

8:00 h – Formação da Mesa
8:10 h – Abertura da Sessão pela Presidência do IHGC
8:20 h – Pronunciamento do Secretário de Cultura de Campina Grande Lula Cabral
8:30 h – Pronunciamento do Presidente Interino do Instituto Histórico de Campina Grande Josemir Camilo de Melo. Casa de Humberto César de Almeida
8:40 h – Pronunciamento do Presidente do Instituto Histórico e Cultural de Pocinhos Bismarck Martins de Oliveira
8:50 h – Pronunciamento do Idealizador do Instituto Histórico e Geográfico de Esperança Rau Ferreira.  Casa de Irenêo Ceciliano Pereira Joffily
9:00 h – Posse do Presidente da Sociedade Paraibana de Arqueologia Erick de Brito
9:20 h  - Palestra “Luiz Lua Gonzaga, a Paraíba e o Cariri” pelo Confrade Francisco Vieira da Nóbrega (Xico Nóbrega)
9:50 h – Palestra “Porque Eu Passei a Gostar de Luiz Gonzaga” pelo pesquisador José Nobre
10:20 h – Homenagens Póstumas aos Confrades Ariano Vilar Suassuna, Francisco Tancredo Torres, Manoel Monteiro da Silva e ao Sócio Honorário Sansão Raia
10:50 h – Exibição do Vídeo “Quando Eu Vestia Meu Terno de Couro” sob a direção do Confrade Flávio Alex Farias
11:10 h – Exibição do Vídeo “Caleidoscópio do Cariri” e do Folheto Poema de Amor a São João do Cariri” pelo Sócio Honorário Francisco de Paula Almeida.

Exposição de Fotos sobre o Cariri de autoria de Francisco de Paula Almeida

Enviado pelo poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaquino Kydelmir Dantas

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BICHO DE CANGA

Por Rangel Alves da Costa*

A maioria das pessoas talvez não conheça o que seja canga nem qual a sua serventia. Antecipo afirmando que é um instrumento de madeira colocado no pescoço dos animais para que não fujam ao comando do condutor. E também para que uma dupla de bois siga na mesma direção. Também conhecida por jugo ou junta de bois, era muito utilizado nos animais puxando carro-de-bois e também noutros pescoços de bichos arredios.

Conceitualmente, canga é uma peça de madeira encurvada, simples ou dupla, que se coloca no pescoço ou cachaço dos animais de carga. É o instrumento utilizado para unir dois bois, para que andem no mesmo compasso enquanto puxam um arado ou uma carroça. A madeira é talhada de modo a ser ajustar aos pescoços ou perfurada no molde destes. Neste último caso, a madeira se abre ao meio e novamente é unida quando os pescoços estão presos.

Após a colocação da canga, o carreiro sobe no carro de madeira rangente e passa a comandar, com berros e chicotadas, os bois submissos. Além do chicote de couro cru geralmente leva à mão uma vara com ponta de metal afiado para espetar o lombo dos bichos, ainda que estes estejam se esforçando ao máximo para carregar tanto peso. Desse modo, a canga, muito mais que um instrumento para juntar os animais na mesma direção, é utilizado para deixá-los em posição de submissão, de verdadeiro jugo, em posição ideal para serem açoitados e feridos pelos seus algozes.

Mas nem só os animais eram submetidos à canga, ao jugo pesado sob o pescoço, pois também o bicho humano já foi atormentado pela sua ira. Até hoje os desenhos de Debret e outras ilustrações acerca da escravidão mostram os negros fugidios acorrentados e sendo puxados a partir de uma madeira envolvendo seus pescoços. Avistam-se as cangas como instrumentos de escravização, de sujeição e tortura.

Também noutros tempos, muitos condenados à morte por decapitação eram colocados em cangas à espera que sobre suas cabeças descesse a lâmina cortante. As cenas terríveis sempre mostrando mãos presas à madeira, os corpos de um lado e a cabeça de outro, e apenas a canga dividido a vida da morte. E num simples gesto do opressor, então o algoz descia a lâmina e fazia a cabeça cair ao chão.


No Nordeste brasileiro, o surgimento de grupos de bandoleiros das caatingas fez surgir o termo cangaço, como forma de denominar aqueles que enveredavam nas hostes da bandidagem por viverem sob a canga do Estado, do mando e da opressão. Neste sentido, a canga era o peso suportado pelo homem da terra escravizado, perseguido, injustiçado. E canga também o fardo que suportavam no meio tão hostil, empobrecido e entremeado de angústias e sofrimentos. Daí o termo cangaço.


Contudo, cangaço também remete a frangalho, a resto, a maltrapilho, a uma situação de penúria. Quando o ser está irreconhecível nas suas forças, diz-se que dele restou apenas o cangaço; quando mais parece um errante rasgado e imundo, jogado à desdita da vida, afirma-se que está um cangaço. De qualquer modo, sempre deixa subentender uma situação de pobreza, sofrimento, desvalia.

Assim, a canga serve para exemplificar, a um só tempo, a obediência forçada do bicho de carga, a escravização degradante e abjeta, o limite da vida e da morte, uma situação de dor e suplício. E em tudo o sofrimento silencioso, a sujeição sem revide, a condenação sem chance de qualquer apelo. Sob a canga ou envolvido pela sua madeira, o pescoço encurvado significa o ser se exaurindo e já sem forças para reagir. Mas, no caso dos escravos e bichos, estes tinham de tudo suportar e seguir em frente, sentindo ainda o chicote no lombo ou a espetada do ferrão nas costelas.

Será que o homem moderno se envergonhou da canga e a relembra agora como um degradante objeto de mortificação e tortura? Seria idílico imaginar o homem como aquele que reconhece seus erros e procura se redimir das atrocidades cometidas. O mundo é outro, a realidade possui feições bem diferenciadas de outros tempos, mas muita canga ainda continua sendo colocada em pescoços.

Mas nem só em pescoços a canga é colocada. Toda vez que a riqueza submete a pobreza, escravizando-a, utilizando-a para fins escusos está colocando a canga. Toda vez que o Estado deixa o ser humano impotente diante de suas garantias fundamentais, está colocando canga nas classes carentes. Toda vez que o autoritarismo se impõe para calar a voz do cidadão, para negar seus direitos e conduzir como bem desejar a vida da sociedade, está usando a canga.

A pobreza vive com a canga ao pescoço, no estômago, aos pés. Vivem carregando canga todos aqueles que necessitam de atendimento público de saúde, que procuram os órgãos públicos para cumprir exigências, que precisam adquirir alimentos e outros meios de sobrevivência. E que canga pesada diante da insegurança. A canga moderna é, assim, toda essa impotência que submete e desonra o ser humano, principalmente aquele que, pela situação de pobreza, já vive na forca. 

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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O perverso Lampião


(Repentistas, João Neto e Chico Ivo)

"Quem era que não temia 
O bandoleiro caolho,
Sua lei olho por olho, 
O que pensava fazia,
Seguro na pontaria, 
Desconfiado e mateiro,
Calculista e sorrateiro, 
Que fez do crime a missão
No tempo de Lampião, 
Cabra pisava maneiro"

Outra estrofe dos repentistas Chico Ivo e João Neto)


"Enfrentava pelotões, 
Em situações estranhas, 
Um animal das montanhas, 
Um César das legiões, 
Assombro das multidões, 
Atirador e certeiro,
Estrategista e guerreiro, 
Matador de profissão
No tempo de Lampião, 
Cabra pisava maneiro" 

Fonte: facebook

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O rei Lampião

Por Chagas Nascimento

Em Março de 1926, quando esteve em Juazeiro, o Dr. Otacílio Macedo, médico e jornalista do Crato, entrevistou Lampião. Perguntou-lhe: 

Médico Octacílio Macedo que entrevistou Lampião no Ceará

- Por que não larga essa vida, Capitão, o senhor que já tem tanto dinheiro? Por que não vai embora para Goiás ou Mato Grosso, deixando de vez essa existência perigosa?


Lampião responde: 

- Doutor, o senhor estando bem numa vida, o senhor larga ela?

Fonte: facebook

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NOMES DE CANGACEIRAS E SEUS COMPANHEIROS

Foto da cangaceira Durvinha quando ainda era companheira de Virgínio Fortunato da Silva

Trago aqui hoje uma foto retirada do livro Bonita Maria do Capitão de Vera Ferreira, ao qual tive o prazer de ir ao lançamento em 2011 aqui mesmo em Salvador. 


A foto que trago é com o nome de diversas cangaceiras e seus respectivos cônjuges, muito interessante!

Fonte: facebook
Página: Guilherme Velame

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CANGAÇO VIII

Material do pesquisador Antonio Morais

A MORTE DE JARARACA

Em torno da morte do famoso cangaceiro Jararaca, tiveram curso várias versões curiosas, uma das quais foi recolhida por Leonardo Mota, o brilhante folclorista cearense, no interior do Rio Grande do Norte. 

Seguindo essa versão, Jararaca fora barbaramente assassinado por soldados da polícia potiguar, depois de haver sido conduzido da Cadeia Pública ao cemitério de Mossoró, aonde tê-lo-iam obrigado a cavar a própria sepultura. Para não desfigurar o cunho pitoresco do episódio, preferimos transcrevê-lo como narra o apreciador sertanista:


- Quando Lampião teve a certeza de que atravessaria livremente todo o Ceará, em cujo território já por vezes penetrara, erguendo vivas ao então Presidente do Estado, decidiu invadir o Rio Grande do Norte, para atacar a cidade de Mossoró. Seduziam-se os pingues recursos desse empório comercial servido por uma agência do Banco do Brasil. Saiu-lhe porém, o ano bissexto. A população de Mossoró, tendo a frente o valoroso prefeito Cel. Rodolfo Fernandes, reagiu bravamente ao assalto da cabroeira de Virgolino e dois sequazes deste tombaram baleados sem que os companheiros os pudessem conduzir.

Prefeito Rodolfo Fernandes

Um dos feridos era Jararaca. Transportado para cadeia, solicitamente o medicaram. Era preciso que ele falasse sem que as autoridades o ouvissem. De fato, só depois de pensado, interrogado e até de fotografado, o Jararaca morreu. Mas ninguém o viu morto, pois o enterramento foi dado como feito alta noite. Uns vinte dias depois me dizia um sertanejo da terra potiguar:

- Jararaca morreu, mas não foi de morte morrida, foi de morte matada. 

E com a desventura de quem não tem papas na língua nem é jornalista de Governo, descreveu a cena macabra: 

- Uma boca de noite, noite de lua, o Jararaca, algemado, foi conduzido da cadeia para o cemitério. Chegando lá, rodeado de soldados mostraram-lhe uma cova, aberta lá num canto, quase fora do sagrado e lhe perguntaram se ele sabia para que era aquilo. Foi quando o Jararaca falou frocado e destemido: 

- Saber de certeza não sei não, mas porém estou calculando. Não é pra mim? Agora isso só se faz porque eu me vejo nesta circunstância, com as mãos inquiridas e desarmadas! Um gosto eu não deixo pra vocês: é de se gabarem de que eu pedi que não me matassem. Matem! Matem! Que matam, mas é um homem. Fique sabendo que vocês vão matar o home mais valente que já pisou nesta... 

Mas não teve tempo de acabar de dizer o que queria. Por traz dele um soldado, naturalmente de combinação com os outros, deu-lhe um tiro de revólver na cabeça. A bala pegou bem no mole do pé do ouvido, lá nele. O Jararaca amunhecou das pernas e caiu, de olho virado. Aí, os soldados o empurraram com os pés pra dentro da sepultura. Só demoraram enquanto tiraram os ferros das algemas. Quando o cadáver rolou pra cova, fizeram luz e espiaram: o finado tinha caído de bruços. Mas, ninguém se embaraçou com isso: por cima do corpo ainda quente as pás de terra deram serviço. Calou-se o narrador para dizer, logo mais, entre compadecido e irônico, num misto de piedade e galhofa:

"- Coitado do Jararaca! Tão valente na hora da morte, mas foi enterrado dando as costas pra este mundo velho, onde ele fez tanta estrepolia".

O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos – nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia. O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço”.

Lampião diz qui num corre
Mas correu lá da Matinha
Deu um chouto vergonhoso
E galope armofadinha!

Lampião diz qui num corre.
É mofino corredor!
Já correu de Mata Grande,
Qui poeira levantou.

Raul Fernandes.

http://blogdosanharol.blogspot.com.br/2009/07/cangaco-viii.html

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O BUSTO DO MONSENHOR HUBERTO BRUENING ESTÁ LASCADO

Por José Mendes Pereira
Foto do acervo de José Mendes Pereira

Infelizmente o busto do Monsenhor Huberto Bruening foi feito de resina, no lugar da fabricação em bronze. Mas talvez tenha sido por falta de dinheiro, já que um BUSTO com fabricação (BRONZE), custa nos dias de hoje, em média, 20,00 mil reais.

 
http://pebesen.wordpress.com

O bom mesmo era que este busto do monsenhor Huberto Bruening tivesse sido feito de bronze, para se tornar eterno, mas não devemos culpar "a" ou "b", por não sabermos de nada sobre as condições financeiras de quem mandou confeccioná-lo.

Catedral de Santa Luzia em Mossoró

O mais importante para nós mossoroenses é que inteiro ou lascado, o busto do religioso Monsenhor Huberto Bruening permanece ao lado da igreja de Santa Luzia em Mossoró, casa religiosa que ele a dirigiu  com muito amor por várias décadas, no século XX.
   
Monsenhor Huberto Bruening 

"Huberto Bruening era natural de São Ludgero, no Estado de Santa Catarina. Filho de Reinaldo Bruening e de Isabel Rohden. Nasceu em 30 de Março de 1914. Era irmão do Pe. Clemente Bruening, sobrinho do filósofo e teólogo Huberto Rohden e primo irmão de Dom Afonso Niehues.

Padre Huberto Bruening na juventude

Em 1935 seguiu para São Leopoldo, Rio Grande do Sul, a fim de completar a formação com os estudos teológicos. No meio tempo, aconteceu a eleição de Monsenhor Jaime de Barros Câmara para 1º. bispo diocesano de Mossoró, Rio Grande do Norte. 

Monsenhor vir para o Nordeste sozinho, numa diocese carente de vocações e padres. Dom Joaquim Domingues de Oliveira, arcebispo de Florianópolis, permitiu que convidasse alguns seminaristas a acompanhá-lo: Huberto Bruening, Ivo Calliari, Arlindo Thiesen, Walmor de Castro foram os que perseveraram. Excetuando Huberto, os três se integraram à vida episcopal de Dom Jaime em Mossoró, Belém do Pará e Rio de Janeiro.

Foto do acervo de José Mendes Pereira

Huberto Bruening chegou em Mossoró em 25 de abril de 1936, e foi excardinado da Arquidiocese de Florianópolis em 24 de setembro de 1936. Tendo completado os estudos teológicos em Fortaleza, foi ordenado sacerdote na catedral Santa Luzia, em Mossoró, em 30 de janeiro de 1938. Lema escolhido para o sacerdócio: “Pela graça de Deus sou o que sou” (1 Cor 15,10).

Monsenhor Huberto Bruening na velhice

Monsenhor Huberto Bruening faleceu em Mossoró no dia 29 de Agosto de 1995, sem nunca ter lhe faltado a presença de suas “Camilas”, nome pelo qual chamava a todas as senhoras que o ajudavam. Sensibilizado pelo ato de compaixão que via em todas, sempre lhes dizia: “Eu não tenho com que pagar a ninguém, só Deus é que pagará a todas”.

Fonte de pesquisa: http://pebesen.wordpress.com/padres-da-igreja-catolica-em-santa-catarina/monsenhor-huberto-bruening-vida-doada-a-mossoro/

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POMBAL E A ROTA DO CANGACO NA PARAÍBA


Jerdivan Nobrega Araujo - O povo de Pombal tem seus sonhos.

Fonte: facebook
Página: Wbyracy Carvalho 

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1938 - Angico, mais mentiras e mistérios

Por Ivanildo Silveira

O pesquisador e escritor pernambucano Paulo Medeiros Gastão, fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, lançou extra-oficialmente, mais um livro sobre cangaço. Trata-se da obra  "1938 - Angico" impressa na indústria gráfica e editora Montaigne Ltda., de Mossoró/RN. 


O livro tem 144 páginas. É diferente, constam centenas de perguntas e respostas, diretamente relacionadas ao combate em Angico, em que morreram Lampião + 10 cangaceiros, além do soldado Adrião. 

O soldado Adrião o primeiro à esquerda - imagem do acervo do escritor Vilela

O autor que tem mais de 20 anos de pesquisa sobre o tema, procura dar uma resposta, na sua ótica, sobre  as principais dúvidas verificadas neste combate, e de seus personagens ( volantes e cangaceiros ).

A aquisição do livro, pode ser feita diretamente com o autor ( não está á venda em livrarias ), ao preço de R$ 20,00 ( vinte reais + frete ), através do email: paulomgastao@hotmail.com

Abraço a todos, e, parabenizo o autor por mais essa contribuição ao estudo do cangaço.
Fonte:www.lampiaoaceso.blogspot.com

Ivanildo  Alves  Silveira - Natal RN
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e Cariri-Cangaço

Fontes: http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://cariricangaco.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

“O GLOBO” – 10/09/1927 A PSICOLOGIA DO CANGACEIRO

Por Antônio Corrêa Sobrinho

Amigos verifiquei agora que a matéria de "O Globo" sobre o banditismo nordestino, publicada em 1927, e que eu prometi compartilhar com vocês, por equívoco meu, deixou de exibir o texto por mim digitalizado. O que faço agora, com minhas desculpas.

“O GLOBO” – 10/09/1927
A PSICOLOGIA DO CANGACEIRO
O BANDITISMO NOS SERTÕES DO NORDESTE BRASILEIRO
UM ENSAIO POLÍTICO-SOCIAL
(Especial para o GLOBO)

A psicologia do cangaceirismo, que nos infesta grandes zonas do sertão, e, por via de regra, se trava com a politicagem, não tem sido até hoje estudado senão superficialmente, da mesma sorte porque o banditismo não tem sido reprimido senão de modo falho, sem consideração ou estudo das origens e do modo de ser daquela gente, a um tempo cruel e altivo, e sempre com todas as surpresas de uma quase inconsciência. É por isto mesmo que não podemos furtar à análise da opinião pública uma série de artigos em que versou tão intrincado assunto um conhecido político e ex-parlamentar do Norte, que se oculta de longa data sob o pseudônimo de Justiniano de Alencar, e vem de escrever especialmente para “O Globo” o referido trabalho ou ensaio, de que hoje oferecemos a primeira parte, dos seis em que ele se divide.

CAPÍTULO I

Há bem pouco tempo os jornais cariocas publicaram telegramas do Ceará, nos quais se noticiava a breve captura do célebre “Lampião” e do seu bando, cercados que estavam os bandidos em uma fazenda do interior daquele Estado. Dizia-se mesmo que essa captura seria uma questão de honra, sendo impossível aos bandidos escapar. As horas passaram; passaram dias, e novos telegramas traziam a triste nova de que o audaz bandoleiro furara o cerco, internando-se no matagal. E os jornais do Rio começaram a bordar comentários zombadores em torno do convênio estabelecido entre os chefes de Polícia dos Estados do Nordeste para a perseguição do bando sinistro, chegando algumas folhas a tecer irônicos ditirambos ao herói do crime.

Entretanto, se aqui, no Rio, se conhecesse a geografia física e política do Nordeste brasileiro, far-se-ia, certamente, mais justiça aos abnegados policiais que vivem arriscando a vida, centena de vezes, contra um inimigo quase invisível, protegido pelos acidentes do terreno, que conhece a palmo, protegido pelas caatingas cerradas, onde rasteja como animal bravio, protegido, em suma, pelo apoio que lhe prestam os parentes e políticos sertanejos, de longa data habituados a um regime quase feudal e a se aproveitarem desses infelizes escorraçados da sociedade para suas vinganças particulares.

Raras, raríssimas vezes, os bandidos enfrentam a força pública que os persegue quando surpreendidos nessas horas noturnais formadas pelas arestas das serras onde se acoitam. Em regra, quando surpreendidos nessas lutas temíveis, tiroteiam durante minutos para abater alguns soldados, e, logo que presentem o assalto da tropa para desalojá-los em luta corpo a corpo, fogem, internam-se nas grotas profundas e quase inacessíveis, onde a perseguição é impossível para uma força organizada e desconhecedora do terreno.

A tropa, então, ou volta para os povoados próximos, onde está aquartelada, ou permanece algum tempo pelas redondezas do local da luta, em pesquisas sempre infrutíferas, porque a tática do cangaceiro consiste em sumir-se como que por encanto, não dar o menor sinal de si, manter-se escondido nos matos durante um espaço de tempo calculado para que a calma de restabeleça, e surgir, de repente, dezenas de léguas distantes dos lugares onde permanece a força policial, para atacar uma fazenda isolada, que ele sabe, de antemão, desprotegida de qualquer auxílio.

Jornadeando durante a noite por (...) atalhos, evitando as estradas públicas, oculto durante o dia nas caatingas – o bando sinistro semelha (...) infernais que aparecem e desaparecem com a rapidez do raio, deixando após sua passagem a desolação e o terror. Como, se prevenirem esses (...)? Como se espalharem forças policiais por uma região onde são percorridas, às vezes, 10, 15 e 20 léguas, sem se encontrar uma casa?

É preciso conhecer-se a gênese do “Cangaceirismo” para se poder avaliar as dificuldades quase insuperáveis que terão de vencer os governos dos Estados nortistas para extingui-lo, quer se considere o desabitado da zona sertaneja, quer a geografia física daquela região, como que projetada para a mantença dessa calamidade, pela abundância de esconderijos constituídos por um mato baixo, cerrado e coberto de espinhos, e por grotas profundas e quase impenetráveis, ou quer se atente para os hábitos astuciosos do cangaceiro, misto de bravura e covardia, de crueldade e clemência, de rapinagem e caridade, de desonestidade e honradez, de fidelidade e perfídia, por mais que isto pareça paradoxal.

O Dr. Raul Azedo, médico insigne em Recife, é uma das inteligências mais cultas do Brasil, conhecedor de grande parte dos sertões de Pernambuco e Alagoas, tem publicado no “Diário da Manhã”, de Recife, uma série de artigos interessantíssimos sobre o cangaceirismo, dos quais se evidencia o enorme esforço que precisarão desenvolver os governos nortistas para vencer esse flagelo dos sertões.

“O problema do cangaceirismo nordestino – diz ele – é um dos mais complexos sobre que se pode exercer a análise do sociólogo. Emaranham-se na sua gênese fatores remotos e atuais, de ordem étnica e física uns, de ordem social e politica outros.

A conquista do interior brasileiro se faz à custa de luta sangrenta e prolongada, em que ao trabuco e à espada do invasor respondiam galhardamente a flecha e o tacape do aborígene.

Não admira, pois, que para tais gentes, a bravura, a força física, a agilidade, a destreza no manejo das armas, constituíssem as virtudes e os predicados mais nobilitantes e invejáveis do ser humano.”.

Três raças, bem diversas, concorreram para formar o tipo de sertanejo do nordeste brasileiro: - a dos índios, em luta constante contra os invasores do seu território, que o caçavam como bestas-feras matando-os ou repelindo-os para o centros portugueses, aventureiros, habituados no morticínio nos combates, que invadiram o interior do Norte, uns sequiosos de ouro, que julgavam encontrar com facilidade, outros para se apossarem de terras doadas pelo governo da metrópole e que ali queriam estabelecer à força seus domínios, mantendo os primitivos donos, sem misericórdia, desde que (como diz Raul Azevedo) “estavam convencidos de se acharem em presença de seres fora da humanidade, relativamente aos quais seriam descabidas a compaixão ou a observância de quaisquer sentimentos afetivos”; e, por fim, a dos negros africanos, escravizados e arrastados para aquelas terras, a serviço desses senhores desumanos.

Assim, ora em luta permanente com os selvagens, ora suspendendo temporariamente as hostilidades e, durante as tréguas, misturando-se, unindo-se sexualmente e procriando, as três raças acabaram, com o decorrer dos tempos, por se fundir em uma, com algumas virtudes inatas ao homem, mas onde predominavam os vícios, e, sobretudo, os instintos guerreiros e sanguinários, alimentados pela ampla liberdade em que viviam, longe dos centros de civilização e sem a mínima sujeição legal.

Em tais condições é bem de ver que, sendo o sertanejo nortista um produto daqueles antigos elementos em luta, desconhecendo os verdadeiros princípios sociais, completamente ignorante de tudo o que não fosse a luta pela vida, livre de códigos e de sanções penais, a sua lei era a lei selvagem – a da “força”; o seu direito era a sua “vontade”; a sua justiça, o “bacamarte” e o “punhal”.

Mais tarde, quando as estradas de ferro foram penetrando pelo interior dos Estados e os governos entenderam levar um pouco de civilização e de ordem àquelas zonas selvagens, a política interveio para transformar os sertões em feudos dos políticos que estavam no poder, e os sertanejos bravios passaram a vassalos das autoridades que os subjugavem com os soldados de que dispunham a seu talante. E, se algumas dessas autoridades procediam com prudência e justiça, outras ligavam-se a uma família sertaneja de maior prestígio na localidade, quer para efeitos políticos, quer para enriquecerem rapidamente, apropriando-se de terras e gados pertencentes a outras famílias.

Mas, como a política varia e os que se achavam no poder caíam de chofre no ostracismo, para dar lugar ao partido adverso, novas autoridades eram enviadas pelos novos governos para os sertões, em substituição dos primeiros, que já se encontravam donas de latifúndios e ligadas a uma ou mais famílias sertanejas; e, como as novas autoridades, devidamente garantidas pela força pública, queriam, por sua vez, criar e organizar seu partido político no sertão, manobravam como as primeiras, ligando-se a outras famílias sertanejas, até então desamparadas de prestígio, e procedendo em tudo e por tudo como aquelas que substituíam.

É claro que, “mutatis mutantis”, a justiça dos novos dominadores, com raras exceções, passava a proteger os sertanejos sectários do seu credo político, em detrimento do “direito” dos adversários, tal qual como estes haviam procedido quando dispunham das autoridades policiais e do prestígio político.

E assim foi a política se imiscuindo na vida sertaneja, dividindo em castas inimigas aquela população bravia, e sucessivamente dando força e prestígio quer a um, quer a outro grupo de famílias, conforme se achava no poder quer um, quer outro dos partidos que governavam a Nação.

Ora, como os instintos selvagens do índio (que não perdoa ao inimigo), associado aos sentimentos autoritários e violentos do europeu invasor, e à barbaria supersticiosa e cruel do africano, continuavam a preponderar o sertanejo nordestino, produto desse amalgama de sentimentos os mais opostos – originaram-se, daquela intervenção vinda do litoral, lutas sangrentas entre as famílias sertanejas que se não sujeitavam à convenção legal, preferindo a justiça como a entendiam: primitiva, rápida, e exercida por suas próprias mãos contra quaisquer ofensas recebidas, com o assassínio do ofensor; de modo que, perseguidos como criminosos, uniam-se a parentes, internavam-se na vastidão do nosso território, em luta perpétua, até à morte, com as autoridades perseguidoras.

Eis como se gerou o tipo do “cangaceiro” – espécie de nômade, como o índio, seu antepassado, sem habitação fixa, vagueando pelas caatingas e pelas serras inacessíveis, vivendo como os animais, e denominado cangaceiro, do vocábulo – “cangaço” (conjunto de armas) pelo fato de andarem esses criminosos carregados de armas diversas.

Justiniano de Alencar.

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho


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UMA MOSSOROENSE NO AMAZONAS

Por Vitória Lemos 

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... Hoje não tenho mais tanta certeza disso. 

Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados... Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... 

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: "- Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. 

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido desta humilde amiga: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Amo demais vocês nunca esqueça disso viu to aqui pra tudo...

Sim, desculpa se esquecei alguém.

Fonte: facebook
Página: Vitória Lemos

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LOCAL FILMAGENS DE ABRAÃO - LAMPIÃO E O LAJEDO DO BOI...!!


LOCAL FILMAGENS DE ABRAÃO - LAMPIÃO E O LAJEDO DO BOI...!!

Um dos locais em que foram feitas as filmagens de Lampião e seu grupo, no ano de 1936, foi no famoso LAJEDO DO BOI, situado na zona rural do povoado Capiá da Igrejinha, em Canapi, no Estado de Alagoas. 

Acima, temos uma dupla FOTO comparativa, onde se coteja, um fotolito de Abraão Benjamin Botto, com os cangaceiros se abastecendo do precioso líquido, e, uma FOTO ATUAL do local.

Cortesia do escritor, Dr. Sérgio Dantas...

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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CANGAÇO VII

Material do acervo do pesquisador Antonio Morais

Banditismo Profissional.

Quando Lampião entrou no grupo de Sebastião Pereira, adotou o banditismo como profissão. Viveria entre homens marginalizados, condenados pela lei. Fora desse ambiente não encontraria amigos, somente criaturas submissas pelo temor. 

Sargento Optato Gueiros - lampiaoaceso.blogspot.com

O Sargento Optato Gueiros, viajava, em fevereiro de 1921, para Vila Bela. Descansava numa casa isolada, na caatinga, quando foi surpreendido, à meia noite, com a chegada do grupo de Sebastião. Os cabras vinham sedentos. Bebiam água e conversavam com animação. Um deles vendo Optato fardado perguntou:

- Quanto ganha por mês?

- Noventa e cinco mil reis.

- Hum!. Muito pouco, acudiu Lampião. É melhor ser cangaceiro mesmo. 

Para trabalhadores rurais, que viviam na mais completa escravidão econômica, aquela vida prometia algumas compensações. 

Em 1926, Lampião passava, com o seu grupo, em Juazeiro do Norte. Foi entrevistado pelo Dr. Otacílio Macedo, médico e jornalista: 

- Por que não larga essa vida, capitão, o senhor que já tem tanto dinheiro? Por que não vai embora para Goiás ou Mato grosso, deixando de vez essa existência perigosa? 

- Doutor, o senhor estando bem numa vida, o senhor larga ela? Assim sou eu. 

O bandoleiro sentia-se realizado.

É mior ser cangaceiro
E poeta cantador
Que sê bispo ou deputado
Ou mesmo governador.

Querendo andar no cangaço
Inté sou bom cangaceiro
Que isso de matar gente
É serviço mais maneiro

Se o cabra não tem corage
Que mude de profissão
Vá para o rabo da enxada
Aprantá fava e feijão.

Raul Fernandes.

CONTINUA...

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