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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

JOSÉ ALVES DE MATOS O CANGACEIRO VINTE E CINCO


Publicado em 17 de junho de 2014 - Foi enterrado nesta segunda-feira (16) em Alagoas o corpo de José Alves de Matos, o último cangaceiro do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião

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O CABO MILITÃO*


Foi uma tarde pressaga aquela em que na fazenda “Corituba”, de Sergipe, Ezequiel, irmão de Virgolino, com este se desaveio e o desafiou para uma luta, a punhal, injuriando-o com os epítetos de cego frouxo, fazedor de mal a moças donzelas, ladrão de beira-de-estrada, dador de surra em homem desarmado e cabra covarde que só tem fama por via dos companheiros… Devido à oportuna intervenção de Corisco e de Pai Velho, um duelo fratricida se não verificou. Mas, desde esse dia, Lampião passou a se mostrar taciturno e se tornou ainda mais irascível e cruel. O olho direito, que ele tem cego e esbranquiçado, estava sempre lacrimoso e isso neurastenizava e enfurecia o celerado.

Por outro lado, Virgolino sentia que a maioria do bando não recebera bem a sua decisão contra Corisco, no incidente deste com Volta Seca. Fôra o caso que, dias antes, estando Volta Seca a torturar uma pobre velha, cujo rosto já arranhara com o punhal, Corisco o repreendeu e, como o perverso insistente na sua maldade, Corisco despegou-lhe uma bofetada que o atirou, desacordado, ao chão. Virgolino metera-se entre os dois, mas desgostara Corisco, em lhe não reconhecendo razão. Só por estarem atropelados mui de perto pela polícia, os cangaceiros não se separaram, fragmentando o grupo. Tais ocorrências obrigavam Virgolino a procurar escaramuças que dissipassem o mal-estar que ensombrava os ânimos da malta. Fazia-se mister que a luta novamente os solidarizasse.

A 29 de junho do ano passado, quando todo o sertão baiano guardava, tranquilo e feliz, o dia onomástico de São Pedro, Virgolino, a três léguas do arraial Várzea da Ema, do município de Curaçá, assaltou a fazenda “Formosa”, de propriedade do Cel. Petronilo Reis. Aí incendiou duas casas e, afora outras depredações, matou, a faca, três vacas de leite e cento e sessenta e oito (168) ovelhas que encontrou presas num curral. Em seguida, fez juntar grande ruma de esterco, empilhou sobre ela as reses e lanígeros abatidos e ateou fogo ao sinistro montão de animais sacrificados. Por muitos dias um cheiro nauseabundo de carnes podres e queimadas empestou as redondezas da fazenda reduzida a ruínas.

Após a selvajaria desses desatinos, Lampião partiu com o seu séquito, declarando na fazenda “Curundundu” que ia desgraçar a vila de Uauá. Então, perseguia-o mais de perto a volante comandada pelo Tenente Arsênio Alves de Sousa. Verdadeira marcha batida, em a qual, sem descanso, os cangaceiros venceram trinta e uma léguas e a polícia vinte e quatro.

Foi assim que Lampião logrou escapar aos que se lhe haviam escanchado no rastro: perto da fazenda “Lagoa Escondida”, numa bifurcação da estrada, rumou para a direita, indo pernoitar a 30 de junho, em Poço de Fora, iludindo, pois, o contingente policial que prosseguiu pela esquerda, a fim de entrar pelo lado sul de Uauá.

Auxiliado por sequazes incorporados à sua alcateia em território baiano e perfeitos conhecedores da região, Virgolino novamente deu às de vila-diogo na madrugada de 1° de julho, empreendendo um raid ainda mais exaustivo e ousado. Egresso das caatingas e grotões, o bandoleiro-fantasma teve a audácia de voar sobre Itumirim, onde chegou ao lusco-fusco do dia 2, depois, em trinta e seis horas, haver vencido quarenta e cinco léguas! Aí reduziu a cinzas a estação ferroviária, cortou as comunicações telegráficas com a localidade, bebeu à farta e tentou formar um samba na casa da… Escola Pública. Mas, medroso de uma surpresa dos seus perseguidores, arribou logo mais e foi refugiar-se, durante o resto da noite, na Serra dos Morgados. O dia 3 assinalou o seu assalto à fazenda “Piabas” e o seu pernoite no lugar “Buraco d’Água”.

Coincidiram tais fatos com a fuga de cinco soldados criminosos, recolhidos à cadeia de Bonfim. Esses fugitivos, em bilhete irônico e malcriado que deixaram ao Capitão José Galdino, avisavam que se iam reunir a Lampião.

Em atividade, no encalço dos detentos foragidos, a manhã de 4 de julho veio encontrar os destacamentos da zona.

Procedentes de Campo Formoso, o Cabo Antônio Militão da Silva e os Soldados Pedro Santana, Cecílio Benedito, Manoel Luís de França e Leocádio Francisco da Silva pararam em Brejão de Dentro e ali aguardaram a chegada de outros companheiros, por ser aquele o ponto combinado de junção das forças.

Como devessem dali ingressar na região de Gruna, penetrando em lugares insidiosos e de penoso acesso, “lugares esquisitos”, como eufemicamente por lá se diz, os soldados abandonaram as armas e aproveitavam o tempo de espera, escrevendo bilhetes para suas famílias em Campo Formoso, dando-lhes conhecimento da direção que iam tomar. Estavam todos no interior da residência de Alfredo Monteiro e, fora, o Cabo Militão consertava os loros de uma montaria. Seriam onze horas da manhã.

Em dado momento, Militão avistou longe, na estrada, diversos homens armados e avisou: – Lá vêm nossos camaradas! E continuou, despreocupadamente, no reparo dos arreios. Também as praças não tiveram a curiosidade de ver quem era que se aproximava. A estrada faz uma curva fechada e vem desembocar abruptamente junto à casa, motivo por que Militão logo perdeu de vista os indivíduos que julgou serem soldados.

De súbito, o troço aparece. Num ápice, saltam das selas Lampião, Volta Seca, Ezequiel, Pai Velho, Corisco, Arvoredo, Moderno, Esperança, Moirão, Gato, Pernambuco e Labareda. Virgolino já está intimando o Cabo Militão:

- Se prepare, cabra, se prepare pra apanhar!

- PRA APANHAR, NÃO, QUE EM HOMEM NÃO SE DÁ: – HOMEM SE MATA!
- Apois, então, tire a cartucheira, que é pra não melar de sangue!

Mas não findara o curto diálogo entre Virgolino e Militão e já Volta Seca desfechava neste um tiro de Parabellum no ouvido.

Com o estampido, acorrem os soldados, atordoados e sem os fuzis, e são recebidos por uma saraivada de balas, quase a queima-roupa. Um deles tomba, tendo como arma nas mãos a caneta com que inconscientemente estava a mandar o derradeiro adeus à família. Outro, o único que logo não caiu, baleado que fôra ligeiramente num braço, retrocede à casa e procura refugiar-se numa alcova. Cerrada descarga atravessa a porta, prostrando-o morto pelas costas. Muitos outros disparos alvejam ainda os moribundos, um dos quais escabuja e é sangrado. Esse infeliz chegou a receber no corpo nove balas. Tudo isso não durara mais que instantes.

A horda penetra na casa e Lampião, não saciado, indaga se não resta escondido por ali mais algum macaco do gunvêrno. Alfredo Monteiro responde negativamente e implora compaixão para si e para os seus. Lampião grita-lhe que nunca mais dê rancho a macaco e volta ao terreiro. Dá um pontapé no cadáver de Militão e arranca-lhe do braço as divisas de cabo, presenteando uma das fitas a Moderno e outra a Arvoredo. Este lastima que nenhum dos mortos usasse bigode comprido: é que ele queria torar e amarrar na fita, mode enfeitar o rabo do cavalo em que vinha montado… Ezequiel vasculha os bolsos dos soldados. Tal busca de dinheiro resulta infrutífera e o miserável desanda na torpeza duns insultos pornográficos.

Estarrecido, o dono da casa pergunta que deve fazer com os cinco cadáveres. Virgolino sacode os ombros:

- Querendo, enterre; não querendo, deixe os urubus comer!

Pai Velho saúda com uma risada o dito de sarcasmo do chefe feroz.

Lampião pede cachaça, cachaça muita que dê pra ele e a “rapaziada” festejarem a caçada do dia.

Alfredo Monteiro, receoso de ter de testemunhar nova chacina, adverte que outra força de polícia está a chegar. Virgolino exalta-se e deixa a esses policiais um recado obsceno. Depois, olha raivosa e tigrinamente as suas cinco vítimas e ordena a Alfredo Monteiro que enterre os peste todos numa cova só, sob pena dum ajuste de contas em regra, noutra visita inesperada. Alfredo Monteiro promete que assim fará e pede licença para ir buscar a aguardente. Lampião diz que não quer mais…

Todo o grupo torna a montar.

Nisso, o soldado Cecílio Benedito, nos últimos estertores, bole ligeiramente com um pé. Lampião observa o movimento e saca, de novo, a pistola:

- O diabo deste “macaco” inda está se mexendo? Macaco mexeu, quer chumbo…

E, mesmo montado, desfecha-lhe um tiro na cabeça, que lhe arranca parte do frontal.

E esporeando as alimárias, a cantar alegremente o “É lampa… é lampa…”, os Cavaleiros do Crime galopam, fugindo pusilânimemente a um encontro com os policiais esperados.

Quando o tropel da cavalhada e a toada do hino de guerra de Lampião não se faziam mais ouvir, foram se reabrindo as casas do Brejão e das portas e janelas umas cabeças assustadas perscrutavam se o vilarejo já encontra restituído à sua quietude e pacatez.

Alfredo Monteiro, de olhos marejados, estava a espantar uns cães famintos que lambiam o chão inda rubro, aqui e ali, do sangue dos cinco mártires do banditismo nefando.

O sol pompeava, na sua escalada para o zênite.

O Cabo Militão tinha os olhos esbugalhados para o céu, como a indicar que aquele cuja firmeza de olhar não se curvara ante a crueldade vilã do Rei do Cangaço também era capaz de fitar o sol, o grande sol flamejante dos sertões!

* pg 54 "NO TEMPO DE LAMPIAO" - Leonardo Mota

Fonte: facebook
Página: Raul Meneleu Mascarenhas
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

NIETZSCHE E O DESEJO

Por Rangel Alves da Costa*

Em diversos escritos, a filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844 - 1900), aborda questões relacionadas à vontade como elemento propulsor da conduta humana. É o desejo de conquista, de realização e de afirmação que leva o homem a interpretar o mundo segundo a sua vontade. Ou seja, o mundo passa a ser aquele objetivado segundo um desejo a ser realizado.

Nos passos do filósofo Aristipo (435 - 366 a. C.), que afirmava ser o mundo uma realidade em busca do prazer, Nietzsche chega a afirmar que a própria vontade é impotente perante o que se é desejado. Significa dizer que o homem é refém do que deseja encontrar, e daí passar a amar e a querer muito mais o fato de desejar ao próprio objeto de desejo. É como se afirmasse que ter exaure a vontade, por isso ser a busca muito mais interessante.

Ora, na concepção de Nietzsche, os desejos e as vontades reprimidas acabam se interiorizando no próprio sujeito, gerando sentimento de culpa e sensação de impotência. Será preciso, pois, libertar-se. E tal liberdade implica em superar os desejos, significando tal superação na constante busca do prazer, do amor, da realização, de tudo aquilo que norteia a vontade do ser. E não será a sociedade com seus regramentos que possa impedir o homem de desejar e realizar. Estaria indo de encontro a si mesmo o homem que delimitasse seus desejos, por exemplo, ao que é ou não permitido pela religião.

Crítico do moralismo exacerbado, Nietzsche pregou a liberdade, os impulsos e a busca de realização das vontades. Concebe o homem como um ser com tamanha potência que não lhe seria possível se manter prisioneiro de regras de conduta, de moralismos e de ditames religiosos. Prega, assim, a liberdade. E liberdade de sentir, de fazer, de desejar. O seu Zaratustra bem ensina como se deve perseguir os caminhos da liberdade.

Para Nietzsche, é destino do homem buscar, através de seus instintos, a plena realização. E não há mal que tal percurso traga tristeza, dor e sofrimento. Vencer as barreiras é prova maior que o homem luta para satisfazer-se individualmente. O homem, em si, é um guerreiro, afirma o filósofo. E vai fazer sua guerra para alcançar aquilo que tanto deseja. E sua vontade é tamanha que o próprio mundo vai sendo moldado segundo tal perspectiva de realização.


Em Nietzsche avista-se a idealização do homem-percurso, do homem-fazer, do homem-busca. Deplora a noção do ser como algo que deve ser limitado. Na verdade, há uma negativa de tudo que seja predeterminado e a concepção do homem e seu organismo como possuidores de forças que nunca se contentam com acomodações. Procuram expandir-se, querer cada vez mais, e nisto a força da vontade de poder. Assim por que a vida é força, é vigor, é uma criação de valores e um transbordamento de energia. E sendo essencialmente vontade de poder, sempre está em busca de experiências novas para realizar-se.

Em Nietzsche, é a vontade de poder que transborda em desejos. Em tal perspectiva também a quebra da visão pessimista que geralmente se tem sobre sua obra, ao menos em alguns escritos. Mas há de se compreender sua visão negativa do homem, principalmente quando este não exerce sua liberdade de querer, de desejar, de ir atrás de seus objetivos. Um homem refreado na própria conduta jamais poderá ser um homem realizado, pois entrecortado por ele mesmo nos seus instintos e pulsações maiores.

Nem sempre se tem um Nietzsche que leva a condição humana a um pessimismo exacerbado nem conduz à desesperança todo o fazer humano. Há, na verdade, um reconhecimento explícito do valor que possui o sujeito. E tal valor será fruto daquilo que desejar, pois em cada indivíduo está a responsabilidade pela sua própria transformação. Assim porque o homem como senhor de si, um ser responsável pelo seu progresso na vida, e tudo a partir de uma vontade que é inata. E tal vontade, quando expressada, possibilita realizações inimagináveis. A vontade se traduz como desejo e possibilidade, e poder como efetiva realização. Daí ter o homem o dom da superação, da vitória, do alcance de objetivos, dependendo somente que deseje conquistar.

De fundamental importância a concepção de ser o homem um ser múltiplo organicamente e com forças tais que se digladiam em busca de demonstração de maior capacidade. Significa que tudo no homem busca seu lugar de realização, de ação e de conquista, bastando que seja impulsionado pela própria vontade. A vontade unida ao poder transforma o ser humano naquilo que o mesmo desejar ser.

Nas próprias palavras do filósofo: “O grande do homem é ele ser uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento. Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para outro lado. Amo os grandes desdenhosos, porque são os grandes adoradores, as setas do desejo ansiosas pela outra margem” (Assim falou Zaratustra).

Assim, em Nietzsche o homem é a ponte e alcance de sua outra margem. Assim deve ser porque ele é capaz. Mas não buscará a outra margem sem a carência sentida, pois “Eu vo-lo digo: é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante”.

Poeta e cronista
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DICA DE LIVRO: CHARGES COM LAMPIÃO DE LUIZ RUBEN


Lendo e pesquisando tantos jornais e revistas da época em que Lampião atuava, isto é, anos 20 e 30 do século passado, não passou despercebido, de vez em quando aparecia caricaturas e charges de Lampião, mas, o que me chamou a atenção foi a utilização do personagem com a política e os políticos do poder naquele período.


Contextualizar cada charge ou caricatura seria por demais maçante, pois creio que elas não perderam o caráter atemporal.

As codificações visuais que os chargistas queriam passar ao retratar Lampião eram afetadas de acordo com a região do artista, o que determinava, até pela falta de conhecimento que tinham do caricaturado, a representação de formas tão dispares na fisionomia desenhada.


As charges com Lampião, nessa pesquisa, abrangem o período de 1926 a 1939, porém acrescentei duas de 1969, sendo a última apresentada, uma propaganda com alusão ao desenvolvimento industrial através de incentivos fiscais, citando Sudam-Sudene onde Lampião é usado como referência de uma região. Ao todo o livro mostra 83 charges e caricaturas.

A charge tem como finalidade satirizar, descrever ou relatar fatos do momento por meio de caricaturas, com um ou mais personagens de destaque, nas áreas da política com maior frequência.

As apresentadas nesse livro abrangem personagens de prestígio nacional como o Padre Cícero, Antônio Carlos, governador de Minas, Capitão Chevalier, com a famosa tentativa de uma expedição contra Lampião no início dos anos 30, Getúlio Vargas como presidente do governo provisório após a revolução de 1930.

Após sua morte, cartazes foram utilizados como propaganda de filme da Warner, com James Cagney “substituindo o famoso cangaceiro nordestino”.

A propaganda comercial também utilizou com frequência o nome de Lampião. Como curiosidade inseri no trabalho as da Casa Mathias e O Mandarim, que apresentavam nos seus comerciais um conteúdo humorístico.

Até o conhecido compositor Noel Rosa, como Lampeão foi caricaturado. Como se fossem dois personagens ao mesmo tempo é mostrado características de identificação de Lampião com o rosto de Noel Rosa. Mesmo nas capas de famosas revistas, Careta em 1926 e 1931, O Cruzeiro em 1932, Lampeão é caricaturado.

Na contracapa desse livro, consta a foto original muito popular de Lampeão e seu irmão Antônio Ferreira, já nesta época, famigerado cangaceiro, perseguido em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Alagoas. Foi tirada em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, onde Lampeão foi convocado pelo Padre Cícero a pedido do deputado federal Floro Bartolomeu, para combater os inimigos do governo de Artur Bernardes, a Coluna Prestes, em 1926. Na capa, usando a foto da contra capa, foram introduzidas as faces de Getúlio Vargas como Lampeão e Osvaldo Aranha como Antônio Ferreira. Foi publicada pelo Estado de São Paulo em 24 de setembro de 1933, sendo Getúlio já vitorioso da revolta de 1932 em São Paulo. 

O desenho era utilizado, isto é, a charge, como uma crítica político social onde as situações cotidianas são exploradas com humor e sátira. Lampião foi personagem principal dos chargistas, mas o objetivo era atacar os poderosos da época, geralmente vítima dos jornais da oposição.

Coloquei tudo numa ordem cronológica para facilitar a sequência histórica, pois, no futuro com a leitura das diversas obras publicadas sobre Lampião e o cangaço em geral, teremos uma visão não contextualizada das sátiras contra os personagens vítimas dos chargistas.

O livro tem 95 páginas, custa R$ 25 (Vinte e cinco reais) com frete incluso e você adquire diretamente com o autor pelo emailluiz.ruben54@gmail.com 

*Luiz Ruben F. de A. Bonfim. Economista e Turismólogo e Pesquisador do Cangaço e Ferrovias

http://www.maispajeu.com.br/2016/01/dica-de-livro-charges-com-lampiao-de.html

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LIVRO... AS CRUZES DO CANGAÇO - OS FATOS E PERSONAGENS DE FLORESTA (UM POUCO DA CRITICA DE LEONARDO FERRAZ GOMINHO, ESCRITOR FLORESTANO RENOMADO, AUTOR DE FLORESTA, UMA TERRA - UM POVO E OUTROS).

Leonardo Ferra Gominho

"Passados 78 anos da morte de Lampião e 76 da de Corisco - quando o cangaço foi extinto -, muito já foi escrito sobre o fenômeno e seus personagens. Pesquisadores, historiadores e diversos outros profissionais debruçaram-se sobre o tema e produziram incontáveis trabalhos, transmitindo-nos a impressão de que nada mais há a acrescentar.

Ledo engano.

Eis que, no ano em que a chacina da Tapera completa 90 anos, Marcos e Cristiano nos brindam com "As cruzes do cangaço - os fatos e personagens de Floresta ".

E finaliza:

Enfim, um livro que deve ser lido por todos, não apenas por aqueles que, como nós, amamos as histórias do cangaço" .

LEONARDO FERRAZ GOMINHO

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
Grupo: Lampião, cangaço e nordeste

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FREI DAMIÃO EM TAPEROÁ-PB NO ANO DE 1969(INCRÍVEL)

https://www.youtube.com/watch?v=Fro6J-n_NpY

Publicado em 2 de set de 2013
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BIOGRAFIA DO FREI DAMIÃO BOZZANO

Frei Damião de Bozzano, nascido Pio Giannotti, OFMCap (Bozzano, 5 de novembro de 1898 — Recife, 31 de maio de1997) foi um frade italiano radicado no Brasil. Era filho dos camponeses Félix Giannotti e Maria Giannotti.


Começou sua formação religiosa aos doze anos, quando foi estudar em um colégio de padres. Aos dezenove anos foi convocado para o exército italiano e participou da Primeira Guerra Mundial. Aos 27 anos diplomou-se em teologia pela Universidade Gregoriana em Roma e foi docente do Convento de Vila Basílica e do Convento de Massa.

O frade capuchinho, ordenado sacerdote em 25 de agosto de 1923, veio do norte da Itália para o Brasil no início da década de 1930, estabelecendo-se no Convento de São Felix da Ordem dos Capuchinhos, sendo venerado por fiéis, principalmente nordestinos, pois foi nessa região que ele viveu a maior parte de sua vida, fazendo peregrinações pelas cidades, dando comunhão, confessando, realizando casamentos e batismos. Por muitos nordestinos considerado como santo, encontra-se atualmente em processo de beatificação desde 31 de maio de 2003.[1]

Por dia, muitas cartas chegam ao Convento de São Félix, contando fatos de cura, milagre, que a ciência não consegue entender.

Sua primeira missa foi nos arredores da cidade de Gravatá, em Pernambuco, na capela de São Miguel, no Riacho do Mel. Anualmente, no mês de maio, realiza-se naquela cidade as Festividades de Frei Damião: uma grande caminhada sai da Igreja Matriz Nossa Senhora de Santa'Ana (no centro de Gravatá) e vai até a Capela do Riacho do Mel.

Na cidade de Recife, mais precisamente no Convento de São Felix da Ordem dos Capuchinhos, onde se encontra seu corpo, acontece desde sua morte no final de maio Celebrações para Frei Damião.

Em 1975, recebeu a medalha cunhada em ouro de amigos da cidade de Sousa, no estado da Paraíba, quando permitiu que construísse a primeira estátua em sua homenagem, tendo o mesmo colocado a pedra fundamental naquele ano e em novembro de 1976, oficiou missa de inauguração, obra do renomado escultor pernambucano Abelardo da Hora. A estátua esta construída no serrote denominado Alto da Benção de Deus, e se constitui hoje num facho abençoado de luz, deixando todos que contemplam mais próximos de Deus e de Nossa Senhora. E hoje é visitada por milhares de fiéis.

Em 27 de setembro de 1977, recebeu o título de Cidadão de Pernambuco e, em 4 de maio de 1995, o título de Cidadão do Recife.

Frei Damião ocupou-se em disseminar “as santas missões” pelo interior do Nordeste. “As santas missões” eram um tipo de cruzadas missionárias, de alguns dias de duração, pelas cidades nordestinas. Nessas ocasiões, era armado um palanque ao ar-livre com vários alto-falantes onde o frade transmitia os seus sermões. Quando perguntado sobre os objetivos de suas “santas missões” aos sertanejos, o frei respondia que um dos objetivos era “livrá-los do Demônio, que queria afastá-los da Igreja e fazê-los abraçar outro credo [...]”.

É autor de um manual de conduta, conhecido como os "Dez mandamentos de Frei Damião",[2] que determina como os católicos devem lidar com os protestantes.

Nunca abandonou suas caminhadas e romarias pelas localidades, no qual acompanhava com ele sempre, um terço e um crucifixo, as quais fazia com seu amigo Frei Fernando. Só parou poucos meses antes de falecer, devido ao agravamento de seu problema na coluna vertebral, fruto da má postura de toda a vida.

Frei Damião de Bozzano faleceu no Hospital Português no Recife, e seu corpo está enterrado na capela de Nossa Senhora das Graças, de quem era devoto, no Convento São Félix, no bairro do Pina, no Recife. Sua vida é retratada no livro do escritor Luís Cristóvão dos Santos, Frei Damião - O Missionário dos Sertões.

Na ocasião de sua morte, em 31 de maio de 1997, o governo de Pernambuco e a prefeitura de Recife decretaram luto oficial de três dias.

No interior de Pernambuco, na cidade de São Joaquim do Monte, todos os anos milhares de romeiros chegam para prestar suas homenagens ao Frade. O Encontro de Romeiros, ou Romaria de Frei Damião como é mais conhecida, acontece todos os anos entre o fim de agosto e início do mês de setembro. Programação religiosa e cultural modificam totalmente o aspecto da cidade. O ponto central da peregrinação é a estátua erguida em homenagem a Frei Damião localizada no Cruzeiro.

Em 2004, foi inaugurado o Memorial Frei Damião em sua homenagem, na cidade de Guarabira, Paraíba, uma das várias cidades em que o frade capuchinho percorreu em suas missões.[3]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Dami%C3%A3o
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MUSEU DO SERTÃO


O Museu do Sertão é de propriedade do
professor, escritor, pesquisador do cangaço e presidente da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

Enviado em 26 de out de 2015
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O DELEGADO QUE VIROU CANGACEIRO


Foi na Vila do Teixeira,
No alto sertão paraibano,
Era tem do Pedro
Segundo, se não me engano,
Tempo do Brasil império,
Só não sei precisar o ano.

Chamado de Liberato
Da Nóbrega, mas também
Conhecido pela Vila
E outras terra além
Como o “Cabra da Serra”,
O cangaceiro do bem.

Assim para os poderosos
Ele era um assassino,
O terrível cangaceiro
Que anunciava pelo sino
A morte de algum inimigo
Tal como fez com Cirilo.

“Blém, blém, blém…” , esse toque
Havia virado um sinal
Da justiça para o povo
Da vila e região local,
Que dizia: la vai o “Cabra
Da Serra” combater o mal.
Gil Holanda


PS: poema publicado neste site no dia 10 de março de 2008; republicado em 31 de janeiro de 2016

http://romulogondim.com.br/o-delegado-que-virou-cangaceiro/#comment-95501

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço Dr. Epitácio Andrade

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"A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO CANGAÇO" DE ROSA BEZERRA

Por Susi Ribeiro

Amigo José Mendes Pereira

Boa Tarde,

Gostaria de deixar aqui minha Avaliação do livro: A Representação Social do Cangaço, de Rosa Bezerra, Um Livro Único, Esclarecedor, Humano, Uma Leitura que Recomendo a Todos!

"A Representação Social do Cangaço é um livro, fruto do trabalho, estudo e pesquisa da Psicóloga Social Rosa Bezerra, especializada em Psicologia Social e Comunitária da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


O Livro nos mostra uma análise do Cangaço como Movimento Social, rompendo com todos os conceitos e padrões formais já pré-estabelecidos!

É um livro que nos faz pensar, compreender, analisar, é um livro único, que quebra regras, que, com certeza irá revolucionar nossos conceitos!!

No estudo do Cangaço, entre diversas questões, sempre nos deparamos com muitas perguntas, Quais foram os fatores históricos (do Nordeste e do Brasil), geográficos, climáticos, socioeconômicos que, realmente influenciaram e deram origem ao Cangaço?

Quais as verdadeiras Causas Sociais e Econômicas, até as paisagens físicas e culturais que se desenvolveram desde os fins do século XIX, por conta das grandes secas, da fome, da opressão, da luta pela sobrevivência no Nordeste Brasileiro?

Quem foi Lampião? Um assassino sanguinário? o que o levou realmente a ser Cangaceiro? Quem eram os Cangaceiros? facínoras? Bandidos?
Veja o que a mídia da época divulgava, entenda, analise, compreenda!

Este livro, é. sem dúvida, um estudo importantíssimo que não pode faltar a nenhum estudioso, pesquisador, historiador ou escritor, assim como a todos os descendentes do Cangaço,

Para que possam, de forma conclusiva e imparcial, compreender, o que realmente originou o Cangaço, suas Causas, Consequências e qual era sua finalidade.

Muito Obrigada pela oportunidade, José Mendes Pereira
Muito Obrigada Rosa Bezerra.

Atenciosamente

Susi Ribeiro, nora de Sila e Zé sereno, ex-cangaceiros de Lampião.

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domingo, 31 de janeiro de 2016

CHEGOU O CARNAVAL - 31 DE JANEIRO DE 2016

Por Geraldo Maia do Nascimento

Fevereiro chegando e o povo começa a se programar para o carnaval, mesmo numa cidade onde não há carnaval. Praias, serras e outras cidades onde haverá “festa de Momo” estão na programação dos mossoroenses: uns em busca de carnaval; outros, fugindo do mesmo. 


Podemos dizer que o carnaval é uma das festas mais antigas da humanidade. Dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis. Os gregos festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e Saturnais a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza.
               
O carnaval, tal como conhecemos no Brasil, tem sua origem no entrudo português, onde, no passado as pessoas jogavam umas nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.
               
O entrudo foi trazido para o Brasil por volta do século XVII, por influência dos portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Era uma brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, colorau, etc. Em meios mais nobres, esses produtos eram substituídos por confetes e serpentinas. Esse formato primitivo do entrudo permanece até hoje em algumas regiões do Brasil, principalmente no Nordeste. Damos como exemplo a vizinha cidade de Aracati, no Ceará, onde essa prática ainda é usada. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.
               
E dessa forma foi sendo formado o carnaval brasileiro. Uma mistura do entrudo português, com os mascarados da Itália e França, apimentado com o ritmo alucinante dos tambores africanos e o requebrado de nossas mulatas. Vieram depois as marchinhas que deram um novo ritmo ao carnaval brasileiro, tornando-o mais animado e com características únicas.
               
No final do século XIX, começaram a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos \"corsos\". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está aí a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais. A folia continuou crescendo até tornar-se a maior festa popular brasileira.
               
Em nosso país é festejado tradicionalmente no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Na Bahia é comemorado também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, mudando de nome para Micareta. Esta festa deu origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com características baiana, e com a presença indispensável dos Trios Elétricos. Com esse formato são realizadas no decorrer do ano; em Fortaleza realiza-se o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; em Recife, o Recifolia, etc.
               
As primeiras notícias que temos da festa de momo em Mossoró é de 1913, quando “um pequeno grupo de cavalheiros e pouco maior número de crianças” saíram fantasiados pelas ruas da cidade no domingo de carnaval. Naquele mesmo dia houve uma festa no Cinema Almeida Castro, onde “a fina flor mossoroense” travou uma verdadeira batalha de confete, serpentina e lança-perfumes. Na segunda-feira outros bailes se realizaram. O jornal “O Mossoroense” registrava “uma soirée (festa) familiar na casa do diretor desta folha e, outro ainda no Polytheama (cinema que existia em Mossoró, naquela época) como remate à festa anual tão cheia de atrativos. ”
               
No ano seguinte, 1914, apareceu um grupo de senhoras, “virtuosas esposas e mães dos proprietários do Polytheama”, promovendo festivo assalto de confetes, em intervalos de danças, durante a soirré. A assim, ano após ano, foram surgindo os blocos carnavalescos, os clubes, os grupos folclóricos e até os tradicionais ursos compondo nossa festa de Momo.
               
Hoje já não há carnaval em Mossoró. Algumas iniciativas individuais tentam, sem sucesso, reergue o evento na cidade. Mas o certo mesmo é que nessa época a cidade se esvazia, com grande prejuízo para a economia local. 

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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento

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EUCLIDES 150

Por José Gonçalves do Nascimento


No dia 20 de janeiro deste ano, o jornal o Estado de São Paulo publicou, em caderno especial, longa reportagem sobre os 150 anos de nascimento de Euclides da Cunha. Acreditamos ser esta apenas a primeira de uma série de outras tantas publicações que, em 2016, haverão de homenagear o escritor nascido em Cantagalo, antiga província do Rio, em 20 de janeiro de 1866.

E não é para menos. Engenheiro, militar, físico, naturalista, jornalista, geólogo, geógrafo, botânico, zoólogo, hidrógrafo, historiador, sociólogo, professor, filósofo, poeta, romancista, ensaísta e escritor, Euclides da Cunha é um dos mais legítimos representantes da inteligência brasileira. Intelectual de escol, foi ele responsável pela descoberta de um Brasil que até então era desconhecido: o Brasil do interior. Para ele, a construção da identidade nacional brasileira teria de buscar seus fundamentos na profundidade do Brasil interiorano, pois era lá que estava “o cerne da nacionalidade”.

Dedicado aos estudos das questões brasileiras, conforme pontifica um dos seus melhores biógrafos – Olímpio de Souza Andrade – Euclides valeu-se “da ciência para examinar sob vários aspectos a conformação do território brasileiro, seus ares, suas águas, sua flora, sua fauna, bem como a evolução do povo brasileiro, ressaltando conflitos entre estágios diversos de civilização. Mas principalmente valeu-se disso tudo, com engenho e arte, assim vendo o que os outros não viam, e dizendo-o numa linguagem clara e precisa, de rara beleza”.

Com efeito, é esta a tônica de toda produção literária de Euclides da Cunha, sendo que Os sertões é a obra que melhor encarna a preocupação do autor. Dividido em três partes – a Terra, o Homem e a Luta – o livro empreende ampla e profunda abordagem acerca da geografia do Nordeste e dos tipos humanos que povoam essa parte do Brasil, culminando com o conflito entre o exército brasileiro e os heroicos habitantes de Canudos. Tem o texto o mérito de mediar o difícil e doloroso diálogo entre o “Brasil real e o Brasil oficial” – para usar uma expressão de Machado de Assis – despertando a atenção das elites políticas, econômicas e culturais para os inumeráveis problemas que faziam (e fazem) desta uma nação dividida entre o progresso do litoral e o atraso do interior. Pela primeira vez, no Brasil, uma obra de literatura assumia a discussão sobre os reais problemas do país e lançava as bases para a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual.

Além d’Os sertões, há, na extensa obra de Euclides da Cunha, mais dois livros sobre a temática de Canudos: Caderneta de campo e Canudos: diário de uma expedição. O primeiro, publicado postumamente em 1975, traz uma série de anotações e croquis da época em que o escritor se achava no campo de batalha. O segundo, também publicado após a morte do autor, em 1939, reúne o conjunto de correspondências encaminhadas ao jornal O estado de São Paulo, informativo para o qual trabalhou o escritor na condição de enviado especial ao teatro da guerra. O acervo de informações reunido na Caderneta e no Diário seria de grande utilidade para autor, quando da feitura d’Os sertões.

Fora do chamado “ciclo d’Os sertões” (que compreende toda a literatura referente à guerra de Canudos), é Euclides da Cunha autor de outros três títulos igualmente notáveis: Perus versus Bolívia (1906), Contrastes e confrontos (1907) e À margem da história (1909), este último publicado depois da morte do escritor. As três obras reúnem artigos, ensaios e estudos produzidos por Euclides ao longo de sua atividade intelectual. Sua extensa produção literária inclui ainda correspondências, poesias, e um sem-número de crônicas e artigos publicados em jornais e revistas da época.

Como homem de ciência, sintonizado com o que havia de mais avançado no âmbito da intelectualidade, e imbuído dos ideais do positivismo – corrente filosófica que defendia o primado da razão como único meio de construção da civilização e, por conseguinte, da ordem e do progresso dos povos – além de intransigente defensor da causa brasileira, Euclides da Cunha foi firme e enérgico na defesa das suas convicções mais profundas. Acabou decepcionado com a República, após perceber que esta não conseguira atender à expectativa do povo brasileiro. E, uma vez decepcionado, tornou-se crítico ferrenho da forma de governo imposta pelo golpe militar de 1889.

Para Gilberto Freire “ele [Euclides da Cunha] foi a voz que clamou a favor do deserto brasileiro: Endireitai os caminhos do Brasil (O Brasil era o seu “sonho”) os caminhos entre as cidades e os sertões. Esta foi a grande mensagem de Euclides: que era preciso unir-se o sertão com o litoral para a salvação – e não apenas conveniência – do Brasil. Ninguém mais do que ele enalteceu tanto o sertão e o sertanejo. Em Euclides [prossegue o autor de Casa Grande e Senzala] a tendência foi quase sempre para engrandecer e glorificar as figuras, as paisagens, os homens, as mulheres, as instituições com que se identifica o vaqueiro, o sertanejo, o próprio jagunço. Até mesmo o negro dos sertões – sobrevivência do quilombola colonial – sai engrandecido de suas páginas”.

Salve Euclides! Salve o Brasil!

José Gonçalves do Nascimento
jotagoncalves_66@yahoo.com.br


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