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sábado, 23 de janeiro de 2021

EM 1925 A COCAÍNA ERA VENDIDA LIVREMENTE NAS FARMÁCIAS DE NATAL E PREOCUPAVA AS AUTORIDADES

 

Rostand Medeiros – IHGRN

Existe uma falsa ideia que na época dos nossos avós e bisavós a única droga que existia era o álcool, com preferência no Brasil para a cachaça.

Isso é um engano!’

Quem desejava utilizar cocaína em Natal e em outras cidades brasileiras na metade da década de 1920, nem precisava comprar essa droga em algum lugar sombrio (algo que hoje é conhecido como “boca”), ou negociar com gente perigosa e inescrupulosa (os atuais traficantes). Para “abrir as portas da percepção”, como foi dito metaforicamente pelo escritor inglês Aldous Huxley, a situação nessa época era muito mais tranquila.

Bastava ir a alguma farmácia na Rua Dr. Barata, no bairro da Ribeira, ou na Avenida Rio Branco, na Cidade Alta, pois a cocaína era vendida basicamente em estado líquido e em pequenos frascos. E a cocaína nessa condição e nessa época chegou até mesmo ao sertão potigar, mais precisamente em Caicó, conforme podemos ver nas propagandas abaixo.

Não sei como começou esse consumo de maneira mais forte, mas imagino até a cena – Um dia, certamente em outras freguesias (até porque Natal jamais foi moderninha a esse ponto), alguém foi medicado com algum preparado de cocaína. Aí o doente achou legal o efeito daquele remédio e, certamente impaciente antes da próxima colherada, a figura entornou o frasco goela abaixo e ficou muito doido. Pronto, começou a desgraça!

Como notícia do que não presta corre mais rápido que as boas novas, provavelmente toda rapaziada descolada e moderninha da época partiu célere para uma “bad trip” líquida e transparente nas boticas e farmácias pelo mundo afora. E a cocaína passou a ser consumida como alucinógeno desde a segunda metade do século XIX, passando pela “Belle Èpoque” e chegando a louquíssima década de 1920. Alguns de seus consumidores desse período vinham sempre com seus vistosos bigodes, elegantes ternos, camisas de colarinho duro, gravatinhas borboleta, bengalas de madeira nobre, chapéus cocos ou de palhinha e lenços coloridos nas lapelas.

Não tenho detalhes quando e como a galera de Natal começou a consumir cocaína, mas uma pequena nota jornalística aponta que em Maceió, capital das Alagoas, o desmantelo rolava principalmente nas “pensões”[1]. Aí vale uma explicação – Nos jornais antigos esse termo muitas vezes não designava apenas um local de repouso temporário, como uma pousada, mas era também utilizado para descrever locais conhecidos como prostibulo, meretrício, cabaré e por aí vai!!!

Conforme podemos ver na foto que abre esse texto, a polícia em Natal não reprimia a venda. Mas os homens da lei não podiam realizar seu trabalho porque a cocaína era um produto liberado, utilizado em toda parte, receitada por médicos e farmacêuticos para vários males, além de ser fabricada por respeitadíssimas indústrias farmacêuticas. Até Sigmund Freud usou! 

O Decreto Nº 14.969, de 3 de setembro de 1921, assinado pelo Presidente da República Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa não criava maiores restrições para a venda, mas regulamentava a entrada no país das substancias tóxicas, onde as penalidades impostas aos contraventores eram apenas multas e nada de cadeia. Para os consumidores essa Lei criou no Rio de Janeiro o “Sanatorio para toxicômanos – um estabelecimento para ministrar tratamento medico e correccional, pelo trabalho, aos intoxicados pelo alcool ou substancias inebriantes ou entorpecentes”.

Mas como esse produto se tornou um grande problema na década de 1920 em Natal e em outras partes do Brasil?

Uma Droga Antiga

Na atualidade, basicamente conhecemos a cocaína como um estimulante, sendo atualmente considerada uma droga ilegal. É extraída a partir das folhas da planta da coca, vegetal da família Erythroxylaceae, cujo nome científico é Erythroxylum coca. Possui porte arbustivo, pode ficar frondosa e suas flores são amarelo-alvacentas.

Cientistas acreditam que a cerca de 4.000 ou 5.000 anos que a coca vem sendo utilizada como um remédio e estimulante no que hoje é a Colômbia, Peru e Bolívia. a partir do século XVI viajantes europeus descreveram a prática dos povos sul americanos de mascar uma mistura de tabaco e folhas de coca. Esse consumo tradicional da coca pelos povos andinos possui certas características que o distinguem nitidamente do consumo da cocaína. Ao introduzir a folha de coca oralmente, suas propriedades psicoativas são absorvidas lentamente através do sistema digestivo, sem causar efeitos nocivos.

Mascar folha de coca na Bolívia é tradição cultural – Fonte – http://www.newsrondonia.com.br

Visitantes ilustres que já estiveram na Bolívia, incluindo o Papa João Paulo II e a princesa Anne da Inglaterra beberam chá de coca (mate de coca), pois é a maneira tradicional na região andina para evitar a doença da altitude (hipóxia). Investigações imparciais e científicas demonstraram que o uso regular da folha de coca não é prejudicial.

No início do século XIX pesquisadores europeus começaram a fazer experiências para descobrir os segredos da planta mágica, mas foi o cientista alemão Albert Niemann, da Universidade de Gottingen, que em 1859 isolou com sucesso o alcaloide da planta de coca responsável por seu efeito estimulante.

Início do Uso Comercial

Em 1860, Ângelo Mariani introduziu o Vin Mariani, um vinho tinto com a nova droga na sua composição. Mariani acumulou uma fortuna a partir desta bebida, com a venda sendo divulgada por pessoas notáveis, como a atriz francesa Sarah Bernhardt, a rainha Vitória da Inglaterra, o inventor americano Thomas Edison e até o Papa Leão XIII.

Não demorou para empresas farmacêuticas americanas começassem a explorar a folha de coca e em pouco tempo os Estados Unidos se tornaram o maior importador e principal mercado legal de cocaína no planeta.

Por volta de 1880 a cocaína na terra do Tio Sam era receitada livremente pelos médicos em doenças como a exaustão, depressão e estava disponível em muitos medicamentos patenteados. Como a cocaína era amplamente disponível neste país, não é difícil de entender porque o xarope da primitiva Coca-Cola continha aproximadamente 4,5 mg/180 ml de cocaína até os primeiros anos do século XX.

John S. Pemberton

A História desta famosa bebida tem início indireto em 1879, quando a cocaína foi usada até mesmo para tratar o vício da morfina. Após o fim da Guerra Civil Americana, um veterano chamado John S. Pemberton começou a usar morfina para diminuir a dor dos seus ferimentos e ele rapidamente tornou-se viciado. Ele leu em uma revista médica que a cocaína poderia ajudar a curar o “morfinismo” e passou a produzir seu próprio tônico à base de vinho que continha cocaína. Quando o Estado da Geórgia impôs a proibição do consumo de álcool, ele começou a misturar cocaína com extrato de noz de cola e água de soda. Depois comercializou o produto e este se tornou um sucesso instantâneo. Pemberton vendeu sua fórmula a outro farmacêutico, que fundou a Coca-Cola Company em 1892.

Uso Médico

A cocaína foi introduzida como um anestésico em 1884 pelo Dr. Karl Koller. Este era um estagiário de oftalmologia no Hospital Geral de Viena e em um experimento público, ele aplicou no seu próprio olho uma solução de cocaína e depois, para espanto da plateia, o picou com alfinetes sem problemas.

Karl Koller – Fonte – Wikipédia.com

O Dr. Koller escreveu sobre as propriedades anestésicas da cocaína e pouco tempo depois esse medicamento foi manchete em todo o mundo e os médicos começaram a prescrevê-la em larga escala. A fabricação do medicamento envolvia um processamento onde entrava na composição um determinado número de outras substâncias químicas, formando um pó branco vulgarmente conhecido como cloridrato de cocaína. Como fármaco os efeitos da dosagem podiam variar significativamente. A cocaína foi considerada primeiramente um estimulante seguro e um ótimo tônico para os nervos.

Freud publicou em 1884 o tratado “Über Coca”, sobre a droga – Fonte – afkra.blogspot.com

Consta que nessa época Sigmund Freud, o pai da psicanalise, usou cocaína em seus pacientes  e através da auto experimentação escreveu um tratado sobre o tema. Freud era conhecido por levar cocaína para suas idas ao teatro, locais de danças, esportes e passeios. Ele se tornou um viciado contumaz até que finalmente parou de usar cocaína em 1886. Apesar do uso da cocaína, Freud acabou por morrer de uma overdose intencional de morfina em 1939, atormentado pelas dores de um câncer.

Não demorou muito para os usuários e os médicos começassem a perceber que as propriedades da cocaína causavam dependência e logo vários regulamentos limitantes ao uso foram introduzidos. Um dos primeiros, o Food and Drug Act americano (Lei Federal sobre Alimentos e Drogas), de 1906, ainda não instituía a proibição, mas regulamentava a produção e venda, inaugurando a intervenção governamental no tema.

No Nosso Brasil Tropical

Eu não sei quando a cocaína chegou ao Brasil, mas sei que ela já estava no país nos trinta anos finais do século XIX.

Cocaína vendida como bebida em Juiz de Fora – MG, na década de 1880.

Encontramos em antigos jornais da década de 1880, ainda no período do Império, a propaganda de um armazém de secos e molhados da cidade mineira de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde na sua parte destinada a bebidas, vemos que ali aparentemente se vendia uma bebida à base de cocaína. Seria uma percursora da famosa Coca-Cola, ou do Vin Mariani?

Além da importação como bebida, a cocaína evidentemente também aportou no Brasil como um medicamento.

Em 1890, na Rua dos Ourives, atual Rua Miguel Couto, no Centro do Rio de Janeiro, que na época era a Capital Federal, havia a “Pharmacia Central do Brazil”, que vendia medicamentos manipulados. Conforme a foto que segue, a mistureba de produtos medicamentosos parece mais uma receita de algum caldeirão de bruxa.

Pastilhas de cocaína vendidas no Rio em 1890

Entre os ditos medicamentos encontramos as “Pastilhas de Clorato de Potássio e Cocaína”, que serviam para as moléstias bucais e da laringe.

Interessante esta ideia de pastilhas com cocaína e clorato de potássio, pois até onde eu sei esta última substância foi um ingrediente utilizado nas antigas espoletas de armas de fogo, chamado então de clorato de potassa e quando misturado com outros materiais, pode gerar explosivos de forte potência.

A chegada cocaína ao Brasil não ficou restrita apenas a região centro sul do país. A droga extraída da folha de coca também chegou ao caloroso Nordeste.

Venda de cocaína em Recife em 1900.

Em um jornal pernambucano de 1900 temos na Rua Barão da Vitória, número 51, atual Rua Nova, no tradicional bairro de Santo Antônio, no centro de Recife, a antiga botica do Sr. Idelfonso de Azevedo, que vendia cocaína misturada com salsa, caroba, elixir de antipirina e esmaltina. Podendo o cliente escolher esta mistura liquida ou em pó.

Bem, mesmo sem ser farmacêutico, realizando uma rápida pesquisa, descobri algo interessante sobre este medicamento. O sumo de salsa (em dosagem dupla, como diz o anúncio) é rico em vitaminas B e C e a sua celulose ajuda o movimento intestinal. Já a planta caroba (também conhecido como caroba-do-mato, marupá, simauba-falsa, caraúca, carabussú, caruba, curoba, marupauba e parapará) é o que podemos chamar de um santo remédio, pois suas propriedades medicinais são adstringente, aperiente, cicatrizante, depurativo, diurético, emético, laxante, sudorífera, tônico. As indicações da caroba são para as afecções da pele, artritismo, blenorragia, cancro, catarro crônico da bexiga e uretra, coriza, dispepsia, dor (reumática, muscular), estômago, febre, gases, inflamação (próstata, rins, garganta), picada de insetos, mau hálito, sífilis, úlcera estomacal e até no combate as vermes.

Rua Barão de Vitória, Recife – Fonte – http://peregrinacultural.wordpress.com/

Bem, junto a misturada de salsa e caroba vinha o elixir de Antipirina, que é uma substância medicamentosa usada como antitérmico e um sedativo utilizado para identificar o efeito de outras drogas. No meio desta mistura o Sr. Idelfonso de Azevedo acrescentava esmaltina, que é um mineral de cor cinza claro, uma combinação de cobalto e arsênico, utilizado na fabricação de esmaltes azuis. No final de tudo isso vinha a cocaína.

As duas próximas propagandas são respectivamente de 1900 e 1901. Originalmente publicadas em jornais baianos, estão bem explicativas na composição e servem para se conhecer o uso medicinal da cocaína no Brasil. O interessante nestas duas propagandas é que estes remédios à base de cocaína vinham da França.

Arrancar Dente Com Cocaína Era Normal

O leitor pode perceber que a cocaína chegou ao grande país tropical e simplesmente não havia restrições a sua importação, manipulação e venda. Era tudo liberado. Daí para começar o consumo no sentido alucinógeno foi um passo. Correto? Aparentemente não!

No início do século XX vemos as notícias antigas se referindo basicamente a cocaína como um produto ligado a área médica. Praticamente não se encontra uma utilização ilícita do seu uso. Se havia era algo privado, talvez restrito a determinados ambientes (cabarés, prostíbulos, lupanares, etc.), sem aparentemente afetar o dia a dia da sociedade, sem atrapalhar a vida das comunidades, principalmente nas maiores áreas urbanizadas do país.


Gabinete de uma odontóloga no final do séc. XIX, em Paris – Fonte – http://www.sciencephoto.com.

Logo um outro tipo de profissional brasileiro passou a utilizar a cocaína; os dentistas. Voltando um pouco no tempo, sabemos que em 1884 a cocaína foi inicialmente utilizada em cirurgias oftalmológicas pelo Dr. Karl Koller Consta que neste mesmo ano um médico chamado R. J. Hall solicitou ao seu dentista que utilizasse cocaína como um anestésico para tratá-lo e aparentemente funcionou.

Na virada do século, por volta de 1903, a cocaína foi misturada com epinefrina, de modo a melhorar a sua eficácia clínica e ser utilizada para amortecer as gengivas. Mas devido a várias mortes ligadas à combinação de cocaína e epinefrina, este foi descartado por volta de 1924. No entanto, a cocaína continuou a ser utilizada e considerada uma droga útil para anestesia tópica na região do ouvidos, nariz e garganta.

Interessante lista de preços de atendimento odontológico no início do séc. XX, A cocaína era anestésico.

Na imagem que apresentamos acima temos uma propaganda do dentista Paulo (ou Paul) Kieffer, que coincidentemente atendia na mesma área onde estava estabelecida a Pharmacia Central do Brazil, na Rua dos Ourives, atual Rua Miguel Couto, no Centro do Rio de Janeiro. O Dr. Kieffer aplicava anestesia local com cocaína, ou “nevarnina” (talvez um subproduto), ao preço de 2$000 réis.

Morrer Com Cocaína Era Moda…

Mas observando os jornais antigos das décadas de 1900 e 1910, é claramente perceptível que nesse período começou a existir o consumo de cocaína, tanto para aqueles que desejavam criar seus próprios “paraísos artificiais”, mas principalmente para se matar!

Nos periódicos brasileiros do limiar do século XX, o que não faltam são inúmeras notícias de homens e mulheres, que utilizavam a cocaína pura, ou misturada com todo tipo de material, para simplesmente darem fim as suas vidas. E a imprensa da época era de uma sutileza de fazer dó e piedade. Nas páginas antigas lemos que estes desesperados eram os “decaídos”, os “desgraçados”, os “transloucados” (isso quando eram pobres), que buscavam no suicídio o fim a uma vida sem perspectivas. Este tipo de notícia era um “ótimo” incentivo para quem estava em depressão.

Nos jornais das décadas de 1900 e 1910 percebemos que a quantidade de suicídios chegou a um ponto tal, que virou uma espécie de “moda” se matar com cocaína.

As mulheres eram o grupo majoritário que recorriam a cocaína para dar cabo de suas vidas. Não podemos esquecer o quanto era terrível a situação das mulheres nesta época. Criadas para serem exemplares donas de casa, servir aos maridos, trabalharem pesado pelos filhos e pela casa, em uma sociedade onde trabalhar fora, ou ser separada, era uma distância mínima para serem consideradas vulgares, ou algo pior. A perda da virgindade sem que houvesse a consumação do casamento, ou um filho indesejado, era um verdadeiro suplício, principalmente para as mulheres mais pobres. Para muitas o suicídio era a solução dos seus problemas.

Em relação à maneira de morrer com cocaína, chama atenção o fato dos jornais comentarem que os suicidas faleciam ingerindo quantidades que poucas vezes ultrapassam cinco gramas da droga. Não tenho base de conhecimento para saber se na atualidade esta quantidade de cocaína é capaz de matar uma pessoa, mas no passado era normal misturar a cocaína com outros produtos, até mesmo benzina, um líquido obtido na destilação fracionada do petróleo e utilizado, entre outras aplicações, como solvente.

Pelo que pude compreender não havia a figura clássica do traficante. O comércio era exercido pelos funcionários das farmácias, ou por algum um farmacêutico, certamente com a anuência e o beneplácito do proprietário.

Tudo leva a crer que de um pseudo modismo para se alcançar a morte, restrito aos ambientes privados, logo o consumo de cocaína no Rio de Janeiro passou a ser algo que passou a chamar atenção do dia a dia da sociedade carioca.

Venda e Consumo da Cocaína no Rio de Janeiro

Em 4 de janeiro de 1913, jornalistas do periódico carioca A Noite, em um interessante trabalho investigativo, apresentaram os processos do consumo de cocaína na primeira metade da década de 1910 na cidade do Rio de Janeiro. Foram noticiados que vários jornalistas compraram em meia hora 37 gramas de cocaína sem maiores problemas, sem nenhum estabelecimento farmacêutico exigir uma receita médica.

Consta na reportagem o preço dos frascos variou de 1$000 a 2$500 réis (um mil a dois mil e quinhentos réis). Para efeitos de comparação, no mesmo exemplar de A Noite encontramos o anúncio da Cervejaria Tolle, instalada na Rua Riachuelo, 92, onde cada garrafa da cerveja neozelandesa “Bismarck Brown” custava $300 réis (trezentos réis).

Ou seja, pelo preço médio de um frasco com uma grama de cocaína, podia se comprar de três garrafas de cerveja importadas da Nova Zelândia. Talvez isso explique porque era tão fácil morrer com cocaína.

Típica farmácia, ou drogaria, nos Estados Unidos em 1905. No Brasil elas não eram muito diferentes – Fonte – Wikipédia.org

Para os jornalistas, só “uns 20 %” do pessoal das farmácias trabalhavam corretamente. O resto vendia cocaína aos cariocas sem problemas. As notícias apontaram que junto aos profissionais dos estabelecimentos farmacêuticos trabalhavam os “rápidos”, ou seja, as figuras que entregavam rapidamente a cocaína, daí o nome!

A reportagem escancarou geral. Deu nome das farmácias que venderam as drogas e quem não vendeu. Foram publicados os endereços dos estabelecimentos, as quantidades vendidas em cada local e, num verdadeiro escândalo, até uma criança na Rua do Estácio comprou cocaína sem nenhum problema a pedido dos jornalistas. Um atendente afirmou que vendia de setenta a cem gramas da droga por dia.

As matérias de “A Noite” foram bem denunciativas, mas parece que não obteve maiores resultados.

Ampliação e Declínio do Uso da Cocaína

Nesta história toda descobri que a repressão não era tanto pelo lado policial, mas praticada pelo pessoal da Saúde Pública. Eram os funcionários desta repartição que fiscalizavam os estabelecimentos farmacêuticos e a atuação dos funcionários destes locais.

A polícia participava quando havia denúncias de venda e consequente morte de alguém, mas era difícil provar a participação deste pessoal nesse tráfico. Quem comprava cocaína para se matar e por um erro na aplicação sobrevivesse, tinha pouco interesse em denunciar seus fornecedores diante da vergonha do seu ato. Normalmente estes suicidas, conforme já foi dito aqui, eram das classes mais humildes da sociedade carioca e ninguém os escutava. Se morressem eram enterrados e ficava por isso mesmo!

Provavelmente como um resultado paralelo da investigação jornalística de A Noite contra o consumo de cocaína, foram publicadas algumas cartas denunciando o uso de cocaína em locais públicos. No dia 12 de abril de 1913 esse jornal trouxe na sua segunda página o relato enviado por um leitor, que apontava a condição degradante das mulheres viciadas em cocaína, que se prostituíam pela droga nas praças do centro do Rio de Janeiro, como elas eram aliciadas e como se encontravam em franca decadência física e moral.

Uma carta denúncia de 1913, incomodamente atual.

Concluía o leitor pedindo aos jornalistas que realizassem um trabalho investigativo.

O relato desta denúncia é bastante similar ao que ocorre atualmente com as jovens que se prostituem para consumir cocaína e o seu nefasto “filhote”, o crack.

Percebemos através da leitura dos jornais antigos que entre as décadas de 1910 e 1920 passou a existir uma maior preocupação, um maior debate, até mesmo uma maior repressão a compra e venda de cocaína no Brasil.

No início da década de 1920 o consumo de cocaína começou a diminuir no Brasil. Mas não foi por campanhas governamentais, ou pelo endurecimento da repressão e combate ao consumo da droga. A farra diminuiu porque simplesmente o produto foi escasseando no mercado externo.

Para os pesquisadores do tema os fatores deste declínio estavam no surgimento de leis restritivas e punitivas que baniram a cocaína e a heroína do mercado livre em vários países, principalmente nos Estados Unidos. Maior controle da importação e exportação desta droga, perseguição aos médicos que prescreviam tais substâncias indiscriminadamente, além do surgimento na Europa de medidas socioeducativas e de saúde pública, visando à prevenção e ao tratamento desses pacientes. O próprio advento da depressão econômica, com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, deixou o mundo com menos dinheiro para gastos supérfluos. E por fim, o surgimento das anfetaminas em 1932, como um novo e potente estimulante de longa duração, ajudou em certo ostracismo da cocaína.

Mas aparentemente estas situações não significaram o fim total da vinda e do consumo da cocaína no Brasil antes da Segunda Guerra Mundial. Tanto assim que o popular cantor Francisco Alves intitulou a sua música para o carnaval de 1937 como “Cocaína”.

Não Baixem a Guarda, esta Epidemia Está Aí e Não vai Acabar tão Cedo e Nem Existe Vacina

Sabemos que foi na convenção internacional realizada pela Organização das Nações Unidas em 1961, que estabeleceram regras que pautariam as políticas sobre drogas em vários países entre o final do século XX e os dias atuais. O critério principal foi proibir drogas que não tinha uso médico e essas substâncias passaram a ter um maior controle e repressão. Na sequência os Estados Unidos assumiram a dianteira da cruzada antidrogas, fortalecendo o combate ao tráfico, com operações internacionais de alcance cada vez maior e impondo aos demais países na Europa e nas Américas Latina e do Sul convenções que dariam origem à chamada “guerra às drogas”, que foi declarada pelo presidente americano Richard Nixon em 1972.

Combate a fabricação de cocaína na Colômbia.

Nesse meio tempo a cocaína voltou à cena como estimulante em um mercado de trabalho cada vez mais frenético. A economia do tráfico, então, assumiu um novo circuito. Tradicionais regiões de plantação de coca na Bolívia e Peru aumentaram sua produção para o mercado ilícito; a pasta produzida era repassada a principalmente a vendedores colombianos, que era encaminhada aos centros consumidores nos Estados Unidos e Europa. Países como o Brasil serviam apenas de entreposto logístico da droga e eram centros de consumo de menor importância. Mas com o crescimento econômico do país, deixou de ser apenas um corredor para o tráfico internacional de drogas, mas como um grande mercado consumidor.

Os jovens com poucas oportunidades de educação e trabalho dignos foram atraídos pelo poder e dinheiro dos traficantes de cocaína, crack e armas. Muitos foram (e ainda são) assassinados em guerras de gangues que se seguiram e que conhecemos bem dos jornais.

Amigos e amigas queiram vocês ou não, as drogas como a cocaína, crack, heroína, anfetaminas, maconha, lança perfume, álcool e outras desgraças estão nas ruas, nas portas das escolas, nas casas de espetáculo, na porta da sua casa, nos locais de trabalho e por aí vai. Não conheço outra maneira de livrar nossos filhos deste problema do que sendo seus maiores amigos, confidentes, tendo tempo para estar ao lado deles.

E não custa nada conhecer o que são estas drogas através de leituras e de outras formas de informação, assim é possível debater melhor sobre os malefícios que estes produtos geram.

Não baixem a guarda, esta epidemia está nas ruas tanto quanto o COVID-19. Mas para o COVID já existem vacinas e para as drogas não e seu consumo não vai acabar tão cedo!

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NOTA


[1] Não era apenas a cocaína que preocupava as autoridades, mas a morfina também estava na alça de mira. Descoberta pelo farmacêutico alemão Friedrich Wilhelm Adam Sertürner em 1817, a morfina é um analgésico processado quimicamente a partir do látex seco obtido das cápsulas das sementes de uma planta chamada papoula (Lachryma papaveris), sendo e desse látex conhecido como ópio.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

https://tokdehistoria.com.br/2021/01/23/em-1925-a-cocaina-era-vendida-livremente-nas-farmacias-de-natal-e-preocupava-as-autoridades/

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VÍDEO..! CEL.JOCA DO BREJÃO...X...CEL. SANTANA..! A MORTE POR UM FIO. A FORÇA DO CORONEL NO SUL CEARENSE.

https://www.youtube.com/watch?v=ZYWR5yJlAn8&ab_channel=Miss%C3%A3oVelha%2CpresentedoCariri

Missão Velha, presente do Cariri

Nesse vídeo o historiador João Bosco André irá nos relatar sobre uma das visitas do Coronel Joca do Brejão, uma das figuras hipotéticas do Cangaço do Cariri ao seu irmão Coronel Santana, onde intercedeu pela vida de um dos trabalhadores braçais.

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O MASSACRE DOS MARCELINOS

Por Beto Rueda

O banditismo no sertão nordestino a partir dos anos 20, cresceu de forma assustadora. A grande seca de 1919 que devastou a região, reduziu as populações a uma indescretível penúria. Os assaltos a mão armada se sucediam num crescendo, tanto nas estradas quanto nas fazendas e vilarejos.

O bando dos Marcelinos ilustra a história do cangaço nos sertões do Cariri, através de sua vivência e atuação nesta região.

Família humilde, procedentes de Pernambuco, do sítio dos Moreiras, atual Moreilândia, os irmãos João, Manoel e Raimundo, dedicaram boa parte da vida trabalhando em fazendas como agricultores e vaqueiros.

Tudo começou em meados de 1923 quando o irmão mais velho João é repreendido por Ioiô Peixoto, chefe de polícia, na feira de Serrita(PE). No momento que é desarmado de sua faca em público e diante de tamanha humilhação, jura vingança. Comunica aos seus irmãos do fato e decidem surrar o policial. Ioiô enfurecido, contrata um pistoleiro bastante afamado na região para dar cabo dos Marcelinos. Cientes do perigo, eles pediram baixa nas fazendas que trabalhavam, venderam os seus bens, compraram armamentos e, para consumar a vingança, fuzilaram Ioiô Peixoto. A partir desse momento, ingressam na vida do crime.

Os Marcelinos ganham fama de perigosos, saqueiam, matam. Tudo isso acontecia em grande parte com o apoio de muitos coronéis da região do Cariri que os escondiam e encomendavam serviços. Os cangaceiros atuavam principalmente na ligação dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha.

A fama vai se espalhando, transpõe divisas e se alastra nos Estados vizinhos. Respeitados, viram também aliados de Lampião em diversas ações, inclusive no ataque à cidade paraibana de Cajazeiras e na tentativa de ataque em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Por sua agilidade e destreza com as armas Manoel recebe a alcunha de Bom Deveras.

Tempos depois o grupo opta por não seguir mais Lampião e continuam a praticar crimes na região do Cariri.

O fim do bando dos Marcelinos se dá com a morte de Manoel(Bom de Veras) pela volante, no Sítio Minador na casa de Raimundo Alexandre. Tempos depois foi morto João(Vinte e dois), o mais velho, na Chapada do Araripe. João entra morto na cidade de Barbalha, pendurado num pau, com o seu cabelo arrastando pelo chão, como troféu, pelos policiais.

Raimundo(Lua Branca) ferido e os demais cabras que ainda estavam com Vinte e Dois, foram capturados e levados à cadeia pública de Barbalha. Foram eles: João Gomes, Joaquim Gomes, Pedro Miranda, Manoel Toalha.

Na manhã de 05 de janeiro de 1928, com o pretexto de transportar os presos até a capital Fortaleza, o sargento José Antônio e seus soldados, conduziram os detentos para o sítio Alto do Leitão, localizado junto a velha estrada entre Barbalha e Crato. Lá chegando, obrigaram os indefesos presos cavarem suas próprias sepulturas. O desespero e a coragem do grupo acabou tornando a chacina ainda mais dramática: Ainda não satisfeitos, fuzilaram um a um, sem piedade. Até o último cair na cova mortuária.

Covardia, vingança, lei..

O Massacre do Alto do Leitão foi sem dúvidas um dos mais marcantes e trágicos episódios do cangaço em terras cearenses.

REFERÊNCIAS:

PEIXOTO JUNIOR, José. Bom Deveras e seus irmãos. 2.ed. Goiânia: Kelps, 2009.

SANTOS, Vilma Maciel Lira dos. Os fuzilados do Leitão: uma revisão histórica. Juazeiro do Norte: HB, 2001.

MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 2.ed. São Paulo: A Girafa, 2004.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1563719403836998&notif_id=1611313548524365&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

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ZÉ DE JULIÃO – RETRATOS NA PAREDE.

Por Rangel Alves da Costa 

Através de sua filha Alaíde, eis que me vem aos olhos esta formosura de retrato familiar de antigamente, num misto de fotografia e desenho, onde o pincel do artista dava o acabamento que desejasse. Na moldura, a família: mãe, pai e filhos. E o pai não é outro senão José Francisco do Nascimento, o Zé de Julião de Poço Redondo, o sergipano e sertanejo que nas hostes cangaceiras era alcunhado como Cajazeira. 

Guerreiro, cangaceiro, construtor, político, quase chegando ao coronelato de patente de mando e poder. Mas além de contestador das opressões sertanejas, de cabra de Lampião (ao lado de sua esposa Enedina, morta em Angico em 38), de empreiteiro sulista, político e candidato a prefeito por duas vezes, e de influente nas porteiras coronelistas, Zé de Julião foi também um amante inveterado, um namorador impulsivo, um galanteador sem igual. Fora as inúmeras namoradas pelas portas e escondidos em noites de lua grande, o simpático e sempre charmoso ex-cangaceiro tinha companheira de porta aberta e cama forrada por todo lugar. Da povoação à beira do rio, da fazenda à ponta da serra, sempre havia uma pronta para o seu aconchego e o seu cafuné. Casou com duas (Enedina e depois com sua irmã Estela), mas conviveu e teve filhos com várias. E dentre estas a senhora que está a seu lado na fotografia: Julieta, mais conhecida como Dona Êta, moradora de Poço Redondo e ainda firme e saudosista que só. Os filhos do casal são Alaíde e José Gomes (Venúncio), ela morando na povoação de Santa Rosa do Ermírio e ele na sede municipal. Muito anos já passaram, é verdade, mas o retrato familiar continua como testemunho maior da grandeza histórica emoldurada na madeira do tempo.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1563714707170801&notif_id=1611313036473131&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

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JORNALISTA E ESCRITORA CONTRIBUI PARA MANTER VIVA A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR PERNAMBUCANA

Por Marilourdes Ferraz

MARILOURDES FERRAZ CONTRIBUI PARA MANTER VIVA A HISTÓRIA DA PMPE

Jornalista, funcionária civil da PMPE aposentada, professora e escritora, Marilourdes Ferraz, é uma lutadora assídua pela causa da valorização histórica da Corporação. E na manhã desta quinta-feira (25), ela veio ao Quartel do Comando Geral para visitar o museu, o motivo da presença é simples: o amor pela preservação da Instituição, que há anos ela vem acompanhando e cooperando com esse trabalho.

De acordo com a jornalista, ela integrou a primeira equipe, que se formou na década de 70, para criar o museu da PM. Na época, o Comandante Geral era o coronel Sergio Torres, e a guardiã das informações trabalhava na seção de Comunicação Social. Então ela se juntou a alguns oficiais idealizadores que queriam preservar a história da Corporação e o seu valor. A ideia deu certo e até hoje, existe o museu que é composto de policiais militares historiadores que ainda buscam informações sobre a participação da Instituição na segurança da população pernambucana, mantendo a tradição tão amada por Marilourdes.

Na ocasião da visita ela falou: " Eu estou muito satisfeita em ver que existe pessoas empenhadas nisso, porque nós nos preocupamos com os mínimos detalhes para que não nada fosse esquecido. Estou feliz de ver que o trabalho que eu iniciei e que tanto amo continua a ser feito, e com muito profissionalismo", pontuou.

O objetivo do museu continua sendo o mesmo que foi destacado outrora pela amante da história da PM, que é motivar as pessoas a conhecer mais do trabalho da Corporação ao longo dos anos, bem como seus valores e fatos mais marcantes. Para isso, ela revelou que , na época, solicitou às pessoas que trouxessem documentos, mapas de combates, fotografias, fardamentos antigos, entre outros materiais que adicionassem aos arquivos formando a memória militar. " Eu acho que a atuação da PM tem que ser melhor esclarecida à sociedade, inclusive a atuação do Capitão Zuzinha na banda de música da PMPE que foi convidada pela TV Tupi, primeira da America Latina, para a sua inauguração. Eu me lembro bem que eles ficavam reprisando a Banda tocando na TV. Esse fato foi muito importante para nós!", recordou.

O amor pela causa se deu por influência do seu pai, coronel Manoel de Souza Ferraz, que foi Comandante Geral das Forças Volantes do Nordeste. Durante anos ele escreveu em um diário sua participação na história brasileira, inclusive que participou da 2ª Guerra Mundial aqui no Nordeste. De pai para filha, foi passada a consciência de despertar o passado de toda a Polícia Militar de Pernambuco através de várias ações: primeiro veio o tão idealizado museu, depois vieram exposições de arte, palestras em escolas, faculdades e em outros lugares, peças de teatro além dos livros. " Eu faço isso faz tempo, inclusive, já escrevi mais de 40 livros, dos quais a maioria deles fala sobre a história da Polícia. Um dos mais famosos, " O Canto do Acauã" está completando 40 anos este ano. Ele fala sobre essa relação do meu pai com a vida militar e sua trajetória. Fico emocionada só de falar sobre a dedicação dele e isso me inspira muito em minhas ações" exclamou.

Para a Polícia Militar de Pernambuco foi uma honra receber essa amiga tão querida e não poderia deixar de agradecer pela lealdade e amor à Corporação durante todo o tempo.

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OS PESQUISADORES DO CANGAÇO JOÃO DE SOUSA LIMA E ADERBAL NOGUEIRA NO RASO DA CATARINA

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O PRIMEIRO JUMENTO DE MOSSORÓ

Por Geraldo Maia do Nascimento

Notícias recentes da imprensa local dão conta que o estado do Rio Grande do Norte assinou um protocolo de intenções com a China para exportação de jumentos para o mercado asiático, na ordem de 300 mil animais por ano. Apesar de tratar-se apenas de um protocolo de intenção, a transação é dada como certa.

Desde os tempos bíblicos, os jumentos são um dos mais importantes instrumentos do homem na agricultura e no transporte. Entre o povo hebreu era considerado rico aquele que tivesse a maior criação de jumentos. E mesmo aqui, no Nordeste brasileiro, o jumento ou jegue, como também é conhecido, foi uma das espécies que mais prestou serviços no campo. Mas hoje, a espécie anda desprezada, abandonada pelas rodovias, sem nenhum valor comercial.

Meditando sobre essa notícia, lembrei-me de um texto lido em um velho jornal da cidade que falava do primeiro jumento que chegou a Mossoró, e da reação do povo diante do estranho animal.

Consta que no século XIX era proprietário de um vasto terreno na Quixaba, Manoel João da Silveira que, segundo a tradição, todos os anos, pelo mês de Santana (julho) só de potros em sua fazenda, nasciam mais de cem. Como tinha em suas terras um vasto carnaubal, tornou-se também fabricante de velas de cera de carnaúba, que na época eram muito usadas. Anualmente viajava para o Piauí onde vendia suas velas e voltava com suas bestas carregadas de rapadura, açúcar, etc.

Em 1829, numa dessas suas viagens ao Piauí, trouxe na volta além das bestas carregadas, um grande e bonito jumento que comprara por cinco patacas a um fazendeiro piauiense. O animal causou admiração e espanto aos parentes e vizinhos que vinham visitá-lo.

Jumento no Maranhão

No dia da chegada, já ao entardecer, o jumento colocado num cercado. Talvez saudoso da sua terra natal, o animal passou a noite relinchando. No dia seguinte, a vizinhança em peso recorreu ao fazendeiro para saber que bicho era aquele que não tinha deixado ninguém dormir na redondeza. E a estória do jumento espalhou-se, tornando a propriedade da Quixaba um ponto turístico da ribeira do Mossoró. Pessoas que moravam a mais de dez léguas de distância apareceram para conhecer o animal, impulsionados pela curiosidade. E muitos só se retiravam depois de ouvir o grito do jumento, como diziam. Com o tempo a vizinhança perdeu o medo do animal, que já o viam com naturalidade.

Um fato curioso é que por essa época existia na região um boêmio, Casimiro Carlos da Silveira, tocador de rebeca, que regressando altas horas da noite de um baile, ouve, de repente, o relincho do jumento. O pavor foi tão grande que o rabequeiro jogou o seu instrumento pro lado e subiu rapidamente em uma carnaubeira, ficando ali o resto da noite. Já no outro dia as pessoas que passaram no local se depararam com a cena e convenceram o boêmio a descer já que o animal que tanto o amedrontara com o seu relincho não causava mal a ninguém. 

E foi dessa maneira, entre admirados e assombrados, que os moradores da ribeira do Mossoró tomaram contato como o primeiro exemplar da espécie asinina. Podemos dizer, portanto, que esse jumento de propriedade de Manoel João da Silveira foi o avô de todos os jumentos que existem hoje aqui em Mossoró.

A espécie, em período passado, já havia sofrido duros golpes. Em 1954, milhares de jumentos nordestinos foram sacrificados para a fabricação de vacina antirrábica. Houve protestos. O jumento também sofreu uma redução de seu rebanho entre 1967 e 1981 de 75% (segundo dados da Embrapa).

Nos anos 80, o jumento nordestino voltou a correr risco de extinção, com o abate indiscriminado feito pelos frigoríficos, motivando uma nova série de manifestações. Os matadouros clandestinos realizam abates indiscriminados com a finalidade de exportar sua carne para o preparo de rações para animais de estimação. Grande parte da carne de jumento brasileira era exportada para o Japão. E agora mais uma ameaça ronda o nosso jegue com esse protocolo de intenção assinado com a China. Pelo que parece, vão acabar com o jumento nordestino.

http://www.omossoroense.com.br/universo/geraldo-maia/17700-o-primeiro-jumento-de-mossoro

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PEÇA LOGO ESTES TRÊS LIVROS PARA VOCÊ NÃO FICAR SEM ELES. LIVROS SOBRE CANGAÇO SÃO AS PAIXÕES DOS COLECIONADORES.

   Por José Mendes Pereira


A primeira obra é "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS" que já está na 5ª. edição, e aborda o fenômeno do cangaço e a vida do maior guerrilheiro das Américas. Um homem que não temeu às autoridades policiais  e muito menos aqueles que lutavam contra a sua pessoa, na intenção de desmoralizá-lo nas suas empreitadas vingativas, e eliminá-lo do solo nordestino. Realmente foi feito o extermínio do homem mais corajoso e mais admirado do Nordeste do Brasil, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, mas não em combate, e sim, através de uma emboscada muito bem organizada pelo alagoano tenente João Bezerra da Silva. 


O Segundo livro da trilogia do escritor e pesquisador do cangaço é: "FATOS ASSOMBROSOS DA RECENTE HISTÓRIA DO NORDESTE" com 332 páginas, e um grande acervo de fotos relacionado ao assunto. E para aqueles que gosta de ler e ver fotos em uma leitura irá se sentir realizado com todas as fotos.


O terceiro livro da trilogia também do escritor José Bezerra Lima Irmão é: "CAPÍTULOS DA HISTÓRIA DO NORDESTE" resgata fatos sobre os quais a história oficial silencia ou lhes dá uma versão edulcorada ou distorcida: o "desenvolvimento" do Brasil, o desumano progresso de colonização feito a ferro e fogo, Guerra dos Marcates, Cabanada, Balaiada, Revolução Praieira, Ronco da Abelha, Revolta dos Quebra-Quilos, Sabinada, Revolta de Princesa, as barbáries da Serra do Rodeador e da Pedra do Reino, Guerras de Canudos, Caldeirão e Pau-de-Colher, dando ênfase especial à saga de Zumbi dos Palmares, Invasões Holandesas, Revolução Pernambucana de 1817, Confederação do Equador e Guerras da Independência, incluindo o 2 de Julho, quando o Brasil se tornou de fato independente... São assunto que dá gosto a gente lê-los.  

Adquira-os com o professor Pereira através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

ou com o autor através deste g-mail: 

josebezerralima369@gmail.com

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CRISTINA E A TIRANIA DA MORAL SERTANEJA

A relação de poder existente entre homem/mulher no cangaço foi de dependência; a cangaceira era associada ao companheiro seja enquanto mulher, companheira ou amante. O que resume a ideia de pertencimento a alguém e todo universo moral da religião católica; do poder econômico de homens sobre mulheres. Fora ou dentro do cangaço, elas tinham que enfrentar a tirania da moral conservadora do seu tempo.

O caso da sergipana Cristina, de Português é emblemático. A chegada à fazenda onde morava de um bando de homens jovens e bem armados, trajes exóticos e exibindo joias despertou a empatia nas moças do lugar. Ganhar o mundo, ser livre e correr riscos eram sonhos de muitas mocinhas, e Cristina pensava assim.

Ela mesma assediou e se ofereceu ao cangaceiro Português, chefe de bando, para segui-lo, tipo “amor à primeira vista”. Nos dias atuais, Cristina seria aceita e passaria por mulher liberada, e do tipo modelo de passarela: alta, magra, de sobrancelhas e olhos marcantes, cabelos pretos e bastante compridos.

Mas seu comportamento liberal não se enquadrava no padrão feminino da sua época. Seu espírito de mulher livre incomodava, tornou-se perigoso.

Além de Português, Cristina passou a se relacionar com o cangaceiro Gitirana, descrito como moreno escuro e poeta repentista e por isso mesmo bom de papo.

O formidável escritor Antônio Amaury conta o desfecho desse triângulo amoroso:

Durante uma reunião dos bandos de Lampião e Corisco, em Alagoas, “Português cochichou algumas palavras ao ouvido do seu cabra de confiança chamado Catingueira e se afastou”. Este gesto despertou a atenção e desconfiança de Corisco e Dadá.

“Vai ter coisa”,disse Corisco para Dadá.

Cristino, o Diabo Loiro, conhecia o seu gado. O cangaceiro Catingueira era cabra de confiança de Português, pois a mando deste, eliminara à traição Marreca, um desafeto.

Rapidamente, ao perceber a artimanha, Corisco interveio.

- Que é isso boi do cu branco, quer matar meu rapaz? Você está pensando que vai fazer aqui o que fez com Marreca? Você não é homem para atirar num rapaz meu! Advertiu Corisco.

Se instalou um clima barra pesada entre os bandos. Todos de armas engatilhadas.

Nesse momento então, Lampião, o capo di tutti capi que acompanhava a confusão de longe, resolveu intervir. Com os ânimos controlados, se instalou o tribunal de inquisição e de justiçamento.

A própria Maria Bonita, mulher do chefe maior, não teve uma atitude de sororidade para com Cristina, pois deu seu voto favorável à sua execução sumária. Mas Corisco se posicionou contra.

- Ela deu o que era dela, ninguém tem nada com isso, argumentou Corisco.

Maria Bonita, incisiva, expressou sua posição favorável a Português.

- É, mas desse jeito, Português vai ficar desmoralizado”, replicou Maria Bonita.

E Corisco foi para a tréplica.

- Ele que cuida da mulher dele; do meu rapaz cuido eu!

Agindo feito um magistrado, Lampião que acompanhava tudo em silêncio, deu a sentença final.

- Compadre Corisco está com a razão, Português que cuide de Cristina, que é a mulher dele e Corisco faz o que quiser com Gitirana, disse Virgulino para arrematar:

- Já está tudo se acabando na boca dos fuzis das volantes, e nós ainda vamos dar esse gosto a eles de se matar uns aos outros?

A solução encontrada foi devolver Cristina à família. Ela ganhou roupas novas confeccionadas por Dadá, que coseu dinheiro na barra da saia da moça e ela partiu a cavalo escoltada por um coiteiro de confiança.

Não demorou muito, o dito coiteiro retornou às pressas, sozinho, ao bando com um relato trágico.

- Capitão, foi uma desgraça! Na beira do caminho saltaram, de repente, Luiz Pedro, Juriti e o Cadeeiro, que nos obrigaram saltar dos cavalos. Cristina implorou, chorou, pediu por todos os santos, mas não teve jeito, disse o coiteiro.

Para a execução da cangaceira, os três carrascos alegaram que Cristina poderia ser capturada e delataria os pontos e coitos dos bandos.

A moça que sonhava correr o mundo em liberdade, foi morta a facadas, a sangue frio.

Já uma certa Maria, do cangaceiro pancada Pancada, quase teve o mesmo destino de Cristina; ela é mostrada de forma preconceituosa numa biografia curta e machista, além de ser descrita como “fogosa” e por conta de suas múltiplas relações com outros cangaceiros, quase foi executada por Corisco.

Em seu socorro acudiu Dadá e Maria recebeu como punição a expulsão do bando e devolvida para casa dos pais.

Tal qual Maria Fernandes, de Juriti, que também foi devolvida à família, durante o período das entregas, sob a alegação do cangaceiro de que a moça não era mais virgem quando ele a "conheceu biblicamente".

Essa Maria de Juriti durou apenas 3 meses no cangaço, esteve em Angico, e foi salva pelo próprio Juriti, que a arrastou pelos cabelos durante a chuva de balas, despejada na grota de Angico pelas volantes do aspirante Francisco Ferreira de Melo e de João Bezerra.

João Costa. Acesse: blogdojoaocosta.com.br Acesse: @ajoaosousacosta

Fotos: 1. Cristina ao lado de Português. Foto 2. Cristina(E) e Maria Bonita(C). Acervo Benjamim Abraão. Abba Filmes

Fonte “Amantes e Guerreiras”, de Geraldo Maia

“Lampião, as mulheres e o cangaço”, de Antônio Amaury

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O PRÍNCIPE LAMPIÃO.

 Por João Filho de Paula Pessoa

Entre os anos 1899 a 1914, Antônio Silvino reinou soberanamente nos sertões nordestinos como líder cangaceiro, fez história e fama, que perdura até os dias de hoje, durante seus anos de cangaço, Antônio Silvino, tinha o apelido de Rifle de Ouro, mas também foi chamado de Governador do Sertão e Rei do Cangaço. Quando foi gravemente ferido resolveu se entregar para não morrer, e amargou 23 anos de prisão até ser indultado por Getúlio Vargas em 1937. Durante seus anos de reclusão, foi um preso exemplar e respeitado por todos, foi visitado por historiadores, escritores, jornalistas, estudantes, políticos e sempre que era perguntado sobre Lampião, que durante seu cárcere reinava nos sertões nordestinos e fazia sua história, apesar de dizer que o cangaço não mais lhe interessava, se referia a Lampião de forma respeitosa e elogiosa, se reportando a ele como um príncipe, o uso deste adjetivo a Lampião foi registrado por Siqueira Campos, quando disse “Coronel, Lampião é um príncipe! É um príncipe! Eu é que não soube ser Cangaceiro” e por Leonardo Mota quando também disse “Não tenha dúvida, Lampião é um Príncipe”, bem como sua justificativa para a qualificadora à Lampião, quando afirmava “Ele veio depois de mim”. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 18/01/2021.

Assista o filme deste Conto - https://youtu.be/KHwpYKmX4hs

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CALDO DE CANA

 Clerisvaldo B. Chagas, 22 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.456



 

Nos montes de consideráveis altitudes nos sertões nordestinos, costumam-se plantar, além de outros produtos específicos das alturas, também a cana-de-açúcar. Mas não estamos falando da produção para grandes engenhos e sim, um plantio suficiente para o consumo da família do produtor e alguns amigos vizinhos. Nesse caso, a cana é escolhida como de boa qualidade para produzir o caldo de cana, também chamado no sertão, de garapa. Primeiro o moedor doméstico era feito de madeira, manuseado por apenas uma pessoa.  Hoje em dia já existe esse engenho feito de ferro, manual ou movido à força elétrica. O velho moedor de pau desceu das serras para a cidade, transformou-se em metal e passou a ocupar praças e outros lugares estratégicos para se vender garapa. Caldo de cana é uma delícia nordestina que faz a festa de qualquer vivente.

“A cana é uma planta composta, em média, de 65% a 75% de água, mas seu principal componente é a sacarose, que corresponde de 70% a 91% de substâncias sólidas solúveis. O caldo conserva todos os nutrientes da cana-de-açúcar, entre eles minerais (de 3 a 5%) como ferro, cálcio, potássio, sódio, fósforo, magnésio e cloro, além de vitaminas do complexo B e C. A planta contém ainda glicose (de 2% a 4%), frutose (de 2% a 4%), álcool (0,5% a 0,6%), amido (0,001% a 0,05%) ceras e graxos (0,05% a 0,015%) e corantes, entre 3% a 5%”. (Wikipédia)

Nada para curar ressaca quanto caldo de cana! Entretanto, não é aconselhável para diabéticos.

Isso faz lembrar o engenho de pau da serra do Gugi, no município de Santana do Ipanema, Alagoas. Íamos para àquelas alturas beber garapa no sítio do velho Olavo, em nossa juventude. Não resisti no futuro e transformei o velho Olavo em personagem do meu romance: “Deuses de Mandacaru”, onde narrei cenas com a serra do Gugi.

E se até os europeus descobriram a rapadura brasileira e compram-nas para suas escolas, imaginem se eles descobrem o sabor nordestino do caldo de cana! Fora anemia!

Muitos trabalhadores do campo gostavam das horas do lanche quando o patrão fornecia caldo de cana com pão doce. Até nas capitais o interiorano já pode matar as saudades dos engenhos nas esquinas onde estão de pontos fixos os antigos engenhos do tipo “velho Olavo”.

Caldo de cana... Doce que só beijo de morena apaixonada.

(FOTOS: WIKIPÉDIA



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PEDRA GENUÍNA

Por Mossoró Hoje

O artefato foi encontrado no ano de 2017, pelo agricultor Francisco Melo e pelo sobrinho Luciano Melo.

Os dois, muitas vezes, chegaram a ser chamados de loucos ao contarem sobre o achado.

Nesta quarta-feira (20), após análises de um fragmento, finalmente chegou a comprovação oficial da Global Meteorite Association de que se tratava de uma pedra genuína.

Apesar de ainda não saber o valor exato a família espera conseguir vender a peça.

Em alguns casos, colecionadores já chegaram a pagar até R$ 40 por um grama de meteorito.

https://mossorohoje.com.br/noticias/34960-agricultores-encontram-meteorito-de-mais-de-15kg-nas-dunas-do-rosado-em-porto-do-mangue?fbclid=IwAR3s52ujaCM6Hq_-4Z2eA825YNETSY8VWrdJd2FPRMkIQb2wR6I9X8m8Gw4

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LAMPIÃO COSTUMAVA DIZER AOS SEUS COMANDADOS:

“O cangaceiro deve ser desconfiado e ardiloso como raposa, ter agilidade do gato, saber rastejar como cobra e desaparecer como o vento”.

(MACIEL, 1987 a: 15)

https://www.facebook.com/photo?fbid=925852397819865&set=gm.3773322049391407

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LAMPIÃO NA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO - RECIFE PE

 

Imagem encontrada na página do pesquisador José João Souza

https://www.facebook.com/photo/?fbid=3331550550290199&set=gm.1563909343818004

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COM O FILHO DE LUIZ DE CAZUZA, ZÉ ALVES E COM O NETO Júnior Rodrigues

 Por Aderbal Nogueira

Júnior Rodrigues e o filho de Durval Rodrigues. Descendentes de quem viu o início e o fim de... Virgulino o Lampião. Muito bom até hoje ter a amizade deles.


https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

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ENCONTRADA RECENTEMENTE OUTRA PELÍCULA COMPLETA DO FILME DE LAMPIÃO, FEITA PELO SÍRIO-LIBANÊS BENJAMIN ABRAHÃO BOTTO

 Por José Mendes Pereira


Quantas pessoas escritoras, pesquisadoras, estudiosas do cangaço, amantes e curiosas viveram, vivem e viverão, na ilusão de um dia encontrarem pelo menos, 30, 40, 50 minutos ou o filme completo do rei Lampião, feito pelo sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto?

Seria a maior relíquia encontrada sobre cangaço, uma relíquia valiosa, uma relíquia que era e continua sendo, o sonho de muitos, pelo menos que desse para aproveitar fotos diferentes das que já são do conhecimento de todos que se envolveram, e outros que continuam se envolvendo neste estudo tão interessante que é, saber tudo sobre a respeitada “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia” do afamado, perverso e sanguinário capitão Lampião.

Será que por aí, nesse mundo do meu Deus existe alguém que tem uma cópia do filme do capitão Lampião, produzida nas caatingas do nordeste brasileiro, pelo sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto? Será que este filme só foi feita mesma, apenas uma película e mais nada? Ou será que quem tem outra cópia tem ainda medo de apresentar ao Brasil, temendo ser castigado? Será que não há milagre nenhum que faça aparecer outra película do filme de Lampião,  feita pelo ex-secretário do religioso padre Cícero Romão Batista, o Benjamin Abrahão Botto não produziu?

Mas dizem que: “A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE”.

https://www.youtube.com/watch?v=9KYQGeNNS4A

Eu como um simples estudante do cangaço continuo aguardando e acreditando que um dia esta notícia seja publicada ao mundo: “Encontrada recentemente outra película completa do filme de Lampião feita pelo sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto”.

https://pt.dreamstime.com/carret%C3%A9is-velhos-do-filme-nas-latas-de-prata-image134761570

Ou serão ilusões minhas e de muitos estudiosos e apaixonados pelo tema "cangaço?!" Vamos aguardar! Não é fácil, mas nada é difícil.

Caro amigo leitor, nada real, é apenas imaginação.

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