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sexta-feira, 8 de novembro de 2024

EU NÃO ENTENDIA

 Clerisvaldo B. Chagas, 8 de novembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.144.


Acho que eu poderia dizer que a barragem iinaugurada no rio Ipanema, em 1951, não teve muita utilidade, apesar do grande esforço do DNOCS, seu construtor. Sim, que foi um aproveitamento da construção da ponte (que até hoje serve), entretanto a alegação de que seria a barragem para abastecer d’água a cidade de Santana, não se mostrou eficiente na prática. Na época, Santana do Ipanema ainda não possuía água encanada e toda ela vinha das cacimbas do rio seco. Porém, vimos poucos caminhões pegando água na barragem. Quase uma raridade. A barragem servia mesmo para a pesca sem nenhum critério e, principalmente de farristas que saíam a pé do Centro da cidade, venciam os dois quilômetros até ali e iam beber debaixo da ponte.

Mas também não entendia sobre o açude do Bode, também construído pelo DNOCS, nos anos 50 com a mesma finalidade. Muito pequeno o número de caminhões que às vezes chegava para pegar água no açude. Contudo a cidade continuava, com mais de cem jumentos com ancoretas, abastecendo as residências com o líquido salobro das cacimbas do rio. Onde estava o erro? Como disse acima, não entendia o porquê? Praticamente ociosas essas duas importantes fontes de água, continuaram assim até a chegada da água encanada em 1966. A barragem foi assoreada pela chegada de areia grossa das constantes cheia do rio Ipanema. O açude do bode, nunca recebeu dragagem, pelo menos com alguma divulgação nunca teve.

Quanto a ponte sobre a barragem do rio Ipanema, continua com a mesma firmeza de quando foi construída. Acontece que nunca foi modificada em nenhum aspecto e a sua estreiteza não é compatível mais com o intenso tráfego Sertão – Alto-Sertão, bairros Clima Bom, Barragem – Centro. Uma loucura para carretas e pedestres. A quem apelar? A quem gritar? A lentidão com que o progresso chega ao interior é irritante. Há muito a ponte de rodagem de Dois Riachos foi substituída por uma nova. E por que continuamos com a ponte década do carro de boi? Olhe que estamos falando sobre uma das rodovias mais importantes de Brasil, a BR-316.

Continuo sem entender.

PONTE SOBRE O RIO IPANEMA (FOTO: LIVRO 230).

 


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RABO A NAMBU

 Clerisvaldo B. Chagas 7 de novembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.144.

Não senhor, meu amigo, não havia entrega de papel impresso para fazer prova. Não existia isso, ainda. Quando era tempo de prestar exame, nós, alunos do Ginásio Santana, tínhamos que comprar uma folha de papel pautado com duas páginas compridas, verticais.  Muitos professores faziam dessas folhas um verdadeiro jornal. Já o professor Alberto Nepomuceno Agra – meu maior mestre da Geografia – era comedido. Apesar de dois meses de aula para a época de exame, tinha o costume de fazer apenas cinco perguntas nas suas provas. E todas às vezes nos dava uma lição de economia, cortando ao meio a folha dupla e dizendo que guardasse a outra metade que não precisaria agora. E se quer saber, comprávamos o papel pautado no Comércio central ou em algumas bodegas.

Perto do Ginásio Santana, havia a bodega de “Seu Oseas” onde comprávamos o papel de provas, mas que também vendia outras coisas como “puxa”, um troço doce, comprido igual macarrão, enrolada em papel manteiga. Grudava nos dentes, mas a gente comia. Seu Oseas, tinha a marca de uma lua em quarto-crescente, na face. Para nós, garotos da época era muito gente boa! Quanto à   folha dupla do papel de prova, tinha a vantagem de durante os apertos de matérias difíceis, usarmos “filas” ou “pescas” no meio das duas bandas. Mas...  Aqui acolá, um colega era flagrado tentando burlar o professor. E aqui, amigo, paro para soltar uma gargalhada: Seu Oseas nada tinha a ver com isso. Somente sentimos essa situação mudar, a partir do Instituto Sagrada Família com o sistema de estêncil.

Apesar da situação da época, a folha de papel pautado incentivava você a estudar visando preenchê-la toda com seu conhecimento e, consequentemente ser bem recompensado. Entretanto, a facilidade que a prova impressa atual oferece, como perda de tempo, clareza e limpeza no papel, não traz vantagem alguma para quem não estuda, pois este se vê de repente com uma cuca” limpa diante de uma prova limpa. E voltando ao caso de “pescar, “filar” ou outro termo mais atualizado, teríamos alguns casos interessantes a relatar como comédia no flagra, porém, personagens mais velhos rancorosos gratuitos podem não gostar em estrilos belicosos. É melhor não dá rabo a nambu.

GINÁSIO SANTANA em 1950. (FOTO: FOMÍNIO PÚBLICO/ ARQUIVO DO AUTOR/LIVRO 230).



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LAMPIÃO ENGANADO NO JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO.

 Por Kinko Peregrine

https://www.youtube.com/watch?v=6ygmpOA_hP8

Virgulino consegue realizar seu maior sonho, com a intermediação do Padre Cícero Romão Batista: adquirir a patente de capitão, no Batalhão Patriótico do deputado Floro Bartolomeu, o batalhão das forças legais. 

Além de alimentar sua vaidade pessoal, a patente funcionaria como uma espécie de salvo-conduto, permitindo o bando circular pelas divisas dos estados do Nordeste. Aproveitando aquela oportunidade, Virgulino solicita, também, para os companheiros Antônio Ferreira e Sabino Barbosa de Melo, os postos de 1o. e 2o. Tenentes. 

Acatada a solicitação, os membros do bando abandonam as roupas costumeiras, vestem a farda de soldado e, como autoridades constituídas, passam a ter o dever - por mais irônico que isto possa soar -, de defender a legalidade e proteger a população nordestina. 

Tudo isso foi redigido pelo Padre Cícero e assinado, a pedido deste, no dia 12 de abril de 1926, pelo engenheiro-agrônomo do Ministério da Agricultura, Dr. Pedro de Albuquerque Uchoa. Feliz da vida aos 28 anos de idade, o jovem Capitão Virgulino reúne a família para tirar fotografias.

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PADRE CÍCERO ENGOLIU LAMPIÃO COMO UM PURGANTE

 Por Cangaço em Foco

https://www.youtube.com/watch?v=swTnFrqDIFQ

Relatos do Médico e Escritor Dr. Napoleão Tavares Neves. Fonte: Documentário os Marcelinos. Autor: Rafael Souza.

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MOÇÃO AO PEDRINHO DO CORDEL E DO BAIÃO.

 Por Pedro Motta Popoff

Vocês são nota mil Jornal da Cidade.
Muito obrigado mesmo@
#vereadorsegalla #camaramunicipaldebauru #moçãodeaplauso #homenagem #imprensa #amor #bauru

https://www.facebook.com/photo/?fbid=1958152847783986&set=a.1422211668044776

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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

CHICO JARARACA

 Por Alexandre Muniz

Chico Jararaca (Francisco Nicácio Sobrinho) nasceu no Seridó Potiguar e foi um cangaceiro do bando de Antônio Silvino (anterior ao de Lampião) que perambulou pela caatinga nordestina no início do século passado, fugindo de volantes e sobrevivendo de assaltos. Suas histórias povoam o imaginário do povo sertanejo e dão conta da enorme complexidade que foi o cangaço. Sua vida, durante e depois ao cangaço, foi marcada por aperreios, crenças, fantasias, saudades, perdas, boas correrias e uma preocupação diária com o uso consciente da água. O público terá a oportunidade de vivenciar o universo deste cangaceiro que sempre afirmou que nunca matou ninguém.

https://www.instagram.com/reel/DB9ssKNx9zB/...

 https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

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JOCA BERNARDO...

 Por Francisco Alvarenga Rodrigues

Controversa figura de Joca Bernardo. Dele partiu a delação a Aniceto que Lampião estava por perto e que Pedro sabia do local. Dele também foi falsa afirmação a Corisco que fora Domingos Ventura o responsável por entregar a polícia o local do coito de Lampião.


https://www.facebook.com/groups/179428208932798

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ORGULHO-ME PELO MEU LIVRO.

 Por Robério Santos

É com muito orgulho que anuncio que o livro O Conselheiro, que aborda sua passagem por Itabaiana Grande, está pronto e revisado. Nada mais será alterado. Agradeço à minha revisora, @luarafontescarv, pelo lindo trabalho que fez; ao @ronaldguimaraesart e @rodriguez_ilustras pelos desenhos; à @infographicsaju pelo carinho na impressão; ao @kennyo_alex pelo belíssimo mapa; à @mensagemnagarrafaa pela paciência ao ler a obra previamente e ao @murilomellohistoria pelo prefácio. 

Este é o segundo volume da trilogia que se iniciou com 77.15.32, e no ano que vem teremos O Santo e o Cangaceiro. Quem quiser ler este novo trabalho, diga SIM, vamos ver quantas pessoas estão interessadas. Obrigado, meu Santo Antônio, por tudo.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=10161813353527840&set=a.486697157839

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SAIU O TRAILER OFICIAL DO FILME...

Por Robério Santos

Saiu o trailer oficial do filme de @betop_patriota chamado @zedacupiraofilme Quem quiser ver o vídeo diga SIM que envio no direct. Parabéns a todos envolvidos e obrigado pela oportunidade de poder atuar neste lindo projeto.


https://www.facebook.com/photo/?fbid=10161798752562840&set=a.486697157839

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quarta-feira, 6 de novembro de 2024

ANÁLIA, IRMÃ DE LAMPIÃO

 Por Francisco Alvarenga Rodrigues

ADENDO;

Bela arte, Alvarenga!

Senhores leitores, não confundir Anália com Amália. Esta primeira era Anália Ferreira da Silva, irmã de Virgolino Ferreira da Silva, o capitão Lampião. E a segunda, era Amália Gomes de Oliveira, irmã de Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, companheira do capitão. 

A Amália era casada com um irmão do sapateiro José Miguel da Silva, o famoso forrozeiro Zé de Neném, que era o primeiro esposo de Maria Bonita. O casamento da Amália, durou até o falecimento do esposo. Lamento não ter esta fonte no momento, mas não estou criando esta informação.  


Leia o que escreveu o historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros clicando neste link.

https://tokdehistoria.com.br/tag/amalia-gomes-de-oliveira/

José Mendes Pereira

https://www.facebook.com/photo/?fbid=9191326130900625&set=g.179428208932798

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LÍDIA... AMOR E DESDITA DO CANGACEIRO ZÉ BAIANO.

 Por José Bezerra Lima Irmão


No segundo semestre de 1931, depois de uma viagem por Alagoas e Pernambuco para se reabastecer de munição, Lampião havia escondido a munição excedente na fazenda Maranduba, perto da Serra Negra, indo descansar nas imediações do povoado Poços, na entrada do Raso da Catarina. Ele conseguira também com seus amigos em Pernambuco algumas armas, porém a maior parte apresentava defeitos. Decidiu então levá-las para o seu amigo Venâncio Teixeira, residente em Olhos d’Água do Sousa, nas imediações de Santo Antônio da Glória – Venâncio era muito bom nesse negócio de armas velhas, deixava-as novinhas em folha.


No caminho, Zé Baiano começou a sentir dor de cabeça. Tinha febre. Tremia de frio em pleno meio-dia. Estava saindo um caroço no pescoço. Não suportava nem o chapéu na cabeça.

Lampião conhecia um velho chamado Luís Pereira, que morava no Salgadinho, ao lado da Serra do Padre. A mulher dele, Maria Rosa (dona Baló), era costureira e já havia feito muitas roupas para os cangaceiros. Lampião pediu ao velho que cuidasse do doente, enquanto o resto do bando prosseguia a viagem.

A casa de Luís Pereira tinha uma sala ampla, 3 quartos, cozinha espaçosa, e no fundo ficava o chiqueiro dos bodes, pegado a um tanque. Zé Baiano passou uns 15 dias ali. O tumor era tratado com remédios dos matos – chás e emplastros de ervas. Era bem cuidado por todos, inclusive pela filha caçula de Luís Pereira, chamada Lídia, uma linda garota de 15 anos. Quando ficou bom, o cangaceiro fugiu com a menina.

Lídia não foi propriamente raptada, mas, muito jovem, não sabia o que estava fazendo, e no mesmo dia, ao perceber a vida que teria pela frente, tendo de dormir nos matos e viver se escondendo como bicho, se arrependeu de ter saído de casa. Mas aí já era tarde.

Zé Baiano fazia de tudo para agradá-la. Cobria-a de presentes. Quando iam comer, ele reservava os melhores pedaços de carne para ela, cortava a carne em pedacinhos e punha-os na boca de sua beldade. Só tinha olhos para ela.

Nada, porém, era capaz de tirar da mente da garota a mágoa por ter sido arrancada do convívio de sua família. Não escondia de ninguém a revolta com o seu destino. No fundo, odiava Zé Baiano, o causador de sua desgraça.

Havia no bando um cangaceiro chamado Ademórcio, que Lídia conhecia desde criança, nascido e criado no Arrasta-pé. No bando, ele recebera o apelido de Bentevi. Aquele era o rapaz com quem ela gostaria de viver, e se ambos não tivessem sido arrastados para o cangaço poderiam, quem sabe, ter casado, pois seus pais eram amigos. Com o tempo, Lídia e Bentevi passaram a corresponder-se. Encontravam-se às escondidas sempre que Zé Baiano estava viajando.

Lídia Pereira de Sousa foi possivelmente a mais bonita das mulheres que participaram do cangaço. Era uma morena cor de canela, de cabelo liso, rosto bem delineado, lábios carnudos, olhos negros, com uma dentadura que parecia um colar de pérolas.

Um cangaceiro chamado Coqueiro apaixonou-se por ela. Vivia seguindo-lhe os passos. Certo dia, viu-a mantendo relações sexuais com Bentevi. Coqueiro deixou que os dois terminassem o ato. Bentevi vestiu-se, foi embora. Lídia ficou só. Então, Coqueiro apresentou-se, dizendo:

– Eu vi tudo, do cumeço até o fim. E eu quero tamém...

Lídia refugou:

– Vai-te pros inferno, cabra nojento! Nun tá veno qui eu nun me passo pra um canaia da tua marca? Nun seja besta!

– Ou resorve ou vou contá tudo a Zé Baiano... E tem qui sê agora...

– Pode ir contá até pro diabo! Eu já diche qui não, e pronto!

Isto foi na segunda semana de julho de 1934. O bando estava acoitado perto de Poço Redondo, nas Pias das Panelas, junto ao Riacho do Quatarvo, em terras da fazenda Paus Pretos do coronel Antônio Caixeiro. 

Uma imagem inédita na literatura. Foto artística de Antonio Caixeiro quando prefeito. A original não existe, pois fora consumida por um incêndio na década de 70. (Cortesia de Lauro Rocha para o Lampião Aceso) do pesquisador do cangaço Kiko Monteiro.

Lampião tinha chegado de Alagadiço, onde havia matado um filho de Cazuza Paulo. Zé Baiano havia ficado por lá para fazer umas “cobranças” junto a fazendeiros daquela região. Quando ele chegou às Pias das Panelas, Coqueiro decidiu contar o que tinha visto. À noite, os cangaceiros estavam sentados no chão, uns vinte ou trinta, inclusive as mulheres, em volta do fogo onde assavam carne de bode. O delator expôs o que viu, omitindo, porém, a parte que o comprometia. Zé Baiano franziu a testa, os olhos arregalados, como se não estivesse escutado direito, e rosnou para a companheira:

– O qui esse sujeito tá dizeno é verdade, Lida?

– É verdade, Zé – sustentou Lídia, com voz firme. – Só qui esse canaia nun diche a histora toda... Ele dexou de dizê o preço quiizigiu pelo segredo. Ele quiriaqui eu desse a ele tamém, pra nun lhe contá. Se eu tenho quimorrê, qui morra, mais um cabra safado desse nun me come!

Um silêncio de chumbo caiu sobre o acampamento. Zé Baiano ficou olhando para Lampião, aguardando ordens.

Lampião levantou-se, andou de um lado para outro, remoendo o terrível problema. Depois, sentenciou:

– O causo dela aí o cumpade Zé Baiano é qui resorve. Ela é dele, faça o quiacháqui deve fazê.

Fez uma pausa, ajeitou os óculos, e continuou:

– Agora, Coquero e Bentevi é cum a gente mermo. Gato, mate esses cabra!

Gato puxou o parabelo, aproximou-se de Coqueiro e deu-lhe um tiro na cabeça. Coqueiro, colhido de surpresa, não esboçou nenhuma reação. Não teve tempo sequer de pedir clemência.

Chegada a vez de Bentevi, percebeu-se que ele havia fugido. Os cabras queriam ir procurá-lo, mas Lampião mandou que tivessem calma:

Zé Baiano mandou que Demudado amarrasse Lídia num pé de imburana. Ele, que já supliciara tantos homens e mulheres com a sua palmatória de baraúna, de repente estava sem saber o que fazer. Lídia era tudo para ele. Passou o resto da noite acordado, sem falar com ninguém. Quando o dia amanheceu, pegou um cacete, foi até o pé de imburana, desamarrou a mulher e matou-a a pauladas, quebrando-lhe vários ossos. Lídia não emitiu uma palavra sequer, não gritou, nem ao menos gemeu. Como arremate, Zé Baiano esmagou a sua cabeça, como se faz com uma cobra. Sangue e massa cefálica esguicharam pela boca, narinas, olhos e ouvidos.

Depois, sem pedir ajuda a ninguém, o cangaceiro cavou uma cova rasa, enterrou-a e, não suportando mais, chorou.

Junto ao pé de imburana, no sangue coagulado, começou a juntar formigas.

Texto: Livro Lampião – A Raposa das caatingas de José Bezerra Lima Irmão.

Fonte: facebook - Transcrição: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador).
Grupo: O Cangaço

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SURPRESA DOIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de novembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3.143

Como observador da Natureza, quase caio de costas ao abrir a porta da rua, ontem pela manhã. O Sol já estava alto e pude contemplar no pé de pau-brasil da casa vizinha, três pássaros típicos da minha adolescência. São muitas dezenas de anos que não me deparava com um bicho daquele. E com desmatamento contínuo do Sertão, já apareceram na minha rua, bem-te-vis, rolinhas-brancas, rolinhas caldo-de-feijão... todos esses pássaros fugindo do desmatamento e encontrando restos de comidas nas ruas e nos lixos da cidade. Ainda não tinha visto de perto os três anus-pretos que pulavam da árvore para o chão e vice-versa. Passado o susto da grande surpresa, vi-me novamente rapaz pelas capoeiras, pela caatinga, pelos quintais longos repletos de pássaros e, entre eles, o anu-preto.

Quando em nossas caçadas de peteca (estilingue, baladeira) já sabíamos que dois passarinhos são muito difíceis de matar: o Zé Neguinho e o anu. O Zé Neguinho, pequeno e preto parece debochar do caçador a cada tiro disparado, pula para cima e para baixo na cabeça da estaca e grita como quem está lhe dizendo: “Atire mais seu bestão”. Já o anu-preto não se move tanto, mas é muito difícil acertá-lo. Daí vai que no Sertão alagoano existe um ditado que diz: “Quem tem pólvora pouca, não atira em anu”. Uma grande reflexão para a vida. E diante de tantas coisas passadas, é interessante como voltam à memória diante de uma cena como a que me deparei. Sim, que a minha casa está situada a cem metros do rio Ipanema, cujo leito seco é um jardim, porém, de todo jeito é surpreendente.

Podemos dizer que a presença dos pássaros em nossas vidas urbanas é verdadeiro colírio e não deixa de ser. Mas, por outro lado, quando se pensa no desaparecimento das matas, também aperta o coração, principalmente dos que provaram das suas delícias na juventude. O problema é que as árvores das ruas, no geral, não são frutíferas; o que faz com que a passarada vinda dos sítios rurais procurem o lixo e as migalhas das ruas ou os quintais que oferecem frutas variadas. Os ninhos e ovos dessas criaturas divinais estão ficando cada vez mais fácil de encontrá-los na arborização das avenidas e nos pátios das escolas. Os passarinhos perderam o medo dos transeuntes e do barulho das máquinas que diariamente cruzam as vias. Esqueci de dizer: no Sertão não se come anu-preto, consumidor de carrapato.

E você o que acha?

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terça-feira, 5 de novembro de 2024

DONA MARIA

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de novembro de 2024.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.142

Nos anos 60, estava em moda na cidade, a Revista Nacional “O Cruzeiro”, revistas novelas como “Capricho”, “Contigo”, “Idílio” e mais uma ou duas. Era dos gibis “Zorro”, “Fantasma”, “Tarzan”, “Os Sobrinhos do Capitão”, “Popay e muito mais. Além disso, figurinhas de jogadores de diversos times do Brasil, enroladas em confeito (bala doce) para colecionarmos. Portanto diversão para moças e adolescentes e que além disso, havia ainda as revistas de passatempo: “Palavras Cruzadas” e Charadas. Todas essas coisas chegavam de Maceió, no ônibus ou ainda na “sopa” –  que era um tipo de ônibus com bagageiro no teto externo –  de quinze em quinze dias ou de mês em mês. Ávidos pelas atualizações, comprávamos essas coisas na casa de Dona Maria, esposa de Seu Quinca Alfaiate, bem pertinho da Cadeia Velha.

ÔNIBUS SOPA (IMAGEM PINTEREST).

Mulher já de idade, Dona Maria tratava muito bem todos os clientes. Quando o ônibus chegava com as mercadorias, sua casa se enchia de adolescentes e moças. Revistas novas, cheiro gostoso de gráfica, de papel novo, embriagava. Quanto as figurinhas de jogadores, comprávamos e trocávamos as duplicatas com os colegas. Umas erem raras, com os jogadores mais famosos do momento, Ademir do Vasco, Zizinho, se não me engano, do Palmeiras.  João Neto de Zé Urbano, João Neto de Coaracy e Vivi de Seu Antônio Alcântara, colecionavam gibis. O primeiro tornou-se advogado, o segundo, médico, o terceiro, Juiz de Direito. O que vos escreve, professor e escritor romancista.

No caso de charada, o maio charadista de Santana e região era o Antônio Honorato ou Tonho de Marcelon que também era o melhor no jogo de Xadrez. Minha mãe, Helena Braga gostava muito de Charadas e eu de Palavras Cruzadas. E para ajudar a desenvolver a nossa leitura, comprávamos na feira os folhetos, folhetos de cordel, ou romances, daquelas maravilhosas histórias em versos: Cancão-de-fogo, Pedro Malasarte, índia Necy, João Grilo, o Pavão Misterioso, o Cachorro dos Mortos, A chegada de Lampião no Inferno e muitos outros da produção cordelista nordestina. O médico e o juiz, acima, já fizeram passagem. Continua eu e o João Neto Oliveira, como os sobreviventes dos gibis.

Estamos apenas querendo colaborar com as histórias do Sertão com suas virtudes e defeitos. Fui.

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𝑻𝑶𝑵𝑯𝑶 𝑪𝑨𝑵𝑬𝑳𝑨 𝑬 𝑴𝑨𝑵𝑬́ 𝑴𝑶𝑹𝑬𝑵𝑶

Acervo do Jaozin Jaaosinn

Antônio Canela, ou Tonho Canela, era um caboclo conhecido nas regiões alagoanas e sergipanas pelos seus trabalhos de vaqueiro. Nasceu numa localidade chamada Bonito/AL, porém, veio a se fixar em Curralinho/SE para salvar a sua vida.

Contam que, nos anos de 1937, quando ainda vivia em Alagoas, Tonho teria participado de um grupo paisana para dar combate ao bando de Lampião, ainda dizendo que iria dar cabo do Chefe Maior, assim que este chegasse a Entremontes/AL. Pegaram em armas, preparam estratégias e tocaia pronta... Mas para a sorte de Canela e cia, o temido Rei do Cangaço acabou não passando naquelas redondezas. Certamente, para se safar do ferro quente e frio do bandoleiro, acaba migrando para Curralinho/SE, conseguindo por lá a sua vida de volta, trabalhando como vaqueiro.

Nos meses de junho do mesmo ano, a fazenda Camarões - situada nos Altos do Curralinho, pertencente a Poço Redondo/SE -, de Juvêncio Rodrigues, se encontrava em festa: uma vaquejada para assim dizer. Neste momento se via alguns vaqueiros, sendo eles Chiquinho de Aninha, Flávio, Seu Alves, Libéu, Angelino e João Cirilo. Todos estavam desde a madrugada na pega de boi no mato pertencente a Camarões; iriam juntar a boiada de Juvêncio para levarem até a fazenda Pedrata.

Era de manhã quando uma chuva forte e pesada cobria a região em que a vaqueirama estava. Todos se abrigaram na casa sede de Juvêncio, bebendo cachaça, comendo carne de bode e aboiando. Lá distante, via-se alguém chegando... Era Antônio Canela, procurando um jumento nos arredores. Soube da animação que estava Camarões e seguiu destino pra lá, com objetivo de se alegrar, comer e beber, além de se proteger das chuvas. E curtia que só aquele momento; momento de risos, descontrações, relembrando histórias, improvisando versos... Mal sabia ele que seria sua derradeira farra.

Apontam três versões sobre como iniciou: a primeira diz que Virgolino soube dessa resistência de alguns moradores contra ele em Entremontes, acabando por incumbir Mané Moreno para prestar contas com o mentor (Antônio Canela); a segunda diz que os moradores de Curralinho e arredores saiam falando esse causo de Tonho para Deus e o mundo, caindo nos ouvidos de Mané Moreno, onde este vai tirar satisfação com o vaqueiro; e o terceiro, através do texto de Alcino Alves da Costa (in memorian), Zuza de Invenção, para servir bem os cangaceiros, acaba repassando a história de Tonho e sua valentia contra Lampião para os bandoleiros que alí estavam presentes, que seria Mané Moreno.

De qualquer forma, o temido Engrácia teria seus traços costurados com o de Canela.

Após a chuva se reduzir e "escafede-se", João Cirilo abre uma das janelas da casa, avistando um grupo a cavalo chegando e cercando a fazenda: eram cangaceiros chefiados por Manoel Moreno. Estavam todos encharcados. Vão ao alpendre, saúdam os visitantes, e estes fazem o mesmo. Apertos de mão ali e aqui, até que chega a vez de Tonho Canela. Mané vê-lo, aperta a sua mão forte, puxa-o e diz: “𝑣𝑜𝑐𝑒̂ 𝑡𝑎́ 𝑝𝑟𝑒𝑠𝑜!”.

Todos se assustam. Angelino e João tentam valer a vida do amigo, mas sem sucesso.

“𝑁𝑎̃𝑜 𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑡𝑎 𝑝𝑖𝑑𝑖𝑑𝑢 𝑛𝑖𝑛𝒉𝑢𝑚 𝑝𝑟𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑐𝑎𝑏𝑟𝑎. 𝐸𝑙𝑒 𝑣𝑎𝑖 𝑚𝑜𝑟𝑟𝑒𝑟 𝑝𝑟𝑢𝑞𝑢𝑒̂ 𝑚𝑒𝑟𝑒𝑐𝑒!” diz o chefe.

Tonho, com coragem, pergunta o que ele fez para merecer isso.

Pancada - que ele e grupo tinham se juntado com o de Moreno - responde: “𝑠𝑒 𝑒𝑠𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑢 𝑞𝑢𝑖 𝑎𝑛𝑑𝑎𝑣𝑎 𝑎𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑎 𝑎𝑡𝑖𝑟𝑎́ 𝑖𝑚 𝐿𝑎𝑚𝑝𝑖𝑎̃𝑜”?.

Com a valentia que ainda sobrara, responde ao cangaceiro: “𝐹𝑜𝑖 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜. 𝑆𝑜́ 𝑡𝑖𝑣𝑖 𝑝𝑒𝑛𝑎 𝑝𝑜𝑟𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑙𝑒 𝑛𝑢𝑚 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑐𝑒𝑢.”

Alecrim, possesso pela resposta do vaqueiro, saca seu canivete e perfura inúmeras vezes o corpo do prisioneiro; Cravo Roxo acaba bufeteando, a coronhada de fuzil, o rosto de Antônio barbaramente. O grupo, enraivado com o rapaz, amarram-no na garupa de Alecrim e levam-no embora do local.

A fazenda é consumida pela tristeza, não se escutava mais as risadas e gritos de alegrias, o gado berrava dolorosamente, aboios se cessam, trovoadas de soluços são escutados de longe, e agora quem fazia o papel da chuva era as lágrimas dos vaqueiros ali presentes. No caminho, Antônio olha em direção para Áurea, amansia de Mané Moreno, e pergunta se iriam o matar. Ela responde acenando a cabeça, confirmando que sim. Em desespero, o destemido vaqueiro consegue pular do cavalo e corre loucamente para outra direção. Mané Moreno, que já estava bravo com a atitude do valente, fica mais ainda na tentativa de fuga do rapaz. É perseguido pelo bando onde conseguem o alcançar. Moreno pede para o rapaz abrir a boca. Iria atirar ali dentro. Antônio só teve tempo de virar a cabeça, fazendo com que a bala atingisse o seu ouvido. Acaba não caindo, e então recebe o segundo, no rosto, fazendo com que caísse em cima das macambira's. Depois, vem Pancada e sangra-o. Como se não fosse bárbaro suficiente, segundo Alcino, Cravo Roxo se aproxima do corpo estirado, todo tingido da cor vermelha; se agacha, e como se fosse um morcego, bebe o sangue que borbulha da veia do pescoço do infeliz.

O mais triste é que tudo isso foi visto pelos olhares de seus amigos que estavam a pouca distância. Todos deslumbram a triste sina de Antônio Canela, por uma atitude louca de tentar enfrentar o Rei do Cangaço, e vítima de uma das maiores armas de morte que se encontram até nos dias de hoje: o fuxico, a fofoca, a língua solta.

𝐹𝑂𝑁𝑇𝐸𝑆: 𝐶𝑎𝑟𝑖𝑟𝑖 𝐶𝑎𝑛𝑔𝑎𝑐̧𝑜 𝑃𝑜𝑐̧𝑜 𝑅𝑒𝑑𝑜𝑛𝑑𝑜, 𝑅𝑜𝑡𝑒𝑖𝑟𝑜 𝐻𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑐𝑜 𝑒 𝐴𝑛𝑜𝑡𝑎𝑐̧𝑜̃𝑒𝑠 - 𝑀𝑎𝑛𝑜𝑒𝑙 𝐵𝑒𝑙𝑎𝑟𝑚𝑖𝑛𝑜 𝑒 𝑅𝑎𝑛𝑔𝑒𝑙 𝐴𝑙𝑣𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝐶𝑜𝑠𝑡𝑎; 𝐿𝑎𝑚𝑝𝑖𝑎̃𝑜 𝐴𝑙𝑒́𝑚 𝑑𝑎 𝑉𝑒𝑟𝑠𝑎̃𝑜: 𝑀𝑒𝑛𝑡𝑖𝑟𝑎𝑠 𝑒 𝑀𝑖𝑠𝑡𝑒́𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝐴𝑛𝑔𝑖𝑐𝑜 - 𝐴𝑙𝑐𝑖𝑛𝑜 𝐴𝑙𝑣𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝐶𝑜𝑠𝑡𝑎; 𝐵𝑙𝑜𝑔 𝑑𝑜 𝑀𝑒𝑛𝑑𝑒𝑠.

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CANGACEIRA ADÍLIA

Por Helton Araújo

Adília, foi companheira do cangaceiro Canário, era irmã do também cangaceiro Delicado e prima de Penedinho, o "caba" que deu fim a vida de seu companheiro.

Adília entrou no cangaço por amor, mas depois viu que seu companheiro era um demônio e o arrependimento foi grande!

Qual sua opinião sobre a cangaceira Adilia?

Aproveitando peço que assistam nosso último vídeo postado no canal com tudo sobre a vida do cangaceiro Peitica. Segue o link abaixo para os interessados.

https://youtu.be/7ks2TvpmxrI?si=I4BtO3yIckXnFxm2

Não esqueçam do like, desde já agradeço

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TÚMULO DO EX-CANGACEIRO ANTÔNIO SILVINO

 Por Emmanuel Abreu


Tá aí, pessoal, fotos tiradas no último dia 2 finados no cemitério Nossa Senhora do Carmo (Monte santo)eu já havia fotografado antes mas estava sem a placa agora Sá pra ver bem a escrita túmulo de Antônio Silvino o rifle de ouro.

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UMA MARIA COM SEIS NOMES

 Por Francisco Alvarenga Rodrigues

Maria Vieira da Soledade, Maria Sulena da Purificação, Maria Vieira do Nascimento, Maria Lopes da Conceição, Maria Santina da Purificação e Maria Lusulina da Purificação. Seis Marias e todas são uma só pessoa, sendo a mais conhecida Maria Lopes da Conceição. Casou muito jovem com um homem pacato, José Ferreira dos Santos e tiveram nove filhos. O terceiro, ficou famoso: Virgolino. Maria Sulena morreu aos 47 anos em Alagoas. Foi enterrada discretamente no Cemitério Santa Cruz do Deserto. Qual delas você gostou mais?




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BISNETA DA EX-CANGACEIRA DULCE MENEZES E NETA DA MARTHA MENEZES.

 Por Martha Menezes

Hoje completa 12 anos que você chegou para trazer alegria aos nossos corações. Parabéns!

Muitos anos de vida, saúde e muito sucesso. Fico feliz quando você diz: “Te amo, vó!

Meu coração transborda de alegria.

Seja muito feliz. De sua vó que muito te ama!


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