Seguidores

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

SBEC - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO

Por Wescley Rodrigues

Caros(as) amigos(as),

Saudações cangaceiras e volantes!

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), fundada há 25 anos a partir do idealismo do pesquisador Paulo de Medeiros Gastão, nasceu com o nítido objetivo de lutar pela preservação da memória dos principais acontecimentos constitutivos da nossa história regional, servindo como uma trincheira de resistência aos discursos que minimizam a experiência histórica do povo nordestino, principalmente a história do sertão. A preservação da memória e da identidade nordestina está no bojo e na alma da SBEC.


Nos próximos dias os sócios serão convocados para eleger a sua nova diretoria, responsável por conduzir por um tempo os rumos da nossa Sociedade. Tarefa árdua diante das inúmeras adversidades que se descortinam e que precisam ser vencidas por intermédio de uma reestruturação e volta a fonte essencial que dar sentido a SBEC.

Esse retorno é necessário e urgente. Para isso é preciso avaliar o percurso, rever atitudes, escutar os sócios, convocar novos sócios, e consolidar-se como a Instituição Mãe, pois os estudos sobre o cangaço não estariam na pauta do dia sem os primeiros passos que foram dados pela SBEC e os seus fundadores. Todos os pesquisadores, eventos e grupos que trabalham a temática do cangaço devem muito a “Mãe SBEC”, sendo o Grupo de Estudos do Cangaço da Paraíba, o Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e o Cariri Cangaço bons frutos que nasceram a partir das sementes lançadas pela SBEC e através do apoio desta.

Os desafios são muitos, o trabalho maior ainda, mas a força de vontade e a esperança de que por meio da união conseguiremos continuar colhendo bons frutos motivam e dão sentido ao que está por vir. Diante disso, como divulgado nas redes sociais, foi formada a Chapa 2, “Chapa Unindo Forças”, que tem a frente como candidato a presidente Lívio Rocha Ferraz e como vice-presidente Wescley Rodrigues Dutra.

De antemão salientamos que o nosso desejo é de contribuir para alavancar a Sociedade, darmos as mãos e reestruturamos o legado do memorável Paulo Gastão e de todos os grandes nomes que nos antecederam. Não pretendemos criar animosidades desnecessárias e maléficas para os objetivos que nos propomos, pois isso não contribuirá nesse processo de resgate dos princípios norteadores da nossa Instituição.

Esse é o momento de somar, ouvir, dialogar, acolher, para que assim possamos construir um projeto duradouro. A presente eleição em nenhum momento pode configurar-se como uma disputa de egos, sendo que, desde já, colocamo-nos a disposição da Chapa 1 composta por Drª. Elane Marques e Drª. Juliana Pereira, caso logrem êxito, como também convidamos essas competentes mulheres para comporem conosco o grupo de reestruturação da SBEC, caso os nossos confrades achem por bem conduzir-nos a presidência.

Diante do posto, criamos algumas diretrizes que buscaremos seguir caso eleitos. Óbvio que são ilustrativas, pois ainda precisamos conversar de forma mais amiúde com os amigos para colhermos ideias, analisarmos críticas e assim construirmos um sólido projeto para a SBEC. Dentre as nossas propostas, eis algumas:

a) Reelaboração do Estatuto da SBEC e registro da Instituição junto aos órgãos oficiais;

b) Recadastramento dos sócios para que possamos saber quem somos e onde estamos, contribuindo para solidificação dos nossos laços;

c) Campanha de integração e associação de novos pesquisadores, artistas, poetas e estudiosos dos temas que versam sobre o Nordeste;

d) Criação da Revista da SBEC, um periódico semestral que viabilizará a divulgação das produções dos associados e colaboradores;

e) Introduzir a SBEC no mundo virtual através da criação do site da SBEC e das contas junto ao Instagram e ao Facebook;

f) Criação da Comissão de Eventos da SBEC;

g) Resgate do tradicional Fórum do Cangaço;

h) Articulação do V Encontro Nacional do Cangaço, importante evento de projeção acadêmica que viabiliza a integração da SBEC com o mundo universitário;

i) Criação da TV SBEC através de um canal no YouTube, onde se poderá postar entrevistas, relatos de viagens, eventos e palestras inerentes as temáticas norteadoras da nossa Sociedade;

j) Criação de Grupos de Estudo do cangaço nos Estados da federação, a exemplo do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e do Grupo de Estudos do Cangaço da Paraíba;

k) Criação de Comissões nos Estados com a finalidade de promover palestras e divulgar o cangaço nas escolas;

l) Criação da Circular SBEC, jornal bimestral que divulgará os feitos da SBEC e a produção dos sócios;

m) Visitas e encontros semestrais da diretoria da SBEC com os seus sócios nos vários Estados. Além de ser um encontro de integração, tal evento possibilitará um rico debate sobre o cangaço;

n) Criação anual da Coletânea de artigos dos pesquisadores do cangaço a serem publicados em e-book;

o) Criação do Núcleo para jovens pesquisadores, afim de facilitar o acesso de tais pesquisadores a bibliografia e documentos sobre a temática;

p) Criação de Comissões de Trabalho dentro da SBEC;

q) Criação de um arquivo digital para documentos sobre o cangaço, facilitando o acesso aos pesquisadores como também aos jovens pesquisadores;

r) Integração entre a SBEC e o mundo acadêmico por meio de parcerias para eventos, pesquisas, palestras e viagens técnicas.

Essas são algumas propostas iniciais que não anulam as muitas que ainda queremos receber dos sócios e de toda a comunidade civil para que assim possamos fazer da SBEC uma Sociedade mais sólida e colher bons frutos.

Na certeza de que podemos contar com todos vocês na (re)construção desse sonho, deixamos o nosso fraternal abraço.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

RUÍNAS DA ANTIGA CASA DE LAMPIÃO NO POÇO DO NEGRO.


Por Geraldo Antônio de Souza Júnior



Da antiga casa que no passado pertenceu a família de Lampião no Poço do Negro (Floresta/PE), resta apenas um amontoado de tijolos e pequenos pedaços de telhas, que aos poucos estão desaparecendo devido as intempéries. Em frente às ruínas da casa ainda hoje permanece vivo um velho pé de Umbu-cajá que conta com mais de cem anos e que foi plantado pela família Ferreira, durante o período que ali residiram.

Nesse documentário faremos um passeio pela região e iremos conferir de perto as ruínas da antiga casa de Lampião e ver de perto o centenário pé de Umbu-cajá.

Inscrevam-se no canal. Divulguem a nossa história e cultura.
Geraldo Antônio de Souza Júnior


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

DOM PEDRO II É EXPULSO DO BRASIL

Por José Mendes Pereira

Honesto no Brasil tem que ser expulso. 

Só porque Dom Pedro II era honestíssimo foi expulso do seu país para deixar o Congresso Nacional do Brasil correr frouxo. Dom Pedro II passou 49 anos no poder e nunca quis aumento. O seu ordenado era apenas reparado de acordo com a inflação. Veja a seguir que belo texto sobre a partida de Dom Pedro II para Portugal.

15 DE NOVEMBRO DE 1889, A REPÚBLICA NO BRASIL

O EMBARQUE PARA O EXÍLIO
Por Antônio Sérgio Ribeiro

Todos permaneceram o dia 16 detidos no Paço, com soldados com baionetas e cavalarianos cercando o prédio. Ficou acertado que no dia seguinte, domingo, 17/11, por volta das 15 h, D. Pedro II e os demais embarcariam, tendo sido permitido a ele assistir de manhã à missa na Capela do Carmo, vizinha ao palácio. Mas, de madrugada, o Conde d´Eu foi inesperadamente despertado com a chegada do seu ajudante de ordens, o tenente-coronel João Nepomuceno de Medeiros Mallet, acompanhado do brigadeiro José Simeão de Oliveira, que lhe comunicou que o governo provisório temia o derramamento de sangue na partida da família imperial, pois soubera que havia um grupo disposto a provocar atritos quando da saída do monarca. 

Acordado, o Imperador foi informado que deveria se vestir para embarcar. Surpreso e revoltado, disse "que não sairia como um negro fugido...". Mas, por volta das três da manhã, foi escoltado juntamente com a Imperatriz e toda a família, além de alguns amigos, para o Cais Pharoux, bem atrás do Paço Imperial, hoje Praça XV. Somente um coche negro puxado por dois cavalos estava à disposição, onde foram os imperadores e a princesa Isabel; os demais seguiram a pé. Uma lancha do Arsenal de Guerra, tripulada por quatro alunos da Escola Militar, aguardava-os, sendo transportados para o pequeno cruzador Parnaíba, apelidado de "gazela do mar", fundeado na Baía da Guanabara, próximo à Ilha Fiscal. 

Às 10 horas da manhã chegaram os três jovens príncipes, Pedro de 14 anos, Luiz de 11 anos, e Antônio de 8 anos, que se encontravam em Petrópolis, acompanhados pelo seu preceptor, o Barão de Ramiz Galvão, e do engenheiro André Rebouças, amigo da família imperial, que havia subido a serra especialmente para trazer os filhos da Redentora e do Conde D´eu. A bordo, profundamente abalada, estava a Imperatriz D. Thereza Christina, que muito chorava; não menos comovida estava a Princesa Isabel, mas aliviada com a chegada dos seus filhos. 

O segundo decreto assinado por Deodoro concedia ao Imperador deposto uma soma de dinheiro para sua viagem à Europa. O tenente Jerônimo Teixeira França foi incumbido de levar esse documento do governo provisório a D. Pedro; primeiramente deveria ser entregue no Paço, mas o major Mallet, receando que o imperador pudesse criar algum mal estar no momento, não deixou entregá-lo, o que foi feito somente a bordo do Parnaíba. Mas ele recusaria por mais de uma vez a oferta monetária. Entre os poucos amigos que foram se despedir de D. Pedro II, estava o velho almirante Joaquim Marques Lisboa, o marquês de Tamandaré. 

Ao meio-dia de 17 de novembro de 1889, a embarcação sob o comando do capitão-de-fragata José Carlos Palmeira, levantou ferros e partiu em direção à Ilha Grande para encontrar o paquete Alagoas, da Companhia Brasileira de Navegação a Vapor, o mais novo e moderno navio de passageiros da marinha mercante do Brasil, que fora requisitado pelo governo republicano, para levar a realeza destronada para o exílio na Europa, e o seu pequeno séquito. Além dos membros da família imperial, de André Rebouças, viajaram o barão e baronesa de Loreto, Franklin Américo de Meneses Dória, e a sua esposa Maria Amanda Lustosa Paranaguá; o marquês e a marquesa de Muritiba, Manuel José Vieira Tosta e sua esposa Maria José Velho de Avelar, amiga e dama da princesa Isabel; a octogenária viscondessa de Fonseca Costa, Josefina de Fonseca Costa, dama da Imperatriz por mais de 40 anos; o professor de línguas orientais dr. Cristian F. Seybold; o médico do imperador Claudio Velho de Motta Maia, conde Motta Maia, e seu filho Manoel Augusto, de 14 anos; as criadas da imperatriz Joana de Alcântara, Leonídia L. Esposel, Ludomilla de Santa Mora, Maria da Gloria e Julieta Alves; o criado do príncipe D. Pedro Augusto François N. Boucher; os criados dos filhos da princesa Isabel, Eduardo Damer, e Guilherme Wagner Camerloker; o professor dos príncipes mais novos Fritz Stoll, além de Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho, o conde de Aljezur, substituindo o mordomo imperial. O transbordo dos passageiros para o navio Alagoas foi realizado com dificuldades e perigos de um mar agitado, sendo a Imperatriz ajudada por dois marinheiros. 

O novo governo determinou que o encouraçado Riachuelo da Marinha de Guerra, sob o comando do então Capitão-tenente Alexandrino Faria de Alencar (seria ministro da Marinha em três governos da República), fizesse a escolta até a linha do Equador do Alagoas, já fora de águas territoriais brasileiras. Durante a viagem Dom Pedro notou a que a velocidade da embarcação estava muito lenta e indagou ao comandante do navio - português, mas brasileiro por adoção -, João Maria Pessoa, a velocidade do Riachuelo. Foi informado que era de apenas sete ou oito milhas náutica. Apesar de não ser antigo - tinha apenas pouco mais de cinco anos de uso - e D. Pedro II de muita boa memória, sabia que quando foi construído sua velocidade máxima era de 16 milhas. Concluiu-se que a embarcação de guerra estava com problemas mecânicos. Um dia o imperador reclamou ao capitão Pessoa, e apontando ao 1º Tenente João Augusto do Amorim Rangel, oficial da Marinha que estava a bordo para cumprir as determinações das autoridades republicanas, juntamente com seu colega, o 2º Tenente Antônio Barbosa de Magalhães Castro: 

- Diga a esse moço que vem a bordo, que se o Riachuelo é honraria, eu dispenso; se quer dizer receio, eu não quero voltar. O Brasil não me quer, vou-me embora! 

Na altura da Bahia, no dia 22 de novembro, para alívio de todos, e em especial de D. Pedro, o Riachuelo encerrou sua missão, e deu meia volta para dirigir-se a Salvador, e o Alagoas pode então seguir sua longa viagem, em uma velocidade compatível com suas caldeiras. 

Durante a viagem, o jovem príncipe D. Pedro Augusto, neto de D. Pedro II, e por ele criado e pela imperatriz, desde a morte de sua mãe a princesa Leopoldina de Bragança, quando contava com quase cinco anos de idade, começou a dar sinais de debilidade mental. Com mania de perseguição, no seu primeiro surto psicótico, tentou esganar o comandante do navio, a quem acusava de ter recebido dinheiro para eliminar a todos. Contido e confinado em seu camarote, foi acometido de delírios persecutórios, chegando a envolver seu corpo numa boia salva-vidas, temendo que o navio fosse bombardeado. Alternando momentos de excitação e de letargia, Pedro Augusto jogava garrafas ao mar com pedidos de socorro. Pelo menos uma dessas mensagens, foi encontrada na praia de Maragogi, próximo a Maceió, em Alagoas. Posteriormente seu pai, o príncipe austríaco Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, o internou primeiro em Graz, e depois em um sanatório em Tülln an der Donau, onde permaneceu por quarenta anos, até sua morte em 1934. 

No dia 1º dezembro, houve uma parada para reabastecimento em São Vicente, no arquipélago de Cabo Verde, uma possessão portuguesa, no oceano Atlântico, próxima da costa africana. Os passageiros foram autorizados a descer, e foram visitar alguns pontos da cidade, incluindo uma igreja, onde rezaram. Dessa escala, foi içada na popa do Alagoas uma bandeira imitando o "M" do Código Internacional de Sinais, com o fundo completamente vermelho e sobre filetes brancos as 21 estrelas em filete azul, sendo a estrela do centro maior. Essa bandeira foi entregue em alto mar pelo comandante do Riachuelo ao capitão Pessoa, como símbolo do novo regime brasileiro. A nova bandeira iria causar uma quase crise com Portugal, que determinou a sua retirada por não ser reconhecida de acordo com as normas internacionais. Para evitar maiores problemas, o governo provisório brasileiro determinou que durante a permanência do navio em águas portuguesas não fosse arvorado nenhum pavilhão. 

Quando da partida do Alagoas, o navio da marinha portuguesa Bartolomeu Dias, que estava no porto, deu uma salva de 21 tiros de canhão. Nesse momento, foi içada a bandeira do Império, e todos que estavam a bordo, se levantaram e bateram palmas, alguns emocionados até as lágrimas. Da embarcação lusitana e de alguns navios alemães que ali se encontravam, tripulantes e passageiros sacudiram lenços brancos. No dia seguinte, foi comemorado a bordo o 64º aniversário do Imperador, que ficou muito comovido ao ouvir as palavras de saudação do comandante Pessoa em sua homenagem, quando este ergueu um brinde, ao lado dos presentes. D. Pedro respondeu com palavras trêmulas: 

- Bebo a prosperidade do Brasil! 

Em Portugal 

Em 7 de dezembro, com a bandeira do Império tremulando no mastro, o Alagoas finalmente chegou a Lisboa. D. Pedro foi recebido com honras por seu sobrinho D. Carlos, e toda a corte portuguesa. Permaneceu na capital lusitana por 15 dias. Nesse curto período, visitou o túmulo de seu pai D. Pedro I (D. Pedro IV para os portugueses), na Igreja de São Vicente de Fora, onde rezou, e depositou, no mesmo local, uma coroa de flores no túmulo do Rei Luís, recentemente falecido, tendo participado de uma missa em intenção da alma desse seu sobrinho. Foi a escolas superiores, associações científicas, como o Museu do Carmo, a Escola Politécnica, o Curso Superior de Letras, onde assistiu aulas, o bairro lisboeta da Alfama, o Jardim Zoológico, a Escola Médica, o Hospital São José, a Academia de Ciências, o Mosteiro dos Jerônimos, onde colocou uma coroa no túmulo do poeta e escritor português Alexandre Herculano, e no hotel onde ficou, recebeu algumas visitas. Esteve também nos palácios das Necessidades, residência dos reis de Portugal, e de Queluz, em Sintra. Nesse permaneceu em silêncio por muito tempo, meditando, diante da cama aonde havia falecido seu pai. Esteve ainda na Ajuda, palácio real de verão, e em Belém, residência oficial dos príncipes reais, para retribuir as visitas do Rei e da família real portuguesa fizeram no hotel Bragança, onde estava hospedado com sua família e comitiva. 

Seu sobrinho D. Carlos seria coroado rei de Portugal em 28 de Dezembro, e D. Pedro resolveu então realizar uma visita à região do Minho, no norte do país. No dia 22, chegou a Coimbra, sendo recepcionado pelos estudantes e professores da velha universidade, e depois seguiu para a cidade do Porto. Seu único intuito era não perturbar os festejos reais. No Porto, enquanto visitava a Academia de Belas-Artes, no mesmo dia 28, a imperatriz D. Thereza Christina, com a saúde debilitada, sofrendo de bronquite, amargurada e abalada com a situação causada com a proclamação da República, e o consequente exílio, faleceu repentinamente, aos 67 anos de idade. Avisado do grave estado, retornou rapidamente ao hotel, mas quando chegou sua companheira por longos 46 anos, estava morta. Sua tristeza foi profunda; em silêncio, chorou a partida de sua amada Thereza Christina. Sua filha Isabel, com seu marido Conde D´Eu, e seus filhos tinham ido à Espanha visitar os tios, os condes de Montpensier que lá residiam, e retornaram a Portugal assim que receberam a notícia do passamento da imperatriz. 

O corpo de D. Thereza Christina, depois de embalsamado, e velado na igreja da Lapa - local onde permanece guardado o coração do imperador do Brasil, D. Pedro I - foi transportado de trem do Porto para Lisboa e depositado no Panteão dos Braganças na Igreja de São Vicente de Fora, ao lado da segunda imperatriz do Brasil, D. Amélia, com a presença da família real portuguesa, e autoridades. Após os funerais de sua esposa, permaneceu poucos dias em Lisboa, seguindo para a França, hospedando-se em Cannes, para fugir do forte inverno europeu. 

Exílio e morte do imperador 

Menos de dois anos depois, o Imperador se encontrava em Paris, para participar das sessões do Instituto de França, na Academia de Ciências, da qual era sócio. Em 24 de novembro, foi fazer um passeio em carruagem aberta até Saint-Cloud, nas margens do rio Sena, onde apesar do frio do inverno resolveu fazer uma caminhada. No dia seguinte, amanheceu febril, contraindo um forte resfriado e seu estado de saúde foi se agravando. 

O último imperador do Brasil veio a falecer aos vinte minutos do dia 5 de dezembro de 1891, vitimado por uma pneumonia aguda no pulmão esquerdo, em um modesto quarto do Hotel Bedford, três dias após completar 66 anos de idade. 

D. Pedro II, em seu leito de morte, estava vestido com o uniforme de marechal do Exército imperial brasileiro, com as condecorações do Brasil, França, Portugal, e um crucifixo em suas mãos, que havia recebido do Papa Leão XIII. Um livro, significando que descansava sobre o conhecimento, foi colocado embaixo do seu travesseiro com terra de todas as províncias (hoje estados) brasileiras. Um pedido que havia deixado por escrito. 

O governo francês resolveu prestar as últimas homenagens de Estado ao Imperador brasileiro, e comunicou à princesa Isabel que aceitou as honras oficiais, mas o governo brasileiro protestou por essa atitude. No Brasil, ao saberem da morte do antigo monarca, o comércio fechou as portas, e várias missas foram realizadas por sua alma por todo o país. 

O corpo embalsamado do imperador foi levado para a Igreja da Madalena, situada perto da Praça da Concórdia, a poucos passos do hotel onde morreu. Ao meio dia de 9 de dezembro, com o caixão coberto com a bandeira do Império brasileiro, colocado em um catafalco elevado na nave da igreja, foi celebrada as exéquias solenes, pelo arcebispo de Paris, com a igreja totalmente lotada, e a presença da Casa Militar do presidente da França, Sadi Carnot, que o representou. Além dos presidentes da Câmara e do Senado da República francesa, esteve presente o cônsul-geral de Portugal em Paris, o escritor Eça de Queiroz, todo o corpo diplomático, dentre inúmeras autoridades. 

Pelas ruas de Paris, 80 mil homens das tropas francesas participaram das honras. O coche fúnebre, puxado por oito cavalos cobertos de negro, foi escoltado pela guarda republicana, acompanhado por uma banda de música militar tocando a marcha fúnebre de Chopin, e nada menos que 300 mil pessoas, apesar do frio, foram prestar as homenagens a D. Pedro II. Quando o cortejo passou pela Praça da Concórdia, foram prestadas as honras militares, e uma bateria de artilharia deu as salvas de estilo. O corpo foi transportado em um trem especial para Lisboa, com uma parada em Madrid, onde a Casa Real espanhola prestou também suas homenagens. Em Lisboa, o rei D. Carlos, toda sua família, o ministério, altas autoridades, e milhares de pessoas participaram também das honras e despedidas ao velho imperador brasileiro. Na igreja de São Vicente de Fora, o cardeal Dom José Sebastião de Almeida Neto, Patriarca de Lisboa, recebeu o esquife. Depois de rezada uma missa, o corpo do Imperador foi colocado ao lado da imperatriz Thereza Christina, no panteão da família Bragança. 

No governo Epitácio Pessoa, em 1920, foi revogado o decreto de banimento da família imperial, e no ano seguinte a bordo do encouraçado São Paulo, da Marinha de Guerra, os restos mortais de D. Pedro II e de D. Thereza Christina foram trazidos para o Brasil. No ano de 1939, foram finalmente depositados em um túmulo especialmente construído na catedral de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, em solenidade presidida pelo então presidente Getúlio Vargas. 

*Antônio Sérgio Ribeiro, advogado e pesquisador. É diretor do Departamento de Documentação e Informação.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

A HISTORIA DA CANGACEIRA ARISTÉIA - CAPIÁ DA IGREJINHA PARTE II


Por João de Sousa Lima

Zé Soares, primo de Aristéia, jovem de dezesseis anos, na companhia do amigo Pedro Tomáz seguiam para roça quando avistaram alguns cangaceiros que deram com a mão chamando-os. O irmão chamou Zé para correr. Zé falou que se corressem podiam morrer. Os dois foram ao encontro dos cangaceiros. O cangaceiro pedra Roxa foi logo identificado pelos irmãos. Pedra indagou aos jovens:

- Quem tinha na casa de Pedro Jaquinta?

- Tinha uma mulher!

- O que ela tava fazendo?

- Tava torrando umas pipocas !

- Volte e traga uma cuia cheia de pipoca pra gente !

Os rapazes voltaram e quando deram o recado à mulher, ela caiu assustada.

Zé Soares apressou-se

- Avia (se apresse ) Carolina!

Ainda no chão a mulher respondeu :

- Pegue ai, meu filho!

Zé pegou a cuia e levou até o cangaceiro.

- Oi só tem o torrero!

- Tá bom, ta bom! Volte e traga um machado pra eu tirar uma abelha que eu achei aqui!

Zé voltou, encontrando a mulher ainda no chão, tentando se recuperar do susto.

- Levanta, Carolina, me dá um machado que a coisa tá apertando!

- Pegue aí debaixo do banco!

Zé entregou o machado a Pedra Roxa e o cangaceiro obrigou Pedro Tomáz a tirar o mel. A empreita entrou pela noite, gastando o rapaz, duas caixas de fósforos para clarear e fazer fumaça, espantando as abelhas.

De repente um barulho foi ouvido e um farol clareou os cangaceiros e os rapazes. Era um caminhão abarrotado de soldados. Os cangaceiros se abaixaram e por muita sorte não foram avistados. Refeitos do susto os cangaceiros foram saborear o mel. Pedra Roxa se aproximou dos dois irmãos e alertou:

- Olhe, vão embora, mais se conversarem que me viram, passam por essa daqui (apontando a boca do mosquetão )!

- Eu por mim me garanto, só não garanto por este daqui! Falou Pedro Tomáz.

Diante do embaraço da resposta do irmão, Zé ficou sem palavras para se defender. O cangaceiro ameaçou o jovem :

- Qué dizê, rapaz, que você é assim? Você agora achou! Você agora vai aprender a viver!

No momento de angústia, Zé Soares se lembrou da padroeira do Capiá a quem ele venerava : “ Valha-me Nossa Senhora Divina Pastora “ Clamou Zé, silenciosamente.

Com pensamento na santa, as palavras vieram e ele disse:

- Mais Pedro como é que você diz uma coisa dessas comigo, eu tenho visto esses homens muitas vezes, estando com você e nunca falei nem pra minha mãe!

Foram as palavras salvadoras. O cangaceiro reconheceu que estava seguro.

Os jovens puderam seguir o caminho de volta. No trajeto Zé reclamou de Pedro.

- Mais Pedro como é que você fala uma coisa dessas comigo?

- Agente com medo não Sabe o que diz!

A escuridão da noite era testemunha de uma conversa de amigo cobrava de um amigo a sua lealdade e a justificativa do medo servia para pedir perdão e ser perdoado.

Nota: Relato colhido pelo autor, no dia 25 de janeiro de 2007, em noite festiva, na novena consagrada à Divina Pastora, no Capiá da Igrejinha. Canapí, Alagoas, Presente a ex-cangaceira Aristéia e o próprio Zé Soares.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

OS TIROS QUE MATARAM LAMPIÃO

Palestra de Ivanildo Silveira durante oCariri Cangaço 10 Anos

Aderbal Nogueira registrou um dos melhores momentos do Cariri Cangaço 10 anos realizado no último dia 26 de Julho em Juazeiro do Norte,CE.

Dá o play e tire suas conclusões



http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ÁGUA BRANCA EM ALAGOAS


Por João de Sousa Lima

Água Branca em Alagoas foi uma das cidades que sofreu a fúria do cangaço. em 1922 Lampião realizou o famoso saque a Baronesa de Água Branca, a senhora Joana Vieira.

os povoados Tingui e Alto dos Coelhos era reduto de cangaceiros e viu também as ações violentas do cangaço, onde várias pessoas foram mortas.

Um dos capítulos de morte nessas terras aconteceu na Fazenda Riacho Seco, de propriedade de Abel Torres, filho da Baronesa de Água Branca.
O crime aconteceu por consequência de uma fofoca. um rapaz chegou em Água Branca procurando emprego como vaqueiro e falaram que pra trabalhar como vaqueiro estava difícil pois os cangaceiros estavam espalhados por toda região.

o rapaz respondeu que para Lampião tinha era um "Parabellun" pra atirar nele. falou isso em um movimentado dia de feira, onde coiteiros andavam vasculhando informações. No mesmo dia Lampião ficou sabendo da afronta do jovem Joventino.

Joventino conseguiu trabalho nas terras de Abel Torres e foi morar na fazenda Riacho Seco, próximo a divisa de Água Branca com Olho Dágua do Casado. nessa fazenda tinha duas casas, residindo em uma delas o senhor Antônio Zezé e em outra morava Joaquim Gomes.

Joventino ficou na casa que morava Joaquim Gomes.

Lampião ficou sabendo do paradeiro de Joventino e foi com "Pitombeira" (Zacarias Bode), Luiz Pedro e mais dois companheiros. os cinco cangaceiros se aproximaram da casa onde estava Joventino.

Lampião já no terreiro gritou:

- Joventino cadê o Parabellun que você tem pra atirar neu?

Joventino saiu da casa e quando chegou no alpendre os cangaceiros o pegaram e o rapaz negou sofre o recado desaforado que tinha mandado pra Lampião.

- Isso é mentira!!!!

Lampião sem contar conversa atirou no rapaz que já caiu morto.

com o corpo do rapaz ensanguentado no chão os cangaceiros entraram na casa, o cangaceiro Pitombeira encontrou o senhor Antônio Laurentino (Lorentino).

Lorentino era vaqueiro que tinha os pés aleijados.

Pitombeira tinha uma antiga rixa com Antônio Lorentino e viu nesse momento a oportunidade de se vingar.

A intriga entre os dois começou por causa de uma cerca que Pitombeira estava fazendo e invadindo um pedaço do terreno do patrão de Lorentino, na fazenda doTalhado.

o proprietário Abel Torres empatou de Pitombeira fazer a cerca e ai criou-se uma intriga entre o futuro cangaceiro e o vaqueiro.

Pitombeira e outros cangaceiros seguraram Antônio Lorentino para matar e nesse momento outro vaqueiro, chamado Mané Egídio se atravessou na frente de Pitombeira e falou:

- Esse daqui você não mata não!!!

Lampião olhando a cena, sentenciou:

- Aqui não se mata ninguém, esse daqui fica pra ir a visar ao patrão pra ele vir enterrar o defunto!

Esse valente vaqueiro Mané Egídio que livrou o amigo da morte certa, mais tarde tronou-se o famoso cangaceiro Barra Nova, um dos bravos homens do grupo de Lampião.

em abril de 2019, eu, Aldiro Gomes, Thomaz Deyvid e Raul Sandes, estivemos nessa fazenda e nas duas casas conhecendo esses dois monumentos que viveram a história do cangaço.

Uma saga vivida entre a razão e a violência onde homens pagavam com as vidas por uma simples palavra empenhada, muitas vezes simples palavras jogadas ao vento, sem intenção de se transformar em verdade. tempos dificeis e conturbados. hoje escombros cobrem os sangues do passado e marcam os fatos vivenciados nessas terras...

João de Sousa Lima.
Historiador e Escritor.
Alto dos Coelhos, Água Branca. Alagoas.
em 20 de junho de 2019.
Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso, cadeira 06
Membro Presidente do IGH - Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso.
Membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do cangaço.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O CRIME DO CIPÓ

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.157

      Com a expansão da cidade, alguns sítios de periferia vão sendo engolidos. Uns permanecem com o nome de origem, outros ganham apelidos nessa realidade. Em Santana do Ipanema começou a urbanizar-se o sítio Cipó. Terras por trás do serrote Gonçalinho (Micro-ondas), o Cipó já teve sua tragédia que até pouco tempo era marcado por uma santa-cruz. Cipó é o nome genérico de todas as plantas e hastes finas e flexíveis que servem para atar; plantas trepadeiras que pendem das árvores; embira. Cipó vem do Tupi guarani (Ici’pó) fila-fileira. O casario que se forma por trás do atual Posto Lemos em direção ao sítio Curral do Meio fez a retirada da santa-cruz que marcava o Cipó. O episódio foi narrado pelo escritor santanense Oscar Silva no seu livro de crônicas “Fruta de Palma”.

SERROTE DO CRUZEIRO (FOTO: B. CHAGAS).

          No início dos anos trinta, a região sertaneja sofreu anos seguidos de seca braba. Começou a haver, então, roubos de bodes, na periferia santanense. A pobreza passava fome, mas foi notado que os filhos pequenos do senhor Laurindo, ou coisa parecida, estavam sempre gordinhos. Designado para resolver os problemas de roubo, o soldado Zé Contente e um comparsa, desconfiaram de Laurindo. Prenderam-no e o acusaram de roubo de bode. Mesmo sob protestos de inocência, o cidadão foi preso, amarrado e torturado. O sádico policial Zé Contente, furou o bucho do mulato, mas só encontrou alastrado. Laurindo passava o dia pelo serrote colhendo alastrado para alimentar a filharada. Foi vítima do maníaco e uma cruz na estrada ficou conhecida como a Cruz do Cipó.
          Felizmente o episódio foi resgatado pelo escritor da época. Este assunto já foi apresentado certa vez, mas com a ameaça urbana em deglutir o sítio, retornamos ao tema para que não fique no esquecimento o pequeno ramo da História Municipal. Vale salientar que nem sempre um livro de história conta todos os fatos. Crônicas, novelas, romances, poesias e outras publicações sempre contêm em algum lugar, testemunhos complementares dos escritos oficiais. Em breve, outros sítios periféricos estarão nas mesmas condições do sítio Cipó.
          Será que irão aparecer abnegados pesquisadores?
          Deus é o Senhor dos tempos.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MINHA AVÓ E SEU ROSÁRIO DE CONTAS

*Rangel Alves da Costa

Recordações de um tempo de menino, mas também a compreensão do que sou agora através do passado. O tempo passou e muito se transformou. Os outonos chegaram e levaram consigo aqueles viços primaveris. Da nostalgia e da saudade, a certeza de que a chama continua acesa para iluminar aqueles que fizeram parte do meu mundo e que um dia partiram deixando molhados os lenços do adeus.
Lembro-me das mãos pequenas e delgadas de minha avó, dos dedos magros e longos de minha avó, de seus passeios sobre minha cabeça em cafuné, de sua pele já envelhecida tateando sobre o menino traquina. E das histórias de reis e rainhas, de castelos encantados e seres desconhecidos, contadas enquanto minha cabeça se debruçava sobre o seu colo. E depois o adormecimento em sonhos bons.
Lembro-me do bolo de milho e de ovos, do pão de forno, do café quentinho. Lembro-me dos repetidos pedidos de cuidados. Não há como esquecer. Na cristaleira reluzindo louças e xícaras antigas e adornadas com ramos dourados. Ali, por dentro das vidraças e debaixo de um açucareiro enfeitado, ela guardava os vinténs separados para a compra dos doces e das bolas de gude dos netos. Chamava, colocava o dinheiro na mão e sempre dizia para não gastar.
Lembro-me daquelas mãos magras e finas, ainda que entrecortadas de tempo, buscando os segredos e os mistérios de uma fé incontida. Minha avó era devota do céu inteiro. Era um beatismo ao modo interiorano, onde o sagrado servia como portal a tudo. Não faltava a uma missa nem deixava de levar seu xale e seus livros de orações, seus rosários e terços, seu coração encantado pela sagrada existência. De sua voz murmurante, os diálogos com anjos e santos, os rogos escritos na alma.
Tais lembranças me levam a novamente avistar o rosário de contas de minha avó. A saudade me faz novamente avistar aqueles dedos finos passando conta a conta no rosário, sempre acompanhados de silenciosas orações. O rosário de minha avó era tudo. E que belo e sacro objeto era aquele. Talvez em cada conta um anjo, um santo, um paraíso, um salmo e um evangelho, uma luz, uma salvação, um rogo, uma prece. E em tudo a face presente de Deus.


Rosário de cinquenta contas, estas separadas em cinco dezenas, com contas maiores e menores, de forma que indicassem as diversas orações. Não sabia minha avó que antigamente o mesmo rosário de fé e de orações a Virgem Maria era feito de corda ou cordão grosso e que cada conta era formada por um nó, também maior ou menor. Cada nó simbolizava uma oração e no cordame inteiro a fé de um povo. No rosário de minha avó, com contas parecendo cristal, um lindo crucifixo pendia sobre os dedos. E então a imagem de Cristo ficava levemente balançando ante o meu olhar.
Também não sabia minha avó que antigamente o rosário era percorrido em quinze orações, acompanhadas de igual número de mistérios e Ave Marias. E que mais tarde ladainhas foram incorporadas ao rosário, e estas como forma de obtenção de misericórdias. Mas minha avó não precisava conhecer o histórico rosariano, vez que ela, além de conhecer todos os passos das orações, mistérios e ladainhas, também sabia transformar suas contas em diálogos tão sagrados e pessoais que nenhuma prece podia ter maior profundidade: “Invoco-te, oh meu Senhor e Pai, minha Virgem Maria, pelos meus...”.
Somente agora eu sei da força, da devoção e da importância daquele rosário nas mãos de minha avó. Somente o tempo passado para que eu compreenda que ali, muito mais que um instrumento de fé, também servia como mensageiro diretamente ao divino. Quando pedia pelos seus, então logo invocava a proteção contra os males do mundo, a guarda contra as tentações, a proteção face aos inesperados e aos desacertos dos passos na estrada. Talvez pedisse menos para ela do que para os seus. E por isso mesmo que hoje recordo as contas do rosário de minha avó como o escudo protetor de todos os meus passos pelos caminhos da vida.
Nas contas do rosário de minha avó estava o rogo para aquele instante e para o futuro inteiro. Ao invés de escolher uma oração e logo após invocar proteções, ela ia abrindo seu leque de pedidos a cada conta tateada pelos seus dedos. E, conta a conta, fazendo com que a divindade maior nunca afastasse sua mão protetora de seus filhos, netos, esposo, amigos e de todos aqueles que necessitassem do olhar bondoso dos céus. Nunca ouvi uma só palavra naquelas orações. Murmúrios quase silenciosos, boca em compassados gestos, mãos unidas enquanto as contas iam sendo percorridas pelos dedos.
E na ponta do rosário, como soprada por leve brisa, a cruz do crucifixo com aquela imagem que sorria pra mim. Um sorriso que talvez dissesse: És, filho, inteiramente filho das contas do rosário de sua avó!

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O TÚMULO DO ADVOGADO DR.JOÃO DANTAS, QUE ASSASSINOU O PRESIDENTE DA PARAÍBA, DR. JOÃO PESSOA...!


Por Volta Seca

Todos conhecem o histórico assassinato do governador João Pessoa da Paraíba em 1930, pelo advogado Dr. João Dantas, mas ninguém sabia, o destino do sepultamento de João Dantas. 

Clique no link e veja ao vídeo:

O canal POR AÍ PELO SERTÃO veio mostrar para vocês, onde está sepultado Dr.João Dantas, que fica na fazenda São Pedro em São José do Egito - Pernambuco.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PÉ DE UMBU-CAJÁ PLANTADO PELA FAMÍLIA FERREIRA (LAMPIÃO) EM FRENTE DA ANTIGA CASA DA FAZENDA POÇO DO NEGRO.

Por Geraldo Júnior

Na fotografia registrada recentemente pela amiga Mabel Cristine Nogueira Sousa (Nazaré do Pico/PE), vemos o antigo pé de Umbu-cajá plantado pela família Ferreira em frente da antiga casa da Fazenda Poço do Negro (Floresta/PE), onde passaram a conviver após abandonarem o sítio Passagem das Pedras (Serra Talhada/PE), devido aos intensos conflitos entre os irmãos Ferreira e Zé Saturnino, dono das Fazendas Maniçoba e Pedreira.

O antigo pé de Umbu-cajá, plantado pela família Ferreira, permanece vivo no local, onde hoje resta apenas ruínas da velha casa, como uma última testemunha dos acontecimentos ocorridos naquele pedaço de chão.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

IARA-CE, É ROTA DE TURISMO CARIRI CANGAÇO, SIM SENHOR.


Por Jair Tavares
 Jair Tavares e Souza Neto

O cangaceirólogo viajor de Cariri Cangaço 10 Anos que vai passar pela BR 116 KM 441, tem obrigação devocional de dar uma paradinha no distrito de Iara Ce e fotografar alguns monumentos históricos relacionados ao cangaço antigo do século XIX e ao messianismo. Construções simplórias porem repletas de simbolismo histórico.

Comecem pelo Cemitério Padre Ibiapina, na capelinha do logradouro, protegida pelas grades, tem uma placa em homenagem ao nobre missionário - bonita placa contendo 3 logomarcas: Casa da Cultura André Rodrigues, Cariri Cangaço e GPEC (Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço). Homenagem simples idealizada por três historiadores: Sousa Neto ilustre Secretário da Cultura do Barro-Ce, Jair Tavares membro do GPEC E CARIRI CANGAÇO e Padre Valderi Tavares pároco local de Iara Ceará. Em 2013 Iara foi elevada a categoria de Paróquia.

Depois passem na Matriz de N. S. da Conceição onde na entrada da igreja tem o que restou do cruzeiro antigo que Pe. Ibiapina fez erguer lá em janeiro de 1869 (eu falei 1 8 6 9). 

Depois passem na Capela de São João Evangelista, construida na década de 1850 por José Vicente Viriato com o objetivo de criar altar (e púlpito) particular para seu filho(Pe. Joaquim Juscelino Viriato Formiga) rezar missas. Essa família para sustentar esses caprichos esdrúxulos começou a saquear propriedades na Paraíba e, por causa disso, quase foi dizimada à bala pelo CapGN Francisco Timóteo em 1878(mas aí é outra história).

Tem mais história por lá. Tem os resquícios do que foi o quartel do primeiro destacamento militar de vigilantes da fronteira Ceará/Paraíba, tem a silhueta da Estrada Real de Cangati que passava em frente a Capela de São João Evangelista.

Em tempo: Iara Ceará é um dos poucos distritos(talvez o único) da nação que já foi município autônomo por duas vezes. A última vez foi em dezembro de 1963 porem a ditadura militar de março 1964 cassou esta instituição. Quem quiser detalhes amiúde de toda esta história tem que conversar com o nobre historiador, escritor e Conselheiro Cariri Cangaço Sousa Neto. 

Um abraço, Jair Tavares.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com


CAIXA DIVULGA CALENDÁRIO DE SAQUES DE CONTAS ATIVAS E INATIVAS DO FGTS

Por Bruno Aragaki, do UOL

A Caixa Econômica Federal divulgou hoje o calendário para saques de até R$ 500 das contas ativas e inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Há dois cronogramas: um para quem tem conta poupança na Caixa, cujos saques se iniciam em 13 de setembro, e outro para quem não tem conta no banco - que poderão retirar o dinheiro a partir de outubro.

Segundo o presidente da Caixa, as agências abrirão mais cedo nos dias de semana e funcionarão aos sábados, em dias determinados pelo banco, para ajudar no atendimento aos trabalhadores.

Além deste saque de R$ 500, o governo anunciou também "saques aniversários" - que autorizará retirada anuais de parte do dinheiro depositado.

Veja mais:


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PASSAGEM DE LAMPIÃO POR LAVRAS DA MANGABEIRA, EM 1927"


Por Manoel Severio

Depois de Percorremos de Juazeiro do Norte à Lavras da Mangabeira pela BR 230, continuamos nela por mais alguns quilômetros e entramos numa estrada vicinal onde rodamos mais um longo trecho, em busca da Estrada Real, hoje intransitável, com seus marcos de concreto, até pararmos e descermos das vans para percorremos um trecho de uns dois quilometros dentro da caatinga até o local que Lampião e cerca de 30 cangaceiros, e mais 3 reféns capturados pelos bandidos para pedirem resgate, acamparam. 

Os bandidos vinham fugindo do combate à cidade de Mossoró onde foram escorraçados pelos bravos moradores comandados por seu Prefeito, Rodolfo Fernandes. 

Os coronéis de Lavras da Mangabeira, considerada a 2ª cidade a ter mais coronéis no ano de 1927 no Ceará, juntos empreenderam uma caçada a Lampião que fugiu novamente.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com