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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Hoje na História - 23 de Dezembro de 2011

Por: Geraldo Maia do Nascimento
Em 23 de dezembro de 1948 era criada a 2a Vara da Comarca de Mossoró, sendo nomeado seu primeiro titular o Bel. Zacarias Gurgel da Cunha. 

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Geraldo Maia do Nascimento


Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"

GECC e um Feliz Natal !



O GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, deseja a todos os Sócios, Amigos e Colaboradores, um Natal cheio de Luz, Amor e Paz e um Ano Novo repleto de Saúde, Harmonia e Prosperidade.

Ângelo Osmiro - Presidente
Bosco André - Vice-presidente
Aderbal Nogueira - Diretor
Juliana Ischiara - Diretora
Antônio Tomaz - Diretor
Pedro Luiz - Diretor
 Manoel Severo - Diretor



E Natal né isso mermo?

Por: Kiko Monteiro
O aniversário de Jesus!
Essa é a história. Com a graça e originalidade do Cordel. Colorido pelo sotaque de
Coroné Severo, Dr. Pedro Luiz,


Coroné Osmiro,
Aderbal,
Juliana, e dos demais irmãos cearenses. Esta reflexão animada produzida pela Igreja Batista Central de Fortaleza é o nosso FELIZ NATAL! Dedicado pra vocês meus estimados colaboradores e irmãos cangaceirólogos. Enfim para todos os nossos rastejadores e visitantes, cristãos ou não.

Abraço Fraterno!
Kiko Monteiro 

Texto locução e edição: Euriano Sales
Xilo: Meg Banhos

Açude: Clipes Louvor, YouTube

Beatificação de João Paulo II - Vídeos

LEMBRANCINHAS DE AMIGO SECRETO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

LEMBRANCINHAS DE AMIGO SECRETO
Já que reuniu os amigos na comunidade, na empresa, em qualquer lugar, e resolveu brincar de amigo secreto, com cada um tirando um nome e guardando em segredo, que tal agora revelar quem é seu amigo oculto, sua amiga sigilosa, e fortalecer a amizade com uma lembrancinha?
Quem sabe aquele que o papelzinho revelou escondido não é o mesmo que lhe tirou em segredo? Muitas vezes o acaso simplesmente revela aquilo que já existe e apenas ainda não foi suficientemente manifestado; outras vezes as forças ocultas procuram aproximar pessoas que declaradamente não se combinam ou empatizam.
De qualquer forma, a brincadeira do amigo secreto é o momento ideal para manifestar tudo o que a pessoa sente acerca do outro aleatoriamente escolhido. Sempre uma surpresa, muitas vezes a pessoa fica preocupada em escolher a lembrancinha certa para a outra que possui característica tão especial ou simplesmente não deixa qualquer opção.
Contudo, incorrerá em erro aquele que optar por comprar um presente caro, valioso demais, muito além dos padrões do grupo e do próprio objetivo da brincadeira – troca de lembrancinhas -, tão-somente para impressionar, mostrar riqueza ou querer aparecer. Além de ser descabida, se tornará numa situação vexatória para os outros e si mesma. Ademais, a importância do presente está no seu significado e não no seu valor.
Uma concha do mar envernizada e guardando no seu eco um segredo amoroso antigo; um barquinho de madeira, artesanalmente trabalhado, pronto para singrar na ideia de viagem a dois; uma agenda antiga de folhas não escritas, mas contendo numa página qualquer uma folha seca com um poema escrito; uma poesia de amor nascida do coração e emoldurada pelo olhar do apaixonado poeta.
E que tal um buquê de flores do campo, repleta de pequeninas rosas, jasmins e violetas; ou ainda um cesto de palha bruta cheio de frutas com sabor de amizade, amor, carinho? As frutas da estação são todas aquelas colhidas com o coração, doadas com sinceridade e recebidas com franco agradecimento. Talvez seja melhor dar um Neruda, um Cecília, um Florbela, um Drummond, um Pessoa.
Tem gente que gosta de música clássica. As valsas vienenses rejubilam o espírito, como as sinfonias de Bach, Mozart e Brahms. Para entristecer somente um pouquinho com a melodia, que a lembrancinha seja de Offenbach, Tchaikovsky, Haendel. E quem dera se pudesse ouvir lado a lado “Jesus, Alegria dos Homens”, “Barcarole”, “O Lago dos Cisnes”, os Noturnos de Chopin. Presenteie, encoraje para que ouça “Mourão” de Guerra Peixe. Lembre que a vida também pode parecer ou se transformar numa sonata, num prelúdio, numa melodia valsada.
Da humildade e simplicidade também surgem grandes ideias para presentear seu amigo secreto, sua amiga oculta. Creio que vale a pena dar o presente maior da oração, orar pela permanência e continuidade da amizade, do amor ou afeto; um salmo escolhido e reescrito à mão encantará qualquer singelo coração. Doar uma Bíblia então, fazendo entender sem precisar dizer que ali estão as palavras da vida.
Gostaria de receber uma melancia, um queijo de coalho feito em fazenda, uma manteiga de garrafa, um pote de doce de leite, uma porção de cocada, uma tigela de coalhada fresquinha. E como apreciaria em lugar do presente receber um convite para passear pelos campos, adentrar os sertões, tomar banho de riacho, acordar bem cedinho com os passarinhos e dormir somente quando o som do grilo parasse de cessar. Nunca.
Gostaria de sair adiante da tapera erguida no alto do monte, receber no peito o sopro da ventania e depois olhar para cima e conversar com a lua imensa, linda, bem sertaneja, muito mais viva ainda por causa do silencioso negrume. E se quem tivesse me proporcionado tal presente fosse o meu amor, retribuiria com a palavra que os amantes mais gostam de ouvir. Depois, enlaçados, num abraço e vida, agradeceria a Deus pela dádiva maior do amor.
Quem dera amar e receber tal presente! Mas não, é tudo ainda tão secreto, discreto, oculto. E tenho na minha mão apenas um nome embrulhado num pedacinho de papel. Será o seu?

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

FELIZ NATAL

By Rostand Medeiros
Photo
Cartão de Natal, daqueles bonitos, tradicionais, eu não encontrei nos velhos jornais.
Na verdade, na década de 1920 e 1930, as comemorações natalinas não tinham o impacto visual e mercadológico que vejo atualmente.
Outras épocas, outros hábitos.
Mas encontrei este anúncio de uma loja pernambucana, de 1920, onde mostra um Papai Noel com um gorro bem distinto dos utilizado atualmente, mas com a mesma ideia de entregar presentes as crianças.
Desejo a todos que frequentaram estas páginas um Feliz Natal.
Rostand Medeiros

Cartão de Natal Familia

Gilmar Teixeira Santos

Desejamos a todos amigos(a), familiares e companheiros(a) de jornada, um Feliz Natal e um Belíssimo Ano Novo, são votos de Gilmar Teixeira e Família.

Feliz Natal a todos

Gilmar Teixeira e Família

Comentário de Alcino Alves Costa

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoFjOMPyuw6SVbBQ68WJh9bI7rk_ByEupLaXaJ3Y0JSeuVxRWTIRcJSu4EKTYPzWjPs3dxkIhRTXKr9NfmLSgSUcMoe5enehPzBuOsjNCfsp4LdyoAsCbzYOEqEQIOKM08nQdCBaR04ac/s400/DSC01189.JPG
sobre o artigo:

 "Um pouco mais de Luis Pedro"

escrito pelo Capitão 
 
Alfredo Bonessi.
Confira nos links abaixo:

Estimado Alfredo Bonessi,

Lendo o seu artigo sobre Luís Pedro eu fiquei ainda mais convicto de minhas razões e impertinências em relação as mentiras e mistérios de Angico.
O amigo diz em sua postagem, e esse dizer é baseado em versões que a produndidade de suas pesquisas conhece, razão de seus dizeres registrados cuidadosamente e com alta responsabilidade em seu artigo.
Em seu rastejar a história encontrou fundamentos, aqueles em que quando Maria Bonita recebeu o primeiro tiro Lampião já estava ferido, caído ao chão e nos estertores da morte.
Pois bem! Os depoimentos de Panta de Godoy e Abdom, registrados no livro "Assim morreu Lampão", de
Antônio Amaury, os dois afirmam, o primeiro dizendo que após o tiro que Abdon deu em Amoroso, ele Panta de Godoy deu dois tiros em Maria Bonita e Abdom acrescenta que daí, depois dos três tiros, avançaram e chegaram tão próximo a barraca de Lampião que foram obrigados a recuar, amparar-se por detras de uma pedras e aí atirar em Lampião.

Mais do que isso, eu tenho em mãos e Severo e Aderbal conhecem, um vídeo gravado com Panta de Godoy onde ele afirma ter havido os três tiros, um em Amoroso e dois em Maria Bonita. E tem mais, Panta diz que a distância do poço para a barraca de Lampião tinha quase 100 metros.

Eu, acompanhado de Vicente, aquele que levou a máquina juntamente
com Mané Félix para Maria Bonita, fui do local aonde está a cruz até o poço aonde Abdom atirou em Amoroso e aí sou quem estou dizendo porque fiz esse trajeto, tem seguramente mais de 50 metros.
À versão de que Lampião foi atingido primeiro do que Maria Bonita e a versão dada por Panta de Godoy e Abdom servem para mostrar o quanto eu tenho razão em minhas desconfianças em tudo que se diz sobre a Grota de Angico.

Infelizmente, existem aqueles que dizem que essas versões, muitas delas mentirosas, não acrescentam nada e também não mudam a história. O que é uma lástima assim pensar, pois nós os vaqueiros da história não temos o direito de aceitarmos que mentiras se tornem verdades e assim vermos aberrações se espalhando e sendo aceitas por todos, inclusive por nós.
Lástima maior só essa de dizer que Lampião era gay.


Abraços meu querido Bonessi. A sua seriedade e inteligência nos enche de alegria e orgulho.


Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo

E por falar em Luis Pedro...

Por: Sabino Bassetti
Sabino Bassetti, ao lado de Antônio Amaury e Aderbal Nogueira no debate "Angico" no Cariri Cangaço 2011

Luis Pedro Cordeiro, ou simplesmente, o cabra Luis Pedro, nasceu na fazenda Almas, próximo ao lugar Retiro no município de Triunfo PE. Foi sem nenhuma dúvida o cangaceiro que acompanhou Lampião por mais tempo. Entrou para o grupo de Lampião no final de 1923 ou inicio de 1924, ou seja, justamente quando  o futuro rei do cangaço "veraneava" alí pelas regiões de Triunfo PE e Princesa PB, tendo como base uma fazenda do coronel Marçal Diniz na pequenina Patos, hoje Irere. 

Luis Pedro tinha nessa época por volta de 18 anos de idade, era um homem de estatura mediana e pele clara. Luis Pedro foi também um dos poucos cangaceiros que sempre respondeu unicamente pelo nome de batismo, no bando jamais teve apelido. Pelo menos apelido que se tornasse conhecido. Embora sendo homem da maior confiânça de Lampião, Luis Pedro jamais teve um grupo que lhe pertencesse, ou seja, um grupo que fosse "o grupo de Luiz Pedro". Claro que muitas vezes chefiou grupos em várias missões, porém, nessas vezes  sempre chefiando cabras de outros grupos, principamente cabras pertencentes ao grupo de Lampião.

Luis Pedro, não era homem que gostasse de ostentação, não ligava para a fama...

...tanto é que, mesmo nas ocasiões que estava chefiando algum grupo, ao se apresentar em algum lugar dizia: "meu nome é Luis Pedro, CABRA de Lampião" Como tantos outros cangaceiros, durante certo tempo Luis Pedro também  teve sua companheira no bando. Era Neném, uma baiana que o acompanhou por bastante tempo, ou seja, até o dia que veio a morrer, a morte de Neném aconteceu exatamente um dia após a entrada de Sila no cangaço em novembro de 1936, num ataque da volante do sargento Deluz ocorrido na fazenda Mocambo no estado de Sergipe.

A viuva D. Delfina Fernades, coiteira de cangaceiros e propretária da fazenda Pedra dágua, chegou a comentar que certa vez quando o bando de Lampião fazia uma travessia  no rio São Francisco, Maria Bonita teria arrastado uma asa para o cabra Luis Pedro.

Até aí nada de mais, pois, é comum isso acontecer onde convivem homens e mulheres.

Mas será que algum dia D. Delfina chegou a navegar no rio São Francisco em companhia do grupo de Lampião? Luis Pedro, sempre fiel, sempre respeitado pelos outros cabras e também pelo próprio Lampião, veio a tombar brigando em Angico em 1938 ao lado de Lampião e mais 9 companheiros. Luis Pedro era um cangaceiro que amealhou fortuna no cangaço. De acordo com o soldado Antonio Jacó, matador de Luis Pedro, que confessou ter ficado com todos os pertences do  cangaceiro, que carregava consigo na ocasião, além de muitas jóias e ouro, quantia acima de 200 contos em dinheiro. O cabra Luis Pedro acompanhou Lampião por quase 15 anos.

Salto-SP
Sabino Bassetti  

Postado por: Cariri Cangaço

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O CANGAÇO E A JUSTIÇA

Por: Rômulo José  F. de  Oliveira Júnior
PROCESSO 1928.02.22
Denúncia oferecida em 20/02/1928
“Ilmo. Senhor Dr. Juiz Municipal da Comarca de Flores.
O promotor publico desta comarca, no exercício de suas attribuições legaes e firmado no inquérito policial junto, vem perante Vossa Senhoria denunciar de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampeão, Heleno de Tal, conhecido por Moreno, Luiz Pedro, Felix Caboge, Antonio Sabiá, Jurema de Medeiros e os indivíduos conhecidos por Chumbinho, Chá Preto, Maçarico e Baraúna, como incursos nas penas do art. 294, §1º, combinado com os arts. 18, §1º e 66, §1º, tudo do Cód. Penal, pelo facto seguinte: --------Em dias de maio de 1925, em um dia de feira, às 10 horas mais ou menos, Lampeão e os demais d[e]nunciados assaltaram de surprê[sa] o povoado São Caetano deste mun[icipio] praticando mortes e depreda[ções].

RÔMULO JOSÉ F. DE OLIVEIRA JÚNIOR
FORMADO EM: HISTORIADOR MESTRE
EM HISTÓRIA E PROF° DA UFRPE

Extraído do blog: " O Cangaço e a Justiça
memorial/formacao/5_O_Cangaco_e_a_Justica_
Prof_Romulo_Oliveira_Jr.pdf

O CANGAÇO E A JUSTIÇA


Por: Rômulo José F. de Oliveira Júnior
Denúncia oferecida em 28/04/1928.
No dia 25 de janeiro do corrente anno, pelas 18 horas, chegando os denunciados acima referidos na casa de Simplicio Oleiro, sita no logar “Sitio Nunes” deste município, ahi encontraram hospedado o viajante Antonio Maninho, passageiro esse que, em companhia de dois filhos menores, se dirigia para Triumpho com procedência de Buique.
Entendendo que se tratava de uma força de policia, Antonio Maninho, inexperiente, em conversa com os denunciados, mostrou-se muito sympathico aos soldados e disse intencionava verificar praça logo que chegasse a Triumpho, a fim de perseguir cangaceiros e dar surra em ladrões.
Ouvindo isto, Sabino Gomes, sub-chefe do grupo scelerado, puxou de um revolver e detonou-o na bocca do infeliz.
Antonio Maninho, que poucos momentos teve de vida, isto também em conseqüência de outros disparos feitos contra elle pelos companheiros de Sabino.

RÔMULO JOSÉ F. DE OLIVEIRA JÚNIOR
FORMADO EM: HISTORIADOR MESTRE
EM HISTÓRIA E PROF° DA UFRPE

Extraído do blog: " O Cangaço e a Justiça
memorial/formacao/5_O_Cangaco_e_a_Justica_
Prof_Romulo_Oliveira_Jr.pdf



O CANGAÇO E A JUSTIÇA


Por: Rômulo José  F. de  Oliveira Júnior

Processo 1928.04.30
Delegacia de Policia do Município de Flores em 4 de Fevereiro de 1924.
Portaria Tendo sciencia esta Delegacia de que no dia 25 de Janeiro próximo passado, foi commetido um assassinato no lugar denominado Sitio Nunes, deste Município, pelo grupo de bandidos chefiado por Virgolino Ferreira da Silva, vulgo “Lampeão”,
e Sabino Gomes, mando ao escrivão desta
Delegacia de Policia, que intime a Joaquim Nunes de Lima, Simplicio de Tal, conhecido por Simplicio Oleiro, e José Meirinho, todos rezidentes naquelle lugar, os quaes deverão comparecer nesta Delegacia, no dia 7 do corrente a fim de deporem como testemunhas do facto acima alludido, sob pena de dezobediencia, e nas demaes em que possam incorrer. Cumpra-se.
João de Mello Netto
Delegado de Policia”

RÔMULO JOSÉ F. DE OLIVEIRA JÚNIOR
FORMADO: HISTORIADOR MESTRE
EM HISTÓRIA E PROF° DA UFRPE

Extraído do blog: " Cangaço e a Justiça
memorial/formacao/5_O_Cangaco_e_a_Justica_
Prof_Romulo_Oliveira_Jr.pdf

Cabo Pereira - 24 de Janeiro de 2010

Por: Geraldo Maia do Nascimento

 Há pessoas que entram para a história de uma cidade pela bravura demonstrada em momentos difíceis; são os heróis da cidade. Outras entra para a história pelo trabalho que desempenharam em prol da cidade; esses são os benfeitores. Outros ainda entram para a história pela dedicação demonstrada nos serviços que executam, destacando-se dos demais, tornando-se, por assim dizer, lembrado pelas gerações futuras. Esse foi o caso do cabo Pereira, um cidadão comum, que abraçando a carreira militar fez dela sua vida. E por sua luta tornou-se parte de nossa história. 
Antônio Pereira da Silva, o Cabo Pereira, nasceu no dia 20 de janeiro de 1919, na cidade de Jucurutu, no Rio Grande do Norte. Em 1944, com a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial, apresentou-se como voluntário no 16º Regimento de Infantaria, que tinha sede em Natal, sendo incorporado com o nome de guerra de “Pereira”. Tempos difíceis aqueles. Embora não tendo embarcado para os campos de batalha, vivia em constante treinamento esperando o chamamento da pátria. Eram dias e mais dias de prontidões dentro dos quartéis, sem poder sair para nada. O soldado pereira não se importava com o sacrifício de suas horas de lazer, esforçando-se o máximo para cumprir suas obrigações administrativas.
Com esforço e dedicação, conseguiu fazer um curso interno de corneteiro, onde pode mostrar sua versatilidade, aprendendo com esmero todos os toques regulamentares do exército. Mas, com o fim da guerra, o exército brasileiro passa a dispensar o efetivo incorporado no esforço de guerra. E o soldado Pereira “deu baixa” no dia 22 de março de 1952, oito anos após sua entrada no serviço militar. 
Saindo de Natal foi morar na cidade de Augusto Severo/RN, mudando-se, logo depois, para Mossoró onde passou a trabalhar como mecânico operador na Estrada de Ferro. Foi por essa época que conheceu o sargento Hemetério, Chefe do Tiro de Guerra, com que fez amizade. E através dessa amizade, passou a morar nos fundos do TG que ficava no local onde hoje existe o prédio do “Medical Center”, na rua Juvenal Lamartine. Como voluntário, assumiu o treinamento da Banda de Música do Tiro de Guerra, juntando com isso suas duas paixões: a farda verde-oliva e a música. 
Como ao dar baixa do exército ficou apto a ser promovido a graduação de cabo, ficou sendo assim conhecido. Era para todos o Cabo Pereira do Tiro de Guerra, instituição a qual dedicou 38 anos de sua vida. Em todas as solenidades daquela instituição, estava o Cabo Pereira sempre a frete da Banda, ostentando com galhardia a farda verde-oliva. Sua dedicação foi além dos portões do Tiro de Guerra. Treinou também a Banda de Música do Colégio Sagrado Coração de Maria, do Colégio Dom Bosco, do Colégio Diocesano Santa Luzia e do Centro Educacional “Jerônimo Rosado”. 
Numa solenidade ocorrida em 7 de novembro de 2003, quando o Tiro de Guerra de Mossoró comemorava 94 anos de fundação, o Sub Tenente Rinaldo Schultz, Chefe de instrução do TG, fez uma homenagem ao Cabo Pereira, tendo assim descrito sua morte: 
“No dia 25 de fevereiro de 1990, ouviu-se então o “Toque de Silêncio”. Calava-se o clarim que alegrara as formaturas do Tiro de Guerra com sua música imponente. Silenciava um guerreiro, deixando vasta lacuna na história deste Tiro de Guerra. Partiu para o acampamento celestial, levando consigo notas e acordes musicais. “ 
Foi uma bela homenagem prestada pelo Tiro de Guerra de Mossoró ao Sr. Antônio Pereira da Silva, ou Cabo Pereira como ficou conhecido. Um entre tantos trabalhadores dedicados dessa cidade, que ao morrer deixa seu nome na história. Passou a integrar a galeria dos benfeitores do TG 07-10, ao lado de tantos outros que como ele dedicaram a vida aquela instituição.
               

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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento


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Um pouco mais de Luis Pedro

Por: Alfredo Bonessi
Alfredo Bonessi, Edilson e Comendador Mariano, em um dos encontros Cariri Cangaço-GECC

Apelidado de Catitu por Maria Bonita, que apelidava todos os componentes do Grupo de Cangaceiros, Luis Pedro ficou comprometido em morrer ao lado de Lampião após o acidente de tiro que vitimou Antonio Ferreira, irmão desse. Era estimado e respeitado por todos os cangaceiros e tido como um homem de coragem. Segundo Sila, a sua mulher Nenê morrera logo após apanha-la e ao pular uma cerca foi alvejada, sendo escudado o baque do seu corpo de encontro ao solo por aqueles que iam a sua frente. Luis Pedro foge da luta, mas depois tenta resgatar o corpo dela, sendo impedido a força pelos demais companheiros.

Segundo registros, a policia pôs um cachorro para violentar o cadáver de Nene. Talvez essa morte tenha sido o maior golpe da vida desse cangaceiro. Depois disso não temos registros dos seus feitos na vida cangaceira, mas episódios apenas, como daquela vez que após as brigas dos cachorros, de sua propriedade com o do Lampião, o chefe puxa a pistola para atirar no cachorro vencedor de Luis Pedro e esse arma o fuzil para atirar no chefe.
 
Um lance para ser questionado: a vida do leal amigo por um cão ? – que amizade é essa?
 
Nenê e Luis Pedro
 
Outro que disse que puxou arma para Lampião foi Volta Seca – o que Sila contesta: se alguém fizesse isso Lampião matava na hora !. Outro que disse que também engatilhou arma para Lampião foi Labareda e se cuidava dele quando estava “danado da vida”. Já falamos que o grupo de Lampião não era comandado de uma maneira militar, com rigidez e disciplina como eram as volantes do Exército e da Policia. Havia respeito e consideração pelo chefe, que possuía uma intuição privilegiada, sabia mais, mas não na base do temor em relação a ele. Todos se respeitavam e seguiam Lampião como um líder carismático. Ele mesmo se cuidava de sua segurança interna, pois tinha sempre um homem de confiança a sua retaguarda, ora Juriti, ora Amoroso, ora Quinta-Feira, ora Luis Pedro. A noite, ao dormir, armava a sua rede, depois pegava as suas cobertas e ia dormir em outro lugar, no chão a maioria das vezes e durante a madrugada se acordava várias vezes, espreitava ao redor e depois voltava a dormir novamente.
 
Não se pode negar que Luis Pedro era íntimo de Lampião e de Maria Bonita...
 
... muito próximo a eles, a ponto de dar uma palmada nas nádegas de Maria Bonita e os três, após isso, darem sonoras gargalhadas. Pergunto: você possui um amigo tão sincero assim e de confiança a ponto de poder dar uma palmada na traseira de sua mulher e você achar graça ?

O fato que quando nos lembramos de Luis Pedro construímos uma imagem de homem leal, de amigo, de homem bom- predicados impróprios para foras da lei - e mesmo para soldados volantes daqueles tempos, muitos deles mais criminosos que os próprios cangaceiros. A grande diferença era que os militares estavam a serviço da Lei e os cangaceiros eram perseguidos em nome da Lei.

Não temos noticias que o viúvo Luis Pedro, em dois anos restantes da sua vida cangaceira, tenha se aproximado de outra mulher dentro do bando ou fora do bando. Uma mulher acusou-o de te-lo visto aos amassos com Maria Bonita dentro de uma canoa – coisa que não acreditamos – Maria era uma mulher de vergonha e de caráter - não iria macular a união fruto de um amor sincero com o homem que amou até na hora da morte, além do mais essas coisas quando acontecem na vida das pessoas, se espalham mais que fogo em macega seca – mais hoje, mais amanhã, ele saberia e o mundo viraria de cabeça para abaixo.
 
 
Para falarmos mais de Luis Pedro, era dele a ideia de executar as cangaceiras que, viúvas e sem maridos, optavam para retornar para a casa dos familiares, com a desculpa de se fossem presas poderiam denunciar a rotina dos cangaceiros. Foi assim com Cristina, que já na estrada rumo ao seio de seus familiares, foi perseguida por Luis Pedro, Juriti e Candeeiro, e assassinada a punhal por eles, a mando de Lampião e com o consentimento de Maria Bonita, aproximadamente em junho de 1938 - fato esse que originou a desavença de Corisco e Dada para com Lampião e Maria. Corisco, ouvindo o gado mugindo triste, quase como um lamento, vaticinou: que é isso, parece que tá tudo se acabano !!!!!! – De fato, um mês depois foi a vez de Lampião e de Maria e dois anos depois, dele mesmo passar por essa experiência derradeira de dizer adeus a vida e dormir para sempre nos braços da morte.

Com relação ao fim da vida de Luis Pedro, testemunhas declararam que, iniciado o tiroteio, ele já estava fora do cerco quando retornou. Segundo Balão era na tentativa, entre muitas já realizadas, para apanhar o ouro que estava no interior das latas de óleo, na barraca de Lampião, bem de frente aos fuzis da volante que cuspiam fogo sem cessar. Outros afirmaram que era para cumprir o juramento feito ao chefe, de que morreria no dia que este morreria - não acreditamos nisso. Foi apanhado em cheio pelo fuzil de Mané Véio, soldado volante do Pelotão do tenente João Bezerra, que vinha em sentido contrario, descendo rumo a gruta de Angicos - foi um tiro só e tudo se acabou para aquele cangaceiro rico e tido como boa gente.

Iniciado o tiroteio na madrugada de 28 de julho de 1938, na grota de Angicos, Maria Bonita leva um tiro na altura do ombro que saiu na frente, Lampião já está caído e se contorce, com um tiro que levara no lado esquerdo do umbigo. Maria leva um segundo tiro por detrás que lhe rasga o frente, ainda corre e vai cair junto a Lampião. Cessado o tiroteio, quando a volante invade o reduto, Lampião ainda se mexe e Maria, ainda viva, balbucia palavras intelegíveis – com certeza assistiu a tudo o que aconteceu naquele buraco. Quando o Tenente João Bezerra chega lá embaixo, Lampião está acabando de morrer e o Aspirante Ferreira de Melo já está com duas cabeças cortadas de cangaceiros dependuradas em ambas as mãos. Mais tarde afirma que Maria não foi degolada viva. As últimas palavras escritas nas páginas da História pertencem sempre aos vencedores, aos vivos que restaram para contar as suas versões sobre os fatos. Não há literato que consiga expressar e substituir a visão e a experiência de quem realmente participou daquele cerco, bem sucedido, naquela histórica e invernosa manhã ao lado do Rio São Francisco, quando o estado-maior do cangaço deixou de existir para sempre.
 
 
Não se pode negar que metade da população nordestina comemorou o feito policial de Angicos...

...outros tantos guardaram silencio não acreditando e não retiraram o rifle detrás da porta por longos anos, como foi o caso de Zé Saturnino; outros se lamentaram e ficaram entristecidos porque a alegria do Sertão tinha se acabado com Lampião e os seus leais companheiros.
Alfredo Bonessi – Professor –Pesquisador – Estudante
Membro Fundador do GECC - Membro da SBEC
 
Extraído do Cariri Cangaço
 

Bandoleiros Vermelhos - 20 de Agosto de 2009

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Esse foi o nome dado a uma célula comunista organizada em Mossoró por Manuel Torquato, em maio de 1935. 
Lauro, atrás, Duarte Filho, Padre Américo e Aluízio Alves
Segundo Lauro da Escóssia, essa célula comunista agregava elementos influentes junto à classe operária das salinas, que em sua maior parte vivia oprimida, lutando pela sobrevivência. Seu chefe principal foi Manuel Torquato, embora se atribuísse a tutela intelectual do movimento a Miguel Moreira, seu companheiro de luta, dada a sua condição de rábula (advogado sem diploma), egresso do foro de Lages/RN, onde forjou suas idéias comunistas. Na célula, Manuel Torquato era conhecido como o “general” da revolução, enquanto Miguel Moreira era conhecido como o intelectual, e a ele cabia a elaboração das cartas que eram enviadas aos chefes nacionais da rebeldia e dos diversos manifestos. 
Sobre esse movimento, diz o Des. João Maria Furtado em seu livro “Vertentes”:
 “- Muitos meses após a derrocada da revolução extremista, surge nos municípios de Macau e Mossoró a primeira guerrilha vermelha da América, a antecessora de Che Guevara. Elementos operários das salinas, entre eles Manuel Torquato nem gesto evidentemente suicida sob o comando do advogado provisionado Miguel Moreira, penetraram na caatinga desses dois municípios e chegaram a assaltar propriedades e até ônibus das carreiras regulares para Mossoró, travando diversos choques com a Polícia. Morto Manuel Torquato, traiçoeiramente por um dos componentes da guerrilha, os demais foram presos, sendo que Miguel Moreira perdeu um olho na permanência de alguns meses em contínua movimentação nessa louca aventura”. 
Falando desse episódio das lutas mossoroenses, diz Brasília Carlos Ferreira em seu livro “O Sindicado do Garrancho”: 
“- Desde o início, a guerrilha teve um caráter puramente defensivo. Não foi elaborado qualquer plano de ataque. O objetivo era manter o grupo, que estava na clandestinidade, coeso preparando-se para intervir na “revolução” que estava prestes a eclodir. Enquanto esse momento não chegasse, caberia a eles alargar a base de sustentação do movimento, trabalhando a adesão dos camponeses.” 
O primeiro confronto que os “bandoleiros vermelhos” tiveram com a polícia, aconteceu numa localidade chamada três Vinténs, na saída de Mossoró, próximo ao Hotel Thermas, como nos informa Brasília Carlos Ferreira na obra já citada. “Era uma região de vegetação rala, sem árvores grandes e muito plana, com uma lagoa chamada Três Vinténs. Naqueles arredores, moravam dois integrantes do grupo que eram Feliciano e Marcelino. Era um lugar seguro, sendo as únicas casas existentes no local habitadas por familiares deles, que apoiavam o movimento. Feliciano, que até então não era visado, indo até a cidade em busca de mantimentos, envolveu-se num conflito com um soldado de polícia. A polícia, que desconhecia suas ligações com o grupo, ficou sabendo durante a perseguição que os homens estariam naquelas imediações e cercou o grupo. Eles conseguiram furar o cerco depois de intenso tiroteio que durou mais de uma hora.”
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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento


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