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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Notícias da imprensa da época.


Jornal do Commercio 19 de dezembro de 1926

Realizar-se-á no próximo dia 28, reunião com os chefes de polícia da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte e Ceará, por
iniciativa do governador do estado, Estácio Coimbra.

Visa o chefe do executivo combinar meios efficientes e seguros de ação em confronto, no combate ao banditismo. 

Os chefes são:

Madureira de Pinho - Bahia
Julio Lyra - Parahyba
Ernandi Basto - Alagoas
Eurico Souza Leão - Pernambuco
Benício Filho - R/G. Norte
José Pires de Carvalho - Ceará

Fonte:

Notícias da imprensa da época.


Jornal do Commercio - 2 de dezembro de 1926

PARAHYBA - Comentando recente encontro da polícia pernambucana com o grupo de Lampião, os jornaes destacam a nova e decidida orientação do actual governo desse estado, em face do angustioso problema do banditismo que assola largos trechos da região sertaneja.

A União de hoje dá conta das providências tomadas pela nossa polícia, reforçando a fronteira a fim de resistir em qualquer emergência.

Fonte:

70 anos da morte de Lampião - Carlos França - TV Cidade/RedeTV

Reportagem da TV Cidade / Rede TV de Aracaju


Produção: Theo Alves / Cinegrafista: Rudson Tadeu / Assistente: Aelysson Mendes / Reportagem: Carlos França.

Fonte:
http://lampiaoaceso.blogspot.com

Táticas da guerra no sertão

Lampião e seu bando

Para não deixar pistas e dificultar as perseguições policiais, os cangaceiros utilizavam diversas técnicas ao fugir dos macacos (como chamavam as volantes policiais), como:
- andar com alpercatas “peludas” ou forradas com estopa, para não deixar rastros;
- inverter a posição do salto das alpercatas, colocando-o na parte do bico, para esconder a direção tomada pelo bando;
- pisar nos mesmos locais dos que lhe precediam no caminho, fazendo parecer o andar de um só homem;
- apagar rastros com galhos folhudos, amarrados aos rabos dos animais de coice;
- varrer o chão com vassoura de galhos folhudos, travalho feito por cangaceiro caminhando atrás do bando;
- andar de costas na saída das “bebidas”, em terra molhada;
- marginar caminhos, andando no chão duro ou sobre pedras, para evitar rastros;
- utilizar a técnica do “pulo”, com os cangaceiros pulando fora da fila, restando apenas um no caminho, que ia apagando os rastros;
- embaralhar os rastros, para deixar várias e diferentes pistas da caminhada;
- percorrer trchos de riacho, dentro da água corrente;
- nos pousos enterravam os restos de comida, para não atrair urubus;
- à noite, não era feito “fogo”, para não alertar as volantes;
- guardavam silêncio nas longas caminhadas (andavam até 50 km por dia); não tossiam, procuravam evitar choros de crianças recém nascidas;
- usar sandálias do mesmo formato tanto na frente como atrás, isso deixava rastro sem orientação;
- às vezes, deixavam rastros claros de sua orientação para fazer com que volantes caíssem em emboscadas;
- dividir os cangaceiros em pequenos grupos para que seguissem direções diferentes desnorteando os policiais;
- deixar manchas de sangue em pedras e folhagens e depois seguir rumo contrário aos vestígios deixados.
Lampião sobreviveu por quase vinte anos lutando e fugindo pelo sertão nordestino, mas uma falha sua e do seu bando, por vezes, fazia com que as volantes os encontrassem: o cheiro forte de perfume que exalavam por onde passavam. Os cangaceiros tinham o hábito de passar perfumes para esconder o mau cheiro de dias caminhando e sem tomar banho.
Informações extraídas de texto publicado no Jornal da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (Táticas Cangaceiras, de Ivanildo Alves da Silveira). 
Trasladei do blog: "Tok de História" do historiógrafo: 
Rostand Medeiros

06 de setembro de 1928, no “Diario de Noticias"


LAMPEÃO DESLISOU ENTRE OS SITIANTES, FARDADO DE SARGENTO DA POLICIA PERNAMBUCANA...

Preliminarmente: Virgolino não é cearense; é Pernambucano ou do Rio Grande do Norte.


É o que nos escreve, affirmando, o sr. J. Sampaio Barros, que faz questão de provar a naturalidade do clavinoteiro ambulante.

Lampeão, a estas horas, deve estar fugindo das caatingas da serra da Tranqueira, depois de deixar terras do Cumbe, perseguindo os fazendeiros locaes.

E sobre a sua estadia no Cumbe, estamos informados do seguinte episodio: 

certo dia, surgiu um grupo de praças, montadas e embaladas, de chapéos de feltro de abas largas, na fazenda do coronel X, o mesmo amigo e correligionario do senador Plinio Dantas;

Recebeu o coronel a caravana na “varanda” da fazenda, curioso, ao responder aos bons dias da tropa, de saber de quem s etratava.

– Somos, disse o chefe, um destacamento da policia de Pernambuco...

– Muito bem. Estão em diligencia?

– ... à procura do celebre Lampeão.

Queremos, por isso, pousada e, depois, armamento e munição.

O coronel mais confiado:

– É pena não poder servir aos camaradas. Armas e munições é o que me faltam.

E, lamentando:

– Infelizmente, porque gostaria de os auxiliar na prisão desse bandido Lampeão.

O destacamento saltou, amarrados os animaes, afrouxados os arreios, fez–se o almoço. Estomago cheio, depois duma prosa habil, o commandante da força pernambucana chamou á parte, o fazendeiro:

– Eu não gosto de enganar ninguem. O coronel tem vontade de ver Lampeão preso, esfolado ou morto. Pois eu sou Virgolino Ferreira – Lampeão.

– Ahhhhhh...

Mal poude gemer, o coitado.

Mas, não sofreu outro mal além do susto.

Lampeão minutos depois, “voava” em animaes da fazenda, mettendo–se como “almas de outro mundo” entre os sitiantes, rumo da serra mais estrategica e proxima, em demanda de Tranqueira, donde já se fez rumo á Serra do Meio.

O fazendeiro do Cumbe depois, botou a bocca no mundo telegraphando ao sr. chefe de Policia.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Rubens Antonio

O informante do Crato

Por: Manoel Severo
Manoel Severo e Antonio Amaury

Novamente tivemos a grande oportunidade de sermos recebidos pelo casal Amaury e Renê, em nossa recente visita a São Paulo. A satisfação é sempre renovada quando encontramos pessoas pelas quais adquirimos respeito, admiração e bem querer. Antônio Amaury, o grande pesquisador, o grande escritor, o homem que dedicou quase uma vida inteira a desvendar os mistérios do sertão de Lampião, todos conhecem.

Gostaria de falar do filho, do sobrinho, do esposo, do pai, do amigo, do ser humano sensacional que é Antônio Amaury. Sempre que estou sendo recebido em sua casa, antes mesmo de me "embrenhar" nos extraordinários arquivos históricos do Mestre Amaury, não posso deixar de aproveitar o convívio com sua querida família e "beber da fonte" a partir de histórias sensacionais de como todos os familiares acabaram se relacionando com os personagens do cangaço, sempre ao redor da farta e saborosa mesa de dona Renê.

Guardiões da Biblioteca de Amaury

O famoso All Transistor, companheiro de viagem

Um pouco da memória de nosso nordeste, registradas nestas fitas históricas

Carlos Elydio, Amaury , Sérgia, esses os três filhos; e ainda Marcelo e Henrique, os netos queridos, como também a comandante da casa, dona Renê, todos têm maravilhosas histórias sempre proporcionadas; algumas de forma involuntária e outras não, pela paixão do dedicado "doutor Amaury" pelo cangaço, na verdade foram anos e anos, quilometros sem fim andando por esse sertão a fora... e em boa parte dessa aventura lá estavam: Dona Renê, Amaury Junior, Carlos, Sérgia, o tio Ebenir, a Rural, a Belina, o Corcel, colchões, fogãozinho, panelas, etc, etc, etc, sem esquecer o personagem principal: O bom e velho gravador "All Transistor"... Até dá para imaginar. 

Fico, como desta última vez, ouvindo deliciado, os relatos de todos, e em meio a saborosa mesa de almoço ou jantar da família, colhendo os detalhes que fizeram desta saga uma verdadeira aventura familiar. Lá pelas tantas o doutor Amaury me dizia: "Severo eu e Renê fomos ao Crato há uns 30 anos atras, comemos num restaurantezinho perto de uma praça, etc, etc" e daí eu perguntei, "que restaurante foi esse Amaury ?" e aí veio a pérola de nosso pesquisador: "foi um restaurante me indicado por um informante"... "INFORMANTE  Amaury ???" aí nos demos conta do palavriado e não conseguimos mais acabar o almoço com tanto riso. Ao final do dia, logo após o jantar, lá estava Amaury preparando o jantar de um tio seu, senhor Ebenir, que mora em um apartamento conjugado à sua casa, depois disso eu o acompanhei para levar o jantar do tio de 84 anos. Esse é Antônio Amaury na intimidade de seu lar, com as pessoas que ama, momentos esses que tive o privilégio de compartilhar mais uma vez.

Estimado Amaury, dona Renê, Carlos Elydio, Amaury Jr, Nelson e dona Sérgio, caros Henrique e Marcelo, muito obrigado pelos momentos de estima e atenção, estamos esperando vocês em nosso Cariri.

Manoel Severo 

Seu GONZAGA Alfaiate, um dos últimos comunistas românticos de AURORA

Por: José Cícero

ENTREVISTA

Luiz Gonzaga dos Santos 87 anos. Assim pelo seu nome de batismo talvez poucos saibam exatamente de quem se trata. Mas basta pronunciar seu nome de guerra - 'Gonzaga Alfaiate'(foto ao lado), para que todos logo saibam quem ele é, sobretudo os mais antigos da sua época. Como músico tocador de clarinete compôs a 1ª formação da famosa banda de música da Associação Beneficente em meados de 1936. Alfaiate de profissão, foi ainda chefe de agência de ônibus, vendedor de loterias e destemido militante comunista.
Hoje ele está cego e com sério problemas de audição. Há anos que não mais sai de sua residência. Uma aprazível vivenda quase bucólica, situada próxima a linha férrea à rua João de Sá Cavalcante a mais periférica da cidade, já quase descambando para o lado Norte pras bandas do rio Salgado.
É lá onde ele se refugia praticamente do mundo a sua volta, segundo suas próprias palavras durante a entrevista prestada a este articulista para o Blog de Aurora em meados do mês de dezembro do ano passado.
Num começo de noite, Seu Gonzaga nos recebeu em sua residência com a mais pura da amabilidade tão comun a boa gente interiorana. Mesmo cego e com dificuldade para ouvir, durante mais de uma hora conversou conosco de maneira descontraída e alegre sobre diversos assuntos relacionados à história de Aurora e outros acontecimentos da sua própria vida. Lúcido e cortez é quase uma enciclopédia. Seu Gonzaga é por isso mesmo possuidor daquilo que poderíamos bem chamar de ‘memória de elefante’. Ao ponto de narrar muitos fatos distantes no tempo com elegância e nos seus mínimos detalhes...
Ele foi seguramente um dos protagonistas de uma história que os poderosos fizeram de tudo para que já nascesse morta. Isto é, que fosse relegada ao esquecimento total. Como forma de negá-la à posteridade. Mas se enganaram. Nenhuma história de resistência morrerá assim tão fácil. O velho Gonzaga, como se nota, mesmo depois de tantos anos ainda agora continua sendo o seu portador.
Uma história imorredoura, visto que sempre brota como erva resistente da nossa caatinga sertaneja. Fincando raízes profundas no solo sagrado de uma aventura que nunca finda, apenas "toma fuga e logo em seguida, rejuvenesce". Bastando apena uma neblina da memória para reacender de novo em algum lugar do tempo como uma trovoada gigante a cair dos céus. E de certa forma, foi exatamente isso o que aconteceu com este herói do povo. Seu Gonzaga é um nome que ainda hoje impõe respeito e confiança junto a todos quantos o conheceram outrora, nos anos idos. Um lutador. Um dos primeiros músicos de Aurora que não media esforços em transmitir seus conhecimentos aos seus contemporâneos; como foi o caso do renomado músico da terra – Assis Paulino, do qual foi professor.
Foi também uma dos mais conceituados alfaiates desta região. Cuja profissão exercera com denodo por mais de 4 décadas quando tal ofício esteve no auge. Sendo, por assim dizer, uma atividade das mais nobres naqueles tempos. Paralelo, exercia a lida de vendedor de bilheta das loterias(federal e estadual). Anos depois foi gerente da Viação Brasília e da São Geraldo na cidade. Era um autêntico "passarinho urbano”; por isso mesmo, bastante considerado em todas as atividades que exerceu na vida.
Mas a história que protagonizou e que agora queremos resgatar não se resumia apenas as questões profissionais cotidianas. Ele foi muito mais além... Ousou pensar um mundo diferente. Dotado de uma consciência bastante revolucionária, Seu Gonzaga integrou um grupo de amigos diferenciados, sobretudo para os padrões daqueles anos difíceis. Botou a mão na massa... Foi à luta. Antenado com as notícias do Brasil e do mundo ainda no ‘Estado Novo’ despertou para as questões políticas.
Tornou-se por seu turno, mais um dos simpatizantes da revolução Bolchevique de 1917 que teve palco na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviética de W.I. Lênin. Foi adepto do outubro vermelho e depois dos barbudos cubanos: Fidel, Guevara, Camilo, Cifuengos, bem como de Carlos Prestes, Marighella, Grabóis, Amazonas, Rosa Luxemburgo, Olga, Brizola, dentre outros...
Curioso e perspicaz, acompanhava tudo pelo 'rádio de válvula', ouvindo por exemplo a BBC de Londres, depois a rádio Nacional e até (em ondas curtas) a rádio Havana de Cuba.
Em 1945 ao lado do seu grande amigo Seu Biró(outro grande adepto do comunismo) organizaram a primeira célula do antigo PCB de Carlos Preste e João Amazona em terras aurorenses, antes mesmo de Juazeiro, Crato e Missão Velha.
Como ele mesmo explicou. Não era um partido, mais um grupo razoavelmente organizado com deveres e funções específicas de cada um dos seus membros. "Era uma célula como se chamava naquele tempo". Sem dúvida, um ato deveras pioneiro e perigoso.
O referido grupo era composto, inicialmente por apenas cinco integrantes. A saber: Seu Biró(coordenador)(foto ao lado), Seu Gonzaga, Vicente Ricarte, Micena Rafael e Jesus Fernandes. As reuniões eram praticamente clandestinas, em face da grande perseguição política e do preconceito social plantada em parte, conforme ele, pelo padre assim como pelas lideranças que dominavam o cenário da política local. Num tempo em que ser comunista era um verdadeiro pária da então sociedade, rude, atrasada e preconceituosa de então. De modo que, eram logo tidos como: temíveis ateus, 'comedores de criancinhas' e bestas-feras da vida.
Além de tudo, contavam com a ferrenha oposição dos mandatários do lugar. Num tempo em que quase ninguém tinha coragem de falar abertamente da política, dos governos e dos desmandos dos caciques locais. Tampouco dos antigos dogmas religiosos. Contudo, os comunistas não poupavam suas críticas ácidas contra este estado de coisas. "Mesmo sem fazer parte diretamente do nosso grupo", lembra ele - "o Sr. Adauto Campos que também era alfaiate, foi também um grande simpatizante do pensamento que defendíamos".
De forma que falavam abertamente das suas idéias e inquietações do dia a dia pelas ruas, cafés, barbearias e pelo comércio em geral. Ou seja, os locais mais freqüentados pelo povo e, notadamente pelos potentados do lugar. Cumpre destacar que grande parte da elite praticamente os odiava.
Os padres da época diziam que os comunistas eram os representantes do próprio diabo. E os políticos(os coronéis dos sertões) os chamavam de verdadeiros criminosos, inimigos da pátria e da paz. Não era fácil a vida dos que ousaram pensar diferente e enveredar pelos caminhos do socialismo. Fazer política interiorana, não era um ofício fácil.
De tal sorte, como se percebe, eles pagaram um preço alto demais pela ousadia de falar o que pensavam, sonhando com pioneirismo a conquista da democracia. Foram todos, por assim dizer, condenados por sonhar, quem sabe, o futuro que ora vivemos de modo o mais democrático possível. Uma verdadeira utopia naqueles anos negros de ignorância e truculência.
As reuniões eram todas clandestinas. Realizadas na sua grande maioria na calada da noite. Algumas na casa de seu Biró e nos finais de semana no sítio Várzea de Pedra a cerca de 5 km da sede onde residia um dos membros do grupo. Para não chamar a atenção, um por um, eles seguiam a pé para o local. E o retorno também era assim. Liam, estudavam e distribuíam o Democrata – o jornal do partido que difundia as idéias e as diretrizes do movimento socialista mundial que era, produzido em Fortaleza e que, quinzenalmente, era remetido atraves do chamado trem da feira que vinha de Fortaleza para a cidade do Crato, explicou Seu Gonzaga com certa emoção nas palavras.
Vicente Ricarte e Seu Gonzaga eram os responsáveis pela distribuição do Democrata em Aurora. Quando as coisas estavam “pretas”, Vicente Ricarte tinha que ir receber o tal jornal ainda na estação de Iguatu para não levantar nenhuma suspeita, costumava dizer seu Biró.
Houve uma época em que a perseguição se acirrou tanto, inclusive pelas questões relacionadas à política local. Num destes momentos, segundo Seu Gonzaga, ocorreu quando da disputa pela prefeitura então polarizada entre as candidaturas de seu Araripe pelo PSD e o Dr. Acilon Gonçalves pela UDN.
Os comunistas se diziam simpatizante do PSD, posto que a sigla “era menos ruim e menos burguês”. E esta opção terminou gerando um conflito entre os apoiadores da UDN e os simpatizantes do comunismo local(PCB). Havia uma sensação de temor no ar. À boca pequena, rumores davam conta de que algo de perigoso iria ocorrer contra os comunistas e seus amigos mais próximos. De modo que, numa noite durante uma passeata dos udenistas, o pio aconteceu. Foi o que hoje chamaríamos de ‘atentado’. Para época, um acontecimento um tanto quanto inusitado. Um ato incomum para os padrões da época.
“No início da noite quando o povo passava em frente a residência de Biró na rua grande, soltaram uma bomba de relativa potência destrutiva. Por sorte ninguém se feriu, Biró não estava em casa. O artifício foi tão forte que chegou a derrubar os pilares da residência. “Uma coisa horrível usar um explosivo daquele contra a família de um cidadão”, recordou ele. Nenhum inquérito foi feito para apurar o estranho caso. Muitos tinham medo de falar sobre aquele episódio, pois temiam e com razão, possíveis retaliações.
Naquela mesma eleição, foi lançada informalmente a candidatura de Seu Biró ao cargo de vereador. Não se falava noutra coisa desde as ruas à zona rural. Haviam chances reais da sua eleição fácil, devido o trabalho de articulação bastante organizado do grupo. A ousadia dos comunistas repercutiu bastante. Era um voto de protesto. Um nome alternativo que ia de encontro aos poderosos. Uma mudança. Uma novidade importante para os aurorenses. Contudo, ao perceberem que seu Biró poderia ser eleito, os ricaços do poder trataram logo de montar um complô. Uma farsa tramada pelos poderosos nos bastidores.
"Os donos do poder detonaram a nossa chance eleitoral" enfatizou o velho revolucionário. Cassaram o registro do candidato dos comunistas na cala da da noite. Alegaram, segundo Gonzaga, que o partida pelo qual Biró estava filiado era clandestino. Mas não. Na capital e noutros municípios do Estado várias candidaturas foram homologadas naquela eleição pelo PCB. 
Algumas até obtiveram êxitos eleitorais. Curiosamente apenas em Aurora houve esta proibição injusta e vergonhosa. Quando comunicaram à Fortaleza não houve mais tempo. E Biró terminou sem poder ser candidato. Ainda assim, o nome dele apareceu na urna durante a apuração dos votos. Depois, sentimos que foi muito engraçado tudo aquilo.
Além do episódio da explosão da bomba, durante a entrevista, Seu Gonzaga lembrou ainda de mais dois fatos que lhe marcaram a memória de maneira altiva e forte. Duas agressões covardes que ocorreram contra dois simpatizantes do grupo. O Primeiro deles, em plena praça da matriz quando Zé Cocô a mando dos potentados políticos da época num dia de feira agrediu covardemanete o Sr. João Magalhães do Tipi que era adepto do PCB. Outro ato de agressão foi sofrido pelo alfaiate Nonato no interior do seu próprio local de trabalho no coração da cidade. Desta feita, levado a cabo pelas mãos do próprio líder político acompanhado por mais dois capangas à tiracolo, disse.
Neste último caso, a coisa só não foi pior devido a intervenção destemida do Seu Gozanga que implorou para que parassem com aquela violência contra aquele cidadão de bem . “Implorei com todas as minhas forças para que não surrassem aquele homem. Não batessem, nem chicoteassem aquele homem que era meu amigo também de profissão, declarou ele. "Pedi por dentro para Nossa Senhora e todos os santos para que não permitissem aquela desfeita contra a honra e a moral do meu amigo Nonato". O referido alfaiate era seu companheiro de lida e de idéias. Era um homem de bem. Pobre mas bem conceituados por todos, explocou ele.
Tristonho pela desmoralização que sofreu, no dia seguinte o alfaiate Nonato deixou Aurora desolado com toda a sua família, indo residir deste então, em Juazeiro do Norte. Antes chamou Gonzaga em sua residência e bastante sentido, entregou-lhe a chave da alfaiataria com tudo que lá havia para que o amigo tomasse conta, até a entrega da última encomenda de roupa. E Gonzaga o fez solidariamente, enviando inclusive o apurado para o mesmo me Juazeiro.
Anos depois, o deputado Quintino Teixeira( que era enteado de Seu Araripe) conseguiu uma colocação para Nonato na agências dos Correios e Telégrafos da capital, onde ele terminou, anos depois, sendo chefe e se aposentou. Tendo conseguido formar todos os seus filhos na capital cearense. Nunca mais voltara a Aurora sequer para uma visita, tamanha foi a ofensa que sofrera.
Em meio aquela agradável conversa(entrevista), seu Gonzaga lembrou ainda de um comunista de Missão Velha de nome Zé Cadete que vinha vez por outra a Aurora para se reunir com o grupo e tratar das questões teóricas e de articulação política. Ele ficava hospedado na casa de Biró e na de seu Gonzaga. Uma vez chegou a passar um mês em Aurora tratando da organização dos comunistas. Era um sonhador em potencial. Um cidadão que acreditava no futuro como uma questão objetiva e inalienável.
Na revolução de 64 Zé Cadete foi preso em Missão Velha e recambiado de trem para fortaleza onde ficou encarcerado no Instituto Paulo Sarasate(IPPS). Ficou preso junto com uma multidão de ladrões e bandidos da pior espécie. Mesmo sem nunca ter cometido um crime sequer, disse ele com um ar de imensa tristeza. Ainda em Missão Velha, um certo doutor de nome José Ribeiro também sofreu dura perseguição dos militares e teve todos os seus livros queimados pela repressão. As notícias das prisões se sucediam o tempo todo e chegaram rápidamente a Aurora. Antes mesmo que o jornal do trem da feira do Crato que todos os dias ia e vinha da capital.
Também em Aurora, todos tiveram que correr e se esconder em segurança. Seu Biró foi para o sítio de Joaquim Moreira pras banda de Quitaiús. Os demais se esconderam como podiam em qualquer lugar onde não fossem pegos. Apenas Gonzaga resolveu ficar. Decidiu correr o risco. Mesmo confessando ter sido aquela uma atitude por demais tememária.
“Quando a perseguição chegou ao Cariri um dos primeiros que foi pego que se tem notícias foi o camarada Zé Cadete da Missão Velha”, disse ele. Informações davam conta de que sofrera o diabo na prisão da capital durante as sessões de tortura. Mas nada falou sobre as atividades dos que ficaram em Aurora e Missão Velha. Quando solto, quase morto rumou para o São Paulo e nunca mais deu notícia... Era um amigo, um cidadão inteligente, um bom cristão...
“Certa manhã, fui intimado a comparecer a delegacia. E fui. De longe vi um Jipe verde-escuro cheio de soldados com a farda do exército. Rezei. Fui interrogado por um certo coronel de nome Virgílio. Um homem que me pareceu extremamente educado. Recebeu-me com um certo sorriso. Fez as perguntas de praxe. Foi longo dizendo que eu não tinha cara de comunista. Solicitou que eu contasse toda a minha história. Tinha algo escrito num papel. Neguei tudo. Disse-lhe apenas que vendia e distribuía o jornal Democrata, porque ganhava uma comissão.
Afinal, eu era um pai de família e precisava ganhar algum dinheiro. Ele positivava com a cabeça e olhava dentro dos meus olhos. Dos outros, disse-lhe que nada sabia. E o coronel Virgílio, compadecido do meu relato de penúria, meteu a mão no bolso, me deu algum dinheiro e pediu que eu me fosse... Sai como uma bala. Desci os batentes da delegacia num pulo só. Não consegui ver os males da ditadura nos olhos daquele homem que me tratou tão bem. Acho que eu tive sorte.”
Não encontraram o suposto grupo de Aurora. Seu Biró ainda tentou saber como ajudar o Zé Cadete na prisão alencarina. Mas não teve como, afinal de contas, também era um procurado. “Nossas mulheres eram quem mais nos pressionavam a fugir e abandona a luta, temendo as prisões que vinham sendo processadas por todos os cantos. Os jornais estavam cheio de notícias dando conta dos acontecimentos e até de mortes de pessoas vitimadas pelos militares”. Foi um tempo de terror, que graças a Deus conseguimos passar ilesos sem maiores problemas, concluiu.
Sentado diante da sua cadeira, vislumbrei o seu Gonzaga cego, de olhos fechados, pensativo por alguns momentos, mas altivo como que enxergasse o mundo muito mais que eu. Ou seja, o mais profundo possível, quem sabe, com maior nítidez humanista, dado que via com os olhos da alma e do coração. Como de resto, há quem diga que a melhor das visões é mesmo a do coração. E isso foi possível perceber quando conversamos com o velho comunista de Aurora. O último dos sobreviventes de uma verdadeira saga política que as gerações do presente e do futuro não deveriam esquecer por nenhum motivo.
Além da história dos comunistas de Aurora em particular e do Cariri em geral, falamos igualmente, de muitas outras coisas relativas ao município, dos tempos passados, dos antigos amigos, da profissão, da banda de música da beneficente, da política daquela época, enfim, de uma Aurora que não mais existe a não sem na memória de verdadeiros guerreiros como no caso de seu Gonzaga e tantos outros que já partiram para o panteon da eternidade. Diria, de uma história que não quer calar...
No final da minha entrevista, perguntei-lhe se em algum momento ele se arrependeu de ter optado pelas ideais comunistas. E ele me disse com a mais natural das convicções: – Nunca! O que eu queria era na verdade, começar tudo de novo, ah, se isso me fosse possível...
Em seguida, quando fui agradecê-lo por ter nos recebido, ele me interrompeu dizendo: – Quem agradece a vocês sou eu pela atenção a este velho cansado pelo tempo. Mas que não desistiu ainda da vida. Sou um teimoso viu!...
Fiquei comovido diante da vontade, da experiência e da ânsia de diálogo daquele homem, cujas forças resistem nas suas convicções mais latentes... da sua consciência quase desafiante, bem como da sua memória rica e fértil, ainda movida pelas idéias socialistas e democráticas. “Nada daquilo que fizemos foi em vão. Fizemos o que foi preciso nada mais... Isso é o que me basta.”
De fato, a democracia, a liberdade que agora vivemos de algum modo especial contou com a contribuição desprendida daqueles homens sonhadores e destemidas como seu Gonzaga, e tantos outros, espalhados pelos diversos rincões deste pais inteiro. Alguns tiveram que pagar com a própria vida, por isso, temos que valorizá-los com toda as nossas forças. Por isso precisamos prestar a todos eles nossa gratidão, reverência e homenagem. Obrigado seu Gonzaga, Seu Biró, Seu Vicente e todos os demais aurorenses que um dia acreditaram no sonho possível de um Brasil melhor, justo e democrático.
Por fim, quando vejo hoje alguém desperdiçando o seu voto, penso na luta de homens como seu Gonzaga, seu Biró, Zé Cadente e tantos outros... E desse modo, percebo que nunca podemos desistir de um ideal, de um sonho que acreditamos. Sem o qual, creio que a vida, além de muito mais monótona nem sempre valeria muita a pena....
Seu Biró (sentado a direita na cadeira vermelha) ao lado de parentes no sítio Japão de Aurora
A despeito do velho comunista. Pergunto pra mim mesmo: Quanto vale um ideal. O quanto uma idéia pode sobreviver com a gente por uma vida inteira. Seu Gonzaga é um exemplo vivo de que ninguém poderá sobreviver em paz sem a perspectiva de um ideal nobre e valente. Que os deuses da longevidade possam conservá-lo por muito mais tempo entre nós. E que a história de Aurora, assim como as gerações do presente e do povir não o esqueçam jamais...
Ele é portanto, o poderíamos denominar de um poço de sabedoria. Um testemunho vivo e importante da chamada história verdadeira dos oprimidos. A luta da memória contra o esquecimento.
A Entrevista: Além do comunismo aurorense, outros temas palpitantes também foram abordados(e devidamente gravados) o que certamente, darão novas estórias e histórias, que eu haverei de aproveitá-las em momentos oportunos deste blog... Como um serviço que prestamos à memória de Aurora e do Cariri como um todo. Posto que, uma cidade sem história é como algo que está prestes a sucumbir pela voracidade da modernidade que a tudo consome, devora, vomita e mata.

José Cícero –
Professor, Escritor, Pesquisador e Poeta.
Secretário de Cultura e Esporte
Aurora-CE.


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'VESTIBULAR" PARA TORNAR-SE CANGACEIRO


Disse-me o Sargento Cafinfin que certo dia ele conversando com um "cabra" do Rei do Cangaço, Lampião, o Capitão Virgolino Ferreira, lhe foi dito que para ser "homem do Capitão", tinha de ser valente e fazer a "prova de fogo", isto é, matar um amigo íntimo ou um parente próximo, quer fosse tio, primo ou mesmo irmão. Cafinfin tinha muita vontade de participar do "Bando de Lampião", o que era na época uma honra para qualquer jovem sertanejo, o que não era fácil.


Um dia chegou em casa dele Cafinfin, vindo da roça, encontrou uma sua irmã mais velha "engomando", isto é, passando ferro com brasa em roupas dele, e aproveitando a ocasião que esta sua irmã foi até a cozinha olhar a panela de feijão que se encontrava sobre o fogão à lenha, Cafinfin muito jovem ainda, arrancou três botões de uma camisa nova que ele tinha, e momentos depois, pedia à mesma irmã que queria a camisa nova para fazer uma viagem, e ao pegar a camisa que já estava engomada, isto é, passada à ferro, Cafinfin deu um grito com o rosto cheio de ódio simulado. 

E dissera: "tá vendo sá peste, o que você fez com a minha camisa. Desgraçada. Eu vou beber seu sangue agora." 

E meteu a faca que portava na irmã, que velozmente não foi morta, mas atingida no braço, levemente. E Cafinfin investindo de novo e a irmã se defendendo, e não morreu porque logo depois chegou ali o seu pai e um amigo deste, que evitaram a desgraça. Na madrugada do dia seguinte, Cafinfin fez o matulão, apanhou um rifle e saiu mundo a fora à procura do "Bando de Lampião", e não demorou muito tempo e achou o lugar desejado.
  
Disse-me ele, atendendo a minha curiosidade, que das coisas horripilantes que presenciara o que mais lhe tocou o sentimento como ser humano, foi quando um grupo de homens do Capitão Virgolino (Lampião) chegou a uma fazenda perto de Floresta e pegaram um boi colocando-o sobre quatro forquilhas, enterradas que deixava o animal suspenso sem nenhuma reação nas patas, uma vez que cortaram os tendões das mesmas, e ainda da cauda do bovino. Depois fizeram uma fogueira ao lado e começaram a cortar o boi de trás para frente, enquanto o bovino dava berros horríveis, a turma comia a carne traseira que era assada na fogueira em forma de churrasco, sob risos e mais risos dos mesmos participantes, que gritavam: "vamos gente comer carne assada de boi vivo."
  
Isto foi a coisa que Cafinfin achou mais dolorosa em toda a sua vida, pois matar gente em luta não era nada de mais para ele. Certa vez Cafinfin foi apanhado propositadamente por uma "Volante" da Polícia Militar, sem reação nenhuma, ficou revoltado com a malvadeza que viu fazerem com o boi. Não foi preso e sim incorporado à Polícia como Soldado raso (recruta) e depois passou à "pronto", chegando a ser Cabo, Sargento e depois reformado como Tenente.
  
Já velho, certa vez foi agredido por uns robustos rapazes que não gostavam dele, em Fazenda Nova, Vila pertencente ao Município do Brejo da Madre de Deus, e instigado a uma vingança por algumas pessoas amigas e familiares, Cafinfin limitou-se a dizer:
  
"Não, eu já fiz muita coisa errada e é preciso que pague.

Já dei em muita gente e quem dá também um dia apanha."

Foi um verdadeiro ato de arrependimento de coisas praticadas erroneamente, e que se torna tal atitude em um ato nobre e de perdão perante Deus e o povo, bom exemplo de vida.
  
Cafinfin não explorava ninguém, não gostava de pedir favores pessoais aos políticos a quem servia. Era respeitador e gostava de tratar bem as pessoas pobres. Chegando a comprar facas-peixeiras para presentear trabalhadores rurais que fossem ou não seus conhecidos. Era honesto sim.

Extraído do blog:
Municipalismo por Newton Thaumaturgo

CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE LAMPIÃO

Clique sobre a foto para aumentá-la


O famoso Rei do Cangaço Virgolino Ferreira, chamado LAMPIÃO, nasceu no dia 7 de julho de 1897, conforme Certidão de Nascimento fornecida pelo Cartório do Registro Civil do 3º Distrito de Tauapiranga, do Município de Serra Talhada, neste Estado, embora a Certidão de Batismo diga que foi no ano de 1998.

Filho de José Ferreira dos Santos e de Maria Sulena da Purificação, sendo seus avós paternos Antônio Ferreira de Barros e Maria Francisca da Chaga, e avós maternos Manoel Pedro Lopes e Jacoza Vieira da Solidade. Observe a reprodução da Certidão de Nascimento acima. 


Extraído do blog:
 Municipalismo por Newton Thaumaturgo

Vidas destruídas pelo crack e a difícil luta de jovens para largar o submundo das drogas

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Droga originária no submundo das cidades grandes, o crack se espalhou em duas décadas por 91% dos municípios brasileiros, atingindo hoje não só a classe pobre, mas também a média e a alta, com poder destrutivo muito arrasador, esfacelando famílias e matando pessoas, independente do sexo, cor ou credo religioso.
Na semana em que a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou resultado de pesquisa realizada em todos os estados do Brasil, mostrando a realidade dos municípios, que é bastante assustador, principalmente no Rio Grande do Norte, onde a droga já atinge 87% das cidades, O Mossoroense foi em busca da realidade de jovens viciados que lutam para se livrar do crack, ou pelo menos se manter longe dele.
A equipe de reportagem recebeu um e-mail enviado por um rapaz de 22 anos, residente na cidade de Pau dos Ferros, que viu sua vida desmoronar depois que experimentou a droga pela primeira vez. Atualmente, Ramon (nome fictício) tem 22 anos e está se preparando para mais uma seção de tratamento de usuários de drogas em uma fazenda do município onde reside.
Segundo informações relatadas pelo dependente químico, longe do vício há oito meses, ele agora pretende através de sua história ajudar outros jovens que também tiveram suas vidas destruídas pelo crack.
A história de Ramon se assemelha com roteiro de filmes, mas como ele próprio descreve é vida real. Para sustentar o vício, furtou objetos de casa, se envolveu com quadrilha de assaltantes, ajudou traficantes, se prostituiu, tudo para conseguir dinheiro para as pedras (crack). "Vivia uma vida nojenta. Nem eu mesmo estava me suportando, tinha nojo de mim mesmo e ódio por precisar das pedras para dar sentido a minha vida". contou. 

O início - Ramon relata que teve contato com as drogas a partir dos 12 anos. "Sentia-me livre para fazer o que quisesse, uma liberdade além do que eu poderia ter na minha infância. Comecei a fumar cigarro, ingerir bebida alcoólica, mulheres. E isso foi progressivo, tudo foi aumentando. Um ano depois tive o primeiro contato com a maconha".
Para ele, no início, o crack não era tão popular como é hoje, no entanto a aproximação com pessoas já viciadas, o encontro com o crack era inevitável acontecer. "Um dia fui a uma favela comprar maconha, só que estava faltando e o cara me ofereceu o crack. Já sabia como usava e resolvi provar, foi o começo do fim", explicou.
De acordo com a assistente social que acompanha o caso de Ramon, a força de vontade que ele se apega para largar as drogas é algo muito importante para a sua recuperação. Ela conta que no dia que o dependente químico chegou à instituição para iniciar o tratamento, estava completamente debilitado e suas condições físicas eram muito preocupantes. "Achei que ele não conseguiria ficar por muitos dias, no entanto estava errada, a sua capacidade de superação e a força de vontade de largar a vida imunda que tinha impressionou a todos nós e graças a Deus tem dado certo. Ele é um exemplo para outros dependentes seguirem", concluiu.

Incidência de crack na região Oeste preocupa famílias e autoridades - A proliferação do crack nas cidades da região Oeste é algo que vem tirando o sossego das famílias e autoridades ligadas ao combate das drogas. O relato da CNM mostra que em especial seis cidades oestanas apresentam nível alto no consumo de crack.
Tibau, Caraúbas, Triunfo Potiguar, Martins, Riacho de Santana e Venha Ver superam as demais cidades, em caráter proporcional, no consumo abusivo do entorpecente. Em Caraúbas, por exemplo, o tráfico de drogas, segundo dados da Polícia Militar, é um dos maiores problemas da atualidade, com ocorrências de crimes e assaltos ligados ao tráfico.
Para o capitão Honorato Carvalho, comandante da 3ª Companhia da PM caraubense, não basta só o trabalho repressivo da polícia, é necessário que se realize ações de combate e educação para que menos gente se envolva com as drogas.
"A polícia tem feito o que pode para tirar de circulação os traficantes. No entanto, toda a sociedade tem que fazer sua parte. As igrejas, as entidades, o governo, devem desenvolver ações educativas e preventivas, pois só assim é que a médio e longo prazo a droga vai reduzir na sociedade", concluiu.

Família de Apodi trava luta para livrar jovem do crack - História parecida com a de Ramon é a de Adriano (nome fictício), morador do bairro Lagoa Seca, em Apodi. De acordo com uma de suas irmãs, ele hoje tem 20 anos e há cinco se tornou viciado em crack e, desde então a família não teve mais tranquilidade. "O pior do meu irmão é que ele não aceita ajuda, apesar de admitir que é viciado. Meu pai foi embora e nos deixou com a bomba na mão. Meus outros dois irmãos mais novos moram no sítio com os avós. Só restou eu e minha mãe, que não sei até quando vamos agüentar", destacou.
A jovem relata que o irmão passa vários dias fora de casa usando crack e quando volta rouba tudo que encontra pela frente para trocar por pedras. A família já tentou interná-lo em uma instituição que cuida de viciados, porém após oito dias ele fugiu e voltou para casa. "Recentemente ele passou vários dias preso, depois de ter sido flagrado roubando. 'Qualquer dia recebo a notícia que ele foi morto em uma dessas atitudes", concluiu a jovem.
De acordo com a psicóloga Jackeline Nunes, apesar dos riscos bem conhecidos, as pessoas abusam das drogas e esse abuso continua a destruir vidas. "A oferta de drogas e a pressão de alguns colegas também aumentam a possibilidade de o jovem entrar nesse comportamento autodestrutivo", avalia.
Para ela, mesmo as famílias bem estruturadas estão sujeitas a existência de um usuário de substância intumescente. "Isso só nos confirma que a drogadicção deve ser vista de maneira complexa, biopsicossocial, respeitando-se a subjetividade de cada situação, de cada indivíduo em particular", disse a psicóloga.
Ela explica que existe aquele usuário que expressa claramente seu sofrimento e seu desejo em deixar as drogas, de outro lado aqueles que não expressam nenhum sofrimento, muito menos o desejo em parar de usar as drogas.

FONTE: O MOSSOROENSE

Extraí do blog do amigo Neto 

Crepúsculo (Poesia)


Crepúsculo


Venha meu amor
apresse o passo
rompa o ar
se faça folha
na ventania
e num pouso
repouse aqui
ao meu lado
porque é tarde
e fim de tarde
de nome bonito
e muito triste

crepúsculo
ocaso
entardecer
lumiar da noite
último canto
tênue olhar
vermelho escuro
solidão
quase negrume
e daqui a pouco
surge a lua
e não sei mais
da minha sombra
por isso venha

tenho um beijo
tenho um carinho
e uma flor
e tenho medo
que a luz se vá
tudo escureça
e não veja mais
o seu rosto
na minha flor
por isso corra
por isso voe
por isso chegue
meu grande amor.


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com 

UNS POUCOS AMIGOS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

UNS POUCOS AMIGOS
  
Já tive muitos, uma verdadeira imensidão de amigos. Amigos daqui e dali, amigos pra todo lado, de todas as classes sociais, de todos os credos, de todas as idades, de todas as raças. Mas não sei por que – e talvez até suponha -, foram sumindo, rareando, escasseando.

Aos olhos dos outros, cresci menino importante no meu rincão sertanejo. Meu pai foi prefeito por três vezes do município e por muito tempo passei a ser visto não como a pessoa que era, mas simplesmente como filho do prefeito. Daí tantos amigos ao redor, mas com a verdadeira amizade de apenas alguns.

Não adiantava ser visto e tido como filho de prefeito ou não, pois menino não quer saber de política, de aproximações interesseiras, puxa-saquismos ou coisa parecida, mas tão-somente viver sua infância e meninice ao lado de todos de sua idade e fazendo o que a idade chamava, que era brincar pelos descampados, tomar banho de riacho, correr nu pelas ruas nas chuvas mais fortes.

Quando dei por mim já estava adolescente e sempre rodeado não só de pessoas da mesma idade como de outras muito mais velhas. Como sempre fui amigueiro e procurava conhecer cada vez mais outras pessoas, de repente já estava tecendo, por conta própria, um imenso leque de afeições.

Nessa época, não procurava nem achava de nenhuma necessidade filtrar quem se aproximava de mim demonstrando amizade. Rico ou pobre, da cidade ou das fazendas e povoados, todos eram bem vindos porque sempre acreditei e confiei imensamente nas pessoas, sempre vi o ser humano como aquele apto a sempre fazer o melhor.

Depois dos anos setenta passei a dividir minha vida entre a capital e o meu sertão. Já estava com onze anos e meus pais optaram por me encaminhar, juntamente com um irmão um ano mais velho, para estudar na capital. Contudo, mesmo distante e com dificuldade de transporte, não havia um só fim de semana que eu não chegasse por lá.

Ficava por lá dois dias apenas e quase sem tempo de avistar todo mundo que gostaria, visitar quem eu sentia saudade, compartilhar do meu sangue sertanejo com outros da mesma raça, fosse pivete, da mesma idade ou de maior vivência. E os amigos continuavam muitos e surgindo cada vez mais.

Contudo, com o desenvolvimento mental principalmente, maior clareza na consciência e a preliminar formação de um senso crítico, comecei a me surpreender com as constatações que silenciosamente fiz. Fato é que passei a perceber que a maior parte daquela amizade toda não tinha outra motivação senão ainda pelo estigma ou de filho de prefeito ou de principal liderança política do lugar.

Triste constatação. E o pior é que se confirmou, ainda que demorasse um bocado de tempo para produzir os seus visíveis resultados, para chegar aonde chegou. E isto porque a saída da cena política do meu pai, da influência partidária e a sua decisão de não participar de outros pleitos eletivos, foi também o passo para o afastamento ou distanciamento de muitos daqueles que se mostravam grandes amigos.

Hoje ainda os tenho muito por lá, mas somente aqueles cuja amizade foi construída pelo meu olho, pela minha certeza e pela firmeza que sempre tiveram na manutenção desses laços. Entretanto, seria comparar de mil a um do que eu tinha antes; ou melhor, daqueles que aparentavam amizade sem nunca ter sido de qualquer fidelidade.

De muitos nem recebo mais visitas; outros passam por mim e nem falam; alguns que só viviam ao meu lado ou me procurando fingem que nem existo mais. Outro dia um desses parou o carro bem do outro lado da minha porta, consertou o som do carro e depois foi embora tranquilamente para o encontro com os novos amigos. Estes certamente possuem algum poder político.

Mas tudo é uma grande lição. Aos que pensarem que é mágoa, digo que é aprendizado. E principalmente aprender ser diferente deles, pois quando faço e tenho amizade com alguém nada que seja mais passageiro do que a gente poderá interferir no companheirismo. E política é sopro, é nada.

Tudo passa, tudo é passageiro demais. Assim diz o Eclesiastes. Mas o verdadeiro amigo é coisa pra se guardar. E debaixo de sete chaves, dentro do coração, como diz a canção que em Poço Redondo ouvi.


Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Assassinato do Coronel Joaquim Resende

Joaquim Resende e Melchiades da Rocha


Segundo informações no site acima, o Coronel Joaquim Resende, que antes havia se tornado amigo do cangaceiro Lampião, e fora prefeito  de Pão de Açúcar e chefe político da UDN, partido do governador 


Arnon de Mello,  foi assassinado em São José da Tapera, a época pequeno povoado do município de Pão de Açúcar, numa manhã de setembro de 1954, a tiros de parabelum. 

Os assassinos foram o então prefeito Elisio Maia e seu irmão Luiz Maia, que se diziam perseguidos pelo mesmo. Inclusive, conforme declarações do próprio Elisio Maia, feitas na fase do inquérito policial, a vítima vinha armando várias emboscadas para matá-lo, que era Prefeito na época do ocorrido. 

Mas após a morte do Coronel Joaquim Resende, Elisio Maia abandonou o seu mandato na Prefeitura e foi embora para o Sul do país.

HISTÓRICO - ORDEM CRONOLÓGICA

Pavilhão do Comando do 3º BPM em 1982

23 de Julho de 1936 

Criação do 2º Batalhão de Infantaria da Força Policial em Maceió/AL, sendo deslocado para Santana do Ipanema/AL, tendo como primeiro comandante o Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão, maior inimigo conhecido do cangaceiro Lampião. 

28 de Julho de 1938 

A famosa volante do Tenente João Bezerra da Silva põe fim ao cangaceiro Lampião e seu bando. Após o massacre de Angicos e voltando a paz ao Sertão, o 2º Batalhão foi reinstalado em Maceió/AL.

 
Volante do Tenente João Bezerra em 1938

08 de Janeiro de 1961 

Novamente devido ao clima de intranqüilidade, o 2º Batalhão retorna à cidade de Santana do Ipanema/AL. 

31 de Julho de 1962 

Retomada a paz em Santana do Ipanema/AL, o 2º Batalhão retorna à capital alagoana com sede nas instalações da atual Academia de Polícia Militar de Alagoas, tendo como locação, onde hoje está instalado o auditório.

Atual academia de Polícia Militar de Alagoas, onde antigamente sediava-se o 2º Batalhão

24 de Março de 1977 

O 2º Batalhão é transformado em 3º Batalhão de Polícia Militar e recebe o nome de “Batalhão Coronel Lucena”, em homenagem ao seu primeiro comandante. 

Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão 1° Comandante do antigo 2° Batalhão (Atual 3° BPM)

23 de Outubro de 1982 

O 3º BPM é deslocado para a cidade de Arapiraca/AL, para atuação no Agreste e Sertão do Estado de Alagoas, com um efetivo inicial de aproximadamente 350 homens, e um busto em homenagem ao Coronel Lucena Maranhão, é erguido em sua sede. Nesta data é comemorado o aniversário da Unidade em Arapiraca.

 3º Batalhão em 1988 (Ainda sem o letreiro em concreto)

Ano de 1992 

É denominado “Batalhão Tenente João Bezerra da Silva”, em homenagem ao comandante da volante alagoana que exterminou Lampião em 28 de julho de 1938.

À época 1° Tenente da Polícia Militar de Alagoas João Bezerra da Silva

Também no ano de 1992

É criado o 7º BPM em Santana do Ipanema/AL, para atuação no Sertão do Estado, herdando a antiga denominação do 3º BPM: “Batalhão Coronel Lucena”, e o busto erguido em Arapiraca é transferido para Santana do Ipanema, onde permanece até os dias atuais.

 Coronel PMAL José Lucena de Albuquerque Maranhão Maior desafeto conhecido do cangaceiro Lampião

Portal de entrada do 3º Batalhão em Arapiraca

Fonte:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com