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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Mestre Joca Leiros


“Minhas homenagens ao Mestre Joca Leiros que, dos caminhos e veredas de Macaíba, passou a caminhar sob as estrelas e pelas Estradas do etéreo, onde caminham os anjos e arcanjos da Paz e do Amor de DEUS”.

 Ode à batuta do Mestre!

Numa tarde que findava parei pra ver se lembrava
Das Retretas da Pracinha, onde grupos de mocinhas
Passeavam de mãos dadas, em torno das  balaustradas
Flertando como sentiam quem melhor se apresentava
No coreto e seu entorno, ali ficavam escolhendo,
Os parceiros desejados ou com quem sintonizavam,
 na Praça de Macaíba, pois, era o grande momento.

Pouco tempo se passava  e a Banda, então, descia
Com instrumentos na mão  Aplausos da freguesia
A banda ali se formava, primando pela postura.
Na linha pela estatura, a farda qual armadura
E ali, os componentes, da Banda a desfilar
Mas o que mais empolgava era a batuta no ar.
Batuta do Mestre Joca, bem garboso a comandar.

Eis aqui, doces lembranças do Maestro e da Batuta
Pois um exemplo de luta, sonhando executar
Poesias musicais  que o viram consagrar
Como excelente Regente com a batuta no ar.
Eis homenagem singela, que fizemos  alcançar,
O pergaminho da glória e a batuta a atacar.

Jansen Leiros


Bosquejo biográfico de
JOÃO VITERBINO DE LEIROS

João Viterbino de Leiros era meu avô materno. Professor da Escola de Artífice de Natal, chefe da Funilaria, musicista. A Tuba como seu instrumento principal. Compositor de música sacra e autor de vários, dobrados, hinos e marchas, dedicou-se às valsas e à regência de corais. Além de sensível musicólogo, João Viterbino de Leiros era possuidor de dotes mediúnicos, promovendo administração de curas magnéticas em pacientes portadores de pequenos incômodos, comuns aos moradores da pequena cidade de Macaíba, onde morava e onde exercia suas faculdades transcendentais.

Mestre Joca, como era carinhosamente chamado pelo povo, tinha acesso a todas as camadas da comunidade. Era maçom, como todos os varões da família (do tronco Fagundes). O Vigário Bartolomeu Fagundes, irmão de sua avó, Duvina Renovata da Rocha Fagundes (nome de solteira) fora o responsável pela iniciação de quase todos os componentes daquela família.

Com os paramentos da maçonaria, ele incorporou os filhos, netos e colaterais aderentes, transmitindo-lhes os ensinamentos da Instituição e sua filosofia milenar.

Com esse perfil, João Viterbino de Leiros (neto do Pe. Antônio Gomes de Leiros) transformou-se em meu ídolo.

Professor nato e pedagogo por transferência genética, aproveitava todo e qualquer momento vago para repassar seus conhecimentos, parte adquirido nos bancos escolares, parte pelo aprendizado empírico que sedimentou seu acervo respeitável.

Sem dúvidas, João Viterbino de Leiros foi o responsável pela projeção da família, a partir de suas próprias qualidades e, líder desde rapazola, conquistou uma série de seguidores, principalmente no seio da família.

Possuidor de bela oratória, onde harmonizava o sacro e o maçônico era um metafórico por excelência e foi ele que me conduziu aos estudos dos textos sagrados, da filosofia maçônica e, principalmente, foi ele quem me iniciou nos conhecimentos da Doutrina dos Espíritos, a partir do pentatéutico kardequiano.

Minhas homenagens ao Mestre Joca Leiros que, dos caminhos e veredas de Macaíba, passou a caminhar sob as estrelas e pelas

Estradas do etéreo, onde caminham os anjos e arcanjos da Paz e do Amor de DEUS.

Fonte:

Aristéia, fonte de vida e experiência

Por: Wescley Rodrigues
João de Sousa, Lili, Wescley e Aristéia

Fiquei surpreso quando, na tarde do dia 28 de janeiro, abri o email enviado pelo amigo e pesquisador João de Sousa Lima, comunicando o falecimento da ex-cangaceira Aristéia. Logo me veio a memória o início do mês de junho de 2011, quando tive a oportunidade de conhecer aquela mulher de uma grandeza e força inquestionável, e a fragilidade de uma menina no auge dos seus 98 anos. Essa é uma boa lembrança que Fortaleza me deixou como marca indelével.

Não sei ao certo distinguir os sentimentos que se misturavam e imbricavam naquele momento, apesar da experiência enquanto historiador, as teorias a respeito das fontes e documentos, eu via naquela mulher mais do que uma ex-cangaceira, mais do que uma fonte para compreender o fascinante e complexo mundo do cangaço.

Como nos lembra o filósofo Walter Benjamin, aquela era uma fonte de experiência, um livro que nunca será escrito devido a sua complexidade, um livro que nunca será lido e compreendido no seu todo devido a sua profundidade. Temos que nos contentar, enquanto historiadores, curiosos, pesquisadores e estudiosos do cangaço, com os pequenos vestígios que vão sendo deixados, haja vista a vida humana ser muito mais do que podemos entendê-la e condensá-la em palavras.


As experiências vivenciadas por Aristéia naquele meio áspero do cangaço, que ela fazia questão, inúmeras vezes, de salientar que aquela era uma “vida de cão”, sofrimento, que não guardava nenhuma saudade daqueles tempos idos, infelizmente morreu junto com ela. Mais uma fonte de história e vida se esgotou, resta-nos satisfazer-nos com os seus depoimentos, em linguagem simples, por vezes tímida, pragmática, mas com uma riqueza inquestionável. Alguns pesquisadores questionam a importância daquela mulher para o cangaço, haja vista não ter tido uma participação efetiva no meio do bando e ter passado pouco tempo no conviveu dos cangaceiros, relegando-a a um patamar inferior. No entanto, sempre questionei essa visão, pois, como nos é ensinado nos bancos acadêmicos, não podemos hierarquizar fontes, fontes são fontes, cada uma com suas peculiaridades, limitações e riquezas.

O grande valor daquela mulher foi, sem sombra de dúvidas, a sua experiência. Talvez muitos pesquisadores não davam-lhe grande crédito porque ela não dizia o que nós queríamos escutar, ela não fazia apologia ao cangaço, revestindo-o com as vestes do heroísmo, mas não cansava de afirmar a miséria daquela vida, o quanto aquilo era ruim, depoimento que acaba convergindo para o que afirmavam as ex-cangaceiras Sila e Adília.
Durante as mais de duas horas que passei conversando com dona Aristéia no quarto daquele hotel, entre risos, lágrimas, raiva e dor, pude beber daquela fonte, deleitar-me com tanta sabedoria advinda daquela mulher já marcada pelo tempo, com o corpo frágil e as rugas que dava-nos a dimensão do tempo vivido por ela e da credibilidade de suas palavras.

Lembrava com saudade das comidas do cangaço, talvez única lembrança boa guardada na sua memória referente ao tempo de bandoleira, de como os cangaceiros cozinhavam bem. Revirando os escombros da sua memória trazia a tona o cheiro dos perfumes usados sob aquele sol escaldante das caatingas sertanejas. Parecia está novamente tendo em mãos aqueles frascos com odores de um passado remoto. Eis a riqueza da memória, primeira guardiã da história, primeira forma de história, sem rigidez de método, técnica, rigor acadêmico, mas sim seguindo as suas próprias nuanças, as do tempo vivido, das experiências. Resta-nos apenas a lembrança daquela mulher e a alegria de um dia ter os nossos caminhos se cruzado. Que o repouso eterno possa trazer-te a paz que tanto almejavas, sem dores, sofrimento e perseguição. Fica a saudade!

Prof. Ms. Wescley Rodrigues 
Sousa -PB

Extraído do Cariri Cangaço


Documento - 17 de agosto de 1929

Por: Rubens Antonio

O estudo de fontes documentais é básico, para os que contemplam a história. Aqui, um exemplo de documento relacionado ao Cangaço.

De Bomfim, 10-12 de Março de 1929. 

Dr. Madureira de Pinho Chefe Policia Bahia. Confirmando telegramma dirigi hontem vossencia foram presos João Agostinho Silva conhecido Nonato e irmão Saturnino Roberto da Silva vulgo Juca, o primeiro na fazenda Morro Branco, pelo Sargento Flavio, o segundo em Carrapichel, pelo 1o Sargento Octacilio Alves Senna, os quaes estão aqui presos pt Estes individuos são os mesmo conhecidos como gente de 


Lampeão que anno passado ordenado vossencia apresentei-os com tres Irmão delegado regional Petrolina donde fugiram pt. Baldados cerco casa e batidas Matto Catuny para captura bandido criminoso Faustino ou Fausto Gomes, vulgo Banzé, informando mulher mesmo elle e filhos apareceram e voltaram logo dizendo virem pegar em armas pt. Este vcriminoso é pae bandido Hortencio Silva, 


vulgo arvoredo, pertencente grupo Lampeão e meu conhecimento por José Lima, em Jaguarary, quando anno passad alli estive, continúo xxx em outras observações. Saudações. (a) Capitão José Galdino

Para utilizar as matérias deste blog, atentar para: 
Como citar

Extraído do blog: "Cangaço na Bahia", do professor Rubens Antonio


GECC Informa: Cangaceiros em Mostra Internacional


Os Últimos Cangaceiros, mais recente longa-metragem do cineasta cearense Wolney Oliveira, foi selecionado para mais duas mostras internacionais : o 27º Festival Internacional de Cinema em Guadalajara, México, que acontece de 2 a 10 de março e para a Mostra Panorama do 24º Cinélatino , do 24º Festival de Cinema Latino-americano de Toulouse, na França. O evento se realiza de 23 de março a 1º de abril.

O FILME já conta com três prêmios, entre eles o Terceiro Coral de Melhor Documentário do 33º Festival Internacional do Cinema Latino-americano, de Havana, e já tem distribuição garantida pela empresa Imovision, de São Paulo. Será lançado nacionalmente a outubro de 2012.

FONTE: Coluna de Sonia Pinheiro do Jornal O Povo de 06/02/2012.

Ângelo Osmiro
Presidente do GECC

Extraído do Cariri Cangaço

A Cangaceira Basé

Por: Rubens Antonio

18 de maio de 1935, no “Diario de Noticias”:


No rosario de crimes e destruição, uma historia de amor...

Cangaceira Otilia Teixeira Lima:
– Tive a sorte de travar relações com “Basé”, e então a vida melhorou para mim.
Diário de Notícias:
– E quem é esse “Basé”? – indagamos.
Cangaceira Otilia Teixeira Lima:
– Esse, não! “Basé” é a mulher de Lampeão. O nome della é Maria, mas todos a chamamos Basé.

De bom coração...

Cangaceira Otilia Teixeira Lima:
– É uma moça bôa e de bom coração – continúa. Morena clara, cabelos castanhos, estatura média. Era casada com José de Manguinhos e residia nas mattas da Caiçára. Um dia, Lampeão passou por lá, engraçou–se della e carregou–a com elle. “Basé” é muito bonita. Vive sempre a brigar com Lampeão, quando este não quer submetter aos seus conselhos. Diz que uma hora destas vai se entregar á policia.

Diário de Notícias:
– E Lampeão vai tambem para a frente?
Cangaceira Anna Maria da Conceição:
– Sim, senhor. Lampeão é uma féra. Não tem mêdo de nada. É o primeiro que atira e vai na frente. Quando eu entrei no bando, Lampeão estava com duas marcas de bala. Uma, no pé, e outra no braço. Foi nessa occasião que “Gato” foi ferido tambem... “Basé”, sua madrinha, foi quem o curou. Tambem, se não fósse ella...

* Parte da matéria do dia, colocada aqui à parte, em função da referência que contém.

Para utilizar as matérias deste blog, atentar para:


Extraído do blog "Cangaço na Bahia" 
do professor Rubens Antonio

Invasão de Lampião teria fundo político, diz pesquisador



Para o advogado e escritor Honório de Medeiros, a invasão do bando de Lampião a Mossoró no dia 13 de junho de 1927, não teve apenas uma motivação financeira.


Ele abre um novo viés de discussão sobre o assunto, 80 anos depois do episódio.

Em palestra que proferiu hoje pela manhã no Teatro Lauro Monte Filho em Mossoró, Honório afirmou que há fortes indícios apontando para motivação política no fato.


Os cangaceiros estariam a serviço de opositores de Rodolfo Fernandes, herói da resistência. O objetivo primordial era matá-lo, tanto que a estratégia de combate foi toda centrada no cerco à casa do prefeito, em vez – por exemplo – da agência do Banco do Brasil, arguiu o palestrante.

"A verdadeira história da invasão não foi contada", afirmou. Ele participou do X Fórum do Congresso da Sociedade Brasileiro de Estudos do Cangaço (SBEC).

Publicado em 2007, no blog:
"Coluna do Herzog"

LUIZ EDUARDO COSTA E SUA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO (Artigo)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

LUIZ EDUARDO COSTA E SUA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO


Nosso querido e saudoso Jorge Amado, num de seus romances cuida exatamente da escolha dos literatos para integrar a Academia Brasileira de Letras. Assim, em “Farda, Fardão, Camisola de Dormir”, o escritor tece uma irônica crítica às maracutaias e conchavos vergonhosos na escolha daquele que deve ocupar a cadeira de imortal.

Escritor sem ter escrito nada, gente que se eleva à glória de literato através da encomenda de textos, rabugentos que deveriam se contentar com a insignificância de suas rimas pobres ou de seus discursos mesmistas, tudo isso é retratado no universo amadiano. Algo assim extremamente parecido com a Academia Sergipana de Letras.

Nos seus túmulos revirariam os grandes nomes da verdadeira literatura, das letras jurídicas, da melhor poesia. E isto diante da vergonhosa opção em deliberadamente rasgar seus estatutos; desconhecer o que seja ser escritor e literatura; a nata da intelectualidade; e fazer daquele prédio outrora tão respeitado, uma vergonhosa teia política, de apadrinhamento e acolhimento de qualquer um, principalmente que não seja escritor e nem tenha qualificação alguma para a imortalidade literária.

É vergonhoso que a Academia Sergipana de Letras mais recentemente se paute pelo acolhimento de tanta insignificância no mundo das letras. Urge lembrar que a Academia é de letras e não de compadrio. Lamentável demais para uma casa onde já tiveram assento Antonio Garcia Rosa, Hermes Fontes e Ranulfo Prata, dentre outros de ilustre memória. E que dirá dos patronos Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Ivo do Prado, Gumercindo Bessa!

Talvez recebendo os maus exemplos da Academia Brasileira de Letras, que também se transformou numa palhaçada para receber os Maribondos de Fogo da vida e os Mervais sem história, fardões que lamentavelmente se confundem com as galhardias palacianas. Collor de Mello também já foi imortalizado na Academia Alagoana de Letras. Dizer mais o que?

Seguindo esses maus exemplos, nossa Academia há muito deixou de refletir a intelectualidade, o cerne da mais lídima cultura sergipana e o respeito pela criatividade literária e pela pesquisa, para ser alçada ao panteão de qualquer um. Assim, qualquer um ex-deputado, ex-governador ou pseudo-literato que tenha influência no metiê, basta mandar imprimir seus discursos feitos por outros, seus poemas de rima quebrada ou qualquer insignificante brochura que ainda assim terá escolha unânime.

E agora me vem o jornalista, secretário de Estado e também imortal, Luiz Eduardo Costa, anunciando numa notinha de canto na sua página dominical do Jornal do Dia (5/6 de fevereiro de 2012), que com a morte de Seixas Dória já se ventila a possibilidade de que o nome do governador Marcelo Déda seja indicado para concorrer à vaga aberta. Igual Tribunal de Contas ou de Justiça, lá também se dará por indicação, aclamação geral, numa vergonhosa bajulação.

E diz o imortal jornalista: “Há um forte movimento entre os membros da Academia Sergipana de Letras para convencer Marcelo Déda a ser o substituto de Seixas. Alegam que só um grande tribuno, intelectual, partícipe dos mesmos sonhos e também governador, estaria credenciado a sentar na cadeira que foi de Seixas”. Fala-se então em convencer o homem, não precisando nem ser votado, e porque o mesmo é tribuno, intelectual e governador. Absurdo dos absurdos. Igualzinho a Collor que já foi até presidente.

Não tenho certeza, meu caro Luiz Eduardo Costa, mas creio que a produção literária do Senhor Marcelo Déda deve ser mínima, principalmente enquanto poeta, trazendo os resquícios ainda das tantas lutas estudantis onde esboçava sonhos em letras apressadas. Mas somente isso, a não ser que pretendam ver na sua oratória espontânea palavras tão grandiosas que cimentam no espaço. Talvez também estejam lendo os seus discursos enquanto parlamentar e governador e vendo ali um verdadeiro Cícero.

Por causa disso, por essas escolhas políticas que se faz até mesmo na Academia, é que a cultura e a literatura sergipanas não alcançam o prestígio que deveriam merecidamente ter. Ora, os bons e verdadeiros escritores não são reconhecidos nem valorizados, os pesquisadores se esmeram em codificar verdades essenciais apenas para o desconhecimento, para tudo ser relegado ao plano do esquecimento.

Tem gente imortalizada com um livreto da gráfica do senado, outro com um caderno que diz ser de poesia, e já outro sem jamais ter escrito uma linha sequer na vida. Verdade é que a Academia Sergipana de Letras acolhe com honrarias gente desse quilate, sem qualquer qualificação cultural ou literária. E tudo porque há safadeza, maracutaia braba, processo eleitoral criticado (que o diga Mellins), suspeitas de toda ordem na indicação e escolha daqueles que tenham força política.

Politicamente tenho tudo contra o Senhor Marcelo Déda, mas até que gostaria de resenhar alguma obra sua, ler algumas páginas de sua profícua inteligência. Dizer o que, em comparação à obra literária de Seixas Dória? “Eu, réu sem crime”, por exemplo, ou os cadernos vermelhos de um petista sem cor?

Não se compara o que não existe, mas nesse fosso de separação é que pode ser avistada a vergonhosa opção que poderá recair sobre os acadêmicos. Mas há que se observar que a maioria dos que estão ali não pode nem levantar qualquer crítica, vez que alcançou a imortalidade dentro do mesmo vergonhoso processo. É o compadrio, o apadrinhamento, a indecência vestida de fardão e tecendo suas conveniências por debaixo do pano.

Monsenhor Fernandes da Silveira, Manuel Luiz, Jackson Figueiredo, Gilberto Amado, Artur Fortes, Costa Filho, Monsenhor Carlos Costa, Clodomir Silva, Helvécio de Andrade, Hermes Fontes, Oliveira Teles, D. Mário Vilas Boas, Pires Wynne, Alfeu Rosas, Maurício Cardoso, João Passos Cabral, Orlando Dantas, Silvério Fontes, Prado Sampaio, Julio Albuquerque, Carvalho Neto, Florentino Menezes, Gervásio Prata.Vocês não mereciam isso, juro que não mereciam.


Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Existia amor no Cangaço?

Por: Pedro Luis

Acredito que o cangaço significava uma fuga, para os homens vários motivos foram expostos, mas basicamente restringiam-se a dois: vingança e ganância; da mesma forma representava uma alternativa à vida que se apresentava. Os cangaceiros eram admirados e temidos, não há como negar o imenso atrativo desta “progressão social” quase que imediata, passava-se do sertanejo preso ao patrão (ou condição de vida), ao conhecido e principalmente livre, homem “respeitado”. 


São palavras de Virgulino após a morte de seu pai: “minha casa agora será debaixo de meu chapéu”. Para as mulheres abria-se um novo mundo, uma saída diferente para o resto de seus dias, experiências novas, estariam livres da sina sertaneja de suas antepassadas (procriar, cuidar da cozinha e dos filhos), viveriam aventuras nunca imaginadas, amorosas inclusive. 

São experiências de vida, que só permitem uma avaliação após sua ocorrência. Todos viveram e pagaram sua conta, cada qual de uma forma, daí, em alguns casos poderia surgir o remorso na hora de prestar contas com as consequências de seus atos: o afastamento da terra natal, da família, dos laços afetivos/comunitários (que o digam Moreno e Durvinha), florescendo profundo sentimento de amargura e rancor em relação ao passado. 

cangaceiro_Moreno

Na minha opinião coexistiam: amor, ódio, medo, ganância, soberba, vingança, coragem, desprendimento, crueldade, alegria, tristeza, amargura, decepção, arrependimento, afinal, eram seres humanos...

Pedro Luís - Crato, CE

Diretor do GECC
Conselheiro Cariri Cangaço
Fonte: 

Raríssima fotografia do irmão não cangaceiro de Lampião

Por: Guilherme Machado
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João Ferreira dos Santos



A foto foi feita em 1968, em Propiá -SE. 


Seu João Ferreira recebeu a notícia da morte do seu irmão Virgulino dias após  o triste passamento. A princípio  não acreditou nos boatos que corria. O mesmo aguardava Virgulino para uma reunião de família. Assim que o mesmo voltasse de Alagoas. 


Quantas vezes corriam o boato da morte do rei do cangaço. ”Lampião foi morto em tal e qual lugar” tinha gente que jurava que viu o cangaceiro morto. Tempos depois aparecia Lampião brigando espancando ou fugindo.  

Uma  tarde de sol em Propiá, atracou no porto uma barca e saltaram em terra dois oficiais: um Major e o Capitão João Bezerra.  (Subira de posto pela façanha de Angico)  procuravam a casa do irmão de Lampião. Queriam ter uma conversa com o irmão do assassinado  cangaceiro. 


O Capitão Bezerra foi logo ao assunto. Disse que não admitia que o pobre lavrador não falasse em vingança senão!  E  qualquer  alusão nesse sentido o irmão teria o mesmo fim de Lampião.     

Trasladado do blog: 
"Portal do Cangaço de Serrinha" - Bahia, do amigo Machado.

Visita ao Dr. Paulo Gastão

Por: José Mendes Pereira

Ontem à noite, às 7;30 h, Mendes Filho e eu, fizemos uma visita  ao Professor e fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do cangaço, em Mossoró, Paulo Medeiros Gastão, e nos recebeu muito bem.  


Fomos assistidos por uma excelente aula  sobre o tema cangaço,  quando o mestre falou sobre os cangaceiros que sobraram da saga de Lampião, dos que ele conheceu, de amigos do rei, de coiteiros, de pessoas que com ele viajaram em busca de informações, enfrentando dificuldades em companhia do cineasta

Danielle Esmeraldo e Aderbal. Nogueira

Aderbal Nogueira, na intenção de deixar registrado tudo que viu e ouviu, para as futuras gerações. 

Informo aos leitores, aos escritores e pesquisadores do cangaço que o livro do Dr. Paulo Medeiros Gastão:

 "Lampeão de A a Z", 

já se encontra à venda, e que amanhã postarei nesta página, a foto da capa e o preço  do exemplar, não passando  de 

20,00 Reais.

Já estou com uma porção de exemplares em minha residência, mas amanhã eu comunicarei como conseguir este trabalho do Dr. Paulo Medeiros Gastão.  

José Mendes Pereira
Administrador deste blog

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Juiz Aposentado, do Estado de Sergipe. Escreve Obra Prima, do Cangaço

Por Guilherme Machado
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Cangaceiros, Coiteiros e Volantes. Autor: Doutor José Anderson Nascimento, Ano 1998.


José Anderson Nascimento é jurista, historiador, acadêmico, sociólogo, orador e conferencista. Nasceu em Aracaju-SE. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe em 1969.

 
Teve militância na política estudantil. Colaborou nos jornais Gazeta de Sergipe, Sergipe Jornal e Diário de Aracaju. Dedica-se à advocacia desde os tempos acadêmicos, bem assim ao magistério, tendo inicialmente lecionado as disciplinas: Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira, nos colégios estaduais Presidente Castelo Branco e Costa e Silva e no Instituto de Educação Rui Barbosa. 

Foi secretário particular do Prefeito de Aracaju, Godofredo Diniz Gonçalves, no ano de 1963. Casou-se em 1966, com a advogada Luzia Maria da Costa Nascimento, hoje Defensora Pública de Aracaju e pós-graduada em Direito Público.

É um livro que relata a epopeia  do ciclo do cangaceirismo do Nordeste até o seu drámatico desfecho  com os assassinatos de 


Vírgulino Ferreira da Silva, o legendário "Lampião" e do seu vingador, Cristino Gomes, o temido "Corisco".


José Anderson do Nascimento oferece ao leitor uma visão rica e detalhada sobre essa fase da vida nordestinas, descrevendo,  com neutralidade, os acontecimentos que marcaram aquele turbulento espaço da história do Brasil.

Extraído do blog: 
Portal do Cangaço" do amigo Guilherme Machado

O RIO GRANDE DO NORTE NA CRÔNICA POLICIAL DO SÉCULO XIX - I

Por: José Ozildo dos Santos
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O ASSASSINATO DO VIGÁRIO DA VILA
DE PAPARI (21-11-1835)

Norte-riograndense, o padre Antônio Gomes de Leiros fez seus estudos eclesiásticos no Seminário Episcopal de Nossa Senhora da Graça, em Olinda, Província de Pernambuco, onde ordenou-se em finais de 1833. Retornando ao Rio Grande do Norte, assumiu a recém-criada Freguesia de Nossa Senhora do Ó, sediada na antiga vila de Papari (atual cidade de Nísia Floresta), tornando-se o primeiro vigário daquela sede paroquial.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, na atual cidade de Nísia Floresta

Jovem e com grande disposição para o trabalho, o padre Leiros - como ficou conhecido - logo tornou-se estimado por seus paroquianos. No entanto, esquecendo os ensinamentos e os dogmas da Igreja e movido pelo espírito da ganância, ambicionou o ‘Sítio Bica’, pequena propriedade agrícola, pertencente ao agricultor Tomás Marinho, que com muitos esforços, havia transformado seu sítio no mais produtivo da região.

Alegando que o referido imóvel rural ficava dentro das terras, que formavam o patrimônio de sua freguesia, o referido sacerdote contratou os serviços do rábula Manuel Gabriel de Carvalho e usou das prerrogativas do cargo que ocupava para conseguir seus objetivos.

No final, num processo jurídico que durou poucos meses, conseguiu uma sentença que lhe foi favorável. Por outro lado, o agricultor Tomás Marinho, que passou a ser objeto de gozação em Papari, decepcionado com a justiça, jurou vingança. Adquiriu uma pistola e munições, na cidade do Natal e de maneira proposital, numa certa tarde, encontrou-se com seu arquiminigo, no centro da vila de Papari.

O padre Leiros, vendo-o, dirigiu-se ao seu encontro e num tom de zombação, disse:

- Tomás, perdeste a questão e a terra!
O agricultor, sacando de sua pistola, bruscamente investiu-se contra o sacerdote, dizendo:    
- E o senhor, padre, a vida!

Assim, efetuou um disparo, que mortalmente atingiu o referido sacerdote.
Ferido, o padre Leiros caiu agonizando. Minutos depois, Tomás Marinho foi preso e posteriormente, transferido para a cadeia do Natal. Na prisão, o assassino foi ajudado por alguém, que lhe forneceu uma lima e quinhentos mil réis, quantia que foi usada “para fazer o soldado, encarregado da sentinela, dormir estando acordado”.

Assim, serrando as grades de sua cela, evadiu-se numa noite chuvosa, antes de ser levado a julgamento. E, apesar de todas as diligências policiais, seu paradeiro não foi descoberto.

Quanto ao padre Leiros, assassinado publicamente, no centro de Papari, às 2 horas da tarde, do dia 21 de novembro de 1835, foi sepultado no interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó. Entretanto, em princípios de outubro de 1839, “o tenente José Antônio de Souza Caldas, comandante do destacamento do Corpo de Polícia na Vila Nova da Princesa, atual cidade de Assú, fora informado que um homem misterioso residia nos arredores da sede. Procurou verificar a veracidade da denúncia e encontrou Tomás Marinho já morto, por um colapso, horas antes da diligência policial”.

Conduzido para a sede daquela vila, Tomás Marinho foi sepultado no interior da Matriz de São João Batista. No dia 15 daquele mesmo mês, chegou ao Assú, em visita pastoral, dom João da Purificação Marques Perdigão, bispo de Olinda, a cuja diocese era subordinado o território potiguar. Informado que o assassino do padre Leiros, havia sido sepultado no interior da Matriz local, aquele prelado determinou que o referido cadáver fosse dali retirado e sepultado distante do solo sagrado, no anonimato, para que fosse esquecido com o tempo.

Posteriormente, visitando a vila de Papari, no período de 3 a 5 de novembro daquele mesmo ano de 1839, o referido diocesano registrou a seguinte versão para os fatos:

“Foi nesta povoação, que assassinaram o pároco antecessor do atual pela 1 hora da tarde, cuja morte mui sensível foi para a maior parte dos habitantes. Esse assassino, morrendo na freguesia do Assu, poucos dias antes de eu visitar aquela freguesia, foi sepultado na igreja, depois que aquele pároco encomendou seu corpo, ignorando ser o assassino do dito padre. Logo porém, depois que este corpo foi entregue à sepultura, foi desta tirado e enterrado em lugar não sagrado, em conseqüência da certeza que o pároco teve de ser homem o assassino daquele pároco”.

Na própria Papari - hoje cidade de Nísia Floresta - o nome do padre Leiros é completamente esquecido, numa visível demonstração de que não existe lugar na história para aqueles que esquecem seu ofício e desvirtuam os exemplos da fé.

Extraído do blog: 
"Construindo a História"

Eternidade (Poesia)


Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Eternidade
  

Desde ontem
e sempre
e agora
o presente
e o futuro
simplesmente
sumiram
do espelho
e do olhar
que só vê
e caminho
no passo
do passado
para encontrar
de novo
a mesma face
sem mentira
sem disfarce
desaparecendo
atrás da porta
por motivo
mais que banal
eu disse sim
ela disse não
aceitei o não
ela quis o sim
e assim
por nada
fechou a porta
e sumiu
desde muito
desde ontem
uma eternidade.


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

E SE... (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

E SE...

E se... Porque nada na vida já se aperfeiçoou completamente, porque tudo poderia mudar ou ser diferente, porque o que aparenta ser possui outra essência íntima, e porque há sempre lugar para o novo acontecer, tudo pode ser reticências.

Daí que nessas tardes de incertezas, de ventania trazendo sempre folhas secas com novas feições, será necessário interromper o raciocínio, hesitar, procurar perceber que tudo poderia ser de outra forma e então suportar a possibilidade, por exemplo, de nem ser quem pensa que é. Pois...

E se a pétala fosse espinho, e este presenteado em buquê, após uma mordida no lugar do beijo?

E se o vento soprasse em outra direção, ao entardecer da manhã, levando todas as boas recordações atadas aos troncos das árvores que se espalhariam pelo ar no lugar das folhas secas?

E se a porta da frente fosse a porta de trás, da cozinha, perto do quintal, e quando a pessoa fosse sair para a rua se despedisse de galinhas, gatos e cachorros, pois na porta de trás, aquela defronte a rua, só há temores e desconhecidos?

E se a carta falasse, toda raiva ferisse, toda saudade chorasse, todo amor se entregasse e toda vontade de chegar logo batesse à porta, em qual papel seria enviada a resposta?

E se todo livro, todo romance ou de poesia, viesse apenas com o título e o leitor se tornasse escritor daquilo que quisesse ler?

E se a história, escrita com H de História, esta mesma que é permeada por guerras, sangue e explorações, de repente se tornasse simplesmente estória, relato descompromissado com dolorosas verdades, não seria mais sublime, mais humana e graciosa?

E se em noites de lua cheia os lobos solitários descessem de suas colinas em direção aos bares e boates, aos cabarés e esquinas de prostitutas, e para seu lugar seguissem os homens que precisam uivar para serem reconhecidos?

E se os pecados dos seres humanos fossem pontuados e a partir de um certo limite cada um pagasse aqui na terra mesmo, e aos olhos de todos, sua cota de sacrifícios, será que continuaria na deslavada reincidência?

E se as águas dos mares, rios e oceanos fossem para caminhar e suas margens e litoral adentro fossem para navegar, para singrar em direção ao desconhecido, será que os náufragos seriam salvos pela selvageria dos humanos que encontrassem?

E se não houvesse silêncio como o pensamento poderia gritar de saudade?
E se existe o beija-flor passarinho para beijar a flor, por que não existe um beija-flor humano para beijar a flor que vive triste na sua janela porque nunca foi beijada?
E se o tempo não fosse tão martirizante, mortificante, cruel demais, decidindo tudo num só instante, ao invés de matar aos poucos com suas doses de anos, meses, semanas, dias, horas, estações, minutos, segundos?

E se o prazer do sexo se tornasse amargo para quem não ama, será que as pessoas continuariam experimentando o intragável somente pelo prazer da gula?

E se os mistérios da vida pudessem ser desvendados e num instante o medo deixar de existir, qual importância da vida sem a misteriosa presença do desconhecido?

E se quem partiu porque quis, sem motivo algum, nunca mais encontrasse a porta aberta, será que feriria tão gratuitamente quem tanto lhe ama?

E se de repente as pessoas fossem forçadas a continuar fazendo somente aquilo que fez e faz de errado, existiria remorso ou pedido de perdão, ou procurariam fazer o certo porque sabem que está errado?

E se todo belo poema já nascesse com uma flor perfumada, sua cama ficaria em qual lugar do jardim?

E se eu não te amasse tanto assim, o que seria de mim, o que restaria de mim?

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

A Revolução de 1930 em Mossoró – 2ª Parte - 06 de Fevereiro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Com a eclosão da chamada Revolução de 30, movimento armado que depôs o presidente da república Washington Luís, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e levou Getúlio Vargas a assumiu o destino da Nação, iniciou-se em todo o Brasil uma nova era de renovação dos costumes políticos-administrativos, implantada com o programa renovador da Revolução, contra os métodos do regime descaído da chamada República Velha.

No Rio Grande do Norte uma Junta Governativa Militar assumiu o poder a 6 de outubro e por ordens desta, na mesma data, José Octávio Pereira, na mesma data, assumiu o cargo como Prefeito Revolucionário Provisório de Mossoró. Manteve-se no cargo até o dia 17 do mesmo mês e ano, tendo sido o prefeito que menos tempo permaneceu no exercício.
               
Em tão pouco tempo a frente da administração municipal, não teve tempo pra nada. Apenas limitou-se a manter a paz pública naqueles instantes de exaltação e a tomar algumas providências de rotina na vida administrativa local.
               
Na noite do dia 06 de outubro uma coluna de revolucionários do interior da Paraíba, chefiada por Sá Cavalcanti e Janduí Carneiro, após penetrar no Rio Grande do Norte, chega a Mossoró, sendo recebida com aplausos pelo povo, já com laços vermelhos na lapela e lenço no pescoço. A coluna ficou alojada no então Colégio Santa Luzia, de onde foi retirada por ordem do Tenente Jonathas Luciano, comandante de uma corporação do Exército, vinda de Natal, sob o argumento de que os paraibanos, chamada “coluna pente fino”, haviam cometido saques no comércio de Patu, muito em desacordo com o que pregavam os autênticos revolucionários.
               
Durante o tempo em que a coluna permaneceu em Mossoró, o comércio manteve fechadas suas portas, inclusive a agência do Banco do Brasil. Havia o receio de saque e depredação. Havia ainda o receio de que os comandantes da coluna fossem “requisitar” dinheiro no Banco como tentaram fazer com a casa comercial M. F. do Monte & Cia. cujo gerente, Sr. José Soares de Góis teve que se esconder, guardando as devidas reservas, para evitar um desfalque para a firma. O povo de Mossoró só voltou a tranquilidade com a chegada da tropa federal que assumiu o controle militar de toda cidade.
              
No dia 12 de outubro assumiu o governo do Estado o interventor Irineu Jôfile, que logo nos primeiros dias nomeou o Cônego Amâncio Ramalho para o cargo de Prefeito de Mossoró a quem José Octávio transmitiu o cargo a 16 do mesmo mês de outubro, encerrando assim a sua gestão administrativa.
               
O Cônego Amâncio Ramalho, que era sacerdote e educador, à época dirigia o Colégio Diocesano Santa Luzia.
               
Raimundo Soares de Brito, em seu livro “Legislativo e Executivo de Mossoró”, diz que a nomeação do Cônego Amâncio não foi bem recebida no seio da ala revolucionária local e em consequência a sua administração não conseguiu satisfazer plenamente as aspirações desse grupo, muito embora soubessem os seus componentes da atividade do sacerdote na luta dos paraibanos, dirigida pelo Presidente João Pessoa contra o Catete, francamente partidário daquele, levando armas e munição para ajudar o governante da Paraíba na luta contra Princesa. Foi mais um que não teve tempo para qualquer realização. O limitado tempo de sua gestão não foi suficiente para desenvolver qualquer ação administrativa de vulto. Ateve-se a rotina administrativa e conseguiu manter a tranqüilidade pública, ainda sob efeitos da exaltação dos partidários da Aliança Liberal, como informa Raimundo Soares de Brito. Permaneceu no cargo até 8 de dezembro de 1930, quando foi substituído por Amâncio Leite, numa sucessão de administradores relâmpagos que durou por anos.
               
Os efeitos da Revolução demoram a aparecer. A nova Constituição só foi aprovada em 1934, chamada Constituição de 1934, depois de forte pressão social, como a Revolução Constitucionalista de 1932. Mas a estrutura do Estado brasileiro modificou-se profundamente depois de 1930, tornando-se mais ajustada às necessidades econômicas e sociais do país.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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