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domingo, 29 de abril de 2012

“VÁ NÃO ZEZIM!...” – “EU VOU, EU VOU!” (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

A linda sertanejinha entrou em casa correndo, assustando sua mãe. Jogou-se na cama aos prantos e ali ficou em tempo de se acabar. Cruel destino esse de amar alguém que agora decidia arrumar o embornal e cortar as estradas sangrentas dos sertões, saber que cada momento não era garantia de um só instante amanhã.
Ser amigo das catingueiras, dos bichos do mato, mas também inimigo das tocaiais e das emboscadas; ser amigo do sol e da lua, de cada poço d’água encontrado, mas também inimigo da curva da estrada, do morro adiante, da mataria silenciosa demais; ser amigo da sorte e do perigo, da vida aventureira e da luta contra as injustiças dos poderosos, mas também inimigo das forças governamentais, das armas da volante, dos coronéis mancomunados.
A mãe implorou de joelhos, pediu por tudo na vida e por todos os santos que o seu menino deixasse pra trás aquela decisão tomada. Não suportava imaginar ter o seu filho único, tendo deixado o cheiro de mijo há tão pouco tempo, sendo cangaceiro do bando de Lampião, arriscando a vida em que cada passo que desse. Tinha só coisa de quinze anos, portanto molecote ainda pra seguir destino tão arriscado.
Seu pai, o vaqueiro ainda novo e tão já envelhecido pelas lutas na vaqueirama, preferia não dizer nada sobre a decisão ostentada pelo filho. Verdade é que era tomado por uma sensação estranha por dentro. De um lado o orgulho pela valentia e destemor do seu menino, mas de outra banda o medo pelo desconhecido, pela entrega sem volta do seu a um mundo cercado por confrontos sangrentos, fugas desesperadas, ataques morticidas.
Enquanto a mãe chorava e fazia orações pelos cantos do velho casebre, o pai se punha de cabeça baixa sentado num tronco derrubado lá fora. Era uma agonia danada, uma dor no peito de não querer passar mais. Ele já tinha chamado o menino num canto e perguntado por que de repente havia decidido entregar sua vida e seu destino ao mundo cangaceiro.
O menino ficou de cabeça baixa e demorou a responder. Mas depois disse que sentia sangue de homem valente e que gente nessa qualidade não suporta ficar sem fazer nada a não ser ficar dia e noite olhando pra cima pra ver se tem alguma nuvem de chuva se formando, sofrendo junto com os bichinhos que não tinham nem o de comer nem o de beber, naquele desvão da vida que não trazia esperança alguma.
O pai sofria ainda mais ouvindo cada palavra do filho, mas também sabia que era coisa de sertanejo verdadeiro tomar a decisão que quisesse sobre sua vida. E sem querer entrar em outros detalhes, apenas apelou para algo que talvez amolecesse o seu coração e o fizesse desistir da partida, daquela viagem de difícil volta. Então perguntou por que ele ia abandonar Mariazinha que demonstrava gostar tanto dele.
E fui a vez de o mundo parecer se abrir aos pés do menino Zezim. Virou as costas pro pai, deu uns passos à frente, olhou para o mundo ao redor, percebeu tudo anuviado pelos olhos marejados e disse:
“Mai foi pru causo dela mermo que tumei essa decisão. Gosto tanto de Mariazinha que bem sei qui ela merece muito mais do qui um simple rapaiz sertanejo. Já dixe a ela qui vou ficá uns tempo no bando de Lampião e adespoi que já tivé famoso vou vortá e casá cum ela de veiz. E quano eu vortá ninguém vai mai me oiá cuma oia agora, quasi cuma um zé ninguém. Mai tomem tem outa coisa, pai. E vou tumem qui é pá o pai dela nunca mai dizê que num aceita ela cum eu. Se é caba macho, homi valente, vai ter...”.
Ainda de costas, agora limpando os olhos com as costas da mão, nem percebeu a visitante que havia chegado e silenciosamente se colocado ao lado de seu pai. Ainda sem ele perceber, Mariazinha se aproximou um pouco mais e disse: “Vá não Zezim! Vá não que agora já sei qui vosmicê é o homi da minha vida...”. Ele se voltou espantado, envolvido de um sentimento profundo ao ouvir aquela voz tão doce e conhecida, mas preferiu dizer: “Eu vou, eu vou. Mai vorto, mai vorto...”.
Não havia mais o que fazer, pensou ela enquanto o abraçava apaixonadamente. Foi quando lhe segredou alguma coisa ao ouvido. E no outro dia os dias tomavam o rumo das caatingas, de mãos dadas pelos caminhos cangaceiros dos sertões nordestinos.

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Fotos inseridas sem autorização

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Inseri nesta página várias fotos de cangaceirólogos sem autorização. Mas se algum estudioso do cangaço não quiser que a sua foto permaneça nesta página, ou mesmo da sua esposa, basta enviar-me e-mail: josemendesp58@hotmail.com, pois será excluída sem nenhum constrangimento, já que nenhuma delas foi autorizada pelo seu dono.

José Mendes Pereira

A Revolta da chibata-Guerra dos cangaceiros


A Revolta da Chibata
Local: A Revolta da Chibata foi um movimento de militares da Marinha do Brasil, planejado por cerca de dois anos e que culminou com um motim que se estendeu de 22 até 27 de novembro de 1910 na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, à época a capital do país
Causas: Os castigos físicos, abolidos na Marinha do Brasil um dia após a Proclamação da República (1889), foram restabelecidos no ano seguinte (1890) por um decreto nunca publicado no Diário Oficial, o qual, mesmo assim, foi tomado por base pela Marinha de Guerra, estando nele previstas:
“Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo."
Os marinheiros nacionais, quase todos negros ou mulatos comandados por um oficialato branco, em contato cotidiano com as marinhas de países mais desenvolvidos à época, não podiam deixar de notar que as mesmas não mais adotavam esse tipo de punição em suas belonaves, considerada como degradante. O uso de castigos físicos era semelhante aos maus-tratos da escravidão, abolida no país desde 1888. Paralelamente, a reforma e a renovação dos equipamentos e técnicas da Marinha do Brasil eram incompatíveis com um código disciplinar que remontava aos séculos XVIII e XIX.
Objetivos: O objetivo dos revoltosos era acabar com as chicotadas ou chibatadas, que ainda faziam parte do código de disciplina da marinha.... além disso, as condições de trabalho eram terríveis, a comida, de péssima qualidade... foi contra isso que os revoltosos tomaram o controle dos navios e ameaçaram bombardear a capital brasileira.
Reação do governo: O governo manda prender João Cândido e seus companheiros. Dois anos depois, eles são julgados e absolvidos.
Curiosidades: De acordo com Marco Morel, uma das curiosidades dessa história é que tanto o autor do livro quanto o personagem principal foram perseguidos por seus feitos. Após a vitória do movimento, o gaúcho João Cândido foi preso por um tempo, sofreu torturas e foi expulso da Marinha.
Guerra dos cangaceiros
Local: Ocorreu no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX.
Causas: As causas do surgimento do cangaço foram de natureza variada. A pobreza, a falta de esperanças e a revolta não foram as únicas. Isso é mais que certo. Mas foram estas circunstâncias as mais importantes para que começassem a surgir os cangaceiros. Muitos, como dissemos, eram pequenos proprietários, mas mesmo assim tinham que se sujeitar aos coronéis. Do meio do povo sertanejo rude e maltratado surgiram os cangaceiros mais convictos de que lutavam pela sobrevivência.
Objetivos: Era simples, conforme declarou o cabo Gregório do Nascimento, que assumiu o comando do navio São Paulo: conseguir o fim do castigo corporal e melhorar a alimentação.
Curiosidades: O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", denominado o "Senhor do Sertão" e também "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do Nordeste brasileiro.
Por parte das autoridades Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra.
Postado por Carlos

Uma moeda de cangaceiro à venda

Por: Rubens Antonio
 
Esta moeda pertenceu à bandoleira de um cangaceiro, estando, atualmente, em posse do estudioso Orlins Santana. Este divulga, neste site, o seu interesse em negociá-la.

Para contatos, estes devem se dar pelo email
orlins@hotmail.com

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

Sempre eterno (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Sempre eterno


Li da garrafa
jogada ao mar
que o amor não é
nem o amor será
senão a eternidade
de cada instante
construído na feição
para se eternizar
para apaixonar
para ter o durar
do amor enquanto
quiser se eterno
feito garrafa ao mar
amor navegante
até um dia repousar
no leito da saudade
que só é permitida
ao que pode lembrar
do amor de um dia
e do seu continuar.



Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 28 de abril de 2012

No meu pensar - O vingativo Lampião

Por: José Mendes Pereira

Em 1927 Lampião resolveu invadir Alagoas, alegando que era protestando contra Zé Lucena por ter assassinado o seu pai, e Zé Saturnino, que segundo ele era o causador das declinações da família Ferreira, privando o direito deles serem felizes onde moravam, obrigando-os a fugir de Pernambuco e os empurrando para as terras alagoanas.
                 
Em Pernambuco ele e os seus familiares deixaram para trás tudo que haviam adquirido com muito esforço: propriedade, agricultura, criações e principalmente sonhos e muitos sonhos que pretendiam realizar.
               
Já residindo em Alagoas passaram por dois grandes desgostos: O primeiro foi quando viram a mãe cair em depressão. Ela se sentindo desgostosa com o desrespeito do Zé Saturnino por ter afetado o caráter de José Ferreira da Silva, seu coração não aguentando as maldades, faleceu em 1920.

José Saturnino, inimigo nº. 1 de Lampião 
               
O segundo e mais doloroso foi quando viram o pai envolvido em um horroroso lençol de sangue, todo crivado de balas pelas armas do tenente Zé Lucena.
           
Os desrespeitos que surgiram contra a sua família  deixaram Lampião e seus irmãos sem rumo e sem decisões para enfrentarem as maldades dos perseguidores.
           
Dizia o rei que o principal culpado das suas desventuras era o Zé Saturnino, por não ter assumido a sua desonestidade, quando o assecla viu peles dos seus animais na casa de um dos moradores da Fazenda Pedreiras. Se o fazendeiro tivesse assumido o feito, não teria sido necessário ele e seus irmãos viverem embrenhados às matas, escondendo-se dos policiais.    
          
O rei ainda se lastimava que todos os seus antes amigos viviam passeando pelas redondezas do lugar,  livres de perseguições, e diariamente aconchegados às mocinhas do povoado, frequentando festas e bailes. E enquanto os outros gozavam da liberdade, eles eram privados de participarem dos divertimentos que o povoado oferecia. Infelizmente teriam que passar a vida inteira se amparando às árvores, castigados pelas chuvas, sol, poeiras, dormindo no chão, misturados com caranguejas, lacraias, cobras e no meio de combates, tentando se livrarem dos estilhaços de balas. E na maioria das vezes, fome, fome e muita fome, vivendo um horroroso sofrimento.                                                
               
Lampião assumia o seu feito dizendo que antes da morte do seu pai, já havia praticado crimes. E em um desses, findou a vida de um sujeito que lhe roubara uma das suas cabras. Mas que todos que o julgavam como um bandido cruel, entendessem o porquê da sua prática criminosa. Fizera para defender o que lhe pertencia, e em prol de sua própria honra. Se ele não defendesse o que era seu, com o passar dos tempos, todos iriam querer pisá-lo como se ele nada valesse na vida.
          
Lampião alegava ainda que se o Zé Saturnino não tivesse manipulado tenente Zé Lucena para assassinar o seu pai, quem sabe, talvez ele não tivesse se tornado um bandoleiro, e sim, um fazendeiro, um engenheiro, um rábula qualquer ou outra coisa parecida. Ou ainda teria se casado e construído uma linda e maravilhosa família. 

Tenente Zé Lucena
          
E agora, depois das grandes decepções que passaram, principalmente a morte do pai, como os irmãos Ferreira se vingariam das maldades que fizeram contra eles?                         
            
Lampião e seus manos, decepcionados, fizeram um juramento: o seu luto, até a morte iria ser o rifle, a cartucheira e os tiroteios. E a partir dali, decidiram que a solução seria magoar todo povo que morava em Alagoas, vingando-se a seu modo. Já que tinham perdido o respeito, uma desordem a mais não influenciava nada.
               
E a partir de 11 de janeiro de 1927, partiram para bagunçarem o Estado de Alagoas, onde destruíam tudo que viam pela frente. E geralmente rios de sangue ficavam escorrendo por onde os vingadores passavam.

José Mendes Pereira
               
Fonte de pesquisas:
"Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angicos"
Alcindo Alves da Costa.

Índia potiguar Clara Camarão (batizada como Clara Filipe Camarão)


CLARA CAMARÃO E SEU MARIDO FELIPE CAMARÃO

Foi uma indígena brasileira provavelmente da tribo potiguar no bairro de Igapó na cidade do Natal, então Capitania do Rio Grande (hoje o Estado do Rio Grande do Norte), nascida na metade do século XVII que foi catequizada por padres jesuítas, juntamente com seu marido Filipe Camarão, adotando o mesmo sobrenome que ele.

É considerada uma das precursoras do feminismo no Brasil, já que ela rompeu barreiras acabando com a divisão de trabalho da tribo ao se afastar dos afazeres domésticos, para participar de batalhas junto ao seu marido, durante as invasões holandesas em Olinda e no Recife.

Clara também liderou um grupo de guerreiras nativas na luta contra os holandeses durante a colonização na cidade Porto Calvo no Estado de Alagoas em 1637. Não há registro do local e data de sua morte.

A Refinaria da Petrobras Potiguar Clara Camarão localizada no município de Guamaré/RN homenageia o seu nome. É a primeira refinaria do Brasil a ser batizada com um nome de uma mulher.
Fonte: Wikipédia

Atenciosamente,
Neto - Natal/RN

Extraído do blog do Neto

ENQUANTO NÃO VEM CANGAÇO - VAMOS REVIVER OS ANOS SESSENTA

Vendi os Bois



Vendi Os Bois - Os Incríveis


Vendi os bois.
O filho moço vai casar.
É feriado hoje, a roça vai parar.
Vem cá depois,
Preciso mandar ver peru
Oh rosa! vê se os dois preferem um tatu.

Sela meu burro, Zé!
Vai convidar Tião.
Traz da cidade um pano pra mulher.
Hei, Rosa, olhe o pirão,
Põe caldo de feijão,
Faz da maneira que o pai dela quer.

Vendi os bois.
O filho agora vai casar.
Vai ser a melhor festa que eu dei no lugar.
Vem cá depois.
Preciso mandar ver melão.
Oh, Rosa! Vê se o doce é melhor que mamão.

Sela meu burro, Zé!
Vai convidar Tião.
Traz da cidade um pano pra mulher.
Hei, Rosa! Olhe o pirão,
Põe caldo de feijão,
Faz da maneira que o pai dela quer.


Por Johwanny m. Cavalcante
(Goiânia)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Maria Bonita


Matia Gomes de Oliveira era filha de José Felipe de Oliveira e Maria Joaquina Déia. Do caral nasceram: Maria Bonita, Benedita, Joana, Antonia, Francisca, Dorzina, Zé de Déa, Izaias, Ozéas, Arlindo e Ananias. Ela entrou para o bando ao final de 1930,  a convite do próprio
Lampião, que ao avistá-la pela primeira vez ficou apaixonadíssimo pela sua beleza. O casal de cangaceiros teve uma única filha, Expedita Ferreira, nascida em 1932, que sobreviveu das quatro gestações de Maria Bonita, e foi  criada  por coiteiros.
Afirmam os historiadores que em alguns momentos, a  intervenção de Maria Bonita impediu vários atos de crueldade de Lampião.
Maria Bonita ficou conhecida mundialmente  como a "Musa e a Rainha do Cangaço"  e ocupava-se entre outras coisas de costurar a indumentaria dos cangaceiros.
Logo que Lampião levou Maria Bonita para ser sua companheira, outros cangaceiros resolveram  levar suas amadas para as caatingas,  Dizem que elas participavam de todas as atividades, inclusive dos combates.
Destacaram-se no cangaço:
Dadá, esposa do facínora Corisco, Lídia, que foi assassinada a pauladas pelo seu companheiro, o Zé Baiano,  e outra Maria, mulher do cangaceiro Pancada.

JOAOZINHO DE DANONA


Segundo Joãozinho de Danona, o bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, esteve duas vezes em Pinhão. A primeira, na manhã de 22 de abril de 1929. A segunda em 1938.
Em 1929, dez cangaceiros invadiram a cidade. Além de Lampião, estavam presentes Corisco, Virginio (cunhado de Lampião), Alvoredo, Zé Fortaleza, Volta Seca, Ângelo Roque, Ezequiel Ferreira (irmão de Lampião) Luiz Pedro e Mariano.
"Nunca vou esquecer aquele dia", rememora o aposentado Joãozinho Batista da Costa. Segundo ele, Lampião estave em Pinhão para conseguir munição e dinheiro.
"Ele não ameaçava, nem, bolia com ninguém. As únicas coisas que fez foi andar pelas bodegas, procurar munição na cidade e nos mandar pegar alguns cavalos. Depois pediu que algumas pessoas fizessem uma cota entre os moradores para ajudá-lo"
"O bando de Lampião e a volante comandada pelo Tenente Menezes trocaram tiros e por sorte ninguém de Pinhão morreu"
"Na passagem do bando de Lampião em 14 de outubro de 1938, o cangaceiro Zé Sereno matou o soldado José Paes da Costa".
Joãozinho conta que: "Quando chegou a volante, que veio brigar aqui à noite, o Zé Sereno pediu ao soldado José Paes, que era amigo deles, para tirá-los da cidade, porque eles não conheciam muito bem a região. Zé Paes saiu com os cangaceiros e, mais adiante, depois de tê-lo guiado, sem mais nem menos Zé Sereno atirou nele, pelas costas, na traição. Não tinha motivo, foi só maldade."

José Emigdio da Costa Filho (Costinha), primeiro prefeito de Pinhão.

Nota de Reinaldo: 

Costinha era meu padrinho. Infelizmente, quando ele faleceu, em 1969, eu tinha 2 anos de idade. A história mostra que ele foi um grande homem e lutador para que Pinhão ficasse independente de Campo do Brito e tornasse cidade emancipada. Minha madrinha é a irmã dele, Dona Ninha, que admiro muito.
ww.reinaldopassos.com/noticias_pinhao_2010.htm

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Enviado por Canal da Velocidade

DESCOBERTA EM JEREMOABO UMA IRMÃ DO CANGACEIRO CRIANÇA.

Por: João de Sousa Lima

Jeremoabo é uma cidade histórica e muito antiga, durante a Guerra de Canudos a cidade serviu de base para uma das companhias do Exército que atacaram o Conselheiro e os Conselheiristas. Em 1739 o Garcia D’Ávila doou uma grande extensão de terras para a construção da Matriz. A povoação tem em suas origens as tribos de Índios Massacará, Cahimbés e Cariris. Abastecida pela cristalina água que jorra da fonte da Pedra Furada e banhada pelo Vaza Barris.
Jeremoabo também foi palco da repressão ao cangaço, formando em suas comunidades volantes policiais que perseguiam sem tréguas os cangaceiros, sendo uma das mais famosas a volante comandada por Zé Rufino, um dos maiores matadores de cangaceiros. A cidade serviu de repressão ao mesmo tempo em que foi  uma base de proteção através de um dos grandes coronéis daquela época, o famoso coronel e político João Sá.
Jeremoabo foi uma das cidades onde mais se entregaram cangaceiros depois da morte de Lampião, várias fotografias mostram esses cangaceiros na companhia de padres e policiais. Um dos grupos que se entregou em Jeremoabo foi o grupo do cangaceiro Criança. Criança aparece em fotografia ao lado de sua companheira Dulce (ainda viva e residindo em Campinas, São Paulo), Balão e Zé Sereno.
Criança depois que foi liberado seguiu para o estado mineiro e posteriormente até o estado de São Paulo. Pouca coisa ficou gravada sobre esse cangaceiro e seguindo seu rastro fui encontrar em Jeremoabo, justamente na cidade de repressão ao cangaceirismo, residindo uma Irmã sua. 
Joana Matilde Conceição, com 89 anos de vida, encontra-se lúcida e relembra emotiva dos tempos árduos quando com apenas 10 anos de idade viu o irmão João entrar para o cangaço.
Manuel Lourenço Xavier e Maria Matilde da Conceição, pais de dona Joana, residiam no sítio Poço Grande, em Macururé, no alto Sertão baiano. Com as perseguições policiais e os maltrato sofridos, a família teve que fugir e atravessaram o Rio São Francisco, saindo da Barra próxima a Curral dos Bois chegando a Belém do São Francisco, Pernambuco, indo por fim se arrancharem em Santa Maria, povoação entre Belém e Floresta.
Na fuga para o estado pernambucano a família deixou as criações e em um dia de sábado João e os primos Pedro e Feliciano retornaram para tentar reunir e alimentar os animais. Os três jovens não retornaram no prazo determinado. Maria Matilde ficou apreensiva com a falta de noticias dos rapazes.
Em um dia de feira  na cidade de Belém, Maria e a família se encontrou com  Vicente Baldo da Silva, que era irmão da matriarca e tio de João. Vicente deu a péssima notícia: João e os primos haviam entrado para o cangaço. Maria chorou copiosamente, a família se abraçou e a pequenininha Joana, com seus dez anos de idade não compreendia a situação. Vicente só não contou que foi ele quem ajeitou a entrada dos jovens para o cangaço.
João ganhou no cangaço o apelido de Criança por ser o mais jovem dos três rapazes, o primo Pedro ficou sendo conhecido como Canjica e Feliciano foi apelidado de Zabelê.
Dona Maria estava com os filhos Joana, Luiz Lourenço Xavier, Januário e Rosendo estavam na Fazenda Pinhão, próximo  a Cabrobró e ficaram sabendo das mortes dos primos Canjica e Zabelê e atravessaram o Rio para Macururé para confirmarem a notícia. Em Macururé as cabeças dos dois cangaceiros foram expostas e a pequena  Joana foi proibida de olhar os “Troféus Macabros” . Confirmado a morte dos dois familiares só restou a Maria rezar para a proteção do filho João que ainda estava na vida cangaceira.
Com a morte de Lampião Criança se entregou em Jeremoabo junto com mais alguns companheiros.  Na cadeia o padre Magalhães aproveitou para realizar o casamento de Criança e Dulce, o matrimônio sagrada unia sob as grades da prisão dois bandoleiros das caatingas nordestinas.
Em 1968 Joana seguiu com o filho Dudú até São Paulo para visitarem João, o ex-cangaceiro Criança. No reencontro João se emocionou ao avistar a irmã que havia deixado ainda criança. O momento serviu para aliviar a saudade que por tanto tempo afligiu aquela menina-mulher, que em um dia de feira viu sua querida mãe verter lágrimas pela ausência de um filho amado que seguiu para as hostes do cangaço e na imensidão das caatingas viu a morte passar próximo e o sangue manchar a terra seca.
Dona Joana, mulher forte, baraúna sertaneja, flor de cacto que aflora mesmo diante das intempéries, anjo-mulher, que tuas dores sejam aliviadas pelo simples dom de ser uma mulher que aprendeu a amar a vida sem temer as adversidades. Tenho muito orgulho de tê-la conhecido, de ter rastreado suas histórias de vida, de ter conhecido teus segredos tão bem guardados no cofre da memória.
João de Sousa Lima*
Jeremoabo/ Paulo Afonso, dias 23,24 e 25 de abril de 2012.
*Historiador/Pesquisador e Escritor
Membro da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço.
Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso, cadeira nº  06

Enviado pelo autor do artigo: João de Sousa Lima

Compromisso Marcado com a Noite Cariri Cangaço-GECC na Saraiva Mega Store

 
Já temos mais um compromisso marcado; na próxima quarta-feira, dia 02 de Maio, nosso encontro será na Noite Cariri Cangaço-GECC, no Espaço Raquel de Queiroz , da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi; com o pesquisador , escritor e dramaturgo paranaense, Luiz Zanotti, apresentando sua mais nova obra: "Lampião, Texto, Tela e Palco" e a grande Conferência da noite com o jornalista e radialista Odilon Camargo com o tema "Só a Utopia Salva".


Imperdível a Noite Cariri Cangaço-GECC, próxima quarta-feira, dia 02 de maio, no Espaço Raquel de Queiroz da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, Fortaleza, sempre as 
19 horas. Você é nosso convidado.

Ângelo Osmiro - Presidente do GECC
Manoel Severo - Cariri Cangaço
Aderbal Nogueira - Laser Vídeo

http//cariricangaco.blogspot.com

O Lampião de Zanotti, na Saraiva Mega Store

Por: Manoel Severo
 
O tempo parece correr solto, como nunca antes em nosso sertão... Alias não só em nosso sertão querido do nordeste, mas também pelos lados do sul, bem lá pelas bandas de baixo de nosso Brasil, mais precisamente do Paraná de nosso estimado e querido Zanotti... E nunca dantes na história deste país houve uma integração cultural tão grande como em tempos de agora. Esse imenso Brasil, de muitas culturas e tradições; continental como poucos, se debruça sobre si mesmo e consolida os laços que nos unem a todos. Coube-me fazer a apresentação da presente obra deste mesmo Zanotti, querido e estimado amigo, quero dizer: Luiz Roberto Zanotti.

A vida nos resguarda inúmeras surpresas; receber em nosso pedaço de chão, no Cariri do Ceará, terra de Padre Cícero; um paranaense da gema que se dizia apaixonado pelas coisas de nosso sertão, até parecia um pouco estranho, entretanto esse tal de Zanotti foi chegando de mansinho, bem devagar e de repente tomou
conta não só da situação, mas e principalmente do coração de todos que fazem a família Cariri Cangaço; evento de cunho histórico-científico, turístico e cultural, que reúne as mais destacadas personalidades da pesquisa e estudo do fenômeno Cangaço Nordestino; em sua terceira edição. Foram seis dias que consolidaram a admiração e respeito por esse cidadão paranaense, nordestino, brasileiro do mundo.

Em nossas andanças pelo sertão tórrido, pelas veredas das caatingas de nosso Ceará, percebeu-se rapidamente a grande afinidade de Zanotti com a grande e maravilhosa Mata Branca; habitat natural de seu objeto de estudo: Cangaço. O sorriso aberto e sincero mostrava-nos um homem  reencontrando alguns caminhos perdidos, mostrava um brasileiro disposto a conhecer mais de perto uma saga que marcou gerações e pontuou em nossa história como marco de toda uma geração de homens e mulheres que habitaram essas terras muitas vezes esquecidas e por algum tempo; longo tempo, quase vinte anos; comandada por Virgulino, o "Cego véi" que se tornou Capitão, o Capitão Lampião, Rei do Cangaço.

Não seria necessário dizer da natureza do cangaço e o que ele representou para as sociedades rurais de nosso nordeste, sobretudo nos idos entre 1915 a 1940, é por demais conhecido por todos que estudam os fenômenos sociais e suas repercussões, talvez também não fosse necessário dizer da grande influência que o fenômeno acabou legando as mais variadas manifestações culturais de nossa terra e gente: Na comida, na medicina, na estética, nas artes em geral; pintura, artesanato, música, dança, teatro... E foi a partir de um espetacular trabalho de um talentoso cearense; Marcos Barbosa e o seu Auto de Angicos, que retrata através da dramaturgia os momentos imediatamente anteriores ao horror vivido pelo casal mais famoso do cangaço, Lampião e Maria Bonita, antes da morte na Grota do Angico em Sergipe; que um surpreendente Zanotti desenvolveu sua obra em Lampião - Texto, Tela e Palco. 
Isento dos padrões muitas vezes habituais da abordagem do rei de todos os cangaceiros: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, que navegam entre o estereotipo de herói ou bandido, o trabalho zeloso de Zanotti nos remete a um olhar transversal, versando sobre aspectos muitas vezes deixados de lado por trabalhos que buscam tratar da mesma temática. A peça nos transporta às mais variadas e pertinentes reflexões sobre o comportamento humano, a partir da ênfase de seu personagem principal, Capitão Lampião; dessa forma só me resta dizer o quanto foi importante para nós do Cariri Cangaço, da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, contribuir, mesmo que de forma humilde com esse capítulo ímpar da dramaturgia brasileira. Parabéns Zanotti e parabéns aos leitores e espectadores....bom espetáculo.
Zanotti estará apresentando sua obra e batendo um papo pra lá de interessante, com todos os amigos na Noite Cariri Cangaço-GECC , no espaço Raquel de Queiroz da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, em Fortaleza, é nesta próxima quarta-feira, dia 2 de maio, sempre as 19 horas. Você é nosso convidado.

Manoel Severo 
Cariri Cangaço

O DESMUNHECANTE (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

O DESMUNHECANTE

A amiga tinha o maior cuidado com o amigo. Sabia do seu segredo e fazia tudo para não ser revelado. De família tradicional como era, seria o fim do mundo.

Se fingia de namorada perante os pais dele, sentava em diálogo amigueiro para mentir contando sobre as peripécias amorosas do garanhão da casa, dizendo do seu imenso ciúme pelas tantas beldades que davam em cima do seu amado.

Mas o negócio dele era outro. Não era mulher nem beldade, não se sentia bem nem pensando na possibilidade de beijar uma boca feminina, tocar em seios rígidos, acariciar um corpo de misteriosa geografia, pecar no paraíso ao lado de faminta tigresa.

Se lesse essas palavras certamente ficaria com raiva. Só o fato de presumi-lo em braços de mulher o encorajaria pra briga, ficaria valente demais, viraria homem em estado brutal. Homem ele era, mas só no nome.

Homem só no nome. E isso ele mesmo tinha orgulho de dizer, porém somente à sua fiel amiga, sua sempre presente guardiã. Verdade é que viviam trancados no quarto, ali reservados na entrega amorosa. Assim imaginavam os seus pais.

Mas não, pois o quarto parecia o antro de lágrimas e entristecimentos, com o rapazinho reclamando da vida, maldizendo a sorte de ter nascido do sexo masculino, resolvendo a cada instante que não suportava mais viver assim e sairia do armário de vez.

De repente corria e dava gritinhos saltitantes se despedindo da amiga e dizendo que ia se jogar da janela. Mas se cair dessa janela você não quebra nem uma unha, dizia ela. Então ele ficava ainda mais raivoso e dizia que ia fazer uma corda de calcinhas para se enforcar. E morrer vestida naquela de lycra vermelha. E danava-se a chorar, rolando por cima da cama.

Mas um dia a fiel amiga resolveu fazer um teste perigoso demais. Segundo ela, tiraria a prova de uma vez por todas da preferência sexual dele. Então, no quarto de porta trancada, enquanto ele estava de costas ela ficou completamente nua e correu para abraçá-lo e acariciá-lo.

Levou um empurrão que rolou por cima da cama até cair no chão. E o pior é que foi expulsa dali debaixo de palavrões e ameaças e com a sentença de que nunca mais, jamais em momento algum de sua vida, colocasse os pés ali nem lhe dirigisse a palavra.

E choroso afirmou ainda que não dormiria à noite inteira pensando naquela coisa horrível e repugnante que era uma mulher nua e ávida por sexo. E também não tinha dúvida que teria de fazer análise para se livrar desse horrendo trauma.

Contudo, já no dia seguinte telefonou chorando e pedindo todos os perdões do mundo à amiga. Disse ainda que se ela pudesse passasse ali pois teria que sair com seus pais até à casa de amigos e estava com muito medo de se comportar e gesticular de modo que aflorassem as maiores suspeitas.

Quanto à calcinha que usava por baixo não, pois sabia que ninguém descobriria, muito menos desvendaria a face feminina que morava em seu íntimo, em seu interior mais profundo. O problema era outro. Tinha medo de se descuidar e de repente dar uma desmunhecada daquelas; tinha medo de encontrar por lá um garotão e não poder suportar a tentação.

Tinha medo de muitas outras coisas. Medo de que os seus pais descobrissem o róseo lilás que emoldurava o seu ego; medo de sair do armário e ser jogado na rua, sem roupa e sem armário; medo de sofrer os sofrimentos tão próprios das mulheres.

A amiga perdoou-lhe pelo incidente e logo bateu na porta do quarto. E já sabendo dos seus medos, chegou municiada com um verdadeiro arsenal para combater as fragilidades que poderiam recair naquela mimosa figura perante a sociedade preconceituosa.

Daí que levou óculos escuros e uma tipóia. E disse que mesmo que fosse à noite o encontro teria de usar óculos escuros para a eventualidade de encontrar diante de si outro atraente olhar masculino. De óculos escuros poderia flertar à vontade que ninguém perceberia.

E a tipóia era pra fingir estar com um braço fraturado. Com o braço preso na horizontal, a mãozinha poderia muito bem se soltar como quisesse que ninguém perceberia o desmunhecamento.

E com a outra mão, faço o que? Perguntou ele. Faça tudo, menos pegar a taça com a pontinha dos dedos. Respondeu a amiga.


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Utopia Sim na noite Cariri Cangaço - GECC

Odilon Camargo e Manoel Severo

O brasileiro Odilon Camargo (São Bernardo do Campo-SP, 1951) começou no jornalismo em 1976, escrevendo para alguns jornais do Brasil direto de Londres, quando atuou na BBC. Em 1965 havia iniciado sua trajetória profissional na Rádio Primavera de Porto Ferreira-SP. Mais de quatro décadas atuando na TV, no Rádio e no Teatro,  em São Paulo,  Goiás, Brasília, Londres, Paris, Rio de Janeiro, Tocantins e em Fortaleza. 

Prepara, atualmente, a publicação do seu segundo livro,  UTOPIA SIM, THOMAS!, ficção que se passa em 2063, falando da RPM- Revolução Midiática Pacífica, ocorrida no Brasil no ano de 2013, que mudou radicalmente o nosso país e exerceu decisiva  influência  na queda do ICG -  Império  Civilizatório Global,  que reinava bélico e diabólico, no início do séc. XXI. De acordo com Serafim, ancião que narra toda a Utopia,  nos cinco anos pós- 2013, o Brasil finalmente nasce como Nação. Com a queda da Grande Mídia, surgem  trinta e três mil Vilaldeias, desaparecendo as Regiões Metropolitanas. Ato contínuo, desaparecem as drogas, a violência, a miséria, o analfabetismo e todos os problemas com Educação e Saúde. Diante da nova realidade, os três poderes quedam-se desnecessários, e são extintos.  

 “Só a Utopia nos Salva” é o título da palestra de Odilon Camargo, convidado especial e conferencista da Noite Cariri Cangaço-GECC na próxima quarta-feira, dia 02 de maio, às 19hs., no espaço Raquel de Queiroz da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi em Fortaleza,  abordando a essência do livro UTOPIA SIM, THOMAS!, segundo ele, uma homenagem-resposta a Thomas Morus, autor da Utopia publicada em 1516. Duração: 50 minutos. Você é nosso convidado.

Manoel Severo
Cariri Cangaço

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O cangaço e Melquíades

Por Renato Casimiro
 
Amigos do Cariri Cangaço: logo, logo também estará saindo esta beleza de trabalho do Mestre Melquíades Pinto Paiva. Talvez, antes que Maio se acabe.

Renato Casimiro
Conselheiro Cariri Cangaço

CANGAÇO

Cangaço

A violência aplicada na colonização para tomar posse das terras indígenas, ainda pairava no ar seco do sertão.
Nos brejos perenes e em períodos de chuva, o interior nordestino tornava-se promissor e produzia muito, mas entre as fazendas havia muitos bandidos que ameaçavam esse progresso.
Os coronéis, que exploravam e oprimiam o povo, não admitiam as ações desses bandidos em seus territórios, tendo nos jagunços e na volante da polícia a segurança local.
Essa contradição de segurança despertou em homens bravios, o sentimento de injustiça, e o abuso de autoridade por parte dos coronéis gerou rixas, que fizeram surgir o cangaço no contexto histórico nordestino.
O cangaço tomou força no começo do século XX e os grupos atuavam em todo o sertão, foi um acontecimento social que produziu uma cultura ímpar, com indumentária, música, versos, dança e um jeito de ser bem característicos.
Luiz Gonzaga tomou emprestadas essas características e absorveu essa cultura para se lançar no cenário da música brasileira.
Os cangaceiros eram homens valentes que começaram a agir por conta própria, através das armas, desafiando grandes fazendeiros e cometendo agressões. Geralmente, os cangaceiros saíam da lida com o gado.
Eram vaqueiros habilidosos, que faziam as próprias roupas, caçavam e cozinhavam, tocavam o pé-de-bode (sanfona de oito baixos) em dias de festa, trabalhavam com couro, amansavam animais, desenvolvendo um estilo de vida miliciano e, apesar da vida criminosa, eram muito religiosos.
A astúcia e a ousadia nos ataques às fazendas e cidades era outra característica desses guerreiros, que quase sempre saíam vitoriosos das investidas, mas às vezes levavam desvantagem, por isso tinham uma vida cigana, de estado em estado, de fronteira em fronteira.
Vestiam-se com roupas de tecido grosso, ou até com gibão, calçavam alpercata, usavam chapéus de couro com abas largas e viradas para cima, gostavam de lenços no pescoço, de punhais compridos na cintura, cartucheiras atravessadas ao peito disputando espaço com as cangas, que eram as bolsas, cabaças e outros suportes, utilizados para transportar os objetos pessoais.
Pelo Nordeste havia vários grupos de cangaço, porém o mais famoso foi o de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, um pernambucano que desafiou todos os poderes políticos. Ficou conhecido pela bravura, a qual Luiz Gonzaga venerava e cantava.

Luiz Romão também é cultura Nordestina


Caros leitores. 
Pesquisando na internet encontrei um blog "Língua Grande Cultural" do amigo "Benjamin Almeida" que também posta artigos sobre a cultura e o cangaço brasileiro. No dia 26/04 encontrei  em seu blog uma postagem muito interessante de um homem soldado de polícia de Pernambuco, conhecido por "Luz Romão, seu nome na polícia se chamava "Luiz Ferreira" e lutou contra o cangaço  de Lampião. Ao término do cangaço, continuou na polícia. Foi injustiçado ao defender um companheiro de farda que estava sendo linchado por alguns homens.
Segue abaixo postagem completa copiada do blog Língua Grande Cultural, do amigo Benjamin Almeida.
“Sou um soldado da polícia Pernambucana. Sentei “praça” para perseguir “Lampião” e defender minha corporação, mais por ter defendido um companheiro  da “morte” hoje vivo lutando contra a prisão. Mas sempre sou o soldado Luiz Ferreira, conhecido por “Luiz Romão”(Luiz Romão na idade de 34 anos, mais ou menos).

Luiz Ferreira do Nascimento, que mais tarde seria reconhecido e imortalizado como “Luiz Romão”, nascido na cidade de Flores - PE, em 15 de Outubro 1916, filho de José Ferreira do Nascimento ( José Romão ) e Jacinta Gomes de Oliveira. Tendo em seu pai “José Romão”,  que já fazia parte da Força Volante da cidade de Flores-PE, seu maior exemplo, Luiz Ferreira do Nascimento  ingressou também na Força Volante aos “ 17 anos de idade” travando vários combates com “facções” do Bando de LAMPIÃO. Sendo extremamente corajoso e habilidoso quanto ao manuseio de armas e táticas da “Caatinga”, com o fim do  “Cangaço” no Sertão, foi escolhido como ORDENANÇA DIRETO DO CORONEL MANOEL NETO. Sentou praça em algumas cidades do Sertão como Flores, Ibimirim, Serra Talhada, Arcoverde, entre outras. Em todas as cidades em que “Luiz Romão” trabalhou como ORDENANÇA DIRETO DO CORONEL MANOEL NETO, fez imperar a Lei e a Ordem, pois não havia missão impossível para o mesmo. Por um lamentável episódio ocorrido em Arcoverde, quando lá destacava, estava de folga nesse dia, quando escuta alguém “gritar” por seu nome; tratava-se de uma mulher que em desespero falava que “havia alguns homens tentando matar um soldado...” Sem pensar duas vezes ele se dirige rapidamente para a cena do crime e se depara do que ele chamava de “linchamento”, o soldado estava sendo “golpeado” a faca e pauladas, por vários homens; outro soldado observava como que pasmo, pois não esboçava nenhuma reação. LUIZ ROMÃO DE ARMA EM PUNHO “GRITA”; “SOLTA O SOLDADO, SOLTA O SOLDADO!!!”, é quando dois homens enfurecidos vêem  ao seu encontro de “ peixeira” em punho e tenta esfaqueá-lo sem dar-lhe  chance de defesa, rápido e habilidoso como era “Luiz Romão” desfere um disparo que atinge um dos homens no pescoço, o outro, com um segundo disparo é atingido no coração, onde tiveram, os agressores, morte instantânea... Sendo “Luiz Romão” impelido pela “turba” a continuar os disparos, tombam mais dois homens mortos. O restante dos agressores foge. O soldado que estava sendo “linchado” escapa gravemente ferido. Por a justiça, na época não entender os detalhes do “fato” ocorrido, “Luiz Romão” se tornou foragido. Foi perseguido, cercado várias vezes, mesmo policial, teve que trocar “tiros“ com a POLÍCIA, pois preferia  a “morte” a ser preso. Mudou de cidade várias vezes, mudou de nome, mais por fim, foi INOCENTADO. “Luiz Romão fixou residência na cidade de Serra Talhada, TERRA DE “LAMPIÃO”, onde seus pais e alguns de seus irmãos já residiam, adotando assim, Serra Talhada, como sua cidade, onde viveu por mais de quarenta anos, tendo falecido no dia 7 de Abril de 2003. Toda a sua “história” será contada em um livro... Detalhes do seu convívio com o Cel. Manoel Neto, seus cercos, suas fuga, seus amigos e parentes; as mortes de seus irmãos e sua vingança sua luta para manter-se vivo e conseguir provar sua “INOCÊNCIA”. Com isso “HONRANDO” seu “NOME” de geração após geração.
O “livro” será lançado em 2012 e terá como tema: “LUIZ ROMÃO, para mim, MAIS VALENTE QUE “LAMPIÃO”.
REDAÇÃO:  Edson Luiz Ferreira Barros [Edson Romão] 
FONTE: LINGUA GRANDE CULTURAL

Extraído do blog do Neto