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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Extra - Boa notícia para os nossos leitores

Banco do Brasil abre concurso em 15 estados de quatro regiões do país

Estados são AC, AP, AM, CE, MA, MT, PB, PR, PE, PI, RN, RO, RR, SC, SE. Cargo é de escriturário; salário é de R$ 1.892,00.

O Banco do Brasil abriu concurso para formação de cadastro de reserva para o cargo de escriturário, nos estados do:

Acre, 
Amapá, 
Amazonas (parte do estado),
Ceará, 
Maranhão, 
Mato Grosso, 
Paraíba, 
Paraná, 
Pernambuco, 
Piauí, 
Rio Grande do Norte, 
Rondônia, 
Roraima, 
Santa Catarina (parte do estado) 
e Sergipe. 

O salário é de R$ 1.892,00 para jornada de trabalho de 30 horas semanais. O provimento das vagas está sujeito ao planejamento estratégico e às necessidades do Banco do Brasil.

O candidato deve ter ensino médio e idade mínima de 18 anos completos até a data da contratação.

De acordo com o edital, ficam asseguradas as admissões, conforme necessidade de provimento, dos candidatos classificados nas seleções externas 2011/001, 2011/002 e 2011/003 até o término de suas vigências (04/03/2013, 29/04/2013 e 28/09/2013, respectivamente).

O concurso 2011/001 abrangeu 36 cidades do Norte, Nordeste e Sul, nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Paraíba e Paraná. O concurso 2011/002 englobou 48 cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste nos estados do Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Sergipe. O concurso 2011/003 engloba 51 cidades no Norte, Sul e Sudeste, nos estados do Amazonas, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Os candidatos poderão realizar a inscrição por meio do endereço eletrônicowww.concursosfcc.com.br das 10h do dia 19 de outubro às 14h do dia 5 de novembro, e nos postos credenciados pela Fundação Carlos Chagas, constantes do Anexo III do edital. Os postos de inscrição estarão em funcionamento no período das inscrições, em dias úteis, das 9 às 12h e das 13h às 17h. A taxa é de R$ 40.

Ao se inscrever o candidato deverá indicar no formulário de inscrição o código da opção de  macrorregião/microrregião de classificação para a qual pretende concorrer e a cidade de realização da prova, conforme tabela constante do anexo I do edital.

As atividades do escriturário são comercialização de produtos e serviços do Banco, atendimento ao público, atuação no caixa (quando necessário), contatos com clientes, prestação de informações aos clientes e usuários; redação de correspondências em geral; conferência de relatórios e documentos; controles estatísticos; atualização/manutenção de dados em sistemas operacionais informatizados; execução de outras tarefas inerentes ao conteúdo ocupacional do cargo.

O candidato será classificado por macrorregião e por microrregião, de acordo com a sua opção no ato da inscrição. O candidato classificado será convocado, em função das necessidades do banco, a assinar contrato individual de trabalho com o banco, que se regerá pelos preceitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O candidato poderá ser convocado, uma única vez, para microrregião diferente daquela em que se inscreveu desde que exista vaga e não haja candidato classificado para preenchê-la. Nesse caso, o Banco do Brasil utilizará a ordem de classificação da macrorregião. Se o candidato não aceitar tomar posse na dependência fora da microrregião em que se inscreveu, será excluído da classificação por macrorregião, mantendo, porém, a classificação na microrregião em que se inscreveu.

A seleção terá provas objetivas e prova discursiva-redação. Os procedimentos pré-admissionais, exames médicos e complementares serão de competência do Banco do Brasil.

A aplicação das provas objetivas e da prova discursiva-redação está prevista para o dia 13 de janeiro de 2013, no período matutino, e serão realizadas nas cidades indicadas no anexo I do edital.

A prova de conhecimentos básicos terá português, raciocínio lógico-matemático e atualidades do mercado financeiro. A prova de conhecimentos específicos terá cultura organizacional, técnicas de vendas, atendimento (focado em vendas), domínio produtivo da informática e conhecimentos bancários.

Fonte G1
 luzdefifo.blogspot.com
http://blogdojuazeiro.blogspot.com.br/

Mais 50 contos pela cabeça de Lampião

Por: Rostand Medeiros
Rostand Medeiros e Drª. Francisquinha

Quando uma conceituada perfumaria carioca ofereceu muito dinheiro pelo fim do "Rei do Cangaço"

Um oferecimento para corajosos

Quem lê e se debruça sobre o tema cangaço, certamente já teve oportunidade de visualizar um famoso anúncio onde o governo do estado da Bahia oferecia 50 contos de réis pela captura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também conhecido como “O Rei do Cangaço”.

Mas aquele anúncio de captura não foi o único. Em 1932 houve outro, que oferecia o mesmo valor, cuja iniciativa partiu de uma perfumaria que tinha sede na carioquíssima Praça Tiradentes, em pleno centro do Rio de Janeiro, então Capital Federal.

 Muito dinheiro.

Creio que quem primeiro comentou sobre este interessante fato foi o pesquisador e escritor baiano Oleone Coelho Fontes, no seu livro “Lampião na Bahia”. Nas páginas 198 a 207 (4ª edição) desta interessante obra, o autor lista inúmeros casos de pessoas, alguns destes antigos militares, que através de jornais cariocas informavam que estavam a disposição de seguirem para o longínquo sertão, na intenção de capturar, ou matar, o mais temido bandido brasileiro. Percebemos que estas pessoas procuravam muito mais a promoção midiática, do que tentar realmente resolver o caso Lampião.

Entre outras iniciativas de captura apontadas por Oleone, se encontrava uma feita por uma empresa, a Perfumaria Lopes. Esta conceituada casa comercial, inaugurada no início da década de 1920, informava através de um anúncio publicado na imprensa carioca (reproduzido no jornal soteropolitano “A Tarde”, edição de 12 de junho de 1931), que oferecia 50 contos de réis pela captura do famoso cangaceiro.

A empresa anunciava que o prêmio poderia ser conquistado por qualquer pessoa, civil ou militar, desde que provasse ter alcançado seu êxito através da apresentação de documentação autenticada por autoridade competente (Ver Fontes, O. C. Pág. 207, nota nº 272).

O jornal em que a nota foi publicada em Natal, RN.

Aparentemente a Perfumaria Lopes gostou da iniciativa, pois no ano seguinte, na mesma época, renovava a publicação do anúncio de 50 contos pela captura do “Rei do Cangaço”. Consegui encontrar este anúncio na edição de 13 de junho de 1932, do jornal natalense “A Republica”.

Mas enfim, isso era a sério? Ou seria apenas uma ação de marketing?

No meu entendimento, toda esta movimentação era puramente uma ação de propaganda. Não sei o que o operoso proprietário da empresa pensava sobre Lampião e suas ações, mas morando no distante Rio de Janeiro, certamente ele deve ter percebido que dificilmente alguém da sua região ganharia a premiação.

Mas se aparecesse um cidadão queimado do sol nordestino, trazendo a cabeça de Lampião em uma lata de querosene da marca “Jacaré”, em meio a uma grande quantidade de cal virgem para não apodrecer tão rápido, certamente o proprietário desta conceituada casa lhe pagaria, pois dinheiro não lhe faltava.

 Fonte - Revista Careta, número 935, 22 de maio de 1926.

A perfumaria Lopes pertencia ao Comendador José Gomes Lopes, que também era proprietário da Fábrica de Cosméticos Beija-Flor, era um imigrante português que enriqueceu no Rio de Janeiro. A sede principal da Perfumaria Lopes S. A. se situava na Praça Tiradentes, em um grande ponto comercial que ia do número 34 ao 38 e ainda possuía uma filial na Rua Uruguaiana, igualmente no Rio de Janeiro.

Mas havia sucursais por todo o Brasil e seu produtos tinham refino e qualidade.

Nas memórias de José Bento Faria Ferraz, que foi secretário particular do escritor Mário de Andrade por 11 anos, lembra que um dos mais importantes intelectuais da cultura brasileira era um homem “muito refinado”, mas tinha sérios apertos financeiros. “Apesar de sua pobreza”, como dizia José Bento, o escritor sempre solicitava que o colaborador fosse a Perfumaria Lopes, situada à Rua José Bonifácio, para comprar uma loção “para passar na careca”.

O Comendador Lopes tinha uma visão muito positiva em relação à propaganda. Vamos encontrar a sua casa comercial como o primeiro anunciante da famosa Rádio Nacional, transmitidas em ondas médias, enquanto o tradicional “Leite de Colônia” patrocinava em ondas curtas. A perfumaria foi também um dos patrocinadores do igualmente famoso “Repórter Esso”.

 Fonte - paniscumovum.blogspot.com

Não encontrei mais nenhuma informação sobre esta iniciativa e o destino dos 50 contos de réis. Não tenho certeza, mas tudo indica que o sargento Bezerra, o homem que comandou os policiais que exterminaram Lampião em 1938, não foi ao Rio solicitar o prêmio.

Mas a simples existência deste tipo de anúncio em jornais de grande circulação da Capital Federal mostra o quanto a figura de Lampião era conhecido nacionalmente. Mas foi também esta fama, principalmente após a divulgação do famoso filme do libanês Benjamim Abrahão, que indubitavelmente chamou a atenção das autoridades federais do período do Estado Novo.

Os poderosos do Rio passaram a cobrar uma ação mais efetiva das autoridades estaduais nordestinas e para concretizar a derrocada deste cangaceiro. E assim foi feito.

O já conhecido anúncio de recompensa por Lampião, pretensamente oferecido pelo governo baiano. In  www.anovademocracia.com.br

Em Natal, a Perfumaria Lopes era representada pela firma César Comércio e Representações Ltda. Empresa criada pelo empresário Júlio César de Andrade em 07 de Março de 1932, com sede na travessa México, 85, no tradicional bairro da Ribeira.

Pescado no sempre essencial "Tok de História"

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/

“EU NÃO SOU HERÓI-A HISTÓRIA DE EMIL PETR”

Por: Rostand Medeiros

Biografia resgata a história de um simpático norte-americano, veterano da II Guerra Mundial e a sua relação com a terra potiguar.


A trajetória de Emil Petr é uma das tantas histórias que, de tão ricas, fascinantes e extraordinárias, precisam ser contadas em livro, divididas com todos aqueles que não têm o privilégio de conhecê-lo ou de ouvir falar deste homem.

Descendente de Tchecoslovacos, católico, nasceu em uma pequena cidade do Meio Oeste dos Estados Unidos e foi testemunha da crise econômica de 1929. Durante a II Guerra Mundial saiu de seu rincão para ser navegador de um bombardeiro B-24 da Força Aérea Norte-americana. Antes de chegar a sua base no sul da Itália, esteve no Nordeste do Brasil, tendo um primeiro contato com a terra que um dia seria seu lar. Na Europa participou de inúmeras e perigosas ações de combate. Em setembro de 1944 seu avião foi derrubado, mas ele sobreviveu e tornou-se prisioneiro dos nazistas.

Após os episódios envolvendo a guerra retornou ao seu país natal, onde se tornou empresário do ramo da construção civil. Mas depois de todas as experiências como prisioneiro, desejou dar uma radical guinada na sua vida e se tornou voluntário da Igreja Católica junto a comunidades campesinas na América Latina. Isso acabou trazendo Emil Petr para o Rio Grande do Norte em 1963.

Aqui trabalhou junto a Dom Eugênio Sales no chamado Movimento de Natal. Logo conheceu a caicoense Célia Vale Xavier, com quem se casou e conheceu o sertão potiguar e sua gente.

Nestes quase cinquenta anos de convivência de Emil Petr com o Rio Grande do Norte, ele se integrou plenamente a nossa sociedade e onde vive até hoje, aos 94 anos.

Todos esses acontecimentos, com riqueza de detalhes são divididos conosco, em mais de 300 páginas e 250 fotos, pelo pesquisador Rostand Medeiros, que iniciou este trabalho em setembro de 2009, entrevistando longamente Emil, familiares, reunindo relatos e material para a enorme pesquisa que desencadearam na escrita de “Eu não sou herói – A história de Emil Petr”.

Os prefácios são da socióloga Safira Bezerra Amman e do publicitário João Daniel Vale de Araujo.

Maiores detalhes sobre este livro acesse 
http://tokdehistoria.wordpress.com/

Rostand Medeiros:

Autor das biografias “João Rufino, um visionário de fé” (2011) sobre o criador do grupo industrial Santa Clara e “Fernando Leitão de Moraes – Da serra dos canaviais à cidade do sol” (2012). Coautor do livro “A saga do voo de Ferrarim e Del Prete” (2009), trabalho apoiado pela Embaixada da Itália no Brasil, Força Aérea Brasileira e Universidade Potiguar. Fascinado pela história da Segunda Guerra Mundial, Rostand realizou uma ampla pesquisa e reuniu extenso material para trazer a nós este “Eu não sou herói”, um importante registro de uma interessante figura histórica.

Jovens Escribas / Bons Costumes

Este é mais um lançamento do “Bons Costumes”, selo da “Jovens Escribas” para livros produzidos por encomenda. A família Vale e o autor, Rostand Medeiros, confiaram a nobre tarefa de materializar o trabalho que já vinham realizando há vários anos. Trata-se do segundo lançamento com a marca “Bons Costumes” só neste mês de outubro. O primeiro será “Otto Guerra – Traços e reflexos de uma vida” de Zélia Maria Guerra Seabra, no próximo dia 25.

Lançamento de “Eu não sou herói – A história de Emil Petr” (Rostand Medeiros):


Local: Iate Clube de Natal
Data: 31 de outubro de 2012 (quarta-feira)
Hora: A partir das 19h 
Informamos que a partir do dia 31 de outubro o livro estará a disposição do público nas livrarias......, pelo valor de R$ 50,00.

Contatos do autor:
Rostand Medeiros – rostandmedeiros@gmail.com
(84) 9904-3153 / 9140-6202

Enviado pelo autor deste livro
http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

Quintais - (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

QUINTAIS

Já tive quintais, já senti o prazer de abrir a porta dos fundos e encontrar mato e bicho bem ali pertinho. Hoje não, pois os autênticos quintais, aqueles de fogo de chão e varais de revoadas, só restam nas cidadezinhas interioranas e dolorosamente tenho de me contentar com a área dos fundos, murada, cimentada, sem uma planta sequer.

Por aqui - na cidade que nem adormece tranquila e sossegada e nem deixa ninguém sonhar com o berço interiorano de nascimento -, é preciso tornar o quintal uma parte da própria casa, com a máxima proteção, de muro alto e sem nada que possa lembrar as áreas descampadas que faziam extensão da porta dos fundos. Porta que muitas vezes ficava aberta para facilitar o encantamento com a lua lá em cima.


Aqui é tudo diferente, tudo frio, feio, desumano, cimento e cinza e demais. Pelo muro não se avista o vizinho, não há passagem para lugar algum, não há cancela que se abra adiante e leve às veredas dos espinhos e dos passarinhos. Há, talvez, uma planta de plástico, um cercado de ferro, um piso tão duro que a semente jogada esturrica por cima. E nada mais do que a saudade e a tristeza no olhar.

Os quintais, esses terrenos de terra nua nos fundos das casas, possuem uma utilidade ao mesmo tempo sentimental e histórico-geográfica. Sentimental porque muito do preservado ali remonta a um tempo mais distante, do afazer cotidiano da família; histórico-geográfico porque sua manutenção diz muito das transformações ocorridas ao redor, além de ser ambiente geralmente interligado ao mundo lá fora.

 Nos quintais são jogadas casualmente as sementes que vão brotando ao léu; são plantadas pequenas hortas ou árvores frutíferas; locais por onde cisca a galinha, passeia o galo velho; ali está colocado o velho pilão de bater café, herança da escravidão; onde o tanque de cimento espera a roupa pra ser lavada e os varais se estendem de canto a outro. Ali há também uma cobertura pra não deixar molhar o fogo de lenha.

Nos quintais existem mangueiras, goiabeiras, mamoeiros, e trepadas nelas as gaiolas dos passarinhos que o menino insiste em criar. Num canto, cuidadosamente cercada por pedaços de ripas está a farmácia do sertanejo, a botica matuta contendo a hortelã, os mastruço, a erva cidreira, o boldo, e todo tipo de plantinha que, na infusão ou no maceramento, faz mais efeito do que a medicação do doutor.

Lá por detrás, quase na embocadura do mataria, o garoto faz um cercadinho, limpa ao redor, coloca algumas pontas de vaca e diz que é fazendeiro, um rico sertanejo em meio ao seu imenso rebanho. Brinca o tempo todo ali, mas com muito cuidado, pois quintal também lugar de passeio e até moradia de serpente venenosa, de aranha de queimação e de piolho de cobra. Por isso mesmo o pai vive gritando pra ter cuidado com tudo ao redor.

Como que pregado ao chão, vez que sempre ali debaixo do sol e da chuva, todo quintal que se preze possui um tronco de madeira deitado no chão ou mesmo um banquinho esperando que alguém chegue para o seu instante de nada fazer. Então por ali chega o dono da casa de cigarro de palha no canto da boca e começa a olhar pelos cantos, a dona da casa de pano enrolado na cabeça e uma vasilha para pinicar quiabo, a velha solitária para conversar sozinha.

Nos quintais escurecidos, aqueles cujos arvoredos formam muralhas que escondem mistérios e outras realidades, pessoas se encontram, namorados saciam suas sedes, pequenos ilícitos são praticados costumeiramente. A galinha gorda some do galinheiro, levam uma ponta de vaca da fazenda do menino, pé ante pé afanam a planta medicinal.


E logo cedinho, ainda de madrugada, sobem na goiabeira para fazer a festança no que é dos outros. Se fosse só isso, mas some mamão e também sapoti. Mas não adianta, o traquina do molecote da rua debaixo parece que não tem outra coisa para comer na manhã. E balançando a cabeça como a dizer que não tem jeito mesmo, vai a dona de casa de cesto na mão colher a fruta que restou, um punhado de folhas para fazer um chá, os ovos da galinhada.

E é nesse momento que percebe o sumiço da galinha gorda. E um grito raivoso invade a manhã, pula as cercas, alcança os outros quintais. E assim vai a vida pela porta dos fundos, pelos maravilhosos quintais.
  
(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE. 

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

ATRAVESSANDO O RASO DA CATARINA NOS RASTROS DOS CANGACEIROS

Por: João de Sousa Lima

Dia 17 de outubro de 2012 eu, Felipe Marques e Marcos Passos (dois Macaenses quase nordestinos) saímos de Paulo Afonso, Bahia, para cruzarmos o Raso da Catarina nas trilhas dos Cangaceiros.

No momento o Raso da Catarina atravessa mais de dois anos de seca e as dificuldades dos criadores de fundo de pasto aumentam a cada dia, a seca desfolhou completamente a vegetação que dependendo de apenas poucos pingos de chuva volta a enverdecer.

Cruzamos os povoados Juá, Serrota, Brejo do Burgo e chegamos ao Salgado do Melão onde entrevistamos dona Joana Ribeiro, irmã mais nova da cangaceira Dadá. Dona Joana hoje com 96 anos de idade ainda é lúcida e lembra das passagens dos cangaceiros e das violências sofridas por parte das volantes policiais.

Do Salgado do Melão seguimos pra cidade de Macururé e de lá até o povoado São José, em Chorrochó, para visitarmos o soldado da volante de Zé Soares, o senhor Teófilo Pires do Nascimento. Teófilo foi o matador do cangaceiro Pedro "Calais". Ainda no povoado São José fomos entrevistar Zé de Helena, um dos possíveis filhos de Lampião.

Com o cair da tarde retornamos e já escuro atolamos o carro na areia só conseguindo sair com a ajuda dos nativos. A aventura estava completa, chegamos a Paulo Afonso exaustos porém com uma grande aventura na bagagem e muitas histórias pra contar.


Felipe Marques, senhor Filomeno (com um jumento carregado de mandacaru pra alimentar seus animais que penam com a seca) e Marcos Passos, próximo a Baixa do Ribeiro (onde nasceu a cangaceira Dadá), centro do Raso da Catarina.


Filomeno parou por alguns minutos para conversarmos e depois seguiu sua sina, sertão à dentro, luta constante, batalha sem fim.


Marcos Passos, Joana Ribeiro (irmã de Dadá), Abel e João, no povoado Salgado do Melão.


Baixa do Ribeiro, lugar onde nasceu a cangaceira Dadá e passagem  dos cangaceiros.


Marcos e Felipe começando a empurrar o carro que ficou presa nas terras do Raso da Catarina.


João e Teófilo Pires do Nascimento, o soldado de Volante que matou o cangaceiro Calais.


Felipe, Teófilo e Marcos, um encontro emocionante.


No povoado São José uma casa construída pelo pedreiro José, o depois cangaceiro Zé baiano, Zé de Helena, filho de lampião com uma das moças da família dos "Engrácias", João e o filho de Zé de Helena que também chama-se João.


Macururé, no alto sertão baiano essa é uma das cidades onde as histórias do cangaço deixaram marcas profundas.


No centro de Macururé Marcos Passos e João saboreiam um churrasquinho de carneiro.


No Brejo do Burgo uma parada para agradecer os nativos que nos surpreenderam pela disponibilidade onde homens e crianças nos ajudaram a desenterrar o carro de um imenso areal.

Uma aventura que nos fez compreender a dimensão dos caminhos trilhados pelos cangaceiros, tudo acontecido nesse enigmático deserto baiano, o Raso da Catarina.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima











quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Matéria publicada no jornal Tribuna do Norte: A cartografia poética de Gonzagão

Bené Fonteles, autor do livro que inspirou o filme Gonzaga, De Pai Para Filho,é uma das atrações do Festival Literário da Pipa
Bené Fonteles, autor do livro que inspirou o filme Gonzaga, De Pai Para Filho,é uma das atrações do Festival Literário da Pipa

Câmara Cascudo escreveu na contracapa de um disco de Luiz Gonzaga: "O sertão é ele". Ninguém duvida. O músico, jornalista e escritor paraense Bené Fonteles reforça a importância do ícone nordestino com o livro "O Rei e o Baião", tido como uma obra definitiva para se entender e conhecer mais o legado do músico que pôs a música nordestina no mapa cultural do Brasil no século XX. Bené virá ao Estado para lançar o livro e participar da mesa "Luiz Gonzaga: Uma Poética Musical", dia 24 de novembro, durante o 4º Festival Literário da Pipa (o evento começa dia 22). Ele dividirá a prosa com Marcos Lopes, criador do Forró da Lua, e o pesquisador pernambucano Paulo Wanderley. A assinatura de Cascudo e outros tantos dados foram relacionados no livro - que para ele, faz parte de um processo que ele conduz desde os anos 70, quando conheceu Gonzagão. Seu livro também inspira o filme "Gonzagão: de pai para filho", que estreia próxima semana. Ao VIVER, ele falou longamente sobre seu ídolo e objeto de estudo.

O que você abordará na mesa "Uma poética musical", sobre Luiz Gonzaga, na Flipipa, em novembro?

Desde a importância da lírica nordestina do cordel, aos cultos parceiros de Luiz Gonzaga, como Humberto Teixeira e Zé Dantas, que contribuíram para a construção de uma cartografia poética que abrangia o Nordeste em seus mais ricos costumes e sabedorias, paisagens e ambiências, religiosidade e crendices, situação econômica e política como, talvez, não houve igual na musica popular brasileira. As dezenas de parceiros de Gonzaga deram às suas melodias e recriações musicais um roteiro ou mapa cultural e espiritual do Nordeste que ainda está sendo estudado pelos acadêmicos da área de antropologia e sociologia cultural. Na verdade, em 1947, Gonzaga e Teixeira criam um movimento cultural com uma música manifesto que é "Baião" e trazem do Nordeste para o Sul a música nordestina então desconhecida e uma cultura desprezada que passou a ditar não só uma "dança da moda" mais uma forma de ver e sentir o mundo brasileiro e universal para todo país. Foi num movimento extraordinário, uma "operação inversa" como dizia Sivuca, quando era o Sul que ditava a moda e os ritmos, e ainda dita. A força do arquétipo ou ícone que Gonzaga criou juntando a figura do cangaceiro com o vaqueiro e criando um mixagem cultural única e original, foi o que ficou de forma emblemática. Só Carmem Miranda havia conseguido tal feito com sua baiana estilizada, além do seu talento, carisma e originalidade iguais ao Rei.

Como foi o processo de produção de "O Rei do Baião"? Como surgiu e quanto durou?

A vontade do livro vinha de muitos anos de pesquisa, mas se tornou muito oportuna com a criação do museu Cais do Sertão Luiz Gonzaga, em Recife, e o interesse do Ministério da Cultura em fazê-lo e incentivar através do Fundo Nacional de Cultura a feitura do livro em 2010, sem falar na proximidade do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga este ano. Depois de tudo que tinha de discos, livros, filmes, cordéis que fui resenhando, a pesquisa e o tratamento do material iconográfico que levantei em viagens pelo Nordeste, foi importante convidar os ensaístas como Antônio Risério, Elba Braga, Hermano Viana, Sulamita Vieira e Gilmar de Carvalho, alguns com livros de teses de doutourado já publicadas sobre a obra de Gonzaga, sem falar na provocação a vários artistas para criarem obras sobre o Rei e seu universo imagético. Para editar tudo isso não levei nem dois anos, mas a pesquisa venho fazendo desde os anos 70, quando escrevi em 1971 o espetáculo "Luiz Lua, Obrigado!" para o Teatro Universitário da UFC, em Fortaleza, e quando em 1972 comecei minha amizade com Gonzaga, e ele mesmo foi me municiando de material sobre sua obra.

O que te surpreendeu durante as pesquisas para o livro? Houve algo que você ainda não sabia?

Pude confirmar a imensa generosidade de Gonzaga com as pessoas ao seu redor, incluindo desconhecidos. Deu mais de 400 sanfonas e ajudou Deus e o mundo. Ouvi muitos "causos" verdadeiros e emocionantes. Descobri imagens que ainda permaneciam inéditas ou pouco conhecidas e revelamos um Gonzaga com mais força poética e influência cultural do que imaginávamos. O livro usa o belo pretexto e sua imagem icônica para revelar um Nordeste ainda não todo conhecido e sempre muito fascinante.

Como era a sua relação com a música de Luiz Gonzaga e com o próprio?


Desde menino meu pai cearense me aplicava a música do Rei. Morei no Ceará da minha infância a juventude e não tinha como não ouvir, principalmente nas festas juninas. Quando conheci Gonzaga, em 1972, era para levar a ele o texto do espetáculo que escrevera e recortes de jornais alusivos a este. Fiz a primeira entrevista da minha vida, e foi com ele; criou-se uma imediata empatia que durou até o fim da sua vida. Fiz o projeto do Museu do Baião em Exu no começo dos anos 80, em 83 ele gravou no meu disco "Benditos" um aboio que é uma benção. Devo a ele tanta coisa que o livro e a exposição que montei "O imaginário do rei - Visões sobre o Universo de Luiz Gonzaga" em Recife, Salvador, Fortaleza, João Pessoa e agora vindo a Brasília, ainda é muito pouco. Sou coordenador do Ano Luiz Gonzaga e ainda podemos fazer muito além do centenário para que sua obra e o Nordeste sejam reconhecidos com todas as suas potencialidades.


Está prestes a ser lançado o filme "Gonzaga - De pai para filho", de Breno Silveira, sobre a relação de Luiz com Gonzaguinha. Qual sua expectativa em relação ao filme?


A melhor possível. Breno é muito bom diretor e Chambinho, que fez um dos Gonzagas, me disse que Breno deu o livro "O Rei e o Baião" para todo mundo do elenco como fonte de inspiração. Isto me deixou feliz, pois fiz o livro para inspirar outras realizações e agradar a quem ama Gonzaga e aprofundar a quem pesquisa sobre sua obra.

O quanto a identidade cultural nordestina deve a Gonzagão nos últimos 50 anos? Em que isto se nota?

Em tudo e mais alguma coisa. Ele influenciou de cabo a rabo, não só pelos compositores que se seguiram, mas pelos costumes nordestinos que sua musica propagou pelo país. Quando ele apareceu, nordestino era chamado pejorativamente de "baiano", "paraíba", "ceará". Ele deu outra dimensão cultural a este povo exilado no Sul pelas agruras das "vidas secas", elevou as potencialidades culturais máximas da cultura de um povo. Ele foi o cantor do exílio. Estes exilados propagaram sua musica no Sul ao se identificarem com toda a cartografia que ele assimilou, traçada por seus geniais parceiros. Não houve ninguém que fez tanto pela identidade cultural de uma região.

Como a obra de Gonzagão ultrapassou o Nordeste e influenciou a música brasileira em geral?

Pela via da indústria fonográfica, que ascendia, e a febre do rádio que consumia o país e mudava paradigmas como faz a televisão há décadas e agora a Internet. Gonzaga soube criar uma imagem icônica com uma sensibilidade e esperteza únicas, que deu cara relevante ao Nordeste e reforçou a identidade cultural brasileira como nunca. Gonzaga, uma "entidade universal brasileira", como preferia Mário de Andrade. Câmara Cascudo escreveu a pedido de Gonzaga um texto para a contra capa de um de seus discos, e disse: "O sertão é Ele". Precisa mais?

O que você acha do atual estado do forró?

O que está no mercado é um estado de forró em estado grave. Coisa de UTI estética. Plastificou-se, perdeu a raiz ancestral e a poética musical dos mestres. Deixou de ter a formação clássica instrumental criada por Gonzaga, para agradar um gosto duvidoso musical e temático. Mas tem tanto guardião de seus mistérios e potências, que continuam a cultuar o estado original e recria-lo como o fazem o gênio absoluto de Dominguinhos, a nova geração com Targino Gondim e muitos outros que dão gosto e sabedoria  a herança de Seu Luiz que continua viva e ainda vai dar muito fruto e festa. Aliás, não gosto muito desta palavra forró, o que ele fazia e eles fazem, é música da melhor qualidade, não é um estilo, nem uma escola, é 'Música Universal Brasileira' que pode ser sentida e dançada em Nova York e Quixadá, com o mesmo jeito e sabor.

Outras homenagens ao centenário de Gonzagão chamaram sua atenção?


Antônio Nóbrega fez um belo espetáculo unindo musica e dança que já percorre o Brasil; Chico Cesar esta fazendo um belo show com o Quinteto de Cordas da Paraíba que também viaja; Elba Ramalho está preparando um espetáculo baseado no livro "O Rei e o Baião"; Alceu Valença gravou um CD só com repertório de Gonzaga; lançou-se uma caixa com tres CDs "100 anos de Gonzagão" com 50 gravações inéditas de vários interpretes recriando suas canções; relançou-se o tão esperado livro "Vida de Viajante - A saga de Luiz Gonzaga", de Dominique Dreyfus, a melhor biografia do Rei; muitos de seus discos estão sendo relançados pela gravadora a preços populares; dia 30 de outubro a Revista Bravo! em São Paulo entregará seu grande premio com homenagem especial a Gonzagão; dia 5 de novembro, Dia Nacional da Cultura, a Presidência da Republica e o Ministério da Cultura entrega a Ordem do Mérito Cultural em homenagem principal a Gonzaga. A Funarte criou este ano o Prêmio Centenário Luiz Gonzaga que inclusive fui um dos ganhadores. E muitas coisas ainda estão a acontecer que nem sabemos, embrenhadas pelo sertão nordestino, feitas com amor e admiração pelo seu verdadeiro Rei.

Extraído do blog do Neto
http://afnneto.blogspot.com.br/

O túmulo do cangaceiro Jararaca


O túmulo de José Leite de Santana - o cangaceiro Jararaca que é localizado em Mossoró, no Cemitério São Sebastião, nos últimos dias apareceu uma mancha  na placa de acrílico a qual se lia uma mensagem. 

Mas isso foi causado por alguns fieis, sem nenhuma maldade, colocaram velas sobre-a, fazendo com que a parafina derretida escorresse e penetrasse entre o túmulo e a placa. Não foi vandalismo, apenas quem colocou a vela talvez não imaginou que isto poderia acontecer. 

Lembrei-me de retirar a placa para fazer uma limpeza, mas temi, com medo de ser acusado de vandalismo, já que eu não sou funcionário do cemitério.  

Falando aos escritores Kydelmir Dantas e Antonio Vilela de Sousa aconselharam-me que eu falasse com um dos funcionários do cemitério, que com certeza seria facilitada a limpeza na placa de acrílico.

Ainda nesta semana irei tentar convencer um dos funcionários para que a limpeza ao túmulo do cangaceiro seja feita.

José Leite de Santana - o cangaceiro Jararaca - foi o segundo facínora a perder sua amada vida aqui em Mossoró, no dia 13 de Junho de 1927. Este foi baleado, preso e dias depois foi covardemente assassinado pelos policiais da época. José Leite de Santana era pernambucano da cidade de Buíque.

Aqui em Mossoró três cangaceiros repousam no mesmo cemitério, sendo eles: Colchete, morto no momento da invasão de Lampião a Mossoró. Jararaca e o cangaceiro Asa Branca, mas este último faleceu de morte natural, no ano de 1981. O seu túmulo aparece na foto por traz do túmulo do cangaceiro Jararaca. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

Convite do lançamento do meu novo livro

O autor do livro:  "Eu não sou herói-A história de Emil Petr". Rostand Medeiros

 Amigos e amigas,

Com satisfação e alegria envio


o convite do lançamento nosso novo trabalho


"Eu não sou herói-A história de Emil Petr".

O evento ocorrerá no dia 31 de outubro de 2012 (quarta-feira), ás 19:00, no Iate Clube de Natal. 

A edição deste nosso livro ficou a cargo da Editora Jovens Escribas, tendo a frente o editor e autor Carlos Fialho.

Convido todos vocês que batalham pela história a visitarem o nosso blog TOK DE HISTÓRIA e conhecerem mais deste nosso livro.

Um abraço a todos e gratos pela atenção.

Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com



Foi Silvino... O Rei do cangaço antes de Lampião

Por: Paulo Goethe
O cangaceiro Antonio Silvino

No dia 16 de janeiro de 1907, o Diário registrou que os cangaceiros estavam preocupando as autoridades. Aterrorizando os sertões estava o bando de Antonio Silvino. Forças policiais da Paraíba e do Rio Grande do Norte foram mobilizadas para perseguir o grupo.  O capitão Carlos Formel informou, através de carta, que estava no encalço dos cangaceiros. Durante todo o mês, o jornal divulgou notícias sobre a atuação das volantes. Ao longo das décadas seguintes, o combate ao cangaço seria um tema comum no cardápio de assuntos oferecidos ao leitor.


No primeiro registro do ano, o Diário sinalizava que um dos companheiros de Antonio Silvino havia sido preso no interior de Pernambuco. “Perseguido pela força volante, apresentou-se, há poucos dias, ao delegado de Bom Jardim, o celebre cangaceiro Barra Nova. Durante o tempo em que fez parte do grupo desse facínora, tornou-se celebre pelas suas perversidades. Em São Vicente, na ocasião de um ataque do grupo, foi Barra Nova quem atirou no sargento José Pedro, subdelegado local. Actualmente ele está recolhido á cadeia de Bom Jardim, devendo ser em breve transportado para a casa de detenção”.



Antes de Lampião, ele era o cangaceiro mais famoso e seu apelido mais conhecido foi “Rifle de Ouro”. Nascido no dia 2 de dezembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, Manoel Batista de Morais entrou para a história como Antonio Silvino. Durante 16 anos, driblou a polícia, praticou saques e assassinou inimigos, mas era tratado pelos poetas populares como um “herói” por respeitar as famílias.
Ainda jovem, integrou o bando liderado por seu tio, Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque. Com a prisão deste em Custódia, assume o comando e muda o nome e sobrenome, homenageando o parente.
Antônio Silvino entrou para o cangaço aos 21 anos de idade, com o irmão, Zeferino, depois da morte do pai, Batistão do Pajeú, em plena feira de Afogados da Ingazeira, em dia 3 de janeiro de 1897. Procurado pela polícia, Batistão ousou entrar na cidade no dia mais movimentado da semana e foi alvejado por um tiro de bacamarte disparado por Desidério Ramos, desafeto e contratado pelo coronel Luís Antônio Chaves Campos, chefe político local.

Silvino e o irmão juraram vingar a morte do pai, assaltando e matando todos os que colaboraram com o mandante do crime. “Para o sertanejo não havia Justiça. Se um parente era morto, de imediato lhe sobrevinha o ‘direito’ de pôr termo à vida do assassino. Por vezes, essa vingança implicava em cruzar um punhal à cintura, portar rifle e munição, usar um chapéu de couro de aba batida. A cada crime não punido pelas instituições policiais e judiciárias, em regra, lançava-se a semente de um futuro bandoleiro profissional”, narra Sérgio Augusto de Souza Dantas emAntonio Silvino: o cangaceiro, o homem, o mito, uma das mais completas biografias sobre o “Rifle de Ouro”.


Mesmo tendo participado de um ataque à usina Filonila, em 1899, no qual resultou na morte de uma menina de 13 anos, filha do coronel Antônio dos Santos Dias, a fama de Antonio Silvino apenas cresceu como “bandido cavalheiro”. Em 1903, o Jornal Pequeno, do Recife, publica a sua foto. No ano seguinte, Francisco das Chagas Batista lança o cordel A canção de Antônio Silvino, que teve grande vendagem.


A invencibilidade de Silvino terminou no dia 28 de novembro de 1914, quando ocorreu o seu último tiroteio com a polícia. Atingido no pulmão direito, conseguiu se refugiar na casa de um amigo e disse que ia se entregar. Da cadeia de Taquaritinga seguiu, dentro de uma rede, até a estação ferroviária de Caruaru, onde um trem especial da Great Western o levou para o Recife. Uma multidão o aguardava na Casa de Detenção, atual Casa da Cultura.
Antonio Silvino tornou-se o detento número 1.122, condenado a 239 anos e oito meses de prisão. Em 4 de fevereiro de 1937, depois de vinte e três anos, dois meses e 18 dias de reclusão, foi indultado pelo presidente Getúlio Vargas.
Na foto acima, ele é o de chapéu e bengala. O ex-rei do cangaço morreu em 30 de julho de 1944, em Campina Grande, na casa de uma prima.

Paulo Goethe, 44 anos, no Diário de Pernambuco de 1990 a 1997 e desde 2001.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sérgia Ribeiro da Silva - a cangaceira Dadá

Foto do acervo do Dr. Ivanildo Alves da Silveira

Sérgia Ribeiro da Silva - Dadá, uma das maiores cangaceiras do bando de Lampião. Era casada com o cangaceiro Corisco, um dos maiores astros da Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, do afamado Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. 


Após a morte de Lampião na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, na madrugada de 28 de Julho de 1938, Corisco não estava presente no momento do massacre feito pelos policiais do governo. Mesmo sabendo que o movimento social iria findar, vez que de um jeito ou de outro seria capturado, Corisco continuou nas caatingas até o ano de 1940, quando no dia 25 de maio, ele e sua amada Dadá foram cercados e vencidos pela volante do tenente Zé Rufino. 

Tenente Zé Rufino

Com o exagero de tiros lançado pela volante, Corisco ficou gravemente ferido, e não conseguiu sobreviver, falecendo posteriormente,  mas Dadá foi poupada, apenas perdeu uma das pernas. Somente após 54 anos  ela veio a falecer morte natural no ano de 1994.

Afirmam os escritores que Dadá era conhecida no bando de cangaceiros "Suçuarana", apelido que foi dado pela sua coragem no momento de combates. Como Corisco havia perdido os movimentos dos braços, devido alguns balaços em combates contra uma volante, e não tendo condições de atirar nos seus perseguidores, Dadá era quem resolvia tudo atirando no momento de ataques.

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As batalhas de Lampião: Maranduba


A terceira grande batalha enfrentada por Lampião e seu bando ocorreu em janeiro de 1932, no sertão sergipano, na fazenda Maranduba. Os militares estavam em número três vezes maior e subestimavam os cangaceiros. Lampião demonstrou superioridade tática sobre os militares, principalmente por conhecer muito bem o terreno onde se travou o embate.

Alguns historiadores tentam "minimizar" a vitória obtida por Lampião depois de uma feroz batalha, admitindo, apenas, de que, no final das contas, houve “perdas humanas tanto entre os cangaceiros como entre as forças volantes, porém com maior prejuízo para estas...” Para que se tenha uma idéia do que representou esta batalha para ambos os lados e para a história das lutas sociais do Nordeste, dois pontos devem ser ressaltados:

O primeiro ponto importante refere-se à participação, nesta batalha, dos aguerridos e temíveis Nazarenos. Os nazarenos, uma força policial dedicada em tempo integral na busca e, se possível, destruição de Lampião e seu bando, já eram lendários nos sertões nordestinos, por suas ações militares. Nesta batalha participaram sob o comando do Tenente Manoel Neto.


O segundo ponto a ser destacado é que, apesar da longa, dolorosa e sangrenta campanha contra Lampião e da experiência militar adquirida, mais uma vez os chefes militares deram provas de que sua inteligência sempre ficou abaixo dos arroubos da valentia. A raiva, a fúria e a arrogância foram confrontadas com o sangue-frio, a paciência e a inteligência de Lampião. Rodrigues de Carvalho chegou a afirmar, analisando estas e outras batalhas que Lampião tinha praticado “façanhas de deixar muito curso do Estado Maior com água na boca”.

No caso específico de Maranduba, o historiador Rodrigues de Carvalho não hesita em afirmar que, apesar da superioridade em homens e armas, por parte das forças militares, Lampião demonstrou uma superioridade tática sobre seus adversários. Escreve ele: “E a verdade deve ser dita: quem primeiro abandonou o campo de luta foi a força”. E, mais adiante: “O fato é que durante a extensão da tremenda refrega, que foi por toda a tarde, pode dizer-se sem medo de cometer injustiça, o domínio da situação pertenceu ao ardiloso facínora. Estava todo o tempo, como se diz vulgarmente, serrando de cima”.

O fato ficou conhecido como "Fogo de Maranduba" e um registro da época diz que "no local em que aconteceu o fogo de Maranduba, durante vários anos, das árvores e dos matos rasteiros não ficaram folhas. Tudo era preto, como se tivesse passado um grande fogo. As árvores ficaram completamente descascadas de cima abaixo, de balas". 

(Fonte: blog Cariri Cangaço)
CONFIRA:

As batalhas de Lampião: Serra Grande
As Batalhas de Lampião: Serrote Preto

http://luzdefifo.blogspot.com.br/


A outra face do cangaço


Autor: Antonio Vilela de Sousa


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Ivanildo Alves da Silveira
Natal-Rn

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