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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O NOVO LIVRO DO PROFESSOR BENEDITO VASCONCELOS MENDES, “ LEMBRANÇAS CAMPESTRES “ SERÁ LANÇADO NA CASA DO CEARÁ, EM BRASÍLIA.


Por Benedito Vasconcelos Mendes

O novo livro do Prof. Benedito Vasconcelos Mendes, “Lembranças Campestres“ é uma memória de sua adolescência em Sobral, vivenciada na Fazenda Aracati e no Sítio Frecheiras, de propriedade do seu avô paterno, onde ele passava as férias escolares. Ele transcreve as atividades destas duas propriedades rurais, uma no sertão e a outra na Serra da Meruoca, durante as décadas de 1950 e 1960 e também relembra seus momentos de lazer, como o banho e pescarias nas águas do Rio Aracatiaçu e outros fatos interessantes observados no cotidiano sertanejo. 

Este livro será lançado na Casa do Ceará, em Brasília, no próximo dia 14 de setembro. A convite do Presidente da AQQB-Sobral/DF, Senhor Agapito Cavalcante de Vasconcelos, o Prof. Benedito Vasconcelos Mendes proferirá uma palestra sobre Cultura Nordestina, na Casa do Ceará, em Brasília e depois lançará seu mais novo livro “ Lembranças Campestres “. O evento vai ocorrer às 19:30 horas da próxima sexta-feira, dia 14 de setembro.

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LAMPIÃO E A ROTA DE FUGA PELO AGRESTE DE ALAGOAS

Por Vilceia Melo
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Vila Craíbas, em 1938, quando ainda pertencia a Arapiraca.

A história de Virgulino Ferreira da Silva, o cangaceiro Lampião, provoca admiração por parte de alguns historiadores que encontra, nessa figura emblemática, um dos primeiros revolucionários sociais no Nordeste brasileiro. Outros escritores desmistificam a imagem do filho justiceiro – que queria vingar a morte do pai- em função da barbárie dos crimes cometidos. Herói ou bandido, a história de Lampião, que liderou o cangaço durante duas décadas, também teve o seu registro no Agreste de Alagoas.

Silvan Oliveira, pesquisador sobre a passagem de Lampião pelo Agreste
Silvan Oliveira, pesquisador sobre a passagem de Lampião pelo Agreste
Para saber detalhes sobre a passagem do cangaceiro e seu bando nessa região, fomos até Craíbas conversar com o funcionário público Silvan Oliveira. Há alguns anos ele vem colhendo depoimento com os familiares dos primeiros moradores da antiga Vila Craíbas, que pertencia ao município de Arapiraca, para obter informações sobre a passagem de Lampião e seu bando pelo região. O trabalho de pesquisa resultou no esboço de um livro intitulado “O dia em que Lampião assustou o Agreste alagoano”.

De acordo com o pesquisador, Lampião e 17 cangaceiros passaram por aqui em abril de 1938, cerca de três meses antes de sua morte. Segundo Silvan, nessa época o cerco estava fechado e as forças policiais estavam concentradas em Santana do Ipanema, com a criação do 2º Batalhão de Polícia Militar. “Os estados de Pernambuco e Bahia já não admitiam o trânsito de cangaço na região. Virgulino estava escondido na fazenda do coronel Antonio Caxeira, em Gararu-SE, quando resolveu ir a Piranhas-AL encontrar-se com o cangaceiro Corisco por dois motivos: tramar a morte do tenente Zé Rufino e em seguida abandonar o cangaço, refugiando-se com Maria Bonita, no estado de Goiás.

Ainda de acordo com o pesquisador, a rota de fuga foi iniciada atravessando o rio São Francisco, em Traipu. Há relatos que durante essa passagem pelo local Lampião teria encontrado uma “retreta” – pequena banda de música. “Ele pediu que os músicos tocassem uma música e teria recompensado os músicos com cinquenta mil réis”, relatou Silvan Oliveira.

Bando de Lampião

Após atravessar o rio São Francisco, o bando de lampião chegou ao povoado Capivara, e teve o primeiro combate nessa região, ao deparar-se com a volante do tenente Valdemar Goes, que naquela época era o delegado de Batalha. Lampião estava a cavalo acompanhado de 16 cangaceiros. “Durante o confronto, Lampião e seu bando fogem a pé em direção a então Vila de Girau do Ponciano.

O pesquisador relata que quando o bando de Lampião chegou em Girau do Ponciano, no local estava acontecendo uma feira livre. Os cangaceiros e seus comparsas fizeram um arrastão nas bancas e saquearam os armazéns do comerciante Eloi Maurício. Ainda em Girau, há outro confronto com a polícia e os cangaceiros se deslocam em direção a Lagoa da Canoa e o povoado Salomé, atual município de São Sebastião. “Lá eles sentiram que não estão sendo mais perseguidos e no dia posterior eles retornaram a rota de fuga pelo Agreste, em direção ao alto Sertão”, informou o pesquisador.

Em Arapiraca

Uma curiosidade relatada por quem teve contato com o cangaceiro é que ele sempre andava com uma caderneta anotando os nomes dos coronéis mais abastados da região para fazer os saques. Ao chegar no Povoado Lagoa da Pedra, próximo a Vila Fernandes, em Arapiraca, Lampião foi informado que o coronel Lino de Paula tinha muitas posses.

O bando encontrou o próprio Lino de Paula que estava em uma de suas fazendas trabalhando com uma roupa suja e desgastada. Pensando que era um trabalhador comum, o cangaceiro perguntou se ele sabia onde morava o coronel Lino de Paula e ele com medo de morrer disse que levaria o bando de lampião até a casa do militar.

Durante o percurso, Lino de Paula, com medo que Lampião descobrisse sua verdadeira identidade pediu ao chefe do cangaço para ir até o “meio do mato” defecar pois estava com dor de barriga. Lino de Paula aproveitou essa oportunidade e fugiu pela vegetação, enganando Lampião e seu bando.

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A notícia de que Lampião estava em Arapiraca se espalhou, e segundo o pesquisador, muitos moradores dos bairros Baixa Grande, Cavaco, e Baixão deixaram suas casas, e dormiram no mato com medo que Lampião chegasse durante à noite para saquear as casas.

Outros foram se abrigar nas residências de parentes no centro do município, onde o cangaceiro não chegaria com medo da ação da polícia.

“A próxima parada de Lampião e seu bando no município de Arapiraca se deu na Vila Canaã, onde cometeu alguns saques. Lá ele apreende um rapaz identificado apenas como “João Catenga”, que informou quem são os homens de posse da redondeza como “Zé Ciben”, Manoel Ireno, Possidônia. Todas as propriedades foram saqueadas e, continuando a rota, o bando chegou a Vila de Craíbas”, relatou Silvan Oliveira.

Ao chegar na Vila, Lampião com os 16 cangaceiros armados, renderam os moradores que ainda permaneciam no local. Eles entregaram dinheiro, pertences pessoais e armas. Segundo os relatos de moradores de Craíbas, um senhor que se chamava “Nicolau” negou ter armas em casa, mas quando os cangaceiros entraram na residência encontraram munições. “Por ter mentido para Lampião, Nicolau foi amarrado em um cavalo e arrastado até a lagoa da vila para ser “sangrado”.

Segundo Silvan Oliveira, nesse dia que Lampião esteve na Vila Craíbas, seria celebrado um casamento. Quando o padre Epitácio estava a caminho foi avisado que Lampião estava saqueando os moradores . Ele rapidamente retornou a Arapiraca e avisou a três volantes do tenente Porfírio sobre o bando.

No momento que Lampião e os cangaceiros iriam executar Nicolau à beira da lagoa, os policiais chegaram atirando e os disparos de armas de fogo assustaram o bando de Lampião, que fugiu sem executar ninguém.

Um fato curioso nesse dia do casamento é que a casa do sanfoneiro que iria tocar no casamento está situada na praça onde Lampião rendeu os moradores. Com medo de ter o seu principal instrumento de trabalho roubado pelos cangaceiros, Artêmio, como era conhecido o músico, escondeu a sanfona dentro de um saco de farinha. Até os dias de hoje a casa, situada no centro comercial de Craíbas, permanece com as mesmas características da década de 30. “Devido a questões de herança, o imóvel não pode ser vendido, pois está em processo judicial. Tanto a fachada quanto todo o interior permanece com a mesma estrutura de quando lampião passou pela região”, revelou Silvan Oliveira.

Casa do sanfoneiro Artêmio mantém as mesmas características da década de 30
Casa do sanfoneiro Artêmio mantém as mesmas características da década de 30
Três meses após essa passagem por Arapiraca/Craíbas, no dia 28 de julho de 1938, Lampião, Maria Bonita e seu bando sofreram uma emboscada e foram assassinados na Grota em Angicos, em Poço Redondo-Sergipe. Suas cabeças foram expostas em várias cidades como troféus.
Essa parte da história tem uma ligação muito pessoal com o pesquisador Silvan Oliveira. Após a exposição das cabeças nas escadarias do município de Piranhas-AL, os policiais seguiram para Água Branca, Mata Grande e Santana do Ipanema. “Nessa época minha mãe, Jaci Oliveira Santos, tinha 6 anos e morava em Mata Grande. A casa dos pais dela era próxima à delegacia da cidade e quando os caminhões da polícia chegaram com as cabeças dos cangaceiros foi um alvoroço só. Centenas de pessoas, entre crianças e adultos lotaram a praça para ver os “troféus” exibido pela polícia. Mesmo com apenas 6 anos de idade, minha mãe até hoje, nunca se esqueceu daquela imagem de cabeças cortadas em cima do caminhão”, finalizou Silvan Oliveira.
14 de outubro de 2017
Vilceia Melo
93 anos de Arapiraca, Notícias
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HISTÓRIA DE CANGAÇO


Por Conrado Matos - Psicanalista
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Após a morte de Lampião as traições e delações começaram a correr soltas. Corisco um bandido experiente não conseguiu escapar da Volante. Um filho do Velho Pacheco não mediu sentimento, entregou o "Diabo Louro" e sua mulher a temida Dadá. Um cangaceiro que continuou vivo após a morte de Lampião foi "Saracura". Seu nome verdadeiro Benício Alves dos Santos. 

Antes de relatar um breve resumo sobre este cangaceiro eu vou detalhar algo curioso sobre um interior da Bahia. O sertão nordestino baiano também foi uma rota de cangaço, andando por estas terras, os cangaceiros, Zé Baiano, Lampião, Corisco, Volta Seca e tantos outros. 

A cidade de Paripiranga (BA), por exemplo, foi um lugar de cangaço, ou seja, de cangaceiro. Foi Paripiranga um fato doloroso e bem estudado na história do cangaço. A cidade de Paripiranga faz divisa com a cidade de Simão Dias, em Sergipe. Além de um local de cangaceiro, a região ficou conhecida como um reduto de "coiteiros" que protegiam e escondiam cangaceiros. 

Nasceu em Paripiranga, justamente, o cangaceiro Saracura. O cangaceiro nasceu numa região chamada de Curral, onde faz divisa com as cidades sergipanas de Carira e Pinhão. Já na penitenciária Saracura falou em entrevista como entrou no bando de Lampião, logo inserido no grupo do cangaceiro Zé Sereno e mais tarde entrando para o grupo do cangaceiro "Labareda". 

Saracura revelou que optou pelo cangaço para vingar o que fizeram de ruim com seu pai. Alegou que policiais invadiram o sítio da família. Os policiais partiram pra cima do seu pai para que ele falasse do paradeiro de Lampião e seu bando. O velho disse que não sabia de nada. Os policiais então torturaram o velho e chegaram até a arrancar as suas unhas, numa tamanha crueldade. 

Muitos cangaceiros entraram no bando de Lampião por se sentirem injustiçados e perseguidos. Quando Saracura saiu da prisão, o mesmo foi trabalhar no necrotério do Instituto Nina Rodrigues em Salvador. Quem o arranjou este emprego foi o doutor e escritor Estácio de Lima. 
Um cargo que quase ninguém queria. Mas, como se tratava de um ex-cangaceiro, nada lhe amedrontava nessa tarefa. Se não tinha medo de vivos, como iria ter medo de mortos?

Para deixar mais claro aqui, "Coité" era o nome anterior de Paripiranga, "Nossa Senhora do Patrocínio do Coité".

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MANOEL PEREIRA DA SILVA


Por Geraldo Júnior
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Lampião (Virgolino Ferreira da Silva) e Jurity II (Manoel Pereira de Azevedo) em fotografia registrada no ano de 1936, por Benjamin Abrahão Calil Botto.

Um fato intrigante que envolveu a figura desse cangaceiro após a morte de Lampião foi a delação à polícia sobre a existência e localização da menina Expedita Ferreira, filha do casal Lampião e Maria Bonita, que na época dos fatos estava sendo criada pelo vaqueiro Severo Mamede e sua esposa dona Aurora, moradores da Fazenda Enxu no município de Porto da Folha em Sergipe.

No ano de 1941 Jurity II foi preso por um grupo de soldados liderados pelo Sargento Deluz (Amâncio Ferreira da Silva) da polícia sergipana e assassinado. Preso e sem chances de defesa Jurity II, ainda vivo, foi jogado em meio a uma fogueira e seu corpo foi consumido pelas chamas. Uma morte trágica e impiedosa para o antigo bandoleiro do bando de Lampião.


Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a biografia do ex-cangaceiro Jurity II (Manoel Pereira de Azevedo) e do seu algoz o Sargento Deluz (Amâncio Ferreira da Silva), vou deixar um texto incrivelmente detalhado e rico em informações que foi escrito pelo saudoso escritor sergipano, Alcino Alves Costa.

Boa leitura.

De Luz, o matador de Juriti.
Por:Alcino Alves Costa

Em nossos livros “Lampião além da versão” e “O Sertão de Lampião”, existe em cada um deles um capítulo discorrendo sobre a vida e morte de Deluz e de Juriti, este assassinado cruelmente pelo famoso e temido sargento, então delegado de Canindé de São Francisco. No “O Sertão de Lampião”, a página 269, está o capítulo “A morte do sargento Deluz” e no “Lampião além da versão, a página 345, está o capítulo “Juriti: perverso na vida, valente na morte”.

Amâncio Ferreira da Silva era o verdadeiro nome do sargento Deluz. Nascido no dia 11 de agosto de 1905, este pernambucano ainda muito jovem arribou para o Estado de Sergipe, indo prestar os seus serviços na polícia militar sergipana. Os tempos tenebrosos do banditismo levaram Deluz para o último porto navegável do Velho Chico, o arruado do Canindé Velho de Baixo. Por ser um militar extremamente genioso, violento e perverso, ganha notoriedade em toda linha do São Francisco e pelas bibocas das caatingas do sertão. Dos tempos do cangaço ficou na história, e está registrada no livro “Lampião em Sergipe”, o espancamento injusto que ele deu no pai de Adília e Delicado, o velho João Mulatinho, deixando-o para sempre aleijado.

No pós-cangaço, sem jamais sair de Canindé, também ficaram na história aquelas versões de que os assaltantes de Propriá quando presos eram entregues a Deluz e ele ao transportá-los em canoas que faziam o trajeto Propriá/Canindé, prendia as mãos dos prisioneiros e amarrava uma pedra nos pés dos mesmos jogando-os dentro do rio. Um de seus maiores prazeres era caçar ex-cangaceiro para matá-los sem perdão e sem piedade. Foi o que fez com Juriti, prendendo-o na fazenda Pedra D`água e o assassinando de maneira vil e abjeta jogando-o em uma fogueira nas proximidades da fazenda Cuiabá. Foi em virtude de desavenças com o seu sogro, o pai de Dalva, sua esposa, que naquele dia 30 de setembro de 1952, quando viajava de sua fazenda Araticum para o Canindé Velho de Baixo, se viu tocaiado e morto com vários tiros. Morte atribuída ao velho pai de Dalva, o senhor João Marinho, proprietário da famosa fazenda Brejo, no hoje município de Canindé de São Francisco.

Diz à história que João Marinho foi o mandante, chegando até ser preso; e seu genro João Maria Valadão, casado com Mariinha, irmã de Dalva, portanto cunhado de Deluz, ainda vivo até a feitura desse artigo, com seus 96 anos de idade, completados no mês de dezembro de 2011, foi quem tocaiou e matou o célebre militar e delegado que aterrorizou Canindé e o Sertão do São Francisco.

Foi o sargento Deluz o matador de Manoel Pereira de Azevedo, o perverso e famoso Juriti.

Manoel Pereira de Azevedo era um baiano lá das bandas do Salgado do Melão. Um dia arribou de seu inóspito sertão e viajou para as terras do Sertão do São Francisco, indo ser cangaceiro de Lampião, recebendo o nome de guerra de Juriti.

Este cangaceiro possuía uma aparência física impressionante. O seu porte atlético abismava as mocinhas sertanejas que se derramavam em desejos para receber os seus carinhos e o seu amor. Contrapondo a toda essa atração que despertava nas jovens, Juriti carregava em seu sentimento e em sua alma um extremado pendor para brutais violências; cangaceiro de atitudes monstruosas sentia especial prazer em torturar e assassinar com requintes animalescos as infelizes vítimas que caiam em suas mãos, como aconteceu com José Machado Feitosa, o rapaz de Poço Redondo que ele após torturá-lo medonhamente, o assassinou com uma punhalada em seu pescoço.

Em pouco tempo Juriti angariou extraordinária fama. A fama de ser um cangaceiro que deixava as mocinhas sertanejas loucas de paixão e a fama de ser um assecla perverso ao extremo. Uma menina-moça, chamada Maria, filha de Manoel Jerônimo e Áurea, irmã de Delfina da Pedra D`água, deixou-o alucinado. Aquela ardente paixão foi recíproca. E o jamais imaginado pelos seus pais aconteceu. A menina de Mané de Aura deixou seu lar, seus pais e se jogou no mundo. Os seus sonhos e a sua ilusão era passar a viver nos braços do tão falado e comentado cabra de Lampião.

Na Grota de Angico vamos encontrar Juriti e Maria vivendo aquele instante de suprema agonia. Lampião, Maria Bonita e seus companheiros foram abraçados pela morte. Sem o grande chefe o viver cangaceiro não era possível. Os bandos espalhados pelas caatingas foram se desfazendo. Alguns fugiram e outros se entregaram as autoridades de Alagoas e Bahia.

Juriti seguiu o mesmo caminho de muitos. Após enviar a sua Maria para a proteção do pai e a ajuda do amigo Rosalvo Marinho que a levaram para Jeremoabo, onde ela foi recebida e bem tratada pelo capitão Aníbal Ferreira que deixando o papai surpreso e feliz liberou a sua filha para que com ele retornasse para sua casa e para o aconchego de sua família. Ainda mais. Solicitou a ajuda de Maria, do pai e de Rosalvo Marinho para que ambos fizessem com que Juriti e seus companheiros também viessem se entregar.

Juriti e Borboleta são convencidos pelo amigo da Pedra D`água e também seguem para Jeremoabo onde se entregam ao capitão Aníbal. Recebem o mesmo presente que Maria recebeu. São liberados. Borboleta joga-se na “lapa do mundo” e nunca mais se soube notícias dele. Talvez não esquecendo a sua Maria, Juriti se demora alguns dias no Canindé Velho de Baixo, porém no início de 1939 viaja para Salvador a capital baiana.

Em Salvador consegue trabalhar como vigia de um fábrica. Em 1941 é despedido do trabalho e retorna para o sertão de Sergipe. É seu desejo visitar os amigos da Pedra D`água, obter notícias de sua antiga companheira e seguir viagem para o Salgado do Melão, a sua terra de nascimento. Chegou ao último porto do Baixo São Francisco em uma quarta-feira e seguiu para a fazenda de Rosalvo Marinho, onde se “arranchou” e dormiu.

O sargento Deluz foi avisado da inesperada presença de Juriti na casa de seu cunhado Rosalvo Marinho. O sentimento impiedoso do militar não perdoava ex-cangaceiro. Juriti teria que pagar todos os crimes praticados durante sua vida no cangaço, e ele seria o juiz que iria condená-lo a morte.

Assim foi feito. A quinta-feira amanheceu e ainda muito cedo o café foi servido. Juriti conversa animado com seu amigo Rosalvo. Deluz e seus “rapazes” haviam cercado a casa. Surpreso, Juriti se vê na mira das armas dos atacantes e é imediatamente preso. Sorrindo, Deluz diz: “Mais qui surpresa! Nunca pensei qui Juriti fosse um pásso tom manso, tom faci de ser agarrado. Teje preso cabra. Eu num quero cangaceiro perto de mim não”.

Juriti se recompõe da surpresa e desafia Deluz, dizendo: “Deluz, você é covardi. Eu sei quem você é. Um covardi. Mostri qui é homi e mi sorte. Só assim você vai ficar sabeno quem sou eu. Vamu, mi sorti, covardi. Você é um covardi”. Amarrado a uma corda, Deluz transporta Juriti na direção de Canindé. Ao chegar a uma localidade chamada Roça da Velhinha, nas proximidades da fazenda Cuiabá, o sargento, friamente, ordena que se faça uma fogueira e quando as labaredas começam a lamber a caatinga e torrar a mataria e o chão daquele triste cenário da vida sertaneja, Juriti é jogado, sem dó e sem piedade no meio do fogaréu. Em poucos minutos o corpo do antigo cangaceiro havia se transformado em um monte de cinzas. Ficando, por várias décadas, como testemunha daquele medonho momento os botões da braguilha da calça de Juriti, além do negrume deixado pelo fogo no local do monstruoso assassinato do antigo Manoel Pereira de Azevedo, do Salgado do Melão.

Saudações cangaceiras!
Alcino Alves Costa

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SILA EX-CANGACEIRA DO BANDO DE LAMPIÃO EM ENTREVISTA NO PROGRAMA JÔ SOARES ONZE E MEIA (SBT)

https://www.youtube.com/watch?v=eFwfZ7JkqVM&t=384s

Publicado em 27 de fev de 2017

Entrevista completa com a ex-cangaceira Sila (Ilda Ribeiro de Souza) antiga integrante do bando de Lampião no antigo Programa "Jô Soares onze e meia" do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão).

Categoria Educação

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O RESUMO AUTENTICO DA HISTÓRIA DE LAMPIÃO COM CENAS REAIS DO CANGAÇO

https://www.youtube.com/watch?v=VLcYpbwn7y4

Publicado em 25 de fev de 2017

Foi Assim no Sertão o resumo autentico da História de Lampião Lampião (1897-1938) foi o mais famoso cangaceiro brasileiro, chamado o Rei do Cangaço.
Colaborador
Editor
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MISSA DO VAQUEIRO ( HOMENAGEM A RAIMUNDO JACÓ ) - JULHO - 2018....SERRITA-PE SÓ SABE A FORÇA DESSE EVENTO, QUEM UM DIA PARTICIPOU..






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VOCÊ NUNCA VIU NADA IGUAL !


Fortaleza recebe neste Sábado, dia 15 de Setembro no Café Patriota: ANGICO; o Mito, os Mistérios e as Mentiras que cercam a morte do Rei do Cangaço após 80 anos do episódio de 28 de julho de 1938... 

IMPERDÍVEL !!!

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UMA BELA COLEÇÃO DE PUNHAIS


Por Volta Seca

UMA BELA COLEÇÃO DE PUNHAIS..! Muitos deles, ligados aos cangaceiros. Quantos infelizes não foram sangrados por esses PUNHAIS ASSASSINOS? Quantas famílias não foram martirizadas pelos mesmos?

INDAGA-SE: A QUEM PERTENCE ESSA FAMOSA COLEÇÃO DE PUNHAIS?

Dica: Ela é uma pessoa conhecida no meio dos estudiosos do cangaço.

Veja, ai, Dênis Carvalho ..!

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CONGRATULAÇÕES.


Por Geraldo Antônio De Souza Júnior
Foto: Ascom / Semarh



Hoje (13 de setembro de 2018) quem está completando mais um ano de vida é a dona Expedita Ferreira Nunes, filha do casal cangaceiro Lampião e Maria Bonita.

Oitenta e seis anos com muita energia, saúde e vitalidade.

Sem mais delongas eu quero parabenizá-la por mais um ano de vida e espero que essa data se repita ainda por muitos anos e que venha sempre acompanhada por muita paz e saúde.

Feliz Aniversário!

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VEJA UOL

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

LUIZ GONZAGA E GONZAGUINHA - PENSE N'EU

https://www.youtube.com/watch?v=3XDblMUgBP8

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LIVROS É COM O PROFESSOR PEREIRA



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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
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Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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O CIRCO E AS LÁGRIMAS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.982
DESARMANDO O CIRCO. (FOTO: CLERISVALDO B. CHAGAS).
O circo, diversão das ruas em todos os tempos, vai sofrendo reveses paulatinamente. Numa época em que não havia televisão, a chegada de um circo numa cidade, pequena ou grande, era motivo de reboliço. Alguns deles, além da parte do espetáculo propriamente dito, mostravam também o chamado drama. Este era o tipo de circo-teatro, perfeição de arrepiar. Inúmeros talentos eram tão reconhecidos quanto os do teatro fixos de hoje. Uns apresentavam tanto luxo que de fato imitava um mundo de sonhos, um mundo encantado onde todos os espectadores desejavam explorá-los. Com as novas formas de diversão que foram surgindo no mundo, o circo foi encolhendo e entrando em crise.
Diante dessa situação que vai extinguindo esse tipo de espetáculo, chegou a Santana do Ipanema um circo que se instalou no Bairro São José. As escolas da vizinhança foram convidadas, mas como um apelo de socorro. O preço de entrada estava lá em baixo e algumas escolas mandaram seus alunos para o divertimento. O espetáculo desses talentosos artistas nada deixou a desejar, como sempre. É o mágico, é o palhaço, a rumbeira o mágico, o equilibrista... Mas a situação visual do circo deixou uma tristeza grande nos que compareceram. Aí vamos pensando nos bens públicos e na cultura que convivem com o mesmo desprezo no país.
O circo, além de tantos artistas de primeira a amenizar com alegria o sofrimento geral, é refúgio contra a marginalidade de jovens e adultos através do seu abraço. O que custa uma ajuda empresarial, estadual... Para a compra de uma lona, de um picadeiro de alguns objetos que fazem a felicidade de multidões. Os corações duros, gelados, não se abrem para a caridade de ouro. Assim os jovens, que foram ao circo, procuram entender ou não o desprezo com a cultura ambulante e salvadora de muitas mazelas. Contemplamos com tristeza a fome que ronda todos os dias pequenos e médios circos do país, pois até os grandes estão desistindo.
Chora o povo, chora o palhaço.


CARTA A UMA MENINA QUE ANDA POR AÍ

*Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Bela menina, bela flor da mocidade, e que anda por aí alegrando os dias, assim continue, assim se permita viver se assim lhe contenta.
Menina bela, linda flor e meiga flor da juventude, e que andeja por aí alegrando as paisagens, que suas pétalas macias continuem em viço pelos ressecados canteiros.
Sei que não é qualquer uma que apenas passa, mas aquela que passa com encanto e beleza. Diferente de muitas outras, sua passagem é como sopro de brisa, como canção da tarde.
Beleza sem qualquer imposição de beleza. A pele da pele, o cabalo do cabelo, o lábio no lábio, a face na face. Nada, absolutamente é forjado para lhe dar majestade.
Beleza na roupa, na sandália, no corte do cabelo, na pintura e no batom? Não. De jeito não. A sua beleza está, acima de tudo, na moldura própria que lhe adorna.
Não precisa de roupa de grife, de penduricalhos da moda, de vestes de marcas para ornar sua flor. És bela por que és bela, por que não precisa de enfeites para ser olhada, avistada, adorada.
Sei que falam - até as outras meninas de sua idade - da roupa simples que veste, do seu jeito simples de ser, do seu desapego ao material. Um vestido de chita lhe cai bem, uma roupa barata também.
Sei que falam de seu chinelo de pé, de seu cabelo ao vento, de sua pele sem maquiagem, de suas orelhas sem brincos e de seus dedos sem anéis. Talvez uma concha de mar como pingente ou uma pulseira de cipó do mato.
Sei que falam de seu jeans surrado, de sua blusa florida, de sua roupa já desgastada de tempo. E certamente falam de você não se importar com nada que digam sobre o seu jeito simples e humilde de ser.


Sei que falam de seu silêncio, de sua pouca palavra, de seu sorriso escondido, de suas poucas e escolhidas amizades. Falam quando fala sozinha, falam de sua amizade com os bichos, com as flores e folhas.
Sei que falam por que não é como elas, que não gosta de viver nas calçadas ou nos escondidos, que não gosta de viver com copo à boca ou cigarro à mão, que não gosta de amizades falsas nem de estar olhando a vida dos outros.
Sei que falam por ser recatada demais, por não andar namorando um e outro, por não gostar de baladas nem de sair sem hora para retornar. Sei que falam por que respeita seus pais, por que gosta do lar e da família, e por ouvir e seguir os bons conselhos.
Sei que falam de todo e de qualquer jeito. Falam mal você sendo assim, imagine se fosse como os outros desejam. Querem moldar ou mudar o seu jeito para mais tarde terem ainda mais motivos para falar.
A beleza faz mal a quem é não é belo. A inveja cria a falsidade, a palavra indigna, o desprestígio. Mas o que lhe afetar se você foge das falsas amizades e daquilo que possa lhe macular.
Dificilmente alguém chegará perto de você para mostrar reconhecimento. Poucos são aqueles cuja verdade não admite dizer diferente. E no seu passo, no seu caminhar, você encontrará pessoas boas, mas também a maldade em forma humana.
Mas não se importe não, bela menina. Siga seu caminho, mostre ao mundo sua singela beleza. Saiba que existem flores e flores. As que os outonos logo murcham e levam e as que continuam alegrando os jardins da vida. E continuará assim, bela flor por onde passar.

Escritor
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PERSONAGENS DA HISTÓRIA CANGACEIRA.

Por Geraldo Antônio De Souza Júnior​

JOSÉ MIGUEL DA SILVA "ZÉ DE NENÉM". 

Primeiro companheiro de Maria Gomes de Oliveira a Maria de Déia, que veio a se tornar a célebre Maria Bonita companheira inseparável do temível cangaceiro Virgolino Ferreira da Silva "Lampião", com quem conviveu e trilhou até o dia de sua morte ocorrida em 28 de julho de 1938. 

Ao que consta algum tempo após a separação o sapateiro Zé de Neném teria ido morar na região sudeste do país e por fim terminou seus dias de vida em uma cidade do interior do estado de São Paulo. 

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REVISTA FATOS & FOTOS, Nº 90, 20 DE OUTUBRO DE 1962

A aventura sangrenta do Cangaço - ABC de Lampião

Reportagem de Nonnato Masson
Reproduções fotográficas de Nelson Santos e Juvenil de Sousa. 
Como sabemos, algumas estórias sobre Lampião são desencontradas dos fatos reais. Nessa reportagem de Nonato Masson encontramos algumas disparidades com historiadores e pesquisadores do cangaço lampiônico. De qualquer forma, mesmo com algumas colocações diferentes, não deixa de ser literatura histórica mesmo tendo sido escrita muito depois da morte de Lampião. Aqui trago mais uma dessas matérias para os que gostam de estórias do cangaço.
 

ATÉ 1912, o cangaço era um fato normal nos sertões do Nordeste. As façanhas de Lucas da Feira, Cabeleira, Jesuíno Brilhante e Antônio Silvino corriam de boca em boca, com sabor de lenda, a par de histórias que falavam dos jagunços do Bom Jesus Conselheiro e do padre Cícero Romão Batista, o santo de Juazeiro. 

Foi nesse ano que o Governador Castro Pinto, da Paraíba, tomou a iniciativa de uma convenção, para combater o banditismo entre os governos dos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. 

Além da ajuda mútua, foram eliminadas as fronteiras entre os estados, podendo a fôrça policial de um penetrar em outro, sem qualquer pedido de autorização. Dessa convenção participariam depois os governos da Bahia, Alagoas e Sergipe. Assim, com o Nordeste sem fronteiras, as tropas volantes, que não seguiam um plano de combate pré-estabelecido, e sem um comando único, enfrentaram-se várias vêzes na suposição de estarem lutando contra os cangaceiros. 

No ano de 1914, após uma luta feroz em Taquaretinga, Manuel Batista de Morais, conhecido por Né Batista e por Antônio Silvino, e que há cérea de 20 anos era o rei do sertão, foi baleado e entregou-se ao Alferes Teofanes Tôrres. Prêso Antônio Silvino, os cangaceiros Casemiro llonório e Né Pereira refugiaram-se na ribeira do Pajeú das Flores, de onde passaram a comandar o cangaço em toda a extensão que vai de Pernambuco à zona baiana do rio São Francisco.

BALEADO em Inhamuns, Ceará, por questões de terras, Antônio Alves Feitosa fugiu com o seu filho José Feitosa depois de ter morto um fazendeiro. Foi para Pernambuco, onde passou a viver como lavrador em Passagem, Distrito de Carqueijo. Morrendo o velho Feitosa, José, para se ,livrar definitivamente da polícia cearense, trocou o nome para José Ferreira da Silva, casou-se com Maria José Lopes e comprou uma fazenda em Ingazeira, às margens do riacho São Domingos, em Serra Vermelha, no Município de Vila Bela, hoje Serra Talhada. 

Da união de José com Maria, nasceram Antônio, Livino, Virgulino, João, Anália, Ezequiel, Virtuosa, Maria e Angélica. Virgulino Ferreira da Silva nasceu a 12 de fevereiro do ano de 1900, depois de Antônio e Livino. 

COUBE à avó de Virgulino, de nome Jocosa, mãe de Maria, criá-lo dos cinco aos doze anos de idade. Ela morava em Poço do Negro, onde, a seu pedido, o seu filho Manuel Lopes matriculou Virgulino na escola particular de Domingos Soriano e Justino Nenéu. Quando tinha doze anos e estava no terceiro ano primário, Virgulino abandonou a escola e passou a domar potros bravos, amansar animais no campo, ganhando logo a fama de ser um dos melhores vaqueiros do Pajeú. 

Aprendeu a fazer selas, gibões, arreios, perneiras, chapéus de couro, alforjes e embornais, que vendia nas feiras de Nazaré, São Francisco (atual Pajeú), Triunfo, Custódia e Salgueiro. Aprendeu com o pai a tocar sanfona de oito baixos. Tinha boa voz para cantar e muita inspiração para tirar toadas, repentes, baiões e xaxados. Uma das suas músicas, a toada "Muié Rendera", seria, tempos depois, o canto de guerra das suas guerrilhas pelos serrotes e pelas caatingas. 

DUAS famílias — a dos Pereiras e a dos Carvalhos, esta tendo os Nogueiras como aliados — travavam entre si uma luta fratricida, desde a revolução pernambucana de 1817, em torno da liderança política da região do Pajeú. O pai de Virgulino foi agregado dos Pereiras e por eles combateu. Um dia, depois de um combate com os Carvalhos, com Antônio e Livino feridos, teve de fugir de Serra Ver-melha, levando tôda a família, passando a morar perto da Vila de Nazaré, no Município de Floresta. Em Nazaré, Virgulino despontou para a aventura sangrenta do cangaço. 

Aconteceu assim: o filho do inspetor de quarteirão José Saturnino inventou que Virgulino lhe havia roubado uns chocalhos de bode. Preso por José Saturnino, de nada adiantaram os pedidos do velho José Ferreira e as declarações de inocência do acusado, que era então um menino de 16 anos. Seu pai e seus irmãos não tiveram outra alternativa: foram soltá-lo a bala. Era a lei do sertão. E dias depois, Virgulino, Antônio, Ezequiel e Livino surpreenderam o filho do inspetor e o mataram. Depois de morto, ainda foi sangrado no pescoço por Virgulino Ferreira, com uma faca pajeú. 

EM Mata Grande, para onde os Ferreiras se mudaram, alguns meses depois, unia tropa de cachimbos (nome dado aos civis contratados para perseguir criminosos) cercou, de surpresa, a casa do velho Ferreira, sob o comando do Cabo José Lucena — que era o delegado volante —, a pedido do inspetor José Saturnino, para prender Virgulino e seus irmãos. 

No ataque foi morto o velho Ferreira, quando debulhava, na cozinha, uma espiga de milho, e preso o seu filho João. Os outros escaparam porque tinham ido à feira vender bodes. [A mulher de José Ferreira, vendo-o morto, caiu fulminada por um ataque do coração.]

FEITO o sepultamento do pai e da mãe, no cemitério de Mata Grande, Virgulino reuniu os irmãos e as irmãs e foi para Vila da Pedra, onde passou a trabalhar como comboieiro para o Coronel Delmiro Gouveia. Corria o ano de 1917. O Coronel Delmiro, que havia construído a primeira usina hidrelétrica no Nordeste, com a energia da cachoeira de Paulo Afonso, e montado a primeira fábrica de linhas da América do Sul, foi misteriosamente assassinado nesse ano, sendo o crime atribuído a elementos ligados aos trustes ingleses que moviam uma guerra sem quartel ao pioneiro alagoano. 

Sentindo-se inseguro em Vila da Pedra depois da morte do Coronel Delmiro, Virgulino deixou as irmãs e João — que não era bom da cabeça — aos cuidados da família de Raimundo Peba, operário da fábrica de linhas. E retornou à Floresta, com os irmãos, à procura do bando de Sinhô Pereira e Luís Padre.

GRANDE foi a surpresa de Sinhô Pereira ao ver, já homenzinhos e afoitos, os filhos do velho José Ferreira, que lutara ao seu lado contra os Carvalhos. Virgulino era quem liderava os irmãos e, por isso, passou a merecer mais atenção de Sinhô Pereira, que lhe deu logo uma espingarda papo-amarelo, novinha. Dias depois, após um choque com uma volante comandada pelo Sargento Optato Gueiros, Virgulino, todo cheio de si, disse a Sinhô Pereira que, no tiroteio com a volante, a sua espingarda não deixou de ter clarão, tal qual um lampião. 

Os cabras acharam muita graça e Luís Padre disse que não seria mais à falta de lampião, para iluminar os caminhos, que eles cairiam na tocaia das volantes. Desde esse dia Virgulino Ferreira da Silva passou a ser chamado de Lampião. E, da bôca da sua espingarda, trocada, anos depois, por um fuzil do Exército, que lhe foi oferecido por autoridades federais, jorrou um clarão, cuja luz, lívida e sinistra, iluminou por mais IS anos os sertões do Nordeste. 

HOUVE, porém, o seguinte: Sinhô Pereira e Luís Padre foram a Juazeiro do Norte, no Ceará, pagar uma promessa a padre Cícero Romão Batista e ali o velho taumaturgo os convenceu a abandonar o cangaço. Eles atenderam e seguiram, com recomendações do padre, para o interior de Goiás, deixando Virgulino e seus irmãos.

INDO a uma festa em Juazeiro, Lampião foi avisado por um beato do padre Cícero que o Deputado Floro Bartolomeu havia prometido ao governador de Pernambuco que o entregaria à policia. Disse-lhe o devoto não acreditar que o padre Cícero concordasse com a prisão, porque quem chegasse Juazeiro ficava garantido com a santidade mas que era bom tomar cuidado, porque "doutor Floro é homem capaz de tudo". 

JUNTANDO seus teréns, Lampião deixou Juazeiro, atravessou Pernambuco e chegou Alagoas, onde encontrou o bando dos irmãos Porcino, Antônio e Manuel, juntando--se a eles. Ficou com os Porcino, até junho de 1922. Nesse ano, os Porcinos decidiram abandonar o cangaço e, dos seus trinta cabras, vinte e um debandaram e nove ficaram com Lampião, que passou a chefia-los. Começou assim Lampião a sua carreira de chefe de bando, comandando doze cabras, inclusive seus três irmãos Antônio, Livino e Ezequiel. 

"LAMPIÃO é rapaz moço, pode ter vinte e dois ano. Tem cartucheira de prata e um rife americano."

MATINHA de Agua Branca, em Alagoas, foi a primeira cidade que Lampião saqueou como chefe de bando. A frente de cinqüenta cabras e com cerca de oitocentos soldados da polícia de três estados no seu rastro, entrou em Matinha de Água Branca sem dar um tiro. Distribuiu seus homens pelos pontos estratégicos da cidade e mandou Cravo Roxo intimar o delegado a fazer uma coleta de dinheiro entre o povo. A seguir, entrou numa igreja e foi rezar para o padre Cícero. 

Depois da reza, seguido pelas crianças que viam nele um herói, foi ao palacete da viúva Joana Vieira da Siqueira Tôrres, Baronesa de Água Branca, de onde levou todas as jóias que ela guardava em três grandes baús de cedro. Não molestou ninguém e saiu de Matinha de Agua Branca debaixo dos gritos das crianças: "Viva Lampião, Viva Lampião." Isso a 22 de junho de 1922. 

NO dia 6 de julho do mesmo ano, Lampião assaltou em Olhos d'Agua a fazenda do Coronel José Rodrigues, levando cinco contos de réis para deixá-lo vivo. Invadiu, a seguir, a Vila do Espírito Santo, e, após essas três investidas, foi-se acoitar numa grota em Tacaratu, onde passou cerca de seis meses sem dar sinal de vida.

"Ô muié rendá. ô muié rendá. Chorô por mim não fica, soluçô vai no borná. O Ceará tá de luto, Pernambuco de sentimento, Alagoa de porta aberta, Lampião xaxando dento." 


PARA fugir à ação das volantes, que passaram a não lhe dar trégua, Lampião permanecia durante meses num esconderijo, onde eram promovidos bailes em que a cachaça corria à solta. Ele mesmo animava os forrós, tocando sua sanfona de oito baixos e tirando toadas que se transformavam em cantos de guerra, como essa "Muié Rendera". Nos bailes, à falta de mulheres, os cabras dançavam uns com os outros, dias e noites seguidos. Lampião fumava pouco e bebia menos. Não gostava muito de cachaça: preferia vinho ou conhaque.

QUANDO pressentia ter-se afrouxado o cerco policial, mandava um dos seus cabras às feiras para assuntar o ambiente. Esses cabras eram os chamados pombeiros e muitos deles foram afastados do bando por Lampião, que lhes dava casa e sustento, mantendo-os como coiteiros, que eram os seus informantes sobre todas os movimentos da polícia. 

RECAIU sôbre os coiteiros, tempos depois, o segredo do terrível domínio de Lampião nos sertões do Nordeste. Em pouco tempo, ele conseguiu organizar e manter, do Ceará à Bahia, uma poderosa rede de espionagem, e até padres, juízes, comerciantes, coronéis de barranco, e mesmo soldados da polícia, uns por temor e a maioria por interesse, passaram a dar o serviço a Lampião. 

SOFRENDO de um glaucoma no olho direito desde que nasceu, Lampião passou a usar óculos a partir dos 22 anos. A cegueira total desse olho, que se manifestaria quatro anos depois, foi uma consequência natural do glaucoma. Segundo depoimento de seus cabras, alguns ainda vivos, ele costumava dizer que "dois óio é luxo", porque para fazer pontaria "basta só um; o outro inté atrapaia"

As ordens de Lampião eram cumpridas à risca. Não falava duas vezes, porque não era de conversa. Lampião gostava de romance de capa e espada, mas não largava o rifle, que era sua bengala.


TINHA 1 metro e 80 de altura, cabelos pretos e escorridos, dentadura perfeita, braços finos e mãos compridas, cheias de veias intumescidas. Era amulatado e magro. 

UM punhal de 73 centímetros de lâmina, atravessado na cartucheira do cinturão, duas outras cartucheiras cruzando o tórax, dois embornais, onde carregava iodo, algodão, sabonete, pasta e escova, um prato de alumínio, duas pistolas "parabellum", um rifle com a bandoleira enfeitada de libras esterlina e antigas moedas de ouro portuguesas, e enrodilhado na cintura o cofre papo-de-ema, a sua burra portátil, cheia de cédulas — esse equipamento, pesando cerca de quarenta quilos, era o de Lampião, que vestia invariavelmente paletó de brim caqui e calça de riscado,  lenço vermelho ao pescoço e calçava alpercatas de couro cru e meias de cores vistosas. 

Usava óculos de de aros de ouro, vários anéis nos dedos, sendo um deles de médico, medalhas do Padre Cícero e Nossa Senhora das Dores e rezas fortes costuradas em panos bentos. Na cabeça, um grande chapéu de couro de viado, batido na frente e atrás, destacando-se, na testeira, um signo-de-salomão colorido de ilhoses. 

VENTANIA, Cobra Verde, Cravo Roxo, Azulão, Criança, Pancada, Maria, mulher de Pancada, Carrapicho, Cobra de Cipó, Asa Branca, Pinto Cego, Come Cru, Patorí, Marreco, Graúna e Mergulhão fo-
ram os cabras que formaram o primeiro bando de Lampião.

XEXÉU, Chá Preto, Besta Fera, Canjica, Jurema e Beija-Flor entraram a seguir. Era ele que os apelidava, com o objetivo de lhes esconder a verdadeira identidade, a fim de livrar a família de cada um das represálias da polícia. Ezequiel, seu irmão, apelidou de Ponto Fino, porque ele era mesmo o fino na pontaria.

ZABELE entrou para o bando de Lampião em 1923. Era um caboclo que vivia repinicando a sua viola nas feiras dos sertões de Alagoas. Um dia, tirou um repente criticando arbitrariedades do delegado de Santana de Ipanema. Foi preso, espancado a chicote de umbigo de boi e marcado a ferro em brasa, pelos soldados, como novilho em curral. 
Conseguiu fugir da prisão e foi juntar-se ao bando de Lampião. Era sempre assim. Para os injustiçados nos sertões do Nordeste, Lampião era a última instância.

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