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terça-feira, 11 de junho de 2013

Breve Glossário do Cangaço

Por: Frederico Pernambucano de Mello

Bornal - bolsa conduzida a tiracolo, em tecido resistente, alça larga, divisões internas, dois, três ou quatro botões na tampa, profusamente enfeitada nas partes visíveis. Dependendo da viagem, os cangaceiros e policiais - o uso era comum - empregavam duas ou quatro destas, com o provisionamento de balas (suplementar), alimentos, remédios e muda de roupa Os bornais de bala ficavam por cima dos demais, com o que o seu peso não feria o corpo na caminhada. 


Ao ser morto, Lampião portava jogo de bornais em tecido verde-oliva claro, inteiramente bordado nas cores amarelo-ouro, rosa, azul-real e vinho. A palavra possui forma variante embornal.

Cabeceira, contra coice e coice - divisão tripartida do grupo de cangaço na marcha e que corresponde à organização militar da infantaria em vanguarda, corpo e retaguarda. São conceitos tomados de empréstimo ao  
ao linguajar do almocreve. Estas seções guardavam entre si curta distância com vistas a neutralizar emboscadas.

Cabra - é termo que, aqui, não tem que ver com o animal ou humano mestiço de negro. Trata-se de uma espécie de exército de reserva de coronéis ou cangaceiros, recrutável junto aos moradores do latifúndio. Representa braço armado eventual dos poderosos do sertão. Repita-se que seu engajamento guerreiro de dava de forma intermitente, alternando com períodos de serventia econômica normal, na agricultura ou na pecuária.

Cachimbo - Civis arvorados na função policial à falta de tropa regular. O conjunto destes, além da designação de tropa de cachimbo, era também conhecido como tropa de barra.

Cangaceiro - Versão regional brasileira, do Nordeste, da figura universal do salteador de estradas. É a expressão individual de uma realidade criminológica necessariamente coletiva e rural, cujo comando se define no âmbito  do próprio grupo.

Cangaço - O termo parece derivar da palavra canga, peça de madeira com que se sujeita o boi pelo pescoço, fazendo-o puxar carro ou uma forma de vida ou profissão, aplicava-se ao conjunto bastante volumoso de equipamentos que os bandidos sertanejos carregavam. Desde fins do século passado significa o modo de vida dos grupos autônomos de salteadores dessa área.

Capanga - Cabra, em sua expressão mais defensiva e íntima. É o que hoje se chama costumeiramente de guarda-costas.

Coiteiro - Protetor do cangaceiro. Primitivamente, só os reis tinham o direito de citar - coutar - terras, tornando invioláveis seus habitantes. A instituição chega ao Brasil através da velha legislação real portuguesa e, se considerarmos que os coronéis sertanejos se tinham na conta de reis, compreenderemos, porque se sentiam prestigiados em poder coitar seus latifúndios e moradores destes. Em sua expressão moderna, o exercício do coito transcendeu dos coronéis para poderosos em geral. No século atual, o termo abrangeria toda e qualquer pessoa que transacionasse com cangaceiros, favorecendo-os de algum modo.

Coronel - Chefe político sertanejo, titular no vazio primordial do poder público, do exercício de poderes absolutos, de cunho patriarcal, podendo seu protagonista ser civil, militar ou clérigo.

Desarvorar - Termo tomado de empréstimo à náutica primitiva portuguesa, onde correspondia à retirada dos símbolos do mastro principal do navio abandonado. No cangaço, correspondia à retirada, por companheiro, dos objetos, utensílios e valores de cangaceiro ferido em combate e já moribundo.

Jabiraca - Lenço de tecido de algodão ou seda, de cor berrante, que o cangaceiro usava ao pescoço, preso por anel. Na fase derradeira e mais rica do bando de Lampião, no final dos anos 30, assinalam-se casos de cangaceiros com mais de quinze alianças de ouro a afivelar a jabiraca.

Jacuba - Último recurso alimentar do cangaceiro circunstancialmente faminto; era a farinha misturada com açúcar.

Jagunço - Salteador rural integrante de grupo comandado por pessoa ou instituição situada fora deste, podendo assumir conotação política ou religiosa.

Macaco - Soldado de polícia na linguagem galhofeira do cangaceiro.

Moca - Tocaia armada pela polícia.

Navegar - Marcha, sem rumo ou limite, do grupo de cangaço pela caatinga. É termo náutico mumificado no sertão.

Paisano - Na visão do cangaceiro, havia três categorias de pessoas na sociedade: este próprio, os macacos e os paisanos, que eram os civis.

Pistoleiro - Assassino de aluguel, agindo isolado e de forma invariavelmente traiçoeira. Trata-se da expressão mais desprezível dos agentes da violência no sertão, opondo-se, por definição, ao cangaceiro, figura ostensiva e escancarada de tal galeria. Sem embargo, o pistoleiro era utilizado pelo chefe de cangaço para o cumprimento de missões em aglomerados urbanos mais desenvolvidos.

Rapaz - Termo pelo qual o chefe de grupo de cangaço chamava os seus subordinados. Nesse âmbito, a palavra cabra era considerada ofensiva.

Rastejador - Membro da volante ou do grupo de cangaço encarregado, graças a uma habilidade desenvolvida sobretudo na caça, de levantar rastros e indicar o roteiro do inimigo. Trata-se de figura militarmente, apreciada desde as guerras, contra os holandeses, sendo, ao tempo do cangaço, o principal fator de orientação dos grupos de combatentes.

Retaguarda - Movimento de contra-ataque ao inimigo feito pelas costas e por pequena fração do grupo de cangaço, poucos instantes após o grupo principal ter sido acometido. Com Lampião, ao longo do tempo, destacaram-se nessa função os cangaceiros Esperança, Sabino, Corisco e José Sereno.

Sertão - Porção semi-árida do Nordeste, representativa de 49% do território deste. Na Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, chega à beira do mar.

Valentão - Também conhecido como homem de questão, esta figura se arvoraria na instância única da justiça no sertão primitivo, considerando-se parte em qualquer disputa para a qual lhe invocassem a presença justiceira. Com apoio no bacamarte, resolveria questões de terra, de honra de donzela, de contrato quebrado, de inventário de acomodações, de débito não pago e outras tantas do velho mundo rural. Houve casos de limites de terras serem fixados pela simples mijada do valentão.

Volante - Força policial de composição numérica incerta e sem destacamento fixo. Na forma regular, é realidade tomada comum apenas no século presente, seu espaço sendo ocupado primordialmente pela tropa de cachimbo recrutada, em regra, pelas câmaras municipais ou juízes de paz. Com intenção pejorativa, Lampião dava o nome de volante às incursões exclusivamente de rapina que promovia.

Frederico Pernambucano de Mello

Fonte:

Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995

Material cedido pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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Roberto Rodrigues de Carvalho - o Robertão

Por: José Mendes Pereira

Roberto Rodrigues de Carvalho era natural de Mossoró, mas era conhecido por Robertão. Nasceu no dia 03 de Outubro de 1961, e faleceu no dia 02 de Janeiro de 2008. Filho do comerciante Francisco Rodrigues de Carvalho e de Antonia Rodrigues de Carvalho. Ele era primo legítimo do escritor 

David de Medeiros Leite

David de Medeiros Leite e sobrinho de segundo grau da primeira motorista de Mossoró, Francisca Rodrigues Duarte, conhecida por dona Chiquinha Duarte.

Dona Chiquinha Duarte

Roberto Rodrigues de Carvalho tinha duas personalidades. Uma delas era ser homem, homem do trabalho, homem da confiança de todos. Homem que respeitava homens e mulheres. Homem que andava na linha, bem vestido, cabelo cortado e barba feita. Homem que frequentava os amigos como qualquer outro. Homem que não decepcionava ninguém. Com estas características era o Roberto Rodrigues de Carvalho. 

A outra personalidade do Roberto Rodrigues de Carvalho era não querer ser homem de responsabilidade, nem para o trabalho, nem tão pouco, homem da confiança de todos. Homem que não respeitava homens e nem mulheres. Homem que não andava na linha, mal vestido, cabelo arrepiado e barbudo. Homem que não podia frequentar as casas dos amigos como qualquer outro. Homem que decepcionava as pessoas pelo seu jeito de ser. Com estas características quem era Roberto Rodrigues de Carvalho, agora era o Robertão, o grande homem das cavernas. 

Andava sujo, sem camisa, bêbado, drogado e sobre os ombros, uma pequena bolsa a tiracolo, como se ali fosse a sua mala, para guardar suas vestes, seus cigarros, seus chinelos, seus trocados.  

Ele não era valente, apenas se defendia com palavras duras e críticas. Poucas pessoas davam-lhe confiança; passavam e o via caído nas calçadas, no meio da rua, nas portas de bares, todo imundo, fedorento... No período em que ele era o Robertão algumas vezes fora preso, por desrespeito à polícia, por não querer obedecê-la. Mas por infelicidade, o Robertão adquiriu fama de estuprador, mas isso nunca ele praticou com mulher nenhuma. Apenas fizera alunas correrem com medo de si próprio, no intuito de fazer graça. E com isso, Robertão se tornou um homem temido pelas mulheres do grande Alto de São Manoel, em Mossoró.

Certa noite, enquanto ele caminhava pelas ruas do conjunto Walfredo Gurgel, no grande Alto de São Manoel, uma estudante pediu a sua ajuda, para chegar até em casa, porque um senhor chamado Robertão estava atormentando a vida das mulheres. E assim fez. Acompanhou-a até certo ponto, quando um sujeito que o conhecia, vendo ele ao lado daquela bonita jovem, enciumado, gritou:

- Que sorte hein, Robertão! Descolou uma linda garota!

A estudante que não esperava que ele fosse realmente o tão falado Robertão, fez carreira aos gritos, para que as pessoas a defendessem das garras do Robertão.  

Robertão querendo que a menina entendesse que ele não iria lhe fazer nenhum mal, saiu correndo, tentando alcançá-la. A sua fama cresceu mais ainda.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://minhassimpleshistorias.blogspot.com

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Escritor Rubervânio Rubinho Lima cativa o público em sua palestra no 11º SALIPI

Por: Rubinho Lima

Na manhã do último dia 07 (sexta-feira) o escritor Rubervânio Rubinho Lima realizou sua palestra intitulada "Cangaço e Nordeste", no 11º SALIPI - Salão do Livro de Piauí, ocasião em que lançou seu mais novo livro "Lampião, cangaço e cordel".


Nesse evento de proporções gigantescas, com standes de livrarias e livreiros de todo o país, e com uma programação diversificada de palestras de grandes nomes da Literatura, oficinas, apresentações musicais e Bate-papos literários acontecendo durante a semana de 02 a 09 de junho, houve espaço também para a cultura do cangaço, através das palestras dos escritores Rubervânio Rubinho Lima e João de Sousa Lima, da cidade de Paulo Afonso.


Com um público muito participativo, presenta em mais uma edição do 16º Seminário Língua Viva, que acompanhou um pouco da história do fenômeno do cangaço e suas ligações com a literatura popular, a manhã de sexta-feira foi bastante proveitosa para os participantes, que puderam conhecer um pouco mais da história desse fenômeno do Nordeste e tirarem suas dúvidas sobre o tema.


Já na tarde do mesmo dia, às 17:30, no espaço reservado para o "Bate-papo Literário", o escritor João de Sousa Lima envolveu os presentes com a palestra "As mulheres e o cangaço" e em um bate-papo regado de muita música, pelos escritores e músicos Dr° Leandro Cardoso e Jadilson Ferraz, que alternaram o momento com músicas e histórias de Luiz Gonzaga, além também de contar com intervenções do Professor Wilson Seraine, entusiasta e pesquisador da história e das músicas do "Rei do Baião".












Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço: 
Rubinho Lima

http://www.conversasdosertao.com/2013/06/escritor-rubervanio-rubinho-lima-cativa.html

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Lampião no Ceará em 1928

Pesquisador Kiko Monteiro

Olá, Mendes! 

O jornal é de 1928. O resumo incluso em meu comentário é de autoria de Cicinato, copiado por Raimundo Gomes, que me cedeu o jornal.

 O pesquisador Ivanildo Alves Silveira e o escritor Cicinato Neto

No começo de março 1928"o homem", Lampião encaminhou-se ao Ceará. Seu grupo ficou escondido na serra canabravinha, em Brejo Santo. No dia 10, esteve na fazenda Poço, no mesmo município. 

Segundo testemunhas, os cangaceiros nem pareciam os participantes de um grupo que, há dois anos, ao perambular pela mesma região do Cariri, comportara-se como uma legião de dominadores. 

Lampião

Ao chegar às terras cearenses, Lampião vinha em busca dos seus protetores, pois o grupo estava em sérias dificuldades, seguido de perto pelas forças adversárias, em destaque a dos “Nazarenos”. Perseguido na fazenda Poço fugiu para a Serra do Batoque, Barra do Cristóvão e Serra do Bom Nome. 

No dia 15 os cangaceiros chegaram na fazenda Piçarra, entre Brejo Santo e Jati. Lampião tinha excessiva confiança no dono da fazenda, Antonio Teixeira Leite, conhecido popularmente com 

Seu Antonio da Piçarra

Antonio  da Piçarra... e no dia 27 foi baleado um dos homens mais próximos a Lampião, o célebre Sabino Gomes, que participara do ataque a Mossoró.

O cangaceiro Sabino Gomes

Cincinato Ferreira Neto, A MISTERIOSA VIDA DE LAMPIÃO. Transcrito por Raimundo Gomes.

Material autorizado para publicação pelo pesquisador Kiko Monteiro, administrador do blog:
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Morre na Paraíba compositor de Luiz Gonzaga, Frei Marcelino

Por Ney Vital - Jornalista(*)
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Morreu sábado (8), aos 79 anos, o ex-deputado Francisco Muniz de Medeiros, o frei Marcelino de Santana. Frei Marcelino estava internado desde o dia 2, no Hospital Napoleão Laureano, por conta de um câncer de próstata. 


Frei Marcelino é o compositor do baião "Meu Padrim", em 1960, tornando-se a primeira gravação de Luiz Gonzaga com o tema Frei Damião. 


A gravação é de disco 78 rpm e foi digitalizado em CD selo Revivendo em 2007. Detalhe: A música "Meu Padrim" contem um protesto, critica social. 

Frei Marcelino foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores na Paraíba e fez campanha para o ex-presidente Lula no Sertão do estado.


O religioso foi deputado estadual de 1974 a 1978, período em que chegou a ocupar a 2ª Vice-Presidência da Casa de Epitácio Pessoa. Ele também foi presidente da Comissão de Negócios Municipais e Serviço Público da ALPB, em 1978.


Francisco Muniz de Medeiros era professor de Filosofia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Fundou com a ajuda de jovens professores o Colégio Técnico Dom Vital (1959), em Catolé do Rocha, onde foi vigário da paróquia local por mais de 20 anos. No mesmo ano, fundou o Sindicato de Trabalhadores Rurais da Paraíba. Foi professor de Português, Inglês, Grego e Latim, Educação Artística, Sociologia, Psicologia e Filosofia da Educação.

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas

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Seminário Parayba Cangaço




Sousa e Nazarezinho esperam por vocês

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domingo, 9 de junho de 2013

Raimunda Paiva Fernandes - Véspera dos 93 anos

Por Polyanna Fernandes

Raimunda Plácida de Paiva nasceu fruto do amor entre Geraldo Franklino da Costa e Francisca Nobilina de Paiva, em 05 de Outubro de 1920, na residência dos seus pais, uma casa humilde no sítio Tanques, na zona rural, entre os municípios de Patu e Umarizal-Rn, onde residiu até 1942. Filha de pai agricultor e mãe doméstica; viviam basicamente da agricultura. Tinham vida simples e difícil. Família grande de muitos irmãos. Brincavam com bonecas de pano, sabugos de milho, panelinhas de pedra, brincavam de roda. Meninos e meninas brincavam juntos. Escutavam estórias de Trancoso nos finais de tarde, após a ceia.


A educação das crianças era de responsabilidade dos padrinhos, que a disponibilizava através de professores contratados para ensinar o bê-a-bá. Depois, foi matriculada numa escola no município de Rafael Godeiro-Rn, onde estudou até a primeira série. Nesta época, vestia-se de chita.

Já mocinha, divertia-se com os bailes nos sítios em dias de casamentos, que eram arranjados pelos pais e avós. Às vezes, juntavam-se na casa de parentes, aos domingos para dançar ao som de uma sanfona.

Impossível esquecer a seca que assolava a região e a dificuldade financeira da família, o que resultou na ida para a zona rural do município de Mossoró-RN, Alagoinha. Pra tentar uma vida melhor. No entanto, com pouco tempo de nova moradia, seus pais, juntos com alguns irmãos, retornaram ao município de Patu-Rn, ela permanecendo na casa de sua irmã, Elisa que já estava casada.

CASAMENTO

Meses depois, conheceu em Alagoinha Domingos Fernandes Pimenta, natural do sítio João Pereira, zona rural do município de Patu-Rn. Um senhor viúva e pai de 20 filhos, alguns já falecidos na época.

Uniu-se em matrimônio em 26 de Setembro de 1949, com apenas 28 anos, na Catedral de Santa Luzia – “Mossoró”, com “Seu Domingos”. A partir dessa data tornava-se a senhora Raimunda Fernandes Pimenta.

Após o casamento eles foram ao município de Caraúbas-Rn para buscar os filhos dele para morar com eles. Ela foi muito bem recebida pelos filhos de “SEU DOMINGOS”. E os tinha como filhos.

FILHOS DO CASAL

Nada mais natural que gerar seus próprios filhos. Sendo assim, aos 29 anos, em 1950, no sítio Bom Destino, deu a luz a primeira filha do casal, Luzimar Paiva Fernandes . Em 1951, nasce Domingos Fernandes Pimenta Filho, e em 1952, nasce Francisca Paiva Fernandes. Com o passar dos tempos as crianças foram crescendo e começaram a ajudar na lida da casa e também na colheita do sítio.

Não existia luxo, mas quanto à alimentação sempre foi muito farta e todos gostavam da vida que tinham. Depois de ajudarem no roçado e na lida de casa, as crianças brincavam em baixo de um pé de cajarana.

Depois de um ano, em 1953, vieram para Mossoró, no bairro Alto de São Manoel, com a promessa de emprego para o patriarca, na função de vigia no saneamento, hoje CAERN. Mas o emprego só deu certo por dois anos, e a família retorna à Alagoinha. Nessa estadia em Mossoró, em 1954, nasce Antonio Paiva Fernandes, e em 1955, Rita Paiva Fernandes.

De volta ao sítio, em 1956, nasce Geraldo Paiva Fernandes. E em 1957, Luzia Paiva fernandes. Em 1958, Pedro Nascimento Paiva Fernandes, E em 1961, nasce o último filho do casal, Sebastião Paiva Fernandes.

Após voltarem ao sítio Alagoinha o marido caiu pela primeira vez de uma carroça e quebrou o pé. Como já estava com idade avançada, começou também a apresentar sinais de algumas doenças. Então, costumava ir à Mossoró para tratamentos.

EDUCAÇÃO DOS FILHOS:

Para estudarem, alguns dos filhos vieram para Mossoró, sobre a responsabilidade de uma tia – Dona Osana, no bairro Baixinha. Logo depois, alugaram uma casa em Mossoró, na Rua 06 de Janeiro, pertencente ao Sr. Toinho de Caboclo. Depois, os irmãos moraram 30 dias na Rua Pedro Velho, na casa de Maria Panema e, em seguida, na Avenida Alberto Maranhão.

Em 1970, ainda na Alagoinha, casou-se a primeira filha Luzimar. Nesse mesmo ano, o casal teve a alegria de receber a primeira neta: Cleide Fernandes de Sousa. Em seguida casaram-se a Rita e a Francisca. Com a continuação dos anos, os outros filhos foram se casando, Domingos, Pedro, Luzia, Geraldo, Antônio e por último, o caçula Sebastião.

MUDANÇA DE ALAGOINHA PARA MOSSORÓ

Insatisfeitos com a rotina que levava, dias em Mossoró, dias em Alagoinha, o casal decidiu vender o sítio e morar de uma vez por toda em Mossoró, comprando a primeira casa na Avenida Melo Franco, de propriedade do Sr. Henrique Mendes, morando apenas sete meses, pois tendo em vista “Dona Mundica” não ter se adaptado ao local, por motivos de saúde; compraram outra casa na Rua Juvenal Lamartine, que pertencia ao casal Chailton e Marlene, pois as coisas seriam mais fáceis no centro, vez que a família estaria junta, e as visitas aos médicos se tornaram mais constantes.

SEU DOMINGOS SOFRE ACIDENTE

Em 1980, quando ainda moravam na Juvenal Lamartine, enquanto caminhava até ao Hospital dos Salineiros, na Avenida Alberto Maranhão, em frente à Escola Dix-Sept Rosado, Seu Domingos sofreu um acidente, sendo atropelado por um carro táxi, de propriedade do Sr. Manoel Peru, ficando em cadeira de rodas.

CUIDADOS DOS FILHOS AO PATRIARCA

Nessa nova época, era necessária a ajuda e a compreensão dos filhos, pois, devido a dependência física, fazia-se necessário alguém, o tempo todo para ajuda-lo nas atividades mais simples. Aos poucos, ele foi se restabelecendo e começou a andar de muletas.

ACIDENTA-SE NOVAMENTE ENQUANTO RECEBIA FILHO

Meses depois, caiu de uma cadeira quando levantara para receber o filho Antonio Paiva, que chegara de viagem; o que agravou o seu estado de saúde. Apesar de toda a debilidade, Seu Domingos, em nenhum momento reclamava do que ocorrera com ele, e continuava sendo a pessoa doce e maravilhosa que sempre fora. Ele continuou frequentando as missas todos os domingos, na Igreja São José. E a vida continuava sem maiores problemas. Em 1981, ainda passou por uma cirurgia de próstata.

DONA MUNDICA ABRAÇA COM GARRA A SITUAÇÃO DO MARIDO

Incansavelmente, “Dona Mundica” estava sempre ao lado do marido, cuidando e o zelando. Passava noites e noites acordada ao seu lado. Nesse período, o seu filho PEDRO e a família foram morar com eles para ajudar à mãe. Os outros filhos também se reversavam, já que ela sozinha não podia cuidar do marido. Entre os anos de 1983 e 1984, foram morar no Abolição IV, por um ano, indo depois para o Abolição III.

MORTE DE SEU DOMINGOS FERNANDES PIMENTA

Visivelmente fragilizado e debilitado, em 26 de Dezembro de 1985, Domingos Fernandes Pimenta veio a falecer. Momento muito triste e doído, tanto para Dona Mundica como para sua família. Hoje, ainda dói falar nele. Ela se esquiva de falar nesse assunto, pois sente um vazio enorme.

Seu Domingos foi uma pessoa muito importante na vida dessa mulher. Ela o respeitou e o amou a sua maneira até o último dia de vida. A gratidão, dedicação, respeito que ela tinha e tem por ele até hoje e tocante. Ela tinha uma eterna gratidão por Seu Domingos, como se fosse um favor ele ter casado com ela.

DONA MUNDICA - AGORA É A MÃE E O PAI DOS SEUS FILHOS

Após a morte do marido dedicou-se a comandar e cuidar da sua família e a frequentar as suas missas. Foi um período muito difícil e de adaptação, qual contou com a ajuda da família. Afinal, foram 36 anos de convivências. Mas, a vontade de viver é muito grande, pois mesmo diante da perda do marido, ela continua firme.

FELICIDADE COM A CHEGADA DOS BISNETOS

Em 1995, ela tem o prazer de conhecer Daniel Francisco da Silva Filho, seu primeiro bisneto. Em meio a tantas dificuldades, tristezas e momentos felizes na sua vida, ela pode realizar  em 2010, um grande sonho, que sempre cultivava em seu coração. Voou pela 1ª vez e foi a São Paulo-SP, conhecer Aparecida do Norte.


RAIMUNDA significa AQUELA QUE É PODEROSA E PROTEGE A TODOS. E esse é o papel dessa mulher que completará em Outubro deste ano, 93 anos de vida. Proteger, zelar, acompanhar, guardar, orientar e amar a todos nós, familiares e amigos, papel que ela desempenha com todo carinho. É uma grande mulher frágil e forte, determinada, durona e sabe como defender suas vontades.

No decorrer dos anos essa família cresceu e hoje, tem 86 pessoas, entre filhos, filhas, noras, genros, netos, netas, bisnetos e bisnetas agregados. Pode-se dizer que são “A GRANDE FAMÍLIA”. E como diz a letra da música de Dudu Nobre:

Esta família é muito unida...
E também muito ouriçada...
Brigam por qualquer razão...
Mas acabam pedindo perdão.

Assim é a família Paiva Fernandes, tem a sua diferença como toda família, mas os membros desta família estão sempre juntos e prontos para nos ajudar. A forma simples e humilde de ser dessa grande mulher, sua sabedoria, sua vontade de viver é um exemplo de vida para toda essa família. As marcas do tempo no seu rosto sinalizam as experiências de vida. Mas, na alma essa mulher tem a alegria de uma criança que pula e brinca que sonha, mesmo diante das dificuldades.


Nada mais justo que, estarmos aqui, hoje, para homenageá-la, como fazemos todos os anos. Não importa a distância, sempre damos um jeito de estarmos reunidos na data do seu aniversário, que é tão especial. E esse ano de 2013, novamente estaremos reunidos para comemorarmos, não só os seus 93 anos, mas também a sua história de vida.

Por tudo que construiu ao longo de sua vida, Dona Mundica, pode ser considerada uma Boa Pastora, que cuida do seu rebanho, guia as pastagens, as águas vivas e ao descanso, protegeu o seu rebanho das feras devoradoras. Em contra partida, suas ovelhas, conhecem a sua voz e seguem-no por onde quer que ele vá. “O bom pastor procura sempre o melhor para o rebanho que o segue, o qual se beneficia do seu amor e dos seus conhecimentos, (livro dos salmos)”.

Diante disso, só temos a agradecê-la por tudo que nossa “DONA MUNDICA” tem feito por todos nós. E são por essas e outras que é impossível tentar explicar esse imenso amor que carregamos. E tudo que dissermos, ainda será bem pouco, perto desse imensurável amor que temos por essa grande mulher. Então, usamos em vídeo as palavras do rei Roberto Carlos para tentar expressar o que sentimos.


Só desejamos que a senhora viva muito mais e esperamos que, essa reunião que acontecerá em Outubro, comemoração ao seu nonagésimo terceiro aniversário não se resume só a essa data, e que a nossa família continue unida e que o espírito de paz reine, mesmo diante das diferenças existentes.

Autora: Polyanna Fernandes

Dona Mundica é a sogra do administrador deste blog.

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sábado, 8 de junho de 2013

Todos a Mossoró !!!


PROGRAMAÇÃO

Dia 10/06/13 – Segunda-Feira

19h15min
Local: Salão nobre do Museu Histórico Lauro da Escóssia
Solenidade de abertura

20:00h
Conferência de abertura
Tema: Modos de cura: a medicina nos tempos do cangaço
Conferencista: Dr. Leandro Cardoso Fernandes 


Leandro Cardoso ao lado de Sousa Neto

21:00h
Programação cultural
Poema – Poetas e Prosadores de Mossoró

Dia 11/06/13 – Terça-feira

08:00h
Palestra:
Tema: A ilusão do cangaço
Palestrante: Aderbal Nogueira Simões

Ângelo Osmiro

Representante do 3º presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, o Sr. Ângelo Osmiro Barreto


Aderbal Nogueira e Manoel Severo

08h45min
Debate

Debatedor
Manoel Severo Barbosa

Moderador

Geraldo Maia do Nascimento


15:00h
Reunião das entidades culturais de Mossoró
Pauta:
- Sistema Municipal de Cultura
- Sede própria para as entidades

Dia 12/06/13 – Quarta-feira

08:00h
Palestra:
Tema: O cangaço e a literatura popular:
Palestrante: Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira
2º presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do cangaço


Kydelmir Dantas e Emanuel Braz

08h45min
Debate

Debatedor
Josué Damasceno Pereira

Moderadora
Elizabeth Oliveira Amorim

Dia 13/06/13 – Quinta-feira

08:00h
Palestra: 20 anos da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Conferencista: Paulo de Medeiros Gastão
1º presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

Debatedores:


Antônio Vilela de Souza


e Emanuel Pereira Braz


Paulo Gastão

15:00h
Lançamento do livro: Religião e cangaço na cidade de Mossoró
Autor: Cláudio José Alves Viana
Fonte Editorial

Promoção SBEC
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

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