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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

UM MISTÉRIO COM QUASE 175 ANOS ESTÁ SENDO DESVENDADO – ARQUEÓLOGOS FILMARAM UM DOS NAVIOS PERDIDOS DA EXPEDIÇÃO DE SIR JOHN FRANKLIN

Agora as imagens desse naufrágio estão rodando o mundo e mais um dos mistérios que encantavam a humanidade se encerra com a pesquisa científica.

John-Franklin-Expedition-1845-Nordwestpassage-Erebus-and-Terror. Erebus and Terror – 1845D
Por mais de 170 anos o HMS Terror descansou sob as águas geladas do Oceano Ártico canadense, guardando os segredos de uma expedição cientifica desaparecida e totalmente fatal para seus participantes – até um dia ensolarado no início desse mês, quando um pequeno robô mergulhou no mar para tentar encontrar seus restos.

Fonte – https://www.stuff.co.nz/world/americas/115370613/underwater-video-of-hms-terror-1845-shipwreck-could-reveal-clues

Através de um cabo elétrico com controle remoto, pesquisadores canadenses conduziram esse aparelho subaquático até o naufrágio e entraram no convés, ansiosos para ver o que o veículo poderia encontrar. Essa é a primeira grande exploração nesse antigo navio inglês condenado, desde que dezenas de homens o abandonaram depois que ele ficou preso no gelo em 1845. Era uma exploração comandada pelo inglês Sir John Franklin e objetivava mapear a chamada Passagem Noroeste. Uma ligação entre os Oceanos Atlântico e Pacifico através do Circulo Polar Ártico.
Não houve sobreviventes. O Terror e seu navio irmão, o HMS Erebus, desapareceram sob a superfície gelada, onde permaneceriam até 2014 e 2016, quando as antigas naves foram descobertos pelos canadenses.
Por décadas o único registro encontrado dessa malograda expedição foi uma única e sucinta nota, escrita em abril de 1848, rabiscada com a mão trêmula em um pedaço de papel. 

Fonte – Victory Point Note. © National Maritime Museum, London. Mensagem original escrita pelo capitão Francis Crozier .
Essa mensagem foi encontrada quinze anos depois da partida dessas naves da Inglaterra, tendo sido rascunhada pelo capitão Francis Crozier, que a deixou para trás na Ilha King William, em um recipiente protegido por um monte de pedras, antes que todos os membros da tripulação perecessem e seus corpos congelados desaparecessem. Crozier informou que 105 almas abandonaram o Terror e o Erebus e que 24 já estavam mortos, incluindo o líder da expedição, Sir John Franklin.  Essa mensagem foi descoberta por uma expedição inglesa que tentou encontrar seus compatriotas.

Em 1984 o cadáver bastante conservado do marinheiro inglês John Shaw Torrington (1825 – 1846) foi um explorador e  encontrado na Ilha Beechey. Como resultado das temperaturas árticas abaixo de zero, Torrington foi extraordinariamente bem preservado, com características identificáveis, incluindo olhos azuis claros e brilhantes e pele que ainda estava intacta, apesar de machucados e amarelados. Um membro da tripulação que morreu na mesma época e foi enterrado ao lado de Torrington também mostrou sinais mínimos de decomposição. Fonte –https://miepvonsydow.wordpress.com/2016/04/01/the-preserved-body-of-royal-navy-stoker-john-torrington-in-1984-who-had-died-138-years-earlier-of-pneumonia-in-1846-during-sir-john-franklins-lost-expedition-in-the-canadian-arctic-ca-1984/
A explicação para Crozier e um grupo de homens haver sobrevivido ainda por algum tempo, está no fato desses navios transportarem uma grande quantidade de alimentos. Mas sem capacidade de reporem seus gêneros e, certamente, diante dos rigores do inverno todos pereceram.
“-Uma história triste, contada em poucas linhas”, escreveu o explorador britânico que descobriu a nota em 1859.

Sino de bronze do HMS Terror – Fonte – ParksCanada
Os inuits, povo nativo local, possuem em sua tradição oral um rastro de histórias perturbadoras sobre homens brancos doentes, que desembarcaram no Ártico desesperados para salvar suas vidas, andando feito fantasmas sobre a neve, sucumbindo à exposição ao frio, à fome e até, possivelmente, ao canibalismo. Numerosas expedições foram realizadas nesses quase 175 anos, onde recuperaram os restos de alguns tripulantes, mas nunca os navios.

Cartaz produzido na época do desaparecimento, com uma recompensa de 100.000 dólares, uma verdadeira fortuna.
O conhecimento Intuit – ou Inuit Qaujimajatuqangit, antigo povo tradicional do Ártico, é a coleção mais completa de relatos em primeira mão sobre esses ingleses a sobreviver ao longo das décadas. Algumas dessas histórias foram registradas ainda nas décadas de 1850 e 1860. Não foi por outra razão que após o governo canadense decidir realizar mais essa expedição em busca dos naufrágios, os pesquisadores inuítes lideraram o grupo ao longo do caminho.

Uma das pinturas mais conhecidas da condenada expedição de Franklin. Título completo: “Eles criaram o último elo com suas vidas: HMS ‘Erebus’ e ‘Terror’, 1849-1850”. (W. Thomas Smith / Museu Marítimo Nacional) – Leia mais: https://www.smithsonianmag.com/science-nature/dentist-weights-in-what-really-doomed-the-franklin-expedition-180964594/#jyoVdjicEUzWaMV4.99
A National Geographic informou que o Erebus foi encontrado em 2014, quase no local exato que o testemunho dos Inuit o colocou. Dois anos depois um caçador inuit de um assentamento na ilha King William levou os arqueólogos até o Terror. Essa nave foi apropriadamente descoberta em Terror Bay, uma área que havia sido nomeada em memória do navio perdido.

Sammy Kohvik
O caçador Sammy Kohvik contou uma história notável para levar os cientistas até o local, como o jornal americano Washington Post relatou. 
Alguns anos antes Kohvik disse que ele e um amigo estavam seguindo em duas motos de neve, os famosos snowmobile, até uma área de pesca. Foi quando viram um grande poste de madeira projetando-se fora do gelo em Terror Bay – era o mastro do navio. 
Kogvik tirou uma foto, mas perdeu a câmera a caminho de casa. Ele não foi procurar o local novamente, até embarcar em 2016 em uma expedição da Arctic Research Foundation, ajudando na busca. Quando a equipe de cientistas ouviu sua história, eles foram direto para a Baía do Terror.
“-O mastro alto poderia estar a metros fora da água nos últimos 150 anos, mas ninguém o viu”, disse o CEO da Arctic Research Foundation, Adrian Schimnowski, à National Geographic em 2016.
Agora ocorreu a primeira visualização do interior do HMS Terror e seus resultados são impressionantes.

Fonte – https://www.stuff.co.nz/world/americas/115370613/underwater-video-of-hms-terror-1845-shipwreck-could-reveal-clues

O governo canadense anunciou nesta quarta-feira (28/08/2019), que os pesquisadores estão mais perto de desvendar o mistério duradouro desses desastres. Dentro do HMS Terror o explorador subaquático robótico encontrou um navio tão bem preservado que seus artefatos pareciam estar essencialmente congelados no tempo.

Mergulhadores no HMS Erebus – Fonte – https://edition.cnn.com/travel/article/canada-shipwreck-franklin-scli-intl/index.html

“-A impressão que testemunhamos ao explorar o HMS Terror é de um navio recentemente abandonado por sua tripulação, aparentemente esquecido pela passagem do tempo”, disse Ryan Harris, arqueólogo do Parks Canada, que pilotou o veículo subaquático com controle remoto.
Dentro do navio os artefatos de vidro ainda estavam empilhadas ordenadamente nas prateleiras. Garrafas de vinho e jarros envoltos em lodo ainda estavam de pé em nichos de madeira e rifles ainda se encontram pendurados nas paredes, envoltos em ferrugem. Nas 20 salas separadas do navio, as gavetas das cômodas e mesas ainda estavam fechadas – a descoberta mais tentadora aos olhos dos arqueólogos. É aí que eles acreditam que encontrarão diários, registros e mapas sobreviventes, possivelmente iluminando toda a expedição.
Harris disse que eles esperam que os documentos cobiçados possam está preservados sob montes de sedimentos protetores, fixados no lugar graças às temperaturas extremamente frias.

O estado de conservação do HMS Erebus é verdadeiramente incrível.

“-Esses cobertores de sedimentos, junto com a água fria e a escuridão, criam um ambiente anaeróbico quase perfeito, ideal para preservar materiais orgânicos delicados, como têxteis ou papeis”, disse Harris à National Geographic. “-Existe uma probabilidade muito alta de encontrar roupas ou documentos, alguns deles possivelmente ainda legíveis. Gráficos enrolados ou dobrados no armário de mapas do capitão, por exemplo, podem muito bem ter sobrevivido”.

Agora as imagens desse naufrágio estão rodando o mundo e mais um dos mistérios que encantam a humanidade se encerra com a pesquisa científica.
Extraído do blog Tok de História do hstoriógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros.
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ABÓBORA, PORCO E GENTE

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.173

        Quem diria que o primo pobre iria ficar rico! Cortei carradas de abóboras (Cucúrbita moschata), chegadas da nossa fazenda Timbaúba, em carro de boi. O destino era a engorda da porcada, pois, como todo o povo dizia: “abóbora é coisa para porcos”. Enquanto isso, o produto guardava seu tesouro para o futuro. Sessenta anos depois as tecnologias e descobertas nutricionais elevaram a abóbora (também conhecida como jerimum) ao patamar de primeiro mundo. A senhora estar sabendo? Fruto da abobreira ou aboboreira é nativa da América do Sul. Ela é cultivada em todo o mundo por ser uma fruta extremamente nutritiva e saborosa. Aqui no Brasil as abóboras são cultivadas há muito tempo e já faziam parte da alimentação dos indígenas, bem antes da colonização.


“O fruto que é tão rico em sabor é igualmente rico em nutrientes que beneficiam nosso organismo. Ele é boa fonte de betacaroteno, vitamina C e vitamina E - que têm propriedades antioxidantes - e de vitaminas do complexo B. Ainda é rico em fibras e fonte de cálcio, ferro, fósforo e potássio. Suas sementes e o óleo extraído delas são excelente fonte de zinco e gorduras insaturadas, além de ter uma boa quantidade de ferro. Por conter boas quan tidades de antioxidantes, o consumo de abóbora está ligado à redução no risco de certos tipos de câncer, doenças cardiovasculares, derrames e problemas nos olhos, como a catarata. As fibras da abóbora ajudam a diminuir a sensação de fome e por isso fazem parte de dietas para controle do peso”.
Veja doze benefícios da abóbora:
1.   Melhora a visão e a saúde dos olhos;
2.   Previne doenças coronárias;
3.   Ajuda a perder peso;
4.   Auxilia no tratamento da hiperplasia e no câncer de próstata.
5.   Trata vermes intestinais;
6.   Abaixa a pressão arterial;
7.   Melhora a saúde sexual do homem;
8.   Melhora a qualidade do sono;
9.   Beneficia o sistema imunológico da mulher.
10.  Melhora a saúde da mulher da fertilidade à menor pausa;
11.  Previne rugas;
12.  Enriquece a dieta de bebês.
ABÓBORA, PORCO E GENTE NUM BALAIO SÓ.


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OPINIÃO: O CANGACEIRO LAMPIÃO MORREU MESMO NUM MASSACRE EM ANGICO?

Por Cecílio Tiburtino, procurador jurídico da Câmara de Vereadores de Serra Talhada.

Aproveitando a excelente, brilhante e formidável apresentação: “O massacre de Angico. A morte de Lampião”, que ocorreu em nossa cidade entre os dias 24 e 28 de julho de 2013, venho, após leitura de alguns textos, livros e revistas sobre o tema, propor uma reflexão obre a morte do lendário, formidável e inigualável Serratalhadense: Virgulino Ferreira. De ante mão, quero deixar bem claro que não estou propondo desmistificar um personagem histórico, nem tão pouco pretendo reformular a história. Apenas e tão somente, venho expor outra versão, possível, sobre o “fim” de Lampião. Por outro lado, gostaria de informar que não sou nenhuma autoridade no assunto, apenas e tão somente leitor sobre tão intrigante e cativador tema, e que tive alguns dos meus familiares contemporâneos aos fatos históricos.

Conta à história que o desfecho final do intrigante personagem histórico Lampião iniciou às cinco horas da manhã do dia 28 de julho de 1938, na Grota de Angico, uma fortaleza de pedras escondida dentro da caatinga, encravada numa depressão perto do riacho Tamanduá e próxima ao rio São Francisco, no município sergipano de Poço Redondo. O fogo cerrado das metralhadoras portáteis do regimento policial militar de Alagoas, comandado pelo tenente João Bezerra, levaram Lampião, Maria Bonita e mais alguns cangaceiros a morte. Tal empreitada teria ocorrido depois que o Presidente da República Getúlio Vargas, que sofria sérios ataques dos adversários por permitir a existência de Lampião, ter pressionado interventor de Alagoas, Osman Loureiro, que adotou providências para acabar com o cangaço, vindo inclusive a prometer promover ao posto imediato da hierarquia o militar que trouxesse a cabeça do cangaceiro.

O fogo cerrado teria durado aproximadamente 15 minutos. Eram tantos tiros que mal dava para enxergar o que acontecia. Pedaços de xiquexique, mandacaru, facheiro – vegetação típica do sertão – caíam por todos os lados. Lampião teria tombado primeiro. Maria Bonita foi abatida logo depois. Apanhados de surpresa, muitos dos 39 cangaceiros que se refugiavam na grota ainda dormiam, e nove morreram na emboscada. O restante conseguiu fugir. Em seguida, iniciou-se um processo de decapitação dos que tombaram, inclusive Lampião e Maria Bonita, vindo após promoção de verdadeira caça ao tesouro dos cangaceiros, desde as joias, dinheiro, perfumes importados e tudo mais que tinha valor foi alvo da “rapinagem” promovida pela polícia.

De forma simples, essa é a história oficial. Mas é a real? Quantos de nos nunca ouvimos falar que Lampião ainda estaria vivo. Quantos de nós não desconfiou e ainda desconfia de alguns relatos históricos. Para a história e para o Brasil era necessária à morte (extinção) de Lampião, posto que o cangaço há anos tinha desafiado as autoridades locais e regionais, sagrando-se vencedor nesse âmbito, partindo a desafiar  a “Nação”. Porém isso não quer dizer que Virgulino Ferreira da Silva também tivesse que ser Seguindo essa premissa, o fotografo, técnico em contabilidade e escritor José Geraldo Aguiar, que passou 17 anos pesquisando a vida de Lampião, publicou: “Lampião o Invencível – Duas Vidas, Duas Mortes, o outro lado da moeda” (Thesarus, 2009). O objetivo do livro é “provar” que Virgulino Ferreira da Silva não foi morto pela Polícia na localidade de Angicos, como conta a história.

Relata o escritor que conheceu Lampião pessoalmente em 15 de fevereiro de 1992, na cidade de São Francisco, no Norte de Minas Gerais, na República Federativa do Brasil, apontando a sua morte no dia 03 de agosto de 1993, aos 96 anos de idade, no estado de Minas O escritor afirma que conviveu com Virgulino Ferreira da Silva por cinco meses, promovendo uma história investigativa, tendo viajado em grande parte do Brasil, pesquisando para montar o livro, especialmente pelo interior de Minas Gerais, tendo entrevistado 46 testemunhas que também relataram ter visto Lampião.Um dos relatos, dentre vários outros contidos no livro de José Geraldo Aguiar, às fls. 184/185, dá conta de que o Delegado de Polícia Orlando Correia Alberlaz, no ano de 1978, recebera uma queixa de um senhor que exigia providencias contra seu vizinho, ex-prefeito de São Francisco (MG), tendo em vista que cinco cabeças de gado do queixoso estariam na fazenda deste.

O queixoso afirmou que “possuía um punhal (espeto) que dava para atravessar três pessoas de uma só vez, se não recebesse seu gado de volta”, o Delegado pediu a identificação do queixoso, quando recebeu 03 (três) identidade diferentes, quando então questionou quem de fato era o senhor que estava a sua frente. Para sua surpresa a resposta que ouviu foi: Virgulino Ferreira. As fls. 186 relata José Geraldo Aguiar que José Rodrigues Cordeiro (Zezão) dono de um bar em São Francisco (MG) presenciou o homem conhecido por João Teixeira se dirigir ao balcão de atendimento do Funrural com objetivo de requerer a aposentadoria. De imediato a tendente pediu-lhe os documentos, tendo o Sr. João Teixeira demonstrado ser portador de três documentos, um foi entregue a atendente, outro ficou na bolsa e o terceiro caiu ao chão.

A atendente, ao olhar para o documento, questionou o Sr. João Teixeira sobre o referido documento, pois o nome que constava era: Virgulino Ferreira.  De proto João Teixeira afirmou que tal documento pertencia ao seu irmão. Pegando-o de volta e indo embora sem maiores explicações. Não fossem apenas os depoimentos acima transcritos, dentre vários outros contidos no livro de José Geraldo Aguiar, impossível não observar a semelhança entre a fotografia de Lampião e a do Sr. João Teixeira de Lima, constante no citado livro. Como relatado no início, não pretendo com esses breves relatos reduzir o personagem que foi Lampião, ou mesmo induzir a um erro da história, pelo contrário, apenas pretendi  demonstrar que existem outras versões sobre o fim do cangaço, sem que tal fim tenha conduzido ao fim do lendário Virgulino Ferreira da Silva, que apenas estudos profundos, o que não é o caso, podem confirmar.


Informação ao leitor: 

Postei este texto não na finalidade de confirmar que o homem que se dizia ser Lampião é verdade, foi simplesmente pela boa narração do autor. Um grande narrador, por isso me fez postar. 

Parabéns para ele.

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POR OCASIÃO DA JORNADA CULTURAL SERÁ LANÇADO MAIS UM CORDEL SOBRE O MUSEU DO SERTÃO


 Por Benedito Vasconcelos Mendes

A conceituada cordelista cearense Rosário Lustosa da cidade de Juazeiro do Norte lançará no dia 31 de agosto do corrente ano, durante a XVI Jornada Cultural, um excelente cordel sobre o Museu do Sertão. 


Esta obra tem como apresentador o poeta Pedro Bandeira, um dos maiores cordelistas do Brasil. O Poeta Pedro Bandeira e o cantor Luís Gonzaga organizaram em 1971, a primeira Missa do Vaqueiro, na cidade de Serrita-PE, que foi celebrada pelo saudoso Padre João Câncio. Este é o sexto cordel escrito sobre o Museu do Sertão.


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LÍDIA MAIS BELA CANGACEIRA

Por Francisco Alvarenga Rodrigues

Era baiana, alegre, dentes perfeitos, cabelos pretos e corpo bonito. Muitos a achavam a mais bela das cangaceiras. Entrou no bando de Lampião com pouco mais de 18 anos para ser a companheira de Zé Baiano famoso pela crueldade e pela feiura também: preto, magro, “de cara chupada”. Zé Baiano, entretanto, compensava sua fealdade com a valentia e riqueza. Seus companheiros diziam que ele tinha mais dinheiro e ouro que Lampião. E mais: era agiota. Emprestava dinheiro a vários comerciantes, assim, era fácil negociar com eles.

E sua Lídia era por tabela, a mais rica das mulheres do bando. Ostentava ricas joias e seu burro, chamado de Brinquinho tinha arreios especiais causando admiração por onde andava. Zé Baiano era apaixonado por Lídia e não se importava de demonstrar seu carinho. Escolhia os melhores pedaços de carne, dando na boca comida, água e ainda limpava a boca de sua amada com guardanapo de linho, uma sofisticação nas caatingas e amor explícito. Que mais Lídia poderia querer?

Mas, Lídia era fogosa e quando Zé Sereno viajava, ela dava umas escapulidas com os companheiros solteiros do bando. Muitos sabiam, mas nenhum ousava dizer. Até que um dia, o cangaceiro Coqueiro flagrou Lídia com Bem-te-vi em pleno colóquio nas matas. Bem-te-vi era o oposto de Zé Baiano: bonito, alto, louro e branco. Dizem que o romance foi longo. Coqueiro quis participar da brincadeira, sendo recusado por Lídia.

Com o retorno de Zé Baiano, Coqueiro não pensou duas vezes. Contou tudo o que viu. Pagou com a vida sua delação. E Lídia foi amarrada durante toda uma noite, enquanto seu companheiro pensava o que fazer com ela. Lídia apelou para Lampião e Maria Bonita, mas o casal não interferiu.

Lídia teve uma morte cruel, morta às pauladas ao amanhecer. Seu belo rosto ficou desfigurado. Zé Baiano a enterrou numa cova rasa e chorou feito criança. Cumpriu à determinação do Código de Honra do Cangaço.

A bela Lídia teve um final triste. Dizem, em outras versões, que o coração do cruel bandido se apiedou, e a deixou ir embora, no escuro da noite.. o pau com que ele a matara não tinha sangue, bem como o chão em que ela fora sepultada.. o corpo? ninguém viu, mas ninguém ousava dizer nada. Não existe, infelizmente, uma foto da bela Lídia. A foto do post, é de sua irmã, e segundo diziam os que a conheceram em vida, era como uma irmã gêmea, de tão parecida. Foi assim a história do cangaço.. sangue, traição, amor, dor e sofrimento.


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MARIA BONITA UM OLHAR PARA SEUS FAMILIARES

Por José Mendes Pereira

O capitão Alfredo Bonessi diz em seu artigo: “Um olhar sobre Angico - Parte I...” páginas do Cariri Cangaço, que Maria Bonita já vinha se queixando de Lampião, da vida que levava, pois queria ir embora para casa, largar a vida de cangaceiro, mas Lampião não queria. O casal estava brigado e havia discutido muito. Maria Bonita estava de astral novo, pois ela tinha cortado os cabelos. 

Em minha humilde opinião Maria Bonita não só estava cansada da vida que levava, como já havia adquirido o medo de viver embrenhada às matas, sabendo que a qualquer hora poderia ser morta pelas volantes policiais.

Ah, se eu me encontrasse com a minha família!

Maria Bonita quando se embrenhou às matas estava dominada pelo cupido, e depois de tantos sofrimentos, descobriu que havia se enganado, pois a sua loucura pelo o movimento do capitão Lampião era uma simples ilusão.  Por esta razão, exigia do seu companheiro a desistência daquela amaldiçoada vida.

Foram oito anos vividos e perdidos entre os serrados. A vida do cangaço era um verdadeiro inferno, sofrendo naquelas matas como se fosse um animal, e como saldo, apenas ganhara o sol forte, poeiras, chuvas, dormindo no chão, desprovida de um acomodado teto, passando sede, fome e muita fome, distante das festas decentes que aconteciam na sua terra querida, a solidão presente a todo instante, saudade dos pais, irmãos, familiares, amigos, parentes e aderentes.
                  
Viveu o inferno que ela mesma o desejou.  Queria voltar ao seu amado chão, abraçar os velhos e sofridos pais, irmãos e lhes dizer, que a partir daquele dia, passaria a ser a nova Maria Déia e não mais seria a Maria do Capitão Lampião.
                  
Mas Maria Bonita apenas imaginava a desistência do cangaço e não tinha coragem de fugir dali, da presença do seu companheiro. Não queria tomar esta atitude, pois a Rosinha de Mariano fora assassinada a mando de Lampião, mais outras e outras cangaceiras, e ela mesma sabia que sendo a verdadeira companheira do chefe do cangaço, e se fugisse em busca dos seus familiares, com certeza seria seguida pelos cangaceiros, todos ordenados por Lampião.

As caatingas são bem melhores do que a prisão

Mas Lampião como chefe de bando jamais imaginou sair daquela sofrida vida. Para ele, liberdade, somente entre os serrados, livrando-se de estilhaços de balas estava tudo bem, pois se assinasse a desistência do cangaço, com certeza iria passar pelas mãos vingativas de policiais. Não desistiria e nem autorizaria a saída de sua companheira do cangaço.

As conversas mantidas por Pedro e Lampião

Em relação às conversas mantidas por Pedro e Lampião dentro da mata eu suponho que o interesse de Pedro era para saber se o bando iria passar mais alguns dias na Grota, ou se já estava de bagagem pronta para partir para outro lugar, pois é quase certo que Pedro de Cândido já vinha sendo pressionado pela volante de João Bezerra, e, temendo ser executado, que na época um policial ditava as regras, foi obrigado a delatar o lugar onde os asseclas se encontravam. Lampião que não tinha maldade no seu coiteiro caiu na malha fina preparada por ele. 
   
Entrega de Balas a Lampião

Quanto ao suposto envio de balas pelo tenente João Bezerra a Lampião não há como eu acreditar, pois é muito difícil um perseguidor fazer venda de munições ao seu perseguido e em seguida ir atacá-lo.

O tenente João Bezerra - É o que está com mão sobre a coxa

O jornal de Fato - Revista exemplar - Edição 315/2008 “Domingo” publicou um artigo do escritor Paulo Gastão que entrevistou o Durval, Rosa. Diz o escritor: “Durval Rosa irmão de Pedro de Cândido, em depoimento a mim prestado e registrado em fita de vídeo, declara que na noite anterior ele desceu a serra e foi levar um saco de balas dividido em duas porções em cima de um jumento. “Era muito peso”, dizia o entrevistado. Para que tantas balas? Que desejaria o capitão fazer com o material? Existia a compra de armas e balas, porém, se quem servia de intermediário para que farto material chegasse às mãos dos bandidos? Um militar que atuou na volante que chegou a Angico foi curto e grosso. “-A polícia!”

Escritor Paulo Medeiros Gastão

Quando eu falo que não há como eu acreditar não me refiro às palavras do escritor Paulo Gastão, e sim, as de Durval Rosa, pois o escritor apenas diz o que o depoente disse. Não é Paulo Gastão que está confirmando a remessa de balas feita por João Bezerra ao capitão Lampião. E
                     
Eu não duvido que alguns policiais desprovidos de patentes e que não participavam das perseguições aos bandidos, tenham feito vendas de balas a Lampião, pois na época do cangaço não era necessário se apresentar documentos para tal compra, e também quem guardava as avantajadas caixas de balas eram os próprios policiais, que eles mesmos poderiam negociá-las, sem que as autoridades, como sargentos, tenentes e capitães soubessem o total de balas estocado.

O cão Guarani de Lampião em Piranhas  

Quanto ao cachorro de Lampião que fora pego em combate pela volante de Zé Rufino e posteriormente entregue ao Tenente João Bezerra lá em Piranhas, e sessenta dias depois o animal estava na companhia do seu dono, é possível que ao darem liberdade a ele, isto é, o soltado, achando que ele ficaria na residência de João Bezerra, o animal tomou rumo às caatingas à procura de Lampião, que não é coisa difícil para cão sair em busca do seu dono.

Corisco foi um traidor ou não?

Em relação a não presença de Corisco ao coito na madrugada de 28 de julho de 1938, lá na Grota de Angico, eu busco resposta para isso.  

Corisco e o cangaceiro Vinte e Cinco
                     
O escritor Alcino Alves Costa diz em seu livro (Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico): 

“- Uma estranha versão conta que nos últimos dias que antecederam o cerco na Grota do Angico os famosos José Lucena e Aniceto Rodrigues foram até o coito, com a finalidade de acertarem algo que poderia mudar os caminhos do banditismo com o falado Diabo Loiro”. Continua: “- É esta visita misteriosa, um dos grandes segredos que cercam os fatos de Angico”.

Escritor Alcino Alves da Costa

Teria sido Corisco um dos traidores de Lampião entregando o rei aos famosos José Lucena e Aniceto Rodrigues, já que eles foram ao seu coito com a finalidade de acertarem algo que poderia mudar os caminhos do banditismo?

Quando aconteceu a chacina que levou o rei, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, Corisco e seus asseclas se encontravam acoitados entre as fazendas de nomes: Coidado e Emendadas.  
                     
Será que Corisco não foi para o acampamento quando aconteceu o ataque aos bandidos porque sabia o dia em que seria feita a chacina, uma vez que a volante não iria ter tempo de escolher quem morreria e quem ficaria vivo? Cangaceiro era faca de dois gumes. 


E aí, leitor?

Esta é a minha humilde opinião e não tem nenhum valor para a literatura lampiônica. Discordar da minha opinião é um direito de cada um.

                 Fontes de Pesquisas:

                    Um olhar sobre Angico Parte I - Capitão Alfredo Bonessi.
                    Revista Jornal de Fato - Mossoró - Edição 315/2008.
                    Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angicos -
                    Alcino Alves da Costa.
                  
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LOCAL DA MORTE DE JOSÉ FERREIRA, PAI DE VIRGULINO, LEVINO, ANTÔNIO E EZEQUIEL FERREIRA.










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TODOS SABEMOS QUE A VIDA NO CANGAÇO NÃO ERA MOLEZA.

Por Sálvio Siqueira

O sol abrasador, o tórrido chão e o cinza da mata branca por muitas e muitas vezes era refletido naqueles que vivenciaram o sangrento fenômeno social. Aliás, ele 'brotou' mais causticante quando das grandes secas. As quais mataram inúmeros sertanejos e fez de outros verdadeiros espantalhos perambulantes pelas estradas e veredas do sertão nordestino.

No entanto, o olho mágico de Benjamin Abrahão fez capturas fantásticas entre o meio dos cangaceiros do grupo de Lampião.

Em determinados momentos, mostrando total descontração, a 'rainha do cangaço', Maria Gomes de Oliveira, a Maria de Déa, futura Maria Bonita, é registrada para eternidade pela Câmera do Àrabe com sorrisos simples, sinceros e até inocentes de uma cabocla dos confins sertanejos baianos.





Obs.: Notem que são momentos diferentes. Nas fotografias em que Maria de Déa apresenta-se com cobertura, chapéu. Ela apresenta-se com lenços diferentes, assim como nas fotos aonde mostra-se sem cobertura, claramente notamos que foram momentos distintos pelo detalhe apresentado nos decotes, ou gola, de seus vestidos.


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