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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Ceará de Nogueira Accioly Parte 1

Por: Manoel Severo

Manoel Severo e Antonio Amaury

A mais longa e emblemática oligarquia da velha república no Ceará teve como principal protagonista Antônio Pinto Nogueira Accioly, que durante mais de dezesseis anos comandou com mão de ferro e um aguçado senso de sobrevivência política os destinos do Ceará em um dos mais conturbados e violentos períodos políticos da república.

Nogueira Accioly

Nogueira Accioly, nasceu na cidade cearense de Icó em outubro de 1840, era filho de portugueses e casou com dona Maria Teresa de Sousa, filha do casal, Tomas Pompeu de Sousa Brasil; senador e sacerdote; e dona Felismina Filgueiras; uma das mais tradicionais famílias do estado.

Em 1864 formou-se em direito em Recife e acrescentou o Accioly , da avó materna a seu nome. A partir do prestígio de seu sogro, senador Pompeu, tomou gosto pela política, ao qual quase veio a suceder na cadeira senatorial cearense, logo após o império, fato que não se concluiria em função da proclamação da república.

D. Felismina Filgueiras, matriarca da família Souza Brasil, e sogra de Nogueira Accioly
Senador Pompeu, sogro de Accioly

Logo após a proclamação da República assume o governo do Ceará o General Bezerril Fontenelle tendo como seu vice, Nogueira Accioly que acabou o sucedendo, à frente do governo cearense a partir do ano de 1896, inciando ali uma das mais fortes e significativas oligarquias da velha república no nordeste.

Em seu primeiro governo o estado do Ceará foi castigado por uma seca cruel entre os anos 1898 e 1900 e uma forte epidemia de varíola. Ao final de seu governo assumiu o comando do Ceará seu sucessor, Dr. Pedro Borges que durante o quadriênio 1900 a 1904 continuou recebendo forte influência política de Accioly fazendo com  que o governante retornasse à frente dos destinos do Ceará novamente a partir de 1904 e novamente em 1908, iniciando seu último governo que foi marcado por sua deposição em 1912.

Nogueira Accioly, de pé, recebendo no Ceará a visita do Presidente Afonso Pena em 1906
Barricadas contra Accioly em 1912

Os desmandos; como violentas repressões à imprensa e a adversários políticos, o conjunto de privilégios sempre envolvendo parentes e apadrinhados de Accioly unidos às manobras que envolviam fraudes eleitorais contando com o apoio da política dos governadores, vinham criando constantes insatisfações junto a sociedade cearense.

Em 1911 iniciou no Brasil ; a partir da necessidade do Presidente Hermes da Fonseca conter sua forte oposição nos estados; o movimento encabeçado por setores militares e alguns segmentos da sociedade civil denominado de "Salvacionismo". O objetivo seria o de defenestrar do estado brasileiro as oligarquias espalhadas por todo território nacional que ameaçavam Fonseca . Esse movimento com forte apoio do governo federal acabou vindo a calhar e foi aproveitado pela oposição aciolyna em Fortaleza, quando foi lançada a candidatura do coronel Franco Rabelo, personalidade "salvacionista" para as eleições de 1912 ao governo estadual , contra o candidatura de Nogueira Accioly.

Franco Rabelo

A capital cearense conheceu ali, as primeiras grandes passeatas de sua história, o ineditismo da iniciativa, envolvendo as moças e as crianças, acabaram cristalizando e fortalecendo o sentimento de ruptura da sociedade de Fortaleza com Accioly.

Particularmente na Passeata das Crianças, no dia 21 de janeiro de 1912, a polícia militar investiu sobre os manifestantes comextrema violência resultando na morte de uma criança, sendo o estopim de uma verdadeira batalha campal de três dias, com manifestações, combates e muitos mortos pelas ruas de Fortaleza, terminando no dia 24, com a derrocado do governo Acciolista.

Passeata das Crianças, 21 de janeiro de 1912 

O salvacionista Coronel Franco Rabelo viria a ser eleito, inaugurando o período de libertação do Ceará da oligarquia de Accioly, entretanto, por ironia do destino, as mesmas manobras federais que o haviam favorecido , agora se colocariam contra ele e dois anos depois de sua eleição, Franco Rabelo seria deposto no ápice do que viríamos a chamar de a Sedição de Juazeiro.

Continua...

Manoel Severo - Cariri Cangaço 

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Lampião em Mossoró


Entre todos os desafios que existem, o maior é quando está em risco a vida de qualquer ser humano, principalmente quando é provocado por delinquentes, quando ninguém consegue mudar para melhor os seus pensamentos.


Este bilhete enviado ao então prefeito de Mossoró, Rodolfo Fernandes de Oliveira, pelo o famoso e sanguinário cangaceiro o capitão Lampião, representa em toda histórias do seu povo, o mais desafiador dos insultos. Foi respondido com o primeiro "Não", recebido em toda trajetória do cangaço, no dia 13 de Junho de 1927.

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Almocei com o governador do Rio Grande do Norte e com três ex-governadores, sem ter sido convidado antes

Por José Mendes Pereira


Antes de 1988, para que uma pessoa entrasse como funcionário de qualquer repartição pública, não era necessário ser concursado, bastava ter um "QI - quem indique", ou diretamente com um político, que já estava dentro de uma repartição pública. Era o emprego chamado de "Trem da Alegria", porque todos que ocupavam funções públicas morriam de felicidades, vez que não queimavam os olhos por longas noites estudando, para serem aprovados em concursos públicos.

Em 1983, eu já era formado em letras pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte, nos dias de hoje, UERN, e não sendo diferente dos outros, eu precisava ocupar uma sala de aula pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte,  como professor, e nesse período, eu ainda não tinha um (QI) ou amizade com um político, que me desse uma vaga em qualquer escola de Mossoró.

Delfina R. de Souza, ver.1963-1967. com o ex-governador Tarcísio Maia - obaudemacau.com   

Ciente de que se eu não procurasse um meio para entrar na educação, e sabendo que um dos homens fortes na política do Rio Grande do Norte, era o Doutor Tarcísio Maia, e que já tinha sido  governador do Estado, domingo sim, domingo não ele estava descansando em sua fazenda, denominada "São João", na localidade Barrinha, peguei minha velha e desmoronada lambreta,
 
Seu Madruga em sua lambreta - José Mendes Pereira  

e abalei-me até lá, confiante que uma solução sobre um emprego, poderia ser confirmada por ele, e naquele momento, quem dirigia o Estado como governador, era o seu filho, José Agripino Maia, que fora eleito através das urnas, e com uma grande maioria de votos válidos.
 
 Ex-governador do Rio Grande do Norte - José Agripino Maia

Ao chegar, vi que ali eu não iria ter chance nenhuma de falar com ele, porque sob o alpendre da fazenda, uma porção  de pessoas também procurava emprego, mas mesmo assim, resolvi ficar, para ver o que iria acontecer.
 

Doutor Antonio Mariz - www.wscom.com.br

Mas lá se encontrava o Dr. Antonio Mariz, que eu não tenho certeza se era irmão ou primo do Dr. Tarcísio Maia, e que havia sido governador da Paraíba, chamou-me para ajudá-lo tirar uma carroça que estava atrapalhando a entrada para a casa da fazenda. Mesmo ele sendo ilustre, equilibrou o peso comigo, e em seguida convidou-me para olhar um plantio de capim. No percurso ele me perguntou de quem eu era filho, onde eu morava, onde os meus pais moravam, e ali eu fiquei respondendo todas, e quando eu disse que os meus pais moravam na Barrinha, ele disse: 

- Você mora aqui na Barrinha?

- Meus pais moram na Barrinha, mas sendo esta da família Duarte. - Eu o respondi. 

Ele fez:

- Ah, sim! Barrinha do Dr. Duarte Filho, não é?

Só sei que a partir disto, fui bem tratado. Pelo o que eu vi, o Dr. Antonio Mariz gostava de músicas eruditas. Foi até a radiola, colocou um disco, e lá ficou ouvindo aquelas músicas choca, que para ele, sem dúvida, eram as melhores.


Ex-governador do Rio Grande do Norte  Lavoisier Maia - salomaodemedeiros.blogspot.com

Nesse dia, além das pessoas que procuravam empregos, tinha vários políticos na fazenda, sendo eles: Lavoisier Maia, que pouco menos de três meses entregara o poder ao governador eleito, o  José Agripino Maia, filho de Tarcísio Maia.

Canindé Queiroz - Jornalista - www.kareninefernandes.com

Mais o jornalista Canindé Queiroz, que além de colunista, é também diretor e proprietário do jornal "Gazeta do Oeste", com sede na cidade de Mossoró, e da Rádio Gazeta do Oeste, que funciona em Areia Branca.
 


E ainda o  Jornalista Erivan França, que fora secretário da comissão do Vale do São Francisco, chefe do gabinete do Instituto Nacional do Sal e autor do primeiro Plano de Assistência Social aos trabalhadores das salinas, e em 1961, foi Deputado Federal, tendo o mandato cassado em janeiro de 1969. Em 1961, foi interventor do Departamento Estadual de Imprensa no Governo Aluízio Alves. Dentre as múltiplas funções de homem público que lutou em prol do progresso e da democratização do país e do Rio Grande do Norte, ajudou a organizar o Diretório Regional do PDT em 1980 e foi agraciado com o mérito profissional pela Associação Brasileira de Imprensa e medalha de mérito forense por relevantes serviços prestados à justiça do país. (http://erivanfranca789.blogspot.com.br).
 
Ex-governador do Rio Grande do Norte José Agripino Maia - noticias.r7.com

Mas ali, naquele momento, o mais importante mesmo, era o governador do Rio Grande Norte, o José Agripino Maia, que  sabia o que deveria fazer, contratar ou não funcionários durante os seus quatro anos  de governo. E além destes, muitos outros políticos que eu não sabia os seus nomes.

Todos estavam participando de uma reunião política na própria fazenda São João, e assim que terminou, Dr. Tarcísio Maia deu início atendendo as solicitações dos que procuravam empregos.

A minha ficha era o número 8, mas quando estava próximo à minha vez, de falar com ele, afastei-me, no intuito de ficar por último, porque quem não estivesse presente, ficaria por último. E assim idealizei de perder a chamada e ser o último.

Logo que ele terminou de falar com o penúltimo, aí sim, eu entrei. Dr. Tarcísio me fez várias perguntas, qual o curso eu tinha terminado, se eu era mossoroense, qual escola eu gostaria de trabalhar, caso surgisse um vaga, se eu já tinha entregue o meu currículo lá no Nure, à diretora Zilda Cabral... Fez-me uma porção de perguntas, eu ficando de levar o currículo e entregar nas mãos da diretora.

Naquele momento, não tinha mais ninguém, os desempregados já haviam ido embora. Mas  assim que eu saí da sua sala, fui de encontro à lambreta, para vir embora. Ao ver que eu estava montando-me na lambreta, ele gritou: 

- José, para onde vai? 

- Eu vou embora, Dr. Tarcísio. - Respondi. 

- Não vá embora. Vamos almoçar conosco. - Dizia ele caminhando em minha direção. 

- Quem sou eu Dr., para almoçar diante de tanta gente importante? 

- Conversa rapaz, vamos logo! Desça do transportinho e caminhe lá para sala. O almoço já vai sair. 

Mesmo acanhado, desci da lambreta e caminhei em direção à sala, que sobre a mesa, tinha alimentos que, em toda minha vida, eu jamais tinha os  vistos. E aos poucos, os políticos foram rodeando a mesa, e deram início ao almoço. A princípio, eu estava muito acanhado. Mas com a continuação do almoço, desisti do acanhamento, porque todos almoçavam no meio de tantos assuntos políticos. 


Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:

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Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo: 

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A VISITA DO REI AO REINO DE ZÉ-NINGUÉM

Por Rangel Alves da Costa*

Não há nada mais difícil para um rei que deixar seu castelo para visitar a plebe, a vassalagem, a pobreza. Evita entrar em contato direto com seus súditos principalmente por medo de ter jogada sobre sua coroa toda a culpa pela miséria existente. Vai que de repente encontra alguém que ouse lhe dizer umas verdades, então a coisa será complicada.

E complicada porque o próprio rei reconhece as fragilidades e a ineficácia de seu reinado. Mas jamais admitirá qualquer erro ou culpa porque não pode demonstrar fraqueza perante os seus comandados nem dar motivações para críticas aos seus opositores. Por força de sua coroa terá de ter reconhecido seu poder e sua administração, e esta devidamente recoberta de flores por cima de lamaçais.

Ademais, para que seu rei não seja contrariado ou tenha que estar relembrando as sujeiras que se acumulam debaixo dos tapetes do reino, criou-se um consenso entre os serviçais da corte no sentido de falar somente acerca das maravilhas existentes, mesmo nas mazelas e nos absurdos. O problema é repassar para a população cada vez mais pobre e sofrida, descontente e esquecida, toda uma idealização de bonança do reino.

Reconhecendo o descontentamento do povo, e principalmente porque não demorará muito para aumentar os impostos e criar outras taxas para manutenção da cozinha real, o rei sabe da urgente necessidade de se aproximar das camadas populares e assim evitar consequências maiores. Ao menos não será acusado de reinar por trás dos muros do castelo e abandonar de vez as classes empobrecidas.

Mesmo na distância que exige manter, conhece muito bem os súditos que tem. Sabe que basta acenar-lhes de longe, enviar mensalmente uma esmola e um punhado de alfafa, e o povo logo esquecerá que continua sendo enganado e que permanecerá na miséria mais degradante. Além disso, tem perfeita ciência que é sempre mais fácil escravizar aquele que imagina estar sendo respeitado e valorizado pelo seu governante. E o rei precisa que continuem assim, silenciosos e submissos.

Não apenas no silêncio dos impotentes, mas principalmente na sua total fragilidade, de pensamento e de ação, pois somente assim o rei poderá colocar em prática, e sem qualquer contestação popular, seus planos para trazer para si ainda mais poderes, reinar sem limitações e continuar nada fazendo em nome do povo. Isso mesmo, nada fazendo e ainda assim sendo lembrado como verdadeiro deus dos miseráveis.


Mas eis que diante das pretensões e de objetivos outros, precisa urgentemente fazer aquilo que mais abomina: se aproximar do povo, ter diante de si a pobreza em pessoa. Dói-lhe avistar a gentalha, se aproximar da miséria, avistar a penúria submissa e feia, raquítica e desdentada. Sente verdadeiro asco fazer luzir seus anéis dourados diante de mãos rudes e maltratadas. Verdade que usa mais de cem pares de luvas a cada visita, trocando uma após outra toda vez que tem de pegar nalguma mão lanhada pela dureza do ofício.

E vai o rei para a sua árdua tarefa, transmudar-se em gente de carne e osso e visitar outro reino, só que um reinado muito diferente e escondido nas brenhas do seu império maior. Ali é o reinado dos esquecidos, dos excluídos, dos miseráveis, dos tratados a esmola e tostão enviados pelo próprio rei. Ali quem reina é o zé-ninguém, rei maior e absoluto de um mundo que parece impossível de existir nas entranhas do grande império. Mas existe.

E existe com tamanha veemência que até o rei que acostumou a ouvir - e ele mesmo propagar em alto e bom som - não existir nada assim tão empobrecido e abandonado, tentou por diversas vezes não olhar diretamente para as entranhas daquele reino de zé-ninguém. E evitava olhar para não ter dificuldade de reconhecer entre bicho e gente, para não mirar barracos quase desabando por cima de meninos magricelas e barrigudinhos, para que seu olhar real não se ferisse com imagens tão degradantes. Mas teve de mirar aquele reino e sua vida e pensou estar enlouquecendo.

Assustado, o rei perguntou ao ajudante real se aquilo tudo era verdade. E se era verdadeiro, o porquê de não ser devidamente informado sobre as condições de vida e de existência daquele reino. Então ouviu ter sido a própria alteza que havia afirmado não querer mais saber de pobreza nem de degradação social, e estaria fora do poder todo aquele que abrisse a boca para dizer que a miséria absoluta não havia sido eliminada.

Agora envergonhado, o rei baixou a cabeça e só a levantou quando anunciaram que um dos habitantes do reino de zé-ninguém lhe estendia a mão. Rapidamente percebeu que havia esquecido de colocar as luvas e se viu sem saber o que fazer. E fato inusitado aconteceu. O rei estendeu a mão, mas não para apertar a outra mão, mas sim para apontar para o alto e dizer que nunca havia visto um céu tão maravilhoso como o existente ali.

E depois de prometer o paraíso retornou ao seu palácio. E a primeira atitude que tomou foi chamar o ajudante real para dizer que esquecessem o reino de zé-ninguém. E fosse anunciar do alto da torre que a miséria havia sido derrotada de uma vez por todas.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com 

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Lampião e outras histórias - O OUTRO LAMPIÃO

Por Doizinho Quental

 

O verdadeiro Lampião, inquestionavelmente, existiu, fruto da sanha perversa e má das injustiças sociais que, até hoje, infelizmente, ainda assola o nosso sertão nordestino.

Os historiadores também tentam, a todo custo, retratar o mais fielmente possível este Lampião, sem, contudo, em muitas situações, chegarem a um acordo quanto a fatos importantíssimos de sua vida.

Uns retrataram o rei do cangaço como um homem digno e justo, amável e condescendente, como no livro “Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado” do padre Frederico Bezerra Maciel. Outros, como no livro “Serrote Preto” de Cícero Rodrigues de Carvalho”, pintaram o maior cangaceiro de todos os tempos, como  um vingador cruel, desumano, assassino e desordeiro; um verdadeiro Lúcifer, com rabo e  chifre.

Contudo, e o mais importante, é que todos chegaram a um consenso: para que outros Lampiões não surjam no Nordeste, é necessário e impreterível, que a Nação dê condições sociais dignas e justas a nossa gente que é, sem dúvida nenhuma, inteligente, criativa e boa por natureza.

Porém, nos fixamos mais no Lampião que o nosso povo simples, com o seu esplendor imaginário, criou através dos tempos. Em nossa opinião, seria um crime hediondo matar este herói fruto do fervilhamento da imaginação popular. Aliás, a cultura deve ser muito democrática, pois sendo fruto natural e espontâneo de um povo, a ele mesmo deve pertencer, sem nenhum impedimento.

Baseado neste contexto, resolvemos introduzir em nosso livro a ficção inteligente e hilariante da verve nordestina, através dos seus mais legítimos representantes; os poetas cordelistas.

FIM

FONTES DE PESQUISA
    
Além das fontes referentes aos livros sobre Lampião, acrescentar estas abaixo:
  
1 – Cangaceiros Coiteiros e Volantes de José Anderson Nascimento. 
2 -  Território dos Coronéis - de Alberto Galeno 
3 -  Revista Fatos & Fotos – Abril de 1970  


www.kantabrasil.com.br/Lampiao.../Lampião%20e%20outras%20Históri...‎

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Saudades de Raibrito

Por Lívio Oliveira

Em 27 de novembro de 2013 se passou o primeiro ano da despedida de Raimundo Soares de Brito deste mundo terreno. A minha homenagem, então, pode estar um pouco atrasada em face da efeméride, mas não com sentimento menor, principalmente porque tive o prazer de conhecer aquele importante nome da intelectualidade potiguar e privar de algumas de suas sábias palavras, em confiante e estimulante diálogo. Os que conheceram o seu trabalho – desenvolvido durante anos ininterruptos – sabem que Raibrito foi um expoente da historiografia no nosso Rio Grande do Norte. Uma conversa por entre os seus milhares de documentos configurava sempre uma experiência criativa, rica, viva e empolgante, com absorção de saberes angariados no tempo realizador de sua vida.

Tive o imenso prazer de encontrá-lo pela primeira vez, alguns anos atrás, em sua casa na rua Henry Koster, número 23, endereço que já chamava atenção pela importância histórica do topônimo, bem descrito na obra Ruas e Patronos de Mossoró, importante livro – em dois volumes – escrito por Raibrito e publicado na famosa Coleção Mossoroense. Naquela ocasião, estive na sua residência em companhia dos escritores Cláuder Arcanjo, David Leite e José Nicodemos, além de Misherlany Gouthier, firme colaborador à época. Alguns meses depois, haveria uma nova visita à qual se associariam os amigos Antônio Capistrano e Leonardo Guerra, juntamente com boa gente da Petrobrás, responsável pelos trabalhos de digitalização e divulgação eletrônica dos documentos, levando à criação de uma Biblioteca Virtual Raimundo Soares de Brito. Numa terceira visita, estivemos eu e Antônio Capistrano, grande amigo, grande camarada, parceiro e mestre em jornadas culturais.

Naquelas oportunidades presenciei a busca obcecada de um homem em realizar uma obra imaterial importantíssima: contar a história de sua terra, de seu povo, sua gente, destinando-a à consulta pública. Sua generosidade imensa o fazia compartilhar aquela riqueza com os interessados. Passeei por ela, entre os seus livros e documentos, estasiado com o notável frescor da inteligência do seu formador – apesar dos tons e aspectos esmaecidos dos papéis e objetos antigos, no amplo acervo de humanidades.

Livros, fotos, documentos de toda espécie e a voz do homem que narrava – como num tema cinematográfico – a sua própria história de vida e de como havia trabalhado tantos anos na coleta e organização de todas aquelas peças. Pude entender sua obsessão. Descobri que o sentido de sua vida, dedicado que sempre foi em entender e “radiografar” os outros homens, era a busca da essencialidade do próprio ser-no-mundo. A curiosidade imensa, a labuta incessante – como a de um escultor talhando uma obra-prima – eu as vi em Raibrito. Um olhar feliz, realizado, satisfeito. Olhar de quem foi parceiro e não inimigo do tempo e construiu, dia a dia, um retrato exato e profundo da humanidade.

Raimundo Soares de Brito nasceu em Caraúbas, mas o Rio Grande do Norte era e é a sua dimensão mínima, além, muito além das fronteiras de sua terra escolhida, Mossoró. Só mesmo um pesquisador de sua marca e estirpe para entrar nos complexos caminhos investigativos que trilhou. Buscou pistas que levavam sempre a soluções. Conhecer a alma do homem, fazer o retrato do homem e de sua terra, no correr dos anos, dos séculos, nas voltas do mundo sobre seu eixo: eis o trajeto que seguia. Sua hemeroteca se afirmava, assim – não há dúvidas –, como um organismo vivo, sempre alimentado como se alimenta um filho, para que se fortaleça e viva. Coalhada de papéis, papel dos livros a preencherem estantes, papel das cartas e documentos diversos, suas pastas de recortes de jornais, e o cheiro de vida. Fiquei feliz em saber que o seu acervo deverá ser preservado, segundo notícia que nos dá o Professor Antônio Marcos de Oliveira, parente dileto do homenageado: “Compreendemos a importância do acervo de Raibrito, um bem privado, mas de interesse público, que precisa ser preservado.” Assim seja, por ser de inestimável valor.


Enviado pelo pesquisador do cangaço José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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