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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sobre o depoimento de Candeeiro...

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Ex-cangaceiro Candeeiro

“Na noite anterior ao ocorrido, ou seja, 27 de julho de 1938, Lampião reuniu seus homens e assim falou:“ “-Amanhã cedinho vou viajar. Vou embora para Minas ou Goiás. Quem quiser ficar, fica, quem quiser ir comigo se prepare.” ”Continua o chefe cangaceiro:” “-Não posso mais ficar por aqui, pois, vou começar a matar até meus amigos; voltar para Pernambuco, não volto, pois, lá só tenho inimigos e a matança vai continuar. Assim o melhor é terra nova, onde ninguém me conhece””...”.
 
Paulo Brito à direita

              Paulo Britto: Podemos dizer, portanto, que em todo o texto, esta é a única informação precisa, adquirida de viva voz do cangaceiro Candeeiro que relata ter ouvido esta decisão bombástica a ser dada ao seu grupo pelo chefe maior, de que findava ali, abruptamente, o seu reinado no nordeste?
 
Bando de cangaceiros de Lampião
 
             Por que o bando estando já há alguns dias em Angico, só na véspera da “partida”, esta notícia bombástica é comunicada por Lampião, sem abrir espaço para uma avaliação melhor por parte dos atônitos cangaceiros? Acredito que o impacto de uma notícia dessas, teria sido maior que o ataque da volante, uma vez que a estes ataques já estavam acostumados.
            O cangaceiro Candeeiro, não se refere à reação do bando? E por que os outros cangaceiros sobreviventes não comentaram esta informação?

"vamos ao estado de Sergipe e lá você encontrará os elementos que lhe darão o norte de toda a história. Não sou o dono da verdade, porém, não quero lhe deixar enganado, nem tão pouco morrer na ignorância, na mentira. A história do povo nordestino e dos cangaceiros é outra, não se iluda. Caso o leitor não fique satisfeito, farei um outro artigo ainda mais contundente sobre o episódio. Chega de tanto embuste”.

             Paulo Britto: Do episódio de Angico até hoje, lá se vão mais de 70 anos, e com toda a literatura já existente, inclusive por respeitados e renomados escritores, o pesquisador descobriu que toda a verdade, não é a verdade, e que difere de tudo o que já foi escrito? Num lampejo de lucidez, reconhece que não é dono da verdade, mas não quer deixar mais ninguém na ignorância e na mentira, mas em seguida, a mente volta a ficar embutida e diz que “a história do povo nordestino e dos cangaceiros é outra, não se iluda”.
           Já não basta a dificuldade para se convencer pesquisadores renitentes e discordantes de carteirinha, tem-se agora que recontar a história de Canudos e tantas outras que compõem a história do povo nordestino? E, por favor, uma nova matéria, mais contundente para esclarecer o embuste, será um martírio para todos aqueles que conhecem a história do cangaço, e que tal, ao invés de se tentar confundir os leitores, deixar a história ser contada por quem sabe e por quem levou anos realmente pesquisando... Existem vários escritores e historiadores sérios e respeitados. Este último momento prende-se apenas a uma colocação referente à entrevista do cangaceiro “Candeeiro” ao pesquisador Paulo Gastão.
 
Paulo Gastão 

             Prezado pesquisador, tenho pelo Senhor o mais profundo respeito, e a imagem que fazia do fundador da SBEC, instituição esta que acredito ser abalizadora da verdade histórica do cangaço, que em momento nenhum merece ter em sua pessoa o idealizador desta matéria. Não gostaria de ter que reformular a minha avaliação e vê-lo enveredar por um caminho que não o levará a nada.
            E por que querer denegrir, só por denegrir a imagem de um autêntico militar, que dedicou a sua vida em garantir a justiça e a ordem, em defesa do povo nordestino? Um militar que destacou-se, entre outras missões e atividades, também como delegado, prefeito interventor e nas revoluções em que participou de 1925, 1930 e 1932 e só angariou o respeito e admiração de todos aqueles com quem conviveu, seus pares do Estado de Alagoas e dos demais Estados, maçonaria, amigos e familiares. Denegrir por denegrir? De antemão, classifico este artigo “Angico, por Paulo Gastão” um equívoco, plenamente superável. Continuo a hipotecar o meu respeito ao cidadão Paulo Medeiros Gastão.
 
Paulo Britto
 
Este texto foi transcrito do blog: "Cariri Cangaço"
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Sobe para quatro o número de vítimas de novo terremoto no Japão

           O forte terremoto que atingiu o nordeste do Japão na última quinta-feira já matou quatro pessoas, e deixou outras dezenas de pessoas feridas. O tremor atingiu 7,4 graus na escala Richter.
 
           O epicentro do terremoto, a 49 quilômetros de profundidade sob o mar, foi próximo à cidade costeira de Miyagi, a mesma que havia sido devastada pelo desastre que ocorreu no último dia 11 de março. O tremor também pôde ser sentido na capital, Tóquio, a 400 km do epicentro. O forte terremoto ocorreu às 23h32 (11h32 de Brasília).
 
          Um alerta de tsunami que foi emitido logo após o forte tremor foi suspenso mais tarde. De acordo com a emissora pública "NHK", entre vítimas fatais estão uma mulher de 60 anos, que teria morrido depois que seu balão de oxigênio falhou por conta do apagão que tomou a região, além de um homem de 79 anos. Cerca de 3,6 milhões de residências continuam sem energia na manhã desta sexta-feira.
 
           No complexo de Fukushima Daiichi, os trabalhadores se protegeram em um abrigo à prova de terremotos. A operadora que controla a usina, Tokyo Eletric Power (Tepco), afirmou que não havia sinais de problemas. Apesar disso, os trabalhadores continuam injetando nitrogênio no reator 1 de Fukushima. De acordo com a agência japonesa de segurança nuclear, as instalações ao longo da costa nordeste estavam sob controle.
 
           Uma série de irregularidades foram detectadas na central nuclear de Onagawa, Miyagi, como a água da piscina de combustível usada de dois reatores transbordou, mas apenas uma pequena quantidade de água foi derramada. De acordo com o Tohoku Eletric Power, que controla a usina, o nível de radiação é bastante inferior ao limite de segurança.
 
          Em algumas partes da cidade de Sendai era possível ver escapamentos de gás e inundações, afirmou a TV estatal "NHK". A agência de notícias "Jiji" relatou cinco incêndios e 13 escapamentos de gás na cidade.
 
           A China fez um pedido ao Japão para que respeitem o direito internacional e adotem medidas efetivas para proteção da vida marinha. O pedido foi feito em meio a preocupação com o despejo de água radioativa diretamente no mar, com o objetivo de criar espaço para água com nível maior ainda de radiação presente no reator 2. O Ministério das Relações Exteriores do Japão pediu também que a divulgação de relatórios sobre a crise sejam feitos de forma rápida, abrangente e precisa.

Veja o momento em que o forte terremoto atinge o Japão:

Fonte: SRZD - Internacional

Porque a reunião no coito do Angico?

  Por: Aderbal Nogueira

            Caro Sabino, venho aqui mais uma vez tentar colaborar com o debate e com esta história tão cheia de mistérios, como diz nosso amigo Alcino, que é o Cangaço. Pois bem, lendo sua matéria aqui no Cariri Cangaço (Nota: Postagem abaixo) , lembrei de dois depoimentos que gravei com amigos ex-cangaceiros, Candeeiro e Vinte e Cinco, depoimentos esses que tiveram um intervalo de aproximadamente 8 anos entre a gravação de um e de outro.
 
O cangaceiro Candeeiro
 
O cangaceiro Vinte e Cinco à direita
 
             Um detalhe é que Candeeiro só encontrou com Vinte e Cinco cerca de 50 anos após o combate de Angico. Gravei primeiro com Candeeiro, e quando gravamos com "25" ele nos narrou a mesma coisa que Candeeiro havia falado, sem que nós sequer tenhamos comentado o assunto. Ambos os depoimentos foram tomados por mim e pelo amigo Paulo Gastão.
 
 
Paulo Gastão
 
           Mais uma vez digo que eu, Aderbal, não estou dizendo absolutamente nada, não quero eu causar celeumas, apenas coloco ao público o que foi por mim gravado; tento somente colaborar com as pesquisas. Esse assunto no caso, estava até esquecido por mim. Quando vi a matéria hoje no Cariri Cangaço é que lembrei.
             Confesso que até pensei em não mais enviar esses vídeos para os blogs, pois pode parecer, como algumas pessoas já falaram, que estou querendo me intrometer demais, porém o caso não é de intromissão e sim de colaboração. Por favor receba o vídeo como algo a mais para as pesquisas. 

"Ele queria ir para Minas..."
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             Eu, Aderbal, não julgo se o depoimento é verdadeiro ou falso, afinal não estava no bando na referida época - 1938. 

Aderbal Nogueira
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Lampião tinha tudo que necessitava...

Olho no Olho...
Por Sabino Bassetti
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 Pesquisador e escritor Sabino Bassetti

            Amigos do Cariri Cangaço,

            No meu entender, os motivos de Lampião se manter vivo por tanto tempo na vida bandida foram vários. Um deles é o fato dele respeitar o inimigo, não brigando quando não havia possibilidade de vitória como no caso do ataque a Mossoró e, outros de menor vulto. Outro motivo podemos dizer que seja o apoio que Lampião recebia dos coiteiros das mais diferentes classes. Tenho também que citar liderança que Lampião tinha sobre seus cabras não importando a importância que este ou aquele tivesse no grupo. E por fim a coragem natural que o rei dos cangaceiros possuia.


Quanto a ligação que Lampião tinha com coiteiros e protetores de grande projeção, era importante e proveitosa para os dois lados.

           Sendo amigo e, prestando favores a Lampião, o fazendeiro, comerciante ou qualquer pessoa importante não teria suas propriedades, seus empregados e também suas famílias molestadas pelo cangaceiro. Em contra partida, Lampião tinha em suas mãos tudo aquilo que nescessitava com bastante facilidade. Além disso, negociar com Lampião, era uma razoável fonte de renda. Mas não podemos negar, que existiram coiteiros importantes que serviam a Lampião apenas por amizade. Como exemplo das desvantagens de não se ter um bom relacionamento com Lampião, é lembrarmos do coronel Petronilo Reis, que logo depois de conhecer Lampião tornou-se seu inimigo sofrendo então enormes prejuizos.

            Tempos depois da morte de Lampião, falou-se que ele iria se encontrar com seus sub grupos em Angico, para tratar, da sua retirada do cangaço ou uma possível mudança de ares. Porém, poucos dias antes de Lampião chegar em Angico, ele esteve reunido com diversos de seus sub grupos e não tocou nesse assunto. Durante a semana que esteve em Angico, também lá esteve pelo mesmo período Zé Sereno e todo seu grupo e, Lampião não disse uma palavra a ninguém a respeito de abandonar o cangaço ou o nordeste como se cogitou. O encontro de Angico foi apenas mais um encontro rotineiro de Lampião e seus sub grupos.
 
Zé Sereno à esquerda
 
             Taí meu caro Severo, espero que seja isso que o amigo queria. Estou a sua disposição para qualquer tipo de colaboração que eu possa dar. Como se diz aqui no interior de São Paulo: "nóis num entende muito, mais nóis vai empurrando devagar".
Abraço fraterno.

Sabino Bassetti
Pesquisador e escritor
Salto - São Paulo
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domingo, 10 de abril de 2011

TERRA DO PADRE CÍCERO


Clique para ampliar.
Veja o Juazeiro do Norte de perto

  


 

Conheça bem de perto Padre Cícero Romão Batista 

Dois valentes cangaceiros

Por: Ângelo Osmiro Barreto



            O ano é l935, o sertão nordestino mais uma vez, é assolado por uma terrível seca. No interior baiano os cangaceiros chegam a um lugar chamado Curaçá, ao encontrarem uma fazenda fazem pouso para aliviar a fome e a sede do grupo.
           Comem, bebem e parecendo incansáveis começam uma dança embaixo de alguns juazeiros que ficavam na frente da casa grande e alpendrada da fazenda sertaneja.
Lampião
            No alpendre amplo da casa havia três potes cheios de água. Para evitar a poeira que vinha do baile improvisado, Lampião tratou de mandar cobrir as bocas dos potes com panos, tendo o cuidado de dizer para atar-lhes a boca para não voar, mas todas as vezes que algum cangaceiro vinha beber água não fechava como havia encontrado, fato este que irritou muito Lampião, que aos gritos começou a reclamar daquela atitude dos cangaceiros, inclusive de Ângelo Roque, o Labareda que estava deitado perto dos potes com sua mulher, a cangaceira Mariquinha, que a tudo ouvia.

 

Ângelo Roque - O cangaceiro Labareda
-Você num me respeita cabra?

             - E esse peste?! O que tá fazendo aí, que não vê isso. Falou Lampião asperamente.
              Labareda nada respondeu. Pouco tempo depois se levantou e sem ninguém esperar quebrou os três potes com o coice de seu mosquetão, e voltou a deitar com sua mulher como se nada tivesse acontecido.
             Após alguns instantes chega o cangaceiro ZÉ BAIANO para beber água, e fica surpreso com os potes quebrados e pergunta quem foi.
Zé Baiano
               Ângelo Roque responde:
               -Fui eu. Por que?
              Zé Baiano nada disse, simplesmente se retirou e foi à procura do chefe para contar o acontecido.
              Lampião se dirigiu ao local, onde Labareda já o esperava de pé. Lampião zangado, perguntou:
              -Quem quebrou os potes?
              -Fui eu. Respondeu o cangaceiro Ângelo Roque.
              A situação ficou tensa, os nervos à flor da pele, são dois valentes homens, prestes a medir suas forças.
              O chefe voltou a perguntar:
              -Você não me respeita mais não?
             - O tanto que você me respeita. Respondeu ÂNGELO ROQUE, desafiando o chefe, dizendo de pronto que com seu mosquetão cheio de balas, não tinha medo de homem nenhum no mundo.
             LAMPIÃO destemido como seu comandado, levantou a arma ao mesmo tempo LABAREDA a sua também ergue; os dois ficam por alguns instantes a se olharem, a morte rondou o local, todos os demais cangaceiros ficaram calados, esperando o pior.
Ficheiro:Virgínio Fortunato e bando NH.jpg
Vírgínio está no centro da foto
              Neste momento, o cangaceiro VIRGINIO, cunhado de Lampião, interveio entre os dois, e grita que acabem com aquela briga, pois já não bastavam os macacos a lhes perseguir e brigar, agora eles companheiros das lutas cangaceiras, discutindo por motivos banais, prestes a se matarem.
             Os dois homens valentes se olharam e deixando o dito pelo não dito, a coragem de ambos ficou comprovada, por pouco não acabando em tragédia para o bando aquele dia de l935.
Lampião é o de baixo
              Em 1938, Lampião foi morto na fazenda Angico, estado de Sergipe. Após a morte do chefe, Labareda se entregou as autoridades, sendo depois anistiado pelo governo do Presidente Getulio Vargas.
Getúlio Vargas
             Reintegrou-se a sociedade através da ajuda do médico baiano Estácio de Lima, diretor da Casa de Detenção em Salvador, onde o cangaceiro esteve preso. Tornou-se Funcionário Público exemplar, jamais voltando a praticar qualquer tipo de delito. Faleceu já em idade avançada no estado da Bahia.
             ÂNGELO OSMIRO é Presidente da Soc. Brasileira de Estudos do cangaço -SBEC. Pesquisador e escritor do cangaço e Membro efetivo da ALMECE.

OBS: AS FOTOS, ACIMA POSTADAS , FORAM POR MIM INSERIDAS, NO INTUITO DE ENRIQUECER A BRILHANTE MATÉRIA DO AMIGO " Dr. ANGELO OSMIRO ".

Um abraço a todos.
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC

A LEMBRANÇA DOS TRÊS HERÓIS

Por: Rostand de Medeiros

Monumento da cruz dos três heróis
   

            Se Donatila Leite conseguiu viver, os três amigos de seu marido não tiveram a mesma sorte. Mas igualmente não foram esquecidos pela comunidade.

            Ao realizar o trabalho de pesquisa na região, ficou patente que a morte de Bartolomeu Dias, Francisco Canela e Sebastião Trajano é um dos fatos mais conhecidos e mencionados por pessoas de diversas idades, relativas a passagem do bando de Lampião.

Lampião

           Autores afirmam que o grupo de homens que seguiu do Sítio Serrota, não desejavam o enfrentamento com os cangaceiros e nem resgatar Egídio Dias em um primeiro momento. A intenção deste grupo era o de autoproteção, para assim seguirem até a povoação de Gavião e de lá trazerem o valor do resgate do fazendeiro. Entretanto para todas as pessoas com quem dialoguei, estes são categóricos em afirmar que a intenção destes homens era “salvar Egídio”, ou assim foi como ficou preservada em suas memórias.


             Das cidades de Antônio Martins a Felipe Guerra, em inúmeros locais, ouvi vários comentários elogiosos a valentia, a intenção destemida e magnânima destes homens em salvar um amigo. Isso tudo diante do bando do maior cangaceiro que o Brasil já viu. Um inimigo experiente, mais forte em número de armas e de combatentes. Para o povo da região, estes três homens são heróis.

             As margens da rodovia estadual RN-072, na comunidade Caboré, se encontra um marco, conhecido como “A cruz dos três heróis”, aonde o povo de Lucrécia e da região vêm àqueles que agora são conhecidos apenas como “Os Canelas”, ou os “Heróis de Caboré”.

            Apesar do empenho do povo de Lucrécia em manter viva a memória do sacrifício destes três homens, o local onde a cruz se encontra é perigoso para aqueles que desejam parar algum veículo, com a intenção de fotografar o monumento. Este fato ocorre devido à inexistência de um acostamento as margens da pista de asfalto, ou de uma área apropriada para estacionamentos. Outra dificuldade para o pretenso visitante é a falta de uma placa de sinalização posicionada antes do monumento, nos dois sentidos da estrada. A inexistência desta indicação mostra para muitos motoristas que aquele monumento mais parece destinado a homenagear pessoas que morreram em algum acidente automobilístico e não em um combate contra o bando de Lampião.

             Se o visitante não tiver cuidado, é provável que a próxima cruz na beira da estrada seja a dele.

UMA PEÇA DE TEATRO MARCA A MEMÒRIA LOCAL

O autor junto ao grupo de teatro “Tribo da Terra”.

          Finalizando encontramos neste município uma das poucas expressões teatrais que trata do tema ligado a passagem de Lampião e seu grupo, encontrada em todo o trajeto percorrido.

            Atualmente o sítio Caboré é uma comunidade rural em expansão, neste local atua uma organização denominada Grupo Juventude Unida de Caboré, que surgiu há 17 anos com o intuito de mobilizar os jovens da localidade em torno de atividades sociais diversas. Uma destas atividades é voltada para a participação no desenvolvimento da cultura local, utilizando principalmente o teatro como ferramenta e meio de expressão. Em 2006, com o apoio da Fundação Laura Vicunha, sete integrantes do Grupo Juventude Unida de Caboré participaram de uma oficina teatral ministrada pela Universidade Católica de Brasília e deste aprendizado surgiu o grupo de teatro denominado “Tribo da Terra”.

           Esta trupe foca sua atuação em diversas temáticas voltadas na própria realidade da comunidade, dentre estes os fatos que envolveram a sua história. Neste sentido, o grupo desenvolveu uma peça teatral denominada “Na boca do povo e das almas”, onde trata exclusivamente dos trágicos episódios vividos em junho de 1927. A peça é dividida em três atos, onde o público conhece a história da comunidade na época da passagem do bando, as ações dos cangaceiros e a reação da comunidade enaltecendo a ação dos “Heróis de Caboré”.

           Não tivemos a oportunidade de assistir esta peça, mas foi possível em um momento de diálogo com este grupo de teatro, liderados pela estudante de pedagogia Adriane Maia Dias conhecer mais desta iniciativa interessante. Os ensaios do grupo ocorrem na ADCRC – Associação de Desenvolvimento Comunitário de Caboré.


Extraído do Blog: "Tok de História",
 do historiógrafo Rostand Medeiros



PÁGINA DO POETA

 

Posso até ser atropelado, mas ando na linha

Por Aristeu Bezerra

Minha vida é programada
Não é feita de improviso,
Só gosto de uma mulher
Que me agüente com sorriso,
Poupando o meu dinheiro
Pois não sou de andar liso.

Na terra firme eu piso
Poesia ninguém me ensina,
É jogo de imagens e palavras,
Verso quebrado arruina;
Deus escolhe os eleitos
Pra possuir esta sina.

Toda mulher algo ensina
Para o bom ou o mau,
Agarre feito visgo a virtuosa
A ruim faça como o bacurau,
Uma perna no caminho
Outra no galho de pau.
 

Extraído do blog: "Cultura e coisa e tal...",

sábado, 9 de abril de 2011

Sinho Pereira, uma vida de aventura!

 Por: Ivanildo Silveira

              Vejam abaixo a famosa entrevista que o cangaceiro Sinhô Pereira, chefe de Lampião, concedeu ao senhor Luiz de Lorena, na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, em 1971, quando de seu retorno, 50 anos depois de sua ida para Goiás.
             Seu nome na pia batismal deve-se ao fato de ter nascido no dia de São Sebastião, 20 de Janeiro de 1896.
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Sinhô Pereira
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             SEBASTIÃO PEREIRA DA SILVA (SINHÔ PEREIRA) nasceu em Vila Bela, em meio a  uma áspera guerra entre as famílias Pereira (a sua) e Carvalho. Foi chefe de cangaceiros e das suas mãos LAMPIÃO recebeu o bando.  Sinhô Pereira foi embora para Goiás no ano de 1922 e só voltou beber das águas límpidas e saborosas do Pajeu no ano de 1971 (mês de Junho), quando veio visitar a família em Serra Talhada/PE.

            Naquela ocasião Luiz Lorena e Sá, da família Pereira , travou o seguinte diálogo com seu brioso parente, que fora no passado o braço armado do clã:
          Lorena - Qual o momento que marcou sua vida de maneira indelével?
             Sinhô - Foram tantos os momentos dramáticos no meu trajeto que seria impossível escolher um.
          
           Lorena - Qual seu dia de maior alegria?
             Sinhô - Chegar a Serra Talhada 50 anos depois e ser recebido por todos os parentes com carinho que me dispensaram, foi na verdade motivo de muita alegria.
               
                 Lorena - Qual seu dia de maior tristeza?
Sinhô Pereira sentado e Luiz Padre em pé
tokdehistoria.wordpress.com
            Sinhô - Estando eu em Lagoa Grande, distrito de Presidente Olegário/MG, recebi a notícia do falecimento de Luiz Padre, em Anápolis, Goiás. Nem ao sepultamento compareci.


              Lorena - Você tem alguma grata satisfação do seu tempo de guerrilheiro?
               Sinhô - Não. Nasci para ser cidadão, casar-se e constituir família. Fui namorado da moça mais bonita do Pajeu. 
            
             Lorena - Por que se envolveu nessa tragédia?
              Sinhô - A impunidade em Vila Bella teve seu auge em minha juventude; do assassinato de seu Né - meu irmão - nem inquérito policial foi aberto.
              
              Lorena - Você reconhece o que seus contemporâneos dizem sobre o seu espírito guerreiro e de ser você o mais valente entre esses?
             Sinhô - havia homens valentes até quase a loucura, entretanto, brigavam para matar. Na hora de morrer, até fugiam do campo de luta. Naquelas circunstâncias matar ou morrer para mim, seria a mesma coisa; daí a diferença.
          
           Lorena - Desses confrontos, qual o que você teve mais proveito?   
             Sinhô - A família Pereira (minha família) vivia atormentada em face de minhas ações. Era imperativo mudar a face da história.
          
           Lorena - Quais os fatos que mais perturbavam você?
             Sinhô - Vários. No começo tudo o que eu fazia errado dava certo.
Com o passar do tempo tudo o que eu fazia certo dava errado.
          
           Lorena - Entre estes, você poderia destacar um?
            Sinhô - Sim. A morte de João Bezerra, em Bom Nome. Na forma como eu procedi, acelerou minha decisão. O meu estado de espírito estava de tal forma desajustada que já não tinha condição de conduzir as ações do grupo que comandava.
O rei do cangaço
             Lorena - Em que circunstância Lampião apareceu em sua vida?
             Sinhô - Ele e os irmãos chegaram de Alagoas depois do assassinato do pai, dispostos a confrontar com José Saturnino, seu inimigo comum.

Não tinham condições financeiras nem experiências. Procuraram-me e participaram com muita bravura de alguns combates.

 Sinhô Pereira

               Lorena - Por que Virgolino Ferreira da Silva ganhou o apelido de Lampião?
               Sinhô - Num combate, a noite, na fazenda Quixaba, o nosso companheiro Dê Araújo comentou que a boca do rifle de Virgolino mais parecia um lampião. Eu reclamei, dizendo que munição era adquirida a duras penas. Desse episódio resultou o Lampião que aterrorizou o Nordeste.
              
               Lorena - Você não quis Lampião em sua viagem para Goiás?
              Sinhô - Ao despedir-me dele na Fazenda Preá, no município de Serrita/PE, pedi para não molestar ninguém da família Pereira. Ele prometeu e cumpriu. Não quis, entretanto, seguir viagem comigo.
 
Bando de Lampião entregue por Sinhô Pereira
             

             Lorena - Depois de instalado em Goiás você convidou Lampião para ir morar naquela região?             
           Sinhô - Sim. Quintas (meu irmão) foi o portador da carta. Ele respondeu verbalmente, dizendo que não aceitava o convite para não me criar embaraços.
           
             Lorena - Você recebeu o convite de alguém para atacar Antônio da Umburana em Queixada (Mirandiba)?
             Sinhô - Não. Tudo aconteceu por minha conta e risco.
           
             Lorena - E o seu problema com Isnero Ignácio, como aconteceu?
             Sinhô - Naquele tempo chegou para se agrupar comigo o meu parente Luiz Pereira Nunes (Luiz do Triângulo) acompanhado dos primos Chiquito e Teotônio do Silveira, valente ao extremo. Depois de várias refregas, explicou-me que estavam comigo por que foram escorraçados da sua propriedade na região de Santa Rita pelo primo Isnero Ignácio. Estavam se preparando para desforra e esperava o meu apoio.
           
               Lorena - Qual foi sua reação?
              Sinhô - Ponderei que já bastavam as inimizades já existentes e que Sinharinha, mãe de Isnero, era filha de tia Donana
           
               Lorena - E Luiz do Triângulo, como reagiu?
             Sinhô - Ficou contrariado, sem aceitar minhas ponderações. Entretanto, concordou que eu fosse com Luiz Padre pedir a interferência de Antonio Inácio de Medeiros também primo de Isnero, Sr. Sebastião Inácio de Oliveira, concordou. Isnero e mãe Sinharinha foram radicais, não aceitaram qualquer forma de reconciliação, inclusive proibiram o parente Luiz do Triângulo de voltar a sua propriedade.
             
               Lorena - E daí, o que aconteceu?
             Sinhô - Foi uma estupidez o que fizemos. Ateamos fogo na Fazenda Santa Rita, deixando em cinzas o roçado, o canavial, o engenho, os currais e a casa da fazenda.
           
               Lorena - Dos oficiais da polícia militar que o combateram, qual o de maior respeito?
              Sinhô - O capitão José Caetano era um bravo. Intrépido e leal no mais duro da refrega.
           
              Lorena - Qual o combate mais dramático que você participou?
             Sinhô - Foi na Serra da Forquilha, numa semana em que estávamos repousando. Éramos doze homens, cercados num casebre, por cento e vinte policiais. Sem outra alternativa bradamos para que segurassem as armas porque iríamos para a luta de corpo-a-corpo e de corpo a punhal.
           
              Lorena - O que aconteceu?
              Sinhô - O que aconteceu? Saltamos e fugimos ilesos.
             
              Lorena - Por que a ideia de avisar aos sitiantes, nessa e em outras oportunidades, que continuariam a luta, mas, na verdade, abandonavam o refúgio?
            Sinhô - Enquanto aqueles procuravam entrincheirar-se, nós fugíamos.
          
             Lorena - Você viajou para o Planalto Central desprovido de recursos financeiros?
              Sinhô - Não. Isidoro Conrado e Né da Carnaúba financiaram a nossa viagem com dinheiro que compraríamos duzentos bois.
           
               Lorena - Em Dianópolis, onde se instalaram, tudo correu bem?
             Sinhô - Vivemos uma epopeia mais dramática do que aqui, expressar numa entrevista nem vale a pena...
          
              Lorena - Por que essa expressão! "minhas navegações" quando sabemos que navegar é próprio do oceano?
             Sinhô - Ouvíamos dizer que o mar é uma imensidão de água, e como a extensão de nossa desgraça não tinha limites, usávamos a expressão "nossas navegações".
          
             Lorena - É verdade que você anteviu a genialidade de LAMPIÃO?
            Sinhô - Dos homens que deixei em armas no Pajeu, só Virgolino podia chegar à celebridade. Os demais eram formiga sem formigueiro. Minha profecia foi cabalmente comprovada. Lampião nada aprendeu comigo. Já nasceu sabendo".
 

Sinhô Pereira faleceu numa manhã no dia 21-08-1979 , em Lagoa Grande - Estado de Minas Gerais -, deixando para trás uma vida e uma história marcadas de angústia, dores e vontade de viver feliz com sua família e amigos.

Sinhô Pereira era uma baraúna! (Luiz Lorena)

Fotos: Algumas foram cortesia do Museu do cangaço/Serra Talhada-PE e amigo SOUSA NETO.
 
Ao elaborarmos essa matéria, contamos com a colaboração dos amigos: Kiko Monteiro (Lampião aceso) ; Sousa Neto/Barro-CE, além da Prefeitura de Lagoa Grande/MG (Site) E do escritor LUIZ LORENA/Serra Talhada/PE (saudosa memória) .


Um abraço a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN
 
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José Saturnino - fonte orkut