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terça-feira, 7 de agosto de 2012

No tempo do cangaço - Arte de Ernane Cunha


A composição foi feito em pirogravura sobre uma placa de MDF (É bastante trabalhoso, pois qualquer descuido... já era, não tem volta).


Primeiro veio a reprodução do poster que tem as dimensões do cartaz original.

 

Detalhe da gravura do Rei do Cangaço

Porem, achei que somente reproduzi-lo ficaria algo muito mecânico então resolvi compor um quadro que além de ter alguma utilidade para os "escravos do sistema", apresentasse alguns elementos do cangaço, sobretudo da estética tais como:


A flor com 8 pétalas ampliei para "12"
(Apontam para cada um dos algarismos).


A flor de lis (moldura do relógio e ponteiros),
A cruz também compõe a moldura.


E o punhal (algarismos).

O círculo entre as pétalas e os algarismos foi inspirado nos bordados que decoravam os embornais e os forros dos cantis dos cangaceiros, cada triângulo representando um minuto.Eis aqui o resultado:



 

O tamanho total da obra é de 66,7cm x 32,8cm.

Posso lhes afirmar que essa é uma criação definitivamente única, que necessitou de muito trabalho e tempo, por isso não cogito fazer uma cópia ou segunda versão do mesmo.

Não tenho intenções mercadológicas, só quis de compartilhar com os amigos "rastejadores" de bom gosto o meu apreço por esta parte da história de nosso pais que é tão fascinante e intrigante.

Grato por dispor de seu precioso tempo lendo essas linhas.

Atenciosamente,
Ernane R. C. Cunha
Cachoeira de Minas, sul de Minas Gerais

Obs. O título da obra não é oficial, foi mera sugestão do blog!

http://lampiaoaceso.blogspot.com 




Os óculos de Lampião

Por Rainer Sousa

Os óculos de Lampião: o humor e a vaidade de um temido cangaceiro nordestino.

Nos fins do século XIX, o desmando dos grandes proprietários de terra e dos governantes locais incitou a formação de um interessante fenômeno histórico: o cangaço. Armados e não reconhecendo nenhuma espécie de autoridade, os cangaceiros percorreram o sertão nordestino realizando assaltos, saques e pilhagens em várias cidades e fazendas da região.

Na década de 1922, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, se tornou um dos mais famosos líderes de cangaço. Além de exercer liderança em seu grupo, Lampião causou terror às autoridades em confrontos que desafiavam a estabilidade da ordem republicana e o interesse dos grandes fazendeiros. Mesmo não defendendo algum senso de justiça ou ideal, Lampião pode ser visto como claro reflexo dos desmandos de uma estrutura política abusada por poderosos.

Em agosto de 1925, o bando de Lampião foi surpreendido por um destacamento de oficiais que o perseguia no sertão pernambucano. Depois de ver seu irmão Livino sendo atingido por um tiro fatal, o líder dos cangaceiros deu início a um terrível tiroteio. Entre as balas que vinham de todos os lados, um cacto também foi atingido e um de seus espinhos cravejou um dos olhos de Lampião.

Mesmo depois receber um tratamento, o líder dos cangaceiros acabou perdendo a visão do olho atingido. Controverso entre a violência e o humor, o lendário cangaceiro dizia que não havia problema algum na perda, já que tinha mesmo que fechar um dos olhos para poder atirar em seus inimigos. Contudo, também por vaidade, Lampião passou a empregar um par de óculos que escondia a sua deficiência e, de quebra, protegia a visão contra o escaldante sol nordestino.

Segundo consta em algumas de suas biografias, Lampião utilizou cerca de três exemplares ao longo de sua vida. Encontrados hoje na Casa de Cultura da Serra Talhada, dois óculos tinham aros redondos e nenhum outro tipo de sofisticação. Em contrapartida, alguns relatos sugerem que ele também possuía uma armação especial toda revestida em ouro.

Ao que tudo indica, o valioso exemplar acabou sendo roubado quando o destemido cangaceiro foi morto na brutal emboscada da gruta do Angico, Sergipe, no ano de 1938. Após matarem Lampião, sua companheira Maria Bonita, e mais nove integrantes do bando, os policiais tomaram todos os valiosos pertences que estavam sob domínio do grupo. Provavelmente, os valiosos óculos foram espertamente retirados antes que os cangaceiros tivessem suas cabeças expostas em praça pública.

A morte de Lampião representou o processo de desarticulação do cangaço. Nessa época, o crescente processo de industrialização e urbanização conseguiu atrair grandes números da mão de obra nordestina para a região Sudeste do país. Com isso, o banditismo acabou perdendo a sua força em decorrência das oportunidades de emprego que estavam surgindo nas fábricas. Dessa forma, Lampião e os seus óculos de ouro ficaram depositados no conjunto de histórias que marcou o Brasil das oligarquias.


ACERCA DE UMA COLEÇÃO DE QUEM REALMENTE PESQUISAVA O CANGAÇO

Por: Rostand Medeiros
Rostand Medeiros

Em 9 de janeiro de 1980, o jornalista pernambucano Nilson Deocleciano Pereira Lima falecia no Hospital Geral de Urgência de Recife . O jornalismo nordestino perdeu então um profissional de espírito irrequieto, considerado um ótimo repórter e que se foi com apenas 38 anos.

Nilson Pereira Lima atuou em veículos de comunicação como os jornais “O Globo” (Rio de Janeiro), “Diário de Pernambuco” e “Jornal do Comércio” (Recife), além de ter atuado nas revistas “O Cruzeiro”, “Veja” e “Manchete”. Esteve também em redações de emissoras de televisão. Seu trabalho foi laureado com o Prêmio Esso de Jornalismo.

Segundo a reportagem sobre a sua morte, publicada no “Jornal do Comércio”, edição de 10 de janeiro de 1980, entre as décadas de 1960 e 1970 Nilson viajou muito pelo interior do Nordeste . Deste período o jornal destaca uma reportagem feita no Rio Grande do Norte, onde ele apresentou o “Sindicato da Morte”. Este era um grupo de pessoas que se especializou em contratar “mão de obra qualificada”, que atuavam no Seridó e Oeste potiguar, matando quem quer que fosse e preços a serem combinados.

A reportagem do “Jornal do Comércio” informa que em suas viagens, Nilson Pereira Lima não deixava passar a oportunidade de entrevistar pessoas que estiveram envolvidos com cangaceiros, ou foram vítimas destes. Para este fim utilizava os velhos e pesados gravadores de fitas K7, daqueles que a energia provinha de quatro pilhas das grandes e era transportado a tiracolo. Batalhador, ele não deixava de buscar uma boa informação sobre o cangaço, Lampião, coronéis e outros personagens nordestinos, indo buscar as fontes nos rincões mais isolados.

Consta que ele foi a última pessoa a entrevistar Francisco Heráclio do Rêgo, o famoso coronel Chico Heráclio, do município de Bom Jardim, Pernambuco, considerado o derradeiro coronel nordestino.

Anda sobre o cangaço, Nilson Pereira Lima possuía um vasto acervo de gravações e fotografias, conquistado em uma luta de muitos quilômetros de estrada. A reportagem informa que ele desejava escrever uma biografia de Lampião, onde buscaria dar um enfoque diferenciado a vida deste bandoleiro.

Tempos depois após seu falecimento, mais precisamente no dia 12 de maio de 1980, na coluna do jornalista Paulo Fernando Craveiro, na página A-6 do Diário de Pernambuco, publicou uma pequena nota informando que o acervo de Nilson Pereira Lima sobre o cangaço seria doado a Fundação Joaquim Nabuco.

Efetivamente, em 28 de outubro de 1981, segundo o site desta instituição (http://www.fundaj.gov.br/docs/indoc/icono/npl.html) a viúva do jornalista, a Senhora Cristina Maria Fills Pereira Lima, entregou a esta respeitada entidade o material de seu esposo.

Segundo o site, constam no inventário da Fundação Joaquim Nabuco 165 fotografias, com uma abrangência que abarcar os anos entre 1930 a 1974, com autores como os fotógrafos Pedro Luiz e Alcedo Lacerda e outros não identificados. O site ainda informa que algumas destas imagens mostram áreas do Rio Grande do Norte, como a região de Mossoró, Angicos e as nossas salinas.

Relativo ao cangaço nesta coleção, o site informa que existem “fotos de cangaceiros com familiares e captores”.

Sobre as gravações, não existe nenhuma referência.

Busquei contato com esta entidade através de telefone, onde fui muito bem atendido, mas não obtive nenhuma resposta se, no momento da entrega do acervo do jornalista Nilson Pereira Lima, o material gravado foi igualmente entregue.

Realmente esta coleção, na mão de um esforçado pesquisador, poderia render ótimos frutos e ótimos trabalhos. Para este pretenso pesquisador, ele nem precisaria viajar ao interior para procurar as fontes e isto lhe facilitaria muito a sua vida.

Um adendo.

Segundo site da Fundação Joaquim Nabuco, que no seu estatuto informa ser uma “entidade vinculada ao Ministério da Educação e Cultura, sem fins lucrativos”, que apregoa em seu site ter como missão “Produzir, acumular e difundir conhecimentos, resgatar e preservar a memória e promover atividades científicas e culturais, visando à compreensão e ao desenvolvimento da sociedade brasileira, prioritariamente a do Norte e do Nordeste do país”, chega a cobrar até R$ 92,00 pelo serviço de reprodução digital (em resolução 300 DPI) de cada uma das fotos da coleção do jornalista Nilson Pereira Lima, ou de qualquer outra imagem de suas variadas e raras coleções de fotografias.

No site da Fundação encontramos a informação que “Diversificar e ampliar as ações de comercialização de bens e serviços para elevar a arrecadação de recursos próprios é uma das prioridades estratégicas da Fundação Joaquim Nabuco”.

Realmente “prioridade” não é a mesma coisa que “missão”.

Extraído do blog do professor Honório de Medeiros

21 de março de 1927, no “A Tarde”

Por: Rubens Antonio


O padre Cicero continua a mandar e desmandar lá nos seus adustos domínios de Joazeiro, no sertão cearense.

Alçado á categoria de super–homem pela ingenuidade do caboclo nordestino, o velho sacerdote tem, ali, um desses prestígios formidáveis que dominam populações, moldando–as ao sabor de sua vontade.

Para o sertanejo, maior do que o padim pade circo – só Deus.

E elle, por isso, faz o que entende apoiado por milhares de homens fanatizados.

O clichê que estampamos acima é bem uma prova desse absolutismo do chefe cearense: – representa uma nota de 10.$000, corrente em Joazeiro, impunemente, apezar de provir de emissões clandestinas, feitas ali.

E quem quizer saber quanto vale este dinheiro que tem a effigie do padrinho, ridicularize–o á vista de um caibra de chapéu pancada e Pajahu de Flô á cintura...


Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

Os filhos dos cangaceiros Corisco e Dadá

Por Juarez Conrado

O primeiro filho dos cangaceiros Corisco e Dadá, foi o Josafá. Nasceu a 1.º de Maio de 1933, época dura para os cangaceiros, cercados por todos os lados, perseguidos, andanças sem descanso de um canto para outro.

Corisco e Dadá

- Fiquei com esse menino três meses. Por todo canto era tiro. O pobrezinho estava assadinho, chorava, eu não sabia o que fazer. Deixei com umas pessoas conhecidas, mas ele morreu.
Dadá compreendeu que não era possível criar os filhos:
- Foi horrível ter meus filhos e não poder carregar. Sabe, levar os meninos seria morte certa, aquilo não era vida para anjo. Tive sete. Três estão vivos. Celeste, casada, com dez filhos. Maria do Carmo, com três filhos; e 

Pegue esta carona da Laser Vídeo, do  cineasta Aderbal Nogueira, para você conhecer o filho de Dadá e Corisco, o Sílvio Bulhões.

Sílvio Bulhões, que é economista e tem seis filhos. Todos eles foram criados por amigos. Mas nasciam na caatinga, onde eu estivesse. Celeste nasceu durante uma perseguição.
Extraído do livro:  
"Lampião Assaltos e Morte em Sergipe".
Autor: Juarez Conrado
Página: 247
Aracaju - Sergipe
Ano de publicação: 2010
blogdomendesemendes.blkogspot.com

Hoje na História de Mossoró - 07 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

07 de agosto de 1955 – Comício de propaganda do Sr. Ademar de Barros, chefe e candidato do Partido Social Progressista à Presidência da República.
               
O referido político procedia de Fortaleza, viajando de avião com pequena comitiva. Foi saudado em palanque armado na Praça Rodolfo Fernandes pelo Dr. Waldemar Cavalcanti, falando em seguida o candidato e outro componente da comitiva.
               
O Dr. Ademar de Barros foi hóspede do Dr. Lavoisier Maia, seu colega de turma na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

LAMPIÃO DIVERTE, CORISCO FILOSOFA

Por: Clerisvaldo B. Chagas - Crônica Nº 836

Clerisvaldo B. Chagas

Ao se entrar no mundo do finado cangaço, a princípio parece estrada simples a ser percorrida. À medida que o pesquisador aprofunda-se no seu mister e deseja de fato dedicar sua vida a isso, vai descobrindo que existe uma teia que lhe barra a saída. Geralmente quem se aprofunda na literatura lampionesca de corpo e alma, não consegue mais escrever sobre outros assuntos, pois fica impregnado de cangaceiros dias, meses, anos seguidos. Nas rodas de amigos não fala sobre outros assuntos, dentro do vício que pegou e não consegue largar, como se os mortos não o deixassem sair das suas causas. Escrever sobre cangaço não é e nem nunca foi tarefa das mais leves. É preciso, além de outros atributos, muita paciência, como outro assunto qualquer interessante, pois os enganos se sucedem a cada passo. Um dos maiores perigos de quem escreve sobre o tema, armadilha aberta, é acreditar na primeira informação, assim como de primeira informação era Corisco, o mais famoso cangaceiro do grupo de Virgolino. O engano (lapso) ou a proposital mentira estão em todos os lugares das pesquisas.

CORISCO. (Fonte: popular).

Examinando documentos da época cangaceira, entre 1938 e 1940, descobrimos inúmeros desses lapsos, como se a Imprensa da época tivesse azoada com tantas desencontradas informações. Quer dizer, o pesquisador nem pode dizer que escreveu “aquele engano” extraído de documento, pois o documento estava informando errado. Nomes trocados de cangaceiros; anúncio de mortes de cabras que continuavam vivos; números de membros do cangaço e volantes abatidos; quantidade exagerada de cabras em ataques; Feitos bárbaros atribuídos a cangaceiros que não cometeram os feitos... Enfim, o pesquisador sério tem trabalho noite e dia em suas buscas comparativas para poder publicar o que chega mais perto da verdade. Recentemente tive em um lugar onde um homem passou a ter suas ações contra os bandidos, decantadas em livros. Um pesquisador do lugar afirmou que tudo que ele falava era mentira, mas a família influente queria que a vantagem do cidadão continuasse nos livros de antigos e novos pesquisadores. Pelo visto, a história do cangaço, como qualquer outra história, é vista por ângulos, como olho de mosca. Não existe limpeza cem por cento nem nos escritos mais severos sobre o tema.

Nessa última investida que fiz sobre o passado irrequieto do Sertão, balancei a cabeça ao ver ali, também documentado, um testemunho curto do cangaceiro Pancada, muito falado em Alagoas, assim como Moita Brava. Dizia ele, na prisão, que ao saber da morte de Virgolino, em Sergipe, Corisco ─ que estava no lado alagoano na hora da chacina ─ teria dito: “Acabou-se o divertimento do mundo”. Você sabia leitor, que “Virgolino divertia o mundo?” Eita passado misterioso compadre! Enquanto LAMPIÃO DIVERTE, CORISCO FILOSOFA.




BIOGRAFIA DE ALGUÉM (Crônica)


                                               Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

BIOGRAFIA DE ALGUÉM

Nasceu numa manhã ensolarada dos anos 50 e faleceu numa noite mais ensolarada ainda do dia seguinte. Noite ensolarada? Pois é, não só ensolarada como tomada de uma tempestade terrível.

Depois de dada como morta pelo médico da família foi crescendo saudável, porém com um gravíssimo problema de saúde: era completamente anormal. Logo se contatou que a menina era completa louca, tomada de absoluta insanidade.

E o pior: tão anormal que não sabia mentir, não gostava de falsidades, odiava mimos demais, dizia na cara do outro o que sentia. Porém o mais grave, fato que à época serviu até de estudo laboratorial, não aceitava a realidade mentirosa de jeito nenhum e chorava diante das tantas injustiças vistas por todo lugar.

Nesse passo já se pode dizer que nunca mais deixou de chorar. Aos olhos dos outros, chorava pelo probleminha de doidice que infelizmente era acometida, mas um olhar mais atento logo perceberia que pranteava mesmo por tudo ruim que acontecia na realidade da vida.


Um dia, aproveitando um amigo da família que estava de visita, mandou que levantasse pois iria fazer umas perguntas e não admitia que respondesse estando sentado. Ora, queria receber respostas inteiras e não dobradas, curvadas. O visitante se assustou, mas levantou altivo e ouviu:

“Por favor, me responda por que o povo conhecendo o bem e o mal, mente diante do bem e só vive praticando o mal; por que o gato é gato e não é cachorro e por que tem gato que late e não há um só cachorro que mie; por que todo mundo fala em amor e ninguém sabe amar completamente; por que todo mundo sabe encontrar o que deseja na escuridão e não sabe procurar debaixo do sol; por que o vidro é feito de areia, mas se alguém se puser a se espelhar na areia todo mundo vai dizer que enlouqueceu; por que ainda não foi criado um mundo para habitar nele somente os personagens dos livros e suas histórias;  por que o gato é gato e não é cachorro e por que tem gato que late e não há um só cachorro que mie. Perguntei de novo foi? Então me responda essa: por que você se acha gente quando todo mundo sabe que é um rato? Responda. Mas antes diga se você sabia que na verdade o gato não é um gato nem o cachorro é um cachorro. Mas todo mundo sabe que você é um rato, e de esgoto...”.

O visitante desabou botando os bofes pela boca, enquanto ela era levada para o hospício, onde permaneceu por mais de cem anos. E nessa casa de doidos fez uma verdadeira revolução. Fazendo perguntas cada vez mais intrigantes aos psiquiatras, acabou enlouquecendo todos eles. Numa bela tarde em que o galo cantava, o último médico entrou numa solitária puxado por uma coleira e levando um velho osso na boca.

Quando deixou o hospício ainda se sentia na flor da idade. Já estava com mais de cento e cinquenta anos, mas continuava chupando bico, usando fralda e carregando sempre uma bonequinha de pano no braço. Chegava aos botequins pedia uma feijoada bem caprichada e depois mandava passar tudo no liquidificador. E exigia ainda que lhe fosse servida numa mamadeira.

Sendo muito bonita desde criança, antes de morrer no dia seguinte ao nascimento, já havia namorado mais de vinte. Nunca havia chegado perto de nenhum namorado não, apenas namoro de compromisso futuro, pois dizia que o mundo seria uma maravilha se todo mundo namorasse pensando em se apaixonar amanhã, pois o amor se desgastava a cada momento que os dois estivessem juntos. Se tudo ficasse para mais tarde, o amor seria completo na expectativa de ser amado.


Verdade é que nunca beijou nem deu as mãos a homem nenhum. Quando encontrou um rapaz que realmente achou bonito, jogou fora a boneca de pano e saiu correndo mundo afora. Correu cinco dias seguidos até encontrar um grande mosteiro abandonado. Ali se manteve até o fim da vida como monja, casta e devota.

Mas a solidão lhe atormentava tanto que depois de morrer ainda tentou o suicídio por cinco vezes. Foi obrigada a retornar ao mundo terreno porque ninguém suportava tanta loucura lá em cima. E retornou como uma mulher tão feia que passava os dias, nos mais de quinhentos anos ainda vividos, limpando e lustrando um velho espelho para ver se refletia alguma simpatia.

Jamais conseguiu. E por isso mesmo amaldiçoou todos os espelhos velhos, amarelados, carcomidos pelo tempo. E quem neles se mira a estará refletindo.
   
(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

“LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE” EM NORDESTINA

Por: Archimedes Marques

Próprio dos tantos desafios que houvera na minha atribulada vida de Delegado de Polícia e também nas andanças relacionadas aos estudos e pesquisas para me tornar um escritor do cangaço, em posse do meu querido e atrativo livro refutação, LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, obra literária esta que vem fazendo sucesso aonde chega e com os seus leitores, além de muito bem elogiada pelos pesquisadores, críticos e estudiosos do tema, em novo desafio, aceitei o convite do Secretário da Cultura do Município de Nordestina, Pastor Ruy Guilherme Cardoso Matos, grande líder de um “rebanho de ovelhas” seguidores, cidadão então estabilizado que deixou os Estados Unidos da América para vir prestar os seus relevantes serviços em prol da comunidade de Nordestina, uma pequena, mas aprazível cidade encravada no sertão baiano entre os municípios de Cansanção e Queimadas, partindo assim de Aracaju no dia 03/08/2012 para romper a barreira dos 448 quilômetros, tudo no intuito de mostrar o meu trabalho literário ao povo daquele município.

Mesa de Autoridades

Entre trancos e barrancos com excelentes, boas e ruins estradas esburacadas parti junto com a minha companheira de todas as horas Elane Marques, entrando na Bahia via Itapicuru e seguindo estrada por Olindina, Nova Soure, Cipó, Ribeira do Pombal, Tucano, Euclides da Cunha, Monte Santo, Cansanção para finalmente chegar a Nordestina, onde às 19:00 horas daquele dia que ficará para sempre nos anais da cultura do seu povo, expor o meu trabalho em palestra que se estendeu por mais de duas horas devido às tantas perguntas dos curiosos, estudantes, educadores e personalidades local, fruto de um povo interessado pelo tema cangaço, afinal de contas, Nordestina um dia pertenceu as terras de Queimadas, uma das cidades que marcou as atrocidades de Lampião no ano de 1929.

Dr. Archimedes Marques e o Pr. Ruy Matos.

A aprazível e pacata Nordestina, uma jovem cidade, um jovem município que ganhou a sua liberdade administrativa e financeira na década de 80 originou da Fazenda Cajueiro, mais tarde simplesmente Cajueiro, que alcançou rápido desenvolvimento, criado com território desmembrado de Queimadas, por força de Lei Estadual de 9 de maio de 1985. A sede foi elevada a cidade quando da criação do município.


Archimedes Marques, esposa Elane Marques e Joao Moreira, maior arquivo vivo da historia de Nordestina.

Na verdade, em 1937, já bem próximo ao fim da era cangaceira, dois desbravadores, Tertuliano de Souza Pereira e Gregório Batista, resolveram construir as suas casas numa fazenda comum para aventurar-se na produção da fibra do caruá e da casca de angico, desafiando o perigo e as dificuldades da seca ali fincando raízes para lutarem pelo desenvolvimento da região.

Archimedes Marques encantou a todos os presentes com o notavel conhecimento sobre a tematica CANGACO.

A Fazenda Cajueiro localizava-se no Município de Queimadas que ainda vivia sob tensão e pavor do que ocorrera há alguns anos atrás, mais de perto, no domingo 29/12/1929, quando Lampião e seu bando ali cometeram das maiores atrocidades da história do cangaço ao matarem impiedosamente sete soldados já rendidos e totalmente indefesos em um final de tarde negra que os queimadenses jamais esqueceram. Consta que todos aqueles militares foram executados à sangue frio pelo próprio Lampião com a ajuda tão somente do cangaceiro Volta Seca que com os seus afiados e pontiagudos punhais de 70 centímetros sangraram todos, enfiando as lâminas jugular abaixo, penetrando nas entranhas das vítimas que ajoelhados na calçada do quartel policial, sob os olhares chorosos dos moradores mais corajosos, viam as suas vidas se esvaírem, sendo perdoado tão somente dessa chacina o sargento Evaristo.

Archimedes Marques e Giovani Bell em confraternização.

A extrema sorte do sargento Evaristo ocorreu quando das visitas do cangaceiro chefe às casas das ilustres personagens de Queimadas. Lampião ao adentrar na residência do Escrivão da Coletoria Federal de nome Amphilóphio Teixeira e vendo a sua esposa Austrelina Teixeira, conhecida por dona Santinha, mulher elegante, perfumada e bem arrumada, logo gostou e se interessou por um lindo trancelim de ouro que carregava tal dama em seu pescoço, mas para não ser deselegante e tomá-lo a força, muito elogiou aquela joia com as segundas intenções de obtê-la pra si, daí a referida senhora mais do que sabida, logo tirou o bonito cordão dourado e o ofereceu de presente ao cangaceiro chefe. Sem pensar nas consequências ou até mesmo sem esperar qual seria a vontade da dona Santinha, Lampião teria prometido que atenderia um pedido da generosa senhora ao receber tal presente. Então essa elegante e inteligente senhora, alegando que o sargento Evaristo era pessoa excelente, de boa índole, um exemplo de marido e pai, querido por todos da cidade, pediu pela sua vida. Assim, um reles trancelim salvou a vida de um bravo policial militar que em momento algum se acovardou ou implorou por sua vida mesmo vendo os seus comandados tombados em rios de sangue na calçada do seu local de trabalho.

De Nordestina enobreci a minha bagagem de pujança e determinação, sem esquecer o carinho com que fui recebido e recepcionado por aquele povo ordeiro e trabalhador que um dia, por certo, levará este município a melhores patamares na história sertaneja baiana.

Nordestina está hoje, sem dúvida alguma, bem servida na sua área cultural com a pessoa do Pastor Ruy Matos, como também muito bem representada pelos dinâmicos secretário municipal, presidente da Câmara de vereadores e educadores Giovani Bell, Marcos Batista de Souza, Nilzete Bezerra, Patricia Amambahy, além do poeta Jose Abel dentre outras personalidades que se fizeram presentes ao evento, sem esquecer do maior arquivo vivo da cidade, o simpático velhinho João Moreira que apesar de andar na casa dos noventa anos parece um menino a esnobar as suas lembranças, destarte para um dia após a chacina de Queimadas, oportunidade em que Lampião e seus asseclas estiveram no sitio onde residia, ali próximo, na beira do rio Itapicuru, quando o mesmo tinha aproximadamente 10 anos de idade, em uma passagem amistosa, mas que ele se lembra daqueles homens vestidos tão diferentes e da voz de Lampião confabulando algumas palavras com o seu pai como se fosse hoje.

Foi assim que eu vi Nordestina, foi assim que eu senti Nordestina e é assim que guardarei para sempre Nordestina dentro do meu peito esquerdo.

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, escritor e pesquisador do cangaço: Dr. Archimedes Marques

 http://www.cangacoemfoco.jex.com.br/

O Poder Politico e Econômico de Lampião em Sergipe

Por: Alcino Alves Costa

Lampião reinou durante quase 20 anos nos sertões de sete estados: Pernambuco, seu berço natal; Paraíba, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Sergipe. Os primeiros dez anos foram vividos nos estados do outro lado do rio São Francisco. A partir de 1928, naquele dia 21 de agosto, quando atravessou o grande rio sertanejo, para a Bahia, viveu mais dez anos de sua imensurável odisséia, até a sua morte na Grota de Angico, no dia 28 de julho de 1938.

Lampião e seu grupo no tempo que reinava em Sergipe

As andanças de Lampião por Sergipe tiveram início em 1929, quando no dia 01 de março, o afamado bandoleiro e seu bando invadiram o então povoado de Carira. No mês seguinte (19 de abril de 1929) Virgulino Ferreira adentrou ao povoado Poço Redondo, se hospedou na casa de China e assistiu uma missa celebrada pelo padre Artur Passos.

 Fotografia de Lampião, na fazenda da família Carvalho

Foi em Sergipe que Lampião alcançou o maior apogeu de sua vida bandoleira. Foi o coronel dos coronéis; foi soberano, temido, respeitado por todas as autoridades; amigo dos homens mais influentes do Estado. Poderosos senhores, tais como os coronéis Hercílio Britto; Antônio Caixeiro, que era o pai de governador de Sergipe, Eronides de Carvalho; era amigo dos famosos fazendeiros da Serra Negra, Piduca e João Maria, ambos eram irmãos do temido tenente Liberato de Carvalho, famoso militar do exército brasileiro que caçava tenazmente os grupos bandoleiros e fez parte do histórico “Fogo da Maranduba”, em janeiro de 1932; e muitos outros homens de enorme importância e influência na terra sergipana.

O poder de Lampião era tão grande que ele teve a ousadia de dividir partes do Estado de Sergipe nos moldes das antigas sesmarias, colocando seus principais homens, como se fossem sesmeiros, à frente de vastas glebas de terras, por exemplo: na região que compreende os municípios de Frei Paulo, Carira, em Sergipe, e Paripiranga, na Bahia, o domínio de Zé Baiano; 

O cangaceiro Zé Baiano

em Porto da Folha, Gararu e N. S. da Glória, o senhor daquelas terras era o cangaceiro Mariano, 

O cangaceiro Mariano

em Poço Redondo e Monte Alegre de Sergipe, o domínio era de 

O cangaceiro Zé Sereno

Zé Sereno e em Canindé, o poder estava nas mãos de Juriti.


Enganam-se aqueles que imaginam ter Lampião destroçado a economia sertaneja. Muito pelo contrário. O “Rei dos Cangaceiros” e o banditismo foram fontes de renda. Como? A caça aos bandoleiros deu emprego a centenas de sertanejos que se engajavam nas volantes do governo, alguns como policiais e outros na condição de “contratados”, e assim, tinham ordenado garantido, algo muito difícil naquela época. Além do grande contingente de sertanejos que fizeram parte do bando de Lampião, o que não deixava de ser um meio salutar de “se ganhar à vida” – como diziam os que viviam nos cafundós do sertão.O perambular incessante dos perseguidores de Virgulino Ferreira custava caro aos cofres do governo. Quase que a totalidade das despesas acontecia nas fazendas e escondidos povoados das caatingas. E aqueles gastos injetados numa região de pobreza absoluta eram de uma serventia maravilhosa.

 Grupo de Lampião na Fazenda Jaramataia

Como se vê, um domínio tão imenso como este não poderia de maneira alguma ficar no esquecimento, consequentemente o seu poder político se tornou grandioso, sua palavra e suas decisões eram leis que todos respeitavam e acima de tudo temiam.  E assim, o incrível épico deste extraordinário pernambucano foi parar nos livros da história do Brasil.

Como se verifica, apesar do rasto de destruição deixado pelo maioral do cangaço e sua sanguinolenta malta, naqueles tempos chamados de “os tempos de Lampião”, ocorreu um fluxo econômico que tinha na mão de obra dos “contratados” do governo, em sua totalidade jovens homens dos sertões que jamais haviam recebido um salário e, ainda, os custos com os deslocamentos das forças volantes que faziam com que o dinheiro chegasse naquele mundão de escassez de recursos pecuniários.  

E assim, mesmo sendo responsável por tanto sofrimento, o cangaço obrigou os poderes constituídos a injetar vultosas quantias pelos campos sertanejos – Poço Redondo foi dos mais beneficiados – criando, dessa maneira, uma fonte de renda que perdurou por longos anos nos mais distantes, abandonados e desconhecidos rincões nordestinos.

Alcino Alves Costa

http://cariricangaco.blogspot.com/2010/05/o-poder-politico-e-economico-de-lampiao.html

Em tempos de fuga - A Família de Lampião em Juazeiro

Por: Leandro Fernandes
Leandro Cardoso

Muita gente não sabe, mas a família de Lampião viveu em Juazeiro do período de 1923 a 1927, com a permissão do Padre Cícero. Na segunda década do século passado, por duas vezes, a família Ferreira teve que se mudar em razão dos entreveros com o vizinho 


José Alves de Barros, o Zé de Saturnino. Na primeira vez, obedecendo a um pacto de acomodação arbitrado pelo Coronel Cornélio Soares de Vila Bela, mudaram-se para a Vila de Nazaré do Pico, PE. Na segunda vez, demandaram à cidade alagoana de Mata Grande, ocasião em que morreram os genitores de Lampião, José Ferreira (vítima da volante de José Lucena Maranhão) e Dona Maria (vítima de um ataque cardíaco).



Em 1922, o jovem cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, já definitivamente com o pé fincado no cangaço, assume a chefia do bando do célebre Sinhô Pereira, que deixava o Nordeste em fuga para Goiás. A família Ferreira, sem possibilidade de retornar para Vila Bela, procura abrigo em Juazeiro do Norte. Com a morte dos pais, João Ferreira (o único dos irmãos que não entrou para o cangaço), assume a chefia da família. Após conversa com o Padre Cícero, recebe permissão para se estabelecer em Juazeiro com as irmãs, cunhados, primos (os Paulo) e sobrinhos.


Na passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, em 1926, foram tiradas várias fotografias da família. Na célebre foto da família reunida (que é vista acima), vemos na extrema esquerda sentado, Antônio Ferreira e na extrema direita, Lampião; a segunda sentada da direita para a esquerda é Dona Mocinha (tendo seu marido, Pedro Queiroz, atrás de si); ao lado direito de Pedro está João Ferreira; do lado esquerdo de João está Ezequiel (que depois entraria para o cangaço com o vulgo de Ponto Fino); e, finalmente, o segundo da direita para a esquerda, em pé, é Virgínio (seria o futuro cangaceiro Moderno, chefe de grupo), casado com uma irmã de Lampião, que logo morreria de parto em Juazeiro.

Na ocasião da foto, Dona Mocinha (Maria Ferreira de Queiroz) estava recém-casada com Pedro e, nas várias ocasiões em que a entrevistei, ela sempre externou a enorme benevolência do Padre Cícero, e que todos da família se sentiam seguros em Juazeiro. Dona Mocinha, hoje com 96 anos, única remanescente viva dos irmãos e irmãs de Lampião, mora em São Paulo e foi diversas vezes entrevistada por mim.

Contou-me que aprendeu a dançar com Virgulino tocando “harmônica” no terreiro da fazenda “Passagem das Pedras”, em Vila Bela, e que o irmão vivia na casa da avó, Dona Jacosa Lopes. Refere-se aos irmãos sempre com muito carinho, dizendo que o mais fechado era Antônio e o mais brincalhão era Levino Ferreira. E, em todas as vezes que conversamos, sempre externou a excelente acolhida que a família teve em Juazeiro, e gratidão de todos ao Padre Cícero. Tanto é que seu primogênito é afilhado do Padre Cícero. Rememora com muita satisfação dos familiares de João Mendes de Oliveira, de quem se tornaram amigos. Dona Mocinha casou em Juazeiro com Pedro Queiroz e só deixou a Meca nordestina quando a polícia pernambucana intimou seu marido em Vila Bela, e o prendeu arbitrariamente. Então, Dona Mocinha (e parte da família), teve que deixar Juazeiro em 1927 para residir em Serra Talhada.


Para finalizar, deixo minhas homenagens à Dona Mocinha, hoje falecida, mas mesmo centenária foi um repositório vivo da história recente do Brasil e de Juazeiro do Norte, uma vez que foi expectadora de camarote de um dos períodos mais interessantes e polêmicos da nossa história recente, além de ser testemunha inconteste do desprendimento e da bondade incondicionais do Padre Cícero Romão Batista.

Leandro Cardoso Fernandes é médico cardiologista, cordelista, escritor, residente em Teresina, PI.

PROPAGANDA NO TEMPO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Por: Rostand Medeiros
Rostand Medeiros

A arte de anunciar determinado produto para a venda, seja em revistas, jornais, televisão, etc., segue muito a tendência do momento.

Na época da Segunda Guerra Mundial, em meio ao afundamento de navios civis brasileiros, a morte de vários compatriotas no mar, a declaração de guerra do Brasil contra a Alemanha e Itália, os preparativos para a defesa, os blackouts, a ida da Força Expedicionária Brasileira e do 1º Grupo de Caça para lutar na Itália, muitos eram os jornais e revistas que ficaram repletos de propagandas que evocavam vários aspectos bélicos daqueles dias sombrios.

Vejam alguns exemplos…

O “V” da vitória.

Este era o principal símbolo dos aliados, o “V” da vitória, aqui mostrado também na forma reproduzido no código Morse, três pontos e um traço. Neste período era muito comum, principalmente depois da declaração de guerra, uma grande quantidade de peças publicitárias de produtos importados dos Estados Unidos. O Veedol Motor Oil era um produto da Tidewater Petrolium, atualmente pertencente ao Grupo Texaco.

Propaganda de armas era comum.

Era grande a quantidade de propagandas com armamentos produzidos pelos americanos, onde muitos nem sequer foram utilizados pelas Forças Armadas do Brasil. Mas o avião mostrado acima, o Lockheed Hudson, fabricado pela Lockheed Corporation, foi utilizado pela FAB. 

Seu projeto original era de um avião de uso civil, desrinado ao transporte. Mas com as devidas alterações se tornou uma boa máquina de guerra. Um deles foi o primeiro avião da Marinha Americana (U.S. Navy) a afundar um submarino naquele conflito.

A população brasileira se militarizava.

Com a participação brasileira no conflito se tornou comum que o vestuário local tivesse um corte, ou acessórios, com característica mais militar. Como na época, mesmo sem os atuais problemas na camada de ozônio, era generalizado a utilização de chapéus, nada melhor do que vender um produto condizente com o conturbado momento. Mesmo que belicamente não tivesse nenhuma utilidade.
Até a Loteria Federal se aproveitou do momento militarizado para vender seus jogos.

Era um trambolho, mas necessário naqueles dias.

Em 1940 a população brasileira era de 41 milhões de pessoas e possuía uma frota que girava em torno de 250.000 veículos. Todos os veículos que circulavam no país eram importados, já que as fábricas apenas montavam os automóveis por aqui e não produziam suas peças. Apesar de haver duas refinarias de petróleo no Rio Grande do Sul, grande parte da gasolina era importada e muito deste combustível ainda era distribuído em latas e tambores. Com a eclosão da guerra, a gasolina se tornou mais difícil e o jeito para rodar de carro foi através do gasogênio, onde seu uso era incentivado pelo governo.

Utilizando madeira e carvão para produzir gás dentro de geradores, que normalmente ficavam na parte traseira dos veículos, eram bastante úteis. Havia gasogênios de todos os tipos; os que eram colocados em reboques, na parte dianteira dos carros, compactos e colocados nos porta malas. Não era um negócio fácil de manusear, mas quem tinha veículo particular e não tinha gasogênio, não estava participando do “esforço de guerra” e podia ser tachado de estar “ajudando o inimigo”.

Agradecimento aos países abaixo do Rio Grande.

Esta imagem, de uma empresa americana fabricante de pneus, que se tornou a Uniroyal e hoje pertence ao grupo francês Michelin, mostra uma situação comum na época; muitas peças publicitárias de empresas dos Estados Unidos, agradecendo aos povos da América Latina pela participação no esforço de guerra. Mas tem um detalhe – não se vê a bandeira da Argentina na foto acima. A razão foi porque este país só declarou guerra à Alemanha em 1945 – declaração meramente formal, como condição para a sua entrada na recém-criada ONU.

Muitas peças publicitárias davam a ideia que a guerra estava perto de casa.

Ter seus trabalhadores servindo na FEB era um bom negócio em termos propagandísticos.

A peça publicitária acima mostra como era positivo para muitas empresas ter seus trabalhadores servindo na Itália e continuar pagando integralmente seus salários. E elas faziam questão de divulgar isso, pois publicavam nos jornais fotos onde mostravam os seus diretores entregando os salários dos militares engajados as suas esposas, ou seus pais.

Até mesmo produtos de empresas que a maioria das pessoas não tinham contato, como os de aviação, faziam questão de divulgar suas peças de propaganda com um viés bastante militarizado.

Até na propaganda de um simples remédio para a dor de cabeça, tinha de algo que lembrasse o conflito.

Mesmo as revistas e seções de jornais que tratavam da moda feminina na época, sempre tinham um cenário que evocavam o conflito.

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Extraído do blog: "Tok de História", do Historiógrafo 
Rostand Medeiros