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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

PROCURANDO SOLUÇÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de janeiro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.833

Embora não seja nossa atribuição apontar as mazelas da terra, surgem determinadas coisas que pedem encarecidamente uma força para solução de problemas. Mesmo com o número de vereadores aumentado de nove para onze, tem alguma coisa errada com os fiscais do povo. Nada fomos investigar, pois como dissemos acima, não é da nossa alçada, embora qualquer cidadão possa apontar e reivindicar sobre o lugar em que mora. Mas quando o absurdo é grande demais, não se pode fazer outra coisa a não ser berrar em favor dos humildes contra os ouvidos moucos. É preciso um olhar mais aceso das autoridades para a população carente que é filha do mesmo pai que criou o mundo.

VIDA E MORTE DE UMA  LAVANDERIA. FOTO: (B. CHAGAS).

Passamos pelo chafariz construído para lavanderia do povo mais pobre, no Bairro São José. Construção ainda feita pelo, então, prefeito Nenoí Pinto e que muito serviu à população carente. Encontramos a outrora lavanderia abandonada em estado lastimável, praticamente em ruínas e servindo de estábulo. Um fedor insuportável no seu interior, deterioração generalizada, inclusive telhado/peneira. São, entre dez e doze boxes divididos em duas alas, cujos azulejos estão praticamente irrecuperáveis. Não existe vigia do bem público e os aproveitadores estão perto da demolição completa do prédio. A reclamação com o descaso é motivo de revolta surda do povo que utilizava a lavandaria quando decente e conservada.
O chafariz dentro do lixo e do abandono ainda funciona, quando várias pessoas para o local se dirigem em busca de água doce. Entre os onze vereadores santanenses, três são do próprio Bairro São José e moram em torno da citada lavanderia em raio de menos de duzentos metros. Como simples cidadão também do bairro, estamos apelando para as autoridades assim como alguns moradores que não sabem mais o que fazer. Será que é preciso reportagem da televisão? A lavanderia está implantada por trás de escola municipal servindo de péssimo exemplo público que vem se arrastando por algumas gestões.
Quanta falta de sensibilidade!


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“POR ONDE FOR QUERO SER SEU PAR...”

*Rangel Alves da Costa

Entristecido, ouço a canção que diz:
“Vim tanta areia andei, da lua cheia eu sei, uma saudade imensa. Vagando em verso eu vim vestido de cetim, na mão direita rosas vou levar. Olha a lua mansa a se derramar, ao luar descansa meu caminhar, seu olhar em festa se fez feliz, lembrando a seresta que um dia eu fiz. Por onde for quero ser seu par...”.
Andança, andança... Nunca mais caminhei levando rosas na mão, versos na boca e cantigas no olhar. Nunca mais caminhei com o coração assim tão cheio de saudade, com os braços ávidos para abraçar, com a boca esperançosa de um beijar.
É que a solidão afastou do caminho toda flor. É que a tristeza de mim os versos levou. É que a solitude me deu um silêncio de pedra e um espinho de jardim outonal. Somos pétalas e sempre imaginando na dureza da rocha.
Que dureza essa que se esvai em pó? Não. Não quero a rigidez da montanha se o amor me tornou aquele resto de outono, aquela folha de outono. Entristecido pelo amor que tanto queria, mas...
Que ilusão terrível é essa do impossível amar. Ou até do possível amar. Mas do que adianta tanta amar sem desta fruta nem um beijo, nem o sumo nem um sabor? Eu queria morder, beber, sentir, viver...


Depois de amar e de tanto amar e de repente ter apenas o passado como alento. E ainda ter no lábio aquele tremor, ainda ter na boca aquele sabor, ainda ter no corpo todo o estupor febril da busca e do encontro.
E ontem senti saudade. E hoje senti saudade. E tanta saudade eu ainda sentirei. Saudade de amar, apenas. Mas não há amor na saudade, não há querer somente na distância.
O amor é laço e nó, é dois num só, é corrente que não se aparta. Mas para quem ama e é correspondido, e não o apego incompreendido.
O que é amor, então? Insisto em perguntar. O que é amar? Insisto em buscar respostas. O que é ser feliz no amor e no amar? Não. Não. Jamais conseguirei responder.
Mas ainda não descansei, ainda não desisti, ainda não joguei ao longe as flores e os versos que tenho, ainda não abdiquei de querer abraçar e beijar.
Quem sabe um dia, talvez. Cinderelas não existem nem Contos de Fada. Nenhuma bela mulher esqueceu seu sapatinho perto de mim.
Oh que mundo real! Oh que mundo cruel onde o amor é lâmina e o amar é fel! Mas haverei de amar. Haverei de ser compreendido no amar e assim poder, enfim, entregar minhas rosas, os meus versos, o meu beijo, o meu olhar.
E, então, cantar: “Por onde for quero ser seu par...”.

Escritor
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FRANCISCO HERÁCLIO DO RÊGO, O CORONEL CHICO HERÁCLIO



Francisco Heráclio do Rêgo, o coronel Chico Heráclio, (3 de outubro de 1885 — 17 de dezembro de 1974) foi um proprietário rural brasileiro de destacada influência política na cidade pernambucana de Limoeiro. 

O Leão das Varjadas, como também era conhecido, foi um dos ícones do coronelismo brasileiro. Figura do coronelismo no Brasil, ficou conhecido nacionalmente quando o humorista Chico Anysio fez um personagem em sua homenagem, o "Coronel Limoeiro".[carece de fontes]

Ao contrário de outros coronéis tardios, que não sobreviveram à modernização do país, Francisco Heráclio do Rego, o Coronel Chico Heráclio, soube usar as mudanças vividas pelo país entre as décadas de 1930 a 1960 (abertura de canais de comunicação e transporte com a capital, decadência da importância do setor agrário, aumento da importância do setor de serviços e desenvolvimento industrial) para manter seu poder. Alguns de seus métodos eram coação, adulteração de documentos, favorecimento pessoal aos eleitores.

Na sua época, Limoeiro foi município de prestígio econômico. Chegou a ser uma das maiores economias de Pernambuco (hoje tem o 32º PIB do Estado), tendo produzido muito algodão – cultura que foi destruída pela praga do bicudo. Além de ter perdido importância econômica, a infra-estrutura urbana de Limoeiro se tornou muito carente.

A desigualdade social é visível: bairros muito pobres convivem com um bairro muito rico, cujas casas não perdem em nada para as grandes mansões dos bairros ricos das metrópoles.

Sob o mando de Chico Heráclio, Limoeiro também viveu o auge de seu prestígio político. Além de eleger prefeitos em Limoeiro e região e de fazer a carreira política dos filhos Francisquinho e Heráclio (deputado estadual e federal, respectivamente, por diversos mandatos), o Coronel exerceu influência decisiva na política pernambucana e chegou até a receber a visita de Juscelino Kubitschek (o primeiro presidenciável a visitar Limoeiro; o segundo foi Aécio Neves).

Para garantir a eleição dos seus candidatos “o processo é muito simples”, disse o próprio coronel à Revista Manchete, resumindo as estratégias de coação, fraude e favor:

“Eu e mais alguns amigos damos transporte aos eleitores. Mando um boi para cada seção eleitoral e às vezes mando cachaça para depois das eleições. Não admito fiscal de nenhum partido. Eleição em Limoeiro tem que ser feita por mim. Sempre fiz e nunca me dei mal”¹.

Outra arma política de Chico Heráclio era propaganda e difamação em formato impresso: os famosos panfletos do Coronel. Quase sempre o conteúdo desses panfletos eram ofensas a rivais – com muito palavrão – ou exaltação de si e dos seus candidatos.

Como Chico Heráclio era analfabeto, o texto era ditado. Ora os panfletos eram anônimos, ora tinham foto de Chico Heráclio e firma reconhecida. Eram distribuídos pelo próprio Coronel pela janela de seus carros ou entregue por correligionários.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Her%C3%A1clio_do_Rego

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CANGAÇO, A MARCA QUE VENDE ...!


Por Volta Seca

E, as velhas sandálias dos cangaceiros, agora, estão de roupagem e cores novas. O mercado exige.









https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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OS CORPOS DO ANGICO | O CANGAÇO NA LITERATURA #122

https://www.youtube.com/watch?v=ucSy93d5Oks&feature=share

Publicado em 17 de jan de 2018

Sabem exatamente o que aconteceu aos corpos após a degola em 28 de julho de 1938? Este vídeo te dará a resposta. 

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SÃO JOSÉ DA LAGOA TAPADA/PARAÍBA: CRUZEIRO DE SÃO FRANCISCO


 Por Francisco Severo de Sá

São José da Lagoa Tapada/Paraíba: Cruzeiro de São Francisco, hoje encontra-se localizado na propriedade de Charles Lopes; antes ficava na praça São José em frente a igreja matriz. Um pouco da história de fé do povo são-joseense.

Francisco Severo de Sá

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso

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MEU PRIMO VANCONCELOS


Por Benedito Vasconcelos Mendes

Meu primo Gonzaga Vasconcelos com meu colega de classe do Colégio Sobralense,  Antônio Carlos Belchior. No final da década de 1960 e início da década de 1970, meu querido primo Gonzaga Vasconcelos apresentava um programa na TV Ceará - Canal 2 denominado “ PORQUE HOJE É SÁBADO “, onde vários cantores cearenses iniciaram suas vidas artísticas, dentre eles Belchior.

Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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HOJE: A ANTROPÓLOGA ALAGOANA LUITIGARDE OLIVEIRA CAVALCANTI BARROS, FALA SOBRE A POSSÍVEL RELAÇÃO ENTRE LAMPIÃO E O PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA.


https://www.youtube.com/watch?v=rUHaXHiUw5Y&feature=youtu.be

Como tantos outros pesquisadores (as) os quais nós trouxemos aos grupos de estudos sobre o temático cangaço, Fenômeno Social, ocorrido em sete Estados dos nove que compõem a Região Nordeste, suas opiniões sobre suas obras e o que nelas estão contidas, assim como o resultado das suas pesquisas. Assim como suas opiniões particulares, às vezes diferindo do que nas obras estão escritos.

São opiniões particulares, deles, que através de entrevistas e/ou depoimentos chegam até nós.

Importantes se mostram os dizeres e opiniões dos pesquisadores/historiadores para nós, simples estudantes, para que, depois de lermos suas ‘crias’ e os escutarmos, possamos fazer uma análise, não só sobre o tema contextualizado, mas daquilo que os autores acham sobre o movimento em si e formarmos nossas opiniões.

"Virgulino e Cícero: amizade?"
"A antropóloga Luitgarde Barros fala um pouco sobre a controversa amizade entre Cícero e Virgulino."
Produção Aderbalvídeo

Publicado em 18 de jan de 2018
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A antropóloga Luitgarde Barros fala um pouco sobre a controversa amizade entre Cícero e Virgulino.
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https://www.facebook.com/groups/545584095605711/

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LIVRO TERRA DE SOL!


Terra de Sol, excelente livro de Gustavo Barroso, publicado em 1912. Este trabalho descreve o Sertão com todas as suas características. Gustavo Barroso ainda escreveu outras obras de destaque sobre o Nordeste, como Heróis e Bandidos em 1917; Ao Som da Viola, em 1922 e Almas de Lama e de Aço, em 1930. Obras que todos os estudiosos do assunto não podem deixar de ler. Barroso escreveu mais de 125 livros. 

Quem desejar adquirir este e outros livros: franpelima@bol.com.br e whatsapp 83 9 9911 8386.


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2002604530008440&set=a.1383142568621309.1073741827.100007767371031&type=3&theater&ifg=1

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O LIVRAMENTO LEVA O CANGACEIRO LAMPIÃO AO DISFARCE...


Por Verluce Ferraz

Depois de rezar o Ofício Católico onde envolvia suas atividades neuróticas, estava autorizado a utilizar os insuspeitos símbolos exotéricos, tal as estrelas de seis ou mais pontas, as orações fortes, moedas colocadas nos rifles e nos chapéus, a flor de Liz, cruzar cartucheiras nas costas, símbolos que depois evoluíram para os motivos florais e que, posteriormente, serão aceitas, destituídas de justificação, após o ingresso das mulheres no cangaço. 



Em todo caso, não estaria solucionado o significado de tantos símbolos, se não observássemos as suas representações, pois, é óbvio, que eram disfarçados, incidentalmente, pelo cangaceiro para expressar as mesmas coisas: a fé do livramento e desembaraçar-se dos perigos. Os mesmos símbolos a análise à luz da psicanálise, terão outros significados...

https://www.facebook.com/groups/179438349192720/?multi_permalinks=408960652907154&notif_id=1517237663515468&notif_t=group_activity

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FREI DAMIÃO EM TAPEROÁ PB NO ANO DE 1969 (INCRÍVEL).

https://www.youtube.com/watch?v=bzxBfd9PYSM

Publicado em 22 de set de 2013
Missões de Frei Damião de Bozano no Nordeste Brasileiro nas décadas de 1960 e 1970. Luiz Gonzaga Vieira Brasília-DF, 22 de setembro de 2013.
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domingo, 28 de janeiro de 2018

ALBERTO AGRA E A PRAÇA DO TOCO

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de janeiro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.832

Tive três bons professores de Geografia em minha vida, mas Alberto Nepomuceno Agra foi o maior deles e o responsável pelo meu amor à profissão. Intelectual, austero, professor, fazendeiro, dono de farmácia e ex-pracinha, Alberto não era de elogiar ninguém e economizava o riso. Este cidadão foi ainda um dos pioneiros dos transportes coletivos Santana – Maceió, fundador de Companhia Telefônica na cidade, um dos fundadores e diretor do Ginásio Santana, da Rede Cenecista. Além disso, prestou inúmeros outros relevantes serviços à sociedade e sempre esteve presente em todos os grandes acontecimentos municipais.

ALBERTO. Foto: (Adriana Marques).

Certa feita nos encontramos no Comércio e eu – todo acanhado diante daquela autoridade – fui surpreendido quando ele me disse: “Já corrigi as provas, coloquei a sua como uma das primeiras”. Quase não dormi à noite, ante aquela inusitada deferência. Vários anos depois, já atuando como professor de Geografia em várias escolas de Santana, novo encontro.   E ele: “Não me chame Seu Alberto, e sim, Alberto”. Fiz ver ao mestre a minha admiração pelo seu trabalho na matéria geográfica e ele me respondeu com a maior naturalidade: “Você me superou”. Atônito, respondi apenas: “Que é isso, Alberto!...”.
Mas a afirmação de Nepomuceno foi como se eu tivesse escutado o espocar de mil foguetes no alcance do meu objetivo: Desde a adolescência que eu queria atingir um dia a intelectualidade dos três homens que eu considerava os mais inteligentes de Santana e ficar na mesma plataforma: Alberto Nepomuceno Agra, Aderval Tenório e Eraldo Bulhões.
O tempo passou e o meu Velho Mestre partiu deixando a Geografia em minhas mãos, em minha cabeça e no meu espírito.

XXX

As autoridades, criminosamente ignorando o valor histórico da única praça original de Santana do Ipanema, construída na década de 1940 para homenagear um deputado federal que muito ajudou a nossa cidade, Emílio de Maia, destruíram quase tudo na fúria de trator. Para serem agradáveis, retiraram o nome do primeiro benfeitor para colocarem o nome do meu mestre que se fosse vivo jamais teria consentido semelhante aberração.
Mais uma vez a ignorância venceu a racionalidade. Atualmente o santanense perdeu as duas homenagens: nem Emílio de Maia e nem Alberto Nepomuceno Agra. A Praça agora estar sendo chamada PRAÇA DO TOCO.
As autoridades atuais precisam corrigir a injustiça transferindo o nome de um dos maiores santanenses da nossa história, para um lugar decente que até poderia ser uma futura ponte sobre o Ipanema, a futura Praça de Eventos ou mesmo um futuro calçadão no centro da cidade, sem cometerem o mesmo erro. 
PRAÇA DO TOCO! QUE AFRONTA A QUEM DEU TUDO POR SANTANA!


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QUEM SOU EU AGORA?

*Rangel Alves da Costa

Apaguei todos os rastros meus. Na minha estrada já não existe por onde caminhei. Olhar atrás já não se avista por onde passei. Quem sou eu agora?
Risquei por cima de todos os escritos meus. Borrei, sujei, estraçalhei todo o começo e todo o fim, todo ponto e toda vírgula, até mesmo o que eu rabisquei. Quem sou eu agora?
Desamei como desama quem amava por erro ou inocência. Num coração que não cabe em si mesmo, não há lugar para o que por ilusão um dia encontrei. Quem sou eu agora?
Rasguei todos os retratos de ontem até o primeiro dia. Não me quero mais avistar naquilo que já fui e que já não sou mais por que desbotei. Quem sou eu agora?
Findei com o sonho que persistia em me fazer sonhar. A cada dia sonhando e a cada dia vendo que com o sonhado jamais cheguei perto do que procurei. Quem sou eu agora?
Pintei de outra cor onde havia uma cor diferente. O arco-íris não precisa de tanta cor assim. No céu todo azul um monte de amarelo joguei. Quem sou eu agora?
Chorei todo rio, todo mar e todo oceano que havia em mim de uma vez só derramei. Fiz-me tempestade e trovoada e todas as minhas dores eu despejei. Quem sou eu agora?
Pranteei, solucei, lamuriei, e depois de refeito da dor eu me enxuguei. Mil lenços levados ao varal pelo que passei, para não mais dilacerar o que dilacerei. Quem sou eu agora?
Lancei na bacia da fé o que tanto acreditei. Só precisava de um Deus e com Deus eu fiquei. O resto de toda crença eu desacreditei. Mas com Deus eu fiquei. Quem sou eu agora?
Perguntei a mim mesmo se é normal viver envolto à solidão como sempre me dei. E como resposta ter a mesma solidão por que assim quis e sempre procurei. Quem sou eu agora?


Indaguei se é do prazer humano amar para o sofrimento, adorar para o padecimento, querer tanto para o exaurimento. E depois chorei pelo que me perguntei. Quem sou eu agora?
Aplaquei sem o furor do ódio, sem a insensatez da ira, quando reconheci todos os meus erros cometidos. E por isso mesmo ajoelhado me perdoei. Quem sou eu agora?
Queimei os velhos álbuns, os velhos baús, as velharias e os imprestáveis amontoados na alma existentes. Em fogueira grande, imensa, a tudo queimei. Quem sou eu agora?
Rabisquei o último verso para depois rasgar. Por que a poesia se já não há flor, se já não há canção, se o amor não existe mais. Do poeta em mim desgostei. Quem sou eu agora?
Inventei um jeito novo de ser feliz sem forçar o sorriso ou abraçar gelado. Ser apenas o que sou sem nada além. E pensar que fui outro e nunca evitei. Quem sou eu agora?
Reneguei o pão da falsa mão e o abraço da traição. Afasto-me de tudo para não querer ser alcançado pela covardia. Oh quanto fui traído quando me doei. Quem sou eu agora?
Amassei e fora joguei mil bilhetes e cartas. Já não me convence corações desenhados nem lábios de beijo em papel. Talvez não tenha aprendido o que ensinei. Quem sou eu agora?
Perdoei a mim mesmo pelo muito que errei. Errei por amor, errei por paixão, errei pela ilusão, errei. Procurei sempre acertar, mas sei que errei. E me perdoei. Quem sou eu agora?
Encontrei enfim uma voz silenciosa que havia escondida dentro de mim. E ontem mesmo eu a escutei. Ela disse: “Ei, goste de você, eu já lhe falei!”. Quem sou eu agora?
Acreditei que somente mudando eu me reencontraria. E caminhando mais firme do que sempre andei. E buscando mais sabedoria do que agora sei. Quem sou eu agora?
Perguntei, perguntei, perguntei: Quem sou eu agora?
Responderei: humano apenas. E tão humano sempre serei que reconheço ser impossível mudar muito do que imaginei. E por fim direi que amo, amei e sempre amarei!

Escritor
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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


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CORDEL CONFÚCIO.

 Por: Medeiros Braga

“Do outro lado do mundo,
Antes de Cristo e Platão,
Habitou um ser humano
De raríssima expressão,
Ele era desses gênios
Que surge um em milênios
No mapa da criação.”

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Eu sempre achei Confúcio um filósofo extraordinário quanto a formação do ser humano. Os seus ensinamentos devem ser conhecidos pelo povo. Senão vejamos.

CORDEL CONFÚCIO

Do outro lado do mundo,
Antes de Cristo e Platão,
Habitou um ser humano
De raríssima expressão,
Ele era desses gênios
Que surge um em milênios
No mapa da criação.
São assim mais de dois mil
E quinhentos anos idos,
Bem antes dos pré-socráticos
Os filósofos inseridos
Nas ciências naturais
Sem compromissos a mais
Às causas dos oprimidos.
Seu nome latinizado
Era Confúcio, por vez,
Do principado de Lu
Em Xandum, solo chinês,
Descendente de um clã
Seria com seu afã
Um mestre justo, cortês.
Era a China nessa época
Uma colcha de retalho
Dividida em principado
Que dava grande trabalho,
Nesse clima rude, crúcio,
Nascera o gênio Confúcio
Para mover o seu malho.
Confúcio não sugeriu
Nem propôs para um poder
Algum regime específico
Para o povo se render,
Via como alternativas
As decisões coletivas
Tendo todos bom saber.
Na educação do povo
Ele foi um peregrino,
Viajou por toda China
Levando o seu bom ensino,
Depois, rompendo barreiras,
Extrapolou as fronteiras
Seu saber puro, divino.
Como Platão que de Sócrates
Seus trabalhos resgatou,
Os discípulos de Confúcio
Salvaram o que se lembrou:
Poesias, seus pensamentos,
As lições, ensinamentos,
Tudo que filosofou.
Foi Confúcio um filósofo
Para a política voltado,
Todo seu ensinamento
Estava sempre afinado
Com moral, com humanismo
E o belo idealismo
Do seu tempo, já sonhado.
Sensibilizou-se ele
Pelo constante contato
Com a miséria do povo
Que vive no anonimato,
Com vontade de lutar
Ele foi pra melhorar
A vida injusta de fato.
Reconhecendo o saber
Como mola do avante,
O ensino, a educação
Posta como relevante,
De tamborete e sacola
Abriu ele uma escola
Por vezes, itinerante.
Outras escolas, Confúcio,
Com estudo absorveu,
Ensinamentos de sábios
Dos quais alguns conheceu,
Muitos que, pensando adentro,
Colocaram lá no centro
O “homem” em seu apogeu.
À época já defendia
Atos da não-violência,
Em uma China guerreira
Teve bastante influência,
Acatava revidar,
Porém, jamais atacar
Mesmo na maior prudência.
Jamais tomar a família
Por seu padrão social
E colocar nos cabides
Do aparelho estatal...
Mesmo sendo, por fineza,
Uma tradição chinesa
Do sistema imperial.
Cargos públicos só seriam
Feitos por prioridade,
Sem que fossem preenchidos
Pela hereditariedade,
E sim, em grande atitude,
Por quem tivesse virtude,
Sobretudo honestidade.
Confúcio já defendia
Também a benevolência,
“o benévolo ama o homem”,
Um amor mútuo em essência,
Combina com a citação:
“Não faça aos outros o que não
Quer que vos faça”, em clemência.
A herança de Confúcio
No saber com tal firmeza
Marcou, e profundamente,
A sociedade chinesa,
Ele foi um professor
Que se foi, porém, deixou
Lições muitas sobre a mesa.
Quanto ao trabalho-prazer
Aconselhava em seguida:
Escolha um que mais ame,
De marca a mais preferida,
E não irá precisar
Como dever, trabalhar
Um único dia da vida.
Também, o grande filósofo
Dizia com precisão:
É muito mais preferível,
É melhor, há mais razão,
Que se acenda uma vela,
Do que antes, com querela,
Maldizer a escuridão.
Da sua perseverança
Um estímulo deixaria:
“Transportai um bom punhado
De terra, então, todo dia
E tereis sem tal façanha
Uma provável montanha
Pela qual se comprazia.
Homens há que a saúde
Perdem pra juntar dinheiro,
Depois o dinheiro perdem
Para tê-la o tempo inteiro,
E assim, logo depois,
Chegam a perder os dois,
Ambos deixam seu celeiro.
O jovem que ama o ouro
Muito mais que a virtude
Perde ambos e até mesmo
Sua própria juventude,
Se afunda entre os ais
Das coisas materiais
Desse mundo louco, rude.
“Nunca faças uma aposta”
Não compensa, é tudo rolo,
Essa mesquinha aventura
Não deixa de ser um dolo,
“Se sabes que vais vencer
És um patife”, a seu ver,
“Se não sabes és um tolo”.
Quem só pensa no futuro,
Esquecer deve o presente,
Acabando por viver
Sem os dois, infelizmente,
Sente o futuro morrido
E morre sem ter vivido
No presente, certamente.
Confúcio sempre mostrava
A lição da humanidade,
Como pode a educação
Vencer a dificuldade;
Que pelo conhecimento
O mundo em congraçamento
Há de ter felicidade:
Os grandes antigos, quando
Queriam, pois, propagar
Suas mais altas virtudes
Punham Estados no lugar,
Porém antes, em vigílias,
Punham em ordem as famílias
Que estavam a inquietar.
Mas, antes punham em ordem
A si próprios, com saber,
Aperfeiçoando as almas
Procurando sempre ser
Sinceros consigo mesmo
E ampliavam, sem esmo,
As fontes do conhecer.
Aperfeiçoando as almas
Sempre por ensinamento
Cada um tinha com que
Ficar em ordem e atento.
Assim, de saber repleto
Se torna o homem completo,
Também em ordem, a contento.
Quando o homem está em ordem
A família vai estar,
Devendo também o Estado
Com ordem se organizar;
Em ordem e organizados
Podem, a paz, os Estados
Com seus povos desfrutar.

Medeiros Braga

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso

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