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sábado, 27 de junho de 2020

VÁRIOS ANOS DE PENSAMENTOS PERDIDOS

Por José Mendes Pereira

Entre as décadas de 40 e 50 do século XX.

Luiz Gameleira de Barros era açuense, mas registrado mossoroense; ainda pequeno veio residir em Mossoró em companhia da mãe que ficara viúva logo que nasceu. Aos seis anos de idade já ajudava a mãe na profissão de engraxate, e até diziam que ele foi o primeiro engraxate famoso de Mossoró. Os tempos foram se passando o menino foi se formando, mas sempre zelando pela sua profissão.

Em uma das visitas à Mossoró o advogado Dr. Café Filho que ainda nem sonhava ser algum dia Presidente da República, Luiz Gameleira prestou os seus serviços de engraxate. Como Luiz era um jovem esperto, de bom papo, apesar de pouco ter frequentado escola, mas vivia no meio da gente instruída, usava o português muito bem, com isso fez com que o Dr. Café Filho desejasse levá-lo para trabalhar com ele, como menino de recado, isto é (office-boy). Se antes dominava o português, vivendo no meio dos sábios, muito mais se desenvolveu.

Acontece que em 1950 Dr. Café Filho foi eleito a vice-presidente da república, assumindo o cargo em 31 de janeiro de 1951; e com isso, desfez do seu escritório de Advocacia, mas prometendo a Luiz Gameleira que iria cuidar de um emprego para ele. Terminado o escritório de advocacia Luiz Gameleira retornou à Mossoró, e aqui partiu para o comércio, estabelecendo-se à Rua Alberto Maranhão, no ramo de miudezas. Não era um comércio que se diz: “como é grande”, mas vivia muito bem, obrigado.

  Presidente Café Filho

Os dias foram se passando, mês e mês, chegando a ano, e Luiz ainda aguardava o seu novo emprego, que como fora um bom empregado do então vice-presidente da república, com certeza seria lotado no Palácio Presidencial, no Rio de Janeiro.

 Getúlio Vargas

Em Agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas suicidou-se e Café Filho subiu ao maior posto de poderes do Brasil, agora era presidente da República. 

Luiz Gameleira que sonhava ocupar um cantinho naquele governo, quem sabe, secretário, assessor do presidente, uma coisa qualquer, ou até mesmo uma pasta de um dos ministérios, dois meses depois que Café Filho assumiu o governo da república, um telegrama chegou à casa de Luiz Gameleira, comunicando-lhe que ele teria que se apresentar ao novo presidente brasileiro.

Se antes Luiz Gameleira gozava de certo prestígio em Mossoró sua fama cresceu de vez, onde recebia parabéns a todo o momento, e nos tímidos lábios da população era o que bocejavam. E até já o chamavam de “Ministro”.

Com a convocação para se fazer presente ao novo presidente da república Luiz empolgou-se tanto, que antes de viajar para o Rio de Janeiro, fez festas e mais festas com toda vizinhança. Alugou um prédio na mesma avenida, convocou a banda Municipal, que na época ainda não tinha conjuntos para festividades, e aí foi festão. Uma enorme bandeira do Brasil foi colocada em frente à entrada, e sobre ela, duas palavras diziam assim: “MORRA PELA PÁTRIA”.


Um pobre bêbado que no momento rodopiava no meio da multidão ao ver a frase sobre a bandeira, cuspiu-a, dizendo: “- Que morrer por pátria que nada! Morra quem quiser! Eu não!"

Luiz Gameleira ao ver o desprezo do bêbado com a bandeira já se achando autoridade, mandou que fossem apanhar a polícia. E não demorou muito para que o miserável fosse guindado.

Lá pras tantas a festa terminou. Luiz precisava se arrumar para se dirigir até Natal, e lá, apanhar um velho e cansado transporte, indo até Recife e de lá pegaria outro até Rio de Janeiro. Foram mais de seis dias e seis noites de viagem, até que conseguiu colocar os pés na cidade maravilhosa.

Ao chegar, dirigiu-se a uma pequena e deteriorada pensão, “coisas doutros tempos”, e lá se amparou até o dia seguinte, quando iria se dirigir ao Palácio Presidencial, para receber o seu tão desejado emprego.

No dia seguinte, banhou-se, tomou café e se foi até ao Palácio. Levou três dias para conseguir audiência com o presidente, até que falou com um dos assessores do presidente, que levou o assunto a Café Filho, sobre a presença de Luiz Gameleira ao Palácio.

Café Filho o disse que primeiro o levasse a um restaurante, alimentasse-o e depois retornasse com ele à sua sala.  Mas antes lhe disse: “- Mande servi-lo bastante. Não deixe o homem com fome. Ele é nordestino e nordestino quando não está com fome, não demora muito ter fome, porque a fome sempre está ao seu lado”.

Terminada a refeição voltaram ao Palácio. Café Filho já estava preparado para receber o seu conterrâneo. Se o homem era faminto o presidente Café Filho, no momento, não, mas antes fora um dos tais.

Os abraços e lembranças antigas foram vividos entre os dois. Café Filho relatou as dificuldades que tinha quando os seus clientes não pagavam os seus serviços sobre  causas judiciais, penais e serviços diversos.

Terminada a palestra entre eles Café Filho abriu a página sobre o seu emprego. Iria mandá-lo para a Amazônia, trabalhar como seringal na extração do látex.

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Um dos melhores empregos que no momento ele iria o ofertar. Explicou, explicou os riscos, as vantagens, o pagamento que seria feito mensalmente... E em seguida perguntou-lhe:

- Está pronto para trabalhar na Amazônia, na função de seringal, Luiz?

- O Senhor está me dizendo que é este o emprego que tem para mim?

- E dos melhores, Luiz. Está pronto para assumi-lo?

Não Senhor, Dr. Café Filho. Não Senhor! O senhor sabe muito bem que eu nunca trabalhei como seringal. Não tenho a mínima ideia como é este trabalho.

- Mas quem não sabe, aprende! Eu vivia lá em Natal, sofrendo juntamente com você. Hoje sou presidente deste imenso Brasil... Eu não tinha a mínima ideia como se administrava um país...

- Sou franco em lhe dizer, Dr. Café Filho – dizia Luiz Gameleira já de cara fechada. Eu agradeço o seu emprego. E o senhor me desculpe as minhas francas, grosseiras e sinceras palavras.  "Quem tira leite de pau é..." - Disse e de imediato se retirou da presença do presidente Café Filho.

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro.

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com o professor Francisco Pereira Lima através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína, pelo e-mail: 

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 

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A TORDA DO CANGAÇO.


Por João Filho de Paula Pessoa

Vivendo em iminente perigo e permanente perseguição, a mobilização do cangaço tinha que ser rápida e eficiente, principalmente nos pousos de dormida. Na maioria das vezes os cangaceiros dormiam no chão, ao relento, abrigados na vegetação da caatinga, mas em tempos e locais mais calmos, montavam um precário e rústico acampamento composto apenas por uma torda, que nada mais era que um simples pano, amarrado e estirado nos galhos das árvores e arbustos, para servir de teto e proteção para o sereno noturno, que os homens sempre levavam consigo, obedecendo a necessidade de simplicidade e praticidade para um eventual desmonte urgente e fuga. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 16/05/2020
Na foto: A suposta torda de Lampião em Angicos.


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CANGAÇO; UMA AULA COM BOSCO ANDRÉ

Fonte: YouTube  Canal:Aderbal Nogueira

Rapaz; existem destas pessoas que são marcantes. Por onde vão passando deixam o rastro de camaradagem, coleguismo, retidão, alegria, confiança, enfim. Se este "cabra" for do sertão, ainda sobram muito mais adjetivos para elencar. Assim é João Bosco André; espetacular cidadão de Missão Velha e do Mundo... Só para vocês terem uma ideia o homem é primo do Dom Pedro II e amigo pessoal do Papa. Ir ao Cariri e não tirar um ou dois dedos de prosa com o grande "Padre Bosco"; sim, ainda esqueci, o homem foi ordenado Padre no primeiro Cariri Cangaço; é o mesmo que ir a Roma e não ver o Pontífice... Bosco André é assim, uma alma boa e um coração do tamanho do Vale do Cariri. Pesquisador atento, curioso, de uma memória fora do comum; lembra de detalhes simplesmente impressionantes. Impossível não andar pelas ruas de nossa querida Missão Velha ao lado de Bosco, sem que ele vá logo dizendo: "Ali mora fulano, que é irmão de beltrano que fez isso ou aquilo, acolá tinha um armazém que foi desse ou daquele, por aqui passou sicrano em 1923, etc, etc, etc". Bosco André para nossa honra é um dos Conselheiros Cariri Cangaço e hoje nos dá uma aula sobre cangaço e coronelismo no Ceará pelas lentes do competentíssimo documentarista Aderbal Nogueira, Avante !!!

Manoel Severo, 26 de junho de 2020
Cidadão de Missão Velha
Vídeo: Aderbal Nogueira


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JOSÉ FELIPE E JOAQUIM GÓIS EX-INTEGRANTE DAS FORÇAS VOLANTES.


Por Beto Rueda


Como bons sertanejos, José de Felipe, pai de Maria de Déa (Maria Bonita) e Joaquim Góis, ex. integrante das Forças Volantes e escritor, em uma conversa amigável, limpa de ódio e cheia de recordações, relembram episódios da vida de Lampião.

Fonte:

GÓIS, Joaquim. Lampião, o último cangaceiro. Aracaju: Sociedade de Cultura Artística de Sergipe - ACAS: Regina, 1966.


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PIAS DAS PANELAS: DE CEMITÉRIO INDÍGENA A CEMITÉRIO DOS MORTOS DO CANGAÇO


Por Manoel Belarmino

As Pias das Panelas estão nas margens do Riacho do Quartavo, um afluente do Riacho Jacaré, em Poço Redondo. Na época do Cangaço, aquelas terras pertenciam à Fazenda Paus Pretos de propriedade do coronel Antônio Caixeiro.

Nos tempos mais antigos, todo aquele mundão caatingueiro era habitado pelos povos indígenas, que ocupavam esta região do Riacho do Quartavo e, segundo as pessoas mais velhas desta região, os índios enterravam os seus mortos ali nas proximidades das Pias das Panelas. E, ainda, os mais velhos contavam, que antes das pastagens e de as terras serem aradas para plantio, havia bastante indícios de sepulturas indígenas por ali, no entorno das Pias das Panelas e naquelas margens do Quartavo. Mas esse assunto do cemitério indígena, requer um pouco mais de investigação e, sem dúvida, num próximo texto trataremos exclusivamente sobre o Cemitério Indígena do Riacho do Quartavo.

Além dos indígenas que foram sepultados nas Pias da Panelas, estão enterrados os corpos de três mulheres e dois homens, todos barbaramente assassinados no tempo do Cangaço.

Estão enterrados ali em covas rasas e precárias os corpos de:

01 - Rosinha Soares, a cangaceira Rosinha, companheira do cangaceiro Mariano, assassinada pelos cangaceiros, sob a ordem de Lampião. Depois da morte do cangaceiro Mariano, juntamente com os cangaceiros Pai Veio e Pavão e o coiteiro João do Pão, naquele combate do Cangaleixo, em 10 de outubro de 1937, Rosinha sentiu vontade de abandonar a vida cangaceira e voltar a morar com a sua família. Lampião achou a ideia arriscada demais e determinou que os cangaceiros Zé Sereno, Juriti, Balão e Vila Nova cumprissem a sentença. Matar Rosinha. E aí a sentença foi cumprida com um tiro de mauser no ouvido da cangaceira Rosinha nas margens do Riacho do Quartavo, nas Pias das Panelas. O corpo de Rosinha ficou ali estirado. E, dias depois, os seus parentes que moravam ali próximo, na Fazenda Santo Antônio, cuidaram de enterrar o corpo da cangaceira ali mesmo, numa sepultura precária. Até pouco tempo, avistava-se a Cruz de Rosinha ali perto das pedras das Pias das Panelas.

02 - Zé Vaqueiro, vaqueiro da Fazenda Paus Pretos de Tonho Caixeiro. Quando o cangaceiro Novo Tempo, depois de escapar do Fogo da Crauá, combate que o deixou ferido gravemente, foi para na Fazenda Paus Pretos, num estado de quase morte, o Zé Vaqueiro avistou aquele moribundo, ferido, emulambado, mas com os embornais com bastante dinheiro. Resolveu matar o cangaceiro ali na margem do caminho, pertinho das Pias das Panelas. E assim tentou o fezer dando um tiro no ouvido do já quase morto cangaceiro. Mas depois do tiro, um barulho se aproximou. Era os companheiros de Novo Tempo que estavam chegando ali à procura do cangaceiro. E o Zé Vaqueiro nem consegue levar o dinheiro de Novo Tempo, vai embora. Novo Tempo é encontrado ainda com vida e socorrido pelos companheiros. Depois de recuperado, novo tempo conta tudo o que aconteceu e sobre a traição do vaqueiro dos Paus Pretos. Os cangaceiros não perdoam a traição do Zé Vaqueiro, retornam à Fazenda Paus Pretos e levam o infeliz Zé Vaqueiro exatamente para as Pias das Panelas. E ali matam o cabra. Seu corpo é jogado ali estendido. Depois os vaqueiros da região encontram o corpo do Zé Vaqueiro já em estado avançado de decomposição e o enterram ali mesmo nas proximidades das Pias das Panelas.

03 - Preta de Maria das Virges, cruelmente assassinada pelo seu namorado Zé Paulo, filha adotiva de Dona Maria das Virgens do Alto Bonito. Zé Paulo, depois de transar com a namorada várias vezes às escondidas, Preta ficou gravida. Zé Paulo, malandro, para não se comprometer e não casar com a mocinha sertaneja, resolve brutalmente, com uma pedra, assassinar Preta, esmagando a sua cabeça e deixando ali nas Pias das Panelas o seu corpo nu e estirado. Avisa a seus familiares dias depois que poderia ter sido os cangaceiros que mataram Preta. Espalha para os quatro cantos da região que um grupo de cangaceiro havia os encontrado e assassinou a mocinha Preta. Tudo mentira. Zé Baiano soube da história que o Zé Paulo e Dona Maria das Virgens do Alto Bonito estavam colocando na conta dos cangaceiros aquela cruel morte da mocinha Preta. Ficou indignado, o cangaceiro. Foi lá no Alto Bonito e ferrou Dona Maria das Virgens e os seus dois filhos (um rapaz e uma mocinha). E só não ferrou e castrou o malvado e criminoso Zé Paulo porque ele não estava na casa de Dona Maria das Virgens naquele momento.

04 - Lídia de Zé Baiano, a cangaceira mais bonita do Cangaço, segundo dizem alguns pesquisadores. Lídia era a companheira do cangaceiro mais feio de todos, o Zé Baiano. Mas Lídia tinha uma paixão de infância que, tempos de depois de Lídia, também entrou no Cangaço. Era o cangaceiro Ben-te-vi. E Lídia não resistiu. Mesmo convivendo com Zé Baiano, aconteciam os encontros extraconjugais com o Ben-te-ti. Outro cangaceiro que também era louco de paixão por Lídia era o cangaceiro Coqueiro, mas sem nenhuma chance. A paixão mesmo de Lídia era o seu amor de infância, o Ben-te-vi. Coqueiro sabendo daqueles encontros nas moitas, às escondidas, resolveu delatar tudo. Zé Baiano estava viajando para a região de Alagadiço há alguns dias. E quando retornou, na presença de todos do bando, nas Pias das Panelas, na boca da noite, todos estavam reunidos para a janta, e Coqueiro inconformado com as recusas de Lídia relata tudo. Diz a Zé Baiano tudo sobre as traições de Lídia com o Ben-te-vi. Todos silenciam. Aquela conversa de Coqueiro é grave demais. Lampião levanta-se. Fica agoniado, mas calado. Zé Baiano fica paralisado. Olha pra Lampião e pergunta o que fazer. E Lampião sentencia: - "Zé cuida de Lídia. Afiná, Lídia é dele. Os dois cabras, o entregador e o traidor, nós arresolve." E os cangaceiros matam Coqueiro, e Ben-te-vi consegue fugir. O corpo de Coqueiro ficou ali estendido, sobre as pedras das Pias das Panelas. Dias depois, um coiteiro morador dos Paus Pretos resolveu enterrar o corpo do infeliz cangaceiro numa sepultura precária ali mesmo. Zé Baiano amarra Lídia e, na madrugada, antes de o dia clarear, mata de cacete de pau pereira a cangaceira mais linda do bando de Lampião. Cava uma cova rasa ali mesmo e enterra Lídia. E, com o cacete que matou Lídia, improvisa uma cruz e coloca sobre a cova da sua companheira.

05 - Coqueiro o cangaceiro delator da traição de Lídia. Também está enterrado ali na Pia das Panelas o corpo do cangaceiro Coqueiro.

Cinco corpos enterrados nas Pias das Panelas. Um verdadeiro cemitério do tempo do Cangaço, no mesmo lugar onde já foi um cemitério indígena.

No fim do cangaço, depois dessas mortes, alguns caçadores da região evitavam passar pelas proximidades das Pias das Panelas à noite, principalmente nos locais onde estão as covas dos mortos. Alguns afirmavam ter ouvido coisas estranhas ali próximo das pias, como vozes, gemidos ou gritos macabros.


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UERN


Por professor Francisco Carlos

O Conselho Universitário da UERN, nos elegeu para mais um período como representante da comunidade naquele Conselho Superior.

Participar de um Conselho Superior da UERN e motivo de muita honra. Fico feliz e agradeço à qualificada comunidade acadêmica representada no CONSUNI, pela confiança depositada.

A UERN é uma instituição imprescindível para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do RN. Nossa universidade é uma instituição aberta e está presente em todas as instâncias e áreas de interesses dos potiguares e Mossoroenses, em Especial.

Na condição de Professor da instituição, vereador e presidente da Comissão de Educação da Câmara Muncipal de Mossoró, tenho procurado representar, promover e defender a instituição nossa universidade que, apesar da sua inquestionável importância, as vezes precisa do apoio da comunidade externa. A escolha para compor o CONSUNI estimula e fortalece ainda esse trabalho.


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SAIIU NO UOL... COM MINHAS IMAGENS COLORIZADAS. NO FINAL, UMA RESENHA SOBRE MEU TRABALHO E MINHA EVOLUÇÃO.

Por Rubens Antonio

Saiiu no UOL... com minhas imagens colorizadas. No final, uma resenha sobre meu trabalho e minha evolução.

Clique no link para você ver todas as imagens coloridas pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio.


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RESTOS MORTAIS DE CORISCO


Por Indaiá Santos

Eu e minha avó Dadá em Miguel Calmo em busca de juntar os restos mortais de meu avô Corisco, e ao lado de Dadá o prefeito Helinio.


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sexta-feira, 26 de junho de 2020

História do Rio de Janeiro



Aos que se interessarem pela trilogia do Velho Oeste Carioca, livros de André Luis Mansur que contam a História da Zona Oeste Carioca, de Deodoro a Sepetiba, é só entrar em contato pelo zap com o autor, que mora em Campo Grande: 999197723. O valor da trilogia está em R$ 50,00.

LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS


Fazer o quê? Não é vaidade, O Edson, mas não tenho como me conter diante de um elogio como este. Eis o que escreveu em sua página no Facebook um cidadão de Floresta, Pernambuco, a respeito do meu livro:

“O livro Lampião - a Raposa das Caatingas, do escritor José Bezerra Lima Irmão, nos leva à verdadeira essência do Cangaço no Nordeste Brasileiro, de linguagem fácil e compreensão, em sua pesquisa séria, e quando você começa a ler esse magnífico livro não quer mais para. Um livro desse é escrito a cada 100 anos, uma verdadeira obra-prima, para historiadores pesquisadores amantes do Cangaço. Eu recomendo essa grande obra do meu amigo José Bezerra Lima Irmão”.

A mensagem é de Giovane Macário Gomes de Sá. Conhecemo-nos em Floresta, no recente encontro em Floresta, organizado pelo incansável Manoel Severo Barbosa.

Adquira-o através deste e-mail:

franpelima@blo.com.br

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MINHA GENTE E O CANGAÇO


Confesso aos amigos, que no início tive receio de publicar esse vídeo, por ser um depoimento de testemunhas oculares do cangaço, que alheio ao que ocorre a este universo, o fizeram com o seu mais puro sentimento, sinceridade e verdade, do que viram do cangaço e seus personagens.

Nesta conversa, ouvir pela primeira vez, que havia sentinelas no coito de Angico, corroborado recentemente pelo pesquisador Frederico Pernambuco, como também, que um dos cangaceiros retirou um (bornal ou bornais) contendo joias de Lampião, confirmado com gravação inédita do Cel João Bezerra. Só então, depois desta constatação, resolvi compartilhar com os amigos.

Peço desculpas por meu pai, por ter, na época, pouca audição e ter feito algumas interrupções a outra testemunha.Recomendado Adauto Silva, Lampião, Maria Bonita, Corisco, Dadá, Cangaceiros, Cangaceiras, Angico, Piranhas, Rio São Francisco, Antônio Amaury, Zé Rufino, Ala...

Recomendado Adauto Silva, Lampião, Maria Bonita, Corisco, Dadá, Cangaceiros, Cangaceiras, Angico, Piranhas, Rio São Francisco, Antônio Amaury, Zé Rufino, Alagoas, Bahia, História do cangaço, Grota do Angico.


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E JURITY VOLTA AOS TRIBUNAIS


Publicado originalmente no Portal Conjur
 Da esquerda pra direita, Barra Nova, Neném, Jurity e Gorgulho

Veja decisão de Juíza quanto a processo que pedia por censura de filme sobre o chefe cangaceiro

"Memória histórica coletiva se sobrepõe a interesse individual", diz juíza

O interesse coletivo à formação e à informação por meio da base histórica se sobrepõe aos direitos individuais. O entendimento é da juíza Gardênia Carmelo Prado, da 2ª Vara Cível de Aracaju (SE), em decisão proferida no último dia 3 de junho.

A magistrada extinguiu, com resolução do mérito, uma ação que buscava condenar a Google e um professor de Sergipe pela publicação de dois vídeos que narram o assassinato dos cangaceiros Jurity e Neném.

Segundo o material, os cangaceiros foram mortos por uma tropa volante comandada pelo sargento Amâncio Ferreira da Luz, conhecido como sargento De Luz. As filhas do militar solicitaram que os vídeos fossem apagados e que os réus pagassem reparação por danos morais.

"O ponto atinente ao direito ao esquecimento, invocado pelas autoras como fundamento da lide e pedidos, quanto às ações laborais do pai envolvendo o cangaço, não pode ser aplicado nesta situação. Nas linhas de narrativa histórica de âmbito nacional ou local com relevância cultural, como foi a do cangaço e de outros movimentos destacados, não pode vigorar e ter seus efeitos ativados esse direito ao esquecimento, mecanismo de extirpação dos registros da história para certas pessoas e em certas situações", afirma a decisão.

Interesse público

A juíza argumentou que, em casos como o julgado, cabe ao magistrado analisar se existe interesse público atual na divulgação da informação. Caso ele exista, não é possível aplicar o direito ao esquecimento.

"Não há como apartar os fatos históricos dos personagens que os marcaram nesta situação em especial, justo porque a atribuição do fato se voltou para o grupo militar identificado pelo seu comandante — cujo nome e fama são emblemas da história do segmento — e extirpar tal dado da narrativa histórica feriria de morte a própria compreensão da história do cangaço, seu contexto, suas ambiências etc. Assim seria também se outros personagens fossem extirpados ou ocultados dessas narrativas", diz.

Sendo assim, prossegue a decisão, a publicação dos vídeos não possui nenhum ato ilícito, uma vez que o material apenas publiciza conteúdo histórico, informativo, fruto de extensa pesquisa, sem sequer trazer menção expressa ao pai das autoras.

"Sem desonrar os sentimentos por ambas [as autoras] experimentados e a veracidade com que devem ser considerados, os vídeos que trazem o conteúdo desse sofrimento não são senão mais uma menção histórica que envolve o nome de parente próprio das mesmas, como um registro inevitável da história da qual aquele participou — nesse caso, emprestando o nome ao agrupamento que comandava. E mesmo que, por hipótese, houvesse a imputação expressa e direta dos fatos ali narrados ao pai das autoras, a imputação em si, numa fiel e desapaixonada narrativa histórica, não seria capaz de ensejar uma indenização, justo por se tratar de conteúdo histórico elaborado e apresentado, em tese, sem intuito algum de ofender, mas tão somente de informar e formar", conclui.

Clique AQUI para ler a decisão
0044386-18.2018.8.25.0001
Repesquei no:

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HÁ 73 ANOS UM DOS MAIORES CANGACEIROS DA ÉPOCA FOI ENTERRADO EM CAMPINA GRANDE


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RIO DO FOGO, 1941: CHEGAM AS PRIMEIRAS VÍTIMAS

Por Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Típica cena de um afundamento no Oceano Atlântico por ação de submarinos.

A História dos Primeiros Náufragos a Chegarem ao Litoral Potiguar Durante a Segunda Guerra Mundial.

Esse texto é um dos capítulos do livro “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte, lançado em 2018.

O caçador

Era bom voltar ao mar. Pois era no mar que ele se sentia bem, principalmente realizando o que sabia fazer de melhor: caçar e destruir navios inimigos.

Era um sábado, dia 22 de fevereiro de 1941, e da torre do seu submarino U-105, o capitão tenente (Kapitänleutnant) Georg Schewe, de 32 anos, orientava a navegação de sua nave em direção ao Atlântico pela foz do Rio Blavet, que banha a cidade francesa de Lorient. Ele deixava para trás todo o trabalho de construção da nova e grande base de submarinos nessa cidade, a qual seus superiores prometiam que, quando concluída, seria “inexpugnável” aos bombardeios ingleses, que de vez em quando se apresentavam sobre o porto e a cidade. Schewe, navegando no tranquilo Blavet, tinha a bordo entre seus oficiais os tenentes (Oberleutnant zur See) Max Wintermeyer e Ernst-Wolfgang Ravee, além do alferes (Fähnrich zur See) Hans-Erwin Reith.

Para ver o trabalho todo clique no link abaixo:


É show de cultura.

Extraído do blog do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros.

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A EMBLEMÁTICA FOTO DE LAMPIÃO EM LIMOEIRO

Por Herton Cabral

A emblemática pose fotográfica do grupo de Lampião em Limoeiro do Norte, do dia 15 de junho de 1927, revela que o intimorato capitão tinha certeza de que não seria incomodado, pelas autoridades cearenses, no retorno do ataque àquela próspera cidade (Mossoró). Alguns estudiosos, talvez como força de expressão, mencionam que Lampião teria ‘invadido’ o Ceará. Ledo engano. As circunstâncias indicam, pelo contrário, que sua entrada pelo município de Limoeiro do Norte fez parte de uma rota de fuga adrede planejada, que derivou para um ousado passeio pelo aludido centro urbano. Perigosamente situada próximo a capital do Estado, cerca de 200 km, Limoeiro do Norte podia ser alcançada, em questão de horas, mesmo por estradas ruins, se uma força policial motorizada, bem armada e municiada tivesse sido deslocada de Fortaleza,  nos dias 13 e 14 daquele mês e ano, para aguardar e dar combate ao grupo, na eventualidade do retorno. 

 Dona Francisca, Herton Cabral e Manoel Severo

Afora a superioridade numérica, a possibilidade de vitória se mostraria ainda mais plausível com a corja já esfacelada e desmoralizada pela fragorosa derrota imposta por Rodolfo Fernandes e seus patriotas. O que acontece então? Lampião entra lépido em Limoeiro, passeia, visita igreja, é bem fotografado, toma café e janta, vai ao telégrafo onde conversa e telegrafa. Apresenta-se despreocupado. Tudo isso ocorrendo só dois dias depois de ter tentado matar, violar e roubar e depredar uma cidade inteira. Em singular depoimento, conta o sr. Custódio Saraiva, então Secretário da Prefeitura e juiz municipal limoeirense, que Lampião parecia tranquilo a ponto de até pretender se demorar na cidade, para aguardar a chegada do resgate exigido pela vida do coronel Antônio Gurgel e esposa. Só desistiu do intento ao tomar conhecimento da aproximação, célere, de volantes da Polícia do Rio Grande do Norte e da Paraíba já seguindo em seu encalço. 
  


Destaque-se que policiais riograndenses e paraibanos chegaram a vizinha Russas, antes das forças cearenses. O fato é que governo cearense sequer podia alegar surpresa com a presença de Lampião em Limoeiro, pois tivera conhecimento antecipado, através do correto prefeito Rodolfo Fernandes, que os cangaçeiros se aproximavam para atacar Mossoró, o que colocava em grande perigo direto todo o médio Jaguaribe. Um governante precavido certamente teria se antecipado ao provável movimento de fuga lampeonica, deslocando de tropas volantes para fechamento das vias de acesso e combate ao grupo de bandoleiros, agindo em coordenação com as demais polícias. Sem esquecer de reforçar as defesas das principais cidades da região. Mas, para quem havia se negado a prestar a ajuda solicitada pelo destacado cel. Rodolfo Fernandes, nada de bom se podia esperar, mesmo que tivesse de renegar a validade das cláusulas de ajuda recíproca assumidas no vigente convênio interestadual de combate ao cangaceirismo. 

Portanto, quando se examina a sequência de fatos, antecedentes e consequentes, percebe-se que um enredo havia sido traçado para facilitar a escapulida do capitão facinoroso. E nessa trama diabólica envolveram-se insignes chefes políticos, destacados oficiais da briosa polícia e, pasme-se, o próprio presidente do estado, alcunhado  ‘Moreirinha’, se enredou, ou foi enredado, no imbróglio montado pelos seus apaniguados, de que resultou na fuga sensacional de Lampião do Ceará. Faltou a esse dirigente vontade política,  pulso e determinação, pois agiu marcando a história política do Ceará com um indelével sinal de nefasto compadrio político. Então, quando tudo confluía para o vesgo ser desbaratado e exterminado em solo cearense, eis que ressurta Lampião, após marchar por mais de oitenta léguas tiranas em lutas e atropelos, para dar continuidade da vida do crime por mais longos onze anos, deixando atrás de si um rastro de centenas de crimes e famílias enlutadas, até ser pego na ratoeira final de Angico.

Fonte: YouTube Canal: Alex Chaves Monteiro

Herton Cabral, pesquisador
Fortaleza, Ceara


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JOSÉ SATURNINO PARTE I

Por Aderbal Nogueira - Cangaço

João Saturnino, filho do 1º inimigo de Lampião, Zé Saturnino, narra momentos da vida de seu pai em briga com Lampião.
Criado com
Vídeos de origem

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ZÉ SATURNINO - PRIMEIRO INIMIGO DE LAMPIÃO



ZÉ SATURNINO – PRIMEIRO INIMIGO DE LAMPIÃO. Trecho do documentário O PISTOLEIRO DE SERRA TALHADA exibido pela Rede Globo de Televisão no ano de 1977. O documentário mostra uma das poucas filmagens em que aparece o célebre Zé Saturnino que foi o primeiro inimigo de Lampião. No vídeo Zé Saturnino fala sobre a sua questão envolvendo Lampião e seus irmãos. Esse documentário foi publicado inicialmente e na íntegra por Matheus Santos.

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AS MARGENS DO QUATARVO PIAS DAS PANELAS: DE CEMITÉRIO INDÍGENA A CEMITÉRIO DO CANGAÇO

Por Manoel Belarmino Belarmino. Com edição do Lampião Aceso

As Pias das Panelas ficam as margens do Riacho do Quatarvo, um afluente do Riacho Jacaré, em Poço Redondo, Sertão sergipano. Na época do Cangaço, aquelas terras pertenciam à Fazenda Paus Pretos de propriedade do coronel Antônio Caixeiro.

Nos tempos mais antigos, todo aquele mundão 'caatingueiro' era habitado pelos povos indígenas, que ocupavam esta região e, segundo relatos dos mais velhos, os índios enterravam os seus mortos ali, nas proximidades das Pias das Panelas.

 O autor Manoel Belarmino,
as margens do Riacho Quatarvo. 


E, ainda contavam, que antes das pastagens e das terras serem aradas para plantio, havia bastante indício de sepulturas indígenas por ali, no entorno das Pias e nas margens do Quartavo. Mas esse assunto do cemitério indígena, requer um pouco mais de investigação, e sem dúvida, num próximo texto trataremos exclusivamente sobre o mesmo.

Além dos indígenas que foram sepultados nas Pias da Panelas, estão enterrados em covas rasas e precárias, os corpos de três mulheres e dois homens, todos barbaramente assassinados no tempo do Cangaço.

1 - Rosinha Soares, a cangaceira Rosinha, companheira do cangaceiro Mariano, assassinada pelos cangaceiros, sob a ordem de Lampião. Depois da morte do companheiro, juntamente com Pai Veio, Zepelim e o coiteiro João do Pão, naquele combate do Cangaleixo, em 10 de outubro de 1937, Rosinha sentiu vontade de abandonar a vida cangaceira e voltar a morar com a sua família. Lampião achou a ideia arriscada demais. Luiz Pedro, determinou que os cangaceiros Pó corante, Juriti, Balão e Vila Nova levassem a moça pra casa a sentença. Matar Rosinha. E aí a sentença foi cumprida com um tiro de pistola mauser no ouvido da cangaceira as margens do Quartavo, nas Pias das Panelas. O corpo de Rosinha ficou ali estirado. E, dias depois, os seus parentes que moravam ali próximo, na Fazenda Santo Antônio, cuidaram de enterrar o corpo da inocente moça ali mesmo, numa sepultura. Até pouco tempo, avistava-se a Cruz de Rosinha ali perto das pedras das Pias das Panelas.
Rosinha Soares, companheira de Mariano 
Acervo Lampião Aceso

2 - Zé Vaqueiro, empregado da Fazenda Paus Pretos de Antonio Caixeiro. Quando o cangaceiro Novo Tempo, depois de escapar do Fogo da Crauá, combate que o deixou ferido gravemente, foi para na Fazenda Paus Pretos, num estado de quase morte, o Zé Vaqueiro avistou aquele moribundo, ferido, 'emulambado', mas com os embornais com bastante dinheiro. Resolveu matar o cangaceiro ali mesmo na margem do caminho, pertinho das Pias das Panelas. E assim o fez dando um tiro no cabeça do ouvido do cabra que já estava quase morto. Mas logo após o disparo tiro, ele ouve uma barulho. Eram os companheiros de Novo Tempo que estavam chegando ali à procura do cangaceiro desaparecido. Agoniado, Zé Vaqueiro nem consegue levar o dinheiro de Novo Tempo, vai embora. Novo Tempo é encontrado ainda com vida e socorrido pelos companheiros. Depois de recuperado o cangaceiro conta tudo o que aconteceu e a traição do vaqueiro dos Paus Pretos. Os cangaceiros não perdoam a traição do Zé Vaqueiro. Retornam à Fazenda Paus Pretos e levam o infeliz Zé Vaqueiro exatamente para as Pias das Panelas e matam o cabra. Seu corpo é jogado e fica ali estendido. Depois os vaqueiros da região encontram o corpo já em estado avançado de decomposição e o enterram-no ali mesmo nas proximidades das Pias das Panelas.

3 - Preta de Maria das Virgens, cruelmente assassinada pelo seu namorado, Zé Paulo. Preta era filha adotiva de Dona Maria das Virgens do Alto Bonito. Zé Paulo, depois de ter relações sexuais com a namorada várias vezes às escondidas, descobre que engravidara a moça. Todavia, para não se comprometer e ser obrigado a casar com a pobre sertaneja resolve a questão com uma pedra, esmagando a sua cabeça e deixando ali nas Pias das Panelas o seu corpo nu e estirado. Teve a frieza de avisar a seus familiares dias depois que poderia ter sido os cangaceiros que mataram-na. Espalha para os quatro cantos da região que um grupo de cangaceiros havia os encontrado e assassinou a namorada. Zé Baiano soube da boato de que o Zé Paulo e Dona Maria das Virgens do Alto Bonito estavam colocando na conta dos cangaceiros aquela morte da mocinha Preta. Ficou indignado e tomou as providencias. Foi até o Alto Bonito, e ferrou nos rosto Dona Maria das Virgens e os seus dois filhos, um rapaz e uma mocinha. Só não fez o mesmo com o verdadeiro assassino porque Zé Paulo não estava na casa naquele momento.

4 - Cangaceiro Coqueiro. Lídia, segundo cangaceiros e cangaceiras remanescentes, era a mais bela das cabrochas, e ironicamente a companheira de um dos cabras mais feios das hostes lampiôncas, o Zé Baiano. Mas acontece que a moça tinha uma paixão de infância que, tempos depois, ingressara no Cangaço. Era o cangaceiro Bem-te-vi. E Lídia não resistiu.
 Zé Baiano

Mesmo convivendo com Zé Baiano, ela se entregou ao risco dos encontros extraconjugais com o Bem-te-vi.

Outro cangaceiro que também tinha atração por Lídia era 'Coqueiro', mas sem nenhuma chance. A paixão mesmo de Lídia era o seu amor de infância, o Bem-te-vi.

Coqueiro, frustrado e sabendo daqueles encontros nas moitas, às escondidas, resolveu delatar tudo.

Zé Baiano estava viajando para a região de Alagadiço, Frei Paulo, SE há alguns dias, e quando retornou, para as Pias das Panelas, na boca da noite, todos estavam reunidos para a janta, Coqueiro inconformado com as recusas de Lídia relatou toda a traição. Conta a Zé Baiano tudo sobre a sua companheira e o caso com o Bem-te-vi. Todos silenciam.

Aquela conversa de Coqueiro é grave demais. Lampião levanta-se. Fica agoniado, mas não diz uma só palavra. Zé Baiano fica paralisado. Olha pra Lampião e pergunta o que fazer. E Lampião sentencia:
- "Zé cuida de Lídia. Afiná, Lídia é dele. Os dois cabras, o entregador e o traidor, nós arresolve." 
E os cangaceiros matam Coqueiro, porém Bem-te-vi consegue fugir. O corpo de Coqueiro ficou ali estendido, sobre as pedras das Pias das Panelas. Dias depois, um coiteiro morador dos Paus Pretos resolveu enterrar o corpo do infeliz cangaceiro numa sepultura.

Zé Baiano amarrara Lídia e, na madrugada, antes de o dia clarear, mata a a golpes de cacete de pau-pereira a cangaceira mais linda do bando de Lampião. Cava uma sepultura e a enterra. E com o mesmo cacete que usara para tirar a vida de Lídia, improvisa uma cruz e finca sobre a 5ª cova.

Finda o cangaço, anos depois dessas mortes, alguns caçadores da região evitavam passar pelas proximidades das Pias das Panelas à noite, principalmente nos locais onde estão as covas dos mortos. Alguns afirmavam ter ouvido coisas estranhas, como vozes, gemidos ou gritos macabros.


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